Os dois últimos anos (pelo menos) de Breaking Bad fazem pensar sobre as ações de Walter White. E assim como no episódio Fly, da terceira temporada, (no qual Walter tenta descobrir o momento certo em que deveria ter morrido), somos levados a tentar imaginar um momento no qual ele tenha se tornado o monstro que hoje é. Talvez, o primeiro dominó tenha caído quando vendeu sua parte da empresa Grey Matter – claramente lamenta isso semanalmente quando verifica o preço das ações.
Durante alguns momentos se tem a certeza que Walter está manipulando as pessoas ao seu redor, e em outros há pelo menos a incerteza se suas palavras são verdadeiras ou não. Por exemplo, a terceira temporada passa a impressão que a preocupação paternal de Walter com Jesse é verdadeira. Porém, Confessions talvez tenha tirado qualquer dúvida quanto ainda restar um fio de humanidade em Walter White, ou se Heisenberg reina soberano sobre o homem.
Em um monólogo diabólico, tecendo uma teia através de eventos passados – desde o primeiro passeio juntamente com Hank, sua tentativa de assassinato, Hector Salamanca e a bomba na casa de repouso -, Walter chantageia Hank e Marie ligando-os, circunstancialmente, aos seus crimes. Concomitante à chantagem há a ameaça (além de liberar o DVD) contra suas vidas, ao passo que Walter confessa, indiretamente, todos seus crimes e lhes mostra tudo o que é capaz de fazer.

Ainda, assim como Hank em Blood Money e Skyler em Buried, Jesse foi o personagem de maior destaque nesse episódio. Como o público, Jesse sempre soube que algo estava acontecendo, mas a incerteza ainda era presente em sua mente. Até o momento que semente da dúvida se inflamou e implodiu na psique de Jesse, finalmente (finalmente!), que passa a ver através do véu criado pelas manipulações de Walter.
E em um episódio de grandes monólogos, a dor é o sentimento que guia o monólogo de um Jesse em pânico no deserto, que afasta de si a atuação pseudo paternal de Walter. Depois de quebrar a imagem pomposa que tinha de Heisenberg, Jesse não mais é controlado por ele, e agora encara um dilema: ir embora – e com isso tornar as coisas mais fáceis para Walter -, ou morrer, como Mike.
Prestes a sumir para sempre, uma epifania atinge Jesse como um golpe traiçoeiro pelas costas (voadora). A mágoa e a raiva dentro de Jesse – que confirmou sua crença de que Walt estava por trás do envenenamento de Brock -, o levam a loucura. O vemos quando ele está prestes a queimar o símbolo familiar de Walter, que, ignorante sobre as ações de Jesse, já está amedrontado e prestar a recorrer à violência. Temo, porque sabemos que Walter está vivo no flashforward, mas ainda não vimos nada sobre Jesse.
Confessions teve todos os elementos que tornaram Breaking Bad uma das melhores e mais influentes séries da atualidade. Possivelmente tenha feito isso melhor que qualquer um dos episódios anteriores. Usou humor em um timing correto – na cena do restaurante -, chocou com a genialidade de Walter e o DVD, e emocionou com a storyline de Jesse – e a tremenda atuação de Aaron Paul.
Com cinco episódios para o final, a expectativa está alta, mas não há dúvidas que os produtores vão conseguir realizar o sonho de todos (possivelmente) os showrunners: manter a qualidade e deixar os fãs alucinados do começo ao fim.