Castle – Veritas
06/05/2014, 19:39.
Ana Botelho
Reviews
Especial, simbólico, emocionante. Surpreendente, mágico, assustador. Completo, romântico, elétrico. A verdade é que eu poderia usar todos os adjetivos do mundo para qualificar o episódio dessa segunda e nenhum deles conseguiria expressar, fielmente, as sensações passadas por ele. Fiquei meia hora aqui pensando em como começar essa review e a única conclusão que cheguei foi a de que não há palavra desse nosso português, não há texto, tampouco review, que sejam suficientes para exprimir o que foi Veritas. Eu tenho mais 900 palavras pela frente e, com certeza, falharei nessa missão.
Vincit Omnia Veritas
Ir além das nossas expectativas: quando Castle NÃO fez isso? É claro que eu esperava bastante desse episódio, mas não esperava tudo o que vi. A sensação que eu tive assim que os 42 minutos terminaram foi a de que eu estava assistindo a uma season finale, ou até uma series finale. Se a série terminasse ali, naquele abraço de Castle e Beckett, ela faria todo o sentido, a história terminaria completíssima e o arco mais importante da série seria resolvido. Veritas foi simbólico do início ao fim, com todos os seus segundos carregados de uma emoção inexplicável, proveniente de uma das histórias de luta e força mais bonitas que já vi na televisão. O caráter de Beckett, e tudo o que ela é hoje, foi construído pela vontade de fazer justiça e colocar atrás das grades o assassino de sua mãe. Como eu disse, a série poderia terminar ali, mas não terminou. O ciclo da caçada pela justiça de Beckett se fechou e, talvez, somente agora outros ciclos conseguirão ser abertos na vida da detetive.
Quando o episódio se inicia, com uma série de flashbacks, a gente já sabia do que ele se tratava e que iríamos avançar ainda mais no caso de Johanna. Beckett estava atrás de Jason Marks, a última pessoa ainda viva que poderia ajudá-la a conectar Vulcan Simmons ao senador Bracken. Infelizmente, Marks aparece morto, o que me fez suspirar, afinal, Beckett estava agora sem rumo, sem pistas. E, pra piorar, sua dívida com o senador havia sido quitada em In the Belly of the Beast, onde ele “a salva” das garras de um capanga de Vulcan. Agora, Bracken estava livre para matar Beckett, assim como fez com Johanna.
Porém, a repulsa, o nojo e a raiva de ver o assassino de sua mãe solto e se candidatando à presidência dos EUA era maior que a falta de pistas e com certeza bem maior que o beco sem saída no qual se encontrava. Quando Espo e Ryan avisam que não havia formas de provar e conectar Vulcan à morte de Marks, Beckett opta por fazer o que sabe de melhor: não ficar esperando em casa até a resposta cair do céu. É claro que a maioria dos detetives das séries de TV tentam repassar a ideia de força, da ausência do medo, mas com Beckett a questão é diferente. O medo está ali, a fraqueza também, mas ela deixa tudo isso de lado quando se trata de justiça, mais ainda quando se trata da morte de sua mãe – e isso sim é a maior amostra de coragem.
Então, exatamente por ser corajosa – assim como Johanna era, e Beckett sabe disso -, ela vai até a garagem onde o carro que Vulcan dirigia na noite da morte de Marks estava. O que ela não esperava, nem eu, era que ele aparecesse lá. Eu tremi na base. Aquele homem me assusta, desde a primeira vez que ele apareceu, e o último encontro deles não havia sido nada amigável. Não sei porque ela ainda perguntou para quem ele trabalhava, se sabia que ele nunca diria nada. Mas ela não desiste, e diz que só sairá de lá com respostas. E até onde iria Beckett para conseguir as respostas que queria? Torturar e matar alguém? As perguntas me invadiam conforme o corpo torturado, morto, baleado de Vulcan era exibido na tela.
Sombras do passado
Não, eu não acho que Beckett cruzaria a linha que há entre justiça e tortura para conseguir o que quer. Mas a história ficou muito confusa, principalmente quando Lanie, ao telefone, avisa que o resultado da balística apontava que a arma do crime era a arma de Beckett. Nada restava a ela senão fugir, ou Bracken ficaria livre para sempre. Nesse momento, enquanto Beckett sumia misteriosamente do departamento, Castle ficava sabendo, através de Espo e Ryan, da primeira sombra do passado que retornava: Smith estava vivo.
E as cenas seguintes foram demais pro meu coração de fã. Castle escolhe os balanços para encontrar Beckett. Sim, aqueles mesmos balanços que podem, por si só, contar a trajetória dos dois. Foi nos balanços que Beckett disse a Castle que havia uma parede e que ela, um dia, cairia. Foi nos balanços que ela, em Always, sob uma chuva torrencial, tentava afastar a frustração de não concluir o caso da sua mãe, ao mesmo tempo que criava coragem para bater na porta de Castle e dizer que tudo o que ela queria era ele. Foi ali, também, que Castle a pediu em casamento, e teve um sim como resposta. E agora, era ali nos balanços que Castle e Beckett tentavam descobrir como chegar em Smith.
