Série Virtual – Destination Anywhere – Que Começe o Jogo

Série: Destination Anywhere
Episódio:
Que Começe o Jogo
Temporada:

Número do Episódio:
1×04

 

CENA 1 – EXT. CAMPO DE FUTEBOL – NOITE

O placar marca 2 a 2. E o relógio conta regressivamente o minuto final da partida. O barulho é ensurdecedor, a multidão – a maioria vestida com as cores dos “Lançadores”, branca e azul – grita entusiasmada. A bola esta com um jogador do time dos Rogers, e ele esta prestes a chutar. Matt para de correr. Olha para o goleiro assustado, e nesse momento não havia mais nada. Nenhum som, nenhum pessoa, somente ele e seu adversário. O contador agora está na marca dos segundos. Não há muito tempo. Matt respira e os sons começam a invadir seus pensamentos. As líderes de torcida encorajam as pessoas a gritarem e a cantarem. Todos estão à espera da decisão. Matt está com a bola, e está pronto para chutar.

 

CENA 2 – INT. CASA DOS GRAHAM – QUARTO DO MATT – DIA

O despertador toca, e Matthew cobre o rosto com o cobertor. Outro despertador, que estava em cima de sua mesa de cabeceira, toca, fazendo com que Matt se levante. O garoto sorri ao ver um pequeno bilhete embaixo do relógio.

LOU: [Voice Over] “Olá, campeão! Você sabe que nunca fui boa com palavras, mas aqui escrevo com todo meu amor. Matt, meu orgulho de viver, será que dava pra você fazer o café? Beijos, Lou. Ps: Bom jogo! Estarei lá!”.

 

CENA 3 – INT. MESMO LOCAL – SALA

Matt desce as escadas já vestido para ir à escola. Ele entra na cozinha e coloca os pães na torradeira. O garoto senta-se na mesa e seu celular apita. No visor do aparelho havia um alerta de cinco mensagens recebidas. À medida que Matt vai abrindo as mensagens vemos que se tratam palavras de encorajamento sobre o jogo. O alarme da torradeira apita e ele pega os pães, uma caixa de suco na geladeira, e um pote de geléia escura.

 

CENA 4 – EXT. FAZENDA

LOU está ao lado de um homem. Ela carrega uma prancheta na mão e toma nota de tudo que o homem diz.

HOMEM: Os números são esses, senhora.

LOU: Tem certeza, George? Em menos de quatro meses não dava pra produção ter caído tanto.

GEORGE: A produção não caiu, senhora. Mas os tributos que estamos pagando é mais do que podemos arcar.

LOU: George, continue com o bom trabalho. Eu tenho que levar isso pro escritório. Eu estou trabalhando para que dê tudo certo, pode ter certeza.

GEORGE: Eu sei disso, senhora. Até mais.

LOU entra em sua caminhonete e encosta a cabeça no banco do seu assento. A mulher suspira, ajeita o retrovisor e liga o automóvel.

 

CENA 5 – EXT. ESCOLA WILL ROGERS – ESTACIONAMENTO

Há faixas decorativas por todo o lugar. A maioria delas traz escrito em azul celeste as iniciais W.R., ou o nome do time da escola – “Ropers”. ALEXIA ajeita seu óculos escuro no rosto, e encosta-se na porta do carro, onde REBECCA se encontra. BECKY sai do carro e fecha a porta com força, provocando em ALEXIA uma expressão de dor. Ela pega uma caixa de comprimidos de sua bolsa.

BECKY: O que é isso?

ALEXIA: São pra dor de cabeça.

BECKY: Você não deveria ter bebido sabendo que hoje é dia de jogo.

ALEXIA: Ah! Becky. Não sou eu quem vai jogar.

ALEXIA sorri.

ALEXIA: Até que a noite não foi de todo ruim. Se bem que o Phillip não tinha nada que ter levado aquela “zinha” pra festa.

BECKY: Não implica com a Anna, Alley. A garota acabou de chegar, você nem a conhece.

ALEXIA: E você gostou dele ter levado a tal Anna pra festa?

BECKY: Você tem certeza que o efeito do álcool já passou? Eu e o PH não temos nada um com a vida do outro há séculos. E além do mais, a Anna não é uma má pessoa.

ALEXIA: Ai, Becky. Odeio quando você é racional e justa.

BECKY olha pra ALEXIA e sorri. MEL e SAM vem em direção contrária às duas garotas. MELISSA olha para o amigo, após perceber que REBECCA estava por perto.

MEL: Sam, você quer que eu pegue um babador?

SAM: [Sorrindo e olhando para Becky] Eu não sei do que você está falando.

No momento em que os quarto se cruzam, SAM derruba seus livros aos pés das duas líderes de torcida. MELISSA cobre o rosto com vergonha pelo amigo, enquanto ALEXIA aponta para garoto e começa a rir. REBECCA fica paralisada e SAM se baixa para pegar o que havia derrubado.

SAM: [Olhando para Becky] Desculpa.

Antes que a garota desse alguma resposta, ALEXIA puxa a amiga.

ALEXIA: [Rindo] Você viu a cara dele?

BECKY: Alley! Você não tinha nada que ficar rindo dele.

ALEXIA: Ok, ok. Santa Becky.

As duas deixam o local. MELISSA se baixa para ajudar o amigo.

MEL: Eu vou dizer só mais uma vez: “Esquece ela, Sam”.

SAM levanta-se aborrecido.

SAM: Eu sei que isso seria impossível de acontecer. Mas eu prefiro gostar dela, do que não gostar dela.

MEL: Então pelo menos deixa de agir feito um bobo na frente dela.

MELISSA levanta-se e vê o carro de MATT chegando ao estacionamento. Os dois aproximam-se do amigo, que logo é cercado por algumas pessoas que o cumprimentam.

MEL: Oi, “campeão”! Pronto pro jogo?

MELISSA ri no final da frase. MATT passa a mão no cabelo da amiga e sorri.

MATT: É esse seu sarcasmo que te deixa mais bonita a cada dia.

MATT se despede rapidamente do pequeno grupo de amigos, e caminha pelo pátio com SAM e MEL.

 

[ABERTURA]

[MÚSICA TEMA – PROMISES, LILLIX]

 

CENA 6 – INT. CASA DOS GRAHAM – SALA – MANHÃ

LOU entra correndo em casa. A mulher joga a bolsa no sofá e corre para seu escritório. Ela coloca a prancheta com os números anotados anteriormente perto do computador, pega o telefone e disca.

LOU: Bom dia! Eu sei, eu sei Margie, são 8 horas. Desculpe, eu queria ser a primeira. [Sorri] Sim, eu gostaria de marcar uma audiência com o senhor prefeito… de novo… [Cara de espanto] Como assim? Foram apenas cinco, queridinha. Margie, eu preciso falar com ele. Muito obrigada. Claro. Pode ser às cinco.

LOU desliga o telefone. Parece pensativa.

 

CENA 7 – INT. ESCOLA – CORREDOR

ANNA anda apressada com alguns livros na mão. Havia apenas alguns alunos no corredor. Aparentemente ela está atrasada.

ANNA: [Pra si mesma] Se você quiser chegar no horário certo, venha a pé. É mais garantido, sua mãe não é a pessoa mais confiável do mundo.

PHILLIP está encostado na parede olhando para a garota que parece distraída. Ele se aproxima devagar.

PHILL: Posso ajudar com os livros.

ANNA leva um susto. A garota para de andar e põe a mão no peito.

ANNA: Você por acaso está me perseguindo? Ou tentando me matar do coração?

PHILL: Estou apenas tentando ser um cavalheiro.

ANNA: Bom, Phillip. Eu aprecio a sua tentativa, mas da próxima vez faça barulho ao se aproximar.

PHILL: Eu prometo.

ANNA: Bom, eu tenho que ir. A aula já deve está começando.

PHILL vai atrás dela.

PHILL: Eu só queria agradecer por ter saído comigo ontem. Foi muito bom.

ANNA: Ah… não precisa agradecer.

PHILL: Podemos repetir algum dia?

ANNA para de andar novamente. Ela olha para o garoto, constrangida.

ANNA: Sabe, Phillip. Eu ainda estou colocando algumas coisas no lugar. Quer dizer, a minha vida, a escola, a minha família.

PHILLIP sorri.

PHILL: Anna… eu não estou te pedindo em namoro ou algo assim, só achei que se um dia você estiver entediada ou sem opções, talvez possa me ligar, e eu te garanto um pouco de diversão.

PHILL encara ANNA, mas ela desvia o olhar.

ANNA: Quem sabe, né? Agora eu tenho que ir.

ANNA vai andando em direção da sala de aula.

PHILL: [Fala alto] Você vai ao jogo hoje à noite??

ANNA levanta o braço, sem olhar para trás, e faz sinal de positivo com o polegar. SCOTT está escondido atrás da maquina de refrigerante. O garoto vai em direção ao amigo com um sorriso cínico no rosto.

SCOTT: Eu não pensei que seria assim tão fácil.

PHILL: Nunca duvide do meu estilo. As garotas me amam.

SCOTT: Mas a Anna é diferente. Ele te odiava.

PHILL: Isso faz tempo, Scott. Muito tempo mesmo. E não há nada que o tempo não possa destruir. Não acha? O que você está presenciando é o início de uma “linda” amizade.

Os dois riem.

SCOTT: E que comece o jogo!

PHILL observa sua irmã se aproximando.

PHILL: E aí maninha. Como vão as coisas?

ALEXIA: Fala logo o que você ta querendo. Não tenho o dia todo.

PHILL: Eu só ia perguntar sobre você e o Matt. Já que ele tem uma história tão bonitinha com a Anna, eu pensei que você ficaria com raiva.

ALEXIA: [Com raiva] Não enche Phill!

PHILL: Ontem ele não parou de olhar pra Anna. Você não viu?

ALEXIA parece furiosa.

ALEXIA: O que você está querendo com tudo isso?

PHILL: [Cínico] Eu… nada. É que você sempre teve ciúmes daquela amiga dele… como é o nome dela?

SCOTT: É Melissa. Ela é uma gata!

PHILL: Isso! Melissa. Você sempre reclamou que tinha que dividir o Matt com ela e, agora, vai dividir ele com a Anna também.

ALEXIA: Eu não tenho que dividir o Matt com ninguém. Aliás, eu não preciso ficar dando satisfação da minha vida pra você. Vê se cresce garoto!

PHILL: Calma! Eu só estou te alertando maninha. Se eu fosse você ficava com os olhos bem abertos.

ALEXIA: Eu não preciso dos seus conselhos!

ALEXIA sai furiosa.

PHILL: Você não sabe o que te espera.

SCOTT: Cara! Você é cruel!

PHIIL: Você não viu nada. O jogo apenas está começando.

PHILL sorri.

 

CENA 8 – INT. ESCOLA – SALA DE AULA – MANHÃ

A câmera mostra a fachada do Will Rogers High School. ALEXIA observa ANNA e MEL conversando na sala de aula. A loira olha para o relógio: 11:15. O sinal toca e ela fecha o caderno. ANNA e MEL se despedem e ALEXIA vai atrás da ruiva.

 

CENA 9 – INT. ESCOLA – CORREDOR

MELISSA está mexendo em seu armário. A garota coloca um livro e retira uns cds. ALEXIA está parada ao lado dela de braços cruzados. Quando a filha do dono do Red’s fecha o armário, leva um susto.

MEL: O que você quer?

ALEXIA: [Irônica] Eu só queria saber como é que você está lidando com a sensação de se sentir ameaçada?

MELISSA rola os olhos.

MEL: Alexia, ninguém nunca te disso que isso é doença? Quero dizer, essa sua obsessão pela minha vida.

ALEXIA: Você sabia que a Anna Mackenzie era a melhor amiga do Matt? [Sorri]

MEL: A Anna mal conhece o Matt, sua maluca.

ALEXIA dá uma gargalhada e olha com cara de pena para a rival.

ALEXIA: Não vai me dizer que você não sabia? Aaahh… Coitadinha, o seu melhor amigo agora esconde coisas de você?

MELISSA fica calada.

ALEXIA: Aposto que ele contou para o Sam, por que todo mundo sabe dessa história, mas você não sabia, não é? Que mundo cruel…

MEL: Vai se danar, sua maluca!

ALEXIA: Uh… a ruivinha ficou com raiva… Bom, eu não vim aqui pra brigar com você. Já deve ser muito difícil está na sua pele, eu não quero prolongar seu sofrimento. Estou muito caridosa ultimamente. Além do mais, hoje é um dia muito importante, sabe? Pelo menos para mim e para o Matt.

