Série: Fringe Episódio: Alone in the World Temporada: 4ª Número do Episódio: 4×03 Data de Exibição nos EUA: 7/10/2011
Alone in the World não me conquistou. Li muitas opiniões a respeito do episódio, várias bastante elogiosas, afirmando que esse foi o melhor episódio dessa temporada. Mas ouso discordar. Achei que Alone in the World foi, de certa forma, um desperdício de tempo – com exceção dos minutos finais. E explico o porquê: o caso do menino que vivia em simbiose com o “monstro do túnel” até que foi interessante. Mas pouco, ou nenhum, desenvolvimento trouxe ao plot da temporada. E sim, eu entendi que o caso do menino Aaron foi permeado de referências ao relacionamento de Walter com o pequeno Peter. Também entendi que o cientista pode, finalmente, experimentar o êxito de salvar um garoto, já que havia fracassado nas duas oportunidades anteriores. E que o próprio fungo “Gus” poderia representar Peter, já que este guarda uma relação “simbiótica” com Walter e Olivia. Mas, ainda assim, achei que o episódio ficou em um patamar abaixo dos anteriores, até porque achei as referências mais óbvias. Prefiro quando elas estão mais subentendidas. E no final de tudo, ainda não temos nenhuma pista concreta de onde está Peter Bishop. Contudo, não posso negar que os roteiristas estão costurando muito bem a trama dessa quarta temporada. Clique aqui para continuar a leitura »
Série: The Vampire Diaries Episódios: Disturbing Behavior Temporada: 3ª Número do Episódio: 3×04 Datas de Exibição nos EUA: 6/10/2011
Não vou falar que esse episódio de The Vampire Diaries foi ótimo, porque a série já conseguiu voltar há um tempinho aos eixos que tinha na segunda temporada. Mas uma coisa que vem mudando (ou melhor, voltando ao normal) é o Damon… O vampiro estava meio bobão por causa do amor que sente pela Elena, mas parece que finalmente caiu na real e resolveu brigar com todo mundo no episódio, fazendo lembrar os bons e velhos tempos da primeira temporada, em que ele era o malvadinho da vez. Clique aqui para continuar a leitura »
Série: Supernatural Episódio: The Girl Next Door Temporada: 7ª Número do Episódio: 7×03 Datas de Exibição nos EUA: 7/10/2011
Yay, Bob está vivo! Claro que eles não iriam matar o paizão da história, mas depois que sumiram com o Castiel, eu não duvido de mais nada! Confesso que inicialmente fiquei decepcionada com o fato de terem colocado um Kitsune no episódio e perdido um pouco o foco dos Leviatãs. Mas no final, percebi que foi necessário. Clique aqui para continuar a leitura »
Série:Outsiders Episódio:Girls Gotta Party Temporada:1ª Número do Episódio:1×02
[FADE IN]
CENA 1 – CAMPO DE ESPORTES NARANDA HIGH – DIA
[MÚSICA DE FUNDO – Why Not, Hilary Duff]
CATHLEEN e KENNEDY correm lado a lado em volta do gramado enquanto conversam, ofegantes. Atrás delas vemos outras garotas também correndo.
CATHLEEN: Cara, eu odeio educação física! Como o governo pode obrigar a gente a ficar completamente nojenta por cinqüenta minutos?
KENNEDY: [irônica] Essa deve ser mesmo a principal preocupação deles.
CATHLEEN: Não, eu falo sério, Kay. Pensa bem. Nós somos apenas gastos nos cofres públicos. Nós comemos, exigimos escola, parques, roupa, abrigo…
KENNEDY: [irônica] Festas ilegais.
CATHLEEN arregala os olhos como se KENNEDY finalmente tivesse compreendido.
CATHLEEN: E não pagamos imposto de renda!
KENNEDY: [ergue uma sobrancelha] Então essa é a vingança deles? Uma aula obrigatória de exercícios por tudo que fazemos eles gastarem?
CATHLEEN: Precisamente. O que eu tô tentando dizer é que essas coisas não valem cinquenta litros de suor!
KENNEDY: [sorrindo] Só as festas ilegais.
CATHLEEN: Ah, claro! Não vamos esquecer as festas! Você vai mesmo com o Ben na festa da fábrica hoje à noite?
KENNEDY: Espero que não! Ainda tô bolando um jeito de me livrar dele.
CATHLEEN: Então você vai terminar tudo mesmo?
KENNEDY: Não tem outro jeito. O problema é que toda vez que decido conversar com ele, terminar… eu não tenho coragem, Cath.
CATHLEEN: Quanto mais tempo você demorar pra terminar com ele, mais difícil vai ser. É melhor você fazer isso agora que vocês ainda estão no começo do namoro.
KENNEDY: Acho que você tá certa. O problema é que a Sam me disse que o Harry disse pra ela que o Ben falou que já gostava de mim há muito tempo. Sabe… eu não quero magoar ele.
KENNEDY parece cansada e para, colocando as mãos nos joelhos e pedindo por ar. Cathleen corre no mesmo lugar ao lado da amiga.
CATHLEEN: Então você vai casar com ele por causa disso? Não tô dizendo que você deva ser grossa com ele e mandar o cara pastar de uma hora pra outra. Só tô dizendo que você não pode ficar numa relação onde você não consegue nem respirar.
KENNEDY: Eu não tenho culpa de me envolver com caras tão… rarefeitos.
CATHLEEN: [rindo] Então, compre um tanque de oxigênio e seja feliz com ele.
CATHLEEN bate de leve na cabeça da amiga e sai correndo. KENNEDY ri e corre atrás de CATHLEEN. A música aumenta e a conversa se torna indistinta enquanto a câmera se afasta
[MÚSICA TEMA – Late Great Planet Earth, Plumb.]
CENA 2 – SALA DESCONHECIDA NO NARANDA HIGH – DIA
[MÚSICA DE FUNDO – What’s My Age Again, Blink 182]
A câmera focaliza dois soldadinhos de plástico numa mesa sendo manipulados por duas mãos. A câmera abre revelando EHLIOS em frente a uma senhora [Kathryn Joosten] aparentando seus 50 anos.
EHLIOS: Me desculpe Doutora Miller, mas é que esses momentos de silêncio me dão náuseas, por isso, os soldadinhos. Sei que você irá me avaliar como infantil… bem [dá de ombros] você não seria a primeira. Então pega a senha e entra na fila.
DRA. MILLER: [anotando] Então, você tem problemas com pessoas silenciosas.
EHLIOS: Com pessoas silenciosas, não. Com pessoas que fingem ser silenciosas para chegar a algum lugar, sim.
DRA. MILLER: Eu gostaria de te lembrar que é o senhor que está avaliado aqui.
EHLIOS: E por que só eu fui chamado para ser avaliado? Eu não comecei aquela confusão sozinho.
DRA. MILLER: Senhor Grynn, a sua situação no colégio é alarmante.
EHLIOS: [revira os olhos] Não me diga.
DRA. MILLER: Você vem incomodando a calma nas decisões do grêmio desde que chegou ao colegial. E isso foi tolerado nas primeiras vezes, mas agora, vendo aonde a situação chegou devido ao seu mau comportamento, isso é inaceitável.
EHLIOS: Então o quê? Eu tô expulso?
DRA. MILLER: Não. Mas, devido aos seus últimos impulsos agressivos contra alguns membros de destaque em nossa instituição–
EHLIOS: …como o capitão do time?
DRA. MILLER: [num tom mais rígido] …eu e o diretor Fordman, acreditamos que o seu intelecto, como podemos notar em seu histórico, não está sendo totalmente aproveitado.
EHLIOS: Como assim? Vocês pretendem colocar uma focinheira em mim só porque eu falei umas verdades para aquelas aspirantes a Regina George?
DRA. MILLER: Não. Nós chegamos à conclusão que a melhor punição para você no momento é expandir suas relações sociais com outros alunos. Podemos começar com algo simples, como por exemplo monitorar outros alunos com dificuldades no aprendizado.
EHLIOS: [cauteloso e desconfiado] E vocês já tem alguém em mente.
DRA. MILLER: Sim. E acho que você vai se dar muito bem com essa pessoa. [mexendo nos papéis] Hum… aqui está… Joseph Campiti.
Os olhos de EHLIOS se arregalam e vemos uma expressão de pavor crescer em seu rosto.
EHLIOS: O quê?! Nunca!!
DRA. MILLER: [sorrindo] Vou considerar isso como um “sim”.
CENA 3 – REFEITÓRIO DO NARANDA HIGH SCHOLL – DIA
JOEY está almoçando sozinho. Ele coloca uma farta colherada de ervilhas na boca quando sente alguém cutucando seu braço. A câmera abre mostrando EHLIOS com uma pasta nas mãos. Ele joga a pasta sobre a mesa.
EHLIOS: Sou seu novo monitor.
JOEY, com a boca cheia de ervilhas, se esforça, mas não consegue falar. Sua expressão parece ser de incredulidade.
EHLIOS: [entediado] É… eu sei como se sente. Te vejo no sétimo horário. E não se atrase porque eu tenho mais o que fazer com a minha vida.
JOEY engole as ervilhas a seco e abre a pasta. A câmera mostra o que parece ser uma grade com horários de aulas.
JOEY: Ah, você só pode tá me zoando!
CENA 4 – QUARTO DE CATHLEEN – NOITE
[MÚSICA DE FUNDO – Vindicated, Dashboard Confessional]
Uma batida rítmica na porta. CATHLEEN sai de seu banheiro com um estojo de maquiagem na mão. Ela abre a porta sem se dar ao trabalho de conferir quem é e volta para o banheiro pra terminar de se arrumar. No caminho ela abaixa o volume de seu stéreo e a música diminui. JOEY no quarto e se joga na cama da garota de costas, encarando o teto.
JOEY: A tal festa da fábrica?
CATHLEEN: Sim.
JOEY: Então… você tá indo?
CATHLEEN: Sim.
JOEY: Onde é?
CATHLEEN: Na antiga fábrica de queijo.
JOEY: [cara de nojo] Parece fedorento.
CATHLEEN sorri do comentário e continua delineando seus olhos.
JOEY: Vocês todos vão?
Ela se senta na cama ao lado dele e começa a calçar sua sandália.
CATHLEEN: Só eu e Kay. É impressão minha ou essa conversa virou um tipo de interrogatório?
JOEY: Não, é só que…
CATHLEEN: Fala logo, Joey. [ela começa a procurar algo no chão] Droga! Bela hora para a tarraxa do meu brinco sumir.
JOEY: Quero dizer… Samantha vai com vocês?
Ela continua a procurar a tarracha no chão e não parece prestar muita atenção na conversa.
CATHLEEN: Não. Ela acabou de ligar. Parece que os pais dela viajaram e ela e Harry vão… [dá um sorriso malicioso] assistir Bob Esponja. [irritada] Droga. Cadê a maldita tarracha?
JOEY: Como? Bob Esponja?
JOEY leva um minuto para entender.
JOEY: [desanimado] Oh…
Ele vira-se e começa a sair, cabisbaixo.
JOEY: Me liga se acontecer qualquer coisa. Eu vou te buscar.
Nesse momento CATHLEEN, encontra sua tarraxa e vê JOEY saindo triste do seu quarto. Ela percebe a situação e bate a mão na cabeça.
CATHLEEN: Espera. Joey. Desculpa. Foi falha minha, eu nem deveria ter falado isso com você… mas, essas tarrachas demoníacas destroem qualquer maldito pensamento linear na cabeça de uma mulher.
JOEY: Sem problema. Não se preocupe comigo, Cathie. Eu estou bem.
CATHLEEN: Mesmo? Ou está querendo me fazer sentir menos culpada?
JOEY: [mostra um tímido sorriso] E você acha que eu perderia a chance de te ver se autoflagelar?
CATHLEEN: [rola os olhos] É, acho que você já está bem.
Ele vira-se de novo para sair, mas sua expressão triste permanece. CATHLEEN aperta os olhos e solta um pequeno “argh” em agonia.
CATHLEEN: [impulsiva] Você que ir?!
JOEY se interrompe mais uma vez e encara a garota.
CATHLEEN: Quero dizer… você quer ir na festa? Com a gente?
JOEY: Você tá falando sério?
CATHLEEN: Surpreendentemente… sim.
JOEY abre um sorriso completo.
JOEY: Tá bom. Me dá vinte minutos que eu já vou me arrumar.
CATHLEEN assente com a cabeça e JOEY sai correndo, fechando a porta do quarto. A garota faz seu caminho de volta ao banheiro.
CATHLEEN: [sussurrando] Kay vai me matar.
Um shot do deserto. A velocidade da cena acelera. O vento balança os poucos arbustos. As estrelas somem e o céu fica um pouco mais claro, mostrando que o Sol está para nascer.
CENA 5 – COZINHA CASA DE JULIA – MADRUGADA
JULIA: Eu não acredito no que você fez, CATHLEEN! Você sabe que não pode sair no meio de uma semana de aula! Veja o que acontece!
A câmera mostra JOEY e CATHLEEN sentados ao balcão da cozinha. CATHLEEN possui a roupa que usava na cena anterior, mas JOEY parece que acabou de acordar. Cathleen abre a boca, mas Julia continua falando.
JULIA: Você está atraindo atenção para si! Eu achei que minhas regras fossem claras e, acima de tudo, bem simples! Será que é tão difícil assim?
CATHLEEN: Hey! Por que eu estou tendo a sensação de que eu sou a única a levar sermão aqui?! Joey também saiu com a gente!
JOEY: [defensivo] Hey!
JULIA: Joey voltou pra casa muito mais cedo que você.
JOEY: E andando, diga-se de passagem. Tive que aturar duas milhas de Kennedy Lester reclamando que seu salto estava machucando.
JULIA: E além do mais, foi você quem o convidou!
CATHLEEN solta um olhar cortante para JOEY.
JOEY: [defensivo] Eu não disse nada!
A garota olha para JULIA como uma expressão entediada.
CATHLEEN: [pausadamente e irritada] Será. Que dá. Pra você. Por favor! Parar de vasculhar minha cabeça?! Nem na própria mente se tem privacidade nessa casa!
