Castle – Still
02/05/2013, 09:22.
Ana Botelho
Reviews
Diferente de qualquer coisa que já vi na televisão, atenciosamente planejado e com uma tremenda cara de último episódio de temporada, Still veio para quebrar qualquer parâmetro existente em Castle e para tentar solucionar a pergunta de quem se apaixonou por quem primeiro. Eu vi esse episódio no sábado e até hoje eu procuro uma palavra para descrevê-lo. Vou tentar achá-la com vocês nas 900 que eu ainda tenho pela frente.
Antes de tudo, eu já deixo por escrito que o Castle me conquistou novamente – e sim, foi rápido mesmo. Se eu, em algum momento, havia desejado que a Beckett tivesse dado continuidade ao quase beijo com Vaughn, esse momento agora não passa de um devaneio qualquer. Começando com o café da manhã na cama e com os corações formados que demoraram 6 minutos para serem feitos, que me fizeram suspirar de encanto. Até então, eu jurava que já tinha visto a minha cena caseira preferida, mas meu coração se rendeu ao sorriso da Beckett pela manhã e dos beijos trocados entre a questão de que a detetive teria se apaixonado por Castle desde a primeira vez que ela o viu. O que todos nós sabemos que é mentira, já que Beckett tinha sentimentos por ele desde que começou sua coleção com os livros dele. Mas isso é um segredinho nosso, ok?
Com os coletes escritos “writer” e “police”, que há muito tempo não davam o ar da graça, Castle e Beckett adentram o apartamento buscando evidências, como sempre. Até aí, tudo corria normalmente, mas meu coração já estava disparado porque eu sabia o que viria em seguida. Como em flashes (sugestivo, eu sei), todas os episódios com bombas passaram pela minha cabeça. Tick, Tick, Tick, Boom!, Countdown… Todos me lembrando que Marlowe adora por a vida de Beckett em perigo e em quão surpreendente pode ser o desfecho da história. Quando a bomba é armada por ela, parecia vir pela frente minutos e mais minutos de sofrimento. Mas a genialidade do episódio e a postura de Castle durante os 42 minutos roubaram todas as cenas – e qualquer apreensão.
Eu sinceramente acho que Still é um episódio bônus do aniversário da marca do centésimo ou a season finale que foi trocada de lugar. Porque nunca pensei em ver um episódio desse entre dois, digamos assim, mornos. Aliás, nunca tinha passado pela minha cabeça um roteiro igual a esse. Se alguém me contasse que ele foi feito por um fã, eu acreditaria sem pensar duas vezes. Para acalmar Beckett, Castle trouxe à tona, mais uma vez, a questão de que ela se apaixonou por ele desde o primeiro momento. Logo, outras inúmeras questões foram surgindo e havia milhares formas de serem respondidas, mas, como em forma de presente, elas vieram assim: em flashbacks.
Os olhares, as primeiras impressões, as indiretas do Castle, as ignoradas da Kate – toda uma história passando ali, diante dos meus olhos. Claro que no primeiro flash de “Richard Castle, você está preso…” meus olhos já estavam cheios de lágrima. Como segurar a emoção vendo isso tudo? Não deu. Fica até difícil dizer para vocês o que penso sobre a forma que o episódio foi conduzido e criado, porque me faltam palavras e metáforas que cheguem perto do que senti. A única coisa que sei é que Marlowe não dá um ponto sem nó. Nada se perde, nada surge do além, nenhuma história fica por estar. A cronologia é perfeita e o carinho com o telespectador também. É como se ele dissesse, a cada episódio, “Vem, entra, a casa é de vocês”. E eu, folgada que sou, já sentei no sofá e pedi um cafezinho.
Falando em sensibilidade, a postura do Castle não pode ser deixada de lado. Ele soube ficar lá, com ela, como ela sempre quis que ficassem, e como ele sempre ficou durante todos os anos. Escondendo o desespero e o medo atrás da carapuça de menino brincalhão, de escritor de mente fértil. Eu poderia dizer que esses momentos em que o Castle permanece com ela foram o auge do episódio. Isso se a Beckett não resolvesse abrir, enfim, seu coração.
Quanto tempo a gente não esperou por isso, certo? E elas foram ditas como deveriam ser; doces, suaves, verdadeiras, emocionadas. Como muitos, eu achava que já estava demorando um pouco além do que deveria, mas percebi que tudo era questão de tempo e de contexto. Acredito que a Beckett precisou sentir que a vida é efêmera, frágil demais, e que em um instante ela poderia morrer sem dizer ao Castle o que ele merecia ouvir. Foi o mesmo desespero, medo, o cara-a-cara com a morte que a fez bater na porta dele em Always, e que a levou, mais uma vez, a se expor de tal forma. Eu esperei por um bom tempo o “Rick, eu te amo”, e não poderia ter recebido de outra forma.
Depois do abalo causado pelas revelações, Castle volta (alguém chegou a duvidar de que ele voltaria?) e, em parceria com Beckett, eles conseguem iluminar o caminho para que Esposito e Ryan descobrissem a dica para desarmar a bomba. Eu estava sentindo falta da mente dos dois agindo em conjunto, fazendo com que um completasse a linha de raciocínio do outro. Mas como eu disse, nada se perde nessa série, nada mesmo. Nem a oportunidade de trazer para o fim do episódio a música do primeiro beijo entre os dois.
A essa altura, eu, inocentemente, achava que já tinha chorado o suficiente. Mas como todo coração shipper emocionado é pouco, todos o beijos foram relembrados ao som de Robert Duncan – é, aquele mesmo que, com um piano, se juntou aos trovões na noite em que Beckett bate na porta de Castle. Mas tirando os flashes e a música, a cena final, por si só, é lindíssima. A carinha da Kate, toda sem graça, e mais apaixonada do que nunca me deixou com um sorriso bobo de quem entende (e compartilha) o que se passa na cabeça menina-mulher dela. Sem falar na Gates que merece o troféu shipper do ano por saber, e apoiar, a relação dos dois. Pelo menos ela (ainda) não sabe o que os apertos de mão significam dentro do departamento. Ou sabe?
Sem tirar nem por, Still foi uma surpresa maravilhosa. Eu não poderia ser mais grata ao Andrew por tudo que vi e senti nessa quase uma hora. Acho que a inversão dos episódios calhou, e bastante, no final das contas. Se Still tivesse vindo antes de The Squab and the Quail, na semana seguinte o impacto causado já seria quase esquecido pelas mancadas do Castle.
Agora, nós podemos ir renovados para a reta final dessa quinta temporada. Como disse a Beckett, eles estão apenas começando, e é o que eu espero de base para o gancho do final desse ano com a sexta temporada. Enquanto a season finale não chega, eu espero vocês semana que vem, com a review do penúltimo episódio de Castle. Até lá!
PS1: Castle fazendo o sinal do puxão de orelha foi genial. Aliás, todas as caras e bocas, encharcadas com o ego dele, não podem passar despercebidas.
PS2: Sou super a favor de que sempre que Castle e Beckett tiverem alguma dúvida, eles ligarem para o Esposito. Pago até a conta do telefone, se necessário.












