Tatiana Maslany é uma atriz canadense nascida no dia 22 de setembro de 1985, mais conhecida por protagonizar a série Orphan Black, da BBC America. Ela foi indicada ao seu primeiro Emmy Awards em 2013… Não, pera.
TATIANA MASLANY NÃO FOI INDICADA AO EMMY EM 2013! WHAT THE HELL?! Pois é. Já faz algum tempo que a lista dos indicados ao Emmy foi liberada, mas, até agora, muita gente não engoliu o fato de Miss Maslany ter sido deixada de fora das indicações na categoria Melhor Atriz de Drama. Primeiro, porque o trabalho dela na série estreante foi aclamado pelo público e pela crítica – tanto que ela levou para casa, esse ano, o TCA Awards e o Critics Choice Television Award, ambas as premiações oferecidas por uma banca de críticos especializados.
Mas a Academia ignorou essa atriz que, por dez episódios, interpretou de forma (assustadoramente) distinta S-E-T-E personagens. Isso mesmo: sete papéis. É que, em Orphan Black, ela vive vários clones ameaçados de morte e prova que, apesar da pouca idade, ela é uma atriz de talento e muita técnica. Ao todo, 10 clones foram citados na história, mas 7 deles apareceram, de fato, na tela: Sarah (britânica), Elizabeth (canadense), Alison (canadense), Cosima (americana), Helena (ucraniana), Katja (alemã) e Rachel (origem desconhecida).
Só por essa breve descrição, já deu para notar que o trabalho de Maslany para compor as personagens não foi fácil. Não para por aí, não. Confira as 15 razões pelas quais ela merecia, sim, ser indicada ao prêmio Emmy (e não é mimimi).

1) Coragem
A Tatiana Maslany é uma moça bonita, talentosa, que, já há algum tempo, vinha conseguindo vários papéis tanto na TV quanto no cinema. Aceitar um trabalho como Orphan Black exige coragem. Primeiro, porque quando um show dá errado, a culpa sempre recai, de certa forma, sobre o protagonista. E, nesse caso, ela era sete vezes a estrela do show – o que aumenta, obviamente, a pressão sofrida. Sete personagens serão sete preparações diferentes para a interpretação ideal. Mais do que coragem, requer fôlego, disposição. Ela poderia ter dito “não” e esperado outra oportunidade para brilhar nas telas. Claro que Orphan Black é o maior trabalho da Maslany até aqui, mas, com certeza, uma boa oportunidade não demoraria a aparecer se ela tivesse se recusado. Pois bem: ela não só aceitou o trabalho árduo como também o desempenhou com maestria.
2) Sotaque
Os clones da série vinham de diferentes lugares do mundo e, por isso, cada personagem tinha um sotaque diferente. Na verdade, mesmo pessoas que moram na mesma cidade não falam de maneira igual, cada um tem um jeito diferente de fazer as pausas, de respirar, pronunciar o “s”. Então, cada pessoa distinta que ela interpreta, essencialmente, já precisa de um cuidado especial. Mas, no caso dos clones, não era apenas isso. Ela precisou aprender inúmeros sotaques diferentes, desde o canadense (que é natural dela), britânico, russo… Gente, eu não consigo falar nem português de Portugal, ver Maslany arrasando assim me faz sentir uma incompetente, pelo menos, nesse aspecto linguístico.
3) A gente esquece que é a mesma atriz

Cada uma das moças clonadas tinha trejeitos extremamente distintos. Uma era mais recatada, a outra tinha um ar rock, a outra era doida varrida. E Tatiana Maslany foi perfeita ao interpretar cada uma das sete personagens. Em determinado ponto da série, a gente até esquece que é a mesma atriz e passa a encarar cada clone de forma muito singular. E, se você assistir a uma entrevista qualquer da Maslany, vai perceber que ela mesma é bem diferente (na gesticulação e afins) de qualquer um de seus papéis na série. Além disso, todas as personagens são mulheres fortes. Não tem uma geniosa, outra meiga. Todas são mulheres fortes, com características muitíssimo bem definidas. O que deixa a atuação dela ainda mais restrita de técnicas como “essa vai falar baixinho, andar corcunda”. Não, ela teve que se reinventar, porque todas eram mulheres de garra! Ela teve que encontrar sete “garras diferentes”.
4) Nenhum pudor
Sete personagens diferentes culminavam em ter que lidar com sete contextos diferentes. E aí, Maslany teve mais de um par romântico, cenas em que ficava nua, beijo homossexual e outras cenas fortes. Não importa, ela fez. Ela se entregou a personagem sem medo, ela se jogou!
5) Interagia com o ar
Assistindo aos bastidores de Orphan Black, dá para ver que em muitas das cenas em que as clones apareciam juntas, Maslany tinha que interagir com o ar, ela tinha que reagir “ao nada”. Okay, isso não é tão raro e filmes que misturam pessoas e animação, por exemplo, costumam usar desse artifício. Mas vou repetir: são VÁRIAS VEZES. Intercalando entre as dublês e o ar. Não dá para dizer que ela não era criativa e, acima de tudo, tinha muita técnica.
6) Trabalha mais que todo mundo
E aí entra outro ponto: a série tinha um elenco pequeno, que a gente acabava, por vezes, nem se dando conta devido ao número de clones. Ou seja… Provavelmente, Maslany via muitos de seus coleguinhas de cena indo embora e ela continuava lá, na labuta, só ela e o ar (claro que tinha uma dublê, o diretor, os produtores, que também merecem prêmios). Mas a atriz era ela, as atenções estavam voltadas para ela.
7) Tempo na cadeira de maquiagem

