“Há um método nessa loucura”. Você pode até não saber, mas essa frase do dramaturgo Shakespeare faz todo sentido em Bones. Por mais sem sentido que algo possa parecer, há um sentido, um padrão, uma equação e um resultado.
Há realmente um método no modo de fazer a série, o que não é ruim, mas também não é tão bom assim. O método é o formato da série, o que nos faz reconhecer a história. É o que dá a cara do seriado. Quando se foge do método, ou temos um grande episódio ou algo completamente desprezável O método diminui os risco, mas o que eu me pergunto é se seguir esse método à risca é uma boa opção. Até quando os roteiristas vão ficar preenchendo receitas de bolo?
The Method in the Madness está longe de ser um episódio ruim. Keith Foglesong fez um ótimo trabalho completando as lacunas, e eu, que tanto critico os roteiristas da série, me vi gostando da história, amarradinha como deve ser. O problema é que a série tem a competência para ser muito mais do que normal, ela pode ser extraordinária. E é justamente esse tempero que está faltando. O risco.
Após quase um mês de hiato por causa do campeonato de beisebol americano, Bones nos apresenta um episódio bem feito, no máximo divertido, mas passou longe da empolgação que uma boa série de drama investigativo deve ter. Talvez fosse isso, o método “dramédia” sendo aplicado ao extremo. Faltou um pouco de paixão.
Mas vamos aos altos e baixos!

Altos
Como eu disse? O episódio foi bem amarradinho. Keith Foglesong é um ótimo contador de histórias. Para quem não lembra, foi dele The Pinocchio in the Planter, na reta final da sexta temporada. Ele também assinou o roteiro de quase toda a sétima temporada. Isso fez dele um bom conhecedor da série. Você percebe isso nos detalhes.
Esse é o episódio 147, já imaginou o que é fazer esse tanto de aberturas para a série? Mesmo assim, a criatividade reina na hora de encontrar o pobre cadáver. Lixeiros cantores de ópera? Eu ri com o diálogo absurdo entre os dois. Mas até nos empregos mais insalubres, há de se encontrar um pouco de diversão.
É isso que sempre vejo na equipe do Jeffersonian. Hodgins e Brennan são sempre os mais empolgados. A Cam é muito cuidadosa. Adorei a cena deles mentindo para a Angie sobre as condições do assassinato da vítima, e a chefe com dó a desenhista por causa da reconstrução do rosto.
Foi adorável ver a Brennan interpretando os motivos da “mentira” para a Angela. Isso mostra que ela tem aprendido a vivenciar mais o mundo. Mesmo assim, ela ainda enche todos com os fatos antropológicos. É a Brennan sendo a Brennan.
Fisher nunca foi o squintern preferido de ninguém. Acredito. Mas, nesse episódio, ele foi muito bem aproveitado. O tom macabro da investigação casou muito bem com o humor mórbido. Foi divertido de assistir ele se divertindo, ao menos uma vez, com os ossos e vísceras em suas mãos.
Gostei também da “aposta” sobre a permanência do Sweets na casa de B&B. Pena que a Angela está ganhando até o momento. Gostei da angústia da Angela e do questionamento sobre suas prioridade. Sinto o início de um belo drama para a Montenegro.

Baixos
Não acho realmente que B&B precisam mostrar afeições em público toda hora. Uma relação adulta não é assim. Mas carinho entre quatro paredes, por favor! Por favor! Os dois merecem isso. Sei que um olhar deles é bem mais intenso do que uma rapidinha no banheiro, mas é que já está na hora, ok? Vou desenterrar o Sully e Loira Vagabunda Nº 3 só para lembrar que é possível escrever cenas de amor na série.
Passado isso. Também fico descontente com a falta de aproveitamento das “crianças” de Bones. O pobre Parker foi exilado! Vincent agora é só uma lembrança. Christine então, quando aparece, não faz diferença alguma.
Tenho uma amiga que é louca para ver um dos rebentos sequestrados por um serial killer sanguinolento. Começo a gostar da ideia. Angústia, angústia!
O caso foi chato, a investigação foi intrigante, mas estava na cara que era a ruiva! Na cara! A dinâmica me lembrou um pouco o episódio do Chupacabras. Enfim, enfim.
Sempre reclamo e sempre vou reclamar dos motivos dos crimes. Acidentes, brigas, vingança. Já está tão batido. E o pior! Não consigo ver motivos nos motivos! Bones brinca muito com o valor da vida humana. Ossos são ossos, certo? Não, nem tanto. Ossos tiveram alma, vida, história. Por que então que os casos são tão rasos? É algo para se pensar.
Casais
Sinto falta dos casais de Bones. Só o que digo.

The Method in the Madness
Três estrelinhas para o episódio, pela disciplina e conhecimento de causa. São três estrelinhas pelo bom roteiro, pela interação da turma, e pela dancinha hilária da Brennan. “Não entendo o porquê que meus amigos não apreciavam meus passos de danças na escola?” Nem nós, Bones. Você é natural. Mal posso esperar por um certo episódio em janeiro!
Não consegui encaixar o Sweets nos Altos e Baixos do episódio! Simplesmente não gosto nem desgosto dele. O fato é que ele tem ganhado um tempo de tela considerável, e eu prefiro esse tempo sendo usado pela Angela, Cam, Hodgins ou qualquer outro. Nâo vi sentido na história do Sweets se mudar para a casa de B&B, não acrescentou nada para a trama. Até o momento, não consigo ver nada de bom. Além do que, qual é o drama de ele ter acabado o namoro? Isso acontece o tempo todo. E foi ele quem acabou.
Como a história do psicólogo foi a principal do episódio, culpo ele pela falta de brilhantismo no roteiro. Mas a cena final será sempre lembrada, então não posso dizer que foi um episódio descartável. Posso entrar na campanha “B&B na banheira”? Porque sim, nós podemos!
Melhor Cena

Precisa explicar? Precisa dizer que ela tem um jeito especial de ser especial? De perder a vergonha e se jogar na brincadeira? Não, né? Ah, se alguém estiver a fim de dançar livremente como a Brennan, a música que tocou no final do episódio foi 20th Century Boy do T. Rex.
Então, pessoal, quantas estrelinhas Bones merece essa semana? Também sentem um pouco como eu? O que será que Os Poderosos podem fazer para deixar o show mais atraente?
Até semana que vem! Vejo vocês, Boneheads, no purgatório!