Dizem que quando a gente fica mais velho, fica também mais exigente. Sou assim com as séries. Tenho uma necessidade louca de provar que o tempo traz sim transformações. Boas transformações, o que chamo de evolução.
Acho que um número considerável de boneheads aproveitou esse terrível hiato para rever alguns antigos episódios, ou até mesmo fazer uma maratona, se não das oito temporadas, ao menos das primeiras.
A nostalgia já começava a tomar conta. É um tal de “lembra daquela cena? daquele vilão? daquela música? daquele beijo? …” Acho que a lembrança é o que torna a espera ainda mais convidativa. Para alguns, foram apenas alguns meses, mas para quem é fã da série esses meses são quase como oito anos sem fim. Contudo, não estou aqui para falar da ansiedade da espera, mas sim da ansiedade para que saia tudo bem, para que a nona temporada seja boa, e que no final de tudo possamos dizer que realmente valeu a pena.
Aí que entra a questão da maturidade e da exigência de cobrar que um episódio de estreia seja mais do que apenas um episódio. E foi justamente assim que eu senti. The Secrets in the Proposal não foi ruim, nem ótimo. Teve ação, boas cenas entre B&B, falas engraçadas da Daisy e novos personagens. Mas o que faz realmente você sentir que faltou algo? É o que vou tentar descobrir nas próximas linhas.

Em primeiro lugar, três meses é muito tempo. Parece que ficou fácil aceitar o padrão de que todo intervalo entre uma temporada e outra deva ter exatamente três meses. Não cabia aqui esse intervalo. O turbilhão de sentimentos que ficou suspenso na season finale não pode ser digerido em algumas falas ou olhares estranhos.
Fica estranho pensar que o clima “ruim” entre Booth e Brennan já dure todo esse tempo, e ninguém do grupo tenha realmente interferido na questão toda. Tirando Angela, que me apareceu exageradamente furiosa – eu teria mandado o Booth pastar no momento que ele pisou em Washington com uma certa jornalista no bolso. E essa passagem de tempo me fez lembrar do exato momento em que Brennan fugiu com Christine, deixando Booth para trás. Três meses depois, tudo era resolvido em poucas cenas. Pelo que parece, a “questão” deve durar alguns episódios a mais, mas mesmo assim, não desceu muito bem esse “tempo perdido”.

Outra coisa que não ficou clara foi que o grande “segredo” do agente tenha sido tão facilmente entregue ao ex-padre e com uma desculpa tão boba para justificar o Booth não ter contado para mais ninguém. Certamente, “poker face” não cairia bem na Brennan, mas acredito que ele poderia contar com a ajuda de todo o time. Deveria ter tido uma saída mais inteligente, já que a jogada “não conte para ela se não eu mato cinco pessoas” do Pelant não me parece ter sido o melhor que o Hart poderia ter feito.
Mas se é para ter novos rostos em cena, não direi que o padre Waldo e o agente Danny Beck são de se jogar fora. É sempre bom ter novas caras, e que não seja apenas a de novos vilões. O ex-padre me lembrou Gordon-Gordon e seu extenso poço de sabedoria. Além do que, a história do pároco com o ex-atirador de elite tem um certo apelo para a minha curiosidade. É bom ver que o Booth tem alguém para se apoiar, que não seja o bobo do Sweets ou o louquinho do Jack Hodgins, já que os dois também estão ligados a Brennan.
Já o Danny Boy, palmas para seu intérprete Fred Prinze Jr.. Me cativou no primeiro sorriso, e já imagino uma bela parceria entre os dois agentes. O que pode ser de bom uso na caça mais do que necessária ao Christopher Pelant.
Sim, ao Pelant. Porque o caso da semana para mim, pareceu muito pequeno quando ainda há esse elefante gigantesco pairando sobre a cabeça de todo mundo. Por que não começar a nona temporada falando do assunto que interessa? Tenho falado disso nos últimos meses, e começo mais um ano de Bones chamando a atenção para esse ponto: sem caso bom, não há episódio bom. Afinal, a série é sobre uma antropologista forense resolvendo crimes, não é?
Uma pausa para dizer o quão assustador foi o 447 ao final do episódio. Uma forma de mostrar que a ameaça cibernética está em todos os lugares. Mesmo assim, nãome convenceu que o Pelant é o deus todo poderoso que pintam. Não mesmo.

