Série Virtual – Destination Anywhere – Que Começe o Jogo


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Série: Destination Anywhere
Episódio:
Que Começe o Jogo
Temporada:

Número do Episódio:
1×04

 

CENA 1 – EXT. CAMPO DE FUTEBOL – NOITE

O placar marca 2 a 2. E o relógio conta regressivamente o minuto final da partida. O barulho é ensurdecedor, a multidão – a maioria vestida com as cores dos “Lançadores”, branca e azul – grita entusiasmada. A bola esta com um jogador do time dos Rogers, e ele esta prestes a chutar. Matt para de correr. Olha para o goleiro assustado, e nesse momento não havia mais nada. Nenhum som, nenhum pessoa, somente ele e seu adversário. O contador agora está na marca dos segundos. Não há muito tempo. Matt respira e os sons começam a invadir seus pensamentos. As líderes de torcida encorajam as pessoas a gritarem e a cantarem. Todos estão à espera da decisão. Matt está com a bola, e está pronto para chutar.

 

CENA 2 – INT. CASA DOS GRAHAM – QUARTO DO MATT – DIA

O despertador toca, e Matthew cobre o rosto com o cobertor. Outro despertador, que estava em cima de sua mesa de cabeceira, toca, fazendo com que Matt se levante. O garoto sorri ao ver um pequeno bilhete embaixo do relógio.

LOU: [Voice Over] “Olá, campeão! Você sabe que nunca fui boa com palavras, mas aqui escrevo com todo meu amor. Matt, meu orgulho de viver, será que dava pra você fazer o café? Beijos, Lou. Ps: Bom jogo! Estarei lá!”.

 

CENA 3 – INT. MESMO LOCAL – SALA

Matt desce as escadas já vestido para ir à escola. Ele entra na cozinha e coloca os pães na torradeira. O garoto senta-se na mesa e seu celular apita. No visor do aparelho havia um alerta de cinco mensagens recebidas. À medida que Matt vai abrindo as mensagens vemos que se tratam palavras de encorajamento sobre o jogo. O alarme da torradeira apita e ele pega os pães, uma caixa de suco na geladeira, e um pote de geléia escura.

 

CENA 4 – EXT. FAZENDA

LOU está ao lado de um homem. Ela carrega uma prancheta na mão e toma nota de tudo que o homem diz.

HOMEM: Os números são esses, senhora.

LOU: Tem certeza, George? Em menos de quatro meses não dava pra produção ter caído tanto.

GEORGE: A produção não caiu, senhora. Mas os tributos que estamos pagando é mais do que podemos arcar.

LOU: George, continue com o bom trabalho. Eu tenho que levar isso pro escritório. Eu estou trabalhando para que dê tudo certo, pode ter certeza.

GEORGE: Eu sei disso, senhora. Até mais.

LOU entra em sua caminhonete e encosta a cabeça no banco do seu assento. A mulher suspira, ajeita o retrovisor e liga o automóvel.

 

CENA 5 – EXT. ESCOLA WILL ROGERS – ESTACIONAMENTO

Há faixas decorativas por todo o lugar. A maioria delas traz escrito em azul celeste as iniciais W.R., ou o nome do time da escola – “Ropers”. ALEXIA ajeita seu óculos escuro no rosto, e encosta-se na porta do carro, onde REBECCA se encontra. BECKY sai do carro e fecha a porta com força, provocando em ALEXIA uma expressão de dor. Ela pega uma caixa de comprimidos de sua bolsa.

BECKY: O que é isso?

ALEXIA: São pra dor de cabeça.

BECKY: Você não deveria ter bebido sabendo que hoje é dia de jogo.

ALEXIA: Ah! Becky. Não sou eu quem vai jogar.

ALEXIA sorri.

ALEXIA: Até que a noite não foi de todo ruim. Se bem que o Phillip não tinha nada que ter levado aquela “zinha” pra festa.

BECKY: Não implica com a Anna, Alley. A garota acabou de chegar, você nem a conhece.

ALEXIA: E você gostou dele ter levado a tal Anna pra festa?

BECKY: Você tem certeza que o efeito do álcool já passou? Eu e o PH não temos nada um com a vida do outro há séculos. E além do mais, a Anna não é uma má pessoa.

ALEXIA: Ai, Becky. Odeio quando você é racional e justa.

BECKY olha pra ALEXIA e sorri. MEL e SAM vem em direção contrária às duas garotas. MELISSA olha para o amigo, após perceber que REBECCA estava por perto.

MEL: Sam, você quer que eu pegue um babador?

SAM: [Sorrindo e olhando para Becky] Eu não sei do que você está falando.

No momento em que os quarto se cruzam, SAM derruba seus livros aos pés das duas líderes de torcida. MELISSA cobre o rosto com vergonha pelo amigo, enquanto ALEXIA aponta para garoto e começa a rir. REBECCA fica paralisada e SAM se baixa para pegar o que havia derrubado.

SAM: [Olhando para Becky] Desculpa.

Antes que a garota desse alguma resposta, ALEXIA puxa a amiga.

ALEXIA: [Rindo] Você viu a cara dele?

BECKY: Alley! Você não tinha nada que ficar rindo dele.

ALEXIA: Ok, ok. Santa Becky.

As duas deixam o local. MELISSA se baixa para ajudar o amigo.

MEL: Eu vou dizer só mais uma vez: “Esquece ela, Sam”.

SAM levanta-se aborrecido.

SAM: Eu sei que isso seria impossível de acontecer. Mas eu prefiro gostar dela, do que não gostar dela.

MEL: Então pelo menos deixa de agir feito um bobo na frente dela.

MELISSA levanta-se e vê o carro de MATT chegando ao estacionamento. Os dois aproximam-se do amigo, que logo é cercado por algumas pessoas que o cumprimentam.

MEL: Oi, “campeão”! Pronto pro jogo?

MELISSA ri no final da frase. MATT passa a mão no cabelo da amiga e sorri.

MATT: É esse seu sarcasmo que te deixa mais bonita a cada dia.

MATT se despede rapidamente do pequeno grupo de amigos, e caminha pelo pátio com SAM e MEL.

 

[ABERTURA]

[MÚSICA TEMA – PROMISES, LILLIX]

 

CENA 6 – INT. CASA DOS GRAHAM – SALA – MANHÃ

LOU entra correndo em casa. A mulher joga a bolsa no sofá e corre para seu escritório. Ela coloca a prancheta com os números anotados anteriormente perto do computador, pega o telefone e disca.

LOU: Bom dia! Eu sei, eu sei Margie, são 8 horas. Desculpe, eu queria ser a primeira. [Sorri] Sim, eu gostaria de marcar uma audiência com o senhor prefeito… de novo… [Cara de espanto] Como assim? Foram apenas cinco, queridinha. Margie, eu preciso falar com ele. Muito obrigada. Claro. Pode ser às cinco.

LOU desliga o telefone. Parece pensativa.

 

CENA 7 – INT. ESCOLA – CORREDOR

ANNA anda apressada com alguns livros na mão. Havia apenas alguns alunos no corredor. Aparentemente ela está atrasada.

ANNA: [Pra si mesma] Se você quiser chegar no horário certo, venha a pé. É mais garantido, sua mãe não é a pessoa mais confiável do mundo.

PHILLIP está encostado na parede olhando para a garota que parece distraída. Ele se aproxima devagar.

PHILL: Posso ajudar com os livros.

ANNA leva um susto. A garota para de andar e põe a mão no peito.

ANNA: Você por acaso está me perseguindo? Ou tentando me matar do coração?

PHILL: Estou apenas tentando ser um cavalheiro.

ANNA: Bom, Phillip. Eu aprecio a sua tentativa, mas da próxima vez faça barulho ao se aproximar.

PHILL: Eu prometo.

ANNA: Bom, eu tenho que ir. A aula já deve está começando.

PHILL vai atrás dela.

PHILL: Eu só queria agradecer por ter saído comigo ontem. Foi muito bom.

ANNA: Ah… não precisa agradecer.

PHILL: Podemos repetir algum dia?

ANNA para de andar novamente. Ela olha para o garoto, constrangida.

ANNA: Sabe, Phillip. Eu ainda estou colocando algumas coisas no lugar. Quer dizer, a minha vida, a escola, a minha família.

PHILLIP sorri.

PHILL: Anna… eu não estou te pedindo em namoro ou algo assim, só achei que se um dia você estiver entediada ou sem opções, talvez possa me ligar, e eu te garanto um pouco de diversão.

PHILL encara ANNA, mas ela desvia o olhar.

ANNA: Quem sabe, né? Agora eu tenho que ir.

ANNA vai andando em direção da sala de aula.

PHILL: [Fala alto] Você vai ao jogo hoje à noite??

ANNA levanta o braço, sem olhar para trás, e faz sinal de positivo com o polegar. SCOTT está escondido atrás da maquina de refrigerante. O garoto vai em direção ao amigo com um sorriso cínico no rosto.

SCOTT: Eu não pensei que seria assim tão fácil.

PHILL: Nunca duvide do meu estilo. As garotas me amam.

SCOTT: Mas a Anna é diferente. Ele te odiava.

PHILL: Isso faz tempo, Scott. Muito tempo mesmo. E não há nada que o tempo não possa destruir. Não acha? O que você está presenciando é o início de uma “linda” amizade.

Os dois riem.

SCOTT: E que comece o jogo!

PHILL observa sua irmã se aproximando.

PHILL: E aí maninha. Como vão as coisas?

ALEXIA: Fala logo o que você ta querendo. Não tenho o dia todo.

PHILL: Eu só ia perguntar sobre você e o Matt. Já que ele tem uma história tão bonitinha com a Anna, eu pensei que você ficaria com raiva.

ALEXIA: [Com raiva] Não enche Phill!

PHILL: Ontem ele não parou de olhar pra Anna. Você não viu?

ALEXIA parece furiosa.

ALEXIA: O que você está querendo com tudo isso?

PHILL: [Cínico] Eu… nada. É que você sempre teve ciúmes daquela amiga dele… como é o nome dela?

SCOTT: É Melissa. Ela é uma gata!

PHILL: Isso! Melissa. Você sempre reclamou que tinha que dividir o Matt com ela e, agora, vai dividir ele com a Anna também.

ALEXIA: Eu não tenho que dividir o Matt com ninguém. Aliás, eu não preciso ficar dando satisfação da minha vida pra você. Vê se cresce garoto!

