Depois de assistir ao episódio de segunda-feira de Bates Motel, precisei parar alguns minutos e respirar fundo, antes de começar a escrever a review. Estava extasiada, boquiaberta, sem palavras. Os últimos acontecimentos foram, no mínimo, inesperados e quase fizeram meu notebook ir parar no conserto.
O título do episódio era The Truth e, assim, esperava que a verdade sobre o caso da menina oriental encontrada no capítulo anterior seria exposta em definitivo; Shelby era ou não culpado. Os roteiristas, no entanto, planejavam mais do que isso. Muito mais do que o meu coração de espectadora (e secretamente na torcida pelo Shelby) poderia prever ou desejar.
Já na primeira cena, depois de descobrir que Shelby era um explorador sexual, a Norma entrou no carro, ainda em estado de choque, e decidiu que iria ao encontro do ex-amante. O Norman tentou impedi-la e se dependurou em uma das janelas do automóvel, com a Norma berrando para que ele saísse. O carro rodava, rodava, rodava em volta do poço artesiano, enquanto Emma assistia a tudo. Uma verdadeira cena de ação!

Depois, mais calma, Norma reconheceu que era melhor mesmo esperar pelo momento certo e não “meter os pés pelas mãos” – e até convenceu Emma a não ir à polícia imediatamente. Um aspecto interessante dessa cena é que, no momento em que a menina contou para Norma que a mãe havia lhe abandonado, a veterana usou de toda sua psicologia e fingimento para comover a Emma – que, comovida, deu um abraço na Norma, que correspondeu… Manipulando. Ela precisava conquistar a garota para que ela não entregasse o Shelby naquele instante (afinal, ele ainda detinha o cinto que a incriminava pelo assassinato de Keith). Nessa hora, me dei conta de como a Norma é fria e calculista e só ama uma pessoa nesse mundo: o Norman.
Em seguida, ela e os dois filhos concluíram que precisavam dar um jeito de recuperar o cinto de Keith, para que, então, pudessem expor a verdade sobre o Shelby. O Dylan – que estava se esforçando ao máximo para convencer o Norman a ir morar com ele – decidiu que ele e o irmão deveriam voltar ao barco do falecido, já que, se o delegado havia escondido a menina oriental lá, então, o objeto da cena do crime deveria estar ali. E partiram.
Na busca pelo cinto, o Dylan levantou uma pergunta que havia sido esquecida lá nos primeiros episódios: quem matou o pai do Norman? Teria sido apenas um acidente? Ele achava que não, que Norma havia assassinado o marido. Achei interessante terem voltado a essa questão, mas, nesse momento, ainda não tinha percebido a importância que o diálogo teria para o episódio.
Enquanto isso, no Bates Motel, o Shelby apareceu de surpresa, cheio de vontade de amar a Norma. Ela ficou assustada, tentou fugir, mas percebeu que era melhor ceder logo, antes que o delegado – que de burro, não tem nada – desconfiasse de algo. E aí que, nos últimos minutos, começou a emoção do episódio. “Guenta coração” mesmo!

A Norma e o Shelby desceram para o quarto do hotel e começaram a namorar. O problema é que justo nessa hora, a menina oriental, que tinha passado o episódio inteiro dormindo, resolveu acordar e ligar o chuveiro. O delegado bonitão ouviu o barulho e foi logo investigar os outros quartos (foi engraçado ver a Norma tropeçando, tentando ir atrás dele, ao mesmo tempo em que tentava vestir sua peça íntima. Foi uma mistura de nervoso – com o que estava prestes a acontecer – e uma crise de riso, pela Norma no fundo do poço). Mas, gente, o que deu na cabeça da Norma em levar o namorado para tão perto da garota? Tivesse o levado para o próprio quarto, na casa principal. Diante das circunstâncias, era a coisa certa a fazer. Eis que Shelby parou em frente à porta em que a menina estava escondida e bateu, esperando que o “invasor” saísse de lá. Nesse momento de tensão extrema, pensei em tudo: que ela pularia pela janela, escapando sem ser vista, que o Dylan teria chegado antes e ele abriria a porta, que um rato, sei lá, fosse passar por ali, e o Shelby fosse concluir que não era nada demais, era só um roedor no encanamento. Afinal, se ele descobrisse tudo agora, como os roteiristas dariam continuidade à história? Ainda faltam 4 episódios para a temporada acabar. É isso! Nada vai acontecer…
Mas eu estava subestimando a capacidade e a criatividade dos roteiristas de Bates Motel. A menina abriu, sim, a porta do quarto e toda a verdade foi revelada ao Shelby. Ele correu atrás da garota, mas não conseguiu alcançá-la. Então, o moço retornou ao hotel e fez a Norma e os dois filhos (que, a essa altura, já tinham chegado) de reféns e disse que precisavam conversar. Achei que o Shelby fosse vir com uma história cheia de heroísmo, contando como planeja salvar a menina e toda a cidade dos negócios obscuros que acontecem por lá. Não, não. Eu estava sendo parcial, injusta, na torcida pelo bom caráter do personagem que tanto gosto. Mas Shelby era mesmo culpado e estava desesperado com a situação colocada – pois, no final das contas, ele amava, sim, a Norma.

