Há quase dois anos, quando escrevi a primeira coluna Memória relembramos a série Beverly Hills, 90210 (Barrados no Baile); um sucesso dos anos 90 que marcou e, por vezes, representou a geração daquela época.
Como disse daquela vez, não pertenci à geração que cresceu com o seriado no ar, pois era muito pequena na ocasião; o que não me impediu de tornar-me fã de Beverly Hills, 90210 anos depois do fim da série, mas isso é outra história contada naquele primeiro post.
Por um bom tempo me remoí pensando que a minha geração não teria uma série que ficasse registrada na história televisiva como uma que a representasse, como tinham os jovens dos anos 90 que cresceram e amadurecem acompanhando os personagens de Beverly Hills, 90210 vivendo os mesmos dilemas que eles enfrentavam na vida real e vice-versa.
Porém, para a felicidade da minha geração, no final dos anos 90 e inicio dos anos 2000, surgiu uma leva de séries especiais tais como Dawson’s Creek, The O.C. e One Tree Hill.
Foi em 05 de agosto de 2003, há exatos 10 anos, que The O.C. estreou na TV norte-americana. Sim, 10 anos! Pois é, o tempo passa e agora é hora de recordar o porquê dessa série ser tão querida por uma saudosa geração de fãs.

Era uma vez…
Ryan Atwood (Benjamin McKenzie) é um jovem de dezesseis anos, que foi criado no bairro de Chino e passa a ter problemas com a lei, acabando preso quando seu irmão mais velho, Trey (Logan Marshall-Green) o envolve em um roubo de carro.
Sandy Cohen (Peter Gallagher) é um defensor público que decide ajudar o garoto. Sandy leva Ryan para morar com ele e sua família em uma mansão localizada na rica Orange County (OC), em Newport Beach, Califórnia.
A princípio a decisão de Sandy não agrada sua mulher, a elegante Kirsten (Kelly Rowan), o que provoca discussões entre eles sobre a maneira de lidarem e tentarem educar Ryan como um deles.
Já o filho do casal, o tímido Seth (Adam Brody) constrói com Ryan uma amizade que os torna como irmãos.

Em OC há um mundo de riqueza, cheio de intrigas, onde Ryan conhece e se apaixona pela vizinha dos Cohen, a bela e perturbada Marissa Cooper (Mischa Barton), filha mais velha do casal que mais entende do jogo de aparências em OC, a sensual Julie (Melinda Clarke) e o falido Jimmy Cooper (Tate Donovan).
Ainda que de mundos diferentes, Marissa e Ryan desenvolvem uma conturbada e intensa relação, com muitas idas e vindas, um amor complexo como eles.

Enquanto isso, Seth alimenta seu amor platônico pela mimada Summer Roberts (Rachel Bilson), melhor amiga de Marissa. Mas quando Seth se aproxima da inteligente Anna (Samaire Armstrong), Summer parece notar sua presença. E Seth acabada podendo escolher entre as duas meninas. Seth e Summer se tornam o casal mais certo entre os improváveis, e o nerd e a garota popular provam que quando é amor, dá certo.

Os Cooper se divorciam e Marissa é apresentada ao vício. Ryan volta pra Chino quando pensa que sua ex está esperando um filho dele. De volta a OC, Ryan e Marissa não se entendem. Kristen descobre que seu pai Caleb (Alan Dale) tem outra filha, a jovem Lindsay (Shannon Lucio) com quem Ryan vive um curto romance.
Separados Summer e Seth seguem sendo atrapalhados. Ela namora Zach (Michael Cassidy), uma cópia de Seth e ele tenta conquistar a descolada Alex (Olivia Wilde), só que por fim Alex se envolve com Marissa, para desespero de Julie agora casada com Caleb.

O drama volta a imperar em OC quando o irmão de Ryan volta à cena e vai morar com os Cohen. Só que Trey apronta de novo e acaba envolvendo Marisa e Ryan em enrascadas antes de partir da vida do irmão. Já Kirsten enfrenta seus problemas com álcool.
Enquanto Marissa encara uma nova realidade na escola pública, Seth e Summer têm que lidar com a perfeccionista Taylor (Autumn Reeser). Julie se casa com o pai de Summer, e as duas amigas passam a ser da mesma família.

Marissa se envolve amorosamente com o cara errado, causando problemas para Ryan e para ela mesma. Quando a formatura chega, Marissa decide ir embora de OC trabalhar com o pai em um barco; só que o cara errado interrompe os planos e provoca um acidente de trânsito fatal para Marissa.

Já na faculdade, Summer se torna ativista. Ryan e Taylor se tornam um casal. A família Cohen cresce, pois Kirsten e Sandy têm um bebê. Julie fica grávida do pai de Ryan. E Summer e Seth seguem sendo Summer e Seth.
Quando um terremoto destrói a casa dos Cohen, todos dão adeus à OC e se mudam para Berkeley.

… e então…
A estreia de The O.C. pela FOX americana aconteceu em 05 de agosto de 2003. Depois de 4 temporadas, o seriado terminou em 22 de fevereiro de 2007.
No tempo em que esteve no ar a série conquistou uma legião de fãs, ou melhor, uma geração. Aqui no Brasil foi exibida pelo canal fechado Warner e em rede aberta pelo SBT com o nome O.C.,Um estranho no Paraíso. Foi reprisada ainda pelos canais fechados Glitz* e VH1.
Atualmente, é possível comprar os DVS da série disponibilizados no Brasil pela Warner. A coleção com todas as temporadas de The O.C. é composta por 4 boxes que contêm 26 discos no total.

Me recordo da ansiedade que senti quando vi as primeiras chamadas de The O.C. na Warner, queria conhecer aqueles personagens, queria me identificar, queria me tornar fã. Por fim, foi assim mesmo que aconteceu.
Na verdade, poucas vezes nutri uma relação tão tumultuada com uma série, isso porque na mesma intensidade na qual amava também odiava os personagens e suas escolhas. Quase deixei de ver o seriado, algumas vezes, mas ficou sempre no quase.
Se há algo com relação à série que ninguém discute é quanto à trilha sonora, jovem e original. Já a morte da Marisa, um marco em The O.C., foi uma ousada decisão que divide opiniões até hoje. Eu pessoalmente não gostava da personagem e entendo que não tinha mais volta na trama dramática que ela viveu, ainda assim fiquei chocada, só consegui pensar “Pobre Ryan”.
Acredito que aqueles que estão hoje com seus vinte e poucos anos compartilham comigo do sentimento de que The O.C. faz parte daquelas séries teens que nos ajudaram a crescer. Aliás, a minha vida teria sido mais difícil sem esse tipo de série. Se você não tem ideia do que eu estou falando, pode ler a coluna 15 Razões para amar séries teens e você entenderá.
Pode não ser uma série acima do bem e do mal, como também não somos nenhum de nós, por isso mesmo é inegável que The O.C. nos marcou e deixou boas
…recordações.