“Porque amor é justamente isso, é ficar inseguro, é ter aquele medo de perder a pessoa todo dia, é ter medo de se perder todo dia. É você se ver mergulhado, enredado, em algo que você não tem mais controle.” – Fabrício Carpinejar
E quem pode controlar as emoções? Alguns diriam que Beckett pode, mas nem ela consegue mais. Uma vez que amamos alguém além do que podemos nos permitir, a história passa da razão para o que a mente já não pode mais controlar. É aí que o medo e a insegurança passam a rondar o dia-a-dia de quem ama, mesmo que não haja nenhum motivo para isso. Nós vivemos tentando entender que amar é saber que um dia se pode perder, assim como é saber que o infinito mesmo é o que se vive hoje. Mas quem disse que é fácil não clamar pela eternidade? Eu sei disso, você sabe disso, e Castle e Beckett também.
Eu juro: não sei o porquê de eu estar aqui, escrevendo, tentando comentar pra vocês sobre In the Belly of the Beast. Porque o que deveria ter, no mínimo, imparcialidade, sobriedade e conjuntura – para que as frases saiam claras e nenhum erro seja cometido -, vai ser, definitivamente, um relato de uma experiência de uma fã que viveu o suficiente (obrigada, Deus) para ver/sofrer/entender/amar uma série por completo. Me chamem de louca, de estranha, mas Castle não é só um roteiro pra mim. Tampouco Beckett é apenas uma personagem qualquer, até porque se fosse, minhas unhas não estariam todas roídas, meu coração não estaria na boca até agora e eu, com certeza, não teria sofrido tanto como sofri nesses exatos 41 minutos e 9 segundos.

Quando o episódio começou, ele já se tornou amado por motivos de: cena caseira. Fui praticamente jogada nas emoções e lembranças da quinta temporada, que mostrou os primeiros passos da até então nova relação entre Castle e Beckett. Também lembrei que, assim como vimos em After the Storm, qualquer hora vaga para eles sempre acabará em uma coisa – pena que a gente não tem visto “essa coisa”, né? Mas todos sabiam que o episódio não ia ser doce assim, e o chamado para a realidade tocou no telefone de Beckett. Confesso que quando Gates pediu para que ela fosse sem Castle meu coração já começou a palpitar. Nunca gosto quando ela entra em uma missão em que Castle não sabe de nada, deixando o escritor com o coração na mão quando algo dá errado. É aí que começa o brilhantismo do episódio de uma série que – e me perdoem todos o que vão contra – desde o início deveria ter o nome dela: Beckett.
Stana deu um baile nesse episódio. Ela conseguiu se superar. Desde o piloto a gente conseguiu ver o que a atriz de cabelo curtinho e que usava pouca maquiagem tinha para mostrar. Ao longo dos anos, Stana simplesmente se tornou o coração da série. Episódio focado nela é episódio que vai te tirar o chão. Ela passa verdade, entusiasmo, emoção, e a minha vontade é de pegá-la e guardá-la em um potinho. E não diferente de todas as vezes que ela esteve em perigo ou teve a sua história tratada como principal em um episódio, a tensão no episódio foi grande. Mas nessa semana meu coração ficou um pouquinho mais apertado.
“Eu preciso que você saiba que a nossa parceria, que o nosso relacionamento, é a melhor coisa que já aconteceu comigo.”
O que era apenas uma missão sobre traficantes na qual Beckett atuaria infiltrada acabou se tornando algo bem mais obscuro – e tudo aconteceu muito rápido. Quando apontaram a arma para ela no elevador, eu já tinha entendido que as coisas não iriam funcionar no modo easy e isso me assustava. Eu sentia o cheiro de algo “grande” no ar, entende? Sabia que alguém do passado de Beckett com certeza iria voltar, e como Marlowe não dá ponto sem nó, a certeza só ia crescendo. De todos, nunca passou pela cabeça que seria Vulcan Simmons – aquele que ela pôs contra a parede, literalmente, no mais perfeito episódio do mundo, vulgo Knockdown.

