É após um episódio como esse que pensamos “CHEGA, não dá mais pra mim, não vou mais me iludir”. Seja no núcleo da Dany, na Muralha ou em Porto Real, nada parece dar certo. A série voltou de uma pequena pausa com sangue nos olhos, e mostrou que as surpresas até o fim da temporada estão longe de acabar.
Ao saber do passado de seu escudeiro, Dany foi firme, como uma rainha deve ser. Mandar Sor Jorah embora foi talvez o ato mais difícil que ela já teve que tomar (e talvez por isso, não conseguiu ordenar que o matassem), mas ela fez o que tinha que fazer. Eu sempre senti pena dele, seja pelo exílio ou pelo amor oculto e não correspondido pela Dany. O fato é que Jorah não merecia isto, vê-lo finalmente dizer que a ama de joelhos pedindo perdão foi duro demais. Mas a trama de Tywin e Varys funcionou, e agora Dany perdeu um de seus grandes conselheiros. Sempre fortalecida a cada episódio, dessa vez Dany ficou mais fraca.
Do outro lado do mar, houve trocas de poder importantes: Roose Bolton, aquele traidor que deu o golpe fatal em Robb, é o novo dono do Norte. E graças a Reek, Ramsay agora é um Bolton legítimo. Juntos eles seguiram para suas novas terras e podem ou não intervir na luta que se aproxima na Muralha.
Já no Ninho da Águia, Mindinho e Sansa ludibriaram o conselho do castelo e agora mandam e desmandam em quem deve passar pela Porta da Lua. O pobre e pequeno Robin Arryn, novo Senhor do Vale, é a mais nova marionete de Petyr. No entanto, o destaque todo aqui fica com a ex-tonta Sansa Stark. Ela leu a situação perante o conselho e agiu tão friamente ao inocentar Petyr que ele a amou ainda mais depois disso. Na cena seguinte, vemos os dois conversando e Sansa diz saber o que Petyr quer. Após isso, vemos ela de preto e com um novo semblante. Menos inocente e mais adulta ela parece ter mudado, não só a mente, mas acredito que de menina para mulher. Sua troca de olhares com Petyr é quase uma denúncia, acho que ela não está longe de ceder ao desejo dele.

E então, a hora de Oberyn finalmente chega. Diferentemente do universo criado por Tolkien, em Westeros não há o bem e o mal totalmente definidos, há interesses. No entanto, por alguns minutos, tivemos essas linhas separadas diante de nossos olhos no mundo de Game of Thrones. De um lado, o ódio de Cersei somado à força cruel de Gregor Clegane. De outro, a esperança de Tyrion somada à vontade de fazer justiça por Oberyn. A Montanha e a Víbora fizeram jus às suas alcunhas e digladiaram-se de maneira tão bela quanto um combate entre dois grandes guerreiros deve ser.
Sem piscar os olhos acompanhava a destreza nos movimentos da Víbora, enquanto a Montanha tentava de todas as maneiras acabar com a luta. Oberyn não queria que aquilo terminasse rápido, ele queria mais, ele queria que Gregor sofresse, que confessasse seus atos contra Elia Martell. Ver o sorriso no rosto da Víbora a cada embate de espada e lança me dava certeza de que aquilo acabaria bem. Eu pensava, hoje sim. Hoje teremos aquilo que merecemos, um pouco de justiça.
“Você estuprou minha irmã. Você a assassinou. Você matou os filhos dela!”
Por diversas vezes Oberyn dizia o motivo de estar fazendo tudo aquilo. Imagino quantas vezes aquilo se passava em sua mente. Quantas vezes ele imaginou aquele cenário? Os gritos de sua irmã até a morte. O maior mérito desse combate não foi sua coreografia de luta, foi a série nos fazer torcer não somente por Tyrion, mas também por Oberyn. Desde o momento em que apareceu, no início da temporada, a Víbora se mostrou um total badass, mas foi no seu discurso a Tyrion, ainda no episódio passado, que ele conseguiu me ganhar. Foi ali, na fragilidade de ambos ao deixar as lágrimas saltarem aos olhos, que Oberyn se mostrou tão injustiçado quanto o anão.
É difícil para mim escrever essa parte, Martin insiste em matar todos os personagens com quem eu me identifico. Ned, o homem que morreu com honra. Robb, o Rei que nunca perdeu uma batalha, e agora Oberyn. A Víbora Vermelha de Dorne que caiu perante a emoção.
A cada esquiva, a cada golpe desferido pela lança dele, eu pensava “hoje sim, você vai morrer, Montanha”. E quando Oberyn conseguiu derrubá-lo, eu estava certo de que aquele era o fim. Era a nossa vez, um pouco de felicidade para quem vê essa série. Hoje sim, hoje sim, hoje não.
Tão rápida quanto a mudança do meu semblante ao assistir, Oberyn perdeu seus dentes e sua cabeça. Tyrion é sentenciado à morte e sobem os créditos. Por quê? Por que sempre assim? Por que sempre se negar a dar um pequeno momento de glória para aqueles que já sofreram tanto?
É assim, odiando o amor que sinto por Game of Thrones que me despeço de Oberyn Martell, a Víbora Vermelha de Dorne.
PS: “O pilar e as pedras” TARGARYEN, Daenerys.