Perfeição. Esse é o significado de Danny Boy, décimo primeiro episódio (vulgo antepenúltimo) de One Tree Hill. Sabe o que é você chorar de soluçar? Pois é, a pessoa aqui chorou de soluçar. Quero nem ver dia 04 de abril, com o final. Mas não vamos sofrer por antecipação. O que acontece é que eu nunca imaginava que iria chorar em um episódio centrado em Dan Scott. Mais propriamente o último episódio do personagem. Dan Scott foi o grande vilão de One Tree Hill. Infernizou a vida de todos, sem exceção, durante quatro temporadas. Cometeu um dos atos mais odiados pelos fãs de One Tree Hill: matou Keith Scott, seu irmão. Entretanto, desde a quinta temporada vem procurando por uma redenção. Alguns fãs o perdoaram facilmente. Eu estou na leva que até semana passada, no 9×10, o odiava. Sim, o personagem nunca me desceu, nunca foi meu favorito, muito menos depois de matar um cara tão gente boa como Keith por ciúme, uma coisa tão fútil. Aliás, futilidade era o significado deste personagem. Por mim, Dan Scott poderia salvar mil vezes as pessoas, que mesmo assim, o seu sorriso deixava transparecer um ar de futilidade. Mas no episódio desta semana algo de diferente aconteceu.
O olhar de Dan Scott estava diferente, realmente diferente. O episódio desta semana começou exatamente onde parou o da semana passada. Dan havia levado um tiro do sequestrador de Nathan e agora teria que lutar por sua sobrevivência. Nathan e Julian o socorreram, correndo pelas ruas de Tree Hill com uma viatura da polícia. Ate aí foi angustiante, e logo de início vemos um flash com Lucas gritando: “Ele matou o Keith”, seguido por Karen cuspindo em direção ao vilão. Os três chegam ao hospital, e enquanto Dan entra na cirurgia, presenciamos uma das cenas mais aguardadas da temporada – Haley vê Nathan no corredor, depois de ser libertado do cativeiro: “- Hales”, ele disse. E todos choram quando Haley corre em direção a ele para um abraço, que foi sentido por todos nós, telespectadores. Foi foda.

No corredor ao lado, Brooke encontrava com Julian. Ambos atualizavam sobre suas últimas horas: Brooke havia sido atacada por Xavier e Julian estava salvando Nathan. Ambos estavam bem, mas todos preocupados em ver o desfecho dos Scott. Brooke, quando viu Nathan, também o abraçou muito. Todos se abraçaram. E merecia gente, ali era como se nós fãs nos abraçássemos, por estar tudo bem, e tudo ter terminado de forma tranquila para Nathan. Estávamos morrendo de medo que ele morresse. E tudo deu certo. Além disso tudo, Brooke se decepcionou com seu pai. Ele voltou para ver se a filha estava bem, mas na verdade tinha um interesse financeiro por trás disso. Logo depois de descobrir que ele queria vender a Baker Man, ela se chateou, tendo uma briga feia com ele. Ao que tudo indica o papa Davis não mudou em nada. Uma pena a nossa Brooke ficar tristinha assim. Mas as coisas provavelmente vão mudar na semana que vem, já que Julian disse ter achado um projeto para seu estúdio: fazer uma série de TV baseada no livro de Lucas “An Unkindness Ravens” que conta a história deles mesmos (tão Dawnson’s Creek ?)

Clay teve também uma boa participação neste episódio. Primeiramente, ao saber que Nathan estava salvo, ele e Quinn correram para o hospital. “- Cara, você descobriu que tem um filho?”, disse Nathan a Clay, enquanto estavam sentados juntos. Estavam ali, os dois amigos, se atualizando, e matando a saudade de uma amizade que cresceu nos últimos três anos do show. Entretanto, as principais cenas de Clay foram com Logan. O rapaz tentou se aproximar da criança, que ainda resistia, junto com os avós. A principio a negação foi grande, afinal isso deve mexer mesmo com a cabeça de uma criança de 6 anos de idade. Mas Clay foi conquistando-o, e neste episódio mesmo parece que ele finalmente conseguiu o que queria: se tornar o pai de seu filho.

Mas não tinha jeito, 80% do episódio foi mesmo centrado em Dan Scott. E tivemos muitas surpresas no decorrer deste episódio. Primeiro, que Jamie e Lydia retornam. Deb foi buscá-los na casa de Lucas e Peyton. Ali, no hospital, o neto não percebe que o avô está mal, e ainda torce pela recuperação. Mas Nathan conta para o filho a verdade, o que foi de doer o coração. A despedida de Jamie e Dan foi emocionante. Logo depois, Haley trouxe Lydia para se despedir, e Dan diz que esteve muito orgulhoso de tudo o que ela proporcionou a Nathan. Ali, ele lembrou a morte de Keith, e os dois se entendem, em meio a agradecimentos. Foi uma bonita cena.
Dan também se despediu de Deb, sua ex-mulher. Lembrei-me lá da segunda temporada, quando os dois ficavam trocando farpas e dividindo cenas cômicas. Lembrei-me também de Dan encontrando Keith e Deb, e de tantas outras cenas. Mas o bacana foi todos reconhecerem que Nathan estava ali, apenas porque Dan se arriscou para tirá-lo do cativeiro. Deb ressaltou muito bem isso. E Dan, em um ato de nobreza, diz para ela: “- Eu sei que você carrega a culpa pela morte do Keith, mas não carregue. Eu puxei o gatilho, não foi você”. E ainda houve um momento de piadinha: “Que tal mais umazinha, pelos velhos tempos?”.