CATHLEEN se levanta irritada e começa a sair da cozinha.
JULIA: Eu ainda não terminei.
CATHLEEN solta um grunhido de irritação e vira-se para JULIA com os braços cruzados.
JULIA: A questão aqui não é a sua privacidade. Estamos falando da sua falta de responsabilidade. Já passou da hora de vocês perceberem que não são mais crianças e que a manutenção de algumas responsabilidades é essencial para que nossas vidas continuem tranqüilas. Que o que vocês fazem geram conseqüências. [sorri] Por isso vocês vão ficar dois semanas sem o carro.
JOEY apenas concorda com a cabeça enquanto CATHLEEN arregala os olhos.
CATHLEEN: O quê?! Você não pode fazer isso comigo, Julia! Como que eu vou sobreviver sem o carro?!
JULIA: Bem, eu vou continuar levando vocês para o colégio como faço todos os dias. E além do mais, Naranda nem é tão grande assim. Tenho certeza que você vai conseguir ir aonde quiser andando.
CATHLEEN: Eu sou uma adolescente, Julia. Locomoção nunca foi meu objetivo principal com um carro. Será que você não aprendeu nada com seus velhos tempos de 90210?
JULIA: Então sinto muito, mas seu sempre ascendente status social terá que ficar em suspensão por duas semanas. O que não é nada na verdade.
CATHLEEN: Droga! Eu já disse que não tive a intenção de ferir o cara!
JULIA: A gente ainda teve sorte, Cathleen. Eu nem sei como você conseguiu convencer o cara a não processar.
CATHLEEN dá um pequeno sorriso malicioso.
JULIA: [revira os olhos] Quê que eu tô falando? É claro que eu sei como você convenceu o cara. Você é a rainha da chantagem.
CATHLEEN: Eu salvo o mundo de mais um pedófilo e você me crucifica?
JULIA: [séria] Nada de carro, Cathleen. Ponto final.
CATHLEEN solta outro grunhido frustrado e começa a massagear as têmporas tentando se acalmar.
CATHLEEN: Okay, okay. [respira fundo] Pelo menos me dá aqueles trezentos dólares extras que eu vou precisar.
JULIA: Aqueles trezentos dólares? Quais trezentos dólares?
CATHLEEN: [revira os olhos] Olha, se é pra ler minha cabeça, pelo menos lê direito… ou não lê nada. [levanta a mão] Eu voto fortemente pela a segunda opção.
JULIA olha para CATHLEEN por alguns segundos e logo depois seus olhos se arregalam.
JULIA: O quê? Nem pensar! Eu não vou desembolsar trezentos dólares para pagar seus estragos naquela festa.
CATHLEEN: Mas, Julia…
JULIA: Nada de “mas Julia”. Consequências, Cathleen.
CATHLEEN: Mas a minha mesada já acabou e o que eu tenho guardado não dá pra pagar!
JULIA: Então arranja o dinheiro de outra forma.
CATHLEEN: Você quer que eu roube?!
JULIA: Eu não vou nem começar a pensar no porquê de roubar ter sido a primeira coisa que surgiu na sua cabeça quando eu falei em arranjar dinheiro. Bem, pelo menos não foi prostituição. [solta um suspiro cansado] Não, Cathleen. Você não vai roubar. Será que você já ouviu falar em alguma coisa chamada emprego?
Os olhos de CATHLEEN arregalam em pavor. JOEY coça a cabeça e aperta os olhos se preparando para a reação.
CATHLEEN: [chocada] Arrumar um emprego?!
KENNEDY: [voice over] Wow. Que droga!
CENA 6 – CENTRO DE NARANDA – DIA
CATHLEEN e Kennedy estão andando, observando o movimento entre as lojas.
KENNEDY: Pelo visto ela tava brava mesmo.
CATHLEEN: Honestamente eu não entendo o porquê. Acho que ela tá entrando em menopausa.
KENNEDY: [balança a cabeça e sorri] Então, nada de dinheiro, mesmo?
CATHLEEN: Aparentemente, ela resolveu tomar uma postura mais Frank Fitts comigo.
KENNEDY: E o que você pretende fazer? Você não tá pensando mesmo–
CATHLEEN: Sim… estou pensando seriamente em arrumar um maldito emprego. Não vai ter jeito, Kay. E o pior é que eu não sei no que eu sou boa.
KENNEDY: Do que você tá falando? Você é boa em… [pensativa] hum… muitas coisas.
CATHLEEN: Como o quê? Descobrir quantas tonalidades diferentes de esmalte a gente consegue por 5 dólares?
KENNEDY: [sorri sem graça] É um começo.
CATHLEEN deixa os ombros cairem com uma expressão de derrota.
KENNEDY: Tá vendo o que acontece quando você abandona sua querida amiga com seu meio-irmão nerd? Falando nisso, como você conseguiu passar por aquele armário na portaria da festa?
CATHLEEN sorri maliciosamente e a câmera fecha nos seu olhos.
CENA 7 – EXT. GALPÃO ABANDONADO – NOITE
[FLASHBACK]
A câmera está fechada nos olhos de CATHLEEN. Ela então abre mostrando ela, JOEY e KENNEDY esperando numa fila quilométrica. Um pouco a frente vemos a fila sendo engolida pelo portão de um galpão abandonado. Três seguranças enormes checam os documentos.
CATHLEEN: Olha a quantidade de pessoas na nossa frente! [sorriso malicioso] Espera um minuto.
CATHLEEN sai da fila e vai andando até um dos seguranças.
KENNEDY: [revira os olhos] Sempre a mesma. Isso não vai dar em boa coisa. [para Joey] Anda, vem!
Os dois seguem CATHLEEN.
JOEY: E como você acha que vai conseguir furar a fila, espertinha?
CATHLEEN: [sorri maliciosa] Com um toque de fada.
Ele leva uns instantes para entender o que a garota fará.
JOEY: [arregala os olhos] Não! Você tá doida?!
KENNEDY: Será que dá pra alguém me explicar o que tá acontecendo?
CATHLEEN: Esqueça o Joey, Kay. Ele anda meio perdido, mesmo.
JOEY: [para si mesmo] Isso ainda vai sobrar pra mim.
KENNEDY: Vai lá então, Cathie. Se você conseguir usar seus “dotes femininos” ou seja lá o que for no grandalhão ali eu vou criar uma igreja com o seu nome.
CATHLEEN: Então amiguinha, vai se preparando para a minha canonização.
CATHLEEN caminha até o segurança deixando KENNEDY e JOEY a uma certa distância. Ela sorri para ele, que continua com a cara fechada. CATHLEEN então toca seu ombro, gentilmente. Flashs de memória atravessam a tela, revelando imagens desconexas. Um homem usando couro, uma cama redonda, espelhos e um chicote. Ela fala com ele como se acabasse de encotrar um velho amigo.
CATHLEEN: Hey, George! Como vão as gravações de “Elektra”?
GEORGE: [arrogante] Como é que você sabe meu nome? E que historia é essa de Elektra?!
CATHLEEN: Vamos, George! Você sabe que ficou ótimo de couro aquele dia… [sussurra] no motel em que minha mãe trabalha.
GEORGE: Do quê cê ta falando??
CATHLEEN: Vai dizer que não se lembra de mim? [finge estar ofendida] Caramba! Que falta de consideração! Logo, eu que sou tão amiga da Linda. Ah, e como está a sua esposa, a propósito?
GEORGE: Minha… minha esposa? O que você sabe? Droga! O que você quer!?
CATHLEEN: Eu adoraria poder ficar aqui conversando com você, mas sabe… [contorcendo-se] é que eu tô meio apertada. [sorrindo] Não tem como você liberar a entrada para mim, não?
GEORGE: Ok, guria, mas bico calado que eu sei que tu é de menor! Vai logo!
CATHLEEN: Valeu!
CATHLEEN entra no local seguida por KENNEDY e JOEY, mas GEORGE se põe na frente dos dois últimos.
GEORGE: Ei, você dois! Onde pensam que vão?
JOEY: Nós estamos com ela!
KENNEDY: Isso mesmo!
GEORGE: A entrada tá fechada para os amigos daquelazinha que entrou! Se quiserem entrar é melhor esperarem o trem da maturidade. [gritando] Próximo!
KENNEDY e JOEY se entreolham sem reação.
CENA 8 – INT. FESTA – NOITE
[MÚSICA DE FUNDO – Headsprung, LL Cool J ]
CATHLEEN vai fazendo seu caminho através das pessoas. A câmera sobe e mostra um grande galpão decorado com muito espelhos e luzes. A pista de dança está lotada. A música bomba ao fundo enquanto corpos se agitam sob a tensão das ondas sonoras. CATHLEEN se perde na dança e a câmera fecha em seu olhos.
[FIM DO FLASHBACK]
CENA 9 – CENTRO DE NARANDA – DIA
A câmera se afasta dos olhos de CATHLEEN e vemos KENNEDY na sua frente.
KENNEDY: E então? O que você falou pro cara?
CATHLEEN: [disfarçando] Na verdade nada. É nojento o que a possibilidade de ir pra cama com uma menor faz com alguns caras.
CATHLEEN volta a caminhar deixando KENNEDY parada e confusa.
CENA 10 – BIBLIOTECA DO NARANDA HIGH – DIA
JOEY e EHLIOS estão sentados, um em frente ao outro com vários livros espalhados entre eles. EHLIOS bate o pulso fechado contra a testa algumas vezes.
EHLIOS: Como você consegue ser tão burro?
JOEY: Se você vai começar a sacanear eu vou colar tua bunda nessa cadeira.
EHLIOS: Esqueceu que eu posso atravessá-la? [passa a mão através da cabeça de Joey] Feito seus pensamentos.
JOEY se assusta e pula da cadeira.
JOEY: Sai fora cara! E vamos logo começar essa droga, que eu não quero ficar a tarde toda estudando com você! [senta-se e sussurra pra Ehlios] Droga! Alguém poderia ter visto isso, seu estúpido!
EHLIOS: Calma! Ninguém tava vendo. E além do mais, o que adianta ter poderes se não podemos nos divertir um pouco?
JOEY: Só não quero suas mãozinhas pegajosas perto de mim… ou… através de mim.
EHLIOS: Calma, nervoso! Na próxima vez, eu uso um óleo para você relaxar.
Ele pisca para JOEY.
JOEY: Seu…!
A caneta na mão de JOEY começa a derreter.
EHLIOS: Cara! [afasta um pouco a cadeira da mesa] Você já pensou em fazer carreira num fast food? Com essa seus poderes, garanto que você agilizaria o trabalho nas frigideiras. O The Alley tá contratando. Não está interessado?
JOEY: [sussurra para si de olhos fechados] Eu sou o rei do meu castelo. Eu sou o rei do meu castelo. Ele não vai me irritar.
EHLIOS: Isso é algum treinamento anti-ataque mental que a “Charles Xavier de saias” te ensinou?
JOEY: Não, é algo que vai me impedir de matar você nesse momento!
EHLIOS: Ih! Vocês da Equipe Rocket sabem exagerar quando estão nervosinhos. Olha o caso da Cathleen ontem na festa da fábrica.
JOEY: E como você ficou sabendo disso? Invadiu o vestiário feminino, pequeno tarado?
EHLIOS: Os Narandantais tem uma ótima rede de informação de dar inveja a qualquer serviço secreto, menino da cidade grande.
JOEY: Nunca vou me acostumar com o serviço informal de informação desse fim de mundo.
EHLIOS: É, e agora a Hannover tá correndo atrás de um emprego. Como eu já te disse tem uma vaga de garçonete no The Alley.
JOEY: Cathy servindo mesas? Só se ela tiver muito desesperada! E qual é o seu interesse em ajudá-la?
EHLIOS: Se você não quiser ver sua amiga usando os poderes pra dar uma de vidente na praça de alimentação do shopping… [dá de ombros] Acho que é o caminho mais digno a se seguir.
JOEY: Existem diferentes níveis de desespero. Enganar idiotas no shopping é bem diferente de serví-los.
EHLIOS: Você que sabe. Está com a informação na mão e vai deixar de ajudar sua irmãzinha.
JOEY franze o cenho, desconfiado.
JOEY: [abrindo o flip do celular] Já que você faz tanta questão. [põe o celular no ouvido e aponta pra Ehlios] E ela não é minha irmã.
EHLIOS: Tanto faz, cara. Que bom que pude ajudar. Segura aí que a gente precisa de outro livro.
EHLIOS levanta da cadeira e se dirige às prateleiras.
EHLIOS: [pra si mesmo] Hannover lavando pratos? Isso eu quero ver!
CENA 11 – EXT. LANCHONETE THE ALLEY – DIA
[MÚSICA DE FUNDO – Here Is Gone, Goo Goo Dolls]
A câmera passa lentamente mostrando um letreiro escrito “The Alley”. O foco desce lentamente e mostra CATHLEEN de costas atendendo o seu celular. A câmera dá um giro em torno da garota e vemos que ela está em frente a um cartaz colado no vidro da porta: “Precisa-se de ajudante”.
CATHLEEN: Valeu, por ter ligado, Joey. [desliga o celular]
A garota deixa os ombros caírem acompanhados de uma pesada respiração.
CATHLEEN: [para si mesma] Poderia ser pior.
A garota entra no local e nota que o lugar está lotado. Ela tenta recuar, mas é abordada por ZACK.
CATHLEEN: Você aqui?
ZACK: Eu trabalho aqui, Cathleen. Você nunca me viu aqui antes?
CATHLEEN: [tenta disfarçar] Lógico! É claro que sim.
ZACK olha meio intrigado para a garota e então solta um pequeno sorriso.
ZACK: Você está procurando um emprego, é isso? Acho que essa não é a hora mais apropriada mas… vamos ver o que faço por você.
ZACK sorri e com um gesto pede a ela que o acompanhe até o balcão. Atrás do balcão, um homem [Josh Duhamel] que aparenta seus 30 e poucos anos se aproxima apressado e começa a contar algumas notas na registradora.
