Os pacientes de Theo (e ele mesmo) chegam às suas respectivas terceiras consultas. E nós, aqui do outro lado, vamos nos transportando cada vez mais para o sofá do terapeuta, nos identificando com um personagem em especial ou nas questões que se apresentam a cada dia. Acompanhe com o TeleSéries como foram as sessões da semana.
Carol, segunda, 16 h
A maquete e a praia

Todos nós conhecemos pessoas que parecem estar constantemente irritadas. Em algumas, se olharmos bem de perto, observaremos que mascaram suas inseguranças com a raiva. É o caso de Carol. A estudante de Arquitetura, com câncer, guarda segredo de sua doença. Esta semana, ela chega com uma maquete. Seu trabalho de conclusão de curso, segundo ela, uma apresentação que ostenta a beleza da forma para compensar a ausência de conteúdo. A maquete é o lado falho e frágil de Carol que ela tanto se esforça em esconder. E quem decidiu que ela teria que ser uma rocha o tempo todo? Ela mesma, quando criança, ao viajar com os pais para a praia, sem o irmão pelo qual a mãe largou seu futuro como regente de orquestra para cuidar. A menina tomou para si o fardo de não aborrecer os pais, de chorar escondido e tudo o mais que indicasse sua humana imperfeição. Carol, em um acesso de ira, destrói a maquete, como se pudesse refazê-la sem o defeito que a incomoda: a enfermidade. Theo a convence de procurar a mãe. Resta saber se Carol permitirá, pela primeira vez, ser cuidada por alguém.
Otávio, terça-feira, 9 h
O resgate e a descoberta

Quem tem crises de ansiedade, ou de pânico sabe: a única coisa sobre a qual se poderia ter controle é justamente aquela que não temos a capacidade de evitar com nossas próprias forças. Otavio está nesta situação. Durante anos teve o domínio de sua empresa e de sua família. A primeira se aproveita de sua ausência para tomar uma decisão com a qual ele não concordaria. Entre os mais próximos, a filha precisou isolar-se em um retiro espiritual para “se libertar” do pai tirano, o qual viaja para Goiás em uma missão para resgatá-la do perigo que possa correr na companhia de estranhos. Por trás deste nobre ato, entretanto, esconde-se a necessidade de retomar o controle e poder sobre pelo menos alguma coisa. Otavio tenta tirar a filha de lá, eles brigam e a moça segue sua vida, divertindo-se enquanto o pai a procura desesperadamente pela cidade. Então, com um telefonema da empresa o convocando para uma reunião com o conselho (ou “bando de urubus”, nas palavras de Otavio) ele chega a uma conclusão que os ataques de pânico já anteciparam: ele se tornara desnecessário.
Paula, quarta-feira, 11 h
O café e o aniversário