ALEXIA vai andando até sua classe, e MELISSA ainda faz menção de ir atrás dela, mas desiste e acaba indo em direção oposta dando de cara com o SAM.

MEL: Onde que está o Matt?

SAM: Oi, pra você também, Mel!

MEL: Oi… desculpa.

SAM: O que houve? Aconteceu alguma coisa? Você está pálida.

MEL: Eu só queria falar com o Matthew.

SAM: Ele está na sala.

MEL: Biologia?

SAM: Isso… Mas ele já está vindo.

MEL: Eu vou lá.

MELISSA já ia em direção da sala quando ela volta correndo em direção do amigo.

MEL: Sam… Quem é a Anna Mackenzie?

SAM: Mel… Você conhece a Anna! Baixinha, morena, que vem com a gente pra escola às vezes.

MEL: Eu sei quem é a Anna. Mas por que tanto segredo em torno dela? Por que o Matt me escondeu que eles já foram amigos?

SAM olha para os lados.

MEL: Se não quiser me contar, tudo bem. Eu só pensei que era a melhor amiga, sua e do Matt.

SAM: Mas você é, Melissa. O Matt não te contou isso não por não confiar em você. A historia o incomoda e ele não se sente à vontade falando da Anna.

MEL: Mas pelo o que eu soube todo mundo sabe da historia do Matt.

SAM: Todo mundo? Eu não acho que o Matt contaria essa historia pra todo mundo. E não é nada demais, Mel. É só algo que pertence a ele e a Anna. Uma amizade que não deu certo. Eles eram crianças, e…

MEL interrompe.

MEL: Muito bonitinho o draminha dele, mas eu gostaria que ele tivesse me contado. Olha. [Pausa] Esquece. Tchau.

[MÚSICA FADE IN – TURN, TRAVIS]

Mel corre até a sala de biologia. Ao entrar no local ela vê o amigo com uma mochila nas costas, já se preparando para sair.

MEL: Matt, espera.

MATT sorri.

MATT: Oi, Mel. Tudo bom?

O garoto percebe a aflição da amiga. MEL estava ofegante, olhava para baixo, sem saber por onde começar a conversa. MATT fecha a porta. Agora restavam apenas os dois na sala.

MATT: Vem cá. Senta aqui.

Ele se senta em uma das cadeiras perto da janela.

MATT: O que houve?

MEL: Eu sou sua melhor amiga, não sou?

MATT fica calado.

MEL: Não sou?

MATT: Claro, Melissa.

MEL fica séria.

MEL: Então por que você mentiu para mim?

MATT olha nos olhos da Melissa.

MATT: Eu? Menti pra você?

MEL: Não seja cínico, Matthew. Por que você não me contou que a Anna era sua amiga? O que tem de tão grave nisso?

MATT: O Sam te contou?

MEL: Não interessa quem me contou. O que me importa, é que você não me contou.

MATT: Eu não entendo por que as pessoas fazem dessa história um estardalhaço. Eu não te contei por que não é importante pra mim.

MEL: Não parece, Matt. Pelo contrário, parece mais importante do que você deixa transparecer.

MATT: Mel, desculpa se eu te deixei fora disso, é que eu simplesmente não quero falar sobre a Anna.

MELISSA parece inconformada.

MATT: Eu não acho justo a gente brigar por uma coisa que já passou. Você é a minha melhor amiga, e é com isso que eu me importo.

MELISSA fica olhando para ele, em silêncio.

MATT: Bom, o que eu posso fazer pra você não ficar com essa cara?

MEL: Nada…

MATT: [Imitando a voz da Mel] “Nada”. Você é uma boba, sabia disso?

MEL: Você que é…

MATT: Tá bom, eu sou…. agora vamos sair daqui. Eu preciso comer alguma coisa.

MATT abraça MELISSA e a puxa para fora da sala.

MATT: Vamos!

 

CENA 10 – INT. ESCOLA – CORREDOR

REBECCA está parada em frente ao seu armário, no corredor principal da escola, que se encontra quase vazio. A garota parece ter dificuldades ao girar a combinação da fechadura de seu armário. ANNA aparece no fim do corredor, retirando uma faixa azul envolta em seu pescoço. Ela joga o pedaço de papel em um cesto de lixo, BECKY a observa.

ANNA: Será que as pessoas dessa escola não tem consciência ecológica?

BECKY: [Fechando o ármario] Devo concordar que há um pouco de exagero. Mas é dia de festa para a escola.

ANNA estranha a resposta, e sorri timidamente ao perceber a presença da líder de torcida.

ANNA: Desculpa, eu não quis…

REBECCA sorri.

BECKY: Sem problemas. O espírito esportivo dos “Lançadores” do Will Rogers te perdoa.

BECKY ajeita sua mochila nas costas.

ANNA: Eu estou tentando me acostumar com isso.

BECKY se prepara para deixaro local, Anna segue na direção oposta. A loira olha para trás.

BECKY: Anna!

ANNA para e vira-se.

BECKY: [Aproximando-se] Eu não sei se isso vai soar estranho, mas sobre o Phillip… vocês dois… estão…

ANNA: Não! Deus! Claro que não.

BECKY: Eu vi os dois na festa ontem. Vocês me pareceram bem amigos.

ANNA: Por mais estranho que possa ser, eu também tive a mesma sensação.

BECKY: Olha Anna. Só toma um pouco de cuidado com o Phill, ok? As vezes ele gosta de brincar com os sentimentos das pessoas. Certas coisa não mudam.

ANNA: [Desconfiada] Ok.

BECKY: [Sorri] Bom, eu tenho que ir, estou atrasada. Vai, Lançadores!

ANNA sorri estranhando o grito de torcida, e faz sinal de “adeus” para a loira.

 

CENA 11 – INT. ESCOLA – AUDITÓRIO

[MÚSICA FADE OUT]

A câmera mostra a estátua do fundador da escola, que fica na entrada do auditório, um lugar grande e de estilo rústico, decorado com fitas azuis e brancas. Os alunos chegam aos bandos e se acomodam nas centenas de cadeiras do local. A primeira fileira estava ocupada pelos professores e a segunda pelos jogadores de futebol. As líderes de torcidas vinham logo atrás e os resto dos alunos se acomodava nos demais lugares. ANNA, MELISSA e SAM estavam sentados um pouco mais pra cima. MEL estava ouvindo música, ANNA lendo um livro e SAM jogando videogame no celular. De repente a multidão se levanta e começa a gritar. A diretora da escola, SRA. CHRISTINA ALBRIGHT entra no recinto e sobe no grande palco onde estava o treinador Carter e mais duas outras pessoas. A mulher se dirigi a um pequeno oratório e pega o microfone.

SRA. ALBRIGHT: Silêncio, por favor! Podem se sentar.

A maioria dos alunos obedece. REBECCA olha para trás e vê SAM. ALEXIA joga seu pompom em MATT e sorri.

SRA. ALBRIGHT: Vamos todos nos acalmar. Bom, como vocês já sabem, hoje a noite teremos jogo….

Os alunos começam a gritar. Ouve-se alguns pedidos de silêncio, alguns outros alunos gritavam “Lançadores”, duas líderes de torcida jogavam seus pompons para cima, mas a maioria simplesmente gritava. CHRISTINA olha para os lados, sem paciência, e puxa o microfone para perto da caixa de som. O barulho agudo da microfonia faz com que os alunos levem suas mãos à cabeça. A gritaria agora dava lugar a apenas um ou dois resmungos.

SRA. ALBRIGHT: Muito obrigada. Eu tenho alguns recados para dar em relação ao jogo de logo mais. Prestem atenção! Jogar é um esporte, não é palco para brigas. Kyle, Vince, estou de olho em vocês. Jogar não é desculpa para usar drogas. Se ganharmos não exagerem nas festas, não bebam, nem transem, pois se transarem vocês pegarão doenças ou engravidarão. Estamos entendidos?

ANNA segura o riso.

SRA. ALBRIGHT: Espero que sim. Agora o treinador James Carter tem uma coisa para dizer.

CARTER: Bom pessoal, eu sei que é um jogo difícil, mas o nosso time é bom. E eu sei que posso contar com a presença de todos vocês! É um dia importante para o Will Rogers! Principalmente para o nosso artilheiro, Matthew Graham!

MATT parece um pouco apreensivo, apesar de todos em sua volta estarem bastante confiáveis e entusiasmados.

CARTER: E que o jogos dessa temporada comecem!

 

CENA 12 – INT. CASA DOS MACKENZIE – QUARTO DE ANNA – TARDE

ANNA está sentada em sua cama lendo um livro. A garota ouve a campainha tocar e desce correndo as escadas até a sala.

KATHERINE: Você está esperando alguém?

ANNA: Uma amiga.

KATHERINE: Você não me disse que estava esperando uma amiga, Mary Anna. Eu não preparei nada para vocês.

ANNA: Não se preocupa com isso, mãe.

ANNA abre a porta.

ANNA: Mel!

MELISSA parece um pouco desconfortável. A garota sorri com a recepção de ANNA.

ANNA: Mãe, esta é a Melissa. Melissa Baker.

KATHERINE: Olá, querida. Muito prazer. Baker? Dos “Baker”, donos da fábrica de biscoitos?

MEL: Não… dos Baker de Nova York.

ANNA: O pai da Mel tem uma rede de lanchonetes.

A MÃE DA ANNA fica olhando com reprovação para as roupas da amiga da filha. MEL estava vestindo uma calça rasgada no joelho e uma camiseta preta. A mochila jeans jogada nas costas e o cabelo solto completavam o visual despojado da garota.

KATHERINE: Ahn.. entendi.

ANNA: Bom, mãe. A gente vai subir, e mais tarde vamos ao jogo na escola.

 

CENA 13 – INT. MESMO LOCAL – QUARTO DE ANNA

MEL senta na cama da ANNA, já a morena pega um controle remoto e liga o som. A garota sintoniza em uma rádio local.

[MÚSICA FADE IN – LOST WITHOUT EACH OTHER, HANSON]

MEL: Hanson? Nossa…

ANNA sorri.

ANNA: Eles me lembram Tulsa. [Ri] O que posso fazer? Algumas coisas não podemos explicar. Todos temos um lado negro.

MEL: [Cara de nojo] Mas… nossa…

ANNA: Vai me dizer que você nunca ouviu algo assim?

MEL: [Desconfiada] Bom, eu gostava do Aaron Carter.

As duas riem.

 

CENA 14 – INT. CASA DOS GRAHAM – QUARTO DE MATT

MATTHEW está olhando pela janela do seu quarto. Ele parecia a paisagem bucólica, os campos, os animais, a fazenda que fica ao um pouco longe de sua casa, mas ao alcance de sua vista. O garoto liga o som, e sintoniza em uma rádio. Ouvimos a mesma música que ANNA. Ele se joga na cama e põe um chapéu cobrindo o seu rosto. Alguém bate à porta.

MATT: [Resmunga] Hummmmm…

SAM: [Voice Over] Se isso foi um “Quem é?”, sou eu, Sam!

MATT: Hummm Hummmm…

SAM abre a porta.

SAM: Você disse “pode entrar”? Não foi?

MATT tira o chapéu do rosto.

SAM: Vim dá uma força, cara. Você deve tá nervoso, afinal sua bolsa na faculdade depende de um bom desempenho nessa temporada, toda a escola conta com você pra ganhar o primeiro jogo, e a Alexia, com certeza, já deve ter te prometido algumas recompensas se tudo for bem hoje à noite e…

MATT: Sam, eu consegui relaxar um pouco até você entrar aqui!

SAM: Desculpa, cara.

MATT: Brincadeira.

SAM: Ei, cara, qual é a dessa música?

 

CENA 15 – INT. CASA DOS MACKENZIE – QUARTO DE ANNA – TARDE

ANNA pega algumas caixas que estavam embaixo de sua cama.

ANNA: Me ajuda?

MEL: Claro.

ANNA: Bom, os livros eu coloco ali [aponta para uma prateleira], e os cds ficam ali [aponta para menor].

Por alguns segundos a música era a única coisa que ecoava no quarto. ANNA pega alguns livros e MEL alguns cds.

MEL: Anna…

ANNA: Sim, Mel.

MEL: [Sorri] O Sam me contou que você conhecia o Matt quando era criança.

ANNA continua o que estava fazendo.

ANNA: Verdade.

 

CENA 16 – INT. CASA DOS GRAHAM – QUARTO DO MATT

SAM pega o violão do amigo e começa a dedilhar alguns acordes. MATTHEW volta a encarar a janela.

MATT: A Anna veio falar comigo.

SAM quase derruba o violão.

SAM: E você me diz isso assim???

MATT: Olha, não foi nada demais. Eu só achei que você queria saber.

SAM: Claro! Você quer falar sobre isso?

