Christopher Pelant se foi do mesmo jeito que apareceu. De repente, sem pistas ou indicações de quais eram suas verdadeiras motivações. De hacker para assassino – e depois psicopata apaixonado -, ele se transformou em um dos violões mais intrigantes e ao mesmo tempo mais maçantes de Bones. Não sei se por falta de paciência ou até mesmo simpatia, comemoro com entusiasmo o fim deste “arco”, e espero ansiosamente pelo próxima vilania da história.
The Sense in the Sacrifice deveria ter sido o primeiro episódio da nona temporada. Não só pelo impacto e pela beleza do roteiro, mas porque daria logo um fim para os quase dois anos de enrolação sobre o tal Pelant, que serviu nada mais para tentar afastar a Brennan do Booth e aterrorizar o time do Jeffersonian com suas gracinhas. No final das contas, pouco foi esclarecido desde o final da sétima temporada, e pelo visto, pouco será.
Para um episódio quase cinco estrelas, Pelant poderia ter sido a cereja no bolo, mas não passou de um recheio sem gosto, tipo um glacê sem açúcar. Mas não estragou o sentido da comemoração.

O sentido no sacrifício
Não fico incomodada quando alguém me pergunta por que (ainda) vejo Bones. Já são nove temporadas. É fácil desencantar de algo depois de tanto tempo. Mudar de ideia, ou se cansar. Não fico incomodada porque vejo o sentido para todo esse “sacrifício”. Quando assisti a esse episódio, percebi isso ainda mais. Acompanhar a história da Brennan, o romance de B&B, as aventuras do Jeffersonian tem sido divertido, emocionante e prazeroso, tudo ao mesmo tempo. Mesmo que algumas coisas levem o tempo necessário para acontecer. Tudo acontece um dia, não? Foi o que pensei.
The Sense in the Sacrifice não foi sobre Pelant. Apesar dele ser o tema central do episódio, a interação do grupo de cientistas e agentes me pareceu bem mais apelativo. Foi um episódio dinâmico, e que envolveu não só as habilidades da Cam, da Angie, do Jack, do Sweets, da Caroline – ah, doce Caroline -, nem do Booth ou da Brennan, mas um episódio que provou que quando eles estão juntos, eu cito, “eles são insuperáveis”, como disse a Caroline.
A engenhosidade de confrontar o gênio do mal com sua própria genialidade maldosa levou a um caso sem precedestes. A preparação do corpo como uma presa para atrair a atenção do Pelant foi realmente surpreendente e deliciosamente nojenta. A morte do Flynn me deixou um pouco angustiada. Trabalhar no corpo de um conhecido ainda não é leve o suficiente para o meu estômago. Mas foi um sacrifício que valeu a pena. O episódio acabou sair melhor que a encomenda, principalmente por trabalhar com aspectos ao mesmo tempo conhecidos e desconhecidos do grande público. Partículas, lesões, isso a gente já viu, mas o caso era bem mais que isso, era um plano subjetivo entre lendas e egos, mensagens secretas e fé. A cena da bomba mostrou exatamente isso. Aliás, as duas cenas. Quando Booth, com seu treinamento militar e sua percepção, concluiu que a granada era um brinquedo. E na cena final, quando Brennan mandou o parceiro matar Pelant, colocando de lado sua racionalidade e apostando na fé que ela tem em Booth.
No final, a morte do Pelant foi um grande sacrifício? É o que vamos ver nos próximos capítulos.

