Aprendi com Bones que aquilo que chamamos de amor ou paixão é a soma de uma equação complicada, que reúne uma infinita quantidade de variantes. O ambiente, o cheiro, o olhar, o toque, todos os sentidos embaralhados que resultam de reações químicas complexas em nosso corpo. Para a ciência, o amor é basicamente o cérebro mandado mensagens bagunçadas sobre a realidade. Mas para os românticos, esse tipo de realidade alternativa é real.
Aprendi com Bones que o amor é real e não é um sentimento avassalador, ele é sereno. Não é explosivo, ele é concreto. Não se esvairia com o tempo, porque ele é eterno. Amar alguém é aprender a ter cumplicidade, é saber compartilhar, e mais do que tudo, na alegria, na tristeza, na saúde e na doença, ter muita, mas muita paciência.
Eu aprendi com Bones a amar Bones. Sem ter grandes ilusões ou caprichos afoitos. É uma certeza que faz parte de mim, e das milhares de pessoas que esperam ansiosamente por cada segunda-feira, ou sextas, quintas, domingos… seja lá quando a série for exibida. Talvez você esteja se perguntando por que eu gastei três parágrafos falando sobre o amor (ao invés de ir direito ao ponto). Pois bem, queridos leitores, o motivo para tamanha digressão é porque no dia 21 de outubro, Bones levou ao ar um episódio que definiu vários tipos de amor, e ainda, unificou todos eles em um só gesto.
The Woman in the White se tornou inesquecível apenas por ter existido, e podem ter certeza, será um dos episódios mais amados pelos fãs de Bones. Quem esperou, torceu, sonhou que um dia, lá na nona temporada, depois de tantas aventuras improváveis, como é a vida, Bones e Booth estariam casando. E ainda, não é nem o final do seriado.
Contra as probabilidades, o provável e improvável, contra tudo o que é mais óbvio, até que enfim, podemos dizer que estamos no céu. E valeu a pena.


O começo
– Você acredita em destino?
– Claro que não.
Lembra quando eles se conheceram? Ela era cientista e ele um bom agente do FBI com problemas. Olha para eles agora.
Quando o episódio começou, sabia que coisas grandes estavam por vir. Apesar do caso interessante e da tentativa em fazer parecer que o casamento não ia sair, (mesmo com o spoilers) podíamos sentir que algo grande estava por vir.
Para começar, de quem foi a ideia de gênio de chamar o David Hornsby para fazer um padre em Bones? Apesar da cena não ter sido assim tão engraçada, eu gargalhava alto com todas aquelas entrelinhas voando em nossas caras. Para quem nunca viu Cricket em It’s Always Sunny in Philadelphia talvez não tenha percebido o potencial da piada. Queimar a igreja do pobre padre depois? Que série louca. Que roteiro doido esse da querida Karine Rosenthal e de Kevin Hooks. Além das piadas intencionais, os momentos de reconhecimento sobre o que é o seriado foram bem definidos em cada linha falada pelos personagens.
Claro que nem tudo foi perfeito. Mas nem tinha que ser para esse episódio ganhar cinco estrelas. Só de ver alguns rostos queridos pelo público de volta, muitas menções ao passado, e a cena final, ah! faltam palavras para descrever tamanha perfeição. Pensei que se eu esperasse um pouco, para que o nível de adrenalina em meu corpo pudesse votar ao normal, eu conseguiria escrever um texto mais coerente, analítico e menos cego. Mas quem disse que há coerência nisso tudo?
Lembra de quando eles se conheceram? Brennan era completamente racional. Tão racional que jamais deixaria seus estagiários resolverem um caso por ela. A cientista, que um dia disse que não conseguiria mudar, estava feliz em fazer coisas que para ela não faziam muito sentido, mesmo assim, deixaria seu parceiro muito feliz. A doutora estava feliz também.
