
Não tenho nada contra o fato de Kdabra emular algumas séries que já vimos por aí, como Kyle XY ou alguns episódios de Além da Imaginação.
Não tenho nada contra o fato de Christopher Von Uckermann aparecer cantando em português no clipe de divulgação da série. Apesar de achar meio ridículo que, uma série que quer carregar uma aura de mistério e de suspense, tenha uma peça promocional que parece um vídeo do Menudo.
Não tenho nada contra o fato da Colômbia virar o celeiro de produção audiovisual da Fox. Se eles tem os estúdios, as câmeras, a qualidade de produção, ok. Kdabra é tecnicamente correta. Infelizmente, uma série não se faz só com direção de arte, fotografia e mixagem de som.
O meu problema é que assistir as produções regionais da Fox Latin America segue sendo um experiência dolorosa. Fisicamente, inclusive.
A ideia de Kdabra é boa em conceito – um drama serial (com mais cara de minissérie do que de seriado, o que não é problema), brincando com temas como mágica e paranormalidade, com uma atmosfera supostamente densa (por alguns segundos, breves segundos, me fez lembrar de Carnivale) e até um sentimento de que o seriado iria beber na fonte do realismo fantástico latino americano (aqui se esgotam meus conhecimento literários a título de comparação, mas fico com a impressão de que uma coisa não tem nada a ver com a outra e, se era pra ter, passou longe).
O problema de Kdabra é o mesmo da brasileira 9mm:São Paulo – são bons projetos, mal executados, que jogam na tela um monte de personagens estranhos, em lugares estranhos, sem nenhum contexto, e com uma edição tola e péssimos diálogos.
Alguém dirá que eu sou muito duro, porque a minha referência é a TV americana (e inglesa). Mas não é verdade. Repare que as experiências da HBO (Capadócia, Mandrake, Alice, Filhos do Carnaval, Epitafios), da Sony (Simuladores, e mesmo Los Caballeros Las Prefieren Brutas) e mesmo a da independente Impostores são mais felizes.
A questão é que se a Fox quer emplacar um projeto de TV latino-americana, ela está fazendo da forma errada. Ela tem que impor mais o padrão internacional Fox aos seus parceiros na região. Ela tem que fazer uma série latina que possa ser consumida globalmente. Regionalizar é bom, mas talvez fosse melhor ser universal antes.
A propósito, sempre mantive uma relação respeitosa com os profissionais da dublagem, mesmo ao longo de toda a minha cruzada contra o fato da Fox ter se transformado no Brasil numa espécie de canal de TV aberta. Mas começo a me dar conta que o problema não é só a Fox adotar a dublagem, mas economizar na dublagem. O trabalho da Sigma em Kdabra vergonhoso. Ele transformaram uma série que deveria ser de mistério em um melodrama vagabundo, com vozes excessivamente dramáticas. Kdabra é ruim, dublada é terrível. Clique aqui para continuar a leitura »