Feliz Chrismukkah: ‘The O.C.’ mostra como inovar nas festas de final de ano!


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“Blim, blon, blim, blon, blim, blon…

Bate o sino da matriz

Papai, mamãe rezando

Para o mundo ser feliz

Blim, blon, blim, blon, blim, blon…

O Papai Noel chegou,

Também trazendo presente,

Para a vovó e o vovô”

É, amigos. Quando musiquinhas como essa surgem por aí, uma coisa é certa: o ano está terminando e, na carona, se aproxima mais um Natal. No Brasil, país em que a maioria da população se autodeclara cristã (quase 90%, segundo o Censo 2010 do IBGE), o encerramento de mais um ciclo de 365 dias geralmente é marcado pelos festejos mais icônicos da cultura ocidental, simbolizando, religiosamente, o milagre do nascimento do menino Jesus, o Salvador. No entanto, há muito tempo essa data foge da natureza estritamente religiosa, imprimindo um ritmo ao calendário anual e atingindo, até mesmo, aqueles que não pertencem a nenhuma religião. Começa dezembro e as luzinhas piscam-piscam por todo o lugar, milhões de pessoas saem à procura dos presentes perfeitos e às compras para o grande banquete do ano, familiares e amigos fazem o possível para se reencontrarem, crianças esperam ansiosamente pelo Papai Noel e a esperança de alguns dias de descanso se torna o tópico principal das conversas. Tudo isso nos é muito familiar. Mas, você já imaginou como seria comemorar dezembro de um jeito diferente, que não fosse o Natal? Para sacudir o seu final de ano, a cozinha do Teleséries saiu do convencional e preparou a mesa baseada nos festejos de uma das séries mais famosas da década de 2000. Vamos celebrar com uma receita inspirada no Chrismukkah, a inovadora festa da família Cohen de The O.C.!

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Seth Cohen: “Permita-me apresentá-lo a uma pequena coisa que eu gosto de chamar de Chrismukkah”.

Assim que foi adotado pela família Cohen e chegou a Orange County, Ryan Atwood (Benjamin McKenzie) sabia que muitas coisas seriam diferentes daquele ponto em diante. A saga de aprender a vida em um novo mundo, passando por um enorme choque cultural marcado pela saída de uma realidade dura de miséria e violência para a perfeita (ou vista como) vida dos Cohen, conduziu boa parte da primeira temporada de The O.C. Tendo a mesma idade de Ryan, Seth (Adam Brody) logo se sentiu responsável por mostrar ao novo irmão, vindo de Chino, como as coisas funcionavam por ali. E foi assim que ele, há 10 anos, no episódio The Best Chrismukkah Ever (s01e13), apresentou a Ryan uma das mais valiosas tradições da família Cohen (presente nas temporadas seguintes da série): a festa de Chrismukkah.

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Seth:

Então, o que vai ser? A menora ou a bengala de açúcar? Natal ou Chanucá?

Ryan:

Ah…

Seth:

Não se preocupe com isso, cara, porque, nessa casa, você não precisa escolher.

[Vídeo em Inglês]

Com origens nas crenças cristã e judaica, os Cohen representam uma conformação familiar muito comum nos Estados Unidos da América (EUA). A miscigenação entre pessoas de religiões diferentes, em especial entre Cristianismo e Judaísmo, é um fenômeno relativamente novo, propiciado pelas trocas culturais que marcaram os últimos séculos. Em The O.C., a mistura tem um dos seus principais marcos nas festas de final de ano, pois é a hora de comemorar o conhecido Natal, proveniente da família de Kirsten (Kelly Rowan), e, também, o Hannukah (Chanucá), a grande festa da raiz judaica de Sandy (Peter Gallagher), que, sendo uma influência cultural forte nos EUA, tem presença garantida em diversos seriados, como no caso de Friends, com os inesquecíveis irmãos Monica e Ross Gheller.

Mas, bem, crescer em um ambiente de tantas diferenças, em que os pais não sabiam muito bem como reunir suas crenças em uma mesma ocasião, foi a peça principal para a invenção de Seth, o responsável mor pelas celebrações de final de ano na casa dos Cohen. Com apenas seis anos – e uma mente muito criativa –, ele deu nome e voz a todas aquelas pessoas que, como ele, ficavam na dúvida sobre como festejariam o seu final de ano em meio a famílias marcadas pela diferenciação cultural. Apresentado ao grande público por Seth, em 2003, o termo Chrismukkah se refere a uma festa que propõe misturar influências do Christmas (Natal) e do Hanukkah, sem excluir nenhuma das tradições. Fato bastante presente nas famílias judaico-cristãs norte-americanas, a festa não possuía um nome exato e, logo após o aparecimento na série, a alcunha Chrismukkah tornou-se famosa. Hoje, é muito comum encontrar referências em diversas mídias sobre essa época do ano, em especial na internet, com blogs onde muitas pessoas contam as suas experiências e formas de como as famílias integram a noite da véspera de Natal, que celebra o nascimento de Jesus, aos oito dias de Festival das Luzes, em alusão à retomada do Templo de Jerusalém em 164 a.C., reafirmando a crença religiosa judaica.

