Elementary – Details
18/02/2013, 09:56.
Gabriela Pagano
Reviews
Em Elementary, é normal que a primeira cena do episódio seja a de um crime acontecendo. O que havia de peculiar, no entanto, é que, dessa vez, a vítima do crime era a própria Watson (Lucy Liu), que era golpeada ao entrar no apartamento por um homem mascarado querendo saber o paradeiro de Holmes (Jonny Lee Miller). Depois de levar um tremendo susto e cair de cara no chão, ela percebe: tratava-se do próprio detetive, que estava testando sua capacidade de defesa pessoal – depois dos acontecimentos do episódio anterior. Não sei vocês, mas o fato do mascarado ser o Holmes me pegou de surpresa e me rendeu boas risadas. Não tinha reconhecido a voz dele, não sei se por distração. Depois, quando voltei a cena, vi que dava para notar, mas, na hora, foi uma surpresa engraçada!
Portanto, o caso do Holmes da semana não se tratava de uma agressão à Watson. Quem estava em perigo era outro personagem de destaque na história, o detetive Bell (Jon Michael Hill). Elementary, vira e mexe, trata sobre os dramas pessoais do Sherlock, mas ver outro personagem em meio ao fogo cruzado – literalmente! – foi bem interessante.
O lado obscuro do (perfeito) detetive Bell
Na história, Bell, além de enfrentar o próprio dilema em aceitar o irmão ex-presidiário – já que ele é conhecido por ter uma conduta perfeita -, sofre um atentado enquanto dirigia seu carro e, depois, alguns crimes se sucedem e, em todos os casos, o bandido tenta incriminá-lo. Se não fosse a ajuda de Holmes, que omitiu algumas provas falsas (incluindo uma arma implantada no apartamento de Bell; que tinha uma mobília bonita, diga-se de passagem, veja a foto do topo), o detetive poderia, assim como o irmão, ver o Sol nascer quadrado daqui pra frente.
E esse aspecto foi um ponto que o episódio teve de bem agradável. A gente sabe que o Holmes se importa com a Watson e, se ele teve medo de assumir isso no começo, agora ele grita para quem quiser ouvir. Mas Holmes e Bell, apesar de trabalharem bem em equipe e se respeitaram, sempre tiveram suas diferenças. Sherlock, no entanto, estava preocupadíssimo com ele e disposto a fazer qualquer coisa para proteger a vida dele e, mais do que isso, provar a inocência do rapaz. Parece que nosso detetive durão, que certa vez previram que jamais cultivaria alguma amizade, fez outro amigo na história…
Mas, é claro, Bell terá que passar por todas as etapas que Watson passou e a primeira delas constitui: a negação. Holmes, por todas as vezes, justificou seu empenho especial nesse caso, dizendo que Bell sempre aceitou seus palpites na investigação e, caso ele morresse, teria todo o trabalho de começar com outro detetive. Aham, Sherlock, senta lá.
O resolução do caso de polícia não teve nenhuma complexidade. A principal evidência na cena do crime era uma pegada de bota de borracha, que incriminava Bell, mas que depois descobriram que se tratava de uma “namorada” dele, também policial. Ela queria se vingar do moço por ele ter denunciado o mentor dela – um ex-policial – por ter implantado provas na casa de um suspeito, muitos anos atrás. Quando a policial em questão apareceu em cena, pela primeira vez, e trocou olhares com Bell, logo vi que eles tinham um romance. Achei que ela era uma personagem entrando na série, que fossem começar a dar enfoque de verdade na vida pessoal dos homens da NYPD. Infelizmente, não foi o caso. Adoro um babado pessoal!
Watson e Sherlock em: discutindo a relação <3
Já Watson e Sherlock estavam vivendo uma crise na relação deles. Holmes queria que a amiga começasse a fazer aulas de defesa pessoal – e, para isso, vivia surpreendendo Joan com boladas na cara, no bumbum, uma lindeza – e ela estava relutante, além de, claro, irritada. Chegou uma hora que, cansada de apanhar, a Watson pegou o painel de cadeados do Sherlock, que estavam organizados por país, jogou tudo no chão e disse: comece outra vez! Bem bitch mesmo. Uma diva.
A terapeuta da Watson – com que já estou desenvolvendo uma antipatia, só dá conselho errado – disse que nossa “cara amiga” deveria deixar Holmes, que já está na hora, que eles já chegaram ao limite (morro de medo toda vez que alguém diz isso, como se a Lucy Liu, ocupada que só ela, fosse deixar a série). Watson fica incomodada com o que ouve e vai para casa. Ela, no entanto, é surpreendida por Sherlock, que diz que sabia que ela estava trabalhando de graça – ao ligar para o pai dele para pedir dinheiro, no episódio anterior; algo que ficou claro que ele teria descoberto ali, desde semana passada – e faz uma proposta a ex-médica: que ela vire uma aprendiz dele e, no futuro, possam até ser “parceiros”.
Love is in the air. É isso mesmo, produção?
Sei que ele quis dizer “parceiros” de trabalho, mas achei que, naquele contexto, ficou ambíguo. Durante vários momentos do episódio, parece que tentaram insinuar um possível relacionamento amoroso entre os dois. Logo em seguida, por exemplo, o Holmes justifica a proposta que faz à amiga (colorida?). “Sou melhor com você por perto, mais focado, mais afiado. Difícil dizer por que, talvez, com o tempo, eu consiga desvendar”. Gente, se um cara me disser isso, vou achar que ele está dando em cima de mim, pfvr.
Nunca tive certeza do que pensar sobre um possível caso amoroso entre o Holmes e a Watson, principalmente porque, antes da série estrear, os roteiristas negavam que isso viesse acontecer. Dezesseis episódios depois, acho que é uma hipótese bem plausível. Pois bem. Nunca tive certeza de como me sentiria em relação a isso, mas vendo os dois ali, em cena, com essa real possibilidade do “affair”, não gostei, me incomodou. Era como se eu estivesse vendo dois irmãos se percebendo com outros olhos. Talvez seja uma questão de costume, mas, definitivamente, não sou shipper desse casal. Por favor, me desculpe quem é. Até tenho curiosidade em relação a isso. Alguém aí vê esse romance com bons olhos – ou bom coração? 🙂
Para terminar, depois de aceitar a proposta do Sherlock e, oficialmente, ganhar uma nova profissão no seriado – de acompanhante de sobriedade à acompanhante, sucinto, assim -, Watson revida o que Holmes passou o episódio inteiro fazendo e dá uma bolada (com uma bola de basquete, enorme) bem no meio do rosto do Sherlock. Pode ser só o ângulo da câmera, mas pareceu que ela acertou de verdade, em cheio! Pobre Lee Miller.
Details, ainda que tenha um título ruim, quase descabido, foi um episódio bem bom. Cheio de conflitos pessoais, incertezas. Bem humano, como é típico da série ser. Certo mesmo que já estou ansiosa pelo próximo capítulo. Até mais, meus caros leitores!


