MATT: Eu não! Você quer que eu fale sobre ela?

SAM: Ah! Só se você quiser falar, eu não vou te obrigar…

MATT: Então beleza, eu não falo.

SAM volta a dedilhar alguns acordes.

 

CENA 17 – INT. CASA DOS MACKENZIE – QUARTO DE ANNA – TARDE

MEL: E por que vocês não se falam mais? Quer dizer, eu não vejo vocês conversando ou algo assim, e pelo que me contaram vocês eram muito amigos.

MELISSA senta na cama e espera por uma resposta.

ANNA: Eu e Matt nos conhecemos ainda criança. Nós éramos muito amigos sim, mas tudo muito pueril. Um dia meu pai teve que ir embora, e eu não tive a chance de dizer “adeus”. Eu escrevi uma carta para o Matt, pedi para que ele me ligasse ou escrevesse, mas ele nunca ligou nem escreveu.

ANNA ajeita um ultimo livro que estava na caixa. A garota coloca uma caixa dentro da outra e as encosta em um canto do quarto.

ANNA: Eu esperei por algum tempo ouvir noticias dele, até que a esperança foi se transformando em raiva. Eu era uma criança ainda, então fiz o que toda criança faria: tentei esquecê-lo. E por alguns anos assim foi, até que algumas perguntas voltaram à minha cabeça: “O que será que aconteceu?”, “Será que ele me esqueceu?”, “Será que ele me odeia?”. Muitos “serás” me atormentaram por um tempo, até que meus pais se separaram e a minha mãe pediu para que eu voltasse com ela. Naquele momento eu me apavorei. Finalmente algumas eu teria as respostas que precisava e elas poderiam ser alegres ou tristes. Acho que nunca estamos preparadas para o que é verdadeiro.

MEL: Nossa, eu não sabia disso.

 

CENA 18 – INT. CASA DOS GRAHAM – QUARTO DO MATT

LOCUTOR [Voice Over]: Acabamos de ouvir Hanson, com Lost Without Each Other, e agora com vocês Nelly Furtado com Powerless. Você está ouvindo T.O.K.2.

[MÚSICA FADE IN – POWERLESS, NELLY FURTADO]

SAM coloca o violão onde ele pegou e fica lado a lado com o amigo, olhando também a paisagem.

MATT: [Sem olhar para Sam] Ela é muito cara de pau.

SAM: [Sem olhar para Matt] A Anna?

MATT olha para SAM.

MATT: Claro que sim! A Anna…

SAM: Pensei que você não queria falar dela.

MATT: Ela volta, assim do nada, sem avisar e achando a coisa mais normal do mundo. Dizendo que me perdoa! [Ri] Muito cara de pau.

SAM olha para MATT.

SAM: Por que você não dá uma chance pra ela, cara?

MATT: Eu não sinto como se eu a conhecesse mais… acredita que ontem ela foi pra festa do prefeito?

SAM: Sério? E como você sabe disso?

MATT: Eu estava lá…

SAM: Na festa do prefeito?

MATT: Eu tive que ir por causa da Alley. Bom, mas isso não vem ao caso, o mais chocante é que ela estava lá, com o Phill!!!

SAM: [Irônico] Não brinca… Ela estava amarrada ou algo assim?

MATT: Você não entende. A Anna não gostava do Phillip. Na verdade menos que eu!!!

SAM: Entendi, e isso te incomoda?

MATT: O quê?

SAM: De ela ter ido com o Phillip?

MATT: Não. Não… O que me incomoda é o fato de ela não ser mais ela. Como eu posso querer ser amigo de alguém que eu não conheço?

SAM: Então você quer ser amigo dela?

MATT passa a mão na cabeça.

 

CENA 19 – INT. CASA DOS MACKENZIE – QUARTO DE ANNA – TARDE

ANNA: Eu voltei pra Tulsa, deixei tudo o que eu construí para trás, mas as coisas não foram como eu imaginei que seriam.

MEL: Você se arrepende de ter voltado?

ANNA: De modo algum. A gente cresce e aprende a encarar as coisas de uma forma mais realista. Quer dizer, não importa pra onde eu vá, todas essas perguntas estarão comigo, certo?

MEL: Você tinha muitos amigos no Brasil?

ANNA: Não. Depois do que eu passei aqui eu jurei que nunca mais me prenderia tanto a um lugar, e foi assim por alguns anos. Aí eu vi que eu não poderia me isolar para sempre, e as coisas rolaram de uma forma mais natural.

MEL: Você quer que eu fale com o Matt sobre isso?

ANNA: Não! Não… ele provavelmente me odiaria e odiaria você também. O Matt sempre foi muito orgulhoso, pelo o que lembro dele. Apesar de que o Matt que eu encontrei quando voltei do Brasil é praticamente outra pessoa. Ele mudou muito. O Matt que eu deixei aqui, não existe mais.

MEL: É… ele mudou mais ainda depois que começou a sair com aquela maluca.

ANNA sorri.

ANNA: Por que você odeia tanto a Alexia? Quero dizer, ela é chata, se acha a melhor coisa do mundo, adora humilhar os outros, mas não passa da criatura mais óbvia da qual já conheci!

MEL: Eu não gosto dela por que… eu não gosto oras! Por esses motivos que você falou e mais alguns.

ANNA: É por causa do Matthew? Por que ela o tirou de você?

MEL: Como assim?

Anna: Depois que ele começou a namorar ela, ele deve ter se distanciado um pouco.

Mel: Ah, é. Isso é verdade. [Disfarça] É por isso que eu não gosto dela.

MELISSA caminha até a janela.

 

CENA 20 – INT. CASA DOS GRAHAM – QUARTO DE MATT

SAM: Você quer que eu converse com a Anna sobre isso?

MATT: Claro que não. Não! Não…

SAM: Você é orgulhoso demais pra isso.

MATT: Isso mesmo.

SAM: Bom, se precisar de algo. É só falar.

MATT: Eu sei.

SAM: Matt. Talvez você devesse conhecer essa nova Anna.

 

CENA 21 – INT. CASA DOS MACKENZIE – QUARTO DE ANNA – TARDE

MEL: Olha, apesar de tudo, talvez você devesse conhecer esse novo e “hipnotizado” Matt.

ANNA: Talvez.

[MÚSICA FADE OUT]

 

CENA 22- INT. PREFEITURA – NOITE

LOU está sentada em uma sala bastante sofisticada. A mulher cruza as pernas e olha para o relógio. Ela se levanta e vai até o gabinete de uma mulher morena com um crachá.

LOU: Margie, meu amor. Eu estou aqui há horas. Eu juro que se eu ficar sentada ali mais alguns minutos e começarei a dar frutos, e os frutos vão cair no chão e apodrecer, e ai os bichos vão entrar para comer os frutos podres e tenho certeza que isso não vai ser uma boa cena para se assistir.

MARGIE não dá atenção para o que LOU fala e continua a fazer suas tarefas.

LOU: E aí, não satisfeitos com os frutos do chão, os bichos vão começar a fazer ninhos e abrigos em cima de mim, quem sabe a Comissão de Preservação da Sequóia não entra aqui pra me ajudar?

O telefone de MARGIE toca.

MARGIE: Sim, senhor. [Olha para Lou] Você pode entrar!

LOU: Muito obrigada!

 

CENA 23 – EXT. CAMPO DA ESCOLA – NOITE

Há uma certa movimentação de carros e pessoas no local.

 

CENA 24 – INT. ESTÁDIO – VESTIÁRIO

O vestiário está vazio. MATT está sentado em um banco e sua está de cabeça baixa. O garoto respira fundo expressando um sinal de concentração. ALEXIA se aproxima devagar. Ela surpreende seu namorado com um beijo na bochecha.

MATT: Alley! Você está maluca? Alguém pode te ver aqui!

ALEXIA: Mas você acha que eu não iria te dar um beijo antes do jogo?

MATT: É. Realmente você é maluca.

ALEXIA beija o garoto.

ALEXIA: Hoje depois do jogo eu quero te compensar por ontem.

MATT: Você vai me deixar desconcentrado.

MATT beija a garota.

MATT: Alley, o pessoal combinou de ir ao Red’s depois do jogo. Mas se você quiser, a gente vai pra outro lugar.

ALEXIA: É claro que podemos ir pro Red’s, Matt.

MATT: [Desconfiado] Você tem certeza?

ALEXIA sorri e beija seu namorado

ALEXIA: Sim. Te vejo mais tarde! Bom jogo!

A garota pula e levanta os braços balançando os pompons. MATT sorri e a observa sair do local. A expressão tensa do garoto volta a tomar conta do seu semblante.

 

CENA 25 – INT. PREFEITURA – SALA DO PREFEITO

WILSON: Louise Graham! O que te trás aqui?

LOU: Não seja cínico! Você sabe muito bem o que eu vim fazer aqui!

WILSON DANES olha para o relógio.

WILSON: É assim que você me trata depois de concordar em te atender fora do meu horário de trabalho. Louise, Louise, algumas coisas nunca mudam.

LOU: A Margie disse que você me atenderia as cinco, e já são quase sete horas da noite! Ontem você fez a mesma coisa, me deixou esperando horas e não me atendeu. Por acaso isso é pessoal?

WILSON: Desculpa, mas eu tive alguns negócios para resolver.

 

CENA 26 – EXT. CAMPO DE FUTEBOL – NOITE

Os times se aquecem no campo. As líderes de torcida cantam alguns hinos e animam as pessoas que já estavam por lá. Algumas faixas e cartazes saúdam as escolas: Will Rogers x Memorial Tulsa. ANNA e MEL já estavam sentadas quando SAM chega com 3 copos de refrigerante na mão. As garotas ajudam o amigo. PHILLIP e SCOTT estão se aquecendo no campo quando o filho do prefeito percebe que ANNA estava na arquibancada. Ele acena para a garota que acena de volta. SCOTT cai no riso e balança a cabeça.

SCOTT: Você não presta.

PHILL: Eu não disse que ela apareceria?

Os dois riem. O juiz entra no campo. As torcidas se levantam e começam a gritar. Os mascotes se apresentam. O jogo vai começar.

 

CENA 27 – INT. PREFEITURA – SALA DO PREFEITO – NOITE

LOU olha para o relógio.

LOU: São quatro meses de queda na produção. Daqui a pouco eu não vou poder pagar os funcionários.

WILSON: O que eu posso fazer por você?

LOU: Você sabe!

WILSON: Eu não posso deixar você pagar impostos como pequena propriedade, Lou! Depois que você comprou aqueles lotes a sua fazenda virou média propriedade, e você sabia disso. Você sabe disso, não sabe?

LOU: Claro que sei! Mas você nunca se importou com isso. Agora que é ano de eleição, você vem com essa de tamanho de propriedade. Eu dava lucro, a cidade ganhava com isso!

WILSON: Você quer que eu haja contra a lei, Louise?

LOU arregala os olhos com raiva.

LOU: Eu quero uma solução. Do jeito que estamos não vai dar pra continuar. Eu faço parte de uma maioria nessa cidade, meus colegas também não estão gostando dessa sua política, você está levando a cidade para um buraco!

WILSON: Os impostos fazem da cidade um lugar mais forte.

LOU: Quer saber de uma coisa? Eu não vou votar em você mesmo!

WILSON: Isso quer dizer que será o fim das nossas negociações?

O prefeito olha para LOU com um jeito insinuante.

LOU: Você se atreva a chegar perto de mim!

Ele rir.

WILSON: Eu não faria isso.

A mulher coloca sua bolsa no ombro e prEprara-se para deixar o local.

WILSON: Louise!

LOU para e vira-se e encara o prefeito.

WILSON: Há uma solução. Você pode vender a fazenda pra prefeitura.

LOU: Eu nunca vou vender a fazenda para você, Wilson.

LOU abre a porta e vai embora. O Prefeito fica observando até ela sair do local.

 

CENA 28 – EXT. CAMPO DE FUTEBOL – NOITE

A torcida adversária grita. Gol do Memorial Tulsa. O placar marca agora 2 a 2. O jogo estava empatado. SCOTT leva a mão a cabeça e xinga o time adversário. SAM aproveita que seu lado da arquibancada ficou quieto para descer até o alambrado. Ele fica olhando para REBECCA que estava apenas a alguns metros dele.

ANNA: O que ele está fazendo?

MEL: Agora é a hora em que o Sam fica babando pela vice-líder do esquadrão pompom.

ANNA: A Rebecca?

MEL: Isso.

ANNA: E isso é normal?

MEL: Ah, é.

MELISSA volta a prestar atenção ao jogo. MATT olha pra arquibancada, ele parece procurar por alguém.

CARTER: [Grita] Se concentra Graham!

