Essa que vos escreve, imperdoavelmente, atrasou as review de Game of Thrones. Então, Valar Morghulis terá a honra de dividir esses breves comentários com Blackwater, que foi um episódio daqueles. Pode-se dizer que a dupla de episódios nos proporcionou duas horas de qualidade e boas histórias, que fecharam bem esse segundo ano da grande produção televisiva da HBO.
Mas antes de falar dos episódios em si, preciso dizer que achei, em termos gerais, a 1ª temporada melhor que essa segunda. Mas isso não significa que a 2ª tenha sido ruim, longe disso. Foi boa, boa demais. Mas ela não contou com os elementos ‘surpresa’ e ‘estreia’, que acompanharam sua antecessora. As críticas à adaptação do 2º livro também foram maiores, já que a obra televisiva se afastou um bocadinho da literária, o que não tinha acontecido até agora. O temor, segundo me consta, é que as pequenas modificações feitas agora – muitas delas necessárias ao bom andamento do seriado, diga-se de passagem – possam resultar em alteração drástica nos rumos futuros.
É fato que a 1ª temporada foi mais cheia de surpresas e reviravoltas. Mas essa segunda temporada foi sólida o bastante por nos fazer clamar aos Deuses – os antigos e os novos – pela chegada da 3ª temporada. Mais uma vez, uma longa espera nos aguarda. Só nos resta torcer pra que a próxima temporada chegue logo, e que com ela venha o inverno.
Mas há que ser dito, com absoluta certeza, que Game of Thrones se manteve, na 2ª temporada, como uma das melhores séries em exibição, com uma das melhores produções. E, certamente, continua sendo uma obra magnificamente adaptada.

E Blackwater é um exemplo disso. Foi o homem – sim, o próprio Martin – que escreveu o episódio. E conseguiu deixar a coisa toda tão redondinha que rendeu ótimas cenas, resultando naquele que é um dos melhores episódios de Game of Thrones.
As cenas de batalha foram bem gravadas, de forma que os recursos ‘limitados’ da produção não ficaram evidenciados – filmar batalhas sempre custa muito caro. E as histórias foram mais que bacanas. Cersei e Tiryon deram um show. A ‘Rainha’ completamente transloucada, mais humanizada em razão do medo. Uma personagem mais palatável, eu diria. E Tyrion, nosso adorado e venerado Meio-Homem, que se mostrou mais bravo do que os “homens inteiros” e liderou as tropas para a vitória de Porto Real. Bem feito, Stanis. Muito bem feito – só lamento a morte do Cavaleiro das Cebolas (que se foi cedo demais, na minha opinião. Por que a bitch de vermelho não embarcou no navio, Senhor da Luz?), na cena lindona do fogo vivo.
E o tratamento dado a Tyrion foi uma das coisas que mais fez doer meu coração, em Valar Morghulis. Depois de tudo que ele fez, Cersei e Joffrey deram mais uma prova que gratidão não é o seu forte e jogaram o pequenino numa “cela”. Sorte que a Shae é bacana demais, e que ela ama mesmo o anão – creio eu. Se não fosse ela, Tyrion seria o cordeiro no meio dos leões, e do Meistre, que se divertiu à beça com o “castigo” imposto ao anão.
Enquanto Tyrion amargava o esquecimento Real, Joffrey distribuia honrarias. Tywin – que não recolhe os dejetos de seu animal do chão – é a nova Mão do Rei, e Protetor do Reino (totalmente injusto o velho ter levado os louros pela vitória. Mas o mundo não é justo mesmo, então…). O ardiloso Mindinho é o novo dono de Harrenhal – rolou um momento “quero ser seu dono” com Sansa, também. E Margaery (tadinho do Loras, vocês viram o sofrimento dele ao falar do Renly?) é a nova noiva de Joffrey – agora entendi o desejo dela em ser A Rainha -, liberado pelos deuses de seu compromisso com a sonsa Sansa, que insiste que Porto Real é seu lar.
E por falar em lar, alguém mais teve muita pena de Rickon e Bran? Os menininhos perderam tudo, e acabaram tendo que deixar Winterfell para trás. As palavras do insano Theon Greyjoy viraram pó, assim como a fortaleza, que deixou de ser eterna. Agora, os pequeninos Stark partem rumo ao Norte, para encontrar Snow, sem imaginar o quão ao Norte ele está.

