Desde que me instalei no quarto de número 12, na extremidade do “L” do Bates Motel, percebi que tinha uma vista privilegiada. Minha janela ficava de frente para a casa principal, que o Norman e Norma dividem, ali no alto da colina, e eu tratei logo de espreitar pelas vidraças – com as portas trancadas, é claro.
Logo nos primeiros dias, um rapaz loiro e de estatura média apareceu bem cedinho e apertou a campainha da casa principal freneticamente! Gostei dele, porque, como a gente diz, ele “chegou chegando”, fazendo escândalos, se anunciando. Mais tarde, descobri que ele era o filho mais velho da Norma, Dylan, parece que os dois não se dão muito bem. E a cara dela recebê-lo foi impagável, ela não fingiu alegria ao vê-lo, não se esforçou o mínimo que fosse. Que mãe, hein?

Dali, ele seguiu para um bar de strippers e mostrou que as olheiras no rosto (a equipe de maquiagem da série arrasou) não estão ali por acaso. Devo confessar que me afeiçoei ao rapaz. Talvez, eu tenha uma quedinha por bad boys, mas convenhamos que aqui no Bates Motel, dos males, ele é o menor…
As emoções do dia não se esgotaram por ali, não. Ainda naquela manhã, o pai da Bradley quase morreu queimado, dentro do próprio carro. Uma cena horrorosa de ser ver, em que a equipe de maquiagem se fez notar mais uma vez. Quando a Norma comentou com o xerife Romero que aquilo era horrível, alguém atentar contra outra pessoa daquele jeito, ele riu com deboche, como se aquilo fosse corriqueiro em White Pine Bay. Ma-ca-bro.
A Bradley ficou arrasada, porque, embora o pai dela tenha sido levado com vida ao hospital, os médicos não acreditam que ele vá sobreviver. O Norman até comprou flores para a menina, para tentar confortá-la, mas foi impedido pelo namorado dela de entregar o ramalhete pessoalmente. Apesar de haver algo de muito sombrio no Norman, ele parece ter um coração puro, que se comove com as pessoas. Mesmo com o Dylan, que a Norma me deixou escapar ser meio-irmão dele: enquanto a mãe não parece ter um pingo de carinho pelo filho, o Norman até demonstrou algum afeto pelo irmão.
Por falar no Dylan, ouvi uma discussão entre ele e a mãe de madrugada… Ele queria saber como ela conseguiu dinheiro para comprar o hotel, pois, desde sempre, a família enfrentou dificuldades financeiras. Ela disse que foi o seguro de vida do finado marido que garantiu que ela começasse a vida nessa nova cidade e ele sugeriu que a morte do homem tenha sido muito conveniente para ela. Será que ela matou o pai do Norman?! A resposta dessa pergunta deve ser a grande “sacada” da série. Tem outro babado nessa história toda: a razão da matriarca não se dar bem com o filho mais velho é porque, enquanto ainda estava casada com o pai do Dylan, ela teve um affair com o pai do Norman – que, depois, virou seu marido, que Deus o tenha.
A Norma, aliás, é bem safadjenha. Enquanto estava em um café no centro da cidade, tentando fazer novas amizades, vi pelo vidro, ainda do lado de fora, a Norma se insinuar para o delegado Shelby (que é um gato, devo acrescentar!). Ela colocou os braços para fora do carro e disse “Coloque as algemas!”. Sério, o café que eu estava tomando bateu no estômago e voltou depois dessa frase horrorosa! É que na noite anterior, bem vi quando o xerife, acompanhado do Shelby, foi fazer uma visita à casa principal, perguntar à Norma sobre o ex-proprietário do imóvel, que estava desaparecido e foi visto discutindo com ela.
Pois bem, voltando ao presente, os dois estavam lá, conversando no meio da rua, quando o delegado bonitão a convidou para entrar na cafeteria. Que tipo de policial oferece uma xícara de flerte, digo, de café, à pessoa investigada? E os dois estavam se “paquerando” descaradamente. De fazer as pessoas sentada à mesa ao lado – incluindo eu – ter ânsia de vômito. Ouvi direitinho quando ele convidou a investigada para ir a um festival tradicional da cidade.
Ele disse:
– Não posso te pegar [em casa] por causa do caso do Keith [o desaparecido]. Mas podemos nos encontrar lá. Quer dizer… Eu vou estar lá, você vai, então…
E ela quase se matou (ops, melhor não usar essa palavra com ela), ela quase se acabou de rir com a insinuação do rapaz, como uma adolescente.


Voltei correndo para o hotel e do meu quarto, ainda consegui ver a Norma escolhendo uma roupa para a ocasião, pedindo opinião ao filho adolescente. Tem algo de sombrio na felicidade efervescente dela… Resolvi entrar na casa e espiar de perto o que acontecia ali. A Norma estava se trocando na frente do garoto, que parecia incomodado com o ato. Ela respondeu, contrariada “Sou sua mãe.” A relação dela e do Norman é muito estranha, há uma obsessão anormal ali.

Quando a Norma já havia saído, ouvi um estrondo muito alto vir da cozinha da casa principal. Dylan tinha Norman com o rosto pressionado contra a geladeira e gritava ao irmão mais novo que “ela” estava o destruindo. Havia um prato de porcelana quebrado sobre a pia e Norman olhava com rancor para os estilhaços, que seriam capazes de rasgar uma garganta. Pensei que aquilo era só para causar um suspense, que ele não faria nada. Mas ele fez e foi para cima do irmão com um martelo. O Dylan se esquivou e, em seguida, deu uma surra no Norman. Bates Motel não fica prometendo… Vai lá e faz.
No final da briga, o menino mais novo, que estava estendido no chão, dizia repetidamente:
– Ela não é uma prostituta, ela não é uma prostituta.
Ele se referia à Norma… E o fato dele dizer aquilo tantas vezes me fez acreditar que, bem lá no fundo, ele achava isso dela, sim – sobretudo depois de descobrir a “missão delegado”, em que ela disse que estava saindo com Shelby para que não investigassem o desaparecimento do ex-dono do hotel – que ela, by the way, assassinou.