Achá-lo não foi difícil, porque parece que Smith sempre sabe quando estão o procurando. Quando se encontram com ele, a gente descobre algo revelador: há uma fita que incrimina Bracken por várias fraudes e também pela morte de Johanna, que ele diz ser gravada por um ex-associado, mas que a gente vê depois que foi gravada por Montgomery. O jogo tinha virado. Beckett ao mesmo tempo que corria atrás dessa fita, fugia de Bracken. Mas ele a acharia.
O encontro dos dois foi algo épico. Bracken a acha no hotel e, covarde como é, a deixa sozinha com seus capangas para que eles façam o trabalho sujo. Nessa cena, a atuação da Stana foi o ‘que’ a mais, o fator principal. Ela fingiu estar dopada tão bem, mas tão bem, que eu só percebi que ela não estava quando surrou a cara de um dos bandidos. Fiquei tão tensa na hora que ela levou uma jarrada (?) na cabeça, que nem percebi o erro de continuação que as cenas seguintes tiveram. Mas isso não importa.
Castle a salva, como sempre, e eu me perguntei o que seria dela se o prefeito não tivesse obrigado a Montgomery a aceitá-lo no departamento. Aliás, se Beckett teve forças para seguir com o caso de sua mãe, que todos saibam, então, que Castle é o grande responsável por isso, estando ali sempre pra ela, como esteve quando a levou de volta para seu apartamento para investigar as coisas pessoais de Johanna que a detetive guardava. E na caixa com os pertences, eles descobrem que Johanna tinha “subliminado” uma mensagem, que dizia que ela sabia onde estava a fita. E quem imaginava que a resposta para tudo estava tão perto assim? Beckett ligou os fatos a tempo e achou, na família de elefantinhos que sua mãe tinha, a fita que, finalmente, incriminava Bracken e libertava Johanna para que ela ficasse em paz para sempre.
O final foi simplesmente maravilhoso. Ver Beckett destruindo Bracken em rede nacional e o prendendo era o que eu esperava desde a primeira temporada. A descida das escadarias representou, para mim, a descida de alguém que subiu ao poder pisando nos outros. O orgulho não estava somente em mim, mas também nos olhos brilhantes de Castle, que a observava sabendo a importância que teve para que esse dia chegasse. Já perdi as contas de quantos abraços esses dois já deram, mas com certeza nenhum deles foi igual a esse último – nem nunca será. E eu ficava me perguntando como aquele tanto de história acumulada nesses 5 anos conseguia ser comprimida naquele pequeno espaço entre o abraço dos dois; amor, ódio, tristezas, cicatrizes, tudo era enlaçado pelos seus braços de uma maneira carinhosa e especial. Foi como se o mundo em volta tivesse parado para assistir ao encontro de duas pessoas que nasceram para ficar juntas e que agora, mais do que nunca, sabem disso.
Veritas foi muito mais que um episódio de conclusão de um caso. Pelo contrário: ele fechou um ciclo de dor e de luta que durou anos e anos e que nós, fielmente, acompanhamos cada passo, cada obstáculo, cada tapa que Beckett levou para conseguir fazer justiça ao nome de sua mãe. É claro que Beckett, mesmo envolvida nessa história, foi mudando, e mudando, e mudando sempre ao longo do tempo. Mas a sensação que fica é que só agora ela está realmente livre para seguir sua vida, talvez não em total paz, mas sem aquele sentimento de não conseguir cumprir o que tinha prometido quando sua mãe morreu.
Na minha mente, Castle ainda tem história pra mais mil temporadas. 3xk voltou nessa sexta temporada e depois desapareceu, o que me leva a crer que nos esbarraremos com ele num futuro não muito distante. Já vi as promos do episódio da semana que vem e já vou avisando: peguem lenços, bombas de oxigênio e tudo que ajudem vocês a conseguir sobreviver, porque não será fácil. A sétima ainda não foi confirmada, mas não vejo como não ser. É um show estilo procedural, mas que ultrapassa a qualidade de um procedural comum. Eu sei disso, você sabe disso, os escritores e atores sabem disso e a ABC também. Então aproveitem a season finale e voltem aqui para surtar comigo hahaha até lá 😉
PS1: O que aconteceu da metade pra baixo do cabelo do Esposito? Tirou pra lavar?
PS2: Eles poderiam ter trabalhado melhor a continuação da cena em que Beckett é agredida na cabeça. Sangrou, passou mal e depois nem doendo tava mais? Estranho.
PS3: Os ângulos das câmeras estavam melhores que nunca. A cena no parque foi filmada de vários lugares e eu agradeço muito por isso.
PS4: Eu disse que esse episódio foi o melhor de todos, e acho que foi mesmo. Meu top 1 agora fica entre Knockdown (3×13) e Veritas.
PS5: Só eu senti que aquela cafungada no cangote do Castle foi meio que… real? hahaha as Stanathans piram!
PS6: Pra finalizar, Castle está certíssimo: Johanna sentiria orgulho da filha que tem.





























