“Você está bem?” – ele pergunta com a angústia e calma de quem sabe que não, ela não está bem. E muito menos ele.
Como poderia? Alguém que se guardou por quase toda a vida com medo de se machucar, se fechou como uma concha para se proteger. Alguém que levou cerca de 8 anos para se convencer de que valeria a pena ser a metade de um outro, alguém com tanta ressalva da própria felicidade que jogou fora a chance de ser feliz, teve que perceber que tinha “perdido” o homem de sua vida, e que seu destino seria viver só. Alguém que superou isso tudo, e no final, abriu o coração de uma maneira tão genuína que a felicidade era clara, iminente e verdadeira. Também segura. Pela primeira vez, Brennan tinha certeza de que queria passar o resto de sua vida com Booth. Como ela estaria bem depois de concordar se entregar completamente, ser “dele”, e depois ele a recusar?
Nada vai ficar bem, e por isso a angústia. Como viver até setembro sem rememorar o tão aguardado pedido de casamento e a tão inesperada recusa?
A cena final da oitava temporada de Bones foi um flechada certeira no coração dos fãs. Muitos juram que vão abandonar a série, outros querem matar o Hart Hanson, mas eu faço parte da infeliz maioria que gosta de sofrimento, e que ficou feliz por não haver casamento, ao menos, por enquanto.
É por isso, por causa desse jorro de emoções, que começo esta review pela cena final.

Altos
À primeira vista, não há como gostar da resolução desse episódio. Que coisa mais sem sentido foi aquela? Porque diabos Booth não contou para a Brennan sobre o Pellant? Sobre o plano invejoso e malicioso do hacker para separar os dois, apenas por esporte? Como Booth pode quebrar o pobre coração da cientista? Como ele fez isso tão friamente?
As respostas para essas perguntas vieram após assistir o episódio repetidamente. Mesmo que eu não esteja de acordo com tudo, há bastante sentido o que aconteceu.
Primeiro, B&B não ia se casar assim, tão fácil. O mais importante é que ela finalmente cedeu. Deu o passo mais importante. Agora Booth sabe o que ela realmente quer, e ele vai fazer de tudo para ter isso, para conseguir a felicidade que os dois merecem. Alguém disse numa tal season premiere, que a razão para Booth gostar tanto da Brennan é que ela é bem difícil. Então vamos fazer disso algo difícil. E torcer para que num futuro próximo eles superem isso tudo.
Segundo, Booth não poderia colocar a vida de ninguém em perigo. Nas primeiras cenas do episódio ele viu como Pelant pode apurar sua rede de janelas indiscretas, e por isso, seria arriscado de mais fazer qualquer movimento suspeito. Se ele é capaz de hacker o telefone do agente e câmeras ao redor da cidade, não haveria limites para o vilão. Por mais que doa meu coração, acho que ele fez certo.
Falaram que tal atitude foi algo “fora do personagem”. Algo que ele jamais faria. Provo o contrário. O Booth fingiu a própria morte para desvendar um velho caso, é o mesmo Booth que disse “não” para a declaração de amor que ele ouviu da parceira após ela perceber que a escolha de sua vida era ele. Booth faz o que é “certo”. E o que é certo, nem sempre é o que nós achamos certo. Booth não colocaria ninguém em perigo, nem desconhecidos, nem sua família, nem Christine.
E por último, não sei que tipo de jogo perverso Pellant está fazendo. Mas creio que ao invés de ficarmos lamentando a cena final, deveríamos passar os próximos meses fazendo teorias sobre o motivo pelo o qual Pellant quer tanto sacanear com o time do Jeffersonian. Ah, também vale teorias sobre como será a morte lenta e sanguinolenta do jovem Christopher. Pelo o que o Sweets disse, Pellant quis separar os dois por ciúmes, por ser egocêntrico e por ter ficado magoado pelos dois terem o ignorado, apenas que por um momento, para celebrar a felicidade.
É por causa disso que acho que a cena final foi um dos pontos mais altos desta temporada.