ZACK: Devon… hum… Cathleen…
DEVON não o encara e continua examinando o dinheiro no caixa.
DEVON: A chapa entupiu de novo, Hayes?
ZACK: Não, é que Cathleen… [Devon nota a garota] Ela está procurando emprego. Nós estamos realmente precisando de mais alguém por aqui.
DEVON: [sorri e levanta os braços] Eu não acredito que Deus ouviu minhas preces!
CATHLEEN: Então, a vaga é minha?
DEVON parece desesperado.
DEVON: [atira um avental nela] Sim! E você já pode começar o teste… agora!
CATHLEEN: [assustada] Para quê isso? E que teste é esse? Eu nem estudei para nada?
DEVON: [ri] Isso é um avental. E ninguém estuda para servir copos, querida. Apenas… [dá de ombros] serve.
Ele pega uns papéis e se afasta deixando CATHLEEN com um olhar apavorado no rosto.
CATHLEEN: Então… tem alguma dica pros iniciantes?
Ouvimos várias pessoas chamando pelo garçom.
ZACK: Só… não quebra nada e você vai ficar bem.
E sai apressado para atender os pedidos.
CATHLEEN: Okay. [para si mesma] Eu posso fazer isso. Eu posso fazer isso.
Ouvimos um barulho alto de vidro se quebrando.
CENA 12 – THE ALLEY – DIA
A câmera mostra um prato no chão, despedaçado. Ela vai subindo revelando CATHLEEN já de avental. Ela apresenta uma expressão assustada. Algumas pessoas batem palmas. ZACK vem andando apressado da cozinha com alguns pratos na mão e olha para CATHLEEN com uma expressão de repreensão.
CATHLEEN: [apontando para o prato] Newton pode explicar isso!
ZACK: [passando direto por ela] Eu também… nervosismo!
CATHLEEN: [pra sim mesma] Isso deve ser normal nas primeiras vezes.
Ela dá algumas voltas em torno de si e pára quando avista uma vassoura. ZACK coloca os pratos sobre uma mesa e percebe a garota pegando a vassoura. Ele apressa-se.
ZACK: Deixa que eu te ajudo. O movimento tá mais fraco agora.
CATHLEEN: Isso é fraco?! Tem mais gente aqui do que em toda cidade.
Ele pega a pá e começa a recolher os cacos.
ZACK: Existem dias piores, acredite.
CATHLEEN repara algumas garotas do colégio entrando na lanchonete. Elas sentam em uma mesa e CATHLEEN se aproxima.
CATHLEEN: [acenando sem graça] Oi, gente.
GAROTA 1: Ora, ora… quem diria? Miss Hannover em seus dias de borralheira. Daria uma ótima tragédia grega.
GAROTA 2: [irônica] Não seja tão cruel, Amy. Eu adorei [gesticula para o avental] isso. Onde você comprou? O dá minha empregada já tá meio velhinho.
CATHLEEN: No mesmo lugar onde você comprou aquele lixo que usou no último baile.
ZACK percebe a tensão e interfere.
ZACK: Cathleen… porque você não deixa que eu sirvo essa mesa? Vai pegar o pedido da mesa 7. Eu resolvo isso aqui… [murmurando para si] antes que alguém se machuque.
Mesmo murmurando, CATHLEEN parece ter ouvido e para por alguns instantes. A câmera fecha novamente em seus olhos.
CENA 13 – FESTA – NOITE
[MÚSICA DE FUNDO – Headsprung, LL Cool J ]
[FLASHBACK]
A câmera se afasta dos olhos de CATHLEEN e ela está agora na pista de dança da festa. A música bomba ao fundo, corpos se agitam sob a tensão das ondas sonoras. CATHIE se perde na dança e não repara em um homem se aproximando sorrateiro, pelas suas costas.
CATHLEEN: [se esquivando] Hey! O quê é isso?!
HOMEM: Oi gata. O céu deve estar triste hoje, afinal perdeu um anjo.
Ela olha para ele com uma cara de nojo.
CATHLEEN: Ew!
HOMEM: Nossa! É bem bravinha! Que tal um drink pra se acalmar?
CATHLEEN: Cai fora!
O homem continua a cercar CATHLEEN, sempre tentando fixar no olhar dela. Ela desvia sempre que possível e acaba ficando de costas para ele. Ele não se faz de rogado e toca as pernas dela. Imagens dispersas atravessam os pensamentos de CATHLEEN e ela se vê em posições impróprias e nunca antes imaginadas.
CATHLEEN: [afasta o homem bruscamente] Hey!! Que diabos você pensa que tá fazendo?! Isso é uma dança e “dança” rima com “dança” e não com “transa”… quero dizer… não rima nesse momento, pode até rimar em outros momentos mas agora não! [ela empurra os ombros dele] Você consegue entender a diferença?!
Todos no meio da pista param para ver a discussão. O cara olha para os lados sem graça e chega mais perto falando só pra ela.
HOMEM: Pô, qualé? Vamos continuar, não precisa disso tudo.
O homem toca na mão dela que tenta se esquivar, mas não antes de ter mais uma visão.
HOMEM: [assustado] Que foi isso?
CATHLEEN: Sua consciência dando um alerta de “emergência para idiotas”.
HOMEM: Você pensa que é esperta, né? Mas, você é igual a todas as outras! Aproveitam o máximo de um cara e depois ficam fazendo joguinhos.
CATHLEEN: Eu vou embora, pra mim já basta.
CATHLEEN se vira em direção a porta quando é impedida pela mão do homem, que segura seu braço com força. Cathleen se irrita e sorri ameaçadoramente.
CATHLEEN: Acredite em mim quando eu digo que você quer largar o meu braço. Agora.
O homem passa a mão no rosto de CATHIE, como se desafiando-a. Ela então desvencilha-se da mão dele, o empurra a uma certa distância e dá um chute giratório em seu abdômen. Ele perde o equilíbrio e bate num painel de vidro logo atrás. O painel, com cerca de dez metros de altura, começa a se quebrar, caindo como uma cachoeira congelada. As pessoas se afastam assustadas e o homem rola pelo chão saindo da área de impacto do vidro, mas não consegue evitar alguns cortes. Vemos que ele tem um corte profundo no supercílio. Sua roupa está rasgada em vários pontos e alguns ferimentos no braço e nas duas pernas também começam a sangrar. Ele, ainda no chão, olha para CATHLEEN.
HOMEM: Sua piranha! Você vai pagar caro!!
CATHLEEN: Tá falando comigo? Vai por mim, a lata de lixo de onde você veio, tava escrito “perdedor”, eu não pretendo descobrir o que ainda tem lá dentro.
CATHLEEN se retira da boate ovacionada pela multidão. Ela sai andando se sentindo a tal, mas seu caminho é obstruído por dois seguranças. Eles a levantam pelos braços e ela é carregada através da multidão.
CATHLEEN: Oopss…
CENA 14 – THE ALLEY – NOITE
[MÚSICA DE FUNDO – Closing Time, Semisonic]
A câmera dá um giro no local que já está quase totalmente vazio e mostra CATHLEEN, passando um pano em algumas mesas. EHLIOS entra no estabelecimento. Close no rosto dele com um sorriso malicioso.
EHLIOS: Ora, ora. O que nós temos aqui? Mrs. Dalloway perdeu seu emprego de promoter e agora faz bicos como garçonete?
CATHLEEN: [contendo sua irritação] O que você deseja?
EHLIOS sorri e abre lentamente o cardápio, mas não olha para o mesmo.
EHLIOS: Eu quero o de sempre.
CATHLEEN: Caso você não tenha percebido eu sou nova aqui.
EHLIOS: E eu com isso? Você tá precisando de acompanhamento psicológico para aceitar a sua nova função de servir?
Ela puxa o cardápio das mãos de EHLIOS e se aproxima do rosto dele, olhando-o nos olhos.
CATHLEEN: Já anotei o seu pedido.
E vai se afastando.
EHLIOS: Espera ai! Você não sabe o que eu quero, como que você já anotou?
CATHLEEN: [levanta uma sobrancelha] Você não pediu o de sempre?
EHLIOS: Pedi, mas…
CATHLEEN: Pois é, querido. Estou te ignorando. Não é o que você sempre pede ou você precisa de um acompanhamento psicológico para aceitar isso?
CATHLEEN faz beicinho.
EHLIOS: [irritado] Você-
CATHLEEN: O quê?
EHLIOS solta um grunhido de agonia e levanta bruscamente.
EHLIOS: Deixa prá lá!
Ele sai da lanchonete com passos de elefante. CATHLEEN corre até a porta e grita.
CATHLEEN: Obrigada pela preferência e volte sempre!
Ela retorna ao interior da lanchonete e vê ZACK rindo.
ZACK: Agora eu vou ter que aguentar ele reclamando de você pelo resto do dia.
CATHLEEN: Bem, amanhã tem mais. Mesma hora, mesmo local.
Eles olham em volta e se deparam com a última mesa ocupada, onde uma mulher está ocultada pelo jornal que lê.
ZACK: Último pedido da noite. [sorri pra ela] Quer fazer as honras?
CATHLEEN sorri e pega a chaleira de café em cima do balcão. Ela se aproxima e enche a caneca de café.
CATHLEEN: [tirando o bloquinho e a caneta] A senhora vai querer alguma coisa a mais?
O jornal vai abaixando lentamente e revelando o rosto de JULIA.
JULIA: Nossa! Quanta educação. Se eu soubesse que você ia ficar mansinha assim já teria te colocado para trabalhar a mais tempo.
CATHLEEN: [sorri irônica] Muito engraçado. Veio aqui pra rir da minha miséria?
JULIA: Eu fiquei sabendo que você estava trabalhando aqui e resolvi ver como estavam as coisas. Está tudo bem?
CATHLEEN: É só… estranho.
JULIA: [sorri] Mas pelo visto as suas dívidas só aumentam… com a quantidade de copos e pratos que você quebrou hoje.
CATHLEEN: [pára por um segundo, mas logo parece compreender] Você não consegue mesmo manter o seu Olho de Thundera longe de mim, né?
JULIA: [revira os olhos] E lá se vai a boa educação… Eu só estou preocupada. Depois da nossa última invasão, as coisas andam meio agitadas nas bases militares da região.
CATHLEEN: Olha a minha cara de quem tá interessada nesse papo. Eu tô cansada, Julia. Cansada demais pra… [gesticula desengonçadamente para as duas] isso. E não me agrada muito a idéia de ser vigiada. Ok?
JULIA: [levanta os braços] Okay, okay. Então, eu vou embora, já percebi que você pode se virar sozinha.
Ela toma um gole de café e veste seu casaco.
CATHLEEN: Muito obrigada.
JULIA se retira do local. ZACK se aproxima de CATHLEEN, que começa a passar o pano na mesa.
ZACK: Então… essa foi a última.
CATHLEEN: [irritada] Se Deus permitir!
ZACK: Algum problema?
CATHLEEN: Não. Nada de mais. Era apenas Emily Gilmore tentando me tirar do sério.
ZACK: E você não cobrou o café da sua mãe?
CATHLEEN: Mãe? Ela não é… [percebe a situação] Mas que caloteira!
CATHLEEN corre até a porta tentando alcançar JULIA, mas só ouvimos o barulho do carro se afastando. Ela solta um suspiro e fecha a porta se aproximando de ZACK.
CATHLEEN: Pratos quebrados… copos quebrados… café sem pagar. Eu vou ter sorte se sobrar dinheiro suficiente do meu salário pra comprar um chiclete.
ZACK sorri.
ZACK: Vem. A gente ainda tem que arrumar lá atrás.
A tela vai dissolvendo até a próxima cena.
CENA 15 – COZINHA DO THE ALLEY – NOITE
ZACK está raspando a chapa com uma espátula enquanto CATHLEEN coloca as últimas cadeiras em cima da mesa central da pequena cozinha. Ela olha para os lados como se procurasse sua próxima tarefa.
CATHLEEN: Então… o que mais falta fazer pra eu poder ir pra casa?
ZACK: [olha em volta] Uhm… [apontando pra chapa] isso aqui… os pratos, o chão, descongelar os hambúrgueres de amanhã…
ZACK olha através da janela a sua frente que dá para as mesas da lanchonete. Vemos DEVON sentando em uma das mesas fazendo algumas contas.
ZACK: …e o balcão. Acho que é isso.
CATHLEEN arregala os olhos.
CATHLEEN: Isso tudo? Mas já são quase onze horas! Que horas que a gente vai terminar?
ZACK: Não demora tanto quanto parece.
CATHLEEN: Eu espero que não. Porque até eu chegar em casa e conseguir tirar toda essa gordura do meu cabelo já deu a hora de ir pra aula.
Ela se aproxima da pia com uma cara de nojo, mas, relutante, liga a torneira e começa a lavar os pratos. ZACK deixa a chapa e corre até a pia, fechando rapidamente a torneira.
ZACK: Não, não, não. Depois de hoje está mais do que provado que você e pratos não se dão muito bem. [estende a espátula] Toma. Termina com a chapa e deixa os pratos comigo.
CATHLEEN olha para a chapa e sua expressão de nojo parece crescer mais ainda. ZACK abre um pequeno sorriso enquanto observa sua reação.
ZACK: Não é você e Joey em incesto, Cathleen. É só uma chapa de hambúrgueres.
Ela arregala os olhos e dá um forte tapa no ombro de ZACK.
CATHLEEN: Eewww! [fecha os olhos tentando afastar as imagens] Nunca, nunca pronuncie essas três palavras em uma única frase novamente!
ZACK dá um tímido sorriso enquanto observa CATHLEEN se aproximar da chapa e começar a raspá-la segurando a espátula com apenas dois dedos. Os dois conversam sem tirar os olhos de suas tarefas.
CATHLEEN: E eu e Joey… nós não somos irmãos.
ZACK: Uhm… Então há uma possibilidade.
CATHLEEN: [dá uma risada] Dá pra parar? [ela enfia a mão na pia e joga um pouco de água nele] Eu não posso destruir todos os pratos e copos dessa lanchonete e ainda vomitar em cima dessa chapa… Pelo menos não tudo no mesmo dia.
