
Luana Piovani, na pele da delegada Gabriela Guerreiro, faz uma operação policial numa mansão. Apesar de ser uma residência civil ela chega com uma metralhadora em mãos. Efetuada a prisão, ela lembra de ligar pro marido. Num diálogo bobo, ele avisa que ela tem reunião na escola das crianças, mas ela diz que não pode ir. Ele diz então que ela está perdoada se, quando voltar pra casa, fazer alguma sacanagem na cama (que obviamente não ouvimos, por conta do corte da edição). A cena encerra com uma frase de pornochanchada:
Ah, meu Deus do Céu, muito obrigado por este marido. Bom de casa, bom de cama!
A cena acima é de Na Forma da Lei, minissérie da rede Globo que estreou na última terça-feira (segundo episódio esta noite, às 22h55), e resume bem tudo o que eu tenho dizer sobre a produção: é um lixo.
Obviamente, ao fazer este juízo de valor eu me sujeito mais uma vez a retomar toda a discussão que já tivemos outras N vezes aqui no TeleSéries – quando Bruno Motta detonou Maysa, quando eu levantei os prós e contras de A Lei e o Crime e Força-Tarefa e malhei 9mm: São Paulo. Sempre tem um leitor (ou melhor, muitos) para acusar o TeleSéries de ser pró-Hollywood e que vê na crítica um sinal de desprezo com o que se produz no Brasil (e sempre tem aquele mais radical, que vê nisto um sinal de antipatriotismo). É uma crítica que chateia.
Obviamente, admito que sou apaixonado pela teledramaturgia norte-americana (e também inglesa, e também por algumas cosias que pintam do Canadá).
E, sempre que critico uma série brasileira, eu fico me perguntando, estou sendo duro demais?
A questão é que as pessoas pegam a parte pelo todo. Ninguém lembra do meu entusiasmo por Alice, o da Tati Leite por Ó Paí Ó ou o do Rafael Maia por Som e Fúria. Ninguém aqui está perseguindo as tentativas de se emplacar seriados de televisão no Brasil. Pelo contrário, todas as nossas críticas sempre tem esta coisa em comum: torcer para que as séries brasileiras acertem no alvo.
Na Forma da Lei, no entanto, é mais uma destas produções da primeira lista. Aliás, pior do que elas, porque não há aqui nada para se elogiar. Prometia ser uma produção inovadora, apostando em uma trama serializada (tipo Damages), com temática policial e jurídica (tipo Law & Order ou ainda Women’s Murder Club) e com toda uma atmosfera de vingança (o pessoal lembrou bem, ela remete a Reunion, o que é interessante porque Reunion era horrorosa e portanto parecia fácil fazer algo um pouco melhor).
O problema é que o texto de Antônio Calmon leva tudo na brincadeira, com diálogos de gibi. E Wolf Maia complementou com uma direção de telenovela, totalmente rasteira, e a produção toda embarcou na onda do maniqueísmo e do exagero – que chega ao ápice no penteado da Ângela Vieira.
Vejo que as pessoas estão elogiando o Luis Melo. É claro: em novela mexicana, o melhor é sempre o vilão. Clique aqui para continuar a leitura »