PHILL: Calma! Eu só estou te alertando maninha. Se eu fosse você ficava com os olhos bem abertos.

ALEXIA: Eu não preciso dos seus conselhos!

ALEXIA sai furiosa.

PHILL: Você não sabe o que te espera.

SCOTT: Cara! Você é cruel!

PHIIL: Você não viu nada. O jogo apenas está começando.

PHILL sorri.

 

CENA 8 – INT. ESCOLA – SALA DE AULA – MANHÃ

A câmera mostra a fachada do Will Rogers High School. ALEXIA observa ANNA e MEL conversando na sala de aula. A loira olha para o relógio: 11:15. O sinal toca e ela fecha o caderno. ANNA e MEL se despedem e ALEXIA vai atrás da ruiva.

 

CENA 9 – INT. ESCOLA – CORREDOR

MELISSA está mexendo em seu armário. A garota coloca um livro e retira uns cds. ALEXIA está parada ao lado dela de braços cruzados. Quando a filha do dono do Red’s fecha o armário, leva um susto.

MEL: O que você quer?

ALEXIA: [Irônica] Eu só queria saber como é que você está lidando com a sensação de se sentir ameaçada?

MELISSA rola os olhos.

MEL: Alexia, ninguém nunca te disso que isso é doença? Quero dizer, essa sua obsessão pela minha vida.

ALEXIA: Você sabia que a Anna Mackenzie era a melhor amiga do Matt? [Sorri]

MEL: A Anna mal conhece o Matt, sua maluca.

ALEXIA dá uma gargalhada e olha com cara de pena para a rival.

ALEXIA: Não vai me dizer que você não sabia? Aaahh… Coitadinha, o seu melhor amigo agora esconde coisas de você?

MELISSA fica calada.

ALEXIA: Aposto que ele contou para o Sam, por que todo mundo sabe dessa história, mas você não sabia, não é? Que mundo cruel…

MEL: Vai se danar, sua maluca!

ALEXIA: Uh… a ruivinha ficou com raiva… Bom, eu não vim aqui pra brigar com você. Já deve ser muito difícil está na sua pele, eu não quero prolongar seu sofrimento. Estou muito caridosa ultimamente. Além do mais, hoje é um dia muito importante, sabe? Pelo menos para mim e para o Matt.

ALEXIA vai andando até sua classe, e MELISSA ainda faz menção de ir atrás dela, mas desiste e acaba indo em direção oposta dando de cara com o SAM.

MEL: Onde que está o Matt?

SAM: Oi, pra você também, Mel!

MEL: Oi… desculpa.

SAM: O que houve? Aconteceu alguma coisa? Você está pálida.

MEL: Eu só queria falar com o Matthew.

SAM: Ele está na sala.

MEL: Biologia?

SAM: Isso… Mas ele já está vindo.

MEL: Eu vou lá.

MELISSA já ia em direção da sala quando ela volta correndo em direção do amigo.

MEL: Sam… Quem é a Anna Mackenzie?

SAM: Mel… Você conhece a Anna! Baixinha, morena, que vem com a gente pra escola às vezes.

MEL: Eu sei quem é a Anna. Mas por que tanto segredo em torno dela? Por que o Matt me escondeu que eles já foram amigos?

SAM olha para os lados.

MEL: Se não quiser me contar, tudo bem. Eu só pensei que era a melhor amiga, sua e do Matt.

SAM: Mas você é, Melissa. O Matt não te contou isso não por não confiar em você. A historia o incomoda e ele não se sente à vontade falando da Anna.

MEL: Mas pelo o que eu soube todo mundo sabe da historia do Matt.

SAM: Todo mundo? Eu não acho que o Matt contaria essa historia pra todo mundo. E não é nada demais, Mel. É só algo que pertence a ele e a Anna. Uma amizade que não deu certo. Eles eram crianças, e…

MEL interrompe.

MEL: Muito bonitinho o draminha dele, mas eu gostaria que ele tivesse me contado. Olha. [Pausa] Esquece. Tchau.

[MÚSICA FADE IN – TURN, TRAVIS]

Mel corre até a sala de biologia. Ao entrar no local ela vê o amigo com uma mochila nas costas, já se preparando para sair.

MEL: Matt, espera.

MATT sorri.

MATT: Oi, Mel. Tudo bom?

O garoto percebe a aflição da amiga. MEL estava ofegante, olhava para baixo, sem saber por onde começar a conversa. MATT fecha a porta. Agora restavam apenas os dois na sala.

MATT: Vem cá. Senta aqui.

Ele se senta em uma das cadeiras perto da janela.

MATT: O que houve?

MEL: Eu sou sua melhor amiga, não sou?

MATT fica calado.

MEL: Não sou?

MATT: Claro, Melissa.

MEL fica séria.

MEL: Então por que você mentiu para mim?

MATT olha nos olhos da Melissa.

MATT: Eu? Menti pra você?

MEL: Não seja cínico, Matthew. Por que você não me contou que a Anna era sua amiga? O que tem de tão grave nisso?

MATT: O Sam te contou?

MEL: Não interessa quem me contou. O que me importa, é que você não me contou.

MATT: Eu não entendo por que as pessoas fazem dessa história um estardalhaço. Eu não te contei por que não é importante pra mim.

MEL: Não parece, Matt. Pelo contrário, parece mais importante do que você deixa transparecer.

MATT: Mel, desculpa se eu te deixei fora disso, é que eu simplesmente não quero falar sobre a Anna.

MELISSA parece inconformada.

MATT: Eu não acho justo a gente brigar por uma coisa que já passou. Você é a minha melhor amiga, e é com isso que eu me importo.

MELISSA fica olhando para ele, em silêncio.

MATT: Bom, o que eu posso fazer pra você não ficar com essa cara?

MEL: Nada…

MATT: [Imitando a voz da Mel] “Nada”. Você é uma boba, sabia disso?

MEL: Você que é…

MATT: Tá bom, eu sou…. agora vamos sair daqui. Eu preciso comer alguma coisa.

MATT abraça MELISSA e a puxa para fora da sala.

MATT: Vamos!

 

CENA 10 – INT. ESCOLA – CORREDOR

REBECCA está parada em frente ao seu armário, no corredor principal da escola, que se encontra quase vazio. A garota parece ter dificuldades ao girar a combinação da fechadura de seu armário. ANNA aparece no fim do corredor, retirando uma faixa azul envolta em seu pescoço. Ela joga o pedaço de papel em um cesto de lixo, BECKY a observa.

ANNA: Será que as pessoas dessa escola não tem consciência ecológica?

BECKY: [Fechando o ármario] Devo concordar que há um pouco de exagero. Mas é dia de festa para a escola.

ANNA estranha a resposta, e sorri timidamente ao perceber a presença da líder de torcida.

ANNA: Desculpa, eu não quis…

REBECCA sorri.

BECKY: Sem problemas. O espírito esportivo dos “Lançadores” do Will Rogers te perdoa.

BECKY ajeita sua mochila nas costas.

ANNA: Eu estou tentando me acostumar com isso.

BECKY se prepara para deixaro local, Anna segue na direção oposta. A loira olha para trás.

BECKY: Anna!

ANNA para e vira-se.

BECKY: [Aproximando-se] Eu não sei se isso vai soar estranho, mas sobre o Phillip… vocês dois… estão…

ANNA: Não! Deus! Claro que não.

BECKY: Eu vi os dois na festa ontem. Vocês me pareceram bem amigos.

ANNA: Por mais estranho que possa ser, eu também tive a mesma sensação.

BECKY: Olha Anna. Só toma um pouco de cuidado com o Phill, ok? As vezes ele gosta de brincar com os sentimentos das pessoas. Certas coisa não mudam.

ANNA: [Desconfiada] Ok.

BECKY: [Sorri] Bom, eu tenho que ir, estou atrasada. Vai, Lançadores!

ANNA sorri estranhando o grito de torcida, e faz sinal de “adeus” para a loira.

 

CENA 11 – INT. ESCOLA – AUDITÓRIO

[MÚSICA FADE OUT]

A câmera mostra a estátua do fundador da escola, que fica na entrada do auditório, um lugar grande e de estilo rústico, decorado com fitas azuis e brancas. Os alunos chegam aos bandos e se acomodam nas centenas de cadeiras do local. A primeira fileira estava ocupada pelos professores e a segunda pelos jogadores de futebol. As líderes de torcidas vinham logo atrás e os resto dos alunos se acomodava nos demais lugares. ANNA, MELISSA e SAM estavam sentados um pouco mais pra cima. MEL estava ouvindo música, ANNA lendo um livro e SAM jogando videogame no celular. De repente a multidão se levanta e começa a gritar. A diretora da escola, SRA. CHRISTINA ALBRIGHT entra no recinto e sobe no grande palco onde estava o treinador Carter e mais duas outras pessoas. A mulher se dirigi a um pequeno oratório e pega o microfone.

SRA. ALBRIGHT: Silêncio, por favor! Podem se sentar.

A maioria dos alunos obedece. REBECCA olha para trás e vê SAM. ALEXIA joga seu pompom em MATT e sorri.

SRA. ALBRIGHT: Vamos todos nos acalmar. Bom, como vocês já sabem, hoje a noite teremos jogo….

Os alunos começam a gritar. Ouve-se alguns pedidos de silêncio, alguns outros alunos gritavam “Lançadores”, duas líderes de torcida jogavam seus pompons para cima, mas a maioria simplesmente gritava. CHRISTINA olha para os lados, sem paciência, e puxa o microfone para perto da caixa de som. O barulho agudo da microfonia faz com que os alunos levem suas mãos à cabeça. A gritaria agora dava lugar a apenas um ou dois resmungos.

SRA. ALBRIGHT: Muito obrigada. Eu tenho alguns recados para dar em relação ao jogo de logo mais. Prestem atenção! Jogar é um esporte, não é palco para brigas. Kyle, Vince, estou de olho em vocês. Jogar não é desculpa para usar drogas. Se ganharmos não exagerem nas festas, não bebam, nem transem, pois se transarem vocês pegarão doenças ou engravidarão. Estamos entendidos?

ANNA segura o riso.

SRA. ALBRIGHT: Espero que sim. Agora o treinador James Carter tem uma coisa para dizer.