Cada clone tinha um visual bem distante da outra. Desde o cabelo até o esmalte da unha do pé. Imagina quanto tempo essa menina não passava na cadeira de maquiagem? Haja paciência. Eu me irrito só com uma escova de meia hora, por favor. A Helena, por exemplo, tinha várias cicatrizes espalhadas pelo corpo, um detalhe que aumentava ainda mais o tempo no trailer de maquiagem. Dormi.
8) Shakira versão Asylum

Só a personagem Helena já valeria a indicação ao Emmy da Maslany – e nem é porque ela mais parecia a Shakira depois de ir para o hospício. Era uma personagem complexa, cheia de altos e baixos, nuances, uma louca. Imagino que deva ser divertido interpretar papéis assim, mas deve ser desafiador. Não cair no caricato, convencer o público de que a personagem acredita em todas aquelas paranoias que vive não é fácil. E ela fez muito bem, obrigada.
9) Vocabulário complexo da Cosima
A Cosima é uma estudante PhD em genética e, por isso mesmo, tem um vocabulário dificílimo de entender. Eu nem tentava! O que ela dizia entrava por um ouvido e saía pelo outro, meu Deus, complexo demais. Agora, imagine para nossa amiga Tatiana, que não só precisava decorar as falas de sete personagens, como ainda tinha que aprender a falar esses termos científicos que são verdadeiros trava línguas!
Uma atriz qualquer agiria mais ou menos assim:
MAS TATIANA DIVAVA! E fazia parecer qualquer palavra cheia de consoantes soar fácil.
10) Quase no fim… Rachel!

Aí, passou a temporada inteira e a Maslany achou que finalmente tinha conseguido dominar cada uma de suas tantas personagens… Surpresa! Bem no final, surge mais uma. Novo desafio. Uma mulher refinada, com intenções duvidosas, diferente do que ela tinha vivido até agora. A gente, enquanto espectador, se delicia com cada nova personagem! Mas deve dar um friozinho naquela barriga chapada da Maslany!

11) Exigência física
Não foi apenas emocionalmente, psicologicamente, que a Tatiana precisou trabalhar. Cada personagem tinha um comportamento muito singular, mas, uma coisa, todas tinham em comum: estavam sendo perseguidas e assassinadas. Portanto, as cenas de ação eram frequentes na série e a atriz precisava pular, lutar, atirar, e dar conta das altas emoções – como se ela já não estivesse cansada pelo trabalho “dobrado” com tantas personagens (eufemismo, né, minha gente).
12) A relação com Paul
Tudo bem, o Paul provavelmente era a recompensa que ela tinha por trabalhar tanto. Que homem bonito! Mas o fato é que, apesar de todas as tensões que a série passava, Maslany ainda conseguiu formar um casal interessante com o ator Dylan Bruce, fazendo com que a gente pudesse shippar o amor meio bandido, meio impossível dos dois. A gente agradece <3
13) A relação com Kira

Um dos clones, a Sarah Manning, era mãe de uma menina fofa, a Kira (Skyler Wexler). Imagino que para uma atriz que não é mãe na vida real seja difícil criar esse laço tão bonito (e, então, desconhecido) com uma filha que você nunca teve. Mas ela fez isso de maneira sensível e nos proporcionou, junto com a atriz mirim, de talento impressionante, cenas emotivas em que ficava evidente uma cumplicidade entre as duas. Essa relação só confirmava que a personagem interpretada pela Maslany tinha sua complexidade e a atriz devia se apegar os detalhes (que não eram poucos).
14) Se você consegue elencar qualquer motivo para que outra atriz mereça ganhar o Emmy, saiba que, pela mesma razão, Maslany merece sete vezes mais.
Apenas.
15) São 7 indicadas ao prêmio esse ano.
Coincidência? Não! Maslany deveria ter sido indicada a todas as setes vagas, uma por cada clone que interpretou. Além disso, a gente bem que gostaria de vê-la tacando a mão na testa e fazendo “blllllllu” na frente de todo mundo, na hora de agradecer. Porque Maslany não faz cerimônia. Não… Pera.
A cerimônia do Emmy acontece no próximo domingo, 22 de setembro, em Los Angeles, nos Estados Unidos. Na categoria de Melhor Atriz de Drama estão indicadas Michelle Dockery (Downton Abbey), Elizabeth Moss (Mad Men), Claire Danes (Homeland), Vera Farmiga (Bates Motel), Kerry Washington (Scandal), Robin Wright (House of Cards) e Connie Britton (Nashville). Na ausência da Maslany, já elegeu sua preferida?
ENQUETE | Quem merece levar o Emmy de Melhor Atriz de Drama em 2013?