Na estrada. Assim se passa o episódio oito da segunda temporada de Falling Skies. Sem cenas de ação, Death March se baseia principalmente no diálogo e na condução do mistério sobre a história de alguns personagens. Quem ganhou a vez foi Tector que aparece como um dos personagens principais desse episódio junto com Weaver.
As cenas do batedor e do capitão da 2nd Mass envolvem um bom trabalho de diálogo. De novo o sentimentalismo de Weaver fica muito evidente. Ele se importa cada vez mais com cada membro da 2nd Mass e sabe lidar com cada pessoa de uma forma diferente. O modo que ele consegue fazer Tector se abrir pende para o engraçado se tratando de Weaver, mas funciona.

A divulgação desse episódio anunciava que os espectadores conheceriam um segredo do batedor. Acabei achando que a história dele funciona e impacta (principalmente nos Estados Unidos), mas achei meio batida. Esperava uma história mais criativa para o Tector. No entanto, vale ressaltar novamente que a história de veterano do exército traumatizado no Afeganistão tem uma apelação sentimental muito forte.
Outra história que esperei que fosse mais impactante foi a de Maggie. Quase achei que ela tinha feito mudança de sexo de tanto que o Pope assustou a guria dizendo que Hal iria descobrir quem ela era e o quê ela era. Pelo menos o menino Mason não ficou apavorado com o passado de Maggie, isso sim seria um exagerado em plena guerra com alienígenas. Deu pra rir de Pope perguntando se Maggie iria fazer uns “masonzinhos” quando eles chegassem em “Chucktown”

Enquanto Charleston não chega Falling Skies está gostando de matar alguém a cada episódio. Dessa vez foi um dos pacientes do ônibus-hospital de Anne. Tudo acaba afetando a coitadinha da Lourdes, tomara que Charleston traga algo de bom para essa menina. Ela ainda sente falta de Jamil e agora se apegou até nas ferramentas dele. É de dar dó. A esperança está tão grande na 2nd Mass que Matt, com apenas nove anos, até já fez um testamento. Fiquei na curiosidade de saber o que ele tinha pra deixar de testamento. Tive que rir do pequeno Mason.
Realmente a realidade do mundo de Falling Skies não é inspiradora para uma criança. Matt sente falta de amigos e se empolga quando Weaver e Tector atropelam uma menina. Mas a criança tinha um arreio nas costas, já estava bem transformada, com características semelhantes aos skitters, as unhas pontudas e não respondendo mais como humana. A coisa querida do Matt ainda foi tentar ficar amigo dela depois de ter feito o próprio testamento. Outro que recaiu no sentimentalismo foi o “Weaver Coração Mole” que só sentiu a menininha apertando a mão dele e já concordou que ela viajasse com o comboio.

Já o Mason pai ficou meio escanteado neste episódio, participando mais das cenas junto a Anne dentro do ônibus. A hora era de Weaver e Tector. O episódio girou tanto em torno deles que espero que a história do batedor seja melhor desenrolada nos dois últimos episódios da série. Tector provavelmente deve virar uma das vozes fortes de comando, junto com Weaver e Tom.
De qualquer forma as conversas de Tector e do capitão da 2nd Mass já funcionaram no final do episódio. Foi Tector que fez Weaver se manifestar ao resto do comboio após terem encontrado Charleston destruída. O capitão não decepcionou, puxou um otimismo sei lá eu da onde, deu tiro pra cima e fez discurso de “vamos em frente”. E foi esse tiro que chamou a atenção da patrulha do coronel Jim Porter, do Primeiro Exército Continental da nova capital dos Estados Unidos: Charleston, Carolina do Sul.

A cidade enganou direitinho, a visão de destruição por todos os lados não permitiu mais a esperança de se encontrar vida humana. O episódio poderia terminar por ali e deixar todo mundo se perguntando o que a 2nd Mass faria a partir daquele momento. Mas o desenrolar de Tector e Weaver foi fundamental para dar uma razão a tanta conversa durante o episódio. A ideia também é boa, Charleston ficou camuflada pela destruição e assim se esconde mais facilmente dos alienígenas.
Ficamos na curiosidade de conhecer como é a nova capital dos Estados Unidos, onde até temos plantações de morango. Estou quase começando a acreditar nos clubes de strip-tease e parques temáticos que Pope satirizou que encontrariam em Charleston. Tom, por outro lado, virou o moço da publicidade. Porter já afirmou que a fama dele chegou antes na nova capital. Sim, todo skitter quer um pedacinho de um Mason.

Death March foi um dos episódios mais devagares de Falling Skies até agora. Apesar de finalmente chegarem a Charleston, a cidade ainda não foi apresentada, não tivemos nenhuma cena de ação e o enredo se baseou na força das histórias pessoais um tanto fracas de alguns personagens. Acredito que Tector e Maggie podiam render histórias bem mais criativas e instigantes sobre o passado de cada um. Assim, essa parte emocional de Falling Skies ainda não consegue segurar o barco da série sozinha, talvez possam fazer mais sentido nos dois episódios finais. Por outro lado, esteticamente achei um dos episódios mais bem trabalhados até agora em Falling Skies. Os diálogos de Weaver e Tector foram bons, mas que faltou um skitter sendo explodido com um tiro na cabeça, isso faltou.