“The show must go… all over the place… or something.”
E eu acordei as 10h30 em um domingo de dia nublado com a notícia que um dos meus maiores ídolos tinha morrido. Eu não estava preparada. Eu tive tempo pra me preparar para o adeus a Finn Hudson, mas de nada adiantou.
Glee nunca conseguiria achar o jeito perfeito de fazer uma despedida como essa, mas Ryan Murphy me surpreendeu de diversas formas durante o episódio. Não foram preciso flashbacks para que lembrássemos das coisas que passamos ao lado de Finn. E é exatamente assim que me sinto. Como se eu tivesse perdido alguém próximo. Pode parecer bobo, mas quem acompanha uma série tão de perto quanto eu acompanhei e acompanho essa sabe do que eu estou falando. Você se envolve de maneira surpreendente com aquelas pessoas que estão com você ali, todas as semanas. As vezes elas até te aconselham, te dão lição de moral. Finn Hudson mesmo já me deu várias indiretas, e nunca vai saber disso.
O sentimento que fica depois de The Quarterback é o de agonia. De agonia porque não sei como a série vai caminhar sem Cory, sem Finn, sem Finchel e seu endgame. De agonia ao ver a dor nos olhos de cada um dos atores. Juro que tentei ao máximo enxergar tudo aquilo como a série, mas só conseguia ver ali as pessoas reais e de carne e osso que perderam seu amigo próximo. Que perderam um rapaz engraçado e que andava desengonçado e que os amava da mesma maneira como eles o amam.
A cena que abre o episódio não poderia ser mais adorável e dolorosa. O elenco novo, que pode até ter convivido pouco com Cory e Finn, se encontrando com pessoas que passaram grande parte de suas vidas envolvidas com essas duas figuras em questão.
Confesso que a decisão de não contar como Finn morreu da série me deixou com o pé atrás a princípio, não conseguia ver como não contar. Mas no final das contas, caiu como uma luva. The Quarterback não foi um tributo a morte de Cory, e sim a sua vida e a de Finn.
Todos sentiram de forma dolorosa e espetacular a forma de Finn, na série. Talvez Sue tenha sido a não tão grande surpresa do episódio. Não é segredo que debaixo da sua roupa de ginástica existe uma mulher com um coração metade mole. Como qualquer pessoa que perdeu alguém próximo, ela se culpa por não ter dito coisas que deveria ter dito. A cena em que ela confessa a Santana que consegue ver a vida dela daqui a alguns anos, brigando com ele, já professor e liderando o Glee Club é de cortar o coração. A atitude dela de montar um memorial para Finn no lugar onde ela pegou ele e Quinn se “pegando” foi a única tentativa de humor que funcionou durante todo o episódio, porque convenhamos, que aquela cena da Tina dizendo que a roupa a lembrava seus momentos de gótica foi mais trágica do que cômica.
A voz de Amber Riley já é dolorosa por si só, no contexto foi quase algo que destrói estruturas. Eu ouvi essa música quando ela vazou na semana passada, e sem querer, assisti a performance de Cory e eu ri. Depois comecei a chorar, mas isso não vem ao caso. O fato é que lembrar de Finn cantando essa música é bem mais engraçado do que triste porque quem é que canta para um ultrassom ? Só os personagens de Glee. Eternos.
Quando Kurt, Burt e Carole estão no quarto de Finn foi possivelmente a segunda cena mais dolorosa do episódio. Eu não consigo imaginar o quão ruim deve ser perder um filho, e me pego pensando na mãe de Cory que acabara de perder o filho – mas não teve privacidade alguma no seu momento de dor. Burt também emocionou quando disse que deveria ter o abraçado mais e a relação entre eles dois era uma coisa que eu realmente prezava.
E a figura da jaqueta que eles acharam também é algo a ser enaltecido. A jaqueta passou por diversas mãos e enxugou diversas lágrimas, como se fosse o próprio Finn consolando-os.