Ele olha para ela com um completo sorriso, mas continua a lavar seus pratos.
CATHLEEN: É só que… todo mundo tem a impressão de que nós somos irmãos. Mas não somos.
ZACK apenas afirma com a cabeça. Um silêncio desconfortável se instala por alguns momentos. ZACK tenta manter a conversa viva.
ZACK: Então… você está aqui em intercâmbio. Ou algo do tipo…
CATHLEEN levanta as sobrancelhas.
ZACK: Quero dizer… você é britânica, certo?
CATHLEEN: [forçando ainda mais seu sotaque] Como você adivinhou? [ela sorri] Eu sei, eu sei. Minha delicadeza excessiva me entrega.
Eles se olham e trocam um sorriso.
CATHLEEN: Mas não é intercâmbio, não. Pode ter certeza que se eu pudesse escolher, o último lugar em que estaria seria aqui.
ZACK: Por quê? Quente demais para uma londrina?
CATHLEEN: [sorri, mas logo retoma uma expressão séria] Não… é só que… tudo estava bem em LA– [ela olha para ele] A gente morava em Los Angeles antes de vir pra cá. [volta a rapar a chapa] E então, wham! Hora de ir pro fim do mundo no meio de Nevada.
ZACK: [irônico] Nossa, Hannover. Agora me diz o que você realmente acha de Naranda.
CATHLEEN: [irônica] Sério? Já posso deixar os eufemismos de lado?
ZACK apenas olha para ela com um tímido sorriso.
ZACK: Então… se você não é irmã dele, nem filha dela e não tá em intercâmbio…
CATHLEEN: Interessante. Eu passei a tarde toda aqui e você mal trocou três palavras comigo além do necessário e é só o sol se esconder que você começa a bancar o detetive. [ela sorri] Tem mais alguma coisa em você que só é liberada à noite, Hayes?
Ele, de repente, parece se tocar de sua indiscrição. Olha para ela parecendo realmente arrependido.
ZACK: Oh, desculpa. Eu não quis parecer enxerido nem nada… eu só tava… curioso.
Ela olha para ele e sorri com compreensão.
[MÚSICA DE FUNDO – Name, Goo Goo Dolls]
CATHLEEN: Nós somos meio que adotados. Acho que esse é o termo mais adequado. Julia nos dá casa, comida e escola. Já faz uns quatro anos. E em troca a gente dá umas contas pra ela pagar e uma enxaqueca violenta.
ZACK: E você diz que ela não é sua mãe? Isso soa como uma mãe pra mim.
CATHLEEN apenas sorri.
ZACK: E eu achando que era o único com uma situação familiar estranha. [ela olha para ele intrigada] Eu e Ehlios. Nós também não somos irmãos e vivemos com Sarah.
CATHLEEN: Isso é meio estranho.
ZACK: Nem tanto. Eu moro com Sarah desde bebê, mas sempre soube que ela não era minha mãe. E Ehlios veio morar com a gente, já faz o que… [ele pára pra pensar] Nossa, sete anos! Então não é mais tão estranho.
CATHLEEN: Não, não é isso que estou falando. Estou falando do fato de todos nós não sermos… digamos, totalmente normais e termos a mesma base familiar. Parece que estamos unidos pela assistência social.
Ela o encara com um sorriso gentil. A música aumenta enquanto vemos ZACK rir e CATHLEEN parece tagarelar, mas a conversa já está indistinta. A câmera se afasta dos dois. Eles parecem se divertir. A música diminui e a tela escurece lentamente.
[FADE OUT]
PRODUÇÃO EXECUTIVA
Samir Zoqh
Luciana Rocha
ELENCO
Keira Knightley como Cathleen
Riley Smith como Joey
Paul Wasilewski como Zack
J. Mack Slaughter como Ehlios
Ashly Lyn Cafagna como Kennedy
Bonnie Somerville como Julia
ATORES CONVIDADOS
Kathryn Joosten como Dra. Miller
Josh Duhamel como Devon
ESCRITA POR
Samir Zoqh
DIRIGIDA POR
Luciana Rocha
CRIADA E DESENVOLVIDA POR
Samir Zoqh
Luciana Rocha
MÚSICA TEMA Late Great Planet Earth, Plumb
TRILHA SONORA Why Not, Hilary Duff What’s My Age Again, Blink 182 Vindicated, Dashboard Confessional Headsprung, LL Cool J Here Is Gone, Goo Goo Dolls Closing Time, Semisonic Name, Goo Goo Dolls
UMA PRODUÇÃO HYBRID STUDIOS
DISTRIBUÍDO POR TELEVISION SERIES NETWORK
Todos os atores aqui citados são meramente ilustrativos.
Os personagens por eles representados estão em um contexto de ficção.
Nenhum direito de imagem está sendo infringido.
Série:Destination Anywhere Episódio:De Volta Para Onde Pertenço Temporada:1ª Número do Episódio:1×02
CENA 1 – EXT. RUA – FIM DE TARDE
VOICE OVER: [Jonathan Bennet] Anteriormente em Destination Anywhere.
ANNA [Criança]: Então eu posso ir?
MATT [Criança]: Hum… tá bom, Banana, você venceu.
ANNA [Criança]: Não me chama assim, seu verme! Eu salvei sua pele na escola hoje!
Matt [Criança]: Você me salvou? Eu sempre entro nas confusões por sua causa.
Os dois caem na gargalhada.
ANNA [Criança]: Verdade. [Para de rir] Quando vamos fugir?
CENA 2 – INT. CASA DOS MACKENZIE – FIM DE TARDE
ANNA: [Grita e bate o pé] Eu não vou! Não vou! Não vou mesmo, pai!
HOMEM: [Jeffrey Nordling] Você não tem escolha Mary Anna!
ANNA: Por acaso o petróleo de Tulsa acabou, papai? [Chorando] Você não pode fazer isso comigo! Eu tenho uma vida aqui!
HOMEM: Não Seja dramática. Você terá uma vida lá também. Uma promoção dessas é irrecusável. Eu vou ser diretor geral da empresa no Brasil.
CENA 3 – EXT. FAZENDA – FIM DE TARDE
PHILL [Criança]: Pensou que ia escapar de nós?
MATT [Criança]: O que você quer, seu caipira?
[CORTA]
MATT [Criança]: [Voice over] Um dia esses garotos me pagam. Eles me pagam!
[CORTA]
Mostra Anna no avião.
CENA 4 – INT.REDE´S – NOITE
ANNA abre a porta e vê um garoto alto, de costas. Ele segura ALEXIA pelo braço com força. ANNA franze a testa e depois olha pra ALEXIA.
MATT: Ally! Já chega. Você vem comigo, agora!
ALEXIA: [Chorando] Não grita comigo, Matt.
ANNA: Matt?
O GAROTO olha pra trás. Ele parece atônito.
MATT: Anna…
Os dois se olham surpresos e emocionados.
ALEXIA: Você conhece essa daí?
MATT disfarça olhando para baixo.
MATT: Eu vou te levar para casa.
ALEXIA: Eu ainda não acabei!
MEL: Nem eu!
MATT coloca ALEXIA em seu ombro.
MATT: Acabou sim!
ALEXIA: Matthew, me põe no chão! Matt! Isso é patético!
MELISSA ri. MATT evita olhar para ANNA ao sair da lanchonete.
CENA 5 -EXT. RED´S- ESTACIONAMENTO
ALEXIA debate-se no ombro do namorado, que anda em direção de seu carro. REBECCA, logo atrás, corre até alcançá-los.
BECKY: Matt! Espere!
ALEXIA: É, Matt. [Ri] Espere!
BECKY: Ninguém pode vê-la nesse estado. É melhor levá-la para a minha casa.
MATT coloca ALEXIA no chão, que apoia-se estratégicamente no garoto.
BECKY: Você vem comigo, Alley. Eu estou sozinha em casa.
ALEXIA: Então agora vocês vão esconder a loirinha problemática? [Leva as mãos ao ar, como se estivesse focalizando algo] Filha do prefeito agride ruiva concu…concu…
BECKY: Concubina?
MATT permanece sério, e lança um olhar critíco para a loira.
ALEXIA: É! Isso aí mesmo.
MATT: Alley!
O garoto segura firme no braço da namorada.
MATT: Você está bêbada, e causando confusão numa lanchonete famosa da cidade. Você tem certeza que sabe da repercurssão que isso teria? Seu pai…
ALEXIA: Me mandaria de volta para Vermont? Pppffff… Como se uma Academia elitista fosse uma prisão. [Séria] Pelo menos lá eu não tinha que fingir o que eu não sou! [Abre os braços] Liberdade!
BECKY: Ok. Chega.
BECKY destrava seu carro, um volvo prateado, com um dispositivo em sua chave. A garota pega a mão da amiga e a puxa para dentro do veículo, praticamente a jogando no banco de trás. MATT suspira cansado.
MATT: Obrigado, Becky.
BECKY: Você vem com a gente?
MATT olha par o carro, pensativo. ALEXIA abre a janela do carro.
ALEXIA: Matt…
MATT olha para lanchonete, com um olhar pensativo. Depois volta sua atenção para a namorada, fazendo um sinal positivo com a cabeça.
[ABERTURA]
CENA 6 – INT. RED´S
ANNA permanece boquiaberta e pálida. Seu olhar fixo na porta dava a impressão de que a garota avistara um fantasma. Seus olhos não piscam e sua respiração é acelerada.
MELISSA: [Grita] Ahh! Que raiva!! Que raiva!!!
ANNA assusta-se com os gritos de MEL. Seu estado de transe dá lugar à uma sensação de desconforto, demonstrada em seu semblante.
SAM: Calma. Mel!
MEL: [Grita] Calma? Eu não quero me acalmar! Eu quero partir a cara daquela coitada.
ANNA aproxima-se dos dois.
ANNA: O que houve aqui?
SAM: Furacão Alexia, conhece? Ouvi dizer que devastou toda a região norte do país e agora paira pelas terras áridas do deserto.
ANNA sorri.
MEL: Não é hora pras suas piadas, Sam! A garota é pirada. Saca? Pirada, louca, não é boa da cabeça. Ela acha que pode passar por cima de todo mundo só por que é filha do prefeito!
SAM: Bom, eu não acho que ela pensa que pode passar por cima de todos por ser filha do prefeito. Eu acho que ela pensa que pode passar por cima de todos por que ela simplesmente… pode.
MELISSA grita assuntando SAM e ANNA.
MEL: Quer saber? Da próxima vez que aquela coisa vier pra cima de mim, eu bato nela. Eu não quero nem saber se o Matthew vai brigar comigo, vai dá chilique por causa da namoradinha ou ter um derrame. Eu cansei dessa proteção toda com ela. [Repira fundo] Quer saber? Eu preciso sair daqui!
MELISSA pega uma bolsa e um casaco e sai da lanchonete.
ANNA: Não acha melhor a gente ir atrás dela?
SAM: Não… Amanhã ela já vai ter esquecido isso.
ANNA: Mas…
SAM sorri da preocupação da garota.
SAM: Não se preocupe. A Melissa anda muito territorial ultimamente.
ANNA parece não assimilar muito bem a informação.
SAM: Ei, você está bem?
ANNA morde o canto da boca. Ela balança a cabeça negativamente.
ANNA: Eu acho melhor voltar pra casa.
SAM: [Preocupado] Você está dirigindo?
ANNA: Na verdade eu vim andando até aqui. Não custa nada voltar andando também. Quem sabe eu não esbarro com algum outro “barraco” e torno a noite mais divertida? Quem sabe a Paris Hilton e a Nicole Richie não estão bem ali na esquina?
SAM: Bom, não estou certo sobre Nicole e Paris, mas de qualquer jeito, eu vou com você. Não se pode deixar uma bela garota andando por aí a noite.
ANNA sorri.
CENA 7 – EXT.ESTRADA – NOITE
A estrada escura era iluminada apenas pela luz da lua e de alguns poucos carros que trafegavam por ali. REBECCA está dirigindo, enquanto MATT está no banco de trás com ALEXIA deitada em seu colo.
BECKY: Está tudo bem ai?
MATT fica em silêncio. REBECCA olha para trás e vê que ALEXIA está chorando.
BECKY: Eu vou ligar o rádio, ok? [Aperta um botão no painel do automóvel]
[MÚSICA – LOW, KELLY CLARKSON]
ALEXIA começa a balbuciar algumas palavras. MATT aproxima sua cabeça da para escutar melhor o que ela está tentando dizer.
MATT: Para o carro!
CENA 8 – MESMO LOCAL
REBECCA está sentada em seu carro, estacionado no canteiro da estrada. MATT segura a cabeça de ALEXIA enquanto ela vomita.
MATT: Eu acho melhor o Phillip não saber disso.
ALEXIA: [Balbucia] Eu não quero voltar pra Vermont. Eu quero ficar aqui com vocês.
REBECCA: Nem o Phill nem o Scott precisam saber disso.
Ouve-se um toque de celular. REBECCA checa seu aparelho para ver quem está ligando. Ela faz um sinal de silêncio.
BECKY: Por falar no Phill. [Pausa] Alô. Oi! Phill. Sim, ela está aqui comigo. Aconteceu alguma coisa?
CENA 9 – INT. QUARTO – NOITE
PHILL: A minha mãe está me enchendo o saco. [Imita a voz da mãe] “Cadê sua irmã? Você não sabe onde sua irmã foi? Por acaso a sua irmã lembra que tem casa?” e blá, blá, blá… Você sabe como é.
CENA 10 – EXT. ESTRADA
BECKY: Eu entendo. Avisa para a sua mãe que a Alley está comigo. Nós estamos…estudando.
PHILL [voice over]: Eu não me importo o que vocês estão fazendo. Ela só não pode sumir desse jeito. Posso falar com ela?
BECKY: Nossa, Phill. Tinha esquecido do quanto você é gentil. Olha, a Alley foi à cozinha. E peço para ela ligar depois. Mas avisa a sua mãe que vamos demorar um pouco.