CARTER: Bom pessoal, eu sei que é um jogo difícil, mas o nosso time é bom. E eu sei que posso contar com a presença de todos vocês! É um dia importante para o Will Rogers! Principalmente para o nosso artilheiro, Matthew Graham!

MATT parece um pouco apreensivo, apesar de todos em sua volta estarem bastante confiáveis e entusiasmados.

CARTER: E que o jogos dessa temporada comecem!

 

CENA 12 – INT. CASA DOS MACKENZIE – QUARTO DE ANNA – TARDE

ANNA está sentada em sua cama lendo um livro. A garota ouve a campainha tocar e desce correndo as escadas até a sala.

KATHERINE: Você está esperando alguém?

ANNA: Uma amiga.

KATHERINE: Você não me disse que estava esperando uma amiga, Mary Anna. Eu não preparei nada para vocês.

ANNA: Não se preocupa com isso, mãe.

ANNA abre a porta.

ANNA: Mel!

MELISSA parece um pouco desconfortável. A garota sorri com a recepção de ANNA.

ANNA: Mãe, esta é a Melissa. Melissa Baker.

KATHERINE: Olá, querida. Muito prazer. Baker? Dos “Baker”, donos da fábrica de biscoitos?

MEL: Não… dos Baker de Nova York.

ANNA: O pai da Mel tem uma rede de lanchonetes.

A MÃE DA ANNA fica olhando com reprovação para as roupas da amiga da filha. MEL estava vestindo uma calça rasgada no joelho e uma camiseta preta. A mochila jeans jogada nas costas e o cabelo solto completavam o visual despojado da garota.

KATHERINE: Ahn.. entendi.

ANNA: Bom, mãe. A gente vai subir, e mais tarde vamos ao jogo na escola.

 

CENA 13 – INT. MESMO LOCAL – QUARTO DE ANNA

MEL senta na cama da ANNA, já a morena pega um controle remoto e liga o som. A garota sintoniza em uma rádio local.

[MÚSICA FADE IN – LOST WITHOUT EACH OTHER, HANSON]

MEL: Hanson? Nossa…

ANNA sorri.

ANNA: Eles me lembram Tulsa. [Ri] O que posso fazer? Algumas coisas não podemos explicar. Todos temos um lado negro.

MEL: [Cara de nojo] Mas… nossa…

ANNA: Vai me dizer que você nunca ouviu algo assim?

MEL: [Desconfiada] Bom, eu gostava do Aaron Carter.

As duas riem.

 

CENA 14 – INT. CASA DOS GRAHAM – QUARTO DE MATT

MATTHEW está olhando pela janela do seu quarto. Ele parecia a paisagem bucólica, os campos, os animais, a fazenda que fica ao um pouco longe de sua casa, mas ao alcance de sua vista. O garoto liga o som, e sintoniza em uma rádio. Ouvimos a mesma música que ANNA. Ele se joga na cama e põe um chapéu cobrindo o seu rosto. Alguém bate à porta.

MATT: [Resmunga] Hummmmm…

SAM: [Voice Over] Se isso foi um “Quem é?”, sou eu, Sam!

MATT: Hummm Hummmm…

SAM abre a porta.

SAM: Você disse “pode entrar”? Não foi?

MATT tira o chapéu do rosto.

SAM: Vim dá uma força, cara. Você deve tá nervoso, afinal sua bolsa na faculdade depende de um bom desempenho nessa temporada, toda a escola conta com você pra ganhar o primeiro jogo, e a Alexia, com certeza, já deve ter te prometido algumas recompensas se tudo for bem hoje à noite e…

MATT: Sam, eu consegui relaxar um pouco até você entrar aqui!

SAM: Desculpa, cara.

MATT: Brincadeira.

SAM: Ei, cara, qual é a dessa música?

 

CENA 15 – INT. CASA DOS MACKENZIE – QUARTO DE ANNA – TARDE

ANNA pega algumas caixas que estavam embaixo de sua cama.

ANNA: Me ajuda?

MEL: Claro.

ANNA: Bom, os livros eu coloco ali [aponta para uma prateleira], e os cds ficam ali [aponta para menor].

Por alguns segundos a música era a única coisa que ecoava no quarto. ANNA pega alguns livros e MEL alguns cds.

MEL: Anna…

ANNA: Sim, Mel.

MEL: [Sorri] O Sam me contou que você conhecia o Matt quando era criança.

ANNA continua o que estava fazendo.

ANNA: Verdade.

 

CENA 16 – INT. CASA DOS GRAHAM – QUARTO DO MATT

SAM pega o violão do amigo e começa a dedilhar alguns acordes. MATTHEW volta a encarar a janela.

MATT: A Anna veio falar comigo.

SAM quase derruba o violão.

SAM: E você me diz isso assim???

MATT: Olha, não foi nada demais. Eu só achei que você queria saber.

SAM: Claro! Você quer falar sobre isso?

MATT: Eu não! Você quer que eu fale sobre ela?

SAM: Ah! Só se você quiser falar, eu não vou te obrigar…

MATT: Então beleza, eu não falo.

SAM volta a dedilhar alguns acordes.

 

CENA 17 – INT. CASA DOS MACKENZIE – QUARTO DE ANNA – TARDE

MEL: E por que vocês não se falam mais? Quer dizer, eu não vejo vocês conversando ou algo assim, e pelo que me contaram vocês eram muito amigos.

MELISSA senta na cama e espera por uma resposta.

ANNA: Eu e Matt nos conhecemos ainda criança. Nós éramos muito amigos sim, mas tudo muito pueril. Um dia meu pai teve que ir embora, e eu não tive a chance de dizer “adeus”. Eu escrevi uma carta para o Matt, pedi para que ele me ligasse ou escrevesse, mas ele nunca ligou nem escreveu.

ANNA ajeita um ultimo livro que estava na caixa. A garota coloca uma caixa dentro da outra e as encosta em um canto do quarto.

ANNA: Eu esperei por algum tempo ouvir noticias dele, até que a esperança foi se transformando em raiva. Eu era uma criança ainda, então fiz o que toda criança faria: tentei esquecê-lo. E por alguns anos assim foi, até que algumas perguntas voltaram à minha cabeça: “O que será que aconteceu?”, “Será que ele me esqueceu?”, “Será que ele me odeia?”. Muitos “serás” me atormentaram por um tempo, até que meus pais se separaram e a minha mãe pediu para que eu voltasse com ela. Naquele momento eu me apavorei. Finalmente algumas eu teria as respostas que precisava e elas poderiam ser alegres ou tristes. Acho que nunca estamos preparadas para o que é verdadeiro.

MEL: Nossa, eu não sabia disso.

 

CENA 18 – INT. CASA DOS GRAHAM – QUARTO DO MATT

LOCUTOR [Voice Over]: Acabamos de ouvir Hanson, com Lost Without Each Other, e agora com vocês Nelly Furtado com Powerless. Você está ouvindo T.O.K.2.

[MÚSICA FADE IN – POWERLESS, NELLY FURTADO]

SAM coloca o violão onde ele pegou e fica lado a lado com o amigo, olhando também a paisagem.

MATT: [Sem olhar para Sam] Ela é muito cara de pau.

SAM: [Sem olhar para Matt] A Anna?

MATT olha para SAM.

MATT: Claro que sim! A Anna…

SAM: Pensei que você não queria falar dela.

MATT: Ela volta, assim do nada, sem avisar e achando a coisa mais normal do mundo. Dizendo que me perdoa! [Ri] Muito cara de pau.

SAM olha para MATT.

SAM: Por que você não dá uma chance pra ela, cara?

MATT: Eu não sinto como se eu a conhecesse mais… acredita que ontem ela foi pra festa do prefeito?

SAM: Sério? E como você sabe disso?

MATT: Eu estava lá…

SAM: Na festa do prefeito?

MATT: Eu tive que ir por causa da Alley. Bom, mas isso não vem ao caso, o mais chocante é que ela estava lá, com o Phill!!!

SAM: [Irônico] Não brinca… Ela estava amarrada ou algo assim?

MATT: Você não entende. A Anna não gostava do Phillip. Na verdade menos que eu!!!

SAM: Entendi, e isso te incomoda?

MATT: O quê?

SAM: De ela ter ido com o Phillip?

MATT: Não. Não… O que me incomoda é o fato de ela não ser mais ela. Como eu posso querer ser amigo de alguém que eu não conheço?

SAM: Então você quer ser amigo dela?

MATT passa a mão na cabeça.

 

CENA 19 – INT. CASA DOS MACKENZIE – QUARTO DE ANNA – TARDE

ANNA: Eu voltei pra Tulsa, deixei tudo o que eu construí para trás, mas as coisas não foram como eu imaginei que seriam.

MEL: Você se arrepende de ter voltado?

ANNA: De modo algum. A gente cresce e aprende a encarar as coisas de uma forma mais realista. Quer dizer, não importa pra onde eu vá, todas essas perguntas estarão comigo, certo?

MEL: Você tinha muitos amigos no Brasil?

ANNA: Não. Depois do que eu passei aqui eu jurei que nunca mais me prenderia tanto a um lugar, e foi assim por alguns anos. Aí eu vi que eu não poderia me isolar para sempre, e as coisas rolaram de uma forma mais natural.

MEL: Você quer que eu fale com o Matt sobre isso?

ANNA: Não! Não… ele provavelmente me odiaria e odiaria você também. O Matt sempre foi muito orgulhoso, pelo o que lembro dele. Apesar de que o Matt que eu encontrei quando voltei do Brasil é praticamente outra pessoa. Ele mudou muito. O Matt que eu deixei aqui, não existe mais.

MEL: É… ele mudou mais ainda depois que começou a sair com aquela maluca.

ANNA sorri.

ANNA: Por que você odeia tanto a Alexia? Quero dizer, ela é chata, se acha a melhor coisa do mundo, adora humilhar os outros, mas não passa da criatura mais óbvia da qual já conheci!

MEL: Eu não gosto dela por que… eu não gosto oras! Por esses motivos que você falou e mais alguns.

ANNA: É por causa do Matthew? Por que ela o tirou de você?

MEL: Como assim?

Anna: Depois que ele começou a namorar ela, ele deve ter se distanciado um pouco.

Mel: Ah, é. Isso é verdade. [Disfarça] É por isso que eu não gosto dela.

MELISSA caminha até a janela.

