Dracula – Servant to Two Masters
08/01/2014, 09:30.
Gabriela Pagano
Reviews
Confesso que não senti tanta saudade assim da série Dracula enquanto ela esteve em hiato. Acho, sim, que o seriado melhorou bastante ao longo dos sete episódios exibidos até agora, mas ainda está longe de ter uma história cativante e envolvente. Às vezes, tenho a impressão de que os capítulos são mais longos do que eles realmente são; falta ritmo ao enredo. Dito isso, tenho que admitir que o sétimo episódio foi, provavelmente, o melhor até hoje.
Primeiro, gostei da Lady Jayne instruindo a pobre Lucy a seduzir Harker, para dar “uma lição” em Mina. A Lucy ficou muito abalada com a reação da (ex) amiga depois que ela se declarou à moça. Diferente da Lucy dos filmes e do livro, a nossa Lucy da série é bastante ingênua e não sabe lidar tão bem com os assuntos amorosos, com a arte da sedução. Não sei como o Harker vai reagir a isso, já que ele é todo “certinho” e cheio de moralidades. Mas é fato que ele está desconfiado de Mina e Drácula e, por isso, pode ser que ele aceite as investidas de Lucy – se Lucy vai conseguir ir até o final com isso, não teria tanta certeza. Mas espero que sim! Acho que o Harker combina mais com ela do que com a zzzzZZZZzz…. Mina.
O Harker, depois de pensar muuuuito, de botar o cérebro para ferver, finalmente concluiu que foi mesmo o Drácula quem contratou a atriz para enganá-lo e sujar a imagem de um homem com honra. Ufa! Pensei que ele nunca iria perceber isso. Ele está com o pé bem atrás em relação ao patrão e não acho que Drácula possa confiar nele. Não que o vampiro esteja preocupado com isso. Mas talvez devesse começar a ficar em alerta, já que Harker foi convidado a integrar a Ordem do Dragão (a resposta dele ainda não nos foi revelada, mas não acredito que ele tenha dito “sim”; como disse antes, ele é “certinho” demais para alguém descrito como tão ambicioso).
Já a Mina e o Drácula tiveram seu momento “chameguinho” mais intenso até agora e, ao que tudo indica, a mocinha está se rendendo aos sentimentos por Drácula, digo, Alexander. Adoro ver os dois juntos e os momentos do casal são sempre o ponto alto da história. O problema é que, agora, a Ordem do Dração sabe que Mina é o que o empresário tem de mais importante, devido ao quadro roubado (achei o leilão, a pintura, de uma forma toda, muito forçado e aleatório, mas ok).

Quem conquista, cada vez menos, o amor de Drácula, no entanto, é Van Helsing. O vampiro acredita que o professor esteja lhe usando e chega a culpá-lo por ter sido ele quem o trouxe de volta a esse mundo corrompido. No episódio da semana, acompanhamos Drácula experimentar um pouco de “humanidade”, ao caminhar por algumas horas ao sol. Para o personagem, entretanto, que precisava lidar com a sede por sangue, tudo não passava de ilusão, já que ele nunca mais seria um humano, de fato. E, aí, Drácula fez uma das constatações mais lúcidas da série: Van Helsing é um monstro pior do que ele e, um dia, ele ainda vai matar o professor por isso. Concordo. Porque Drácula, a todo momento, tenta lutar contra sua natureza de vampiro; ele não quer matar para se alimentar, por exemplo. Van Helsing está disposta a tudo (a tudo mesmo!) para conseguir a vingança que almeja.
O Drácula da literatura não é piedoso assim, mas uma série televisiva pode ter liberdade para criar e isso está, sim, funcionando bem. No começo, estranhei toda essa bondade do personagem porque, até então, pelos trailers, pelos materiais de divulgação, eles vendiam o personagem como um grande vilão; o que não era verdade. Mas, agora, com tudo sendo contextualizado, com todas as dificuldades enfrentadas pelo vampiro – e, talvez, esse dilema existencial seja a fórmula do sucesso da temática vampiresca nos últimos tempos -, chego a me sensibilizar com Drácula e fico me perguntando se ele vai falhar na missão e morrer no episódio final da série (não, não estou cancelando o programa, apenas estou tentando fazer uma previsão, porque é uma parte da história que me interessa bastante).
No final das contas, os instintos de Drácula o venceram e ele precisou se alimentar. Por conveniência, a vítima foi um policial que não permitiu que o evento da empresa dele, para apresentar novos resultados da energia wireless, acontecesse. Só achei meio indiscreto ele ter assassinado o homem bem na frente da companhia. Desse jeito, a culpa vai recair sobre ele e a Ordem do Dragão voltará a suspeitar dele. Outra coisa interessante é justamente a preocupação da Ordem em relação às pesquisas de energia wireless. A Ordem parece sempre estar um passo a frente de Drácula. Por isso, temo tanto por ele… Aguardemos os próximos capítulos.
p.s.: adoro quando o Drácula faz voz de serpente! Mostra que a natureza malvada dele está se externizando.



