O Brasil é o único país da América Latina onde as séries da Fox estão sendo exibidas dubladas no horário nobre. A informação foi verificada pelo TeleSéries ao longo deste final de semana junto a telespectadores do canal em diversos países da América Latina.
A decisão pela dublagem, portanto, vale só para o Brasil. E não parece haver razão para ser duplicada em outras regiões.
O site Zonalatina.com (veja aqui), apesar de não ser mais atualizado, mantém no ar dezenas de tabelas com os indicadores de audiência da região até agosto do ano passado. Os números mostram que a Fox é um canal globalmente forte, com bom desempenho médio nas praças com medição de audiência pelo Ibope (Argentina, Brasil, Chile e México).
Os números de agosto de 2006, por exemplo, mostram a Fox em oitavo lugar em audiência, empatada com o Discovery. Dos canais de variedades, apenas o Universal aparecia na frente, em sétimo lugar. Warner, Sony e AXN ficaram para trás.
Na média do ano de 2005, o desempenho da Fox foi ainda melhor. O canal encerrou o ano em oitavo lugar, com 0.43 ponto de rating. A Warner foi a décima, o Universal o 13º, a Sony o 19º e o AXN o 20º.
Os dados do site informam ainda os números de audiência por país, e é aí que fica evidente o mal desempenho da Fox no Brasil, que levaram o canal a tomar a medida deseperada da última semana. Em 2005, a Fox foi o sétimo canal em audiência na Colômbia, o oitavo no Chile, o 12º no México e o 13º na Argentina. No Brasil foi apenas o 15º.
Em todas as praças, a Fox aparece sempre na frente dos demais canais de variedades. Menos no Brasil, onde aparece atrás de Warner, Universal, Sony e AXN.
O TeleSéries tem apurado ainda ao longo dos anos que a programação da Fox costuma sofrer pequenas alterações de país para país, num claro sinal de que os escritórios regionais do canal detém alguma autonomia.
Em 2004, quando a audiência da Fox no Brasil já estava em crise (foi o 14º em audiência, a frente apenas do AXN em seu segmento), o canal adquiriu os direitos de exibição das primeiras temporada de Sex and the City. A série só foi exibida no Brasil.
Em 2006, quandos os brasileiros assistiam a sitcom brasileira Avassaladoras – A Série, o resto da América Latina conferia o segundo ano de Justiça sem Limites. Por falta de espaço na grade, os brasileiros tiveram que ver os episódios finais de Justiça sem Limites numa maratona em um sábado.
Em outros países, a programação da Fox também passou por alterações. O desenho City Hunters, por exemplo, foi testado na Argentina em 2006 e só este ano foi ao ar no resto do continente.
Na semana que passou tivemos ainda outra demonstração da independência da Fox brasileira. Nesta quinta-feira os assinantes da Fox na América Latina assistiram a estréia do drama Standoff, estrelado por Ron Livingston (Sex and the City). Menos no Brasil (onde foi ao ar a reprise do episódio final de Shark). Standoff não estreou provavelmente por pressão do telespectador e da imprensa do país. Em razão das muitas críticas por interromper a exibição de Prison Break no meio da temporada, a Fox programou a exibição de reprises da série a partir da próxima quinta-feira.
Resta saber se reprises de Prison Break e uma programação totalmente dublada salvarão a Fox dos maus índices de audiência e de ter sido incapaz de fidelizar o público brasileiro.