 

CENA 20 – INT. CASA DOS GRAHAM – QUARTO DE MATT

SAM: Você quer que eu converse com a Anna sobre isso?

MATT: Claro que não. Não! Não…

SAM: Você é orgulhoso demais pra isso.

MATT: Isso mesmo.

SAM: Bom, se precisar de algo. É só falar.

MATT: Eu sei.

SAM: Matt. Talvez você devesse conhecer essa nova Anna.

 

CENA 21 – INT. CASA DOS MACKENZIE – QUARTO DE ANNA – TARDE

MEL: Olha, apesar de tudo, talvez você devesse conhecer esse novo e “hipnotizado” Matt.

ANNA: Talvez.

[MÚSICA FADE OUT]

 

CENA 22- INT. PREFEITURA – NOITE

LOU está sentada em uma sala bastante sofisticada. A mulher cruza as pernas e olha para o relógio. Ela se levanta e vai até o gabinete de uma mulher morena com um crachá.

LOU: Margie, meu amor. Eu estou aqui há horas. Eu juro que se eu ficar sentada ali mais alguns minutos e começarei a dar frutos, e os frutos vão cair no chão e apodrecer, e ai os bichos vão entrar para comer os frutos podres e tenho certeza que isso não vai ser uma boa cena para se assistir.

MARGIE não dá atenção para o que LOU fala e continua a fazer suas tarefas.

LOU: E aí, não satisfeitos com os frutos do chão, os bichos vão começar a fazer ninhos e abrigos em cima de mim, quem sabe a Comissão de Preservação da Sequóia não entra aqui pra me ajudar?

O telefone de MARGIE toca.

MARGIE: Sim, senhor. [Olha para Lou] Você pode entrar!

LOU: Muito obrigada!

 

CENA 23 – EXT. CAMPO DA ESCOLA – NOITE

Há uma certa movimentação de carros e pessoas no local.

 

CENA 24 – INT. ESTÁDIO – VESTIÁRIO

O vestiário está vazio. MATT está sentado em um banco e sua está de cabeça baixa. O garoto respira fundo expressando um sinal de concentração. ALEXIA se aproxima devagar. Ela surpreende seu namorado com um beijo na bochecha.

MATT: Alley! Você está maluca? Alguém pode te ver aqui!

ALEXIA: Mas você acha que eu não iria te dar um beijo antes do jogo?

MATT: É. Realmente você é maluca.

ALEXIA beija o garoto.

ALEXIA: Hoje depois do jogo eu quero te compensar por ontem.

MATT: Você vai me deixar desconcentrado.

MATT beija a garota.

MATT: Alley, o pessoal combinou de ir ao Red’s depois do jogo. Mas se você quiser, a gente vai pra outro lugar.

ALEXIA: É claro que podemos ir pro Red’s, Matt.

MATT: [Desconfiado] Você tem certeza?

ALEXIA sorri e beija seu namorado

ALEXIA: Sim. Te vejo mais tarde! Bom jogo!

A garota pula e levanta os braços balançando os pompons. MATT sorri e a observa sair do local. A expressão tensa do garoto volta a tomar conta do seu semblante.

 

CENA 25 – INT. PREFEITURA – SALA DO PREFEITO

WILSON: Louise Graham! O que te trás aqui?

LOU: Não seja cínico! Você sabe muito bem o que eu vim fazer aqui!

WILSON DANES olha para o relógio.

WILSON: É assim que você me trata depois de concordar em te atender fora do meu horário de trabalho. Louise, Louise, algumas coisas nunca mudam.

LOU: A Margie disse que você me atenderia as cinco, e já são quase sete horas da noite! Ontem você fez a mesma coisa, me deixou esperando horas e não me atendeu. Por acaso isso é pessoal?

WILSON: Desculpa, mas eu tive alguns negócios para resolver.

 

CENA 26 – EXT. CAMPO DE FUTEBOL – NOITE

Os times se aquecem no campo. As líderes de torcida cantam alguns hinos e animam as pessoas que já estavam por lá. Algumas faixas e cartazes saúdam as escolas: Will Rogers x Memorial Tulsa. ANNA e MEL já estavam sentadas quando SAM chega com 3 copos de refrigerante na mão. As garotas ajudam o amigo. PHILLIP e SCOTT estão se aquecendo no campo quando o filho do prefeito percebe que ANNA estava na arquibancada. Ele acena para a garota que acena de volta. SCOTT cai no riso e balança a cabeça.

SCOTT: Você não presta.

PHILL: Eu não disse que ela apareceria?

Os dois riem. O juiz entra no campo. As torcidas se levantam e começam a gritar. Os mascotes se apresentam. O jogo vai começar.

 

CENA 27 – INT. PREFEITURA – SALA DO PREFEITO – NOITE

LOU olha para o relógio.

LOU: São quatro meses de queda na produção. Daqui a pouco eu não vou poder pagar os funcionários.

WILSON: O que eu posso fazer por você?

LOU: Você sabe!

WILSON: Eu não posso deixar você pagar impostos como pequena propriedade, Lou! Depois que você comprou aqueles lotes a sua fazenda virou média propriedade, e você sabia disso. Você sabe disso, não sabe?

LOU: Claro que sei! Mas você nunca se importou com isso. Agora que é ano de eleição, você vem com essa de tamanho de propriedade. Eu dava lucro, a cidade ganhava com isso!

WILSON: Você quer que eu haja contra a lei, Louise?

LOU arregala os olhos com raiva.

LOU: Eu quero uma solução. Do jeito que estamos não vai dar pra continuar. Eu faço parte de uma maioria nessa cidade, meus colegas também não estão gostando dessa sua política, você está levando a cidade para um buraco!

WILSON: Os impostos fazem da cidade um lugar mais forte.

LOU: Quer saber de uma coisa? Eu não vou votar em você mesmo!

WILSON: Isso quer dizer que será o fim das nossas negociações?

O prefeito olha para LOU com um jeito insinuante.

LOU: Você se atreva a chegar perto de mim!

Ele rir.

WILSON: Eu não faria isso.

A mulher coloca sua bolsa no ombro e prEprara-se para deixar o local.

WILSON: Louise!

LOU para e vira-se e encara o prefeito.

WILSON: Há uma solução. Você pode vender a fazenda pra prefeitura.

LOU: Eu nunca vou vender a fazenda para você, Wilson.

LOU abre a porta e vai embora. O Prefeito fica observando até ela sair do local.

 

CENA 28 – EXT. CAMPO DE FUTEBOL – NOITE

A torcida adversária grita. Gol do Memorial Tulsa. O placar marca agora 2 a 2. O jogo estava empatado. SCOTT leva a mão a cabeça e xinga o time adversário. SAM aproveita que seu lado da arquibancada ficou quieto para descer até o alambrado. Ele fica olhando para REBECCA que estava apenas a alguns metros dele.

ANNA: O que ele está fazendo?

MEL: Agora é a hora em que o Sam fica babando pela vice-líder do esquadrão pompom.

ANNA: A Rebecca?

MEL: Isso.

ANNA: E isso é normal?

MEL: Ah, é.

MELISSA volta a prestar atenção ao jogo. MATT olha pra arquibancada, ele parece procurar por alguém.

CARTER: [Grita] Se concentra Graham!

MATt olha para os lado e corre atrás da bola.

 

CENA 29 – EXT. ESTRADA – NOITE

LOU dirige seu carro em alta velocidade. Ela olha para o relógio, parece extremante aborrecida. Ela buzina contra um carro que estava a sua frente. O carro andava devagar e ela tenta ultrapassar sem sucesso. Ela buzina novamente. O carro sinaliza para ela passar. A mulher olha novamente para o relógio.

 

CENA 30 – EXT. CAMPO DE FUTEBOL – NOITE

LOU passa entre os torcedores apressada.

LOU: Licença, oh, me desculpe, licença.

LOU vê MELISSA e tenta chegar até a amiga do seu sobrinho.

MEL: Oi, Louise.

A mulher senta-se do lado da ruiva. ANNA sorri.

LOU: O que eu perdi?

MEL: Estamos empatados. O Matt fez um gol. O camisa 6 do Rogers passou mal. E o treinador do outro time continua um gato.

LOU: Anotado.

ANNA olha para LOU, que estava ainda ofegante e descabelada.

ANNA: Oi, Lou.

LOU: Oi.

Ela olha para a garota como se estivesse tentando reconhecer.

ANNA: Sou eu, a Anna.

LOU fica boquiaberta. Nem consegue disfarçar a surpresa. A mulher sorri um pouco “desconcertada” e a cumprimenta.

LOU: Eu soube que tinham voltado. [Sorri] Você está muito diferente.

O locutor chama atenção para o fim do jogo. 44 minutos do segundo tempo. 2 a 2. O barulho é ensurdecedor, a multidão, maioria vestida com as cores dos Rogers, branca e azul, grita entusiasmada. A bola estava com MATT, e o garoto está cara a cara com o goleiro. Ele pAra de correr, parece hesitar por alguns instantes. Todos estão à espera de uma decisão. MATT está com a bola, e está pronto para chutar ao gol.

[CÂMERA LENTA]

[MÚSICA FADE IN – SOMETHING THAT I NEVER HAD, LINDSAY LOHAN]

ANNA cruza os dedos. MELISSA fecha os olhos e abraça LOU. SAM grita. ALEXIA e REBECCA parecem apreensivas, a espera do ultimo movimento. MATT respira mais uma vez e chuta. O locutor grita “gol” junto com toda a torcida local. O jogo havia acabado e os Rogers eram vencedores.

[CÂMERA NORMAL]

ALEXIA joga seus pompons para cima e corre para os braços de MATT. O garoto ainda estava parado, anestesiado, em transe. Ele sente que alguém o abraçara e olha para baixo. ALEXIA o beija apaixonadamente. A garota pula em cima dele, e os dois caem no chão rindo. O casal nem percebe quando o campo é invadido. Alguns jogadores são suspensos no ar. A festa está feita. MELISSA olha para MATT e ALEXIA com tristeza. ANNA pega o braço da amiga e a puxa para o campo. Todos estão comemorando. Alguns fogos de artifício estouram no céu. LOU olha para cima espantada.

LOU: [Para um homem que estava a seu lado] Nossa mãe! Precisava desse exagero todo?? Isso é apenas um jogo entre escolas.

