Eu gosto de comédias. Não sei vocês, mas assisto regularmente algumas sitcoms ou séries mais escrachadas. It’s Always Sunny me faz rolar de rir, já com 2 Broke Girls as risadas são mais de assimilação e contidas, exceto quando a Sophie diz “heyyy, giiirls”. Quando assisto a uma comédia, eu sei o que estou esperando. O que já não era o caso de Gilmore Girls, minha série do coração. Eu nunca sabia o que esperar, a tal dramédia me arrancava risos e choro no mesmo episódio, mas a dose sempre estava certa. A fórmula das Garotas Gilmore era louca, bipolar, mas funcionava.
Ainda na mesma linha, surgiram as crimédias. Volto lá nos idos dos anos 1980, na minha querida A Gata e o Rato, para ilustrar bem o gênero. Não havia um só episódio que o Bruce Willis não tirasse a Cybil do sério. Aquilo era um gênero bem definido. Entre episódio sérios e muita bobeira, havia um essência ali que não se perdia. Essência essa, que séries como Bones e Castle tentam copiar. Não sei sobre Castle, série da qual assisti apenas a curta primeira temporada, mas sei falar bem sobre Bones, e a tentativa do Hart Hanson em tirar um pouco de humor dos crimes da série funciona. Ou funcionava até pouco tempo atrás.
Em The Nazi on the Honeymoon, o famoso episódio da lua-de-mel, as piadas e brincadeiras deram leveza ao episódio, mas mesmo assim, tinha algo estranho naquilo tudo. Enquadrado na categoria de “episódio divertido, porque Bones precisa ser bom todas as semanas”, a história me pareceu fora do lugar, e como dizem os criativos por aí, passou longe de ser “fora da caixa”: era um local obscuro da falta de entendimento da essência do seriado. Bones resolve casos analisando ossos, ela é a melhor em sua área de trabalho, mas ela não precisava parar a lua-de-mel para se envolver em um crime.
O roteirista da vez, o renomado comediante Dave Thomas (Arrested Development), errou a mão novamente. Basta não ter jogado pelo ralo o potencial dramático de The Shot in the Dark, o ator veio por abaixo a expectativa de muitos fãs da série: de que a tão aguardada “escapadinha” de B&B fosse um episódio deliciosamente bom. Não precisava ser épico, ou superar a perfeição do casamento. Mas que poderia ter sido um pouco melhor, isso já não posso negar.
Ao invés disso, alguns elementos, como a incapacidade da Brennan de largar tudo e relaxar um pouco, ou a recente maternidade da doutora, foram salpicados como prova da evolução da personagem. Bem sabemos que não precisamos de explicações para saber dessas evoluções. E muito menos usar o amor que eles têm pelo trabalho para justificar a presença deles em um caso na Argentina. Estamos cientes disso. Eles se amam, amam trabalhar juntos, amam cada minuto ao lado do outro. Mas esse momento era deles.
Então, o que realmente sobrou nesse episódio de tão bacana assim? Bom, é isso que ainda estou tentando descobrir, junto ao ouro desaparecido da vítima.

Tem Sempre Sol na Argentina
Olá, pessoal! Como vão? Com calor? Vocês devem estar com muito calor, já que aqui no hemisfério sul o verão está quase batendo à porta.
Aliás, vocês já perceberam que para gringo, passou pra baixo da linha do equador, o sol é quem manda. O molejo é caliente, as pessoas mais morenas e a língua é a mesma. Todo mundo aqui na América Latina fala quechua e tem sangue de índio.
Mas só não é pior do que pensar que a capital do Brasil é Buenos Aires. Acreditem, tem muita gente ainda pensa assim. Deve ser por isso que o episódio começou com uma vista área de uma bela praia (da Califórnia): alguém na produção de Bones deve ter confundido Brasília com o Rio de Janeiro! Afinal, Rio é o segundo nome cogitado pelos estrangeiros como capital do nosso país.
Mas erro geográfico só não é pior do que erros sobre costumes e tradições. Aqui na América Latina pessoas recém-casadas fazem amor. B&B deviam ter se jogado em nossas tradições. Vocês repararam que o ator português que interpretou o argentino Raphael tinha sotaque espanhol? Um brinde ao multiculturalismo da série. Só Bones mesmo para fazer a Emily Deschanel falar “ajuda” de um jeito tão bonitinho. Falando em bonito, o que foi o David Boreanaz de chapéu?
Não sei porque estou falando em chapéus, quando eu deveria estar falando de coisa séria. O nazista, por exemplo. Aquilo é coisa séria. Séria também foi a política de banqueamento na Argentina no início do século passado, com ideais do nazismo e fascismo, o que poderia ser o tema de um episódio bem interessante. Sério seria se tivesse sido isso mesmo.
O que não me pareceu nada sério foi a antropóloga ter matado o avô por ele ter sido… nazista? Já pensou se Bones resolve virar uma série política e voltar para a Argentina para resolver um caso sobre a ditadura e descobrem que o assassino matou a pobre vítima por ela ser…. americana? Se bem que eles mencionaram a “dirty war”, algo que o governo não gosta de lembrar. Aliás, fazer piada com nazismo e capitalismo é coisa mal gosto.
Só não é mais de mal gosto colocar Angela e Hodgins morando na casa de B&B para não gastar com cenário. So Bones! So Fox!
Mas alguém sabe por que Michael Vincent e Chris Angela entraram no laboratório? Porque a porta estava aberta! HA HA HA.
Ok, eu admito. Eu achei super engraçado a Cam tomando conta dos pequenos! Aliás, a Cam é uma das personagens mais engraçadas de Bones. Se a série fosse uma comédia, ela seria uma daquelas personagens com ótimas frases de efeito.
Um efeito bem cômico, como o Booth tentando ensinar a Brennan a relaxar. Ah! Senhor agente sabichão, até parece ele tentando ensinar a Bones a ouvir rock (ao som de Hot Blooded), ou tomar o Bang depois do trabalho, ou fazer um sexo sem compromisso ao fim do dia! A doutora sabe como festejar (espera só chegar até a cama do hotel, que nós não vimos, e nunca veremos)!
Para falar a verdade, festa é o que não falta na série. Esse episódio me lembrou muito aquele do morto muito louco, o do avião para a China ou o da festa da escola da Dra. Brennan. Só que naqueles lá, a essência da série foi preservada.
Falo em essência. Vocês sabem? Tudo hoje em dia tem essência. Até a essência da falta de noção de uma cena em que a Brennan tem que “explicar” que é um prazer ser mãe. Já disse várias vezes, a série é sobre a evolução dos personagens, principalmente da Brennan, mas as coisas ali me pareceram um pouco forçadas. Não tão forçadas quanto as risadinhas que serei obrigada a ouvir por causa dessa review stand up comedy.
Falando nisso, lembrei de uma piada sobre a evolução. Você sabe o que dizem sobre a Teoria da Evolução de Darwin? Deus criou o mundo, mas foi Chuck Norris quem decidiu quem iria viver ou morrer. (Não me arrependo).
Mas vamos continuar. Por que sempre tem uma gostosa perdida nos casos? Para tornar a investigação mais deliciosa. HA HA HA.
Ah, e por que sempre o latino americano precisa ser corrupto ou descuidado? Mmm… pergunta honesta, não foi uma brincadeira.
Falando em brincadeira, o quão adorável foi ver Michael e Chris interagindo? Eles são tão lindos que chega a ser um desperdício não aproveitá-los mais.
Mas não vamos falar em desperdício, falemos que coisas incríveis, ok? Não é incrível como os argentinos parecem com mexicanos nesse episódio? E como o centrão de Buenos Aires é a cópia da periferia de Los Angeles?
Mas ninguém está aqui para falar de cópia, vamos falar de coisas originais.