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Como mostra o desenho do blog ‘the ya abc’, o Chrismukkah é uma mistura intereligiosa e cultural.

Em The O.C., não são mostradas muitas pistas formais de como a festa acontece. No entanto, Seth garante que é a época em que oito dias são dedicados a presentes, sendo um deles para MUITOS presentes. Um tanto quanto descrente com as festas de final de ano, Ryan demora um pouco para entrar no espírito efervescente do irmão, que parece planejar a ocasião durante muito tempo, com diversas embalagens de lembrancinhas, organização de festa com os amigos e a família, decoração multicultural pela casa e, como não poderia faltar, uma boa comida.

E o que se come no Chrismukkah?

De modo geral, as famílias mantêm as tradições culinárias de cada religião. Assim, pode ser que encontremos em uma mesa tanto mashed potatoes (purê de batatas) quanto latkas (panquecas de batata), sem modificação ou incorporação de receitas, mas, sim, com os pratos ocupando espaços lado a lado. Como o Natal e o Chanucá acontecem em datas diferentes, apesar da mesma época do ano, não necessariamente é feita uma única festa para as comemorações. Nos EUA, a holidays’ season (temporada dos feriados) tende a ser longa, assim como as refeições (hehe!), sendo que é possível diluir vários pratos nos diversos dias. No entanto, no mar de influências gastronômicas, uma tendência que chamou muito a atenção da cozinha do Teleséries foi o fato de que famílias como a dos Cohen, especialmente devido ao braço judaico da família, tem a tradição de comer take outs (delivery, tele-entrega) de comida chinesa no dia do Natal.

O fenômeno, de origem bem recente, é uma renovação na tradição das famílias judaicas norte-americanas. As razões são variadas e não há apenas uma regra oficial de por que esse hábito ser tão comum. No entanto, um dos motivos bastante evidentes está na similitude de calendários das culturas judaica e chinesa, que constituem os maiores grupos de imigrantes não cristãos dos EUA. Sendo assim, as duas culturas não consideram a festa dominante de Natal como uma de suas comemorações. Então, no dia 25, quando praticamente 100% dos estabelecimentos estão fechados, os restaurantes chineses aparecem como uma alternativa viável aos judaicos de pedir comida em casa ou, ainda, sair para comer. Com o passar do tempo, esse acontecimento acabou virando natural. Há várias outras teorias para o fato, como a presença de ingredientes similares nas duas cozinhas, como o alho e o frango, a forma caseira de preparar os alimentos e, no caso de Nova Iorque, a proximidade das colônias de imigração chinesa e judaica, que localizam-se nos bairros Chinatown e Lower East Side, onde, aos redores da Sinagoga, nas ruas próximas, encontram-se casas de mangares orientais. Outra parte da tradição é, junto da comida chinesa, fazer uma boa preguicinha e assistir a um filme, que pode ser, inclusive, de Natal, integrando as influências das duas festas. Para saber mais, leia aqui (link em inglês). Tendo esse background através da infância de Sandy, a família Cohen é, também, adepta dessa transformação urbana e, após os dias de festa, reserva o Natal para um bom filme e um delivery chinês. Então, para você entrar nas suas festas de final de ano com novas ideias na caixola, a hora é de colocar a wok e os hashis para trabalhar!

E qual é o prato da vez?

Nos EUA, a culinária chinesa desnvolveu-se de maneira particular, preservando muitos ingredientes da culinária tradicional, mas, também, adicionando outros e conferindo fama a alguns sabores. Dentre os pratos principais mais apreciados pelos norte-americanos nos take outs chineses, está o Chow Mein (do chinês Chao Mian), uma massa (tipo noodles) frita acompanhada de vegetais e carne, semelhante ao nosso conhecido Yakisoba (que nasceu da inspiração na cozinha chinesa). Na China, o Chow Mein carrega bem mais vegetais do que nos EUA – o que acontece na maioria das outras receitas também -, país que dá muito valor para a carne. Uma das proteínas mais apreciadas na cozinha chinesa norte-americana é a do frango, encontrada em diversos pratos. Sabendo disso, hoje vamos curtir o Chrismukkah com um saboroso e marcante Chow Mein, baseado na mistura das culturas culinárias americana a chinesa.

Chow Mein de The O.C. 

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Ingredientes:

500 g de massa tipo noodles (pode ser para Yakisoba ou, ainda, miojo)

1 kg de frango cortado em cubos

1 xícara (chá) de: cenoura em tiras; cebolinha verde picada; brotos de feijão; brócolis em pedaços

2 dentes de alho picados

2 colheres (chá) de amido de milho (dissolvidas em água)

Molho de soja

Vinho branco para cozinha

Óleo de Gergilim

Óleo Vegetal

Sal a gosto

Modo de Fazer:

1) Em uma panela com fundo antiaderente (a tipo wok é a melhor), salteie ligeiramente (cerca de 2 ou 3 minutos) os legumes e o alho com uma colher de sopa de óleo de gergelim. Retire da panela e reserve.