O homem olha esquisito para a fazendeira, e ela volta a observar a cena festiva que acontecia no campo. SAMUEL corre até MELISSA e os dois começam a pular. ANNA sorri vendo a cena dos amigos e é surpreendida quando alguém a abraça e a gira no ar.

PHILL: [Grita] Nós ganhamos!

ANNA: Me solta! Me solta.

MATT e ALEXIA se levantam e o garoto vê seu cunhado abraçado com Anna. Sua visão é interrompida quando alguns de seus colegas de time o suspendem no ar.

ANNA: Você enlouqueceu?

PHILL coloca ANNA no chão.

PHILL: Desculpa, foi o calor da vitória. [Ri]

PHILL corre para comemorar com os amigos. LOU desce ao campo com as sandálias de salto alto na mão. A mulher sorrir ao encontrar com o sobrinho, MATT abraça forte a tia.

MATT: Que bom que você está aqui!

O treinador JAMES CARTER se aproximo dos dois.

CARTER: Parabéns, Matt. Foi um jogo e tanto.

LOU olha para o treinador e sorri timidamente.

LOU: Oi, James.

CARTER: Oi, Lou.

MATT olha para os dois.

[MÚSICA FADE OUT]

A imagem vai se distanciando.

 

CENA 31 – INT. RED’S – NOITE

A lanchonete está lotada. Em uma das mesas perto da janela se concentram algumas pessoas do time. MELISSA observa tudo de trás do balcão. SAM chega ao lado da garota repentinamente.

SAM: De alguma maneira eu me sinto menor agora.

MEL: Pára de besteira, Sam! Você é muito melhor que uma dúzia deles.

ALEXIA se aproxima do balcão e olha pra MEL com desdém.

ALEXIA: Eu estou esperando meu milkshake há 30 minutos. Será que você poderia agilizar isso pra mim?

MEL: Você deveria considerar isso um favor. Já imaginou quantas calorias tem um milkshake? Ele passa pela sua garganta e cai direto na sua bunda!

ALEXIA encara MELISSA, calma e cínica.

ALEXIA: Você deveria relaxar mais, Mel. Será que nem a vitória do seu amigo tira esse seu mau humor constante?

SAM aparece com um milkshake, e o dá para ALEXIA.

ALEXIA: Obrigada, Tim.

SAM: É Sam.

ALEXIA: Que seja.

ALEXIA volta para a mesa onde estava, e senta no colo de MATT. MEL olha sério para SAM.

MEL: Você não tinha nada que ter feito isso.

MATT acena para os dois amigos, que acenam de volta, mas permanecem no mesmo lugar.

ALEXIA: Eu sabia que seria um grande jogo.

A garota beija o namorado, e fica de olhos abertos, encarando MELISSA, que sai do local rapidamente. BECKY, que está sentada ao lado do casal, fica olhando para SAM, que está limpando o balcão.

 

CENA 32 – EXT. CASA DOS MACKENZIE – NOITE

PHILL: Eu disse que seria divertido.

ANNA: É, você tem razão.

Os dois param em frente a porta da casa da garota.

PHILL: Pronto, você está entregue.

ANNA sorri.

ANNA: Obrigada, Phill.

PHILL: Eu não vou ganhar nenhum beijo pela vitória?

ANNA olha desconfiada.

PHILL: Brincadeira. Até mais.

ANNA dá “tchau” no ar, e entra em casa. PHILLIP sorri misteriosamente.

 

[TELA PRETA]

 

ELENCO
Jonathan Bennett como Matthew Graham
Natalie Portman como Anna Mackenzie
Mena Suvari como Rebecca Sawyer
Lindsay Lohan como Melissa Baker
Austin O´Brian como Scott Sawyer
Joseph Gordon-Levitt como Samuel Wood
Kate Bosworth como Alexia Danes
Brad Renfro como Phillip Danes
Marisa Tomei como Lou Graham

ATORES CONVIDADOS
Alley Walker como Christina Albright
John Wesley Shipp como James Carter
Paula Cale como Katherine Mackenzie
Todd Field como Wilson Danes

MÚSICA TEMA
Promises, Lillix

TRILHA SONORA
Turn, Travis.
Lost Without Each Other, Hanson.
Powerless, Nelly Furtado.
Something I Never Had, Lindsay Lohan.

ESCRITO POR
Clara Lima
Sarah Lima

DIRIGIDO POR
Clara Lima

GRÁFICOS POR
Clara Lima

CRIADO POR
Clara Lima
Sarah Lima

AGRADECIMENTOS
Thales Cohen.

DISTRIBUIDO POR
TVSN

® 2004-2006.

 

Série Virtual – Outsiders – Realise This


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Série: Outsiders
Episódio:
Realise This
Temporada:

Número do Episódio:
1×04

 

CENA 1 – INT. MANSÃO – NOITE

A câmera mostra EHLIOS andando pela casa escura. Mostra-o olhando alguns quadros e objetos de decoração e fazendo cara de nojo.

EHLIOS: Eww… Arte clássica…

A CÂMERA gira e mostra o ponto de vista de EHLIOS, foco na mesa da cozinha. Vemos muitos papéis em cima dela e um tubo verde de batatas. A expressão de EHLIOS se ilumina.

EHLIOS: Pringles!

EHLIOS se senta numa das cadeiras e sem querer ele derruba alguns papéis no chão. A câmera dá um close no papel e vemos que é uma planta de um local. Mais um close no topo do papel onde está escrito: SANATÓRIO CHARETON.

EHLIOS: [irônico] Até que enfim eles resolveram dar um jeito na Cathleen.

EHLIOS dobra as plantas e papéis várias vezes e coloca de baixo do braço. Ele começa a sair da casa. Quando chega à sala ele pára de repente e olha em volta. Shot da sala onde vemos uma TV enorme, stéreo enorme, DVD, VHS, Home Theater e alguns outros eletrônicos que EHLIOS desconhece.

EHLIOS: [sorriso malicioso] Vamos ver como os riquinhos se viram sem TV…

EHLIOS passa sua mão intangível através da TV e vemos faíscas e fumaça começar a sair do aparelho.

EHLIOS: … sem DVD…

Ele faz o mesmo com o aparelho de DVD.

EHLIOS: … sem som…

Dessa vez vemos o stÉreo queimar sob o toque de EHLIOS. Ele olha para mais um aparelho.

EHLIOS: [curioso]… e sem essa coisa de rico que eu nunca vi na vida.

EHLIOS passa a mão através do aparelho e de repente o alarme da casa começa a tocar. As luzes da casa piscam incessantemente. O garoto flexiona os joelhos e olha para todos os lados, assustado.

EHLIOS: [nervoso] Eu não acredito que vou ser preso por causa de um maldito Pringles!

EHLIOS sai correndo e atravessa a porta da casa saindo. O garoto se esconde ainda mais sob seu boné e sua capa preta e sai correndo desesperado pela rua.

[MÚSICA TEMA – LATE GREAT PLANET EARTH, PLUM]

 

CENA 2 – VEÍCULO EM MOVIMENTO – NOITE

JULIA no volante percebe um alarme em seu bip. Ela faz um movimento no volante e o gira no asfalto parando perfeitamente no acostamento.

CATHLEEN: [pálida de medo] Você tá doida?

JULIA não responde.

JOEY: O que houve?

JULIA: A mansão.

CATHLEEN: O que?

JULIA: O alarme da mansão disparou.

CATHLEEN: [nervosa] Então temos que voltar!

JULIA: Eu tenho. Vocês têm uma missão para ser cumprida.

JOEY: Mas–

JULIA: Não! O homem que vocês irão resgatar será transferido amanhã. É agora ou nunca!

CATHLEEN: Ok, mas… como vamos resgatar alguém que a gente nunca viu antes?

JULIA puxa um envelope de uma bolsa negra e dentro dele pega uma foto e dá para CATHLEEN.

CATHLEEN: [maliciosa] Humm… Agora entendo toda sua motivação pra resgatá-lo.

JULIA: [rola os olhos] Okay, os dois pra fora.

CATHLEEN: Como é que é? Sair?

JOEY: Acho que foi isso mesmo.

JULIA: Eu tenho que voltar, e além do mais, não há nada com o que se preocuparem. É um manicômio, só tem doido lá. O que pode acontecer com vocês lá dentro?

JOEY: A Cathleen pode se enturmar?

CATHLEEN: Você anda passando muito tempo com o cretino do Ehlios.

JOEY lança um sorriso forçado para CATHLEEN.

JULIA: Vamos pessoal, agilizando, até onde sabemos há alguém na mansão nesse momento! Peguem o equipamento e continuem por essa estrada. Pouco mais de uma milha e vocês chegarão ao Charenton.

JOEY e CATHLEEN pegam o equipamento e descem do carro.

JOEY: [aproximando-se da janela] Mas Julia… e a comunicação constante…

O carro dispara cantando pneu e deixando JOEY e CATHLEEN cobertos pela poeira. Os dois se olham intrigados.

 

CENA 3 – EXT. THE ALLEY – NOITE

Erick para na frente do The Alley. Vemos muitos carros na entrada da lanchonete.

ERICK: Só pode ser aqui.

Erick entra no local.

 

CENA 4 – INT. THE ALLEY – NOITE

A lanchonete está lotada e vemos ZACK, KENNEDY e mais um garoto andando rapidamente de um lado para o outro, tentando atender aos pedidos. Erick olha para os lados procurando um lugar para sentar, mas parece não haver opções. Uma pessoa tromba nele por trás. Barulho de copos quebrando. Erick vira-se assustado e vemos Kennedy no chão catando cacos de dois copos.

KENNEDY: [nervosa] Droga!

ERICK: [abaixando para ajudá-la] Foi mal. Eu não te vi.

KENNEDY: Não tem problema. Eu tava distraída.

KENNEDY finalmente olha para o garoto.

KENNEDY: Hey, você não é o primo da Srta. Liefield?

ERICK: [confuso] Primo? [tentando disfarçar] Ah, claro. Sou primo da Julia.

KENNEDY: Achei que vocês estivessem no hospital. A Cathy falou que algum parente da Julia tava mal e depois de tanto açúcar eu achei que tinha sido você.

ERICK: [ri brevemente] Não. É um parente da Julia sim, mas… hum… é do outro lado da família. Parente só dela. Eles tiveram que sair apressados e achei melhor não atrapalhar. A Cathy falou que eu podia ficar aqui.

KENNEDY: Claro… sem problemas.