O que se seguiu foram cenas de tiro, perseguição, psicose e sangue. Um nível de tensão, emoção e adrenalina muito acima daquele esperado para uma “simples” série de TV. Mais parecia um filme desses “ótimos achados” do Supercine, que, vez ou outra, exibe produções de suspense da melhor qualidade. Bates Motel seria essa raridade. O nível das atuações, do roteiro, da produção, efeitos sonoros e visuais… Tudo era da maior perfeição (fiquei pensando no quanto atores e técnicos merecem ganhar muitos prêmios). De deixar a gente desesperado, aflito, de fechar os olhos a cada tiro disparado, com medo de sua respectiva consequência. E foi assim que uma das últimas cenas do capítulo brincou com o espectador. Depois de uma troca de tiros equilibrada entre Dylan e Shelby – uma bala acertada em cada lado -, os dois personagens se viram no mesmo quarto, encurralados, em que estava claro: um dos personagens morreria ali (e eu já estava quase arremessando meu notebook no chão, de tanto que remexia na cama, tamanho o nervosismo).

A Norma, que arrastou o filho mais novo, desmaiado, por todo o andar inferior da casa, já tinha acordado o menino e o feito entrar no carro. Eles precisavam fugir dali. Quando ela foi dar partida no carro, percebeu que havia esquecido as chaves em seu quarto e os dois teriam que fugir caminhando. Ela disse, energética, ao Norman, que sequer reagia ao ambiente externo: GET OUT OF THE CAR, NORMAN! Mas aí, ela ouviu vários tiros vindo de dentro da casa e bateu a porta do automóvel novamente; lá fora, não era seguro. Cômico, se não fosse trágico.
Pelo para-brisa, ela acompanhou, ansiosamente, qual dois dois rapazes iria sair do hotel andando – anunciando, portanto, a morte de seu rival. E a gente, enquanto público, dividia essa agonia com ela. Eis que Shelby deixa a casa, mancando, cheio de sangue, sem um dos olhos. Fiquei feliz por ele estar vivo, porque gosto dele, mas sabia que era injusto o Dylan ter morrido, pois ele era o bom moço. Então, torci para que o Dylan também saísse andando de lá. Ele saiu, quase ileso (se não fosse um tiro no braço). E o Shelby… Bem, ele despencou no chão, não resistindo aos ferimentos. Fiquei desolada! Mataram o bonitão da série, como assim??! O Max Thieriot (Dylan) é okay, mas nada que se compare ao deus grego do Shelby. Quem eu vou shippar agora??! Achava a química entre a Norma e o delegado das mais contagiantes.
Por um momento, não quis acreditar no que os meus olhos viam! Fui checar no IMDB, para ver se o Mike Vogel (ator que interpreta o Shelby) apareceria em mais episódios – não. Mas, tudo bem. O IMDB tem algumas falhas. Fui assistir ao comercial do próximo capítulo, na esperança do policial ter resistido a aquilo tudo, afinal – não. Fui checar os sites de notícias americanos e veio o veredicto: em entrevista ao EW, o criador da série, Carlton Cuse, foi categórico ao dizer, “Acho que o público se surpreendeu por termos tirado da história o personagem que pareceu ser o protagonista no episódio 6”. Nesse momento, todas as minhas esperanças estavam acabadas. Eu tinha que aceitar, o Delegado Shelby, que me arrancou tantos suspiros e rendeu cenas intensas, se foi. Luto.

É difícil, mas é preciso reconhecer. Bates Motel inovou mais uma vez, foi ousada e se arriscou ao tirar um dos personagens chaves do enredo, na metade o caminho. Isso só faz dessa série ainda mais suprema. Dolorosamente suprema. Além disso, foi importante ver a reação da Norma ao notar que o filho “ignorado” estava vivo. Ela ficou realmente feliz, o abraçou com força, com afeto (apesar de eu ter ficado esperando um “Eu te amo”, que não veio). De qualquer forma, foi um enorme passo na relação de mãe e filho.
Depois, quando Dylan queria contar toda a verdade para a polícia, Norma revelou que não podiam, pois precisavam proteger o Norman. Então, ela contou a grande verdade (e era sobre isso que o título do episódio se tratava, não sobre o verdadeiro Shelby): Norman matou o pai, em um desses colapsos, apagões de memória, que ele costuma ter. E toda a cena foi reconstituída. Não sei para vocês, mas não me surpreendeu. Para mim, o Norman era o culpado pela morte do patriarca muito antes da série estrear, apenas pelos vídeos promocionais. Pelo jeito, é esse o conflito que vai mover a reta final do seriado.
Pelo comercial do próximo episódio, o Bates Motel finalmente será aberto aos visitantes – e o primeiro hóspede, ao que tudo indica, não vai chegar em missão de paz. Carlton Cuse já avisou que o novo personagem será fundamental nos 4 episódios restantes. E você, vai prolongar a estadia no hotel macabro?
p.s.¹: o que aconteceu com a menina chinesa?