
Depois de anos (e anos) assistindo a seriados a gente vai perdendo a sensibilidade. O coração endurece, a gente se distância emocionalmente dos personagens diante da TV. As agoniantes renovações de contrato com atores, as crises de vaidade nos bastidores, a indecisão dos canais se renova ou cancela as séries… Tudo vai minando a paixão do telespectador, que vai se envolver afetivamente com uma série, talvez duas, no máximo com três programas. Mas não mais do que três. Virão outras séries, sempre terão boas séries, mas ele vai apenas assistí-las. Calejado, o telespectador já não irá mais se envolver tão intensamente com elas.
É por isto que as pessoas são tão insensíveis com Lost e Heroes, tirando os jovens fãs. Mas os mais velhos, ah, estes carregam consigo as decepções de Arquivo X, e temem ver estes novos shows derraparem na próxima esquina. E este viúvos da Beth e do Mick St. John então? Ah, este jovens fãs de Moonlight, como os invejo, sofrem agora, pela primeira vez, de coração partido por um cancelado amor impossível televisivo.
O TeleSéries teve seu grande rompimento afetivo-televisivo em 2006, na finale de Everwood. Até hoje tem gente que visita o site para deixar algum comentário sobre a série na crítica positiva (aqui) ou na negativa (aqui). Tem gente, como o meu colega Bruno Carvalho, do blog Ligado em Série, que teve sua desilusão televisiva no ano passado, com Veronica Mars. Eu nem me ressenti com Veronica Mars. Aquilo foi tão bom e tão rico que eu tenho certeza que um dia vai continuar – em um telefilme apressado, ou numa revista em quadrinhos. E finais abertos também podem ser curtidos. Os velhos fãs de Angel sabem disto.
Mas veja só, este negócio de não se envolver, de nos tornarmos céticos, vejam só, é tudo balela. A gente acaba se envolvendo e volta e meia tendo uma nova desilusão. Eu mesmo estou passando por uma nova ressaca, agora mesmo, menos de um dia após assistir a finale de Las Vegas. Clique aqui para continuar a leitura »