ZACK passa apressado pelos dois com uma bandeja lotada.

ZACK: Kennedy. Mexa-se!

KENNEDY: [contemplativa] Sabe, o Zack era tão gentil no começo da noite. Depois começou a aparecer tanta gente entre nós que ele simplesmente mudou.

ERICK sorri.

KENNEDY: Você vai comer alguma coi– Ok, pergunta errada. O que você quer que eu traga pra você comer?

ERICK: Acho que eu vou querer uns dois pedaços daquela torta de chocolate ali. Três bolas de sorvete com calda quente e… café.

KENNEDY: [indo para trás do balcão] Café? [irônica] Ótima combinação de escolhas.

KENNEDY joga os cacos fora e vira para um cara que estava sentado num banco do balcão.

KENNEDY: [abanando a mão] Sai, sai, sai.

O homem parece assustado, mas se levanta do banco. ERICK se aproxima para sentar, rindo.

ERICK: O que eu posso dizer? Já testei praticamente todas as combinações existentes de comida e acredite quando eu digo que sorvete e café… combinam mesmo.

KENNEDY entrega um prato com os dois pedaços de torta para ERICK e vai até a cafeteira.

KENNEDY: Ok, então… energizando superpoder Gilmore.

A garota aperta um botão na cafeteira e após alguns segundos ela franze o cenho.

Aperta o botão de novo.

KENNEDY: [irritada] O que aconteceu com essa coisa agora?

KENNEDY começa a apertar todos os botões da máquina de café soltando alguns grunhidos de irritação. ERICK olha para ela assustado.

KENNEDY: [gritando e apertando todos os botões] Ah, mas você vai funcionar sua lata velha! Eu já to cansada disso tudo e não preciso de mais um eletrônico empacado pra completar minha noite!

Algumas pessoas olham para KENNEDY atacando a cafeteira.  A garota dá um último soco no aparelho e ouvimos um zumbido seguido de faíscas que saem da máquina. As luzes da lanchonete começam a oscilar até que tudo se apaga num baque surdo.

O The Alley todo entra em silêncio. E a tela está em total escuridão.

ERICK: Eu nem queria o café tanto assim mesmo.

 

CENA 5 – INT. THE ALLEY – NOITE

Zack está nos fundos da lanchonete mexendo em alguns armários. Ele retira algumas velas e começa ir pra frente do The Alley novamente, mas EHLIOS, vestido com um casaco negro, entra desesperado pela porta dos fundos. ZACK olha para ele, intrigado.

ZACK: Ehlios? Você e a Sociedade do Anel de Naranda foram assistir mais uma seção de Matrix?

EHLIOS: [olhando para trás] O quê? Não!

ZACK: O que você tá procurando?

EHLIOS: [nervoso] Nada! [olhando em volta] O que houve com a luz?

ZACK: A Kennedy aconteceu.

EHLIOS parece não prestar muita atenção, olhando a todo momento pelo pequeno vidro da porta.

ZACK: O que houve?

EHLIOS: A gente tem que ir pro manicômio urgentemente!

Zack franze a testa e olha para EHLIOS com uma cara de pena.

ZACK: O quê?

EHLIOS: A Equipe Rocket está a caminho do Chareton em Santa Cruz e eu quero saber o que tem lá!

ZACK: Bem, aparentemente vários de seus amigos.

EHLIOS encara Zack com um olhar de tédio.

ZACK: E quer saber? [levanta as velas] Eu tô ocupado e… [incerto] não me interessa o que a Cathy tá fazendo.

EHLIOS: [entre os dentes] Cathy?! [irritado] Desde quando Cathleen virou Cathy pra você?

ZACK olha para ele sem saber o que responder por alguns momentos.

ZACK: [rolando os olhos] Eu não sou o seu Frodo.

EHLIOS encara ZACK com um olhar cortante.

EHLIOS: [entre os dentes] Será que dá pra gente ir?

ZACK: Ehlios, olha essa situação, cara. Você chega no meio do meu turno de trabalho, de capa negra, me chamando para ir à um manicômio, por seja lá que razão. Eu seria idiota de concordar com algo do gênero.

EHLIOS: Eu duvido que você não tá interessado em saber o que eles estão aprontando?

ZACK: [incerto] Não…

EHLIOS: [com um sorriso diabólico] Eu duvido.

 

CENA 6 – INT. THE ALLEY – NOITE

A câmera focaliza KENNEDY e ERICK conversando à luz de velas. De repente um grito se ouve na escuridão.

VOZ MASCULINA: Tá pronto!

Ouve-se um estalo alto. E a luz  retorna ao estabelecimento. A garota sorri para ERICK e vai até a cozinha.

KENNEDY: [grita] Zack! A energia voltou!

Silêncio.

KENNEDY: Zack?

 

CENA 7 – ESTRADA – NOITE

CATHLEEN e JOEY andam pelo asfalto quando vemos ao longe algumas luzes.

CATHLEEN: [olhando para as luzes do manicômio] Hora da festa. [pra Joey] Pronto?

JOEY: [respira fundo] Pronto.

CATHLEEN tira sua jaqueta de couro preta revelando uma blusa verde. A garota então coloca a mochila nas costas, parecendo assim mais casual. JOEY se esconde atrás de alguns arbustos na margem da estrada e CATHLEEN continua andando até chegar a uma guarita de vigilância ao lado da entrada do manicômio.

Vemos que dentro da guarita há apenas um segurança já de idade. CATHLEEN sacode os cabelos e sorri para o velho. Ele sorri de volta e aproxima-se da janela da guarita.

CATHLEEN: Boa noite. Eu estou com um pequeno probleminha. Tive uma briga com meu namorado e ele me deixou no meio da estrada. Tem como você me deixar usar seu telefone.

CATHLEEN sorri e pisca os olhos algumas vezes. O guarda estufa o peito e também sorri.

GUARDA: [voz grossa] Claro. Pode entrar, querida.

Ele abre a guarita e Cathleen entra.

CATHLEEN: [tocando o peito do segurança enquanto entra] Muito obrigada, Sr. … [olha no crachá] Riney. O senhor é um amor.

CATHLEEN aperta de leve a bochecha do homem e entra. RINEY arregala os olhos e sorri mais ainda.

RINEY: O telefone está bem aqui, senhorita.

O segurança pega o telefone e passa para CATHLEEN. A garota se encosta sobre a janela ocultando-a da visão do segurança. Vemos ao fundo da cena JOEY passando encurvado e todo vestido de preto pela guarita do manicômio. A garota digita alguns números. O homem senta-se na cadeira a frente de CATHLEEN de modo que não podia mais ver nada do lado de fora da guarita.

A câmera mostra a visão do guarda e passeia do rosto de CATHLEEN lentamente até seus pés.

CATHLEEN: [fingindo chorar] Meredith?? [pausa] Você não vai acreditar o que o Roger fez comigo! [pausa] Ele me expulsou do carro no meio da estrada! [chorando ainda mais] Eu sei, eu sei que devia ter escutado, mas eu gosto dele Mere!

O homem parece continuar encarando as pernas de CATHLEEN.

CATHLEEN: Ele disse que eu era uma vagabunda e que tinha ficado com o Scott. Como ele sabe disso??? Você por acaso– [pausa] Desculpa, desculpa! Eu sei que você nunca contaria nada pra ele. [pausa] Mere, eu não sei o que fazer! [em prantos] Eu tô no meio do nada chamado Nevada e não tenho como ir pra casa! [pausa longa] Porque, por sorte, eu achei uma gracinha de senhor aqui que me deixou usar o telefone dele.

CATHLEEN pisca para ele.

CATHLEEN: [enxugando as lágrimas] Não sei… tem como você vir me buscar?

Pausa longa. CATHLEEN olha incerta para o senhor que desvia rapidamente o olhar para os olhos da garota.

CATHLEEN: [fingindo sussurrar sem graça] Mere, eu não sei se eu posso passar a noite aqui…

O homem arregala os olhos.

 

CENA 8 – EXT. MANICÔMIO CHARETON – NOITE

JOEY esgueira-se e anda rente as paredes. Ele olha através de várias janelas e finalmente acha um quarto vago. O garoto coloca sua mão sobre a janela e uma coloração avermelhada vem seguida de um click. JOEY abre a janela e pula para dentro do quarto.

 

CENA 9 – GUARITA MANICÔMIO CHARETON – NOITE

Dentro da guarita o homem tem toda sua atenção voltada para CATHLEEN e não percebe logo atrás de si, JOEY aparecendo em pequenos monitores de vigilância interna.

 

CENA 10 – INT. MANICÔMIO CHARETON – NOITE

JOEY está num quarto que parecia ser uma pequena farmácia. Vemos várias prateleiras com remédios. O garoto abre a mochila e tira cinco frascos brancos. Ele coloca quatro sobre uma mesa e abre o quinto. Close no rótulo dos quatro frascos: ECSTASY.

JOEY vai até uma grande mesa e lá está uma longa maleta de plástico. Em cima dela há um post it: REMÉDIOS NOITE. Joey abre a maleta de plástico onde vemos vários compartimentos pequenos com pílulas de cores diferentes e nomes de pacientes sobre cada um dos compartimentos. JOEY começa a esvaziar a maleta e enchê-la com os comprimidos de ecstasy.

Tela preta.

SARAH [Voice Over]: Nem pensar!

 

CENA 11 – RANCHO JONES – NOITE

Sarah, Ehlios e Zack estão na cozinha da casa.

EHLIOS: Mas, Sarah–

SARAH: O que te deu na cabeça? Você não podia invadir a mansão assim!

EHLIOS: [irritado] É uma mansão Sarah! Está designada a isso!

ZACK e SARAH reviram os olhos.

EHLIOS: Qualé gente! Eu fiz um favor! Aqueles três estão claramente por trás de alguma coisa e você tá simplesmente ignorando isso!

SARAH: Eu não me importo.

EHLIOS: Eu não tô te entendendo, Sarah. Você corre o mundo todo atrás de outros como a gente e nem sequer se interessa por esses aqui em Naranda? E não são apenas três comuns. A gente tá falando de três pessoas que saem por aí fuçando bases militares e que estão com metade dos desenhos que deveriam ser nossos! Até o Zack concorda comigo!

SARAH olha para ZACK e o garoto fica meio envergonhado.

ZACK: Ele tem um argumento.

SARAH solta um grunhido de frustração.

