O amor machuca. Não, aqui não estamos tentando construir a letra do mais novo hit da melhor banda de todos os tempos da última semana. O amor machuca e fere até mesmo um serial killer. Talvez seja esta a verdadeira dor em que acreditam Joe Carroll e seus seguidores. Todo o resto é apenas encenação, um trecho de um livro, umas palavras perdidas que talvez tenham algum significado, talvez não. Em Love Hurts, The Following produziu novamente um capítulo caprichoso de uma história que pode mudar de rumo a cada episódio, cada página de livro, cada cena, cada morte.
A busca pelo amor de Claire ainda é o centro do que move The Following. Apesar desse fato ficar mascarado pelas mortes, a seita, adorações, sacrifícios, histórias e até pela captura de um grupo de serial killers pelo FBI. Enquanto a força policial não se der conta de que a seita de Carroll é muito mais que um grupo de assassinos reunidos, o rato vai continuar fugindo do gato e fazendo a festa pela casa. Os súditos de Joe não são apenas assassinos, são pessoas problemáticas que realmente acreditam que fazer todo o possível para participar da história de Joe é o que basta para que suas vidas tenham algum significado. Eles são capazes de tudo e esse tudo é muito mais abrangente do que o FBI está acostumado a lidar.

Enquanto a burocracia segue atrapalhando o trabalho de Ryan, o ex-agente é beneficiado pela ligação dele com Joe, tanto a ligação que faz os dois serem o centro do que acontece com a série, quanto a ligação que Carroll faz para Ryan em Love Hurts. Joe questiona a saúde de Mike, Ryan diz que sente muito pelas mortes dos homens de Carroll. A acidez de Ryan diverte, a frieza de Carroll sobre a morte de seus “amigos” dá medo: “Tudo bem, tenho mais deles”.
Quanto mais seguidores Joe consegue reunir junto dele, mais mortes significativas são apresentadas na série. Depois de Charlie, Love Hurts traz as mortes de Paul e Louise, dois potenciais seguidores de Joe, mas que acabaram mortos no nono episódio dessa primeira temporada. Mais uma característica significativa da série, The Following não poupa os personagens de mortes prematuras. Os seguidores de Joe realmente acreditam que estão tornando suas vidas significativas quando morrem e matam por Carroll. Curiosamente, as mortes de seguidores como Charlie, Louise e Paul tornam-se significativos para o contexto do seriado.

A história do capítulo da nervosa e angustiada fã de Carroll, Amanda Porter, foi também significativa. Tentar atingir Claire e Ryan indo atrás de outras mulheres que também têm o nome Claire Matthews foi assustador. Principalmente porque na história do seriado existem 87 Claire Matthews nos Estados Unidos, 14 no Estado da Virgínia e 5 que residem em Richmond, incluindo a original, a ex de Carroll e amor de Ryan.
A perseguição pela última Claire Matthews foi um bom momento do episódio, apesar do clichê de uma possível vítima de assassinato resolver comparecer a uma festa de máscaras ao ar livre e deixar o celular em casa. O que vem se tornando repetitivo é a captura dos seguidores de Carroll. Desta vez foi Amanda, e se ela seguir o ritmo de seus coleguinhas, quando foi interrogada no quartel general vai aceitar falar somente com Ryan, e em algum momento ela vai dar um jeito de morrer e dizer que isso aconteceu por causa dele.

Mas nada fica mais estranho que a vida amorosa de Emma. Roderick falando que cada um possui uma área cinza e usando como exemplo a situação de Emma foi até cômico. Emma dormiu com Joe, que ama a sua esposa, mas Emma também tem um namorado e esse namorado também tem um namorado. Foi hilário. O ciúme que Emma tem de Joe é esperado, e chega a ser divertido como ele a usa e logo depois foge dela. A chegada de Jacob, com a cara que ele chegou, promete muito em The Following. Principalmente agora em que ele finalmente se tornou um assassino.
Roderick também deve desenvolver mais no próximo episódio. Em Love Hurts Emma questionou como ele conseguiu se tornar xerife da cidade e Roderick esteve especulando o caso de Emma e Joe. Com a morte de Louise, o braço direito de Carroll estará ainda mais sozinho e pode deixar transparecer um ciúme, que às vezes parece ter de Joe, ou entrar na roda de Emma, quem duvida?
Jacob chegou no quartel general de Carroll sozinho e transtornado. A cena mais forte do episódio foi a morte de Paul. A trilha sonora foi perfeita, Jacob se tornou um assassino e as circunstâncias da morte de Paul quase fazem o espectador entender o lado de um seguidor de Carroll, sobre o que é significar alguma coisa. Com certeza, a cena, o ato, o amor entre os dois e até mesmo a sina doentia por assassinato e morte deixou tudo muito significativo. Fica difícil imaginar a mãe e o pai de Jacob encontrando o corpo de Paul no sofá da sala, um homem assassinado pelo próprio filho enquanto dizia “eu te amo”.

Love Hurts de certa forma teve um “final feliz” como Amanda programou por tanto tempo em seu capítulo. Ryan conseguiu salvar a vida da xará do seu amor, Claire Matthews. O herói da história de Carroll teve um ponto a seu favor, mas a saudade que sente de Claire o machuca e Joe brincou com isso.
Ryan é um bom herói. Umas das coisas que mais gosto em The Following é que os heróis, normalmente Ryan e Mike, realmente atiram para matar, e não ficam acreditando que os vilões vão se entregar ou que eles não vão acertar o tiro. Eles atiram e matam, simples assim. A morte de Louise é um exemplo.
The Following não tem mais números, notas, estrelinhas. Fica difícil medir o nível em que a série chegou. Se o episódio apresenta alguns deslizes podemos diminuir um pouco a nota. Do contrário, só é possível seguir a classificação máxima para mostrar o quanto a estreia da série conseguiu ser significativa para os fãs do gênero. The Following é uma das melhores estreias dos últimos anos. Dizer só isso já é significado suficiente.