Mas enquanto bons crimes não aparecem, o jeito é se concentrar no grande novelão que se tornou a vida do casal principal da série em um inferno. Enquanto Booth se sente o último ser vivo que merece estar na Terra, o time todo resolve engrossar o caldo de maus sentimentos e encurrala-lo até o penhasco. Daí vem Caroline, Sweets, Hodgins, Cam (que levou um coice do Booth) e Angela (que resolveu declarar a Guerra dos Mísseis em honra à sua melhor amiga). É apenas impossível compreender como alguém pode aceitar que Booth, logo o Booth, o apostador, o púdico apaixonado, o príncipe no cavalo branco, o bom agente Booth iria simplesmente não querer casar com o grande amor da sua vida.
Sei que todos tentam entender, afinal, são três meses – repito, três meses – que ninguém sabe o porquê disso tudo, mas o que me chamou a atenção é que ninguém realmente ficou otimista de que os dois iriam sair daquela situação. Apesar do Booth passar o tempo todo tentando provar para a namorada/mulher/mãe da filha dele que ele a ama, nada parece ser o suficiente para acalmar os ânimos. De um lado, Booth, do outro, todo o resto. O que é de se entender, já que todos conhecem o frágil coração da Brennan.
Lembro lá da quinta temporada, quando a Cam avisou ao amigo que se ele não tivesse certeza do amor que sentia por Brennan, que nem tentasse. “Ela vai se fechar como uma concha e nada vai fazer com que ela se abra mais”, algo assim.
E foi a própria Cam que parece ter dado a direção para que as coisas se encaminhem como devem ser. Aos poucos, o jogo não era mais B contra B, o jogo era fazer com que B&B ficassem juntos. O conselho de Cam de que Bones deveria confiar no parceiro, foi reforçado pelo ex-padre. “Você precisa ter fé”, ele disse.
E por fim, Bones. A delicadeza da Emily Deschanel ao mostrar como uma mulher racional e forte lida com um estado emocional tão conturbado é o ponto mais alto da história. Não há espaço para lágrimas, somente. Ela vai atrás de explicações, de razões científicas para explicar o inexplicável. O comportamento do companheiro não atende ao padrão.
Brennan é desligada quando o assunto é interação humana, mas ao longo dos anos ela não ficou parada em seu estado confortável. A personagem se permitiu sentir, experimentar e reavaliar suas próprias crenças, e Booth teve um papel importante nisso. Mesmo assim, ela nunca deixou de ser ela. Essa personalidade racional agora precisa lidar com um coração pulsante e cheio de dúvidas.
E então é aí que a maturidade se mostra de forma mais evidente. A evolução – mais uma vez -, e a certeza de se conhecer muito bem os personagens salvaram o episódio.
O desespero dos dois personagens de que algo poderia separá-los foi a joia mais preciosa que poderíamos ganhar neste início de temporada. Sabe por quê? O amor entre B&B não é efêmero, bobo e adolescente. É forte. A substância forte, com a Brennan falou uma vez. É permeável, mas é forte. “Eu te amo. Eu morreria por você”, não parece exagerado quando temos 8 anos de história para dizer que sim, ele a ama e morreria por ela.
Então, apesar de algumas ressalvas quanto ao roteiro de The Secrets in The Proposal, eu digo.



Eu tenho fé absoluta em você, Booth.
Se tem uma coisa que aprendi com Bones é ter fé. Que venha a nona temporada.