No início do episódio, achei que toda a distração com o caso era para mostrar que Bones tinha realmente mudado com o tempo. E apesar de algumas pessoas acharem que a personagem está descaracterizada, eu fico feliz que aos 36 ela não se comporte como a doutora de 27 anos, que não entendia nada do mundo e nem das pessoas. Que passou por um intenso processo de mudança, que abriu sua guarda e perdeu sua impermeabilidade e se tornou forte o bastante para lidar com o improvável e arriscado.
Claro que o estilo Bones de ser ainda está ali. Não ligar para os detalhes como fazer o cabelo e as unhas, e realmente se focar no caso, quando ela deveria estar se preparando para o grande dia. Ainda bem que a Angela (a voz da consciência) está sempre por perto para salvar o dia.
O começo do episódio foi agitado e rápido. Teve morte, igreja, e um monte de gente aparecendo. Parker foi uma boa surpresa. Eu gosto dele e de suas caras e bocas. Acredito que garoto tenha o Sweets em seu Facebook, pois com certeza, ele parecia muito tranquilo com o fato de não ter contato algum com o pai. Viver em outro país pode ser difícil mesmo. E aquela camiseta da Inglaterra? Ora, todos sabemos que ele mora lá. Entendemos isso. Mas gostei dele no episódio. “Estou feliz que você está casando com a Bones”. Sim, como não poderia? Desde muito pequeno, Parker tem um verdadeiro carinho pela parceira do pai. Por ela ser divertida e inteligente, além de sempre ter sido muito honesta com o garoto.
Lembro bem quando a Hannah tentou levar o menino para a Terra das Coisas que Não Deveriam Ter Acontecido em Bones, mas ele sabidamente mostrou que a “Bones” tinha um lugar especial em seu coração.
Nota. Resolvi esquecer do Parker terrorista da sétima temporada. Fim da nota.
Depois do menino, vimos o Pops e a Mama Booth, que aparentemente também resolveram esquecer todos os ressentimentos. Tudo estava pronto para o casamento. Bem, nem tudo.


O meio
– I can be a duck.
Lembra quando Brennan e Booth ficavam fugindo um do outro só para no final perceberem que realmente estavam perseguindo um ao outro?
Quando o casamento foi adiado, lembrei dos outros tantos “adiamentos” que os dois tiveram ao longo desses anos. A primeira noite depois da rodada de tequila, a parceria entre o Jeffersonian e o FBI depois da conclusão do primeiro caso e da briga que os dois tiveram, os vários “primeiros beijos” que eles não tiveram, ou aquele “eu te amo, sabe? como uma boa garota”, e ter consciência de que teria que adiar realmente o “eu te amo” de verdade. Ou aquela primeira noite juntos que nunca vimos. Será que eles mais uma vez teriam que adiar o casamento, depois de meses de sofrimento por causa do Pelant? Bones é feita de provocações.
Mas uma coisa era certa. Mesmo com o casamento em perigo, eles nunca deixariam de perseguir um ao outro. Com o caso resolvido (viva Squints!), o que eles precisavam era apenas um pouco de criatividade para sair do protocolo. Deixar-se arriscar. A Bones, no começo, apesar de ter um time ao seu lado, sempre trabalhou sozinha. Agora ela não está mais só.
Lembra também quando Booth queria despistar a Brennan quando eles estavam resolvendo o primeiro caso? Ele disse que tinha que se organizar, colocar as cartas na mesa, e ela disse que poderia ser uma delas. Esse foi o momento que eu me apaixonei pela série. Lembro dos comentários do Hart no DVD, quando ele disse que achava aquela cena bonitinha, vi ali a essência da série. Os dois tinham se encontrado.
O David Boreanaz ter lembrado disso, e ter escrito sobre isso nos votos de casamento, mostra apenas o tamanho do envolvimento que todos tem com o seriado. Tamanho envolvimento mostrado também durante a gravidez da Emily Deschanel. Trago esse assunto na review, pois escuto muito as pessoas dizendo que a gravidez arruinou a série. Acho que não. Acho que entender que aquele era o momento da Emily, entender que a temporada teria 13 episódios e não 24 por causa da atriz, entender que ela precisava de uma licença maternidade e que isso afetaria a série. Isso é compromisso.