PHILL: Hum… Ok. Tchau.
REBECCA desliga o telefone, e se aproxima do casal. ALEXIA, que estava com a cabeça baixa e a mão no joelho, olha para a amiga.
ALEXIA: Eles vão me matar!
BECKY: Não seja trágica, Alley. Eu já enrolei seu irmão. Agora vamos pra minha casa, você precisa de um banho e de uma boa noite de sono.
ALEXIA levanta-se.
ALEXIA: Eu preciso de uma escova, e uma boa maquiagem.
MATT: Você e eu precisamos conversar.
ALEXIA põe a mão na barriga.
ALEXIA: Ai… [Fingindo] Eu vou…
BECKY e MATT: Morrer.
BECKY: Já sabemos. Agora, antes de morrer, querida, entre no carro.
CENA 11 – EXT. RUA- NOITE
[ MÚSICA – LITTLE BLACK PACKBACK, STROKE 9]
A rua vazia é o cenário para a conversa de ANNA e SAM. Os dois caminham pela calçada e parecem bastante amigáveis.
SAM: [Rindo] E tudo isso por causa de uma galinha!
ANNA: Vocês perderam o jogo por causa de uma galinha? Não acredito!
ANNA dá uma risada, mas para ao perceber que SAM a estava olhando.
ANNA: O quê?
SAM: Você riu.
ANNA: [Sem graça] Algum problema nisso?
A garota dá um sorriso meio sem graça.
SAM: Claro que não. É que você estava tão séria no Red’s e a sua risada foi do tipo “isso é engraçado, e eu não vou ocupar a minha cabeça pensando no Matthew”.
Anna para de andar imediatamente e o riso em seu rosto desaparece completamente.
SAM: Não precisa ficar triste.
ANNA: Eu não estou triste. O Matt te contou sobre mim?
SAM: Não especificamente sobre você. Eu não sabia que você era você até quando você o encontrou na lanchonete. O Matt nunca havia me contado essa historia até hoje. Ele achou que você poderia ter voltado, por que viu uns caminhões na frente da sua casa essa semana. Bom, acho que ele estava certo.
ANNA permanece calada.
SAM: Parece que esse é um assunto delicado, né?
ANNA: Verdade. [Morde o canto da boca] É que eu não te conheço bem. Quer dizer, eu te conheci hoje, e…
SAM: Ah! Tudo bem, não precisa se justificar. Mas lembra que eu sou o melhor amigo do seu Romeu.
ANNA olha séria para SAM.
SAM: Desculpa.
ANNA: Eu moro aqui.
SAM olha o nome “Mackenzie” na caixa de correio.
ANNA: Tchau, Sam! Obrigada por me acompanhar.
ANNA entra correndo em sua casa. SAM fica olhando.
[MÚSICA FADE OUT]
CENA 12 – INT.CASA DOS MACKENZIE – SALA
ANNA passa correndo pela sua mãe, mas a garota volta na mesma velocidade ao olhar como a mãe estava vestida. A SRA. MACKENZIE estava usando uma saia de couro preta e jaqueta branca combinando com suas botas. Ela encara a mãe e rir.
ANNA: [Desanimada] É… não tem muito o que ver por aqui. Nada mudou na verdade.
SRA. MACKENZIE: Aconteceu alguma coisa?
ANNA: Não.
SRA. MACKENZIE: Você já encontrou aquele garoto?
ANNA: O “garoto” tem nome?
SRA. MACKENZIE: O filho da alcoólatra e do depravado.
ANNA: Que nome grande…
SRA. MACKENZIE: Não me venha com gracinhas, Mary Anna.
ANNA: Desculpa, mãe! Mas é incrível como você vê as coisas de um modo tão… tão…
SRA. MACKENZIE: “Tão” o quê? Sabe, Anna. Uma coisa boa de termos ido pro Brasil foi você se afastar daquele menino. Com certeza ele não deve ter se tornado coisa boa.
ANNA: Tá vendo? Os anos passam e você não muda nada. Eu não culpo o papai de ter te deixado!
SRA. MACKENZIE: Eu não gosto do seu comportamento!
ANNA suspira e sobe a escada que conduz ao andar do seu quarto.
CENA 13 – INT. CASA DOS SAWYER – NOITE
[ MÚSICA – UNWELL, MATCHBOX 20]
BECKY, ALEXIA e MATT entram na luxuosa casa de pé direito alto. Ouve-se um barulho e depois latidos agudos. Um cachorrinho poodle branco aparece correndo em direção da dona da casa, ALEXIA tampa os ouvidos e faz cara de dor.
BECKY: Shhh.. Napô, docinho, não faça barulho. [Para Matt] Vamos pro meu quarto.
MATT olha para ALEXIA.
ALEXIA: Eu já estou melhor. Eu consigo ir andando sozinha.
MATT: Tem certeza?
ALEXIA: Eu tomei um porre, não um vidro de Lexotan.
ALEXIA e BECKY riem, MATT permanece sério.
ALEXIA: Que seja…
MATT olha para BECKY e depois para Alexia.
BECKY: Ah! É… eu vou subir primeiro para preparar um banho para a Alley.
A garota sobe correndo. ALEXIA olha para MATT desconfiada.
ALEXIA: Nossa, como a Becky é sutil.
MATT: Alley…
ALEXIA: Não fala nada. Eu perdôo você, seu bobo. Achou que eu ia ficar com raiva? Eu sei que aquela galinha ruiva arrasta a maior asa pra você, mas…
MATT: A Mel?
ALEXIA: [Irônica] E qual é a outra galinha ruiva que eu conheço?
MATT: Eu não gosto quando você fala assim dos meus amigos! [Leva as mãos à cabeça] Você torna impossível qualquer conversa mais séria.
ALEXIA: Desculpa Matt…
MATT: Eu vou pra casa.
ALEXIA: Não!
MATT: É melhor pra nós dois.
ALEXIA olha assustada para ele. O garoto dá um beijo no rosto da namorada.
MATT: Diz “boa noite” pra Becky. Não vá aprontar mais por hoje.
ALEXIA: Por favor, Matt. Fica. Você nem está de carro, como você vai voltar?
MATT: Eu sei me virar, Alley. Até amanhã.
ALEXIA ainda tenta dizer alguma coisa mas MATTt vai embora antes dela conseguir formular algo convincente. Ela olha para o cachorro com uma cara de indignada.
ALEXIA: O que você está olhando?
A câmera mostra a cidade vista do alto, ao amanhecer.
CENA 14 – EXT. ESCOLA WILL ROGERS – MANHÃ
[PLACA SECUNDÁRIO WILL ROGERS – LAR DOS LANÇADORES]
[MÚSICA FADE OUT]
Os carros dos alunos chegam ao estacionamento. Alguns alunos estão conversando em frente ao prédio da escola. MELISSA está sentada em um dos degraus da entrada principal, ouvindo música em seu diskman. A garota acena para ANNA que descia de um carro branco grande. ANNA dá “tchau” para a mãe e vai andando até MEL.
ANNA: Você está bem?
MEL: Ah. Estou bem sim. Aquilo não foi nada.
ANNA senta-se ao lado da ruiva, que desliga o aparelho de som.
ANNA: Mas foi uma cena e tanto.
MELISSA ri.
MEL: Essa é a política da casa. Compre um sanduíche e assista um “freak show”. Estrelando: A rainha do drama, Alexia Danes.
ANNA: Você não vai muito com a cara dela… por causa do seu amigo?
MEL: Não! Tirando as cópias dela, o esquadrão água oxigenada nº 40, só o Matt consegue aguentar aquela garota. Nem a família dela a suporta!
ANNA: Como assim?
MEL: Eles a mandaram pra Vermont, pra um colégio interno, quando ela ainda era criança. E eu tenho certeza que ela só voltou para cá por que deve ter sido expulsa da escola…
ANNA: Sério?
MEL: Não… isso é por minha conta. Mas ela deve ter aprontado alguma coisa.
ALEXIA desce do carro juntamente com BECKY. Quem está no assento do motorista é SCOTT.
SCOTT: Olha seu irmão ali, Alexia.
PHILLIP estava encostado em uma árvore perto do estacionamento. Ele vem em direção ao carro do amigo.
PHILL: E aí, cara?
SCOTT: E aí?
SCOTT desce do carro.
ALEXIA: Oi, Phill. Tchau, Phill.
ALEXIA e BECKY tentam deixar o local, mas PHILLIP corre e pega a irmã pelo braço.
PHILL: Ei, ei ei, ei. Onde você pensa que vai? Eu tenho que falar com você.
ALEXIA: Agora não Phill. A gente tá com pressa.
PHILL: [Ri] Com pressa? Não vai me dizer que você sabe qual a aula que você está indo agora.
ALEXIA: Não enche, Phill.
PHILL: Olha aqui pirralha… [Segura a irmã pelo braço]
BECKY: Solta ela! Seu monstro!
SCOTT: Não se mete, Becky.
PHILL: Você acha que eu sou burro? Vai me dizer o que houve ontem ou não? Eu sinto que você tá me escondendo alguma coisa!
ALEXIA se solta do irmão e pega na mão da amiga.
ALEXIA: Tchau, Phill.
As duas correm em direção da escola. Elas passam por ANNA e MELISSA, que ficam olhando-as boquiabertas.
ANNA: E ainda nem são 8 da manhã…
MEL: Aquele lá é o irmão da Alexia, e aquele outro é o irmão da Rebecca.
ANNA: Phillip e o Scott.
MEL: Como você sabe?
O sinal toca.
ANNA: Vamos? Eu não quero me atrasar de novo.
CENA 15 – INT. ESCOLA – CORREDOR
MATT anda pelo corredor e as pessoas o cumprimentam. Ele entra em um laboratório rapidamente e se senta. O garoto olha para os lados e deita a cabeça na carteira.
HOMEM: [John Wesley Shipp] Graham?
MATT: Treinador Carter.
CARTER: Eu queria mesmo falar com você.
MATT: Algum problema, treinador Carter?
CARTER: Não, pelo contrário, tenho boas notícias. Os olheiros vem para a abertura da temporada, garoto. Eu sei que ainda falta um ano para você se formar, mas se eles gostarem de você já é meio caminho andado pra sua bolsa. Isso significa…
MATT: … que eu posso escolher a universidade que eu quiser.
CARTER: Isso mesmo, garoto!
MATT: Eu sei disso, treinador. Eu espero por isso há muito tempo.
CARTER: Mostre o que sabe e você estará dentro. Eu já recomendei você, agora é contigo!
MATT: Muito obrigado, treinador.
CARTER dá uma tapinha amistoso no ombro do aluno e sai.
MATT leva a mão à cabeça e deita-se sobre a mochila, novamente, cobrindo o rosto. Uma mão toca no ombro dele novamente, mas ele não levanta para ver quem é.
MATT: O que foi?
A câmera mostra SAM.
SAM: Você não retornou nenhuma ligação minha ontem. Fiquei preocupado, amigão. Vai me explicar o que aconteceu ontem no Red´s?
MATT: Explicar o quê? Você viu muito bem: a Alexia e os ataques de ciúmes dela.
SAM: Não é disso que eu estou falando, é da Anna Mackenzie.
MATT levanta a cabeça.
SAM: Então, a Anna é a sua amiguinha que…
MATT: … que foi embora sem dizer uma palavra; me deixou pra trás como se eu fosse um nada!
SAM: Ei. Calma. Eu já entendi! Você e a Anna eram amiguinhos, e um dia ela foi embora…
MATT: Isso! Desapareceu.
SAM: E por que isso te afeta tanto, cara? Não podia apenas superar isso? Pessoas vão e vem na vida e…
MATT: Você não entende.
SAM: Não entendo por que isso te deixa tão nervoso. Isso foi o quê? Cinco, seis, sete anos atrás?
MATT: Ela era a minha melhor amiga, pelo menos achei que fosse. E eu não estou nervoso com isso.
SAM: Desculpa, cara. Mas se ela era tão importante assim, por que você nunca me contou sobre ela antes? Você e eu somos parceiros, não somos?
MATT: Eu não contei por que não tinha nada pra contar.
SAM: Você não ficou feliz por ela ter voltado?
MATT: É como você disse, Sam: faz muito tempo. Eu não sinto mais falta dela.
MATT levanta-se.
MATT: Por favor, fica fora disso.
MATT pega a mochila e sai do laboratório. O corredor principal estava quase vazio. A maioria dos alunos já havia entrado em suas respectivas salas de aula. MATT, que vinha de cabeça baixa, nem percebe que está indo em direção de PHILL e SCOTT. O rapaz bate sem querer no irmão da namorada.
PHILL: Hey!
MATT: Desculpa, cara. Eu não te vi.
PHILL: Será que podemos conversar em particular?
[ MÚSICA – HERE IS GONE, GOO GOO DOLLS]
MATT: Pode falar. Não tem ninguém aqui.
PHILL: É sobre a Alexia.
MATT: [Olhando pra Scott] Pensei que esse fosse um assunto particular.
SCOTT afasta-se com hesitação.
PHILL: A Alexia não dormiu em casa. Ela estava com você?
MATT: Não. Ela estava na casa da Becky.
PHILL: Com você?
MATT: Não.
PHILL: Hum..
MATT: Acabou o interrogatório?
PHILL: Eu não confio em você.
MATT: Nem eu em você… mas… a gente tem que se aguentar, não é, cunhado?
PHILL: Você se acha tão esperto, baleia. Um dia a minha irmã vai cair em si e ver que você só está com ela pra me atingir.
MATT ri.
MATT: [Irônico] Eu realmente estou fazendo esse sacríficio enorme por causa de uma vingança de criança.
PHILL: Some da minha frente.
MATT: Só por que você está mandando.
MATT ajeita a mochila e sai do local.
[MÚSICA FADE OUT]
CENA 16 – INT. CASA DOS GRAHAM – SALA – DIA
O telefone toca na sala. LOU está no andar de cima.
LOU: [Grita] Já vou!!
O telefone continua tocando.
LOU: Já estou indo!