Mas antes de (re)encontrar Vulcan, Beckett passou por maus momentos. Momentos esses que, se ela não fosse uma policial tão bem treinada, iriam ter consequências bem piores que tiveram. E, como eu falei logo no começo, por mais que Beckett seja a maior badass da NYPD de todos os tempos e uma mulher incrivelmente forte, o medo a rondava. Mas não o puro e simples medo da morte, mas sim de morrer e não poder viver ao lado de Castle. Quando ela começa a escrever na carta sobre como a relação deles foi a melhor coisa que já aconteceu a ela e sobre como Castle é um homem maravilhoso, um filme de toda a história deles passou pela minha cabeça. Não há palavras para descrever a mudança que Castle fez na vida de Beckett. Beckett era como um passarinho preso em uma gaiola – você só troca o passarinho por uma mulher e a gaiola pelas suas próprias emoções e lembranças. As paredes que a encarceravam naquele mundo em que só existia a dor e a vontade de vingar a morte da mãe, sensações e sentimentos estes que foram lentamente derrubados por Castle, tornando Kate, assim, uma pessoa mais forte e vulnerável, ao mesmo tempo.
Quando Beckett finalmente se permitiu ser feliz, em Always, a gente viu que para que ela tomasse a coragem de ir atrás do que o coração mandava, ela precisou sentir a vida escorregar pelos dedos. Assim foi em Still, quando em cima de uma bomba, a sua vida era regida por uma simples movimentação nos pés, Beckett disse que o amava. Mas, no início do episódio, sem nenhuma bomba a ameaçando ou nenhum cara jogando-a terraço a fora, ela proferiu as mesmas três palavras. Foi aí que eu percebi que ela finalmente se encontrou. Que ela finalmente se abriu por completo para Castle e, se antes a morte de sua mãe era o que a fazia ter forças, Beckett, agora, encontra seu foco em Castle e no lindo futuro que os dois têm pela frente. Por isso, em todo o momento, Beckett era forte e vulnerável: forte para lutar e seguir em frente com a loucura de se fazer passar por uma pessoa que ela nem conhecia para poder sobreviver e viver com Castle o que ela sempre sonhou em segredo, e vulnerável pelo medo de ser perder e, assim, acabar perdendo-o também.
Vulnerabilidade a parte, o que com certeza a fez ficar cara-a-cara com Vulcan sem titubear, sem entregar a missão, sem se deixar levar pela água congelante no rosto, foi Castle. E esse amor também foi o porto seguro em que Beckett se ancorou para aguentar aquele maldito, son of a bitch, desgraçado do Vulcan falando de sua mãe. Nessa hora, eu juro que queria entrar no computador e pegar aqueles gelos e… deixa pra lá.

Eu não sei o que se passa na cabeça do Marlowe e nem em como ele consegue construir tramas tão geniais, mas eu agradeço. Como nada se perde em Castle, e como uma boa história que não se fecha, quando Beckett é finalmente salva por Helena, a nossa detetive descobre que alguém a quer viva. Pelo menos na minha cabeça, só há um nome: Bracken. Aparentemente, só Beckett sente que o senador é quem está envolvido na grande lavagem de dinheiro e quem mandou Helena impedir que a matassem, mas tenho certeza que não vai faltar muito para que toda a história apareça. E Beckett vai caçar, caçar, caçar até toda a poeira sair debaixo do tapete.
Continuo, de verdade, com as emoções em frangalhos. Acho que por trás de toda a sujeira de Bracken, de todo o satanismo na voz e pessoa do Vulcan e de toda tortura e dor que causaram em Beckett, a beleza do episódio ficou mesmo na relação de cumplicidade, afeto, carinho e amor entre Castle e Beckett. Quando em Countdown, quase congelando, ela disse obrigada por ele estar ali e ele respondeu “always”, eu tive a certeza de que ele realmente estaria ali para ela sempre. E, desde então, a lealdade que um tem com o outro, mesmo antes dos dois ficarem juntos, é o “que” a mais que faz Castle ficar na frente de outras séries que possuem, também, histórias de casais. Porque Caskett nunca foi e nem será um casal normal, comum. Porque só eles completam as frases do outro, só eles conseguem se beijar com um aperto de mão, só eles permanecem juntos em meio a tigres, assaltantes, frio, algemas e qualquer outra coisa que possa aparecer pela frente. Porque só ela bate na porta dele, molhada, e diz que tudo o que ela quer é ele. Porque só ele vai levar café para ela somente para fazê-la sorrir. Porque só eles had no idea de como completariam um ao outro, porque se tivessem, já estariam juntos há muito tempo.
Bem, eu acho que nem preciso dizer que In the Belly of the Beast virou top 5, né? Se vocês sobreviveram até agora, façam mais um esforcinho para permanecerem assim até o final dessa temporada, porque muita coisa ainda está por vir. Marlowe já introduziu o gancho para um possível season finale e eu mal posso esperar para que casamento, Bracken, Vulcan e tudo mais seja resolvido e trabalhado na série. Espero que não tenha ficado cansativo esse tanto de coisa que eu escrevi, porque foi a única forma que encontrei para conseguir expressar tudo que estava na minha cabeça. Nós teremos, mais uma vez, um infeliz de um hiato, então vejo vocês no dia 17 desse mês. Até lá!
PS1: Russo já é lindo, na voz da Stana é de matar.
PS2: Gates sendo Gates é muito bom. All the awards para a mão na cintura e a cara de brava, por favor!
PS3: Castle fica gostosinho com aquela calça larga de dormir que o faz parecer não estar usando cueca. Fica sim, e eu nem te conto o porquê.
*Dedico a review a todas as meninas do OCD que sempre estão ali para mim quando eu preciso surtar. I Love you, always.