Lar que também é a obsessão da khaleesi. E essa obsessão que fez a loirinha triunfar na Casa dos Imortais. Cenas instigantes, bonitas. E nem preciso dizer que adorei ver Drogo, depois de uma temporada inteirinha. Eu sabia que ele voltaria do mundo dos mortos, mais cedo ou mais tarde, ainda que só em sonho. Os dragõezinhos de Dany estão crescendo, e já cospem fogo – muito medo do que Dracarys fará quando crescer. No final das contas, a loirinha ficou livre, deu à Xaros o que ele merecia, e ainda conseguiu um pouco de ouro. Na terceira temporada devemos acompanhar a saga de Daenerys para cruzar o mar, em busca do trono de ferro.
E por falar em trono, Robb arriscou o seu. O coração do Rei do Norte falou mais alto – assim como o ressentimento com a mãe pela ‘fuga’ de Jaime – e ele casou com a enfermeirazinha. A palavra dada aos Frey foi violada, e certamente haverá consequeêcias disso, no Norte. O mais provável é que as alianças se enfraquecem e, consequentemente, os exércitos nortenhos seguirão pelo mesmo caminho. Ou seja, problemas e ação – oba – de sobra.

Arya continua em fuga. E Jaqen agora é Morghulis, com direito a cara nova e tudo – será que o veremos novamente? Espero que sim! – Fico pensando nas peripécias de Arya em Bravos… e me deu uma saudade do “professor de dança”. Para onde a esperta Stark irá, só o futuro dirá. Mas espero que sua jornada seja longa e próspera, e que, eventualmente, ela cruze com Tywin novamente.
E por falar em jornada, interessante está sendo a de Jaime e Brienne. Gosto da interação deles, essa mistura de momentos quase ternos de compreensão com outros mais brutais e sarcásticos. E Jaime faz um pouco as vezes de telespectador, já que pergunta à “moçoila” tudo aquilo que queremos saber. Como será o restante da jornada deles até Porto Real? Muitos homens perderão suas vidas pelo caminho? Creio que sim, porque com Brienne não tem moleza. E acredito que quando ela e Jaime finalmente se enfrentarem – se é que isso irá acontecer – não restará pedra sobre pedra.
Snow tá cada vez mais longe de “casa”, e contou com a ajuda de Qhorin para ganhar a confiança dos selvagens. Acabou matando o lendário patrulheiro, e Ygrite ficou bem impressionadinha. No final das contas, os selvagens são mais organizados do que se pensava, e Jon chegou no “QG” nos caras. E ele vai conhecer o famoso e temido Rei além da Muralha, desertor da Patrulha da Noite. Vai ser legal? Sim ou claro? A propósito, espero MUITO que na próxima temporada a jornada de Snow seja mais bacana e cheia de elementos surpresa. E espero que o mesmo ocorra com a trama de Daenerys.

No final do episódio, o impactante gancho para a próxima temporada: as três trombetas soaram – seriam do apocalipse? Os white walkers apareceram, em bando. Bando mesmo. Com suas aparências sombrias, assustadoras e gélidas. Quero só ver o que acontecerá quando eles cruzarem a muralha. A guerra contra as criaturas colocará Lannisters, Baratheons e Starks lado a lado, combatendo um inimigo em comum? Creio que sim. E mal posso esperar por esse dia. Por que o inverno, finalmente, chegou.
Pena que teremos que esperar cerca de um ano para nos embrenhar nele!
Agradeço a companhia de vocês por aqui, em mais Game of Thrones. Quando o inverno chegar, venham para a fogueira do TeleSéries. Estarei por aqui!