Vamos nos despedir apropriadamente de Orphan Black? Então dá o play em Water Prayer Rasta Mix e vem comigo.
Genialidade em forma de episódio. Assim pode ser descrito By Means Which Have Never Yet Been Tried, o episódio que encerrou a eletrizante e maravilhosa segunda temporada de Orphan Black.
Muita gente reclamou que nessa temporada as tramas de OB se sucederam de forma muito rápida e, com isso, a compreensão de muitas coisas teria ficado prejudicada. Não acho que foi o caso. Sim, as coisas foram aceleradas. Os plots apareciam, se resolviam e iam embora – dando lugar a outros ainda mais intrincados – em poucos episódios. Mas pra mim esse foi um dos pontos altos da temporada. Os roteiristas não tiveram medo de “gastar” plot porque tinham outro ainda melhor para nos apresentar na sequência. Que série consegue fazer isso com tamanha competência?
Mas, deixando a temporada como um todo um pouco de lado (volto a falar dela no encerramento do texto), vamos ao episódio em si.
Nessa semana três clones ficaram no olho do furacão. Inevitavelmente, os holofotes se voltaram para Sarah, a protagonista da série. Mas a poor, poor Rachel e a Cosima também tiveram função MUITO importante no episódio. Aliás, acho que nessa semana todo mundo teve, não?
Helena e Alison estavam por ali. Kira foi importante. Assim como Fee, a Mrs. S, o Paul, o Cal, a Marion. Pudemos ver quase todo o pequeno grande elenco de Orphan Black em By Means Which Have Never Yet Been Tried. E em grandes atuações.
Logo no início do episódio a sensação já era de O QUE É QUE ESTÁ ACONTECENDO? Sarah se rendeu precocemente, para livrar Kira de seu “cativeiro”. E enquanto a clone selvagem e sobrevivente se submetia a questionamentos e tentava não demonstrar vulnerabilidade (essa cena teve respostas improvisadas pela genial Maslany), Siobhan e Fee recebiam a visita de Cal. Quem diria que ele seria tão importante na conclusão da trama? You go, Cal!

Enquanto o brother sestra Fee ajudava Art a lidar com o retorno de Helena (que não colocou fogo em rancho nenhum, né?), S. e Cal fizeram contato com um alguém infiltrado na Dyad. Alguém ouviu Paul por aí? O cara é, na verdade, um militar do alto escalão (Major Dresden, muito phyno) que espionou o Instituto e acabou conseguindo informações muito valiosas sobre o Projeto LEDA. Tudo porque o exército desenvolveu o projeto Castor, e as informações sobre as clones eram importantes para eles. Mas falaremos disso na sequência.
E nesse cenário aparece Marion Broyles, que negociou com Paul a libertação de Sarah e Kira. Foi mais ou menos assim: Cal ajudou S. a chegar no informante – S. oferece Helena para Paul, para que ele oportunize a fuga de Sarah e Kira – Paul dá as informações sobre o Projeto Castor para Marion em troca da libertação das duas. Mas antes de Marion voltar para a Dyad, muita coisa aconteceu por lá. E não foi só crazy Science.
Rachel continuou mais louca que o Batman nesse episódio, e com isso Sarah seria submetida a um procedimento para retirada de um dos ovários. Mas isso não era suficiente para que Rachel se tornasse fértil, então ela precisava do tal código que o Professor Duncan usou para proteger as sequências genéticas. E ela chamou o pai para um bate-papo com chazinho que acabou com um gosto amargo e salgado (por causa das lágrimas, sacaram? Sou uma ótima piadista).
Quando o Duncan fala que trouxe o seu próprio chá eu saquei que ele se sacrificaria para acabar com o projeto LEDA de uma vez por todas. Afinal de contas, ele já teria feito o que precisava para salvar Cosima, e perdeu toda a vontade de viver depois que percebeu que a sua querida Rachel não existia mais. Pior: nem lembrava mais dele e de todo o seu amor. E com um “você não me merece mais” ele morreu nos braços da filha. Que cena!
Mas quem achou que isso tornaria o coração da clone vadia mais molenga se enganou. Ela ficou com mais raiva ainda, e foi ter uma conversinha com sua “irmã” (você não pode usar essa palavra, Duncan. Shut up!) Sarah, que estava pronta para uma ooforectomia. Rachel surtou, jogou o material genético colhido para salvar Cos no chão. E achou que havia vencido a guerra contra Sarah e as outras irmãs. Mas ela se precipitou. Porque é foi aí que entraram Scott e Cosima.

A primeira maldade que Rachel fez no episódio foi mandar Delphine para a Alemanha sem nem ao menos permitir uma despedida Cophine. Mas Delphine mostrou sua lealdade ao Clone Club antes da partida e mandou a agenda de Rachel para Cos. E a geek monkey, mesmo batendo na porta do céu, fez um super experimento científico junto com Scott para salvar sua irmã.
Acompanhamos o passo-a-passo da construção do “extintor arremessador de lápis bem apontado” graças à genialidade da produção da série, que uniu a cena da elaboração do artefato com uma cena da aula de ciências que Cos dá pra Kira. Tudo pra que a garotinha fizesse um desenho para Sarah, possibilitando que ela voltasse a sua atenção para o extintor.
Depois que Scott libertou uma das mãos de Sarah e lhe disse um “oi” enviado por Cosima e que ela percebeu o desenho e o “aperte” no extintor, sabíamos que Sarah escaparia da situação. Afinal de contas, Manning é badass que só. Mas ainda assim a cena do lápis cravado no olho de Rachel foi bastante perturbadora. E nem vou ser hipócrita e dizer que fiquei com pena. Foi puro nojinho mesmo.
Tá certo que isso tudo seria quase que desnecessário, visto que os esforços da S. e do Cal deram certo e Marion ia libertar Sarah. Mas tem como não morrer de amor por Cos (e por Scott e Delphine também) depois desse trabalho de equipe tão genialmente executado? Não tem.
Depois disso tudo, um bom pedaço do episódio já havia transcorrido. Mas nos enganamos em pensar que os minutos finais trariam um desfecho mais lento e comum para a temporada.
E primeiro os roteiristas brincaram com nossas emoções e resolveram passar um bálsamo em nossos coraçõezinhos apreensivos e machucados. Helena conhecendo suas irmãs e reencontrando Kira foi lindo. Tão lindo que eu achei que nenhuma cena conseguiria superar aquela (é impressionante como Tatiana Maslany interagindo com Tatiana Maslany desperta tantos sentimentos).