LOU vem descendo a escadas correndo, com uma toalha na cabeça.
LOU: Já estou chegando!
O telefone para de tocar.
LOU: Aaah!! Não brinca!
A mulher encara o aparelho, que volta a tocar. Ela atende rapidamente.
LOU: Louise Graham. Ah! Claro. Posso sim. 3:30 está bom para ele?
Ela anda pela sala tentando achar coisa.
LOU: Só um minuto.
Ela pega ma caneta e entra em um cômodo. Aparentemente é um escritório. Há livros por toda parte, uma mesa e vários relatórios. Alguns quadros com fotos da fazenda, e um foto dela com o MATT e uma outra mulher. LOU pega um bloco que está em cima de sua mesa e anota alguma coisa.
LOU: Está marcado. 3:30 na prefeitura.
Ela olha para os relatórios, tira a toalha da cabeça e senta-se em uma cadeira grande e azul.
CENA 17 – INT. ESCOLA – REFEITÓRIO – TARDE
[ MÚSICA – DISEASE, MATCHBOX 20]
SAM carrega sua bandeja pelo refeitório. Ele olha pra comida com um ar de reprovação. O garoto procura por alguém e vê MELISSA e ANNA sentadas perto da máquina de refrigerante. Ele sorri, segura a bandeja com uma única mão e acena. As garotas acenam de volta. Ele caminha na direção delas, mas antes que chegue em seu destino sua atenção é desviada quando ele percebe que alguns metros na frente REBECCA SAEYER está sentada com a sua turma. 5 garotas impecavelmente vestidas, que pareciam chamar a atenção de todo o local.
BECKY: É claro que eu não vou usar um casaco de peles.
GAROTA 1: Becky! Não dá pra ser “certinha” quando se estar em Denver.
ALEXIA: A Becky não é “certinha”, ela é “politicamente correta”!
Todos da mesa riem. Sam que estava passando pelo local, para perto das garotas e ri também.
GAROTA 2: Você está com algum problema?
SAM fica sem graça.
ALEXIA: [Rindo] Eu sei qual é o problema dele. Aliás, um dos problemas, por que com certeza ele deve ter muitos.
GAROTA 1: Amigas, não se deve rir de um nativo americano… não é “politicamente correto” !
SAM olha sério para as garotas. Todas elas estão rindo, menos BECKY.
ALEXIA: Não é Becky?
BECKY: É, Alexia.
ALEXIA: Uh!
SAM: Me dêem licença.
GAROTA 3: Claro, amorzinho. Pode voltar pra sua turminha.
As meninas riem. Sam anda apressado até a mesa das amigas.
MEL: O que foi aquilo? Problema com o “Esquadrão Pompom”?
SAM: Eu acho que meu braço esquerdo está dormente… não consigo sentir meu braço esquerdo! Acho que vou ter um derrame.
ANNA ri.
MEL: Isso não é incrível? Não importa onde você esteja, sempre há os mesmo tipos de pessoas, os mesmo grupos, os mesmos problemas. Não é óbvio que elas ajam desse jeito?
Os três continuam conversando enquanto a mesa de trás era ocupada por SCOTT e PHILLIP. ANNA está de costas para os meninos.
SCOTT: Olha lá a novata. Já se juntou com a turminha da baleia.
PHILL olha para ANNA.
PHILL: Até que ela parece ser bonitinha.
PHILL faz sinal de silêncio para o amigo, e se senta em uma cadeira mais próxima da garota.
MEL: Sam, o Matt não vem?
SAM: Não vejo o Matt desde o primeiro período.
ANNA fica calada olhando para baixo.
MEL: Ele sempre fica sensível quando briga com a Alexia. [Para Anna] E o pior é que ele fica com raiva de mim! Eu só me defendi quando a Alexia chegou bêbada dando escândalo lá na lanchonete. Além de ter espantado quase todos os clientes, eu nem tive a oportunidade de dizer o que ela precisa ouvir. Por que os homens são tão domináveis?
PHILLIP se levanta olhando para MELISSA.
PHILL: Minha irmã fez o quê?
MELISSA leva um susto. PHILL vai em direção a irmã. SCOTT vai junto.
PHILL: Você bebeu?
As meninas olham para ALEXIA.
ALEXIA: O quê?
PHILL: Você bebeu ontem e fez um escândalo no Red’s!
BECKY: Calma, Phill. Você que está fazendo um escândalo aqui.
PHILLIP pega a irmã pelo braço e sai levando-a até o lado de fora do refeitório.
PHILL: Você bebe, não dorme em casa, mente. Qual o problema com você?
ALEXIA: Qual o problema com você? Eu não tenho mais 12 anos!
PHILL: Aquele marginal tá transformando você.
ALEXIA: Essa conversa de novo? Se você não gosta do Matt, o problema seu! Agora, para de culpar ele por tudo que eu faço.
PHILL: Nosso pai é prefeito dessa cidade, e você fica fazendo escândalos por ai? Não foi pra isso que o papai te trouxe de volta!
ALEXIA: Sabe por que o papai me trouxe de volta? Pra sair por ai posando de família perfeita e unida. Eu sou apenas parte do retrato perfeito que ele criou.
PHILL: Você quer que eu tenha pena de você?
ALEXIA: Não, mas você pode ter de você próprio.
PHILL faz menção de bater em sua irmã.
ALEXIA: Vai em frente, filho do prefeito.
PHILL sai pisando forte pelos corredores da escola. Seus punhos estão fechados, e ele está vermelho de raiva.
PHILL: Eu vou separar vocês dois, irmãzinha. Pode ter certeza disso.
[MÚSICA FADE OUT]
O sinal toca e as pessoas começam a voltar para sala. ANNA se despede de MEL e SAM e vai andando em direção do banheiro. Ela dobra o corredor e dá de cara com PHILL, que vinha de cabeça baixa. O garoto esbarra nela, e derruba sua bolsa no chão.
ANNA: Isso já tá se tornando pessoal.
ANNA se baixa para pegar a bolsa, e PHILL pega alguns papéis que caíram junto com a bolsa.
PHILL: Foi mal, gatinha. Eu não vi você.
PHILL olha pra ANNA.
PHILL: Isso é seu.
Ele olha para os papéis, e em um deles estava escrito: “Nome: Mary Anna Mackenzie”.
ANNA: É… obrigada.
PHILL: “Banana”?
ANNA: Muito criativo…
PHILL: Quer dizer, Anna! Nossa, que surpresa.
O garoto olha com admiração para ela.
PHILL: Como você cresceu!
ANNA: Nem tanto…
ANNA ri.
ANNA: Eu tenho que ir.
PHILL: Bem vinda de volta, Anna Mackenzie! Anna Mackenzie…
ANNA olha estranho para PHILL.
ANNA: Não sabia que você gostava tanto assim do meu nome…
PHILL: Anna Mackenzie… ótimo te rever! Temos que nos encontrar pra relembrar os velhos tempos!
ANNA: Hum… Phillip. A gente não era assim tão amigo…
PHILL: Então nós precisamos nos encontrar pra não lembrar dos velhos tempos.
Ele sustenta um sorriso maroto, e olha a garota dos pés a cabeça.
ANNA: Ah! Uh… claro. Te vejo depois.
ANNA entra no banheiro e PHILL fica olhando, com o mesmo sorriso de antes.
PHILL: Achei a minha vingança perfeita.
SCOTT vai até o amigo, que estava hipnotizado olhando para o banheiro. Ele olha para PHILL e depois para a porta do banheiro.
SCOTT: O que foi?
PHILL: Ganhei na loteria…
SCOTT: Nossa! Sério???
PHILL olha pra SCOTT com desprezo.
PHILL: Claro que não, seu retardado. Mas aconteceu algo que você não vai acreditar.
Os dois caminham em direção à sala de aula.
CENA 18 – INT. ESCOLA VESTIÁRIO – MAIS TARDE
ALEXIA abre seu armário e tira uma toalha. BECKY senta em um banco próximo da amiga, e começa a tirar o tênis. ALEXIA coloca a toalha em volta do pescoço.
ALEXIA: Becky.
BECKY: Sim?
ALEXIA: Ah! Deixa pra lá.
BECKY: O que foi?
ALEXIA: Eu ainda não vi o Matt hoje.
BECKY: Nossa, tava demorando falar nele, hein?
ALEXIA: Você acha que ele tá com raiva?
BECKY: Por que você não pergunta pra ele, amiga?
ALEXIA: Eu não quero parecer desesperada…
BECKY: Mas você é, Alley.
ALEXIA: Vadia!
As duas riem.
ALEXIA: Eu vou ligar pra ele.
O telefone toca, mas ninguém atende do outro lado. MATT assiste TV quando seu celular toca, ele olha no visor do aparelho o nome da namorada e desliga.
ALEXIA: Caiu a ligação. Vou ligar pra casa dele.
CENA 19 – INT. CASA DOS GRAHAM – SALA – TARDE
O telefone toca e LOU, que estava passando pelo local, atende.
LOU: Oi, querida, tudo bom? [Ela afasta o telefone da boca] É a Alexia…
MATT faz um sinal de “não” pra tia.
LOU: O Matthew? Ele ainda não chegou. Claro, aviso sim. Tchau.
LOU encara o sobrinho, como se exigisse alguma explicação, mas ele desvia o olhar e volta a se concentrar na TV. A mulher senta ao lado do garoto e passa a mão na cabeça dele.
MATT: Lou…
LOU: Matt…
MATT: Eu posso falar com você um instante?
LOU: Claro! O que foi que houve dessa vez? O problema é sentimental ou sexual?
MATT: Tia…
LOU: Tá bom. O que houve?
MATT: Bom, acontece que você gosta de uma pessoa, mas essa pessoa tem um irmão, e ele vive ameaçando tirar essa pessoa de você. Tudo o que você queria na vida era bater nesse cara, pra valer sabe? Mas você não faz por causa dessa pessoa que você gosta. Você se sente tão humilhada, tão impotente, tão chateada que não consegue deixar de pensar si tudo isso vale a pena. Você me entende?
LOU: Olha, garoto, primeiramente eu jamais pensaria em bater no irmão da pessoa que eu gosto, mesmo se quisesse, eu sou uma dama, e damas não fazem esse tipo de coisa, especialmente se o cara for maior que eu. E depois você tem que parar com essa mania de falar em códigos! Pode abrir o jogo comigo, mesmo si o assunto for a “loirinha”. Você sabe que eu acho que ela não é a garota certa pra você, mas já que você gosta dela do jeito que você diz que gosta, ignora o irmão dela! Imagina que você tem uma balança gigante, ai você coloca a maluquinha de um lado, e o garoto do outro lado. Quem que pesa mais? Metaforicamente falado, é claro. Por que a Alexia não deve pesar mais que uma espiga de milho.
MATT: É… eu acho que entendi.
LOU: A garota é muito magra!
MATT: Tia….
LOU: Se der um vento mais forte ela voa, sabia?
MATT: Tia…
LOU: E se ela ficar de lado então….
MATT: Tia, não tem graça.
LOU sorri.
LOU: Você é um garoto legal Matthew. Não merece ficar triste por causa desse tipo de gente.
MATT: “Esse tipo de gente” é minha namorada.
LOU: Eu não quis dizer isso.
MATT: Semana que vem completamos um ano de namoro.
LOU: Parabéns. Eu te daria um troféu por isso…
MATT sorri timidamente.
MATT: Eu sei que ela é um pouco dramática, mas ela me faz feliz. Muito feliz.
LOU: Então se ela te deixa muito feliz, dane-se o resto.
MATT: Brigado, Lou.
LOU: Olha, querido, eu poderia ficar a tarde toda aqui, mas eu não posso. Tenho uma reunião importantíssima com o pai da sua “loirinha”, ás 3:30.
MATT: Algum problema com a fazenda?
LOU: Não, não… apenas coisas burocráticas. Agora me diz, eu estou bonita?
MATT: Está linda!
LOU: Se meus argumentos falharem, eu preciso ter uma segunda opção.
MATT parece envergonhado.
LOU: Agora vá atrás da sua loirinha.
MATT: Certo!
CENA 20 – EXT. HARAS DOS SAWYER
O sol está se pondo em Tulsa. SCOTT está montado em um cavalo preto no haras de seus pais. O garoto observa a irmã desenhando em baixo de uma árvore e desce do animal, segurando sua rédia, indo em direção da irmã.
SCOTT: Becky. Você quer tentar montar?
A garota demonstra uma expressão de medo.
BECKY: Obrigada Scott ! [Triste] Mas não tenho coragem.
SCOTT: Você precisa superar esse trauma, Rebecca.
BECKY: Eu sei. Eu adoro montar, mas toda vez que eu tento subir em um cavalo, só consigo lembrar do meu acidente.
SCOTT: Mas já faz tanto tempo, maninha !
A garota baixa a cabeça.
SCOTT: Vamos ! Eu te ajudo.
BECKY: Quem sabe um dia eu volto a montar. [Triste] Agora me deixa pintar.
SCOTT sobe no seu cavalo e vai em direção ao campo.
CENA 21 – INT. RED´S
SAM e MEL estão sentados em uma das mesas do Red’s, conversando.
SAM: Mel, desse jeito a gente não vai sair dessa questão.
MEL: Eu não consigo esquecer o que aconteceu ontem. Ai que raiva !
SAM: Melissa, esqueci isso! Você já conversou com o Matt?
MEL: Não. Ele sumiu hoje! Mas para que falar com ele. Se ele vai pedir desculpas pela loira oxigenada e depois vamos fingir que nada aconteceu.
SAM: É melhor agente estudar, antes que você dê outro chilique.
MEL: [Suspirando] Você tem razão.
A garota abre o livro.
SAM: Então, você entendeu o que é frequência?
MEL: Sim.
SAM: Se um corpo sofre uma pertubação de 50 clicos por 5 segundos, qual a frequência?
MEL: O corpo pode ser a Alexia?
SAM faz uma expressão séria e negativa.