Altos
Ok. Pausa para o mais completo ataque histérico que alguém, fã de uma série como esta, pode ter. Desde referência a Scully e Mulder no episódio piloto, toda aquela provocação um com o outro, aquela paixão acalentada, o desejo repreendido… todos sabiam que um dia B&B ficariam juntos. Talvez demorasse um pouco, mas eles ficariam juntos.
Confesso que fiquei um pouco desapontada com a falta de grandeza do pedido de casamento do Booth, mas aí eu pensei: pro inferno com isso! Eles vão se casar! Eles vão se casar mesmo. Agora não tem mais jeito. Vai acontecer.
O desfecho do episódio foi o ponto mais alto da história. A superação da racionalidade pelo razão do amor levou a morte do vilão e a superação da angustiante “escolha” de Seeley em não se casar com a Temperance. Não, ela não colocaria a vida de Booth em risco por causa de um assassino psicopata. Claro que não. Não nesse ponto da história, quando ela escolheu acreditar, confiar e ter completa fé em seu parceiro. Isso é amor. E não é barato. Vimos os dois construindo isso, e me pareceu mais real o pedido de casamento ser algo rápido, como um suspiro de alívio. Rápido, mas significativo.
Outro ponto de destaque vai para a participação do Sweets no caso. O plano, os conselhos, as análises. Não estava muito declarado, mas foi o psicólogo quem conduziu praticamente toda a perseguição ao vilão. O que me chamou a atenção é que mesmo afastado do FBI, Sweets foi ouvido e respeitado. A capacidade do moço em ler as pessoas e supor suas ações levou à observação de que Pelant estava tentando seduzir a Brennan com seu intelecto, e que o vilão sabia que um dos traços da antropóloga era mudar de ideia sobre as pessoas. Era isso que Christopher estava tentando fazer. Quando a Brennan começou a elogiar o cara e a chamá-lo pelo primeiro nome, pensei que o plano poderia estar dando certo. Mas aí veio a grande surpresa, o grande final. Uma das coisas que ela aprendeu com o tempo, com o seu parceiro, foi questionar-se. Então, a partir dai, nada aconteceu de acordo com o plano.
Mas o que eu mais gostei neste episódio foi a coincidente inconstância dele. É quando Bones sai da caixinha que as coisas extravasam. Não era um caso qualquer, não teve aquela cena dos desconhecido achando um corpo jogado no mato, ou um monte de suspeito sendo interrogado, para um desfecho, muitas vezes, nada surpreendente. Malditos procedurais. Queria muito que Bones seguisse um arco grande por temporada, mas isso seria pedir demais, eu sei. Gostei como a coisa aconteceu, a referência a lenda de Prometeu, a referência ao ego exacerbado dos seres humanos, quase semi-deuses, acorrentados aos mais profundos defeitos. Talvez seja isso a próxima grande história: ninguém é tão perfeito assim, nem Pelant, nem mesmo a própria Dra. Temperance Brennan.

Baixos
Os Todos Poderosos devem ter um motivo muito forte para por fim ao Pelant deixando tantas perguntas abertas. Já não basta tantas outras? Qual seria o sentido para deixar uma trilha de pistas mal resolvidas?
Lembro que quando o Pelant entrou para a série Hart Hanson comentou que ele estava sendo ajudado por alguém de dentro do Jeffersonian. Isso não me saiu da cabeça, pois minhas teorias apontavam para o agente Flynn. Cheguei a pensar na agente Shaw, mas a história nunca chegou a se desenvolver.
Depois me intrigou a genialidade do tal hacker, que não só era mestre na arte da computação, mas também sabia dissecar um corpo como ninguém. Mesmo assim, teve que “matar” uma pessoa para poder entrar na faculdade. Quem era esse cara? Ele matou apenas uma pessoa no passado?
Quando Pelant entrou na série, ele parecia perseguir claramente a Brennan. Tiro isso pelas fotos de jornais dos agentes que ele tinha em uma parede. Por que agentes? Por que a Brennan? Era algo pessoal ou sua atração pela cientista era simplesmente intelectual? Talvez nunca saberemos.
Mas me pego pensando: se ele era assim tão apaixonado pela Brennan, como este último episódio quis mostrar, por que ele a queria presa na sétima temporada? E durante a fuga da cientista, por que ele não se deu o trabalho de ir atrás dela?
Quando Pelant impediu Brennan de se casar com Booth, achei que ele o tinha feito porque não suportava perder os holofotes do FBI, porque estava enciumado por não ser o centro das atenções, não porque ele amava a doutora. Alguém sentiu mais isso?
Usar as habilidades do Sweets para atacar Booth, Brennan e o pessoal do Jeffersonian me pareceu uma boa ideia. O Sweets talvez seja o personagem que mais conhece a turma toda. Mas será que roubar a identidade da Cam tem algo a ver com ele? Isso não ficou claro. Ah, sem contar o roubo da riqueza do Hodgins: o herdeiro vai recuperar o dinheiro? Tudo voltará ao normal? Qual foi o sentido nisso?
Não me importei com a morte do Pelant, mas o ponto mais baixo desse episódio foi exatamente o fim dele. E todas as respostas no ar.

E agora?
Agora é esperar pelo grande final feliz. Pelo casamento, pelas respostas e pelo novo vilão. Parece que o ciclo da vida recomeça novamente. Com outra dinâmica, novos desejos. Estamos testemunhando a evolução e reinvenção de uma série que já tem nove temporadas. Que superou vários obstáculos e decisões ruins, mas que segue firme e forte. Com uma ótima audiência e fãs leais. Dai me perguntam porque ainda vejo Bones. Veria por mais nove temporadas, se fosse o caso.
Agora é esperar pelo próximos episódios, pela possibilidade de crescer durante o ano, ter a série renovada para a décima temporada e o privilégio de acompanhar por mais algum tempo essa história sólida de amor, crime, paixões e justiça.
Até as próximas aventuras!