Mas aí veio a cena de dança do clone club. E vamos combinar: que cena foi mais legal/genial/maravilhosa do que essa? Além dela ser muito difícil de fazer, tecnicamente, ela mostrou porque Tat é a atriz mais mais MAIS da atualidade. Ela conseguiu dançar de 4 formas muito diferentes, e trazer toda a personalidade de Ali, Helena, Cos e Sarah a tona apenas através de seus movimentos. Levantem-se e aplaudam, porque ela merece.
Mas é claro que essa cena feliz não encerraria a temporada. E eu já comecei a preparar meu coração para o pior (leia-se morte da Cosima) depois disso. Ou eu pensei que estava me preparando, porque a cena da Sarah e da Cos na cama (também um primor, em todos os sentidos. Talvez a minha preferida da temporada toda) me mostrou que eu não estava pronta para a emoção que viria a seguir.
NOT COOL, roteiristas. Como vocês colocam aquela cena da Cosima e da Kira no episódio? Gente, eu literalmente passei mal. Quando a Cosima, depois de não abrir os olhos, viu a luz e a Delphine, eu achei que ela iria morrer mesmo. MAS EU ME ENGANEI, SENHORAS E SENHORES. E nunca fiquei tãããão feliz por estar enganada. <3

E o finalzinho do episódio ainda conseguiu trazer 4 novas tramas, a serem exploradas na nova temporada. Isso enquanto explodia completamente nossas mentes:
1 – Helena sendo levada pelo esquadrão de elite do Major Paul;
2 – Charlotte, a mini-clone filha de Marion, sendo apresentada à Sarah;
3 – Cosima descobrindo que está no Livro do Dr. Moreau o código criado por Duncan; e,
4 – O projeto Castor e os clones masculinos – sendo o Prolethean Mark um deles – sendo revelados.
Vocês têm noção que em menos de 3 minutos os roteiristas conseguiram nos dar todas essas informações e encaminhar de uma forma tão tão taão interessante a trama da 3ª temporada? GENTE, QUE SÉRIE É ESSA? Foi ou não foi um ótimo encerramento para uma temporada perfeita?
Claro, essa temporada teve seus deslizes. Nem todos os episódios foram perfeitos. O Tony foi inserido em um mal momento, sua trama não se desenvolveu. Mas esses detalhes não tiram o brilhantismo de Orphan Black, uma das melhores séries em exibição na atualidade.
E com Tatiana Maslany capitaneando o elenco. Eu sei que já falei muitas vezes (só nessa review foram várias) sobre as qualidades de Tat. Mas não tem como encerrar o texto sem elogiar mais uma vez a canadense, que além de construir 5 personagens completamente diferentes – ao ponto de esquecermos que ela interpreta todos eles – ainda interpretou outros 2 (Jennifer e Tony) com absoluta competência. Isso sem falar em todas as oportunidades na qual ela interpretava a clone A sendo a clone B e assim por diante. A interpretação de Tatiana Maslany é um deleite para a alma. E sim: todos os prêmios deveriam ser dela.
Finalizando esse livro-review, creio que para a 3ª temporada (que deve ser confirmada em breve pelo Space e pela BBC) podemos esperar mais episódios bem escritos, eletrizantes e bem atuados. Provavelmente teremos o retorno de Tony, o que aumenta a responsabilidade de Maslany. Descobriremos mais sobre Paul e seus militares, e sobre o destino de Helena. E temos um novo mundo de clones masculinos para desvendar. O único problema vai ser esperar quase um ano até esse dia. Nos vemos lá o/

P.S.1: Acho que Rachel não morreu. Apesar do ferimento ter sido bem feio, creio que vai resultar apenas em um tapa-olho. E torço por isso. Arrisco dizer que se a 2ª temporada foi sobre a redenção de Helena, a 3ª pode ser sobre a redenção dela.
P.S.2: assistam ao vídeo abaixo Ele mostra como a cena de dança foi gravada. É impressionante e genial.
P.S.3: mais alguém aí já está louco pra ver Charlotte e Kira sendo BFFs?
P.S.4: Na mitologia, Castor é filho de Leda. Ou seja, o Projeto Castor é um projeto derivado do LEDA.
P.S.5: espero que a Delphine não esteja ao alcance do poder de Rachel quando ela acordar. Só espero.
P.S.6: será que os clones masculinos serão tão bem desenvolvidos quanto os interpretados pela Tat? Ari Millen dá conta do recado?
P.S.7: #SaveCosima continua, minha gente. E as esperanças aumentaram.
P.S. Eterno: Tatiana Maslany RAINHA.