Outro ponto alto é ver como o entrosamento dos dois como casal deu um salto ao longo deste oitavo ano. Eles foram de recém-namorados com uma criança a caminho, que tiveram que superar as esquisitices de uma relação nova, para algo real e forte. O pedido de casamento com carne defumada não poderia ser melhor exemplo para isso. Simples, engraçado e inusitado. Mas algo que é deles, só deles. No momento em que a Brennan disse “você não tem permissão para morrer”, eu soube que seria aquilo. Que ela o queria para sempre.
Não posso deixar de citar o cuidado com alguns detalhes neste episódio. Como o Jack ter mencionado a oportunidade de ter matado Pellant e se culpar pelas desastrosas consequências disso. A riqueza aparente de Pellant, que deve ter herdado a fortuna de Hodgins. As fotos do Parker espalhadas pelo escritório de Booth (provando que Booth não esqueceu do pobre filho). Isso tudo enriquece a história.
As cenas de ação também. Devo dar créditos ao Boreanaz pela episódio dinâmico e emocionante? Sim, mais uma vez ele prova que sabe estar por trás das câmeras. Um ator eficiente e um diretor apaixonado. Da cena de abertura ao controverso final, tudo tinha o toque dele. Até os mil beijinhos e “eu te amo”.

Baixos
Como não foi um episódio perfeito, alguns deslizes aconteceram. Como terem enfiado a cena do pedido de casamento assim quase como um nada. Num momento a Brennan estava querendo entregar Booth pros leões e no outro ela era um cordeirinho assustado com receio de perder o parceiro. Sim, apesar de eu estar sorrindo até agora com a delicadeza das trocas de olhares e sorrisos que só os dois sabem fazer, uma delicadeza digna de um rinoceronte com pressa, fiquei um pouco incomodada com a urgência da cena.
A falta de resolução do Caso Pellant também me intriga. Tanto tempo este homem dando sopa por aí. Peguem logo ele! Achei que a season finale seria sobre isso.
Outra cena que achei deslocada foi Brennan ter saído correndo em direção a uma cena de tiroteio para “proteger” seu parceiro. Algo que Booth sempre foi, e ela sempre teve a capacidade de compreender que não pode colocar a vida dela própria em perigo, e deve confiar nele. Bom, se bem que ela era noiva dele, mas não, não, ela não faria isso.

Uma season finale com cara de episódio bom
Não tinha cara de final de temporada, tão pouco foi apenas mais um episódio na série. Foi uma história preenchida por bons momento.
Meus pensamentos agora estão no motivo para Pellant fazer isso tudo. Quem é o ajudante dele dentro do Jeffersonian? Por que ele quer separar B&B? Deixar Hodgins pobre foi apenas uma resposta por ele ter quase matado o vilão? Por que se esforçar tanto para matar Sweets? Não consigo entender, nem imaginar o que ele quer, de fato.
Mais um ano de Bones, sei que a estrada é longa, e que a linha de chegada já está próxima. Apesar do cansaço e do aparente descuido com a série, até da Fox que não se dá ao luxo de promover mais o seriado, nós continuamos.
Stephen Nathan resumiu o episódio como uma bomba certeira para ferir os fãs. “Não damos aos fãs simplesmente o que eles querem”, disse. Não concordo. Bones foi exatamente o que queríamos por muito tempo, e a torcida da maioria dos fãs da série para que B&B ficassem juntos valeu a pena. Eles têm uma filha, dividem o mesmo espaço, se amam incondicionalmente, talvez o mal de Bones seja por pecar nas coisas mais óbvias. É por ter coragem de não fazer da série um besteirol adolescente, ou uma grande história de amor, ou apenas um procedural, que a série é tão conflitante. Dá ódio, amor, tudo ao mesmo tempo. Assim como a vida, nada é perfeito, nem deveria ser.
“Eu tive medo, fui teimosa e apaixonada”. Acho que isso resume exatamente o que sinto por Bones, e gostaria de passar o resto da minha vida ao lado da série. Como sei que não é possível, assistirei até a última cena, quando Bones ficar no passado. Mas agora, só penso no futuro, na nona temporada e na felicidade desses dois.
Até setembro!