MATt olha para os lado e corre atrás da bola.

 

CENA 29 – EXT. ESTRADA – NOITE

LOU dirige seu carro em alta velocidade. Ela olha para o relógio, parece extremante aborrecida. Ela buzina contra um carro que estava a sua frente. O carro andava devagar e ela tenta ultrapassar sem sucesso. Ela buzina novamente. O carro sinaliza para ela passar. A mulher olha novamente para o relógio.

 

CENA 30 – EXT. CAMPO DE FUTEBOL – NOITE

LOU passa entre os torcedores apressada.

LOU: Licença, oh, me desculpe, licença.

LOU vê MELISSA e tenta chegar até a amiga do seu sobrinho.

MEL: Oi, Louise.

A mulher senta-se do lado da ruiva. ANNA sorri.

LOU: O que eu perdi?

MEL: Estamos empatados. O Matt fez um gol. O camisa 6 do Rogers passou mal. E o treinador do outro time continua um gato.

LOU: Anotado.

ANNA olha para LOU, que estava ainda ofegante e descabelada.

ANNA: Oi, Lou.

LOU: Oi.

Ela olha para a garota como se estivesse tentando reconhecer.

ANNA: Sou eu, a Anna.

LOU fica boquiaberta. Nem consegue disfarçar a surpresa. A mulher sorri um pouco “desconcertada” e a cumprimenta.

LOU: Eu soube que tinham voltado. [Sorri] Você está muito diferente.

O locutor chama atenção para o fim do jogo. 44 minutos do segundo tempo. 2 a 2. O barulho é ensurdecedor, a multidão, maioria vestida com as cores dos Rogers, branca e azul, grita entusiasmada. A bola estava com MATT, e o garoto está cara a cara com o goleiro. Ele pAra de correr, parece hesitar por alguns instantes. Todos estão à espera de uma decisão. MATT está com a bola, e está pronto para chutar ao gol.

[CÂMERA LENTA]

[MÚSICA FADE IN – SOMETHING THAT I NEVER HAD, LINDSAY LOHAN]

ANNA cruza os dedos. MELISSA fecha os olhos e abraça LOU. SAM grita. ALEXIA e REBECCA parecem apreensivas, a espera do ultimo movimento. MATT respira mais uma vez e chuta. O locutor grita “gol” junto com toda a torcida local. O jogo havia acabado e os Rogers eram vencedores.

[CÂMERA NORMAL]

ALEXIA joga seus pompons para cima e corre para os braços de MATT. O garoto ainda estava parado, anestesiado, em transe. Ele sente que alguém o abraçara e olha para baixo. ALEXIA o beija apaixonadamente. A garota pula em cima dele, e os dois caem no chão rindo. O casal nem percebe quando o campo é invadido. Alguns jogadores são suspensos no ar. A festa está feita. MELISSA olha para MATT e ALEXIA com tristeza. ANNA pega o braço da amiga e a puxa para o campo. Todos estão comemorando. Alguns fogos de artifício estouram no céu. LOU olha para cima espantada.

LOU: [Para um homem que estava a seu lado] Nossa mãe! Precisava desse exagero todo?? Isso é apenas um jogo entre escolas.

O homem olha esquisito para a fazendeira, e ela volta a observar a cena festiva que acontecia no campo. SAMUEL corre até MELISSA e os dois começam a pular. ANNA sorri vendo a cena dos amigos e é surpreendida quando alguém a abraça e a gira no ar.

PHILL: [Grita] Nós ganhamos!

ANNA: Me solta! Me solta.

MATT e ALEXIA se levantam e o garoto vê seu cunhado abraçado com Anna. Sua visão é interrompida quando alguns de seus colegas de time o suspendem no ar.

ANNA: Você enlouqueceu?

PHILL coloca ANNA no chão.

PHILL: Desculpa, foi o calor da vitória. [Ri]

PHILL corre para comemorar com os amigos. LOU desce ao campo com as sandálias de salto alto na mão. A mulher sorrir ao encontrar com o sobrinho, MATT abraça forte a tia.

MATT: Que bom que você está aqui!

O treinador JAMES CARTER se aproximo dos dois.

CARTER: Parabéns, Matt. Foi um jogo e tanto.

LOU olha para o treinador e sorri timidamente.

LOU: Oi, James.

CARTER: Oi, Lou.

MATT olha para os dois.

[MÚSICA FADE OUT]

A imagem vai se distanciando.

 

CENA 31 – INT. RED’S – NOITE

A lanchonete está lotada. Em uma das mesas perto da janela se concentram algumas pessoas do time. MELISSA observa tudo de trás do balcão. SAM chega ao lado da garota repentinamente.

SAM: De alguma maneira eu me sinto menor agora.

MEL: Pára de besteira, Sam! Você é muito melhor que uma dúzia deles.

ALEXIA se aproxima do balcão e olha pra MEL com desdém.

ALEXIA: Eu estou esperando meu milkshake há 30 minutos. Será que você poderia agilizar isso pra mim?

MEL: Você deveria considerar isso um favor. Já imaginou quantas calorias tem um milkshake? Ele passa pela sua garganta e cai direto na sua bunda!

ALEXIA encara MELISSA, calma e cínica.

ALEXIA: Você deveria relaxar mais, Mel. Será que nem a vitória do seu amigo tira esse seu mau humor constante?

SAM aparece com um milkshake, e o dá para ALEXIA.

ALEXIA: Obrigada, Tim.

SAM: É Sam.

ALEXIA: Que seja.

ALEXIA volta para a mesa onde estava, e senta no colo de MATT. MEL olha sério para SAM.

MEL: Você não tinha nada que ter feito isso.

MATT acena para os dois amigos, que acenam de volta, mas permanecem no mesmo lugar.

ALEXIA: Eu sabia que seria um grande jogo.

A garota beija o namorado, e fica de olhos abertos, encarando MELISSA, que sai do local rapidamente. BECKY, que está sentada ao lado do casal, fica olhando para SAM, que está limpando o balcão.

 

CENA 32 – EXT. CASA DOS MACKENZIE – NOITE

PHILL: Eu disse que seria divertido.

ANNA: É, você tem razão.

Os dois param em frente a porta da casa da garota.

PHILL: Pronto, você está entregue.

ANNA sorri.

ANNA: Obrigada, Phill.

PHILL: Eu não vou ganhar nenhum beijo pela vitória?

ANNA olha desconfiada.

PHILL: Brincadeira. Até mais.

ANNA dá “tchau” no ar, e entra em casa. PHILLIP sorri misteriosamente.

 

[TELA PRETA]

 

ELENCO
Jonathan Bennett como Matthew Graham
Natalie Portman como Anna Mackenzie
Mena Suvari como Rebecca Sawyer
Lindsay Lohan como Melissa Baker
Austin O´Brian como Scott Sawyer
Joseph Gordon-Levitt como Samuel Wood
Kate Bosworth como Alexia Danes
Brad Renfro como Phillip Danes
Marisa Tomei como Lou Graham

ATORES CONVIDADOS
Alley Walker como Christina Albright
John Wesley Shipp como James Carter
Paula Cale como Katherine Mackenzie
Todd Field como Wilson Danes

MÚSICA TEMA
Promises, Lillix

TRILHA SONORA
Turn, Travis.
Lost Without Each Other, Hanson.
Powerless, Nelly Furtado.
Something I Never Had, Lindsay Lohan.

ESCRITO POR
Clara Lima
Sarah Lima

DIRIGIDO POR
Clara Lima

GRÁFICOS POR
Clara Lima

CRIADO POR
Clara Lima
Sarah Lima

AGRADECIMENTOS
Thales Cohen.

DISTRIBUIDO POR
TVSN

® 2004-2006.

 

Série Virtual – Outsiders – Realise This

Série: Outsiders
Episódio:
Realise This
Temporada:

Número do Episódio:
1×04

 

CENA 1 – INT. MANSÃO – NOITE

A câmera mostra EHLIOS andando pela casa escura. Mostra-o olhando alguns quadros e objetos de decoração e fazendo cara de nojo.

EHLIOS: Eww… Arte clássica…

A CÂMERA gira e mostra o ponto de vista de EHLIOS, foco na mesa da cozinha. Vemos muitos papéis em cima dela e um tubo verde de batatas. A expressão de EHLIOS se ilumina.

EHLIOS: Pringles!

EHLIOS se senta numa das cadeiras e sem querer ele derruba alguns papéis no chão. A câmera dá um close no papel e vemos que é uma planta de um local. Mais um close no topo do papel onde está escrito: SANATÓRIO CHARETON.

EHLIOS: [irônico] Até que enfim eles resolveram dar um jeito na Cathleen.

EHLIOS dobra as plantas e papéis várias vezes e coloca de baixo do braço. Ele começa a sair da casa. Quando chega à sala ele pára de repente e olha em volta. Shot da sala onde vemos uma TV enorme, stéreo enorme, DVD, VHS, Home Theater e alguns outros eletrônicos que EHLIOS desconhece.

EHLIOS: [sorriso malicioso] Vamos ver como os riquinhos se viram sem TV…

EHLIOS passa sua mão intangível através da TV e vemos faíscas e fumaça começar a sair do aparelho.

EHLIOS: … sem DVD…

Ele faz o mesmo com o aparelho de DVD.

EHLIOS: … sem som…

Dessa vez vemos o stÉreo queimar sob o toque de EHLIOS. Ele olha para mais um aparelho.

EHLIOS: [curioso]… e sem essa coisa de rico que eu nunca vi na vida.

EHLIOS passa a mão através do aparelho e de repente o alarme da casa começa a tocar. As luzes da casa piscam incessantemente. O garoto flexiona os joelhos e olha para todos os lados, assustado.

EHLIOS: [nervoso] Eu não acredito que vou ser preso por causa de um maldito Pringles!

EHLIOS sai correndo e atravessa a porta da casa saindo. O garoto se esconde ainda mais sob seu boné e sua capa preta e sai correndo desesperado pela rua.

[MÚSICA TEMA – LATE GREAT PLANET EARTH, PLUM]

 

CENA 2 – VEÍCULO EM MOVIMENTO – NOITE

JULIA no volante percebe um alarme em seu bip. Ela faz um movimento no volante e o gira no asfalto parando perfeitamente no acostamento.

CATHLEEN: [pálida de medo] Você tá doida?

JULIA não responde.

JOEY: O que houve?

JULIA: A mansão.

CATHLEEN: O que?

JULIA: O alarme da mansão disparou.

CATHLEEN: [nervosa] Então temos que voltar!

JULIA: Eu tenho. Vocês têm uma missão para ser cumprida.

JOEY: Mas–

JULIA: Não! O homem que vocês irão resgatar será transferido amanhã. É agora ou nunca!

CATHLEEN: Ok, mas… como vamos resgatar alguém que a gente nunca viu antes?

JULIA puxa um envelope de uma bolsa negra e dentro dele pega uma foto e dá para CATHLEEN.

CATHLEEN: [maliciosa] Humm… Agora entendo toda sua motivação pra resgatá-lo.

JULIA: [rola os olhos] Okay, os dois pra fora.

CATHLEEN: Como é que é? Sair?

JOEY: Acho que foi isso mesmo.

JULIA: Eu tenho que voltar, e além do mais, não há nada com o que se preocuparem. É um manicômio, só tem doido lá. O que pode acontecer com vocês lá dentro?

JOEY: A Cathleen pode se enturmar?

CATHLEEN: Você anda passando muito tempo com o cretino do Ehlios.

JOEY lança um sorriso forçado para CATHLEEN.

JULIA: Vamos pessoal, agilizando, até onde sabemos há alguém na mansão nesse momento! Peguem o equipamento e continuem por essa estrada. Pouco mais de uma milha e vocês chegarão ao Charenton.

JOEY e CATHLEEN pegam o equipamento e descem do carro.

JOEY: [aproximando-se da janela] Mas Julia… e a comunicação constante…

O carro dispara cantando pneu e deixando JOEY e CATHLEEN cobertos pela poeira. Os dois se olham intrigados.

 

CENA 3 – EXT. THE ALLEY – NOITE

Erick para na frente do The Alley. Vemos muitos carros na entrada da lanchonete.

ERICK: Só pode ser aqui.

Erick entra no local.

 

CENA 4 – INT. THE ALLEY – NOITE

A lanchonete está lotada e vemos ZACK, KENNEDY e mais um garoto andando rapidamente de um lado para o outro, tentando atender aos pedidos. Erick olha para os lados procurando um lugar para sentar, mas parece não haver opções. Uma pessoa tromba nele por trás. Barulho de copos quebrando. Erick vira-se assustado e vemos Kennedy no chão catando cacos de dois copos.