Aprovação é algo que buscamos incessantemente. A aprovação do chefe, por reconhecimento. Dos pais, por amor. Muitas vezes dependemos do olhar alheio para definirmos como nós próprios nos relacionamos com o mundo. Paula tem na figura paterna o seu modelo. Assim como Carol, sempre procurou lhe agradar para não ser mais um desgosto em sua vida. Em um de seus aniversários, data que considera como contagem regressiva para a morte, se escondeu atrás da geladeira, porém se obrigou a celebrar para não deixar o pai triste. Este, por sua vez, como Otavio, quer controlar tudo o que diz respeito à sua cria. Paula sabe que o tempo está passando: primeiro, foi seu relógio biológico que acusou, e agora promove um advogado mais novo da empresa de sua família para ter alguém que a deseje por perto, embora nunca tenha cogitado trair o marido. Ela também admite sentir ciúme do marido com o filho do casamento anterior e se revolta quando pensa que se ele foi ausente com um filho que desejou, não será com outro que nem pensava mais que iria ter. “Se ele rejeitar meu filho, eu o mato”, sentencia Paula. A mulher, que desde criança deseja gostar de café, pois ser adulta era o que mais ansiava, até hoje não se acostumou com a bebida, tão consumida pelo pai. Ele mesmo a prometera que, quando crescesse, criaria gosto pelas coisas amargas. E até hoje Paula tenta se acostumar: com o café e com as coisas amargas.
Daniel, quinta-feira, 14 h
O instinto assassino e o sono de um anjo
Daniel continua em seu caminho para compreender e saber lidar com a separação nada amigável dos pais Ana e João, que brigam sem parar na presença do filho. Os temas são mesmos, mas Dani demonstra vontade, pela primeira vez, de dormir na casa do pai, com quem parece ter aumentado a afinidade. Ana sente ciúmes dos dois, e é claro, muito de seu ressentimento é causado por Camila, a nova namorada de João e ex-professora do menino. A traição se configura e os pais não poupam xingamentos um para com o outro, até que Daniel pede que parem de discutir. João, na hora da raiva, como sempre acontece, acaba dizendo exatamente aquilo que sabe que irá ferir a ex-mulher e e lembra como foi melhor não terem outro filho, uma referência ao aborto que Ana sofreu. Dani, por sua vez, se considera culpado pelas brigas, já que é sempre tópico de conversa, e quando os pais se encontram, sempre acontece um desentendimento. Ao falar de jogos, Theo diz que já perdeu de Daniel em uma sessão anterior e questionado por João se tinha perdido ou deixado o filho ganhar, Dani responde que Theo não ganhou pois não tem instinto assassino. E este mesmo garoto, que com seu humor descontrai a sessão com Theo com sua ironia adolescente, após conversar sozinho com o terapeuta, entrega-se ao cansaço e dorme no sofá do consultório. É com esta imagem que, pelos menos por um instante, ele é visto como a criança que é. Sem gritos, sem culpa e o fruto de um amor que já existiu um dia.
Theo, sessão com Dora, sexta-feira, 17 h
O amor interrompido e a infância roubada

Como ouvinte de toda sorte de problemas Theo tem, no encontro com Dora, a chance de olhar para si. E como a maioria de seus pacientes, ele resiste ao que esta análise mais profunda revela. O processo que sofre contra Antônio, pai de Breno, o assombra, assim como o relacionamento distante com a filha. Durante a sessão de Paula, Theo descobre que é seu escritório o responsável por acusá-lo. Descobrimos que Dora o tira do sério porque ela o lembra de seu pai. Por isso sua irritação a cada consulta. O psicólogo se nega a aceitar que o afastamento e medo que sente pelo pai sejam culpa da própria mãe, que o queria só para ele. Se irrita ao ter que visitá-lo na casa de repouso e fica procurando uma vaga para estacionar como estratégia para adiar ao máximo que pode seu encontro com ele. O pai pouco fala. A explicação por ter ido embora nunca veio. Até quando Dora o lembra de que o pai esteve com ele na noite que tanto procura se lembrar (a primeira tentativa de suicídio da mãe), Theo acredita que era para se certificar de que a mãe morreria. O psicólogo é amargo em relação ao seu passado e ao seu presente também. Lembra-se de que Júlia, a paciente por quem se apaixonou, irá depor em uma tentativa da acusação de provar a inabilidade de julgamento de Theo ao tratar de Breno, que se envolveu com sua paciente e interesse amoroso.
O mar foi o personagem convidado da semana, se manifestando em sonhos ou em lembranças, representando o medo do desconhecido e da própria capacidade de se manter vivo. Mas não dá para fugir das ondas para sempre, nem do medo de se afogar. Carol queria uma boia que pudesse salvá-la. Paula se jogou no oceano, contra sua vontade e seu instinto, para agradar a quem mais admirava. E Theo, ao reencontrar Míriam, seu amor de infância, deseja reconstruir a sua história interrompida de amor, ainda que o objeto de seu afeto seja casada. Theo quer cair no mar, e tudo que ele tem são seus barcos. Tomar o impulso para o mergulho nem sempre é fácil. Há o medo de ser puxado para o fundo. Mas com todo o risco não é melhor nadar do que ficar imaginando como está a temperatura da água?
Em Sessão de Terapia, o sofá de Theo é o nosso lugar de descoberta também.
Até a semana que vem!