SARAH: Isso não está aberto à debate, Ehlios. O que eles fazem não nos diz respeito. Você não vai à canto nenhum e isso é definitivo. Vá para o seu quarto.

EHLIOS sai a passos pesados.

 

CENA 12 – MANSÃO – NOITE

Shot da porta de entrada da casa. Ela se abre lentamente e vemos JULIA entrar devagar com uma arma em punho. A mulher anda atentamente por toda a sala de estar da casa e finalmente entra na cozinha com um movimento rápido. Ela então volta a analisar a cozinha quando tropeça em algo e cai de repente saindo do foco da câmera.

JULIA: Ai!!!

JULIA olha para o chão e vê que tropeçou em um tubo verde de Pringles…

JULIA: [mão na cabeça] Mas que diab–

 

CENA 13 – INT RANCHO JONES – NOITE

ZACK para numa porta e bate na mesma.

ZACK: Ehlios! Sou eu o Zack. Vamos conversar.

O garoto bate mais uma vez na porta e a mesma se abre.  A câmera da uma tomada do quarto vazio.

 

CENA 14 – INT RANCHO JONES – NOITE

ZACK entra apressado na cozinha.

ZACK: Sarah você viu o Ehlios?

SARAH: Não, eu não o vi.

Em cena uma melodia enjoativa de sinos ecoa do quintal para cozinha do rancho onde ZACK e SARAH estavam.

SARAH: [surpresa] Não! Eu não posso acreditar que ele ta fazendo isso!

ZACK: Ele tá fugindo com o carrinho de sorvete!

 

CENA 15 – INT. THE ALLEY- NOITE

KENNEDY e ERICK estão sentados numa mesa, o estabelecimento esta quase vazio.

KENNEDY: [espantada] Como você come!

ERICK: [com a boca cheia] Hãn?

KENNEDY: Sinceramente, Erick. Eu não sei como puxar papo com você. Então [suspirando] continue comendo.

ERICK: [parando de comer] Ok. O que você quer saber?

KENNEDY: [fingindo indignação] Eu? Por quê, você acha isso?

ERICK: [sorrindo] Eu só… percebi.

KENNEDY: [empolgada] Me fale de sua vida no Canadá! É verdade que você era dublê de uma série por lá?

De repente, um efeito visual no formato de um relâmpago passa por trás da cabeça de ERICK.

KENNEDY: [séria] O que houve? Você parece pálido.

ERICK: Tem alguém mal intencionado aqui.

ERICK olha para os lados.

KENNEDY: Se você tá falando da gordinha sentada na mesa do fundo, o Zack me disse que ela sempre vem aqui para fugir da dieta que o marido dela obriga-a fazer.

ERICK: Não é isso! [encara a entrada da lanchonete] Olhe aqueles caras que estão entrando.

A câmera mostra três homens entrando no The Alley, um deles aparentando ser o líder ascende um cigarro.

HOMEM 1: Isso é um assalto! Ninguém se mexe!

Algumas pessoas começam a sair correndo de seus lugares histéricas e em pânico.

HOMEM 1:  [disparando um tiro pra cima] Eu disse… ninguém se mexe!

KENNEDY: [para si mesma] Belo dia pra dar uma de boa samaritana com a Cathy, Kay.

ERICK: [levantando-se] Com licença, senhor.

O homem olha pra ele surpreendido pela manifestação.

HOMEM 1: [irritado] O quê?

KENNEDY: [sussurrando para Erick] O que você pensa que tá fazendo?

ERICK: Por que em todo assalto sempre tem um babaca fã de Quentin Tarantino, que ascende um cigarrinho e adora contar seus planos?

KENNEDY: [levantando-se e apontando para Erick] Eu não o conheço!

HOMEM 1: [irônico] Pelo visto você quer ser o herói da vez, certo? Então vamos ver do que você é feito. [para os outros comparsas] Peguem eles!

ERICK se coloca na frente de KENEDDY que pega uma bandeja e a acerta na cabeça de um dos homens repetidas vezes, gritando. A câmera começa  congelar o movimento da cena, mostrando ERICK aplicando vários golpes giratórios nos assaltantes. ERICK derruba os dois comparsas e KENNEDY, que golpeava o homem agora caído, de olhos fechados, ainda golpeia o ar gritando. A garota abre os olhos percebendo que seu atacante estava no chão e sorri, vitoriosa.

ERICK: Isso é tudo o que vocês podem fazer?

HOMEM 1: Não. [apontando uma arma] Tem mais isso.

Um tiro se ouve em cena.


CENA 16 – INT GUARITA CHARETON – NOITE

CATHLEEN está na guarita com o vigia.

CATHLEEN: [choramingando] Obrigada, Senhor Riney. Eu nem sei o que seria de mim sem a sua ajuda.

RINEY: Que é isso, minha filha!

CATHLEEN: [abraçando-o] Não! O senhor foi um anjo para mim.

O homem parece meio confuso com o abraço.

A câmera foca CATHLEEN abraçando o homem, e este mesmo começa a se debater, mas a garota continua firmando seus braços ao redor do pescoço de RINEY até que ele caia desacordado ao seus pés.

 

CENA 17 – INT MANICÔMIO CHARETON – NOITE

CATHLEEN caminha por alguns corredores até chegar numa sala que aparentava ser um deposito de limpeza. A câmera foca CATHLEEN abrindo sua mochila e tirando uma roupa de enfermeira de dentro dela.

 

CENA 18 – INT MANICÔMIO CHARETON – NOITE

CATHLEEN, disfarçada como uma enfermeira percorre os corredores do manicômio. Em cena alguns enfermeiros tentam conter alguns pacientes descontrolados. CATHLEEN apressa o passo até que algumas sonoras indistintas são ouvidas e a garota vê JOEY num quarto tentando se livrar de uma senhora que o abraçava.

JOEY: [aflito] Não senhora! Eu não sou o Tyler!

SENHORA: [puxando as calças de Joey] Deixa disso, meu amor! Eu sei que é você Tyler!

JOEY tenta se esquivar da senhora que puxava suas calças e acaba se desequilibrando e caindo no chão. O garoto acaba notando CATHLEEN na porta, rindo da cena.

JOEY: Cathleen, me ajuda aqui!

CATHLEEN: [rindo] Você ta brincando comigo, né? A Julia não me treinou para esse tipo de situação.

JOEY: [irritado] Deixa de ser palhaça! Isso é efeito do ecstasy!

CATHLEEN: [irônica] Você quer dizer que não é realmente amor verdadeiro?

Nesse momento a velhinha consegue rasgar a calça de JOEY, que consegue se levantar.

JOEY: [assustado] Não!

CATHLEEN: [arregalando os olhos] É, já tá na hora de uma intervenção!

CATHLEEN puxa JOEY dos braços da velha e sai correndo com ele pelo corredor, e a senhora nua vai correndo atrás deles.

SENHORA: Não me deixe, Tyler!

 

CENA 19 – INT. THE ALLEY- NOITE

Um tiro se ouve em cena, a câmera congela a imagem detalhando o movimento de propulsão da bala no ar, vai se dissipando mostrando ERICK se esquivando da bala e caindo no chão.

KENNEDY: [aterrorizada] Seu doido! O que você fez?!

Close em ERICK, que num movimento se coloca em pé, com apenas um pequeno corte no rosto.

HOMEM 1: [confuso] Mas, como?

ERICK joga um prato num movimento giratório acertando o revólver do ladrão que a portava. KENNEDY, segurando uma espátula, se aproxima do homem e pega a arma no chão.

ERICK: Joga pra mim!

KENNEDY joga a espátula.

ERICK: [olhando a espátula] O que eu vou fazer com isso?

KENNEDY dá de ombros. Os outros dois homens fogem engatinhando porta afora.

HOMEM 1: [levantando-se] Vocês dois vão me pagar caro!

KENNEDY, confusa com manuseio da arma, a aponta para cima e acidentalmente a mesma dispara. Uma luminária cai em cima do homem que desmaia.

ERICK: [faz uma careta] Ouch!

 

CENA 20 – EXT MANICÔMIO CHARETON – NOITE

CATHLEEN e JOEY estão levando um homem desacordado apoiado em seus ombros.

CATHLEEN: Por que a Julia não nos avisou que o sujeito tava mais morto do que vivo?

JOEY: Pega leve, Cathie! Parece que ele foi torturado.

CATHLEEN: [irônica] E você percebeu isso pelos hematomas?

JOEY: Se uma velha ninfomaníaca tivesse te perseguindo você saberia pelo o que eu estou passando.

CATHLEEN parece não prestar atenção em JOEY.

JOEY: [rola os olhos] E agora estou sendo ignorado.

CATHLEEN: [fazendo sinal de silêncio] Eu acho que estamos sendo seguidos. Joey, leva o cara para o ponto de encontro.

JOEY: O quê? Eu não vou te deixar aqui!

CATHLEEN: [irritada] Joey faz o que eu to mandando! Além do mais você tem mais força para levá-lo do que eu.

JOEY, mesmo contrariado, acaba acatando as ordens de CATHELEEN e leva o homem desacordado para o ponto de encontro. CATHLEEN observa em silêncio o local até que um vulto aparece entre os arbustos.

CATHLEEN: [surpresa] Ehlios?


CENA 21 – ESTRADA DESERTA – NOITE

JULIA, em seu carro, avista JOEY carregando um homem em seus ombros. Ela nota os hematomas do homem.

JULIA: [sussurrando] Oh, meu Deus, Bob. [para Joey] Onde está Cathleen?

JOEY: Ela ficou para trás. Ela tava desconfiada que estávamos sendo seguidos.

JULIA, sem dar muita atenção, acelera o carro em direção ao Chareton.

 

CENA 22 – EXT MANICÔMIO CHARETON – NOITE

CATHLEEN: [surpresa] Ehlios?

EHLIOS sai de trás de alguns arbustos e se coloca na visão de CATHLEEN.

EHLIOS: [irônico] Cathleen.

CATHLEEN: [impaciente e incrédula] Garoto, eu achei que você fosse estúpido, mas nunca pensei que tão preocupante. O que diabos você está fazendo aqui?

EHLIOS: Pergunta errada! O que você ta fazendo aqui?

CATHLEEN se aproxima mais do garoto.

EHLIOS: Não se aproxime mais criatura vil!

CATHLEEN: Eu posso acabar com você daqui, Trekker!

