Uma semana após a grande estreia da esperada sexta temporada, Dreamworld veio para livrar aquela respiração presa no peito, aquietar aquele coração que batia forte e aliviar aquela tensão imposta pelo fato de Castle ter apenas mais um dia de vida. Repleto de palavras-chave, com um grande caso típico de uma polícia federal e ainda tendo Castle e Beckett trabalhando juntos, mais uma vez, até que fim, é isso aí, o segundo episódio da temporada foi um presente para quem, como eu, estava esperando algumas coisas ressurgirem.
A primeira coisa que eu vou falar, e não sei se vocês perceberam ou se vão concordar, é o seguinte: achei meio frio … frio não … meio estranho e alheio o modo que trataram a possível morte do Castle. O homem não tinha só mais um dia pra viver? A Beckett não ia perder o homem da vida dela caso não achassem o antídoto? Tudo bem que em terra de Castle nós sabemos que eles ficam por um dedinho mindinho de um penhasco e sobrevivem, mas que faltou um pouquinho mais de “drama”, uns olhares mais apreensivos – olhares esses que eu só vi do meio do episódio para o final – ah, faltou. Dito isso, eu separo esse episódio em três grandes pontos-chave, começando por aquele que serviu para deixar o episódio com um toque de briga de cachorro grande: o caso.

Como vocês sabem, eu não me atenho muito ao caso. Mas esse – que começou em Valkyrie e foi encerrado no episódio de ontem – precisa ser comentado porque ele terá um papel muito importante nos primeiros indícios de dúvida que vão surgir na cabeça da nossa detetive. Primeiro de tudo, ele é o caso que traz de volta Castle e Beckett trabalhando juntos! Como eu estava com saudade de ver esses dois usando da telepatia que só eles possuem ao desvendarem as pistas sem ao menos uma palavra ser dita. E, com isso, voltam os olhares, os risinhos contidos no canto da boca, os palpites brilhantes do Castle. Aos poucos, a polícia federal foi sendo invadida por um espírito de trabalho em equipe já conhecido na velha e saudosa NYPD. Só faltou mesmo os apertos de mão.
Em segundo plano, o caso trouxe para Castle uma pegada mais séria, um assunto que, se é recorrente aqui, imagina lá nos Estados Unidos. Sim, eu estou falando do Oriente Médio, de bases militares, de Al-Qaeda. De longe eles não entraram em questões específicas, tampouco relacionaram com terrorismo, mas o mérito de criar um caso proporcional ao nível, digamos assim, de um FBI, isso sim, merece ser reconhecido. O desenrolar todo foi muito bem escrito, organizado, e pode introduzir, além da volta da dupla mais querida desse mundo, uma nova McCord que vai nos fazer falta. Lisa Edelstein entrou com o papel de “representar” Ryan e Esposito nessa nova etapa da vida de Beckett e, se faltou qualquer demonstração de companheirismo na semana passada, tudo se desfez no episódio de ontem.
Além disso, e o que merece ser dito é como Beckett não se perdeu. Eu tinha muito medo que o FBI e toda a pressão da troca de uma unidade por outra ainda maior fizessem com que ela se retraísse, se sentisse intimidada. Mas não, tudo permaneceu (hell yeah!). Os gritos e batidas na mesa nos interrogatórios, a coragem de se meter aonde não deve, e o coração que continua sendo seguido. E é aí, exatamente nesse ponto, que o caso se fez importante. É quando a gente fala do seguir com o coração, dos princípios e valores da nossa detetive, que a gente tem o nosso terceiro ponto. Mas como eu sei um pouquinho de matemática, a gente vai passar pelo segundo ainda.


De cara eu já lembrei da cena em Rise, em que o Castle chega para visitar a Beckett no hospital depois dela ter levado um tiro no peito, no final da terceira temporada. E como para Marlowe uma referência só não basta, a música de Always também esteve presente. Só nisso aí já valeria eu ter posto essa cena como segundo ponto alto do episódio, mas é claro que ainda falta uma coisa. O diálogo entre eles não foi escrito à toa, solto assim, só para o Castle dizer mais uma daquelas frases que grudam em nossas cabeças e que me fazem escrevê-las pela parede do meu quarto. Não. O diálogo entre eles é uma introdução àquela conversa que eles ainda não tiveram. O diálogo é a amostra de que Beckett está sentindo a mudança, é a amostra de que os dois vão precisar mover mais alguns pauzinhos para que o trabalho não consuma essa relação.
Algumas vezes, as coisas mais difíceis na vida são as que mais valem a pena.
Chegando finalmente ao último e terceiro ponto, que junto com os outros formaram um tripé para o episódio, eu ressalto o papel de Beckett no FBI, a sua conduta e até onde a detetive se encaixa nos parâmetros exigidos pelo novo emprego. E é lá na cena final, em que Beckett conversa com McCord sobre o que vai ser feito do culpado, que eu uso de argumento pra mostrar minha opinião. O FBI não é para Beckett. Tudo bem que a moça possui um talento e inteligência imprescindíveis – e muito condizentes com o emprego, por sinal -, mas os seus valores e princípios batem de frente com a “proposta” e conduta dos agentes da polícia federal. É claro que, por serem casos maiores, a conduta deles é certíssima para eles, mas já se perguntaram se ela se fará certa também para Beckett? Para mim, ela deixará o coração gritar mais uma vez e, dessa forma, o retorno para NYPD fica cada vez mais próximo.
Embora eu ainda ache que falte alguma coisa nessa nova temporada (sim, eu sei, está muito no início), Dreamworld me deixou com um gostinho de quero mais e me deixou ansiosa pelo desenrolar de toda essa história entre Beckett-relacionamento-emprego. Confio no que Marlowe tem como proposta para esse ano e mal posso esperar para o que vai acontecer com todas essas questões em aberto. Mas enquanto isso, vamos caminhando passo por passo, porque se em Castle a história não se atropela, quem sou para pular etapas, certo? Vejo vocês semana que vem. Até la!
PS1: Mais um episódio sem Lanie e Gates e eu entro em depressão.
PS2: Sim, ele estava lá! Por mais que a aparição de Pi essa semana tenha sido bem curta, continuo achando que ele foi a introdução de personagem mais genial que houve na série. Por favor, Mr. C. é demais pra mim.