Compromisso também da Emily que trabalhou até um dia antes de seu parto, e que hoje leva o Henry para o set, para que ele possa ficar com ela o maior tempo possível. Entender que esse momento maternidade poderia acontecer na história se eles não tivessem medo de arriscar. Medo de fugir do linear, do namoro, noivado, casamento, e fim da série. Estamos a três temporadas com o casal junto. Sólido como deve ser. E ter esse entendimento não é para todo mundo.
É esse tipo de coisa que faz valer cada xingamento ao Hart Hanson e sua turma.

O fim?
– O que você acha que acontece agora?
Quando a Brennan começou a caminhar ao lado do Max na direção do altar ao som de At Last – magicamente cantada por Avalon (Cyndi Lauper), pensei: Acabou. Agora acabou mesmo.
Demorou alguns segundos para entender todo o significado da cena. Que aquilo não era o fim, mas se o começo. Sabe? O fim do começou ou o início do fim, não importa. Mas não havia chegado o momento de dizer adeus. Demorou um pouco para entender que o momento, na verdade, era de celebração. Um momento simples, com as pessoas certas e cheios de amor.
Comecei esse texto falando sobre isso. Sobre o amor e os tipos de amor. E foi quando percebi que esse episódio fazia uma homenagem ao amor do casal, o amor dos fãs pela série e da equipe de Bones por tudo isso. Chorei do início ao fim da cena.
Uma vez, o Booth disse que havia mais de um tipo de amor, mas o certo, sempre ficava no final. Eram tempos difíceis aquele, para ouvir uma frase dessas. Mas agora tudo faz sentido. Assimilar os votos da Brennan e do Booth não é fácil. Eles são bonitos para quem nunca viu a série, mas para quem viu, desde o piloto, seja lá em 2005 ou nesse ano, em uma maratona louca para ver nove temporadas, sabe do que eu estou falando. Assimilar esse amor não foi nada fácil, e ainda não é.
A Emily ficou com a missão de escrever os votos da Brennan e o fez de maneira espetacular. A tal carta do The Aliens in the Spaceships sempre foi uma incógnita para os fãs. Mas fico feliz de que ela tenha sido revelada apenas agora. Pois esse, era realmente o momento certo. A carta não teria tanto importância ou conteúdo, se tivesse sido mostrada logo no começo. O detalhe da contra-capa do livro me fez sorrir, e chorar ao mesmo tempo.
As reações químicas que uma paixão provoca dura pouco. Mas se aquela carta contínua a fazer sentido, mesmo após tantos anos, tava ali a prova: Paixão pode até ser a primeira vista, mas o amor, não. Esse se constrói com o tempo e se solidifica com a jornada.
Se Bones faz algum sentido para você ainda, essas palavras te levarão ao céu. Sabe, como o amor pode ser um fardo que te puxa para baixo e ao mesmo tempo de faz voar? Esse foi o momento que todo o peso nos ombros desapareceu.
Eu trabalhei muito, muito nos meus votos, mas agora que estamos aqui… Olha, você se lembra da última vez que estivemos aqui? Parados neste exato lugar, foi bem no começo, antes de nos conhecermos de verdade. Eu estava tentando me afastar de você, porque você estava me irritando, e você correu atrás de mim e me alcançou. Eu disse para você ‘Escuta, eu só preciso organizar as minhas coisas e você me disse “eu posso ser uma dessas coisas”. Nós estivemos perseguindo um ao outro por muito tempo… Correr atrás você tem sido a coisa mais inteligente que eu já fiz em minha vida, e ter você correndo atrás de mim tem sido minha maior alegria. Mas agora nós não precisamos mais que correr um atrás ao outro, porque nós alcançamos um ao outro. – Seeley Booth
Quando Hodgins e eu fomos enterrados vivos, cada um de nós escreveu uma carta para alguém que amávamos, caso nossos corpos fossem encontrados. Hodgins escreveu para a Angela, e eu escrevi para você. “Querido agente Booth, você é um homem confuso. Você é irracional e impulsivo, supersticioso e exasperador. Você acredita em fantasmas e em anjos, e talvez acredite em Papai Noel e por sua causa, comecei a ver o universo diferente. Como é possível que simplesmente ao olhar para o seu rosto bonito isso me traga tanta alegria? Por que me faz tão feliz, quando eu tento dar uma espiada em você, você já está olhando para mim? Como você, não faz o nenhum sentido. E como você, parece tão certo. Se eu conseguir sair daqui, eu irei encontrar um momento e um lugar para te contar como você torna minha vida bagunçada e confusa, e sem foco e irracional… e maravilhosa. Esse é o momento. Esse é o local. – Temperance Brennan
Depois disso, só tenho uma coisa a dizer. Fique feliz, é tudo real.