KENNEDY: [nervosa] Droga!

ERICK: [abaixando para ajudá-la] Foi mal. Eu não te vi.

KENNEDY: Não tem problema. Eu tava distraída.

KENNEDY finalmente olha para o garoto.

KENNEDY: Hey, você não é o primo da Srta. Liefield?

ERICK: [confuso] Primo? [tentando disfarçar] Ah, claro. Sou primo da Julia.

KENNEDY: Achei que vocês estivessem no hospital. A Cathy falou que algum parente da Julia tava mal e depois de tanto açúcar eu achei que tinha sido você.

ERICK: [ri brevemente] Não. É um parente da Julia sim, mas… hum… é do outro lado da família. Parente só dela. Eles tiveram que sair apressados e achei melhor não atrapalhar. A Cathy falou que eu podia ficar aqui.

KENNEDY: Claro… sem problemas.

ZACK passa apressado pelos dois com uma bandeja lotada.

ZACK: Kennedy. Mexa-se!

KENNEDY: [contemplativa] Sabe, o Zack era tão gentil no começo da noite. Depois começou a aparecer tanta gente entre nós que ele simplesmente mudou.

ERICK sorri.

KENNEDY: Você vai comer alguma coi– Ok, pergunta errada. O que você quer que eu traga pra você comer?

ERICK: Acho que eu vou querer uns dois pedaços daquela torta de chocolate ali. Três bolas de sorvete com calda quente e… café.

KENNEDY: [indo para trás do balcão] Café? [irônica] Ótima combinação de escolhas.

KENNEDY joga os cacos fora e vira para um cara que estava sentado num banco do balcão.

KENNEDY: [abanando a mão] Sai, sai, sai.

O homem parece assustado, mas se levanta do banco. ERICK se aproxima para sentar, rindo.

ERICK: O que eu posso dizer? Já testei praticamente todas as combinações existentes de comida e acredite quando eu digo que sorvete e café… combinam mesmo.

KENNEDY entrega um prato com os dois pedaços de torta para ERICK e vai até a cafeteira.

KENNEDY: Ok, então… energizando superpoder Gilmore.

A garota aperta um botão na cafeteira e após alguns segundos ela franze o cenho.

Aperta o botão de novo.

KENNEDY: [irritada] O que aconteceu com essa coisa agora?

KENNEDY começa a apertar todos os botões da máquina de café soltando alguns grunhidos de irritação. ERICK olha para ela assustado.

KENNEDY: [gritando e apertando todos os botões] Ah, mas você vai funcionar sua lata velha! Eu já to cansada disso tudo e não preciso de mais um eletrônico empacado pra completar minha noite!

Algumas pessoas olham para KENNEDY atacando a cafeteira.  A garota dá um último soco no aparelho e ouvimos um zumbido seguido de faíscas que saem da máquina. As luzes da lanchonete começam a oscilar até que tudo se apaga num baque surdo.

O The Alley todo entra em silêncio. E a tela está em total escuridão.

ERICK: Eu nem queria o café tanto assim mesmo.

 

CENA 5 – INT. THE ALLEY – NOITE

Zack está nos fundos da lanchonete mexendo em alguns armários. Ele retira algumas velas e começa ir pra frente do The Alley novamente, mas EHLIOS, vestido com um casaco negro, entra desesperado pela porta dos fundos. ZACK olha para ele, intrigado.

ZACK: Ehlios? Você e a Sociedade do Anel de Naranda foram assistir mais uma seção de Matrix?

EHLIOS: [olhando para trás] O quê? Não!

ZACK: O que você tá procurando?

EHLIOS: [nervoso] Nada! [olhando em volta] O que houve com a luz?

ZACK: A Kennedy aconteceu.

EHLIOS parece não prestar muita atenção, olhando a todo momento pelo pequeno vidro da porta.

ZACK: O que houve?

EHLIOS: A gente tem que ir pro manicômio urgentemente!

Zack franze a testa e olha para EHLIOS com uma cara de pena.

ZACK: O quê?

EHLIOS: A Equipe Rocket está a caminho do Chareton em Santa Cruz e eu quero saber o que tem lá!

ZACK: Bem, aparentemente vários de seus amigos.

EHLIOS encara Zack com um olhar de tédio.

ZACK: E quer saber? [levanta as velas] Eu tô ocupado e… [incerto] não me interessa o que a Cathy tá fazendo.

EHLIOS: [entre os dentes] Cathy?! [irritado] Desde quando Cathleen virou Cathy pra você?

ZACK olha para ele sem saber o que responder por alguns momentos.

ZACK: [rolando os olhos] Eu não sou o seu Frodo.

EHLIOS encara ZACK com um olhar cortante.

EHLIOS: [entre os dentes] Será que dá pra gente ir?

ZACK: Ehlios, olha essa situação, cara. Você chega no meio do meu turno de trabalho, de capa negra, me chamando para ir à um manicômio, por seja lá que razão. Eu seria idiota de concordar com algo do gênero.

EHLIOS: Eu duvido que você não tá interessado em saber o que eles estão aprontando?

ZACK: [incerto] Não…

EHLIOS: [com um sorriso diabólico] Eu duvido.

 

CENA 6 – INT. THE ALLEY – NOITE

A câmera focaliza KENNEDY e ERICK conversando à luz de velas. De repente um grito se ouve na escuridão.

VOZ MASCULINA: Tá pronto!

Ouve-se um estalo alto. E a luz  retorna ao estabelecimento. A garota sorri para ERICK e vai até a cozinha.

KENNEDY: [grita] Zack! A energia voltou!

Silêncio.

KENNEDY: Zack?

 

CENA 7 – ESTRADA – NOITE

CATHLEEN e JOEY andam pelo asfalto quando vemos ao longe algumas luzes.

CATHLEEN: [olhando para as luzes do manicômio] Hora da festa. [pra Joey] Pronto?

JOEY: [respira fundo] Pronto.

CATHLEEN tira sua jaqueta de couro preta revelando uma blusa verde. A garota então coloca a mochila nas costas, parecendo assim mais casual. JOEY se esconde atrás de alguns arbustos na margem da estrada e CATHLEEN continua andando até chegar a uma guarita de vigilância ao lado da entrada do manicômio.

Vemos que dentro da guarita há apenas um segurança já de idade. CATHLEEN sacode os cabelos e sorri para o velho. Ele sorri de volta e aproxima-se da janela da guarita.

CATHLEEN: Boa noite. Eu estou com um pequeno probleminha. Tive uma briga com meu namorado e ele me deixou no meio da estrada. Tem como você me deixar usar seu telefone.

CATHLEEN sorri e pisca os olhos algumas vezes. O guarda estufa o peito e também sorri.

GUARDA: [voz grossa] Claro. Pode entrar, querida.

Ele abre a guarita e Cathleen entra.

CATHLEEN: [tocando o peito do segurança enquanto entra] Muito obrigada, Sr. … [olha no crachá] Riney. O senhor é um amor.

CATHLEEN aperta de leve a bochecha do homem e entra. RINEY arregala os olhos e sorri mais ainda.

RINEY: O telefone está bem aqui, senhorita.

O segurança pega o telefone e passa para CATHLEEN. A garota se encosta sobre a janela ocultando-a da visão do segurança. Vemos ao fundo da cena JOEY passando encurvado e todo vestido de preto pela guarita do manicômio. A garota digita alguns números. O homem senta-se na cadeira a frente de CATHLEEN de modo que não podia mais ver nada do lado de fora da guarita.

A câmera mostra a visão do guarda e passeia do rosto de CATHLEEN lentamente até seus pés.

CATHLEEN: [fingindo chorar] Meredith?? [pausa] Você não vai acreditar o que o Roger fez comigo! [pausa] Ele me expulsou do carro no meio da estrada! [chorando ainda mais] Eu sei, eu sei que devia ter escutado, mas eu gosto dele Mere!

O homem parece continuar encarando as pernas de CATHLEEN.

CATHLEEN: Ele disse que eu era uma vagabunda e que tinha ficado com o Scott. Como ele sabe disso??? Você por acaso– [pausa] Desculpa, desculpa! Eu sei que você nunca contaria nada pra ele. [pausa] Mere, eu não sei o que fazer! [em prantos] Eu tô no meio do nada chamado Nevada e não tenho como ir pra casa! [pausa longa] Porque, por sorte, eu achei uma gracinha de senhor aqui que me deixou usar o telefone dele.

CATHLEEN pisca para ele.

CATHLEEN: [enxugando as lágrimas] Não sei… tem como você vir me buscar?

Pausa longa. CATHLEEN olha incerta para o senhor que desvia rapidamente o olhar para os olhos da garota.

CATHLEEN: [fingindo sussurrar sem graça] Mere, eu não sei se eu posso passar a noite aqui…

O homem arregala os olhos.

 

CENA 8 – EXT. MANICÔMIO CHARETON – NOITE

JOEY esgueira-se e anda rente as paredes. Ele olha através de várias janelas e finalmente acha um quarto vago. O garoto coloca sua mão sobre a janela e uma coloração avermelhada vem seguida de um click. JOEY abre a janela e pula para dentro do quarto.

 

CENA 9 – GUARITA MANICÔMIO CHARETON – NOITE

Dentro da guarita o homem tem toda sua atenção voltada para CATHLEEN e não percebe logo atrás de si, JOEY aparecendo em pequenos monitores de vigilância interna.

 

CENA 10 – INT. MANICÔMIO CHARETON – NOITE

JOEY está num quarto que parecia ser uma pequena farmácia. Vemos várias prateleiras com remédios. O garoto abre a mochila e tira cinco frascos brancos. Ele coloca quatro sobre uma mesa e abre o quinto. Close no rótulo dos quatro frascos: ECSTASY.

JOEY vai até uma grande mesa e lá está uma longa maleta de plástico. Em cima dela há um post it: REMÉDIOS NOITE. Joey abre a maleta de plástico onde vemos vários compartimentos pequenos com pílulas de cores diferentes e nomes de pacientes sobre cada um dos compartimentos. JOEY começa a esvaziar a maleta e enchê-la com os comprimidos de ecstasy.

Tela preta.

SARAH [Voice Over]: Nem pensar!

 

CENA 11 – RANCHO JONES – NOITE

Sarah, Ehlios e Zack estão na cozinha da casa.

EHLIOS: Mas, Sarah–

SARAH: O que te deu na cabeça? Você não podia invadir a mansão assim!

EHLIOS: [irritado] É uma mansão Sarah! Está designada a isso!

ZACK e SARAH reviram os olhos.

EHLIOS: Qualé gente! Eu fiz um favor! Aqueles três estão claramente por trás de alguma coisa e você tá simplesmente ignorando isso!

SARAH: Eu não me importo.

EHLIOS: Eu não tô te entendendo, Sarah. Você corre o mundo todo atrás de outros como a gente e nem sequer se interessa por esses aqui em Naranda? E não são apenas três comuns. A gente tá falando de três pessoas que saem por aí fuçando bases militares e que estão com metade dos desenhos que deveriam ser nossos! Até o Zack concorda comigo!

SARAH olha para ZACK e o garoto fica meio envergonhado.

ZACK: Ele tem um argumento.

SARAH solta um grunhido de frustração.

SARAH: Isso não está aberto à debate, Ehlios. O que eles fazem não nos diz respeito. Você não vai à canto nenhum e isso é definitivo. Vá para o seu quarto.

EHLIOS sai a passos pesados.

 

CENA 12 – MANSÃO – NOITE

Shot da porta de entrada da casa. Ela se abre lentamente e vemos JULIA entrar devagar com uma arma em punho. A mulher anda atentamente por toda a sala de estar da casa e finalmente entra na cozinha com um movimento rápido. Ela então volta a analisar a cozinha quando tropeça em algo e cai de repente saindo do foco da câmera.

JULIA: Ai!!!

JULIA olha para o chão e vê que tropeçou em um tubo verde de Pringles…

JULIA: [mão na cabeça] Mas que diab–

 

CENA 13 – INT RANCHO JONES – NOITE

ZACK para numa porta e bate na mesma.

ZACK: Ehlios! Sou eu o Zack. Vamos conversar.

O garoto bate mais uma vez na porta e a mesma se abre.  A câmera da uma tomada do quarto vazio.

 

CENA 14 – INT RANCHO JONES – NOITE

ZACK entra apressado na cozinha.

ZACK: Sarah você viu o Ehlios?

SARAH: Não, eu não o vi.

Em cena uma melodia enjoativa de sinos ecoa do quintal para cozinha do rancho onde ZACK e SARAH estavam.

SARAH: [surpresa] Não! Eu não posso acreditar que ele ta fazendo isso!

ZACK: Ele tá fugindo com o carrinho de sorvete!

