Dracula foi uma dessas séries que esperei tanto, mas tanto mesmo, para estrear, que, no matter what, eu queria ser otimista em relação a ela, acreditar que as coisas iriam melhorar. Pois bem, depois de um segundo episódio bastante superior ao primeiro, em seu terceiro capítulo, Dracula voltou a ser uma série… medíocre.
Segundo o dicionário Michaelis,
“Medíocre: adj (lat mediocre) 1 Médio ou mediano. 2 Meão. 3 Que está entre bom e mau. 4 Que está entre pequeno e grande.”. É exatamente assim que a série é.
O terceiro episódio começou com uma cena de flashback na qual pudemos compreender o que aconteceu realmente com Vlad Tepes. Por algum motivo, ainda desconhecido, ele foi condenado pela Ordem do Dragão, que, além de queimar a mulher dele viva, ainda o condenou com a imortalidade, ao fazê-lo beber sangue (The blood is the life). Essa passagem foi um pouco parecida com o filme do Coppola, bem como o fato de a mulher dele, Ilona, “reencarnar” em Mina (Winona Ryder na versão cinematográfica). O livro não menciona a esposa do Conde Drácula.
Voltando à série, Van Helsing fica sabendo que Lady Jayne procura a cura para os videntes e corre contar para Drácula, a fim de bolar um plano para detê-los. Assistir à cena toda é quase bizarro; VAN HELSING correndo contar as coisas para o DRÁCULA? Esse mundo está muito errado. No começo, achei que fosse surgir um bromance aí, mas, por enquanto, não é o caso, não, e tudo parece bastante esquisito.
Outra coisa estranha: Lucy levou Mina para badalar e curar a dor de cotovelo que sentia desde a briga com Harker (que estava menos insosso nesse episódio). Em uma cena em que Lucy fica olhando Mina dormir, deu a impressão de que a loira espevitada tem sentimentos ocultos pela amiga – o que também é inadmissível considerando a história original.

Mina, por sua vez, que é uma mulher tão inteligente, parecia estar com as faculdades afetadas desde o rompimento amoroso. Ao chegar em casa depois de uma festa, ela se deparou com um buquê de flores e um cartão. Ao ler “Quando se trata de sonhos, você pode até hesitar, mas a única maneira de falhar é abandoná-los”, ela não descobriu que a surpresa vinha de Drácula. Forçou, né, amiga?
O Jonathan Rhys Meyers passou o episódio inteiro bancando o vampiro de coração partido. Primeiro, por causa de Mina – que ele, inclusive, ajudou a fazer as pazes com o Harker (como-assim, sociedade???!) -, depois, por causa dos videntes, que estavam aprisionados no palácio da Lady Jayne – ele voltou para a cama com ela chorando (isso mesmo, Drácula CHORANDO). Daqui a pouco, ele vai ligar para o Edward Cullen e pedir uns conselhos amorosos.
Não bastasse esse sentimentalismo todo, ainda soubemos que Drácula toma uma VACINA para ficar pouco mais de três minutos ao sol. Desculpa tantas palavras em caixa alta, mas estou histérica com essas mudanças todas. Minha histeria só cessou quando precisei parar e rir do Drácula dizendo “Três minutos?! Isso só me dá tempo de tomar uma xícara de chá antes de pegar fogo”. De fato.
Olha, sinceramente, o Drácula está muito bom moço para ser aquele vampiro criado pelo Bram Stoker (que “fez” aniversário essa semana). No final do episódio, o personagem mesmo admitiu que estava surpreso com sua bondade (se ele está surpreso, imagine a gente…). Até o Van Helsing está mais “durão” que esse vampiro chorão! De verdade, tem horas que o Drácula mais parece um bêbado, sem nenhuma lucidez, tentando se livrar das próprias mágoas, do que um vampiro secular, sem sentimentos, que calcula muito bem seus passos e quase não falha (…se não fosse no último capítulo do livro).
A julgar pelo preview do próximo episódio, Drácula será obrigado a colocar suas vilanias em prática para manter-se anônimo. Assim espero! Apesar de ter me preocupado em destacar os pontos negativos da série aqui, ainda sinto prazer em assisti-la. Não sei se isso se deve ao fato de eu ser muito fã do JRM, se é porque os atores são muito bons ou se é pelos cenários e figurinos lindos. A verdade é que, ainda que não seja uma obra-prima, Dracula não é exatamente um lixo, dá para encarar. Na minha opinião, um dos erros foi contratar um cara estreante na TV para escrever o roteiro. Pelo que pesquisei, o Cole Haddon escreveu algumas HQs que fizeram sucesso entre o público, mas nunca tinha feito nada para a TV – e, mesmo no mundo das HQs, ele é novato. Ou seja, contratar alguém sem experiência para escrever um projeto do tamanho de Dracula, que não é outra coisa senão pretensioso, pode ser um erro fatal.
A série segue caindo em índices de audiência nos Estados Unidos e pode ser que não dure mais do que uma temporada. O JRM já disse que não enxerga a série além de dois anos, acha que não tem história para isso. Pelo que vimos até agora, talvez o enredo não renda mais do que uma temporada. Além disso, pode se transformar em um grande (hashtag) mimimi.