Na semana passada, o grande assunto do Universo do seriados de TV foi mais uma vez Rodrigo Santoro. Os depoimentos de Santoro para a edição brasileira da revista Rolling Stone estavam em todo o lugar, de O Fuxico ao Correio do Brasil. E do Brasil para o mundo: a declaração do ator já circula pelos EUA – começou pela coluna da Kristin no E! Online, passou pelo site SpoilerFix e chegou até a edição impressa do jornal Honolulu Star-Bulletin.
O depoimento, onde Santoro comunicava que estaria saindo da série Lost e onde soltava a infeliz declaração de que “provavelmente vou morrer”, só não estava no TeleSéries.
Não entrou no TeleSéries por capricho. Na posição de editor eu não quis publicar que “segundo a Folha, Santoro disse a Rolling Stone”. Queria eliminar este intermediário, queria a revista, cadê esta revista?, e só esta semana peguei ela na mão.
E peguei a revista já com um pré-conceito formado. Queria escrever a todos que Santoro foi infeliz, foi imaturo, anti-profissional (afinal qual o ator que conta o final do filme)? A questão pra mim em discussão era só esta. Santoro falou demais. Ok, que desistisse de Lost e que contasse só para os amigos (nunca para a imprensa), que fizesse seus testes e filmes e assinasse seus contratos evitando declarações até o final de sua participação, da forma low-profile como ele mesmo tenta levar a vida. Afinal, Ian Somerhalder não falou que Boone iria morrer em Lost, Maggie Grace, Cynthia Watros e Michelle Rodriguez também. Aquele personagem que faleceu no início desta terceira temporada também.
Mas há quem vá além, fazendo o julgamento do ator por suas escolhas. “Santoro está dando um passo para trás na carreira”. “O cara está desperdiçando uma oportunidade que milhares de atores sonham”. Etc. Etc. Eu tento não julgá-lo. Não quer continuar ok, PT saudações. De repente o Havaí é um lugar horrível. O anonimato deprime. A solidão é demais. A Evangeline Lilly tem mal hálito e o Jorge Garcia come toda a comida no camarim. Talvez o ritmo de gravação de uma novela das oito seja mais humano que o de Lost. Talvez seja melhor ser o protagonista de um filme dirigido pela Laís Bodanski do que coadjuvante de um seriado dirigido pelo Jack Bender. Talvez.
Curiosamente, quem lê a entrevista da Rolling Stone começa sentindo simpatia pelo ator. Rodrigo Santoro é só coração. E este é o problema. Se usasse a razão teria feito outra escolha, ou ao menos dado um outro depoimento.
Com o passar das páginas, ele se revela simplório e alienado, a ponto de irritar o leitor.
Porque a questão não é só que tenha falado demais. Rodrigo Santoro entrou em Lost sem saber o que era Lost e agora se afasta de Lost sem entender a real dimensão da série e o que ela significa, significará e o que poderia vir a significar para sua carreira.
Que venha o próximo ator brasileiro.