 

CENA 15 – INT. THE ALLEY- NOITE

KENNEDY e ERICK estão sentados numa mesa, o estabelecimento esta quase vazio.

KENNEDY: [espantada] Como você come!

ERICK: [com a boca cheia] Hãn?

KENNEDY: Sinceramente, Erick. Eu não sei como puxar papo com você. Então [suspirando] continue comendo.

ERICK: [parando de comer] Ok. O que você quer saber?

KENNEDY: [fingindo indignação] Eu? Por quê, você acha isso?

ERICK: [sorrindo] Eu só… percebi.

KENNEDY: [empolgada] Me fale de sua vida no Canadá! É verdade que você era dublê de uma série por lá?

De repente, um efeito visual no formato de um relâmpago passa por trás da cabeça de ERICK.

KENNEDY: [séria] O que houve? Você parece pálido.

ERICK: Tem alguém mal intencionado aqui.

ERICK olha para os lados.

KENNEDY: Se você tá falando da gordinha sentada na mesa do fundo, o Zack me disse que ela sempre vem aqui para fugir da dieta que o marido dela obriga-a fazer.

ERICK: Não é isso! [encara a entrada da lanchonete] Olhe aqueles caras que estão entrando.

A câmera mostra três homens entrando no The Alley, um deles aparentando ser o líder ascende um cigarro.

HOMEM 1: Isso é um assalto! Ninguém se mexe!

Algumas pessoas começam a sair correndo de seus lugares histéricas e em pânico.

HOMEM 1:  [disparando um tiro pra cima] Eu disse… ninguém se mexe!

KENNEDY: [para si mesma] Belo dia pra dar uma de boa samaritana com a Cathy, Kay.

ERICK: [levantando-se] Com licença, senhor.

O homem olha pra ele surpreendido pela manifestação.

HOMEM 1: [irritado] O quê?

KENNEDY: [sussurrando para Erick] O que você pensa que tá fazendo?

ERICK: Por que em todo assalto sempre tem um babaca fã de Quentin Tarantino, que ascende um cigarrinho e adora contar seus planos?

KENNEDY: [levantando-se e apontando para Erick] Eu não o conheço!

HOMEM 1: [irônico] Pelo visto você quer ser o herói da vez, certo? Então vamos ver do que você é feito. [para os outros comparsas] Peguem eles!

ERICK se coloca na frente de KENEDDY que pega uma bandeja e a acerta na cabeça de um dos homens repetidas vezes, gritando. A câmera começa  congelar o movimento da cena, mostrando ERICK aplicando vários golpes giratórios nos assaltantes. ERICK derruba os dois comparsas e KENNEDY, que golpeava o homem agora caído, de olhos fechados, ainda golpeia o ar gritando. A garota abre os olhos percebendo que seu atacante estava no chão e sorri, vitoriosa.

ERICK: Isso é tudo o que vocês podem fazer?

HOMEM 1: Não. [apontando uma arma] Tem mais isso.

Um tiro se ouve em cena.


CENA 16 – INT GUARITA CHARETON – NOITE

CATHLEEN está na guarita com o vigia.

CATHLEEN: [choramingando] Obrigada, Senhor Riney. Eu nem sei o que seria de mim sem a sua ajuda.

RINEY: Que é isso, minha filha!

CATHLEEN: [abraçando-o] Não! O senhor foi um anjo para mim.

O homem parece meio confuso com o abraço.

A câmera foca CATHLEEN abraçando o homem, e este mesmo começa a se debater, mas a garota continua firmando seus braços ao redor do pescoço de RINEY até que ele caia desacordado ao seus pés.

 

CENA 17 – INT MANICÔMIO CHARETON – NOITE

CATHLEEN caminha por alguns corredores até chegar numa sala que aparentava ser um deposito de limpeza. A câmera foca CATHLEEN abrindo sua mochila e tirando uma roupa de enfermeira de dentro dela.

 

CENA 18 – INT MANICÔMIO CHARETON – NOITE

CATHLEEN, disfarçada como uma enfermeira percorre os corredores do manicômio. Em cena alguns enfermeiros tentam conter alguns pacientes descontrolados. CATHLEEN apressa o passo até que algumas sonoras indistintas são ouvidas e a garota vê JOEY num quarto tentando se livrar de uma senhora que o abraçava.

JOEY: [aflito] Não senhora! Eu não sou o Tyler!

SENHORA: [puxando as calças de Joey] Deixa disso, meu amor! Eu sei que é você Tyler!

JOEY tenta se esquivar da senhora que puxava suas calças e acaba se desequilibrando e caindo no chão. O garoto acaba notando CATHLEEN na porta, rindo da cena.

JOEY: Cathleen, me ajuda aqui!

CATHLEEN: [rindo] Você ta brincando comigo, né? A Julia não me treinou para esse tipo de situação.

JOEY: [irritado] Deixa de ser palhaça! Isso é efeito do ecstasy!

CATHLEEN: [irônica] Você quer dizer que não é realmente amor verdadeiro?

Nesse momento a velhinha consegue rasgar a calça de JOEY, que consegue se levantar.

JOEY: [assustado] Não!

CATHLEEN: [arregalando os olhos] É, já tá na hora de uma intervenção!

CATHLEEN puxa JOEY dos braços da velha e sai correndo com ele pelo corredor, e a senhora nua vai correndo atrás deles.

SENHORA: Não me deixe, Tyler!

 

CENA 19 – INT. THE ALLEY- NOITE

Um tiro se ouve em cena, a câmera congela a imagem detalhando o movimento de propulsão da bala no ar, vai se dissipando mostrando ERICK se esquivando da bala e caindo no chão.

KENNEDY: [aterrorizada] Seu doido! O que você fez?!

Close em ERICK, que num movimento se coloca em pé, com apenas um pequeno corte no rosto.

HOMEM 1: [confuso] Mas, como?

ERICK joga um prato num movimento giratório acertando o revólver do ladrão que a portava. KENNEDY, segurando uma espátula, se aproxima do homem e pega a arma no chão.

ERICK: Joga pra mim!

KENNEDY joga a espátula.

ERICK: [olhando a espátula] O que eu vou fazer com isso?

KENNEDY dá de ombros. Os outros dois homens fogem engatinhando porta afora.

HOMEM 1: [levantando-se] Vocês dois vão me pagar caro!

KENNEDY, confusa com manuseio da arma, a aponta para cima e acidentalmente a mesma dispara. Uma luminária cai em cima do homem que desmaia.

ERICK: [faz uma careta] Ouch!

 

CENA 20 – EXT MANICÔMIO CHARETON – NOITE

CATHLEEN e JOEY estão levando um homem desacordado apoiado em seus ombros.

CATHLEEN: Por que a Julia não nos avisou que o sujeito tava mais morto do que vivo?

JOEY: Pega leve, Cathie! Parece que ele foi torturado.

CATHLEEN: [irônica] E você percebeu isso pelos hematomas?

JOEY: Se uma velha ninfomaníaca tivesse te perseguindo você saberia pelo o que eu estou passando.

CATHLEEN parece não prestar atenção em JOEY.

JOEY: [rola os olhos] E agora estou sendo ignorado.

CATHLEEN: [fazendo sinal de silêncio] Eu acho que estamos sendo seguidos. Joey, leva o cara para o ponto de encontro.

JOEY: O quê? Eu não vou te deixar aqui!

CATHLEEN: [irritada] Joey faz o que eu to mandando! Além do mais você tem mais força para levá-lo do que eu.

JOEY, mesmo contrariado, acaba acatando as ordens de CATHELEEN e leva o homem desacordado para o ponto de encontro. CATHLEEN observa em silêncio o local até que um vulto aparece entre os arbustos.

CATHLEEN: [surpresa] Ehlios?


CENA 21 – ESTRADA DESERTA – NOITE

JULIA, em seu carro, avista JOEY carregando um homem em seus ombros. Ela nota os hematomas do homem.

JULIA: [sussurrando] Oh, meu Deus, Bob. [para Joey] Onde está Cathleen?

JOEY: Ela ficou para trás. Ela tava desconfiada que estávamos sendo seguidos.

JULIA, sem dar muita atenção, acelera o carro em direção ao Chareton.

 

CENA 22 – EXT MANICÔMIO CHARETON – NOITE

CATHLEEN: [surpresa] Ehlios?

EHLIOS sai de trás de alguns arbustos e se coloca na visão de CATHLEEN.

EHLIOS: [irônico] Cathleen.

CATHLEEN: [impaciente e incrédula] Garoto, eu achei que você fosse estúpido, mas nunca pensei que tão preocupante. O que diabos você está fazendo aqui?

EHLIOS: Pergunta errada! O que você ta fazendo aqui?

CATHLEEN se aproxima mais do garoto.

EHLIOS: Não se aproxime mais criatura vil!

CATHLEEN: Eu posso acabar com você daqui, Trekker!

EHLIOS: Eu sou fã de Yamoto, sua idiota!

CATHLEEN continua se aproximar.

EHLIOS: Eu já disse para você se afastar!

CATHLEEN: [provocando] Tá com medo de uma garota, Ehlios?

EHLIOS: Então me mostre seu melhor, garotinha.

CATHLEEN dá um tapa no rosto de Ehlios

EHLIOS: Ai!

EHLIOS dá um chute na canela de CATHLEEN.

CATHLEEN: Seu covarde!

Os dois começam a trocar tapinhas e puxões de cabelos. De repente, entre a mata, JULIA aparece.

JULIA: [incrédula para si mesma] Quando a minha vida se tornou isso?

JULIA coloca as duas mãos nas têmporas e câmera direciona-se para EHLIOS. A câmera fecha um close nos olhos de JULIA, quando uma mão coloca-se nos ombros da mesma, que recua o corpo e olha para trás.

JULIA: [surpresa] Sarah?

SARAH: [séria] Oi, Julia.

CONTINUA…

PRODUÇÃO EXECUTIVA
Samir Zoqh
Luciana Rocha

ELENCO
Keira Knightley como Cathleen
Riley Smith como Joey
Paul Wasilewski como Zack
J. Mack Slaughter como Ehlios
Ashly Lyn Cafagna como Kennedy
Bonnie Somerville como Julia

ELENCO RECORRENTE
Neve Campbell como Sarah

ATORES CONVIDADOS
Daniel Clark como Erick
Victor Webster como Robert Burke

ESCRITO POR
Samir Zoqh

CRIADA E DESENVOLVIDA POR
Samir Zoqh
Luciana Rocha

MÚSICA TEMA
Late Great Planet Earth, Plumb

A HYBRID STUDIOS PRODUCTION

DISTRIBUTED BY TELEVISION SERIES NETWORK
©2005

 

The Secret Circle – Wake

Data/Hora 26/10/2011, 10:28. Autor
Categorias Reviews

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Série: The Secret Circle
Episódio: Wake
Temporada:
Número do Episódio: 1×06
Data de Exibição nos EUA: 20/10/2011

Parece que Nick não vai voltar mesmo para Chance Harbor. Pelo menos não como humano ressuscitado. Wake girou em torno de seu funeral e das primeiras mudanças que sua morte vai trazer para o círculo – não tão secreto – de jovens bruxos.

A primeira dessas mudanças é a volta de Jake Armstrong para Chance Harbor. Ele é o irmão mais velho – e mais problemático – de Nick. Antes de deixar a cidade, ele teve tempo de fazer Faye se apaixonar – achei que isso fosse impossível – e de se aproveitar de Ethan e roubar quase tudo o que ele tinha, formando assim, uma inimizade imensa com Adam. Clique aqui para continuar a leitura »

Grey’s Anatomy – Poker Face

Data/Hora 26/10/2011, 09:07. Autor
Categorias Reviews

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Série: Grey’s Anatomy
Episódio: Poker Face
Temporada:
Número do Episódio: 8×06
Data de Exibição nos EUA: 20/10/2011

Poker Face foi mais um bom episódio. E não podia ser diferente, já que o destaque ficou com Meredith, Derek, Bailey, Lexie, Yang, Alex e Callie. Quando a coisa anda tão bem quanto no episódio, até o destaque da April é bem vindo.

Finalmente Chyler Leigh retornou. E com força total. Gostei bastante de Lexie em Poker Face. Chegou a sua vez de ajudar Derek na Neuro, e nem mesmo “Lexipedia” conseguiu se afinar com o médico. Mas achei bem interessante a busca de Lexie para a solução dos problemas de Derek, especialmente porque essa solução passou por Meredith.

