Como promessa é dívida, cá estou eu. Escrevendo essa review ainda no calor do momento – e que calor, e que momento – para dizer que Always foi um ótimo episódio. Que apesar de tratar do “plot principal” da morte de Johanna Beckett, o fez sob outro ângulo. É claro que a investigação foi mostrada, e o caso era instigante e interessante, afinal todos queríamos descobrir a identidade de quem ousou mandar uma bala no peito de Kate. Mas o episódio foi muito mais sobre a detetive aceitando seguir adiante, aceitando suas limitações frente ao poder do “lado do mal”. E dando novo peso para as coisas da sua vida. Kate Beckett não é mais uma mulher presa ao passado – todas pira!
Mas, antes de falar do episódio em si, preciso falar – rapidamente, prometo – dessa quarta temporada. Não foi uma nem duas vezes que vocês me “ouviram” reclamando, dizendo que as coisas estavam lentas, que histórias estavam sendo requentadas. Que essa 4ª temporada não era tudo aquilo que tinha sido a 3ª. E depois da exibição de Always, tenho certeza que muitos de vocês pensaram “pagou com a língua” ou “vai ter que se retratar”. Continuo pensando que a 4ª temporada poderia ter sido bem melhor que foi. Que alguns casos foram muito desinteressantes, para o padrão Castle. Que houve excesso de enrolação, sim – embora agora, olhando para trás, eu consiga entender um pouco melhor o andor lento da carroça. E episódios brilhantes, como Rise, Cops & Robbers, Kill Shot e Always não mudam isso.

Sei que vocês estão pensando “como ela é chata”. E sou mesmo. E além disso, exigente. E mimada por Castle. Porque as 3 primeiras temporadas foram ótimas, e vieram num crescente lindo. E, pra mim, a 3ª foi a melhor delas. Eu esperava que a 4ª temporada elevasse tudo isso à enésima potência, e o fato da ABC promover lindamente suas séries não me ajudou muito (seus trolls, parem de fazer promos lindas e mirabolantes, ou sites que são mentirosos). Criei expectativas e muitas vezes não recebi o que esperava. Problema meu, é óbvio. Mas como escrevo pra vocês, prefiro deixar tudo bem claro. Isso significa que não curti a 4ª temporada? Longe disso, continuo gostando de Castle, e muito. Continuo achando os casos consistentes, rindo e chorando com o show. E, obviamente, shippando, e me contentando com as migalhas que prometi varrer para o lixo.
Quer dizer, eu me contentava com migalhas. Por que o que tivemos em Always foi um lauto banquete. Não tem como reclamar do andamento que a história teve no episódio. Inclusive, como já vinha falando nas últimas reviews, acho que o “rompimento” da dupla serviu muito bem para dar a chacoalhada que as coisas precisavam, mudar a dinâmica que estava enraizada na mesmice. Castle e Beckett foram até o fundo do poço (exagerada sou eu). Mas eis que lá, inteligentemente, tinha uma corda com nós (porque se fosse uma mola ou uma escada, a subida seria muito fácil e pouco emocionante). E os dois foram escalandos, ora solo, ora juntos. Na subida, as feridas se abriram. E doeram. E todo esse processo fez com que quando eles sairam do poço, as coisas não fossem mais as mesmas. As cicatrizes do processo os modificaram, os amadureceram. E os deixaram prontos para dizer aquilo que deveria ser dito e, sobretudo, para serem um casal – ainda que por uma noite.
E foi magnífico ver o encerramento do processo da Beckett. Ela saiu de um universo no qual resolver a morte da mãe era a coisa mais importante, ainda que sem ter uma vida, propriamente dita; para outro no qual ela quer viver, em plenitude. Ela compreendeu a importância de Castle na vida dela. A magnitude dos sentimentos – do amor companheiro, porém quente, de Rick; do amor urgente, represado, dela. E ela escolheu ter isso na sua vida. Porque sem isso nada mais teria sentido – nem mesmo a resolução do crime. É muita coisa, não é? Muita mudança. As palavras de Alexis, que também vive um processo de transição e reavaliação de prioridades, foram perfeitas para o momento de Kate. Coroaram a linda cena da detetive decidindo que nada mais daquilo importava mais. Porque quando a pessoa está pendurada em um prédio e só pensa em ficar com a pessoa amada, alguma atitude precisa ser tomada. E ela foi.

