“Um serial killer disfarçado de fantasma começa a assombrar os habitantes de uma pequena cidade.”
Quem lembra?
Que a saga Pânico fez sucesso nos cinemas não se discute. O primeiro filme estreou em 1996, seguido de mais três continuações e diversos outros longas que seguiram a mesma vibe e garantiram bom público e continuações para suas histórias. Entre elas, vale lembrar das franquias Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado e Lenda Urbana.

Apesar do sucesso de Pânico no cinema, vinte anos depois, o anúncio de que uma série seria realizada inspirada nos filmes do assassino mascarado (que fez sucesso nas festas à fantasia mundo afora) não gerou grandes expectativas. Talvez porque a história de adolescentes bobos fugindo de um assassino misterioso tenham perdido um pouco a graça e a originalidade ou pelo pouco alvoroço realizado pela MTV em sua divulgação, Scream estreou silenciosa.
Silenciosa e ousada, assim como o assassino mascarado que continua assediando suas vítimas por telefone, usando agora também de conversas via WhatsApp. As premissas do filme e da série são as mesmas, já o design da máscara mudou um pouco e o “Hello, Sidney” foi substituído por “Hello, Emma”. Os adolescentes continuam no elenco principal, com a escola de cenário regular e seus diálogos em frente aos tradicionais armários escolares, o atleta destaque do time da escola e o estudante fissurado em histórias de psicopatas.

Além de manter características fortes que ligam o seriado a franquia de filmes, a série conseguiu inovar e brincar com seu próprio estereótipo. Logo no episódio piloto, um dos personagens explica o porquê das histórias com assassinos psicopatas darem certo no cinema, o que provavelmente não aconteceria na televisão, ao contrário das séries de temas góticos como American Horror Story, Hannibal e Bates Motel (citações realizadas pelos próprios personagens no episódio piloto).
“Não se faz um filme de psicopata como série de televisão. Filmes de psicopata passam muito rápido. Na televisão é preciso esticar as coisas. Quando o primeiro corpo é encontrado, é só uma questão de tempo até o banho de sangue começar.” Noah Foster
A própria série, através de seu personagem, brinca dizendo que a adaptação não tem nada para dar certo, e ainda explica por quê. O personagem fissurado em histórias de terror é Noah Foster (John Karna), e ele aponta que para um seriado deste gênero ter sucesso precisa matar muitas pessoas, o que é possível em um filme, mas ficaria complicado em um seriado com diversos episódios. De acordo com Noah, para um seriado deste gênero dar certo o roteiro precisa fazer com que os espectadores se importem com o personagem, para que daí ele seja morto e sua morte impacte de alguma forma.

Sendo assim, são diversas personalidades e histórias pessoais diferentes apresentadas na série. Os romances estudantis continuam, mas dessa vez o nerd se dá melhor que o craque do basquete. O bullying é abordado e o homossexualidade é tratado com naturalidade, apesar de ser o primeiro alvo da violência cibernética. Amizades passam por conflitos e o policial da cidade continua procurando o amor para a sua vida.
A história geral ainda tem um mistério que chama a atenção. A pequena cidade onde se passam os acontecimentos, Lakewood, é assombrada por um passado sombrio. Vinte anos atrás, o assassino psicopata Brandon James causou pânico na cidade assediando uma garota pela qual ele era obcecado. A negação da menina e o bullying dos colegas fizeram com que Brandon assassinasse cinco adolescentes antes de ser atingido pela polícia e cair em um lago, desaparecendo para sempre. Qualquer semelhança com Jason e a franquia Sexta-Feira 13 não é mera coincidência e sim uma boa referência, assim como a máscara e o fato de Brandon ter o rosto deformado.

As novas mortes, que iniciam com a patricinha Nina e o sumiço do seu namorado, remetem para esse passado e assombram o prefeito que tentava sepultar o apelido da cidade de “Murderville”. Quem também se assusta com os crimes é Maggie Duvall (Tracy Middendorf). Agora responsável pelas autópsias nos corpos das vítimas, antes ela era a menina por quem Brandon ficou obcecado. Maggie até hoje tenta esconder o passado da filha, Emma (Willa Fitzgerald, de Royal Pains), protagonista e atual principal alvo.
Scream ainda conta com um elenco de figuras interessantes como Bex Taylor-Klaus (de The Killing, Arrow e iZombie) interpretando uma amiga de Emma que é gravada beijando outra menina e sofre bullying logo no primeiro episódio. Também fazem parte do elenco principal Jason Wiles (Persons Unknown e Zodíaco), Amadeus Serafini, Connor Weil, Carlson Young (True Blood), Bobby Campo (Premonição 4 e Being Human) e Tom Maden.
A franquia de filmes ganhou vida na televisão e é garantia de bons momentos de lazer com suspense e mistério. Se Scream vai desafiar seu próprio personagem e vingar por mais algumas temporadas ainda não é possível saber, mas o seriado vem se encarregando de matar alguns personagens para garantir uma vida longa para a série.
Scream estreou nos Estados Unidos no dia 30 de junho e já apresentou três episódios na televisão americana: Pilot, Hello, Emma e Wanna Play a Game?.