Game of Thrones – Mysha
10/06/2013, 13:55.
João Freitas
Reviews
E chegamos a mais um fim de temporada em Game of Thrones. Para mim, a melhor de todas. Vibramos, choramos e nos emocionamos com a ascensão de Daenerys, com a queda dos Starks e a cada frase solta tirando sarro de alguma das Casas de Westeros (Olenna, cadê está você para nos fazer rir?). Se no episódio anterior a tristeza e as lágrimas rolaram sem parar, em Mysha o sorriso prevaleceu e deu o tom para o final da temporada.
Ser um Lannister, acima de tudo, é pensar no bem do seu sangue e da sua família. Este é o ideal que prega Tywin desde sua primeira aparição e é sob esta justificativa que ele se mantém inerte em relação ao massacre arquitetado por ele e Walter Frey. Além disso, de brinde, em uma reunião do pequeno conselho a Mão do Rei mostra o quão patético Joffrey é, tratando-o como uma verdadeira criança. A mesmo tempo em que mostra sensatez, Tywin demonstra que está a frente de Porto Real, e que a cidade é forte, mesmo tendo o segundo rei louco no trono.
Não há como não comentar sobre o diálogo entre pai e filho. Tywin e Tyrion nos fizeram relembrar o primeiro episódio desta temporada, quando os dois discutiram. E novamente a família é o foco do assunto. No auge da tensão, todas as armaduras invisíveis de Tyrion caem, quando ele pergunta a seu pai quando ele realmente fez, algum dia, algo para o bem da família, e não pensando somente em aparências e nos seus interesses. A resposta “No dia em que você nasceu!” encerra a discussão, tanto para Tywin – que assumiu que tratou Tyrion como seu verdadeiro filho -, quanto para Tyrion, que finalmente ouviu o que é um Lannister. Um merecido reconhecimento.
Mudando de local – e de família – suspiramos aliviados ao perceber que Brann encontra Tarly, Gilly e o – agora o nomeado – bebê Sam. Muitos eram os perigos que rondavam o local, e Brann deu sorte em encontrar “amigos”. E mesmo alertado de que está marchando para o lado errado, Brann insiste em ir além da muralha, seguindo seus instintos e em busca do corvo de 3 olhos. Tarly, pelo contrário, segue para Castelo Negro, onde explica para Meistre Aemon que muitos perigos que se aproximam. Se o gordinho realmente é um inútil com uma espada na mão, ele provavelmente teve seu ponto alto nessa cena. Agora todos os reinos de Westeros estão avisados de que a verdadeira batalha a ser travada não é entre as casas, e sim contra Os Outros – como profetiza Melisandre durante o episódio.
Nas Ilhas de Ferro finalmente temos explicada a situação de Theon. Mesmo que tenha segui ordens do pai ao capturar o herdeiro dos Greyjoy, os olhos de Ramsay não deixam dúvidas: ele sente prazer em torturar e mutilar as pessoas. Pobre de Theon, que passou uma temporada inteira nas mãos do rapaz. Mas confesso: sinto prazer em ver Theon sofrendo. É mais do que merecido depois da traição dele em relação aos Starks. Me julguem. Quanto ao futuro de Theon, ele ainda tem uma última esperança: sua irmã Asha ruma ao Forte do Pavor, no qual o irmão está mantido refém. Um bom gancho para a próxima temporada já, e que promete mais ação, o que é ótimo, já que este arco de Theon foi extremamente parado.
Ainda não conheci alguém que não gostasse de Aria Stark. De gênio forte e muito inteligente, talvez o único pecado da menina seja sempre arriscar sua vida pelo que acha certo. Após presenciar o massacre à sua família ela é levada por Clegane para longe do perigo, mas não sem antes ver a chocante cena na qual o corpo de seu irmão foi substituída pela de seu lobo. Após toda essa dor, sendo carregada por alguém que odeia, Aria topa com alguns soldados do exército de Frey, e depois ter mais uma vez sua ferida tocada, não consegue se segurar. De maneira fria ela executa um dos soldados em uma tentativa desesperada de diminuir um pouco da dor que sente, e então, quando atacada pelos outros, é mais uma vez salva por seu odiado guardião. Ela acaba por lembra-se de Jaqen H’ghar, o homem mais misterioso já mostrado na série. E esperamos que ele volte na próxima temporada e ajude a menina, que nunca esteve tão sem rumo.
Quando começamos a assistir essa temporada, pouco sabíamos sobre os perigos além da Muralha. Assim, fomos descobrindo junto com Jon Snow as peculiaridades daquela terra. Quando vimos gigantes, wargs ou Os Outros, nossa expressão de surpresa era a mesma do bastardo de Ned. E depois da perigosa incursão além-Muralha, ele regressa ao Castelo Negro. Retorna, então, ao seu lado da Guerra, lado qual ele jurou defender. Sua despedida de Ygritte foi triste e emocionante: a cada flecha contra seu amado a mulher escancarava ainda mais em seu rosto a decepção que ele lhe causou. Talvez seja este o fim para o amor proibido entre o bastardo e a selvagem, mas ainda creio que eles irão se encontrar.
Um fato um tanto quanto decepcionante foi Mance não aparecer durante o episódio. Eu não esqueci – pelo contrário, estou esperando – “a maior fogueira que o norte já viu.” O tempo seria escasso para mostrar algo, mas ao menos uma ponta do Rei além da Muralha deveria ter, já que se nenhuma grande reviravolta acontecer, será ele que protagonizará, em breve, uma grande batalha.
Dany. Ela começou a temporada sem nada a não ser seu pequeno khaalasar e seus três pequenos dragões. Agora, Daenerys tem muito mais que o desejo de conquistar o trono de ferro, ela tem o que precisa para isso: seu exército de elite e também um povo que a endeusa. Talvez o maior mérito da última Targaryen não seja ser uma conquistadora, mas sim o de se cercar de pessoas leais. Assim, seu sorriso ao fim desta temporada representa o de muitos telespectadores. Seu olhar de sofrimento – após perder seu marido e filho – mudou, e seu semblante agora transmite confiança e paz. Ela é a mãe não só dos dragões, mas de todos os libertados que ela escolheu ajudar. E descobrimos que a conquista de Yukai não foi um ato desnecessário: foi abenção que lhe faltava para cruzar o oceano em busca de seu lugar, o Trono de Ferro.
Aclamada pelos ex-escravos e também pelos telespectadores. Palmas para a moça.
Algumas pequenas cenas também devem ser mencionadas neste episódio. Varys tentou convencer Shae a abandonar Porto Real, mas ela abdicou do dinheiro para ficar com seu amor. Davos libertou Gendry das garras da mulher vermelha, ainda que isso significasse uma traição a Stannis. Jaime retorno a Porto Real como um novo homem e teve seu reencontro – ainda que breve- com Cersei.
Por fim, preciso dizer que nessa terceira temporada a série não perdeu, em momento algum, sua principal característica: a grandiosidade. Seja em história, produção ou interpretações, Game of Thrones enche os olhos e fascina a todos que mergulham no universo criado por Martin – muito bem adaptado pela HBO. Já me sinto com saudades e desde já ansioso para próxima temporada.
Um grande abraço a todos os fãs da série e até o próximo ano.