The Woman In the White
– Tudo acontece um dia.
Peço desculpas pela demora na review. Mas estava um pouco em lua de mel com a série. Aproveitei esse tempo de extrema felicidade para curtir alguns episódios das primeiras temporadas. Penso que The Woman in the White mudou todo o sentido da série. Posso ir até um pouco longe ao dizer que o sexto episódio da nona temporada é um divisor de águas. Um antes e depois. Agora, sabemos que realmente todos esses anos os dois eram sim, apaixonados um pelo outro.
Sabemos que todos aqueles olhares, risadas ao final do dia, desejo louco de proteger o parceiro, não era só pela parceria. Digo mais, a paixão passou rápido, logo veio o que é mais difícil. O amor, e esse não acaba nem com guerras, com agentes ou jornalistas, não termina com a distância e nem quando se jura que realmente tudo acabou. Por que tudo acontece um dia, e 21 de outubro de 2013 era esse dia.
Sabemos também que nem sempre é fácil lidar com crianças. (Chris, sentimos sua falta, garota!)
Escrevemos milhões de reviews em nossas cabeças, cada um de nós, fãs da série. Sei que ainda é pouco o que eu disse, e que ainda vamos falar muito desse episódio, rever e se emocionar com ele. Mas tenha certeza, isso tudo é apenas um novo começo.
– E o que você achara que acontece depois?
– Tudo que acontece depois.
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Sei que isso é um pouco brega, dedicar reviews, quem sou eu? Mas gostaria de agradecer publicamente à algumas pessoas que fizeram ou fazem dessa estrada louca um pouco mais real. Ser fã de Bones significa olhar para uns quarto anos atrás e ver a Karin assistindo The Doctor in the Photo e quase chorando com a Brennan, despertando minha curiosidade adormecida de voltar a ver uma série com o Boreanaz (sim, eu era fã de Angel). Isso significa ter sido sugada por um fandom louco – e muitas vezes infantil – no Twitter, de ter conhecido a Jennifer e a Alis Mari e as meninas do The Lab Bones. De querer colaborar com as Queens para ajudar aos fãs que dependiam das legendas para entender todos aqueles nomes loucos que são pronunciados pela série. Significou conhecer a Mariela (e depois dividir apartamento com ela), e trombar por um acaso do destino com a Cynthia (aquele encontro de Bones num pub irlandês não poderia ter sido melhor). Significou ver, mesmo que por alguns minutos a louca da Thayná e um ano mais tarde ter a Nathalia Cruz no meu aniversário. Ah, não esqueci de você Luciana. “Confie no Hart Hanson”? Não sei se você leva o prêmio de melhor ou pior conselho do mundo. Significa também ter a Aninha, minha querida companheirinha, ao meu lado. Que quero ver crescer e tenho muito carinho. Sei falar da minha sobrinha, que com 9 anos, sabe o que é a L7, tíbia, ou ílio. Povo louco, que eu amo! Um beijo querido para a Manu, minha comparsa de crimes. E claro, para todos os envolvidos em fazer essa dramédia um ponto de encontro de tantas emoções, boas e ruins, na minha vida.