Foi de cortar o coração ver Kate voltando sozinha – e na chuva – nos balanços que ela frequentou com Rick. Castle foi duro com ela, talvez como devesse ter sido há muito tempo. Mas dizem por aí que o amor tudo revela, e praticamente tudo perdoa. Só não suporta ver o processo de “morte” da pessoa amada. Foi demais para Castle. E foi demais para Beckett. Porque ela só conseguia suportar esse processo todo em razão de dividí-lo com o escritor. Por isso a urgência no “invadir” o apartamento de Castle, se desculpando e o beijando. Por que ali ela deu vazão a um sentimento há muito represado. O muro caiu e as águas fluiram. Rolaram, invadiram, inundaram.

E nem aquela fechada de porta nervosa foi capaz de impedir o tsunami que viria a seguir. Parabéns aos atores e à produção pela cena. Ficou nada menos que perfeita. Linda mesmo. Esteticamente, inclusive. Ficou bem quente, mas não apelativa. Ficou fofa – e a pegada de mãos deixou claro que é paixão, mas também é amor. Espero que vejamos mais 200 milhões de cenas como essa, na série. Repitam esse plot, produtores. Prometo não reclamar.
Agora a dúvida que fica é sobre como as coisas se desenvolverão, a partir daí. Eu achava que eles se tornariam um casal, mas logo romperiam, já que o segredo de Castle viria a tona. Mas Kate já sabe e, como ela mesma disse, nada disso importa mais. Então, aposto que o início da próxima temporada mostrará eles tentando achar o tom do relacionamento. Óbvio que nem tudo serão flores, haverá tensão de sobra. Mas creio que teremos nosso shipper como casal, pelo menos por um tempo. E nos deleitaremos com inúmeros momentos entre eles.
Pronto, eu poderia parar por aqui e creio que ninguém reclamaria. Mas pra ninguém pensar que esqueci de um pedaço do episódio, vamos dar uma comentadinha sobre o caso.

Houve pouca evolução, apenas a identidade do atirador foi descoberta. E teve aquele cliffhanger com a possível morte do tiozinho amigo do Castle (só consigo pensar nele assim), que deixou todo mundo de coração na mão, já que Beckett ficaria bem desprotegida caso ele morra. Aí, vai ser tudo com Castle mesmo – e com Javi e Ryan (to com dó dele, ainda), óbvio). Mas acho que a proposta de Always não era evoluir muito na história, mesmo. Mas sim mostrar a reação de Beckett à ela. Propósito completamente diferente de Knockout, por exemplo. Portanto, duas grandes season finales, muito diferentes entre si, embora parecidas.
Pra próxima temporada, a promessa que o pai de Castle será introduzido na história. Ele deve estar ligado de alguma forma à morte de Johanna, ou a manutenção da vida de Beckett. Não consigo pensar nesse plot de outra forma, a não ser que comecem a introduzir um novo caminho dentro do seriado e não foquem apenas nesse drama misterioso. Ainda não sei o que pensar.
Mas terei cerca de quatro meses para isso. Outro hiato chegou, e com ele a saudade e o questionamento “o que farei 4 meses sem Castle?”. Rever, re-surtar, re-teorizar. Criar novas teorias. Fazer tudo isso de novo. E aguardar, ansiosamente, a liberação do material promocional da 5ª temporada. Quando menos esperarmos será dia de season premiere, que continuará de onde Always parou. Até lá, nos “vemos” pelas redes sociais. Obrigada pela companhia, pela audiência. E que venha a próxima temporada.

P.S.1: esse P.S. foi só pra justificar o uso da imagem acima. Foi mal!