
Desde que eu reestruturei os “Destaques do Dia”, a transformando nesta coluna “O que vou assistir hoje na TV”, tenho pensado em escrever sobre The Vampire Diaries. Fiquei esperando por uma oportunidade para colocar a série em dia (estou ainda no 1×16). Não coloquei. E a hora é agora.
The Vampire Diaries é uma série difícil de criticar. Quer dizer, criticar é fácil. Dá facinho para fazer como a maioria dos meus colegas fizeram – descartar rapidamente, dizendo que é um típico lixo da CW.
A questão é quer por debaixo de todo o oportunismo de ser fazer uma série na onda de Crepúsculo, do melodrama teen romântico e das péssimas performances de Nina Dobrev, Paul Wesley e Steven R. McQueen (deixei o Ian Somerhalder de fora porque ele está um pouquinho acima da média) tem algumas coisas em Vampire Diaries que, se não merecem ser elogiadas, merecem ao menos um olhar mais aprofundado.
O fato é que Vampire Diaries foi o primeiro hit da The CW em quatro anos e ele fez isto não só apostando no óbvio, mas também correndo alguns riscos que nunca vi antes numa obra de ficção para TV. O fato de um dos protagonistas ser um “badass” é uma delas – eu fico espantando com as coisas que Damon já fez na série e como o roteiro seguidamente o coloca em situações que expõe o seu lado cruel, quando o mais óbvio seria humanizá-lo aos poucos, para aumentar a identificação do telespectador com o protagonista-vilão da série. Neste sentido The Vampire Diaries conseguiu realmente romper o padrão politicamente correto das séries da WB, com personagens imorais na tela (Gossip Girl também tenta ser imoral, mas com ela o recurso nunca funcionou direito).
É bacana também ver como a trama se desenvolve. Não tem episódio de enrolação em VD, os arcos são curtos, os cliffhangers se sucedem a cada episódio e a série vai sempre avançando (o mesmo não se pode dizer por exemplo de True Blood, que mesmo com temporadas mais curtas costuma ter episódios bem caídos de meio de temporada). E lá vão, vampiros e humanos morrendo ou saindo de cena com a mesma frequência com que outros vampiros e humanos aparecem a cada semana. Repare, esta noite teremos na Warner, às 21h, o 22º episódio da série (Founder’s Day, encerrando a primeira temporada), com o sentimento que assistimos histórias pra umas três temporadas.
The Vampire Diaries me irrita bastante. Especialmente por isto: em meio a tantos clichês e tanta asneira, é inegável que a série tem valor. Clique aqui para continuar a leitura »