– Você acredita em destino?
– Claro que não. Ridículo.

Série: Bones
Episódio: The Prisioner in the Pipe
Temporada: 7ª
Número do Episódio: 7×07
Data de Exibição nos EUA: 02/04/2012
Todos vivos? Depois desse hiato gigante, só mesmo The Prisioner in the Pipe para (re)animar os fãs de Bones. O episódio marcou a volta da série e também a volta de muitos telespectadores que já não estavam mais nem aí para as aventuras de Booth e Brennan.
Isso mesmo, a paspalhice sem igual dos nossos queridos Super Poderosos irritou muita gente. Também pudera, quase seis anos de espera e B&B vão para a cama, juntos, na surdina da noite, e ninguém vê! E depois a gravidez, assim, do nada? Confesso que isso me incomodou muito, até perceber que o Criador realmente sabia o que estava fazendo. E sabe o que ele estava fazendo? Vou explicar direitinho nessa review.

O Caso
Um homem é jogado no esgoto e seus restos mortais vão parar no vaso sanitário, para o desprazer de uma garotinha. Não vou dizer que a premissa é a mais genial do mundo. Quem teve um dia uma coveira para lidar, o resto dos casos me cheiram a muito patifaria.
O suspeito tinha muito a cara de assassino, e o pouco que lembro do caso -pois sim, durante o episódio eu só via Bones, Booth e pensava no bebê -, nada me chamou muito a atenção. Já disse e repito, eles até que são criativos com as histórias dos mortos, mas cada vez mais os motivos para o assassinato são os mais bestas, e fico me perguntando o que esse crime poderia acrescentar para a vida dos personagens ou para a série.
NADA.
E se é ou tudo ou nada, eu prefiro o tudo. Quero assassinos com motivos. Sou dessas.
Os Squints
Fico imaginando. Se Bones fosse Revenge, eu mataria a Daisy. Se Bones fosse Fringe, eu mandaria a Daisy para outro universo. Se Bones fosse Game of Thrones, eu daria como sacrifício humano. Porque vou contar para vocês, que atriz/personagem irritante. Confesso que tenho vontade de socar alguém quando ela aparece na televisão. Portanto, se a ‘squint’ do dia for a senhorita Wick, passem bem longe de mim.
Hodgela estavam super apagados no episódio, apesar do entomologista conduzir quase todo o caso, senti que os dois estavam meio deslocados. E a Cam? Nem falo nada. A Cam só se justifica por causa da simpatia da Tamara.
Agora, se Sweets é um ‘squint’ eu já não sei, mas há tempos ele anda me irritando também. Será que depois de quatro anos ele ainda não cresceu? Transar no escritório da Bones e mentir para a doutora sobre o melhor lugar para o bebê nascer. Ah, se eu pudesse eu socava ele também.

Os casais
Parem de dar tempo no episódio para Daisy e Sweets! Quem liga para eles?
O foco do mundo estava voltado para a futura mamãe e o futuro papai babão. Cada dia mais lindos e recheados, o casal = agora oficial = visita hospitais, faz referência a sopas preferidas e à “nossa casa”. Discutem sobre religião e razões. Ah, Bones. Como você consegue ainda fazer isso? Bom, devemos em parte aos atores Emily Deschanel Hornsby e David Boreanaz por entenderem tão bem a química dos dois personagens.
Alguém percebeu que a dinâmica dos dois mudou? É sútil, mas está lá. O Booth olha para a Bones com um meio sorriso e os olhos cerrando, é como se ele pensasse “Deus, como eu quero bem”. Não é brega, é apenas verdadeiro. E aí você pensa, o que seria da série se não fosse esses dois?
A Emily tem encarnado um Bones menos confiante, mas atrapalhada. No começo achei estranho, mas pensem só? Ela perdeu a resistência e tornou-se ainda mais resiliente. É simplesmente um Brennan diferente. Quem não se desmanchou na cadeira quando ela disse, em um tom quase manhoso: “Eu quero ser legal”.
Bones cada vez mais crocrante.
The Prisioner in the Pipe
Um marco para a televisão. Não, não foi nem o melhor episódio de Bones, mas mesmo assim eu duvido muito que quem viu um dia vá esquecer as cenas do parto da Brennan. É aí que eu falo, Hart Hanson estava certo.
Em meus quase 20 e tantos anos de televisão, nunca vi um casal de série como esses dois. Sempre fui “shipper” de casais óbvios, que por muitas razões, acabavam não dando certo, ou se davam, a série logo acabava.
Sempre tive birra quando Hart e Stephen vinha com a conversa mole de que a série teria a maldição de A Gata e o Rato, e que até descobrirem um jeito de superar isso, B&B não seriam um casal. Mas ali estavam eles, em uma manjedora (eu vi o que você fez Hart), tendo um filho, às 4h47 da tarde. A Bones segurando firme no braço do companheiro, enquanto ele mantinha o foco, calma e emoção ao ajudá-la a ter a filha deles.

Há um mistério na vida.
Há 7 anos, a Fox resolveu investir mais uma vez no Boreanaz. Um tal Hart Hanson, criador de Joan of Arcadia, queria transformar os livros da Kathy Reichs em série, e no papel da protagonista, a desconhecida Emily Deschanel. Há um mistério na vida. E Bones tem uma vida própria.
Demos um drible na temida Maldição, e tudo por causa da gravidez da Emily Deschanel. O Hart queria que o início do namoro dos dois personagens não fosse o centro da série e por muito anos brincou com a possibilidade de vermos os dois juntos. Na sexta temporada, já cansado e nos cansando, ele resolveu dar um chance. Como? Colocando os dois embaixo dos lençóis de uma maneira inesperada.
Depois de algum tempo eu fui entender o porque. O platônico é o tipo do amor ideal, mas acaba quando se torna realidade. Gostamos dos joguinhos de sedução, mas temos medo de encarar o “vamos ver”. Se Bones tivesse trilhado esse caminho, seria bacana ver o primeiro beijo, a primeira transa, mas seria só isso, ficaríamos em uma espécie de ciclo pobre e vicioso de “primeiros”, até que um dia eles acabariam, e a série estaria fadada ao fim.
Temo uma oportunidade única de curtir Bones e Booth sendo pais, vivendo sob o mesmo teto e dividindo planos para o futuro. Eu estava errada, e cruelmente, Hart estava certo.

O mistério da vida está no rumo que as coisas tomaram depois que foi decido que Booth e Brennan seriam um casal. Ou teria ao menos dormido juntos no episódio The Hole in the Heart. A gravidez da Emily, que tomou os seis primeiros episódios da sétima temporada, fez com que o sonho de muitas pessoas se realizassem.
Vamos brincar de “Quem nunca? – Versão Bones”? Quem nunca prendeu a respiração quando a Brennan deu à luz? Quem nunca chorou ao relembrar o sofrimento que foi esperar os dois ficarem juntos? Quem nunca deu um sorriso bobo ai ver a pequena Christine nos braços da Angie? E quem nunca jurou que Bones já era e que ia ocupar o tempo com outro show? Quem nunca voltou atrás?
Ah, se eu acredito em destino? Tem como não acreditar?

Em nome de todos os fãs de Bones.
Welcome Stapes.
Tudo realmente acontece quando sonhamos.
PS. Não consigo parar de ouvir How Bad We Need Each Other do Marc Scibilia.Se puderem, prestem atenção na letra.