CENA 22 – INT. CASA DOS DANES – QUARTO DA ALEXIA
[ MÚSICA- PERFECT, SIMPLE PLAN]
MATT e ALEXIA estão sentados na cama, um ao lado do outro, em silêncio. E assim permanecem por alguns segundos. MATT olha para a namorada, mas logo em seguida volta a olhar para frente.
ALEXIA: Eu pensei que você queria falar comigo.
MATT: Eu quero. Mas ultimamente eu sinto que qualquer coisa que eu faça, eu posso magoar você.
ALEXIA baixa a cabeça. MATT se aproxima.
MATT: Olha pra mim.
A garota obedece.
MATT: Deixa eu te contar uma história. Há muito tempo atrás, em um verão típico daqui. As ruas vazias e quente logo denunciavam que todos tinham algum lugar para ir. Sería como todos os anos, mas para um garoto, praticamente tudo mudou.
ALEXIA sorri.
MATT: Um dia ele foi fazer uma entrega, em um haras perto daqui. Foi quando o garoto a viu. Era a menina mais…
ALEXIA: Bonita? Maravilhosa?
MATT: Hum… incrivelmente insuportável.
ALEXIA: Então quer dizer que ela não chamou a atenção dele?
MATT: Sim. Mas, digamos que de um jeito negativo. [Ri]
ALEXIA rola os olhos.
MATT: Ok. Ela era muito bonita.
ALEXIA: Bom, pelo menos cego ele não era. [Sorri]
MATT: Mas não demorou muito para ele mudar de idéia, sobre o que ele achava dela.
ALEXIA: E o que te fez mudar de idéia? Quer dizer, o que fez ele mudar de idéia?
MATT: Uma noite, estava chovendo, o garoto havia terminado a entrega daquele dia, e pouco antes dele partir, escuta alguém chamar desesperadamente por socorro. Ele correu em direção ao campo, e viu a garota perto de um cavalo branco, que estava com uma das patas traseiras presa em um buraco. Ela tentava puxar o cavalo, mas claro que ele nem ao menos se movia.
ALEXIA presta atenção. olhando atentamente para MATT, que conta a história fitando os olhos da namorada.
MATT: Estava ventando e chovendo muito, mas ela disse que aquele era o cavalo da sua melhor amiga, e que ela não iria sair dali sem ele. Eles tentaram puxar o cavalo, por várias vezes sem sucesso. O animal não se movia. Até que um trovão o assustou, ele saiu do buraco sozinho, derrubando os dois no chão.
Os dois riem. Matt para por um instante, e coloca uma mecha de cabelo que insistiam em cair no rosto de sua namorada, delicamente, atrás de sua orelha.
MATT: Foi nesse instante que ele se apaixonou por ela.
ALEXIA: Quer dizer que toda a minha produção de menina do interior não te impressionou, e no dia que eu estou suja de lama, com o cabelo horrivel, você começou a gostar de mim? Você é muito inusitado.
MATT: Eu? Quem disse que o garoto sou eu? [Ri] Alley, por favor, esquece tudo o que tem acontecido últimamente. Não é sua culpa, não é minha culpa.
ALEXIA: Não! Matt! Você precisa parar de querer justificar as minhas atitudes. Eu sinto muito pelo o que aconteceu ontem. Talvez isso seja a coisa mais séria que você vai me ouvir falar. [Sorri] Eu sei que eu exagerei, e posso até ter motivos para Isso. Mas nada justifica por em risco o que a gente sente um pelo outro. [Suspira]
MATT à abraça cariosamente, enquanto ALEXIA encosta sua cabeça no ombro do garoto.
ALEXIA: Se você quiser eu peço desculpas à Melissa.
MATT se desvencilha rapimente, surpreso com o que a garota dissera.
MATT: Mesmo?
ALEXIA: Humm.. não mesmo. [Ri]
Os dois se aproximam lentamente.
MATT: Tudo vai ficar bem, ok?
ALEXIA: Ok.
ALEXIA fecha os olhos, e os dois se beijam. A câmera se afasta lentamente.
CENA 23 – EXT. CASA DOS MACKENZIE – FIM DE TARDE
ANNAa está sentada em um batente na varanda de sua casa, apoiando em seu colo, um diário, e segurando uma caneta azul. A garota parece pensativa, cativando um olhar disperso. Ela começa a morder a tampa da caneta, transformando sua expressão dispersa em um certo nervosismo. ANNA levanta-se, com um impulso, levando consigo seus objetos, caminhado pelo gramado da propriedade até parar em frente à uma caixa de correio coberta por um plástico. A garota analiza o objeto em sua frente por alguns segundos, e retira o plástico, revelando o nome “Mackenzie” escrito de preto. Ela sorri, e continua andando por mais alguns metros até se deparar com uma árvore. A garota faz um expressão intrigrada, como se a reconhecesse.
[FLASHBACK]
ANNA ri, enquanto o garoto tenta recuperar o fôlego.
ANNA: Corre, Matt!
MATT: Eu estou correndo, Anna!
ANNA: Ali, sobe na árvore!
MATT: O quê? Você tá maluca, eu não consigo subir em uma árvore!
ANNA: Qual é Matt? Eu te ajudo.
A garota sobe rapidamente na árvore. Olha para baixo e estira a mão para o amigo.
MATT: Eu não consigo. Sou muito pesado…
[FIM DO FLASHBACK]
Ela muda seu seblante, parecendo triste, logo em seguida, senta-se embaixo da árvore e começa a escrever em seu diário.
ANNA: [voice over] Eu nunca permiti que a vida me levasse para caminhos tortuosos. Sempre que algo de muito ruim acontecia, eu sempre dava um jeitinho, e é assim que eu sou. Sinceramente não posso deixar de dizer que dessa vez eu não sei o que fazer… você sempre imagina como vai ser quando esse dia chegar, e eu espero por esse dia há 7 anos. Passei da minha infância à adolescência imaginando o que poderia ter acontecido, formulando mil teorias, fazendo perguntas para as quais eu nunca obtive resposta, e eu sei que isso tudo está perto de acabar, mas a Anna que já não é mais tão corajosa e tão marota como um foi um dia, está com medo. Hoje faz 1 semana que voltei para Tulsa, hoje faz 1 semana eu tenho medo. Apesar de tudo, estou de volta onde pertenço.
Anna fecha o diário.
[MÚSICA FADE OUT]
ELENCO
Jonathan Bennett como Matthew Graham
Natalie Portman como Anna Mackenzie
Mena Suvari como Rebecca Sawyer
Lindsay Lohan como Melissa Baker
Austin O´Brian como Scott Sawyer
Joseph Gordon-Levitt como Samuel Wood
Kate Bosworth como Alexia Danes
Brad Renfro como Phillip Danes
Marisa Tomei como Lou Graham
ATORES CONVIDADOS:
Paula Cale como Katherine Mackenzie
John Wesley-Shipp como James Carter
PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS Logan O’Brien como jovem Scott Sawyer
Justin Riordan como jovem Phillip Danes
Keaton Tyndall como jovem Anna Mackenzie
Spencer Breslin como jovem Matthew Graham
MÚSICA TEMA Promises, Lillix.
TRILHA SONORA Little Black Backpack, Strooke 9 Perfect, Simple Plan Unwell, Matchbox 20 Desease, Matchbox 20 Here Is Gone, Goo Goo Dolls
ESCRITO POR
Clara Lima
Sarah Lima
DIRIGIDO POR
Clara Lima
GRÁFICOS POR
Clara Lima
CRIADO POR
Clara Lima
Sarah Lima
AGRADECIMENTOSESPECIAIS
Rafael Pires
Camila Martins
Mais uma série de comédia acaba de receber a garantia que terá sua primeira temporada completa. Depois de New Girl, Up All Night e Whitney, o canal CBS anunciou a encomenda de 22 episódiosde 2 Broke Girls.
A série foi criada por Michael Patrick King (Sex and the City) e Whitney Cummings (Punk’d), e é estrelada por Beth Behrs (American Pie) e Kat Dennings (Thor), que interpretam duas garçonetes de realidades sociais distintas, trabalhando e dividindo um apartamento, enquanto tentam economizar para abrir seu próprio negócio de cupcakes.
O primeiro episódio da série conquistou 19 milhões de telespectadores. Já no segundo, devido a mudança de horário, o show sofreu uma queda, mas mesmo assim manteve um bom índice de audiência. O último episódio exibido, registrou um público de 11,42 milhões de telespectadores e expressivos 4,4 pontos de audiência entre os telespectadores de 18 a 49 anos.
2 Broke Girls estreia no Brasil no dia 25 de outubro. A série iá ao ar pela Warner Channel.
Série: Grey’s Anatomy Episódio: What Is It About Men Temporada: 8ª Número do Episódio: 8×04 Datas de Exibição nos EUA: 6/10/2011
Em What Is It About Men, os holofotes estiveram nos garotos de Grey’s Anatomy. E, muito provavelmente, essa foi a causa de eu não ter gostado tanto do episódio quanto dos três anteriores. Não que tenha sido ruim. Longe disso. Ele foi agradável, e bastante divertido. Mas, quando os pouco mais de 42 minutos se passaram, a minha certeza de que as personagens femininas “mandam” na série foi maior ainda.
Os dramas típicos de Grey’s foram deixados, ainda que momentaneamente, de lado. E todas as questões que incomodavam o time masculino da série foram tratadas a base de cervejas e marteladas. Clique aqui para continuar a leitura »
Série: Haven Episódio: Sins of the Fathers Temporada: 2ª Número do Episódio: 2×12 Data de Exibição nos EUA: 30/09/2011
Chegou o dia dos habitantes de Haven pagarem pelos pecados dos pais. Eu bem que avisei que os roteiristas de The Walking Dead poderiam dar uma passadinha pela cidadela. Não vimos zumbis, obviamente. Mas foi quase isso. E não é que foi bom? Clique aqui para continuar a leitura »
Melanie Moretti: “Ei, a coisa mais estranha acaba de acontecer comigo: tive uma conversa com um vizinho!”
Joy Scroog: “Uau! Eu nem mesmo via meus vizinhos em Los Angeles… Exceto nos terremotos.”
Victoria Chase: “Às vezes saíamos pela garagem ao mesmo tempo e, enquanto os portões eletrônicos se abriam, eu pensava: “nem mesmo sei os nomes deles e eles não sabem o meu”. E o mundo era bom.”
Melanie Moretti: “Bem, aquilo éramos nós em Los Angeles. Aqui em Cleveland vamos conhecer nossos vizinhos. Na verdade, darei uma festa amanhã. Olhe para mim, sendo toda espontânea!”
A coluna de hoje é ao mesmo tempo uma sequência da coluna da semana passada, dedicada ao tema “bons vizinhos”, e também uma edição com receitas indicadas para as crianças, já que comemoramos o dia delas na próxima quarta-feira. No episódio Good Neighbors de Hot in Cleveland [o quinto da primeira temporada, exibido originalmente nos EUA em 14/7/2010], a personagem interpretada por Valerie Bertinelli decide dar uma festa para os vizinhos a fim de se enturmar.
Melanie, Joy e Victoria são novas na cidade e estão adaptando-se a um estilo de vida completamente diferente do que levavam até então. As três colocatárias contam com a ajuda da local Elka, interpretada por Betty White. A presença da atriz veterana reforça a impressão de que Hot in Cleveland lembra muito o antigo seriado As Super Gatas/The Golden Girls, mas isso não desmerece a série atual nem um pouquinho.
Joy Scroog: “Cupcakes chegando.”
Melanie Moretti: “Na verdade, são Ohiocakes, vê? Porque são redondos na beirada e altos no meio, entendeu? O-high-o?”
Joy Scroog: “Tem certeza que não é você que está alta?”
Melanie Moretti: “Olhe, eu tenho latkes Great Lakes, um curry Drew com arroz Lebron e para empurrar tudo pra baixo um gelado e delicioso ponche Rio Cuyahoga.”
Bem, de cupcakes já temos duas receitas no TeleSéries [a de Grey’s Anatomy aqui e o bolo de café de A Feiticeiraaqui]. O curry com arroz pretendo abordar mais pra frente porque é um prato mais indicado para o inverno, mas deixe-me apenas comentar que o nome que Melanie deu ao prato é uma referência esportiva que se perderia se o episódio fosse exibida apenas alguns dias depois, quando Lebron James praticamente largou o time de basquete de Cleveland pra assinar com Miami e despertou o ódio dos torcedores do Cavaliers, tornando-se persona non grata na cidade.
Voltando ao escopo, ficamos então com o latkes e o ponche. Latkes são panquecas de batata, um prato de origem judaica consumido no período de Hannukah ou Chanucá. O nome “latkes Great Lakes” é fictício, baseado na localização geográfica de Cleveland [na região dos Grandes Lagos] e faz parte da política de boa vizinhança de Melanie.
A receita – Latkes
Ingredientes:
500 g de batata
1 xícara [chá] de cebola ralada
1 ovo grande + 1 gema, levemente batidos
1 colher [chá] de sal
4 colheres [sopa] de farinha de matzá ou de trigo
1 colher [chá] de fermento em pó
1/2 a 3/4 xícara [chá] de óleo vegetal
Modo de fazer:
Descasque as batatas e passe no ralador [não sei o nome técnico dele, mas no de quatro faces é o da lateral que faz tirinhas finas e curtas, como se fossem juliennes] ou processador. Cuidado com os nós dos seus dedos, queremos manter esta receita o mais kosher possível.
Espalhe a batata e a cebola num pano de prato limpo, enrole feito rocambole, prenda as pontas e torça para espremer o máximo de água possível. Força aí! Passe a mistura para uma tigela e acrescente o ovo, a farinha, o fermento e o sal.
Aqueça o óleo em uma frigideira no fogo médio-alto. Ele deve estar bem quente mas sem fazer fumaça. Trabalhe apenas três ou quatro latkes por vez, dependendo do tamanho da sua frigideira: duas colheres de sopa da massa para cada latke [ou uma daquelas de servir arroz], amasse com um garfo para achatar e modelar na forma de panqueca. Reduza o fogo e deixe cozinhando até que o lado de baixo esteja dourado, vire o latke e frite do outro lado. Escorra o excesso de óleo em papel-toalha.
