Bates Motel – The Immutable Truth
08/05/2014, 09:00.
Gabriela Pagano
Reviews
E chegou aquele (temido) dia, no Bates Motel, que todos os hóspedes-espectadores terão que fazer as malas e voltar para a casa. Partir e esperar a próxima temporada do hotel mais macabro da televisão. Mas é claro que a gente não ia se despedir do lugar sem que antes eles nos oferecessem o que o motel tem de melhor atração: as fortes emoções! A season finale da série foi tão boa, tantas coisas aconteceram, que nem parece que coube tudo em quarenta minutos.
No capítulo anterior, o Dylan matou o Nick Ford, que era o líder de uma das famílias que mantinham um enorme negócio de maconha na cidade. Isso colocava a vida do Norman em maior perigo ainda, já que os capangas do agora defunto poderiam se vingar tirando a vida do menino. Isso, é claro, não aconteceu e nem vai acontecer, uma vez que ele é o protagonista do programa e está vivo no filme Psicose – que, teoricamente, se passa no futuro da série. Mas a gente gosta de sofrer um pouquinho, acompanhar as cenas sem piscar os olhos. Pois bem. Depois de sair correndo da casa do Nick rumo à floresta, o Dylan acabou na beira da estrada e deu de cara com o carro do xerife Romero, que não só lhe deu cobertura, como resolveu toda a situação em White Pine Bay (nos mostrando que é ele quem manda na cidade, podem os ricaços se espernearem).
Ele não só encobriu o assassinato cometido por Dylan, como ainda bolou um plano contra Zane na casa da irmã do bandido. A moça ligou para o irmão e pediu para que os dois se encontrassem, pois ela queria conversar com ele sobre como acabariam com Dylan. Só que, na verdade, Dylan e Romero estavam com ela e pretendiam encurralar Zane, que já deu problemas demais por essa temporada. O que é estranho é que, na “hora H”, a moça pegou uma faca e foi ao encontro do irmão, que ainda chegava à propriedade. Ele estava armado e atirou nela, obviamente. O xerife Romero, que se encontrava no mesmo andar que eles na casa, só apareceu mesmo quando Zane ia disparar contra o Dylan. Agora, ao que tudo indica – e assim Romero deseja -, o filho mais velho de Norma Bates vai assumir o negócio de maconha do município.
Mas, ainda assim, devo dizer que a cena toda foi estranha. Por que a moça foi confrontar o irmão na porta de casa? Romero orientou que ela ficasse no quarto, no andar de cima. É claro que o irmão dela a mataria! E por que o Romero demorou tanto para aparecer e atirar em Zane? Será que ele já não planejava que a irmã também fosse morta naquele dia? Aposto que sim… Além disso, o Dylan não pareceu muito comovido com a morte dela, não. Sei lá, os dois tiveram um caso…

Ok. Não dá para julgar. Ele estava cheio de problemas familiares (é a família Bates, né?). Apesar de ter encontrado o Norman – e ganhar um “eu te amo MUITO” da mãe -, os conflitos só cresciam. O Norman colocou na cabeça que foi ele quem matou a Miss Watson e a Norma, desesperada, planejou fugir do país. O que o Dylan não esperava – e nem a gente – é que a Norma comprasse uma passagem de avião para ele também, pois fazia questão de ter toda a família reunida. Não bastasse isso, ela ainda fez uma declaração linda para o filho, dizendo que, apesar de todo sofrimento e a forma como ele foi concebido, ela não desejava que nada fosse diferente. Foi uma das cenas mais comoventes da série! E acho que ela falou de verdade, com o coração (isso, é claro, até ela ter que escolher entre Norman ou Dylan novamente…). Mas foi importante para o enredo!
Enquanto isso, o Norman quis tentar suicídio. E juro que quase torci para que ele conseguisse, ele anda problemático demais. Só que a Norma, que está sempre em volta dele, chegou a tempo de impedir e ainda tascou uma bitoca na boca do filho. A relação entre ela e o Norman é bastante estranha, sempre teve esse lado meio sexual, meio complexo de Édipo. E essa condição se torna cada vez mais acentuada.
Para piorar, o Romero pediu para que o Norman – que pesava de tanta culpa – fizesse um teste de polígrafo, para que ele descobrisse quem matou a professora. E ele fez. Foi o teste de polígrafo mais macabro que eu já assisti! E, em uma cena poética, um tanto desvairada, Norman teve uma nova alucinação e imaginou que a Norma confessava que tinha matado a professora, não ele. Aí, foi fácil o menino passar no teste e sair inocente. Se for parar para pensar, foi uma saída um tanto bizarra para salvar o personagem. Conveniente em demasia. Mas, ao mesmo tempo, é difícil para nós, leigos, sabermos o que se passa na cabeça de uma pessoa com distúrbio mental. Alucinações totalmente fora da realidade, incabíveis, são completamente possíveis.
A cereja no bolo ficou para os segundos finais, quando Norman encarou a câmera…

Lembra alguma coisa? Me recordei daquele filme… Psicose…