Porém, as cenas de grande emoção foram as últimas. E digo isso porque foram elas que me fizeram chorar muito. Mas muito mesmo. Dan e Nathan tem sua última conversa. Ali, Nathan reconhece que passou muito tempo de sua vida o odiando, e Dan reconhece que não foi um bom pai. Ele explica o dia em que matou em Keith, e num olhar, chorando, diz que sentia muito, desde aquele dia. Sim, Dan Scott sentia muito, de verdade. O ator Paul Johansson deu um show de interpretação e nos transmitiu pelo olhar a sinceridade do contexto. Dan, cheio de morfina para confortar sua dor, imagina que esta com Nathan na Rivercout, e uma das últimas coisas que Nathan diz a Dan é: “ – Há muitas pessoas que você precisa dizer ‘me desculpa’, mas eu não sou uma delas. Não estaria aqui, se não fosse você. Minha carreira, minha família. Minha vida. Não importa o que tenha feito, você ainda é meu pai. Você é meu pai e eu te amo”. E chorando muito, Dan o responde: “Oh Nathan, eu te amo também”. E ali jogam um último jogo de basquete. “Sem marcar pontos”, disse Dan. Só por diversão. Quando ouvimos o coração de Dan parar de bater. Ele estava morto.

E quando achávamos que já havíamos chorado tudo o que tínhamos para chorar neste episódio, Mark Schawhn nos dá de presente uma coisa que ninguém imaginava. O retorno de Craig Sheffer, interpretando o nosso tão amado Keith Scott. Ali do mesmo jeito, que o personagem havia morrido na terceira temporada. “Oi Danny”, disse ele em seu tom suave inconfundível. E em uma sacada genial, Dan e Keith estavam ali, no corredor do Tree Hill High School, onde houve o suicidio de Jimmy Edwards e o assassinato de Keith. Os dois com a mesma roupa. E fiquei IMPRESSIONADO como o Craig estava praticamente a mesma pessoa de 6 anos atrás. Não envelheceu praticamente nada. E os dois tem um dos diálogos mais sensacionais da história de One Tree Hill: “Keith, se eu pudesse voltar atrás”, disse Dan, “Eu sinto muito”. E Keith, responde: “Ambos sabemos que você não pode voltar”. E, em um singelo gesto, Keith o perdoa por tudo: “Eu sei que você sente Danny, e eu te perdoo por tudo”. O criador Mark Schawhn parece que lê o pensamento do telespectador, e coloca na boca dos personagens aquilo que gostaríamos de indagar. Dan disse “Como pode me perdooar? Depois de tudo o que fiz?”. Keith simplesmente me convenceu com este diálogo: “Olha, Danny, você fez coisas horríveis, não pode mudar isso, e não pode voltar atrás. Desde então, fez tudo o que pode para compensar. Tornou-se um homem melhor. Você era perfeito. Mas ninguém é. E você aprendeu o que era importante. Aprendeu a colocar amigos e família em primeiro lugar, tornou-se a pessoa altruísta e bondosa que eu sempre quis como irmão”. Pronto. Eu já havia me convencido. E mesmo por tudo o que ele havia feito, eu como telespectador, havia me convencido de que ali, Dan Scott havia conseguido sua redenção de nós. E digo isso porque nós vimos que Keith o havia perdoado.

Foi realmente emocionante. Quem não chorou nestas cenas finais não tem coração. E não posso finalizar esta review sem repetir a frase que Keith disse para Jimmy no 3×16 antes de morrer, e disse exatamente para Dan neste episódio: “Eu disse que a voz estava errada. Melhora”. E Dan alcançou sua redenção. Boa noite Dan Scott. Mais uma despedida de um importante personagem de One Tree Hill. Este foi o último episódio de Paul Johansson, que presenciou uma tragédia – enquanto grava suas últimas cenas da série, sua mãe faleceu. Portanto, mais do que justo, o episódio ser dedicado a ela. “Em memória de Joanne Leone Johasson, 1936 – 2011”.

Antes de finalizar tudo, eu preciso ainda fazer uma nota sobre Lucas Scott. Vi muitas pessoas reclamando que Lucas não retornou neste episódio para perdoá-lo, e aí vamos aos esclarecimentos. Em minha opinião, eu não sei se agiria diferente de Lucas nesta situação. Keith Scott era como um pai para ele, e ter seu pai biológico como assassino dele deve ser realmente difícil. Seria difícil mesmo conceder este perdão. Chad Michael Murray até se dispôs a voltar, mas Mark Schawhn achou melhor não. Para ele o final de Lucas e Dan deveria ter sido este. Lucas não o perdoou.
Na semana que vem, temos o penúltimo episódio de One Tree Hill. Ele foi dirigido por Sophia Bush, e será centrado em Brooke. Será o último grande episódio desta tão amada personagem. Aliás, os últimos dois episódios serão leves e nostálgicos, com certeza. Terminados todos os dramas desta temporada, só temos que esperar o adeus. Semana que vem estamos aqui.
Ps: Mouth e Millie estão sumidos há alguns episódios. Creio que no próximo eles devam aparecer, e finalizar as suas histórias, assim como Chase e Chris Keller.
Ps2: Deve ter gente chorando até agora por causa deste episódio.
Ps3: Faltam dois episódios para o final (NÃÃÃÃÃÃO!)…