Sirva puro ou acompanhado de iogurte natural, molho de maçã, creme de leite. Tem até quem salpique com açúcar.
Notas pessoais: Eu sei que é difícil de saber pela minha cara aparência da batata, mas quanto mais amido ela tiver, melhor. Esta receita serve quatro pessoas, é fácil de fazer e um sucesso com a criançada. Certifique-se de fazer bolinhos bem firmes, apertando bem a massa antes de fritar, assim não corre o risco de absorver muito óleo ou se desmanchar no processo.
A batata oxida rápido depois de descascada, então deixe tudo preparado primeiro. Se quiser deixar uma baciada de latkes prontos para um time de futebol frite até estarem quase no ponto [90%], deixe esfriar e guarde na geladeira ou no congelador bem fechado em filme plástico. Quando for servir, disponha numa assadeira em uma única camada e asse no forno a 180º C durante 15 a 20 minutos.
Melanie Moretti: “O rio era tão poluído que incendiou-se de verdade uma vez. Mas já limparam tudo.”
Joy Scroog: “Bem, algumas pessoas gostam de um pouco de poluição.”
Ah, eu estava devendo a receita de uma bebida não-alcoólica há muito tempo e o ponche é a oportunidade perfeita! A bebida [ou mistura de bebidas] tem origem indiana e chegou ao Ocidente pela mão dos britânicos que colonizaram o país. Tradicionalmente a receita leva álcool, açúcar, limão, água, chá e especiarias, mas escolhi uma versão de frutas sem álcool desta vez. Numa festa com crianças ou mesmo com adultos abstêmios ninguém pode sentir-se excluído.
A receita – Ponche de frutas sem álcool
Ingredientes:
2 litros de refrigerante de fruta [guaraná, laranja, soda limonada, framboesa, uva, da sua preferência]
150 a 200 mL de suco de limão
500 mL de suco de laranja
2 xícaras [chá] de maçã descascada em cubos
2 xícaras [chá] de abacaxi descascado em cubos
2 xícaras [chá] de uvas Itália ou rubi sem os cabinhos e sem sementes, cortados ao meio
200 g de morangos lavados, sem a folhinha e cortados em quatro
2 xícaras [chá] de açúcar
gelo
Modo de fazer:
Coloque o refrigerante para gelar.
O suco de limão evita que as frutas oxidem e fiquem feias, então regue-as com ele à medida em que for picando as frutas.
Forre uma tigela grande com capacidade para pelo menos 3,5 litros com 1/3 da capacidade de gelo [de preferência moído ou triturado] e coloque as frutas por cima. Misture o açúcar no suco de laranja até dissolver bem e regue as frutas com ele.
Adicione o refrigerante apenas quando for servir e vá completando com mais suco e refrigerante conforme o consumo. Sirva com uma concha em copinhos coloridos transparentes.
Notas pessoais: fácil de fazer, ideal para os dias quentes. Com a época dos feriados e a semana do saco cheio chegando, é uma opção pra entreter o pessoal. As frutas podem ser substituídas conforme a estação ou a região, assim como o refrigerante. Aqui, por exemplo, tem um de framboesa com uma cor pink bem forte que deixa a bebida “chocante”. E, é claro, sempre se pode “poluir” o ponche com rum, grappa, vodca ou cachaça, se quiser.
Aaaah, sim, é verdade: o Rio Cuyahoga pegou fogo e não foi só uma vez, não, foram várias. Tem até um cerveja que homenageia o feito, a Burning River Pale Ale [fonte: Cleveland.com].
Série: Dexter Episódios: Those Kind of Things Temporada: 6ª Número do Episódio: 6×01 Datas de Exibição nos EUA: 2/10/2011
Depois da fraca quinta temporada, Dexter foi renovada sob um ar de desconfiança. Com a divulgação do novo material, parte dos fãs (e eu estou incluso nela), ficaram preocupados com os rumos que nosso Querido e Devotado Dexter estava seguindo… Mas para nossa felicidade, o que vimos nessa premiere serviu para acalmar os ânimos e espantar qualquer dúvida sobre a qualidade desta temporada.
A produção não estava brincando quando noticiou que Dexter voltaria às origens. Confesso que estava com saudade das narrações do protagonista, sempre com boa dose de humor negro que só ele é capaz de nos proporcionar. Não que elas tenham desaparecido da série, mas estavam vindo em menor escala nos últimos episódios. Além disso, logo de cara já tivemos uma excelente participação de James Remar, e espero sinceramente, que a produção siga por esse caminho.
Depois de um longo final de semana offline, o TeleSéries volta. E começa a fall season no Brasil, com Sony e Fox trazendo já na segunda as primeiras novidades da nova temporada. Confira.
Segunda, 10/10
Na Fox, às 22h, estreia no Brasil a série de sci fi Terra Nova. Com a assinatura de Steven Spielberg, orçamento de 20 milhões de dólares e o galã Jason O’Mara (Men in Trees, Life on Mars US) como protagonista, a série chega com um episódio piloto de duas horas de duração. Para saber mais sobre o show, leia o nosso preview. Antes, às 21h, a Fox faz uma pré-estreia da terceira temporada de Glee.
Na Sony, quem retorna é CSI e Grey’s Anatomy. CSI entra em sua 12ª temporada – apenas duas semanas após o término da temporada anterior – introduzindo no elenco o ator Ted Danson (Bored To Death, Damages) como o novo chefe do grupo de investigadores forenses. O episódio vai ao ar às 21h. Já às 22h, Grey’s Anatomy retorna com um episódio de duas horas de duração, retomando o drama da temporada passada, com a crise de relacionamento de Derek e Meredith e a gravidez de Christina. A review de Grey’s você lê aqui.
No canal SyFy, às 22h, estreia a segunda temporada de Haven, com a exibição de dois episódios em sequência. As reviews da Mari dos dois episódios você lê aqui e aqui.
Série que chega, série que parte. No Multishow, às 17h, o drama Kings encerra sua curta trajetória. Já na HBO, às 21h20, Curb Your Enthusiasm termina sua oitava temporada. Atenção para o nome do episódio: Larry vs. Michael J. Fox. Clique aqui para continuar a leitura »
Série: Glee Episódio: Asian F Temporada: 3ª Número do Episódio: 3×03 Datas de Exibição nos EUA: 04/10/2011
Quando o criador de Glee, Ryan Murph, disse que iria focar nas histórias dos personagens secundários nessa terceira temporada, ele não estava de brincadeira. Tenho que dizer que, como Gleek assumida, a mudança no foco principal da série está em agradando muito. As outras duas temporadas foram cheias de surpresas e emoções, mas sempre focadas em Rachel e Finn, às vezes um pouco do triângulo com Quinn Fabray, mas nada de muito novo.
Não sei se só eu que percebi, mas o Will parece estar tão mais rígido nessa nova temporada, logo no começo do episódio ele já coloca Mercedes contra a parede por estar atrasada e não estar se esforçando para praticar a dança para as Seccionais. No começo do episódio, também uma surpresa, mas não muito grande, Santana está de volta ao New Directions, depois de ser expulsa, ela volta sem contar a Sue o que fez.
Encorajada pelo namorado, Mercedes volta com aquela mania de perseguição. Sempre achando que não é valorizada, que todos preferem a Rachel, que ela é uma estrela e tem que brilhar e todo o bláblá Mercedes de sempre.
Enquanto isso, Will e Emma (que estão morando juntos), descobrem revistas secretas um do outro, Emma é colecionadora de revistas sobre casamento, e Will, bem, ele esteve muito tempo solteiro, então…Mas isso não vem ao caso, Will quer conhecer os pais de Emma e tornar o relacionamento dos dois um pouco mais sério. Quando ela desconversa, acabamos pensando que ela esconde um segredo horrível, mas mais pra frente do episódio vemos que não é bem assim.
Em outra cena, conhecemos o pai de Mike Chang Jr., que acha que ele está se drogando, pelo simples fato de ter tirado um F. Asiático, normalmente conhecido por A-, em uma prova de química. O pai de Mike acha que a culpa da nota “baixa”, é a Tina. Além do que, ele tem a opinião de que, ou Mike está se drogando, ou está sobrecarregado, e é por essa razão que ele precisa sair do Glee Club. Mike desesperado pede por um professor particular e diz que vai melhorar.
Mike se sente pressionado o episódio inteiro, e agora tem que escolher entre fazer a audição para o musical da escola e agradar Tina e a ele mesmo, ou ir até o professor particular e atender as expectativas do pai. Além disso, descobrimos que ele andou ensaiando o seu canto, que nós lembramos, não era nem um pouco bom.
Enquanto Mike está preocupado com o seu dilema, Kurt está completamente animado com sua candidatura, mas Brittany aparece e faz um super discurso que acaba com muitas das esperanças dele para vencer as eleições.
Mike não é o único que enfrenta dilemas durante esse episódio, Artie, Emma e Beiste estão tendo problemas para escolher a personagem principal para o musical. Segundo Emma, Rachel é uma Maria perfeita, mas Mercedes evoluiu muito seu canto e sua performance realmente agradou. Sendo assim, as duas apelam por uma competição “amigável”, muito conhecida em Glee, onde as duas se enfrentam em um duelo para ver quem é a mulher. Assim como a conhecida competição, o resultado é um tanto óbvio e conhecido pelos Gleeks: um empate. Mas Mercedes decepcionou nesse episódio, não aceitou o empate e disse que não iria aceitar dividir isso com Rachel e que não aguenta mais dividir os holofotes com a companheira. Além de Mercedes desistir do papel, ela ainda teve mais um complexo de “ninguém me ama, ninguém me valoriza”, o que resultou em sua saída do Glee Club.
Voltando para o Mike, ele resolve fazer seu teste para as audições e se apresenta com louvor, arrancando elogios e aplausos. Eu tenho que dizer, que o jeito como o Harry interpretou o Mike nesse episódio foi digno de aplausos em pé. Harry fez com que um personagem que desde o começo da série foi sempre apagado, e que não tinha “muita” importância, crescesse aos olhos do público. E sim, seu canto melhorou. E melhorou muito! Agora o canto de Mike não parece mais um gato sendo esmagado por um trator, mas sim um cantor tão bom quanto Puck, na minha opinião.
Assim como conhecemos o pai severo de Mike, conhecemos também a mãe doce dele. Ao contrário do que pensávamos, ela não pensa do mesmo jeito que o marido, e está disposta a cobrir o filho e dar todo o apoio necessário. Em uma das cenas mais emocionantes do episódio, a mãe de Mike diz que desistiu de muitos sonhos por causa da opinião de seus pais, e não ia deixar isso acontecer com ele também. Quando Mike pergunta qual era o sonho da mãe, ela responde que amava dançar, assim como ele, mas o pai dela nunca a deixou fazer aulas. Mike então sorri, e se dispõe a dançar com a mãe. Fofo!
Em outra cena fofa, e surpreendente, vemos que Kurt não ficou com ciúmes por Blaine ter sido o candidato favorito a ganhar o papel principal no musical da escola, e sim, um tanto feliz. Kurt dá flores ao amado, que o corresponde com uma linda e pequena “declaração” de amor. Mas o bom humor de Kurt não dura muito, já que a sua concorrência para a presidência da escola vai esquentar ainda mais com a chegada de uma nova concorrente, Rachel, que mesmo depois de ter ganhado o papel do musical resolve se candidatar para aumentar suas chances de entrar na NYADA.
Com Will e Emma as coisas se tornam um pouco menos felizes e agradáveis. Em um momento de impulso, Will convida os pais de Emma para o jantar sem ela saber. E, nós descobrimos o motivo pelo qual Emma não quis apresentar os pais para Will antes, os caras são preservacionistas da cultura ruiva da família, e vivem tirando sarro da coitada da Emma por causa da sua doença, dando apelidos não tão carinhosos quanto Will esperava.
Pelo menos Will entendeu que fez coisa errada, deu um sermão aos pais da namorada e ainda a protegeu. Além do que, nós sabemos que o Will vai dar um jeito de ajudá-la com toda a sua sensibilidade.
No final do episódio, vemos que Mike, Blaine, Santana, e é claro, Rachel, conseguiram seus devidos papeis no musical. Já Mercedes, fora do New Directions se candidata para o Glee Club 2 da Shelby e da Sugar Motta. Tenho certeza que o próximo episódio vai trazer muitas encrencas, mas nós vamos ter que esperar até novembro! Isso mesmo, novembro! Por que ? Porque a Fox gosta de nós fazer sofrer, simples assim. Então, episódio novo, só daqui a três semanas!
Sobre os números musicais:
Achei que as músicas se encaixaram muito bem no contexto do episódio, principalmente Run The World.Brittany mandou bem cantando essa música, eu sempre gostei muito da voz da Heather e era um desejo meu ver ela cantando solo de novo, na música ela só teve uma pequena ajudinha da Naya, mas a coreografia desse número foi muito bem elaborada.
Adorei Spotlight, mas esse jeito Mercedes de sempre se achar mais e mais do que os outros me irritou tanto, que fiquei até com um pouco de raiva dessa música. It’s All Over foi uma cena típica de musical, com uma música típica de musical, achei que a Amber mandou bem, mas não acho que tenha sido a melhor música que ela já cantou no seriado.
Quanto a Out Here On My Own, concordo com a Emma quando ela disse que a música foi escolhida porque tinha potencial para as duas, tanto Rachel quanto Mercedes, cantarem. Eu que sempre tenho uma opinião bem decidida quanto a quem cantou melhor nas competições, confesso que daria empate as duas dessa vez.
Cool foi a apresentação que mais me interessou, e eu amei o Mike dizendo que aquilo não deu trabalho e nem foi um desperdício de tempo, porque é aquilo o que ele ama fazer. Me surpreendeu, admito. E Fix You foi uma apresentação que me lembrou a primeira temporada, quando só haviam seis integrantes no New Directions, nada de roupas elaboradas ou instrumentos marcantes. Mais voz do que espetáculo.