2) Com a panela limpa (é muito importante lavar para que os sabores não se misturem), frite bem o frango, que deve ter sido marinado por ao menos 20 minutos na seguinte mistura: 4 colheres (sopa) de molho de soja, 1 colher (sopa) de óleo de gergelim, meia colher (sopa) de vinho de cozinha e amido de milho dissolvido. Quando o frango estiver bem frito, retire da panela e reserve.

3) Em outra panela, ferva cerca de 3 litros de água e, no momento da fervura, adicione a massa e deixe cozinhar o tempo indicado na embalagem (cerca de 4 a 5 minutos, no máximo). Após, escorra a massa em água fria, parando o cozimento para evitar que a massa fique grudenta.

4) Volte à wok, adicione óleo vegetal (cubra o fundo da panela) e frite a massa por cerca de 4 minutos, mexendo sempre para não grudar. Adicione os vegetais, a carne e cerca de 6 colheres (sopa) de molho de soja.  Frite todos os ingredientes juntos, cuidando para não pegar no fundo. Esse processo deve durar, no máximo, 5 minutos.

5) Por fim, adicione um último toque de óleo de gergelim e sirva na hora.

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Um prato, diversos sabores. Nutritivo, gostoso e com clima de festa!

E está pronto! Uma receita simples, porém exótica. Há alguns ingredientes da receita tradicional, como o molho de ostra, que não consegui encontrar. Mas, em geral, a maioria das coisas é super tranquila de achar nos mercados locais. Chow Mein é uma receita muito saborosa e, se feita bem passo a passo, dá super certo. O sabor do óleo de gergelim é um destaque ao prato, deixando-o bem marcante mas, ao mesmo tempo, suave e delicado. O legal de comer o Chow Mein é testar as habilidades com os hashi (os palitinhos), seguindo bem o estilo oriental. Para acompanhar a noite, você pode escolher servir como entrada os rolinhos primavera, que são uma receita bastante tradicional, feitas, geralmente, com repolho e alguns condimentos, como molho de soja e o óleo de gergelim. Eles também são uma ideia para sobremesa – aqui no Brasil, muitos restaurantes servem com recheios bem caseiros, como goiabada e doce de leite. Para isso, basta que você compre a massa pronta de rolinho primavera ou, se não encontrá-la, é possível usar a de pastel mesmo. O único detalhe a ser cuidado é o formato quadrado, pois, para dobrar o rolinho, é preciso fazer uma técnica de pacote. Há um vídeo muito legal, no canal Presunto Vegetariano, que ensina um passo a passo e, inclusive, uma receitinha de massa caseira.

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Uma boa dica é fazer o rolinho primavera assado. Além de mais sequinho, é bem mais saudável!

Depois, basta você colocar aquele filme na sua televisão (ou computador) – se quiser a dica de The O.C., as pedidas são os clássicos A Felicidade Não Se Compra (1946) e Um Violonista no Telhado (1964) -, pegar uma boa tigela (ou caixinha, como preferir) e enchê-la até o topo com essas comidas gostosas. Aqui na minha casa, a ideia deu super certo: a gente adiantou o nosso Natal, uma vez que não estaremos todos juntos no final de ano, e aproveitamos a ideia da comida chinesa. O pessoal adorou!

Para dar um toque de festa, a sugestão fica na escolha de cores vibrantes e, ainda, no uso de velas, pois a iluminação da vela é uma parte que integra a mística das duas tradições que formam o Chrismukkah. Dependendo de sua crença (religiosa ou não), não vou dizer que você tenha que usar símbolos de uma ou de outra religião, mas, se preferir, você pode decorar os pratos e o ambiente com elementos que recordem as tradições, como, por exemplo, harmonizar um Crucifixo e uma Estrela de Davi lado a lado, simbolizando a união entre as culturas. E, caso o final de ano traga alguma má lembrança, Seth Cohen dá a dica: “Nada arruína o Chrismukkah. Tem o dobro da resistência do que qualquer outro feriado”. 🙂

A cozinha do Teleséries deseja a você um ótimo final de ano, da maneira que for a sua festa, torcendo que sejam dias de paz e, claro, de muitas provinhas culinárias!

Até 2014!

 

Fotos da comida: Guilherme Moreira

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  1. Angela Mara Correa - 21/12/2013

    Adorei, Mariana!

  2. Mariana - 08/01/2014

    Oi Angela! Que bom que você gostou 🙂

  3. Roberto - 28/12/2013

    Muito bom!! Mariana

  4. Mariana - 08/01/2014

    Olá Roberto! Fico feliz que tenha gostado! Teste a receita e nos avise como ficou 😀

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