E nesse momento preciso falar da Mer. Acho incrível a forma com que Shonda tem nos bombardeado com mensagens – algumas sutis, outras nem tanto – que deixam explícito o fato de Meredith ser uma ótima médica. No momento, talvez a melhor médica residente, já que Karev e Yang andam passando por alguns momentos. A cada episódio, fica mais evidente como Derek e a Neuro dependem de Meredith. Como o estudo clínico de Bailey se beneficiaria da competência da médica. E, a propósito, Meredith vai muito bem na Obstetrícia. Enfim, acho que essa temporada está servindo como um período de reconstrução para a protagonista, e para demonstrar seu crescimento pessoal e profissional.

E falando em crescimento pessoal, fiquei feliz demais que Meredith e Derek voltaram às boas. Tão feliz que nem ligo que o retorno tenha se dado de forma inexplicável. O fato é que eles estão mais próximos, mais contentes, mais casal. Conseguiram superar, ou quase, o grande problema causado por Meredith. Não acho que Derek tenha perdoado Mer completamente. E é claro que eles ainda deverão enfrentar alguns problemas, afinal sempre foi assim. Mas só de não precisar agüentar Derek resmungando e sendo injusto a cada minuto de cada episódio, já sou uma pessoa mais feliz.

E pelo comportamento do “Deus da Neuro” no final do episódio, tenho certeza que é questão de tempo pra ele implorar por Meredith de volta em sua sala de operação.

Bailey enlouquecida por causa dos ratinhos. Alguém aí queria coisa melhor? Mais uma vez, gostei do fato de Miranda ter um papel central no episódio. E acho bem interessante a luta dela pra deixar o Chief e a Meredith longe do estudo. Mas ela é outra que, assim como Derek, terá que entregar os pontos e permitir a participação de Grey. Simplesmente por que isso é o melhor a se fazer. To ansiosa pra saber pra onde essa história caminha.

April continua aquela chatinha de sempre. Mas agora, ela enfrenta seus problemas. Já havia sido assim após os toques dados por mamãe Avery. E agora, depois das constatações de Alex, April resolveu agir. Achei hilário ela mudando a voz para tentar conseguir o que queria. Deu tão certo que fez escola. Que o diga Meredith. E por isso, por causa desse princípio de mudança de atitude, estou começando a simpatizar com ela. Eu disse começando!

Alex está sofrendo, mais uma vez, de covardia. Com tantas avaliações negativas, ele perdeu a coragem de tentar, de ousar. E isso é totalmente compreensível, já que Karev se dá tão mal tantas vezes. Por isso, queria que ele voltasse logo à pediatria. É o local no qual o durão Alex se dá melhor. Acho que o amor pelas criancinhas faz com que ele ouse e lute mais. Então, minha torcida é pra que Arizona “pegue” o Karev logo.

E por falar em Arizona, alguém aí não riu das cenas dela com Mark? Os dois não se davam bem, e percorreram um longo caminho até serem amigos. Agora, os dois são praticamente irmãos. Dois lindos irmãos loiros. Que cozinham juntos. Que falam o tempo todo de culinária. E que, juntos, irritam Callie.

Preciso dizer que amei Callie no episódio. Por que ela, além de ter tido uma atuação perfeita na complicada cirurgia do jovem com problemas no pescoço e na sua questão com os pais, ainda deu a lição de moral que Cristina estava precisando – e que Teddy não foi capaz de dar –, e colocou Mark em seu devido lugar. A cena dela expulsando Mark de casa e mandando ele arrumar sexo, pois estava acabando com sua vida sexual, foi ótima. E a cara de cachorrinho abandonado de Sloan também. Será que, depois desse toque de Callie, Mark voltará à fase “pegador”? Acho que é questão de tempo.

E agora, a única crítica ao episódio: a ninfomania de Owen e Yang. Achei totalmente excessivo o comportamento dos dois. E, por ser excessivo, desnecessário. Mas ainda assim compreendo o intuito do mesmo: deixar explícito que os dois estão – ao contrário de Mer e Der – longe de superar os problemas do final da temporada anterior. O casamento se resumiu ao sexo. Não há mais diálogo. Confesso que estou curiosa pra saber o desfecho dessa história.

E antes de encerrar, preciso dizer que amei as palavras de Callie pra Cristina. Foi até mesmo uma resposta às críticas que o comportamento de Yang vinha recebendo por aí. A Cristina bad ass não saiu do seriado, ela está apenas escondida atrás do medo de fracassar em seu 5° ano. Ela está atrás de um escudo de proteção, chamado conservadorismo. Espero, e muito, ver aquela Cristina aloprada, sedenta por cirurgias, brilhante e ousada, em breve pelos corredores do Seattle Grace. Grey’s Anatomy não é a mesma sem ela.

P.S.: mais alguém  ficou com medo que a paciente do Derek morresse e o plano de Mer fosse por água a baixo? E que ele ficasse, novamente, todo revoltado com a esposa? Então, obrigado Shonda, por nos poupar de mais essa tragédia!

‘Two and a Half Men’ e ‘Hart of Dixie’ recuperam audiência nos EUA

Nesta segunda-feira Two and a Half Men, que estava com uma audiência decrescente desde sua season premiere, inverteu o jogo e conseguiu 15,5 milhões de telespectadores nos EUA. O seriado teve 650 mil telespectadores a mais do que na semana anterior. A comédia Mike & Molly, também continua em alta e teve 12,7 milhões espectadores. Já How I Met Your Mother e 2 Broke Girls tiverem 9,9 milhões e 11,5 milhões de telespectadores respectivamente.

Hart of Dixie, do canal The CW, é outra que se recuperou e teve cerca de 2 milhões de telespectadores – e vai se mantendo como a série estreante mais assistida do canal.

No final da noite, Castle, da ABC, superou Hawaii Five-0, da CBS, com uma pequena diferença, ambas na casa dos 11 mil espectadores. Hawaii Five-0, no entanto, tem melhor desempenho entre o público de 18 a 49 anos, o favorito dos anunciantes. Hawaii Five-0 marcou 3,3 pontos e Castle teve 2,5 pontos.

Fontes: Deadline e TVLine

Supernatural – Shut up Dr. Phil

Data/Hora 25/10/2011, 21:23. Autor
Categorias Reviews

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Série: Supernatural
Episódio: Shut up Dr. Phil
Temporada:
Número do Episódio: 7×05
Data de Exibição nos EUA: 21/10/2011

Um episódio com a participação especial de dois ex-astros das séries Buffy e Angel, James Masters e Charisma Carpenter, mas, infelizmente, o episódio não foi sobre vampiros e sim, bruxas! Nas temporadas anteriores quando aparecia algum episódio sobre bruxas, elas sempre eram exclusivamente mulheres, mas em Shut Up Dr. Phil tivemos um bruxo para variar! Ou melhor, um casal de bruxos. E em crise de relacionamento.

Em linhas gerais, achei o episódio bem fraquinho. Dei algumas risadas com algumas situações, mas mesmo assim, transformar o problema principal em uma crise de casal, foi forçar a barra!

Achei as mortes interessantes, sempre tive medo daqueles secadores de cabelo de salão que mais parecem que estão sugando seu cérebro. Já a morte com aquela pistola de pregos me deu muita aflição, mas a pior de todas foi a do cupcake! Que nojo morder um cupcake e achar um coração pulsando dentro! Que horror!

Quem mais lembrou de Game of Thrones quando Donald Stark apareceu? Acho o James Masters muito parecido com o Julian McMahon de Nip/Tuck, quando ele apareceu no episódio, cheguei a ficar em dúvida de quem era. Achei a atuação dele muito boa, sempre com aquela cara de poderoso e inatingível. Mas personagens como este dão certo em um ou dois episódios, mais do que isso, acabaria ficando cansativo já que ele não demonstra muitas emoções.

Já Charisma Carpenter interpretou Maggie Stark, a esposa-bruxa traída, ciumenta e insuportável. Uma socialite mimada que gosta de arte e obras de caridade, mas que nas horas vagas faz umas bruxarias para matar os amigos do marido.

Dean e Sam estão investigando o caso e enquanto isso, o leviatã está seguindo os irmãos. Mais alguém acha que a galera do roteiro está perdendo o foco? Hey, os leviatãs deveriam ser a preocupação principal dos Winchesters e não casos pequenos! Esse leviatã está seguindo os dois já faz uns três episódios e nada. E, quando ele aparece, fica uns dois minutos na frente da câmera e Don Stark acaba parando o monstro com um feitiço. O problema é que o feitiço dura apenas alguns dias e os Winchesters precisam saber como matar o cara.

Sério, se eles tivessem focados em saber como matar os leviatãs, isso não seria problema. Mas não, ficam perdendo tempo com bruxas, Kitsunes e até mesmo o Osíris. Parece que esta temporada está perdendo o rumo – igual na temporada passada em que Eve, a mãe de todos, era a vilã principal e ao mesmo tempo era deixada de lado durante vários episódios

Outra coisa que está esquecida são as alucinações de Sam. Cadê esse menino pirando e vendo Lúcifer em todos os lugares? Será que eles esqueceram que a barreira de Sam foi destruída? Ele não pode surtar apenas em alguns episódios, ou ele fica doido ou não fica, simples assim.

E essa crise que Dean e Sam estão tendo NOVAMENTE? Já está ficando chato, nem se eles fossem um casalzinho seria tão irritante! Porque Dean não abre o jogo e conversa com Sam? Todo mundo sabe que ele é durão e tudo mais, mas custa conversar com o Sam pelo menos uma vez?

Cenas mais legais do episódio:

Sam tentando impedir que Maggie entre em casa e pegue Dean investigando suas coisas, então força o carro para disparar o alarme e mandar um sinal para Dean. Ela olha com cara de desdém e ele diz “Desculpa, tenho a síndrome da perna nervosa”.

Dean todo feliz pronto para comer torta e Sam coloca um saco de pés de galinha meio podres em cima da mesa bem ao lado da torta. Deu dó.

E a melhor: Sam e Dean entram correndo na sala dos Starks, fazem o feitiço, jogam fogo, fazem aquela fumaceira e não funciona.

Enfim, vamos torcer pro próximo episódio ser bem mais interessante!

Grey Damon se junta ao elenco de ‘The Secret Circle’

A rede de TV The CW divulgou mais uma novidade no elenco de The Secret Circle. Depois da participação de Chris Zylka, interpretando o caçador de bruxos Jake, quem irá desembarcar na série é o ator Grey Damon, interpretando Lee Labeque.

Lee, que aparecerá pela primeira vez no 10º episódio da série, é a personificação do garoto de vinte e poucos anos sexy e misterioso, muito confiante e com conhecimento das coisas. Ele executa um tipo de botânica oculta que o confere um ar perigoso. Por causa disso, Faye se interessa por Lee e pelo lado negro da magia em que ele está envolvido, com a intenção de recuperar seus poderes individuais perdidos com a união do círculo.

Grey Damon é conhecido na TV por participações nas séries Friday Night Lights e True Blood. Seu personagem mais recente foi Brian Rezza em The Nine Lives of Chloe King, da ABC Family, cancelada por falta de audiência após 10 episódios exibidos.

The Secret Circle vai ao ar às quintas-feiras nos EUA.

Com informações da TVline.

Confirmada a volta de Chord Overstreet a ‘Glee’

Data/Hora 24/10/2011, 23:15. Autor
Categorias Notícias

Na semana passada, noticiamos que havia uma boa chance de Chord Overstreet voltar para o elenco regular de Glee em algum momento desta terceira temporada. Nesta segunda-feira (24/10) a Fox confirmou a notícia e divulgou um breve comunicado de Overstreet. “Eu tive um ótimo momento [em Glee] e não poderia estar mais animado para voltar”, disse o ator que tem previsão para voltar para o musical em dezembro.

A ótima notícia para os Gleeks, é que são voltará para o McKinley a tempo das Sectionals. O produtor executivo Ryan Murphy comentou ainda que a volta do personagem vai ser importantíssima para o New Directions e para o futuro dos outros personagens.

Ansiosos pela volta do Boca de Truta? Enquanto isso, Glee. que está em hiato, retorna no dia 1º de novembro nos EUA, com o quarto episódio da nova temporada. No Brasil, a temporada estreia no final de novembro no canal Fox.

Com informações do CinemaBlend e InsideTV.

Revenge – Guilt

Data/Hora 24/10/2011, 21:52. Autor
Categorias Reviews

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Culpa. Nessa semana Emily nos mostrou a forma com que as pessoas ao seu redor seguem suas vidas de modo perverso e muitas vezes impulsivo. Olhamos para o passado e vemos erros e poucas vitórias, mas seria essa a motivação de sua vingança? Sim. Quem disse que culpa é sinônimo de algo ruim? Em Revenge, a culpa anda de mãos dadas com a certeza e essa sim, é algo que devemos nos apegar.

