Dexter – Chemistry e Argentina
20/11/2012, 13:08.
Juliana Baptista
Reviews
Não tem como negar, esta sétima temporada de Dexter está cada episódio melhor. Toda vez que penso que a história tomará algum rumo previsível e sem graça, acabo surpreendida.
Confesso que não sou da torcida dos “casaizinhos” das séries, principalmente em Dexter. São sete temporadas nos acostumando com um protagonista desprovido de sentimentos e que tinha um casamento de fachada, apenas para não gerar suspeitas. De verdade, acho que o Dexter acabou se apegando a Rita e que sofreu com sua morte na quarta temporada, mas sinceramente todos nós sabemos que eles nunca viveram um amor verdadeiro.
Mesmo gostando do Dexter pai solteiro que não precisa de ninguém além de seu dark passenger e seu pai-alucinação, estou mudando de ideia em relação Dexter e Hanna. É realmente incrível como os dois estão dando certo juntos. Ela é diferente de qualquer personagem feminino que já apareceu na série. Hanna entende Dexter, não o encara com estranheza ou medo e ao mesmo tempo não é uma personagem qual possamos confiar inteiramente, já que ela tem seu histórico de vítimas.
Pena que quando as coisas parecem estar dando certo, acontece alguma coisa para tirar tudo dos eixos. Deb desconfia que Hanna está envolvida com a morte de Sal. Sério, acho que não existe ninguém com a vida amorosa mais problemática que Debra! Todos os caras que ela se envolve acabam mortos. Achei interessante quando ela pede para Dexter matar Hanna. Porque ela passou todo esse tempo tentando digerir o que o irmão faz, surtou com toda a situação e resolveu se afastar quando viu que ele não iria parar. Mas quando a morte de algum criminoso era “interessante” pra ela, Deb resolve aceitar o instinto do irmão. Achei muito hipócrita da parte dela. Ou ela aceita o irmão ou despreza completamente o que ele faz.
O diálogo de Dexter e Deb quando ela descobre que ele está saindo com Hanna foi sensacional. Ela se sente tão traída e enganada (denovo) que acaba jogando toda a merda no ventilador e conta que estava apaixonada por ele. A cara de Dexter foi a mesma que eu fiz quando fiquei sabendo desses sentimentos estranhos de Deb por ele. Poxa, eles são irmãos! A conversa foi tão aliviante e ao mesmo tempo tão tensa, que não tem como saber se existe alguém “certo” ou “errado” na história toda.
Nessa temporada, Dexter não tem um minuto de sossego. Quando ele pensa que está se apaixonando pela primeira vez por alguém, sua irmã resolve que ele tem de mata-la. Antes, eu até estava na torcida para que Dexter matasse Hanna, mas agora parece que os dois se entendem tão bem, que seria uma pena acabar com tudo isso tão rápido.
Outro ponto que me deixou animada: Harrison, Astor e Cody voltaram. Porque não é justo que Dexter seja um pai de família se ele não convive com os filhos. Tudo bem que a Jamie é a babá mais perfeita do universo, mas mesmo assim, a presença das “crianças” não é dispensável. Ah, Cody está tão grande e Astor tão insuportavelmente adolescente! Estava sentindo falta daquelas conversas de Dexter com Astor, quando ele dá um sermão super esquisito, mas no final eles acabam se entendendo.
Outro personagem que está com um lugar garantido na lista dos melhores da série é Issak Sirko. Cada episódio que passa, ao invés de torcer para que ele morra, fico esperando ele se safar para se manter por mais algum tempo na história. E quem duvidou da minha teoria de que Isaak era apenas uma lady em busca de vingança pelo seu bofe falecido, teve seus questionamentos solucionados. A conversa de Dexter e Sirko no bar gay me fez gostar ainda mais do personagem. Mesmo com essa situação de ódio e vingança, Dexter e Sirko são muito parecidos: ambos são cuidadosos, pacientes e educados. Eles deviam parar de tentar matar um ao outro e se tornarem amigos! Sirko não é descontrolado como Miguel Prado, ele é um mafioso meticuloso e calculista. Seria a amizade ideal.
Não tem como se decepcionar com os diálogos de Dexter com Sirko. Tudo o que ele falou para Dexter se encaixou tão perfeitamente na situação e no fim, ele conseguiu explicar perfeitamente porque ele tinha razão em querer sua vingança. Dexter pôde ter uma outra visão sobre sentimentos amorosos e que Isaak está buscando a mesma justiça que ele buscava com Trinity. Simplesmente genial.
Apenas duas coisas me decepcionaram nesses episódios: Quinn (pra variar) cair na armadilha dos Koshkas e trair o departamento de polícia sem pensar duas vezes. E Batista saber que Quinn roubou as provas e ter ficado numa boa. Sério, sempre pensei que Batista era certinho, não esperava que ele descobrisse a culpa de Quinn e ficasse quieto, e muito menos achava que ele aceitaria o “presentinho” do cara. Pois é, todo mundo é corruptível.
Já Laguerta fechando o cerco contra Dexter e já ligou os pontos. Agora só nos resta esperar para ver como que ela vai elaborar sua teoria para incriminar Dexter e tirar Doakes do posto de Bay Habor Butcher. Mesmo com tanta coisa pendente, achei que o final de Argentina foi digno de season finale. Cada personagem com seu fardo, buscando alguma saída. “Não importa nosso destino, levamos nossos danos conosco”.