Na Comédia e na Tristeza
Ser fã de Bones é ser comprometido com a série na doença e na pobreza de orçamento que não permitiu o elenco ir para a Argentina, e na alegria e na tristeza. Mas tristeza passou longe desse episódio. A sintonia de B&B é maior do que todos os clichês de séries românticas, e como a gente bem sabe, depois de um filho ter sido concebido depois de um abraço, que o convencional passa longe de Bones.
Apesar de não concordar com escolhas de detalhes do roteiro, como a iniciativa da Brennan em parar a lua-de-mel para trabalhar num caso. Eles poderiam ter se “envolvido” no crime de outra maneira. Isso me faz pensar em quão evoluída Brennan realmente está agora. Não se pode querer ter os dois. Vimos as mudanças que ela passou, e então não dá para justificar algo assim como “ah, isso é tão Brennan”. Não funciona assim.
A aceitação do Booth também é algo difícil de engolir. “Estamos fazendo algo que amamos. É difícil para as pessoas entenderem”, diz ele. Realmente, Booth. Realmente.
Aquela história dela achar todo mundo incompetente já passou do tempo de ser engraçada também. Todo o mundo sabe que ela é a melhor antropóloga do mundo inteiro neste mundo. Então, isso poderia ser um ponto superado.
Apesar de tudo, no geral, o episódio foi bom. Eu gostei bastante da química entre o agente Raphael e Booth, acho que nunca tinha sentido algo assim ao ver alguém trabalhando com ele. Foi bacana. Gostei também de todas as referências a carreira de autora da Brennan, e da Argentina ter sido citada como “uma nação de leitores”. Uma ótima conexão com a série, e os livros sobre a Dra. Reichs e o agente Andy.
Aliás, o Booth se achando um Super-Homem foi hilário. E todas as perguntas sobre a vida real do agente e da doutora me fez perceber uma coisa: Eles estão casados! E o mundo inteiro sabe disso.

The Nazi on the Honeymoon
Quando nos casamos a semana passada (todos nós nos casamos um pouco na semana passada), sabia que o que nos esperava “depois” seria qualquer coisa meio que normal. Não é de se esperar que o episódio seguinte não tenha a mesma carga de emoção de um dos melhores episódios de Bones. Mas a falta de cuidado que tiveram com a lua-de-mel foi um banho de água fria.
Depois de assistir o episódio várias vezes, até que o achei bastante divertido. A diversão não é um ponto negativo, e bem deve ser. Mas sou chata, gosto dos detalhes. Gostaria de ver a Christine perguntando pelos pais. Qualquer criança de três, dois anos de idade faria o mesmo. Gostaria de saber como a Brennan enviou tão rápido as amostras para o laboratório? Essas coisas ficam na cabeça, sabe?
Sou tão apegada aos detalhes que dou risada por ver uma caneca do Steelers e outra do Flyers na mesa do Booth. De como as alianças ficaram bem nas mãos de B&B. Por ver a Cam lembrando que crianças não são permitidas no laboratório. São esses detalhes que fazem Bones ser um pedacinho da nossa casa.
Então, o que eu disse sobre me sentir um pouco deslocada ao ver esse episódio é justamente isso. Separado, os elementos bons da série não se conversaram. O episódio foi sustentado pela adorabilidade dos personagens centrais e da capacidade e do timing para comédia do elenco de Bones, fazendo qualquer coisa se tornar agradável de assistir.
Da próxima vez que eles inventarem um episódio assim na série, estarei com meu Devil’s Tail na mão, sentada confortavelmente no sofá, esperando a cortina se abrir e o picadeiro se iluminar… porque realmente, não tem como levar Bones muito a sério.