Lydia mostrou sua caras novamente e dessa vez quis reatar a sua antiga vida, um novo começo em cima de seu antigo erro. Em outras palavras, ela quis tentar um processo fênix: se reerguer do mesmo lugar que iniciou seu erro. Mas como alguém poderia fazer isso ao tentar se reerguer do modo errado? Dessa vez Emily não se vingou, simplesmente se protegeu. Lydia se vingou por si só. Ela mesma remediou seus erros por meio de sua culpa e, no fim, como era de esperar, sua vida que não possuía mais nenhum objetivo, terminou assim… Morta em cima de um táxi.

Uma espécie de relacionamento que vem sendo testado e achei super bacana foi de Conrad com Daniel. Pai e filho. Porém, como Daniel poderia se orgulhar de ter um pai que possui uma amante, que vive uma mentira, cometeu grandes erros no passado e que ainda os comete no presente? É esse tipo de pessoa que ele quer se espelhar para ser um homem? Não. E não importa o dinheiro ou qualquer coisa do gênero. Existem famílias desestruturadas, mas buscamos alguém em nos espelhar e infelizmente, apesar de querermos muito, nem sempre são nossos pais. Mas talvez se tentarmos buscarmos algo, nem que seja bem no fundo, conseguiremos encontrar uma qualidade nas piores pessoas. Veja Lydia, por exemplo. Ela foi uma amante, tinha tudo na vida e ao mesmo tempo não tinha nada. Uma pobre mulher que estava tentando buscar algo que a pudesse fazer continuar, mas o quê? O mundo gira em torno do dinheiro, quando já se tem, o que mais se precisa? Talvez, Lydia amasse Conrad de um jeito diferente e por isso, tivesse feito o que fez. Mas existem consequências e ela seria muito ingênua em pensar que o amor pode derrubar Victoria Grayson.

Apesar de Revenge ser baseado em pensamentos de Emily e é com certeza com eles que aprendemos da pior maneira a realidade humana, não poderia deixar de citar a frase mais realista e mais pavorosa que já vi na série dita por ninguém menos que a rainha Victoria Grayson:

Entenda uma coisa, Lydia: Todas as vezes que sorrio para você através de um cômodo ou nos cruzamos em um almoço, ou te recebo em minha casa… Que aquele sorriso seja um lembrete do quanto desprezo você. E que todas as vezes que eu te abraçar, o calor que você sente, é meu ódio queimando. Adeus, Lydia.

Destaques da Semana – Brasil – 24/10 a 30/10

Data/Hora 24/10/2011, 09:09. Autor
Categorias TV Brasil

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Outubro vai chegando ao fim e nossa grade particular de programação nem está completa ainda, porque continuam a estrear seriados no Brasil. Siga a coluna e volte diariamente, para ver os destaques da programação. E deixe seu comentário!

Segunda, 24/10

The Mentalist - Strawberries & Cream
Abro a semana com um season finale. Às 22h, chega ao fim o terceiro ano de The Mentalist, com a exibição do episódio duplo Strawberries & Cream. No programa, a CBI investiga um atentado terrorista, a revelação de quem é o informante de Red John e o reencontro de Jane com o serial killer. Não posso contar, porque é spoiler, mas contrataram um puta ator, vencedor de Emmy, pro papel do vilão. Antes, às 21h, o canal exibe Harry’s Law (21h, 1×11). Clique aqui para continuar a leitura »

O gumbo e a glória em Hart of Dixie

Data/Hora 23/10/2011, 18:36. Autor
Categorias Gastronomia

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George Tucker:
“Eu só queria te avisar que alguém, de brincadeira, inscreveu você no concurso de cozinheiros da cidade, amanhã.”

Zoe Hart:
“Ocorreu a você que eu mesma tenha me inscrito? Eu adoro cozinhar. Cozinho feito louca a toda hora, assisto programas de culinária no Cooking Food Channel. Você devia solicitar à sua operadora de TV local, é um ótimo canal de culinária para quem adora cozinhar, e eu adoro cozinhar.”

George Tucker:
“Não sei se sabe, mas Brick Breeland sempre ganha o concurso.”

Zoe Hart:
“Foi o que ouvi, mas não ligo. Sério, não comecei bem ao sabotar o desfile de Bluebell, fazendo da sua noiva minha arquiinimiga, mas você sabe melhor do que ninguém que preciso 30% dos pacientes pra manter minha parte da clínica.”

George Tucker:
“Tá, mas como o gumbo vai fazer isso?”

No episódio Gumbo and Glory, o terceiro da primeira temporada de Hart of Dixie, a doutora Zoe Hart decide participar de um concurso de gumbo na tentativa de ser melhor apreciada na comunidade da cidade onde é sócia numa clínica e assim finalmente conseguir pacientes, disputando posição contra o outro médico.

Acontece que seu oponente leva duas grandes vantagens competitivas: ele é da cidade e conhece seus habitantes, e faz um gumbo realmente gostoso. O gumbo é um guisado grosso de carne criado na Louisianna no século 18 dentro da comunidade cajun, isto é, de origem francesa. O nome gumbo deriva de especiarias usadas no prato cujos nomes nos idiomas bantu [afrricano] e choktaw [indígena] soam como “gâmbo”.

Hart of Dixie - Gumbo and Glory

Brick Breeland:
“Pessoal, sinto muito, vocês podem esperar mais um pouco ou voltar depois, mas Doris Culp acha que Albert está tendo um infarto… de novo. Acho que todos nós sabemos que ela está tentando me deixar em desvantagem com meu gumbo. Mal sabe ela que coloquei minha panela para ferver na noite passada.”

Eu achei uma escolha muito feliz dos roteiristas porque este é um prato que reflete a mistura de etnias em seus ingredientes e origens e a série lida com diversos tipos de misturas e combinações: étnicas, de geração, de sexo, de formação, de origem, de interesses e objetivos. Além disso, é um prato com um ritmo mais calmo: não existem atalhos ou correria na confecção do gumbo e isso combina perfeitamente com a trama da transição da médica da agitada Nova Iorque para a tranquila Alabama.

Por fim, um terceiro ponto de identificação entre o prato e o momento da série é justamente o ponto do gumbo: ele tem de ter um ingrediente que vai torná-lo consistente, encorpado após o longo cozimento [geralmente é o quiabo, que na série, metaforicamente falando, seria a doutora Hart].

Hart of Dixie - Gumbo and Glory

Zoe Hart:
“Você acredita que ele disse isso? Bom, isso só vai tornar tudo ainda mais delicioso quando eu o destruir no concurso de gumbo.”

Lavon Hayes:
“Oh, sinto muito, eu estava procurando pela coisa errada. Você quer a panela mágica de gumbo. Ah, aqui está! Eu sabia que tinha uma, bati nela uma vez pra espantar um gambá. Ahn, ele não vem com gumbo dentro, sabe. O evento é amanhã, espero que saiba que demora algumas horas pro gumbo ficar pronto.”

Existem duas versões para gumbo, uma com frutos do mar e outra com aves. A usada na série é a versão creole com frutos do mar e tomates, que George Tucker compra para Zoe Hart numa farm market contrariando o ultimato da noiva, Lemon Breeland, que lhe pedira para não falar mais com a médica.

Não se preocupe, na receita de hoje não pedirei para operar os camarões e retirar suas veias!

A receita – Gumbo de frutos do mar

Ingredientes:
1 xícara [chá] de manteiga
2 xícaras [chá] de farinha de trigo
2 litros de água quente
1 litro de molho de tomate
1 pimenta dedo-de-moça picada
2 talos de salsão picados
3 cebolas picadas
1 dente de alho picado
1 kg de camarões médios limpos
1 kg de mexilhões
1 dúzia de ostras
1/2 kg de lulas limpas em anéis
1 kg de quiabo limpo e seco
1 colher [chá] de pimenta-caiena
1/2 xícara [chá] de salsinha picada
1/2 xícara [chá] de cebolinha picada
Sal a gosto

Hart of Dixie - Gumbo and Glory

Modo de preparo:
Derreta a manteiga, acrescente a farinha e faça um roux escuro [“frite” a farinha na manteiga, mexendo sempre com uma espátula ou colher de pau, até que a farinha fique com uma cor moreno escuro]. Acrescente aos poucos a água até dissolver completamente o roux, deixando-o bem liso, sem pelotas..

Você pode fazer o roux numa panela ou frigideira média e acrescentar uma parte da água até que ele fique liso e depois passar para uma panela grande que comporte no mínimo cinco litros; isso facilita.

Abaixe o fogo e adicione o molho de tomate, a pimenta dedo-de-moça, o salsão, a cebola e o alho. Triture 200g de camarão e acrescente ao caldo. Deixe cozinhar em fogo baixo por 3 horas.

Depois, junte o restante dos camarões, a lula, o mexilhão, as ostras e o quiabo e tempere com sal e pimenta-caiena. Cozinhe por mais 10 minutos e acrescente a salsinha e a cebolinha. Sirva em cumbucas com arroz branco à parte.

Hart of Dixie - Gumbo and Glory

Notas pessoais: O grau de dificuldade médio desta receita deve-se em grande parte ao preparo do roux, que muitos consideram a prova de fogo do chef. Como uma imagem vale mil palavras e um vídeo explica bem melhor o processo, indico a master class em roux do chef Jean Phillipe Lafond disponível no Youtube [em português] que demonstra desde o momento em que se deve adicionar a farinha até como acrescentar o caldo.

Se não fosse pelo roux, o resto é baba. Trabalhoso, mas fácil. [Nota muito pessoal: na receita pede ostras, mas nunca encontrei pra comprar na região. Achei melhor deixar como estava, caso tenha na sua cidade.] Ah, uma dica extra: eu costumo aferventar caudas, cabeças e a casca do camarão na água que vai dissolver o roux, aproveitando seu sabor ao máximo. É só coar antes de usar. Garanto que não vai sobrar nada pro café da manhã do Burt Reynolds.

Wade Kinsella:
“Ei, meu tio Mo tem uma receita muito boa de gumbo, se quiser a minha ajuda…”

Este post homenageia os médicos, cujo dia comemoramos na terça-feira passada [18/out]. Que todos sejam uma combinação da capacidade técnica da Dra. Hart com a experiência humana do Dr. Brickland: um gumbo perfeito.

Being Erica Episódio – Born This Way

Data/Hora 22/10/2011, 20:21. Autor
Categorias Reviews

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Série: Being Erica
Episódio: Born This Way
Temporada: 4
Número do Episódio: 4×04
Data de Exibição no Canadá: 17/10/2011

Estava com saudades da Erica visitando o passado dela. Dessa vez ela não teve um paciente e precisava lidar com decisões tomadas por ela que acabaram influenciando outra pessoa. Nesse caso a pessoa era Brent. Aproveito para de início elogiar a atuação do Morgan Kelly. Ele tem um personagem difícil nas mãos e consegue convencer em todas as nuances.

Brent está numa situação difícil na editora. Para conseguir manter seu emprego ele precisa mudar seu comportamento. O novo chefe é daqueles que acredita que existe uma maneira certa de mostrar sua masculinidade e, pior, que isso define seu talento.

Erica acaba aconselhando Brent a parar de fingir ser algo que ele não é, mas isso acaba lhe custando o emprego e fazendo com que ela se sinta culpada pelo que aconteceu. Dr. Tom faz ela voltar a sua adolescência – e com isso temos Jenny e Judith – na semana em que recebia em sua casa uma estudante de Quebec por conta de um programa de intercâmbio do qual Sam fazia parte. Erica carrega a culpa de não ter ajudado a menina a se enturmar e tem a oportunidade de mudar isso.

Claro que as coisas não saem exatamente como ela planejou. Erica realmente faz a menina se sentir em casa mas por outro lado J.C acaba tomando decisões que a machucam da mesma maneira mostrando que por mais que uma pessoa esteja seguindo um conselho ela não é totalmente isenta das consequências de suas atitudes.

Brent acaba decidindo conseguir seu emprego de volta mas volta atrás quando o chefe pede que ele ajude a derrubar a editora de Erica e Julianne. Mesmo tendo prejudicado as duas anteriormente, dessa vez ele decide ter uma atitude mais digna.

Erica e Julianne decidem contratá-lo como editor e acredito que essa seja a deixa para um desenvolvimento no relacionamento dele com Julianne.

Paralelo a isso Adam resolveu comprar uma moto para total desaprovação de Erica. Ela queria aprender a dançar salsa e ele resolve andar de moto. Um conflito besta entre casais mais muito comum. Os dois queriam fazer algo juntos só que um não aprovou a ideia do outro. No final eles se entendem e dançam juntinhos na rua ao lado da moto e aí… bom e aí, adivinha quem tá de volta?!

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