Não acho que o Dylan seja uma má pessoa. Para mim, ele é carente do amor da Norma (não consigo me afeiçoar a ela!). Mas o Dylan é irônico, ele é “o humor” – ainda que negro – da série. Algumas vezes, a Norma me confunde, pois o rapaz a chama pelo nome, mas ela gostaria que ele o chamasse de “mãe”. Ainda não consegui decifrar se existe sinceridade nisso ou é apenas chantagem emocional. Mas é fato que a relação dela com os dois filhos é totalmente diferente, ela controla o Norman, não o deixa ter amigos. Já o Dylan é um rebelde (ainda que com causa). Em determinado momento, enquanto ela e o mais novo limpavam o chão da cozinha com pano úmido, o Dylan chegou e pisou no chão molhado, comendo uma bolacha sem usar um prato, deixando as migalhas caírem sobre o piso limpo. Toda pessoa que já varreu um chão na vida sabe que é a coisa mais irritante que alguém pode fazer (mas vendo assim, acontecer com os outros, achei engraçadíssimo). Dylan: <3
Senti pena dele ainda na cozinha, quando ele observou mãe filho dividindo uma tarefa e perguntou:
– Você não se cansam um do outro?
Entendi todo o ressentimento que ele tem da mãe, de ser um menino que, para estabelecer contato com a família, precisou investigar para descobrir onde eles moravam, pois eles haviam se mudado sem informá-lo. Que coisa mais triste! Mas, em seguida, aconteceu uma coisa que me fez repensar na compaixão que estava desenvolvendo pelo Dylan (que antes de me desapontar, fez mais uma piada com os parentes). A campainha tocou e ele se levantou da cadeira prontamente, dizendo:
– Eu atendo, tudo bem. Não parem de esfregar.
Se fosse eu, esfregava a vassoura na cara dele depois dessa. Na porta, Emma (a menina com problemas respiratórios) chegou para estudar com Norman. Mas, antes que pudessem se dedicar aos livros, a menina precisou enfrentar um verdadeiro questionamento da Norma, que não hesitou em fazer perguntas inconvenientes, quis saber até expectativa de vida da menina, na maior cara de pau. O Dylan tentou interromper a conversa, parecendo ter bom coração. Entretanto, quando o Norman subiu para o quarto com Emma, ele se aproximou da mãe e fez a primeira piada de muito mau gosto:
– Você acha que ela tem que tirar aquilo do nariz quando eles se pegarem?
A Norma fez cara feia, talvez ela estivesse mesmo com piedade da menina ao fazer todas aquelas perguntas chatas e eu estou a julgando mal, pegando no pé dela quase que gratuitamente. Dylan, não esperava isso de você…

Depois dos estudos, Emma e Norman saíram para investigar acontecimentos passados da cidade litorânea em que eles vivem. Aparentemente, escravidão sexual e plantações de maconha fazem parte do lugar. Algo que o delegado Shelby já havia sugerido para a Norma, quando ele disse que as pessoas da cidade “fazem queijos artesanais e vivem em casa milionárias”, que a economia ali é algo obscuro. A cidade é um verdadeiro mistério.
Para tentar entender um pouco melhor das coisas que acontecem ali, até entrei no blog da Emma (ela assiste Homeland e ouve She & Him!), quem sabe ela divulga alguma informação útil sobre as investigações ao lado do Norman – já que, ocupada em seguir os passos da “chefinha” Norma, não terei tempo de acompanhar pessoalmente a jornada dos dois jovens.

Por falar na matriarca, mais no final da noite, ainda vi pela janela a Norma sensualizando para passar creme nas pernas, porque é o que todo mundo faz, quando… uma cicatriz! Em Bates Motel, nada do que aparece é, sempre vem surpresa. Como será que ela adquiriu a marca?
Surpresa, no entanto, não vai ser se o Dylan deixar o hotel de uma hora para a outra. Depois da briga na cozinha, quando Norma chegou e viu o filho mais novo machucado, ela disse que Dylan precisava partir. Ela não esperava que o menino concordasse em deixar o irmão ir embora… Mas ele concordou. Dando uma olhada no IMDB, percebi que o ator Max Thieriot (que interpreta o Dylan) vai participar de poucos episódios da série. E, analisando o enredo, querem muito o Dylan fora mesmo – mas eu quero que ele fique! A verdade é que ele está se arriscando. Durante a semana, ele fez insinuações para a mãe em relação à morte do marido, dando a entender que iria expor ao mundo como ela e o esposo viviam, que não tinham a vida perfeita que aparentavam. Pouco ainda foi nos revelado nesse sentido. Mas… Conhecendo a Norma, ele sabe que está brincando com fogo ao ameaçá-la.
Fogo também fez parte da última cena de Bates Motel, quando um homem apareceu pendurado, em chamas, no poste de uma das ruas da cidade. Mas esse é um mistério para os próximos capítulos. Alguém dos quartos ao lado tem alguma opinião sobre isso?
Aliás, quando será que o hotel vai receber os hóspedes oficialmente? Histórias interessantes podem surgir daí… Mas do quarto 12, eu não saio.