Talvez uma das caras mais difíceis de encarar durante o episódio foram as de Chord Overstreet e Mark Salling. No caso de Chord, ele não precisou nem de uma cena para mostrar a dor. Seus olhos marejados já diziam tudo.
No caso de Mark, eu facilmente me confundia. Não era o Puck ali. Era Mark que também tinha acabado de perder seu melhor amigo. Dot Jones também “interpretou” de forma sensacional. É bom saber que Puck agora vai seguir seu próprio caminho, e me deixa triste também, porque sinto que não o veremos mais na série por um bom tempo.
Sobre Santana, gritei e dei “chilique” junto com ela nessa cena. A junção dela e de Sue foi perfeita no aspecto em que as duas são conhecidas por serem “vacas sem sentimentos”, porém, do mesmo jeito que sabemos que Sue sente, Santana sente ainda mais, talvez.
Ver Santana falando sobre seus sentimentos não é uma coisa que vemos o tempo todo, mas quando acontece, nos arranca o coração. E não há como negar que todos adoraram ela soltando o verbo no maior estilo Lima Heights para Sue. Confesso que gostaria de vê-la puxando os cabelos de Bree, mas não era o momento certo.
No Surrender é uma das escolhas musicais mais sagazes que o seriado fez, posso afirmar. Puck cantando para uma cadeira vazia na sala do coral fez o meu coração que já estava quebrado se derreter totalmente e quase sair pela boca. No final, ele coloca mais uma árvore no lugar da que tinha roubado no memorial de Finn, e sobe em sua moto para se alistar ao exército – assim como fez Hudson, antes de descobrir as verdadeiras circunstâncias da morte de seu pai.
Will também foi parte importante do episódio. A maneira como ele pega a jaqueta sem dizer nada, como esconde, é perfeito para mostrar o quão adolescente perdido ele se sente depois de não só perder seu maior e preferido aluno, mas também perder seu melhor amigo. A cena que fecha o episódio é perfeita e não poderia ter sido melhor encaixada. Quantas vezes vimos Mr Shue chorar nessa série? Mais de mil, talvez, mas nunca choramos junto com tanto gosto quanto fizemos dessa vez.
Rachel não aparece até as cenas finais, mas isso não torna nada menos emocionante. Quando ouvimos sua voz pela primeira vez, já sentimos aquela pontada forte no coração. Vale a pena ressaltar o quão forte e valente Lea Michele é. Make You Feel My Love marca a história da série, e ela diz que antes de Finn ela costumava cantar sozinha no carro e essa foi a primeira que eles cantaram juntos enquanto dirigiam por ai. A forma como vestem o personagem como a “Old Rachel” faz tudo ser ainda mais forte. Quando ela confessa a Will que ainda conversa com Finn, e que é quase a mesma coisa já que ele praticamente só a ouvia, nem o mais forte e mais insensível dos fãs da série consegue se segurar. Eu, muito menos.
Não é fácil aceitar, mas a forma como a série encaminhou a todos e os levou até uma fase de aceitação é algo bom. O que me incomoda é o fato de que em algum momento da série eles vão ter que tocar no nome de Finn de novo, e eu não sei como isso vai ser. Tenho medo de como vai ser. Não acho que seria bom para a série se Rachel simplesmente seguisse seu caminho na Broadway e se esquecesse do amor de sua vida, mas entendo o quão doloroso vai ser para Lea falar novamente sobre a perda dele.

A série agora tira um hiatus merecido. Volta no dia 7 de novembro com uma batalha de fãs da Lady Gaga e da Katy Perry.
Como disse no começo da review, não há maneira perfeita para dizer adeus, mas conseguiram fazer isso de forma adorável e respeitosa. Peço perdão pela extensão que se deu na minha review, mas eu realmente não sabia como redigir sobre algo assim. Ninguém queria assistir esse episódio, ninguém queria dizer adeus, e é ai que Cory e Finn Hudson se vão, nos deixando mais uma lição de vida: Diga o que você tem que dizer e viva da forma que você acha que tem que viver.
R.I.P. Finn Hudson e Cory Monteith, nosso eterno quarterback e nosso eterno ídolo.