Com direito a abertura modificada, o episódio comemorativo de número 200 de How I Met Your Mother trouxe a Mãe como foco e, de um jeito diferente, deixou sua marca. Pelo título, esse talvez fosse o episódio mais aguardado desta temporada, mas surpreendentemente ele deixou a pergunta que não quer calar sem resposta. Para alguns, esse foi o pecado do episódio, mas há muito mais nos rápidos flashbacks da vida da Mother do que pode parecer.

Como não poderia ser diferente, esse episódio foi, acima de tudo, uma grande homenagem a toda a história da série. Começando exatamente pelo episódio piloto, onde vemos que enquanto conhecíamos Ted e seus amigos, a Mãe tinha uma das maiores perdas de sua vida.
Passeando pelos flashbacks lembramos de grandes episódios, só que de uma perspectiva diferente. Passamos pelo eterno No Tomorrow, no qual Barney e Ted comemoram o Saint Patrick’s Day em uma boate e pelo grande centésimo episódio, marcado pelo musical de Barney e seus ternos. Temos lembranças que nos fazem rir como o Naked Man e até a primeira aula de Ted como professor.
Após toda essa boa refrescada de memória, voltamos ao presente. Vemos o início do relacionamento da Mãe com seu namorado e como os dois se conheceram. A fragilidade para relacionamentos em que ela vivia logo é notada quando o discurso sobre “jogar na loteria” surge. Entretanto, ela segue seu relacionamento, tentando seguir em frente mesmo com sua fragilidade.
No entanto, o pedido de casamento a choca tanto quanto a nós. E, nesse momento, o real motivo pelo qual ela se manteve longe das relações aparece. A Mãe ainda não havia superado a perda daquele que ela considerava ser o amor da sua vida e, como Ted disse, o que ela tinha no presente não era amor, fazendo-a, assim, rejeitar o pedido.
Gosto muito da maneira como How I Met Your Mother define o amor, ou melhor, como define o que não é amor. A série não se preocupa em tentar explicar o que o personagem sente, mas sim em deixar claro que ele sente, que tem aquilo entranhado dentro de seu coração. Porque, de alguma forma, nem as próprias pessoas que têm dentro de si esse sentimento tão bonito sabem explicar, elas simplesmente sentem.

Ao fim do episódio, mais uma vez o bom gosto musical volta à tona na série em uma interpretação tocante de La Vie en Rose. E, assim, tão perto, mas ao mesmo tempo tão distantes, se mantêm os personagens – cheios de incertezas e incapazes de imaginar o que virá pela frente.
Mesmo não tendo um encontro olho no olho como o título sugeriu, não posso considerar How Your Mother Met Me um episódio fraco. Ele deu a carga necessária para a Mãe, que era perfeita demais até esse episódio. Ted tem uma barreira muito maior a cruzar do que a parede que os separa nos quartos do Hotel. Ele tem que fazer a Mãe perder o medo de amar novamente. E mesmo não acreditando que a série trabalhe esse lado entre os dois, é bom saber que, durante todos esses anos, não estávamos falando de um amor da Disney repentino.
PS: Barney, cadê você, meu filho?