Estou começando a ficar com medo de parecer sem vocabulário, ou cair em repetição, mas não dá: essa sexta temporada está demais! Mas, se tem algo que não se repetiu foi a temática do episódio. Like Father, Like Daughter é aquele tipo de episódio que te faz lembrar o ditado “nunca julgue um livro pela capa”. Botar a Alexis em “foco” foi uma atitude arriscada, visto que os produtores sabem o quão fiéis a histórias relacionadas a Caskett os fãs são. Contudo, explicando o uso do ditado, fomos, talvez, com uma certa expectativa e, pelo menos eu, recebi muito mais do que esperava.
Com mais um caso consistente, a cada episódio a sexta temporada surpreende e inova. A série amadureceu e você pode perceber isso na medida em que a cada caso a história é mais bem trabalhada, usam-se mais recursos que explorem a imaginação do telespectador, que atraiam nossos olhos. E, além desse amadurecimento da produção do show, Castle também está tendo a temporada mais diversificada que já teve. O sentimento que tinha ficado, ao final da quinta temporada, era que a sexta viria só e somente sobre Castle, Beckett e a transição entre noivado e casamento. Mas não (thanks, God Marlowe!). Quantas histórias já não foram tratadas? Estamos só na sétima semana, e Castle está se mostrando cada vez mais versátil quando o assunto é escolher quais histórias serão tratadas no episódio. Mesmice? Jamais!
Agora, se me permitem, e antes de falar da Alexis e dizer pra vocês que finalmente tomei uma posição quanto às atitudes dela, vamos para Castle, Beckett, casamento no espaço e o peso no ombro de alguém que tem toda uma bagagem de vida e precisa aprender a ajustá-la a outras nessa nova formação de família.

Que tal um casamento no espaço? É claro que a resposta seria um não, bem redondo, e cheio de piada pra zoar com a face do nosso escritor. E, quem vê os dois assim, rindo, decidindo quem procura o quê para o casamento, até pensa que nenhuma questão os aflige. Quanto ao Castle, não posso dizer sem saber. Mas, pro lado da detetive, eu posso e afirmo: nem tudo são flores nos campos de lírio da Beckett.
Desde o início, ter um sentimento pelo Castle e vê-lo crescer a cada dia mais sempre foi algo que Beckett demorou para aprender a lidar. O assassinato da mãe a fechou e a cegou a um único propósito, e Castle suou para demolir toda aquela parede que ela havia construído ao longo dos anos. Mas, com o tempo, Beckett aprendeu a aceitar e reconhecer tudo o que sentia pelo Castle, aprendeu a se doar, a compartilhar momentos que antes ela guardava para si mesma. Nas inúmeras etapas do relacionamento dos dois, ela sempre encontrou dificuldades e sempre as venceu, e com o casamento não seria diferente. As dificuldades e anseios estão aí, e eu pergunto: quem poderá nos salvar? Isso, a voz do Fandom em forma de pessoa, sim, sim, Lanie!
“Viver é ser outro”, já dizia Fernando Pessoa, e foi quase o que a Lanie deu de conselho para Beckett. Não que ela precise mudar de personalidade, ser outra pessoa, mas sim encarar as novas coisas que vêm como uma mudança essencial, como uma forma de fazê-la sentir e viver novas etapas. É claro que a formação de uma nova família já assusta por si só, agora imaginem entrar em uma já formada? Como disse Lanie, sempre representando nossa voz, o que ela precisa é pegar as histórias dela e juntá-las às do Castle, da sua filha e da sua mãe para que assim eles criem uma nova bagagem, dessa vez com Beckett no pacote. Não é fácil, mas também não é impossível. E assim como todos os outros medos vencidos, esse também logo logo será superado.

Passando para o foco em si do episódio, tivemos a amostra de um lado da Alexis que não conhecíamos – ou pelo menos eu não. E não é que esse novo lado deixou o episódio ainda mais interessante? Ter Castle e a filha trabalhando juntos era algo que não tínhamos visto ainda, talvez pelo fato de associarmos a Alexis a uma eterna adolescente e pela série ter feito essa associação até pouco tempo atrás. Mas não, agora ela cresceu e junto com isso vieram senso crítico, a busca pela justiça e aquele instinto de não desistir nunca, que com certeza veio do Castle. Como todos sabem, eles estavam brigados e eu na review passada não tinha tomado uma posição quanto às atitudes da Alexis, mas agora as coisas ficaram mais claras.
Primeiro, vamos ao caso. Tentando salvar a vida de um homem condenado a execução, Alexis vai pedir a ajuda do pai porque sabe que ele é o único que só pararia de investigar quando achasse o real assassino. Eu achei a forma que ela tratou o Castle, em quase todo o episódio, dura demais. Tudo bem que eles não estavam em seu melhor momento, e tudo bem também ela querer liberdade, mas Alexis confundiu, por várias vezes, autonomia com falta de respeito. Adulta, criança, crescida ou não, Castle é ainda o pai dela e ela precisa respeitá-lo. Em contrapartida, Alexis se mostrou madura, me fez acreditar que a real intenção dela em ter saído de casa é por querer o seu próprio espaço, caminhar com as próprias pernas.
Por outro lado, Castle, com a procura da filha, não viu somente uma chance de salvar a vida de um homem aparentemente inocente, mas também a de criar uma ponte de acesso a Alexis. E essa interação entre os dois gerou ao episódio uma pegada boa, uma dinâmica diferente. Além disso, o caso foi atraente, instigante e revelador. No final, com a salvação de Frank, e com os ânimos aflorados, Castle e Alexis trocaram desculpas amenas, mas sinceras. Contudo, esse não foi o único avanço tido nesse episódio.

Devo confessar que também fiquei com aquela carinha de boba quando vi essa cena. Mas não só boba, como feliz. Feliz pelo Marlowe não ter tomado o rumo de transformar as questões da Alexis em questões relacionadas à Beckett, porque isso só iria prejudicar a série. Além de travar o enredo, de deixar chato, cansativo, “montaria” a imagem de uma Alexis indigna do personagem. E, visto por olhos esperançosos, retomar a aproximação das duas é diminuir os medos da Beckett. A gente só tem a ganhar, certo?
Como eu disse, eu enxerguei Like Father, Like Daughter como algo realmente muito bom, com questões boas para serem analisadas e pensadas a fundo, e com um caso digno de grandes séries de crime/drama. Espero que os problemas entre Alexis e Castle tenham sido superados, senão diminuídos. Não sou de ferro, e quero logo começar a ver uma maior movimentação para o casamento e também estou a espera do famoso episódio duplo de cada temporada nos dai esse ano. Mas por enquanto vou me conter em esperar e curtir essa sexta temporada delicinha, que está só no começo, e que ainda tem muito o que render.
Espero vocês aqui na semana que vem. Até lá!
PS1: Como Castle/Nathan está magrinho. Tchutchuco.
PS2: Jurei que iria ouvir um “always” quando a Alexis o agradeceu. Pode ser uma viagem muito grande da minha parte, mas eu assemelhei o uso do “anytime” para ela, deixando o “always” só para quando se refere a Beckett, mostrando algo próprio da tal bagagem que o casal já formou ao longo dos anos. É como se aquela palavra fosse só deles. Vocês podem não concordar, até porque isso é muito subjetivo, mas gosto de ver por essa forma.