EHLIOS: Eu sou fã de Yamoto, sua idiota!

CATHLEEN continua se aproximar.

EHLIOS: Eu já disse para você se afastar!

CATHLEEN: [provocando] Tá com medo de uma garota, Ehlios?

EHLIOS: Então me mostre seu melhor, garotinha.

CATHLEEN dá um tapa no rosto de Ehlios

EHLIOS: Ai!

EHLIOS dá um chute na canela de CATHLEEN.

CATHLEEN: Seu covarde!

Os dois começam a trocar tapinhas e puxões de cabelos. De repente, entre a mata, JULIA aparece.

JULIA: [incrédula para si mesma] Quando a minha vida se tornou isso?

JULIA coloca as duas mãos nas têmporas e câmera direciona-se para EHLIOS. A câmera fecha um close nos olhos de JULIA, quando uma mão coloca-se nos ombros da mesma, que recua o corpo e olha para trás.

JULIA: [surpresa] Sarah?

SARAH: [séria] Oi, Julia.

CONTINUA…

PRODUÇÃO EXECUTIVA
Samir Zoqh
Luciana Rocha

ELENCO
Keira Knightley como Cathleen
Riley Smith como Joey
Paul Wasilewski como Zack
J. Mack Slaughter como Ehlios
Ashly Lyn Cafagna como Kennedy
Bonnie Somerville como Julia

ELENCO RECORRENTE
Neve Campbell como Sarah

ATORES CONVIDADOS
Daniel Clark como Erick
Victor Webster como Robert Burke

ESCRITO POR
Samir Zoqh

CRIADA E DESENVOLVIDA POR
Samir Zoqh
Luciana Rocha

MÚSICA TEMA
Late Great Planet Earth, Plumb

A HYBRID STUDIOS PRODUCTION

DISTRIBUTED BY TELEVISION SERIES NETWORK
©2005

 

Destaques da Semana – Brasil – 24/10 a 30/10

Data/Hora 24/10/2011, 09:09. Autor
Categorias TV Brasil


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Outubro vai chegando ao fim e nossa grade particular de programação nem está completa ainda, porque continuam a estrear seriados no Brasil. Siga a coluna e volte diariamente, para ver os destaques da programação. E deixe seu comentário!

Segunda, 24/10

The Mentalist - Strawberries & Cream
Abro a semana com um season finale. Às 22h, chega ao fim o terceiro ano de The Mentalist, com a exibição do episódio duplo Strawberries & Cream. No programa, a CBI investiga um atentado terrorista, a revelação de quem é o informante de Red John e o reencontro de Jane com o serial killer. Não posso contar, porque é spoiler, mas contrataram um puta ator, vencedor de Emmy, pro papel do vilão. Antes, às 21h, o canal exibe Harry’s Law (21h, 1×11). Clique aqui para continuar a leitura »

O gumbo e a glória em Hart of Dixie

Data/Hora 23/10/2011, 18:36. Autor
Categorias Gastronomia


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George Tucker:
“Eu só queria te avisar que alguém, de brincadeira, inscreveu você no concurso de cozinheiros da cidade, amanhã.”

Zoe Hart:
“Ocorreu a você que eu mesma tenha me inscrito? Eu adoro cozinhar. Cozinho feito louca a toda hora, assisto programas de culinária no Cooking Food Channel. Você devia solicitar à sua operadora de TV local, é um ótimo canal de culinária para quem adora cozinhar, e eu adoro cozinhar.”

George Tucker:
“Não sei se sabe, mas Brick Breeland sempre ganha o concurso.”

Zoe Hart:
“Foi o que ouvi, mas não ligo. Sério, não comecei bem ao sabotar o desfile de Bluebell, fazendo da sua noiva minha arquiinimiga, mas você sabe melhor do que ninguém que preciso 30% dos pacientes pra manter minha parte da clínica.”

George Tucker:
“Tá, mas como o gumbo vai fazer isso?”

No episódio Gumbo and Glory, o terceiro da primeira temporada de Hart of Dixie, a doutora Zoe Hart decide participar de um concurso de gumbo na tentativa de ser melhor apreciada na comunidade da cidade onde é sócia numa clínica e assim finalmente conseguir pacientes, disputando posição contra o outro médico.

Acontece que seu oponente leva duas grandes vantagens competitivas: ele é da cidade e conhece seus habitantes, e faz um gumbo realmente gostoso. O gumbo é um guisado grosso de carne criado na Louisianna no século 18 dentro da comunidade cajun, isto é, de origem francesa. O nome gumbo deriva de especiarias usadas no prato cujos nomes nos idiomas bantu [afrricano] e choktaw [indígena] soam como “gâmbo”.

Hart of Dixie - Gumbo and Glory

Brick Breeland:
“Pessoal, sinto muito, vocês podem esperar mais um pouco ou voltar depois, mas Doris Culp acha que Albert está tendo um infarto… de novo. Acho que todos nós sabemos que ela está tentando me deixar em desvantagem com meu gumbo. Mal sabe ela que coloquei minha panela para ferver na noite passada.”

Eu achei uma escolha muito feliz dos roteiristas porque este é um prato que reflete a mistura de etnias em seus ingredientes e origens e a série lida com diversos tipos de misturas e combinações: étnicas, de geração, de sexo, de formação, de origem, de interesses e objetivos. Além disso, é um prato com um ritmo mais calmo: não existem atalhos ou correria na confecção do gumbo e isso combina perfeitamente com a trama da transição da médica da agitada Nova Iorque para a tranquila Alabama.

Por fim, um terceiro ponto de identificação entre o prato e o momento da série é justamente o ponto do gumbo: ele tem de ter um ingrediente que vai torná-lo consistente, encorpado após o longo cozimento [geralmente é o quiabo, que na série, metaforicamente falando, seria a doutora Hart].

Hart of Dixie - Gumbo and Glory

Zoe Hart:
“Você acredita que ele disse isso? Bom, isso só vai tornar tudo ainda mais delicioso quando eu o destruir no concurso de gumbo.”

Lavon Hayes:
“Oh, sinto muito, eu estava procurando pela coisa errada. Você quer a panela mágica de gumbo. Ah, aqui está! Eu sabia que tinha uma, bati nela uma vez pra espantar um gambá. Ahn, ele não vem com gumbo dentro, sabe. O evento é amanhã, espero que saiba que demora algumas horas pro gumbo ficar pronto.”

Existem duas versões para gumbo, uma com frutos do mar e outra com aves. A usada na série é a versão creole com frutos do mar e tomates, que George Tucker compra para Zoe Hart numa farm market contrariando o ultimato da noiva, Lemon Breeland, que lhe pedira para não falar mais com a médica.

Não se preocupe, na receita de hoje não pedirei para operar os camarões e retirar suas veias!

A receita – Gumbo de frutos do mar

Ingredientes:
1 xícara [chá] de manteiga
2 xícaras [chá] de farinha de trigo
2 litros de água quente
1 litro de molho de tomate
1 pimenta dedo-de-moça picada
2 talos de salsão picados
3 cebolas picadas
1 dente de alho picado
1 kg de camarões médios limpos
1 kg de mexilhões
1 dúzia de ostras
1/2 kg de lulas limpas em anéis
1 kg de quiabo limpo e seco
1 colher [chá] de pimenta-caiena
1/2 xícara [chá] de salsinha picada
1/2 xícara [chá] de cebolinha picada
Sal a gosto

Hart of Dixie - Gumbo and Glory

Modo de preparo:
Derreta a manteiga, acrescente a farinha e faça um roux escuro [“frite” a farinha na manteiga, mexendo sempre com uma espátula ou colher de pau, até que a farinha fique com uma cor moreno escuro]. Acrescente aos poucos a água até dissolver completamente o roux, deixando-o bem liso, sem pelotas..

Você pode fazer o roux numa panela ou frigideira média e acrescentar uma parte da água até que ele fique liso e depois passar para uma panela grande que comporte no mínimo cinco litros; isso facilita.

Abaixe o fogo e adicione o molho de tomate, a pimenta dedo-de-moça, o salsão, a cebola e o alho. Triture 200g de camarão e acrescente ao caldo. Deixe cozinhar em fogo baixo por 3 horas.

Depois, junte o restante dos camarões, a lula, o mexilhão, as ostras e o quiabo e tempere com sal e pimenta-caiena. Cozinhe por mais 10 minutos e acrescente a salsinha e a cebolinha. Sirva em cumbucas com arroz branco à parte.

Hart of Dixie - Gumbo and Glory

Notas pessoais: O grau de dificuldade médio desta receita deve-se em grande parte ao preparo do roux, que muitos consideram a prova de fogo do chef. Como uma imagem vale mil palavras e um vídeo explica bem melhor o processo, indico a master class em roux do chef Jean Phillipe Lafond disponível no Youtube [em português] que demonstra desde o momento em que se deve adicionar a farinha até como acrescentar o caldo.

Se não fosse pelo roux, o resto é baba. Trabalhoso, mas fácil. [Nota muito pessoal: na receita pede ostras, mas nunca encontrei pra comprar na região. Achei melhor deixar como estava, caso tenha na sua cidade.] Ah, uma dica extra: eu costumo aferventar caudas, cabeças e a casca do camarão na água que vai dissolver o roux, aproveitando seu sabor ao máximo. É só coar antes de usar. Garanto que não vai sobrar nada pro café da manhã do Burt Reynolds.

Wade Kinsella:
“Ei, meu tio Mo tem uma receita muito boa de gumbo, se quiser a minha ajuda…”

Este post homenageia os médicos, cujo dia comemoramos na terça-feira passada [18/out]. Que todos sejam uma combinação da capacidade técnica da Dra. Hart com a experiência humana do Dr. Brickland: um gumbo perfeito.

Two and a Half Men – A Giant Cat Holding a Churro

Data/Hora 20/10/2011, 14:07. Autor
Categorias Reviews, Spoilers


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Série: Two And A Half Men
Episódio: A Giant Cat Holding a Churro
Temporada:
Número do Episódio: 9×05
Data de Exibição nos EUA: 17/10/2011

Mais uma vez tivemos um episódio em que Alan é o centro da história. E, claro, John Cryer já se tornou um especialista em “segurar as pontas” de Two and a Half Men sozinho e fazer um episódio engraçado.

Depois de ser dispensado por Lyndsey, Alan vai assistir TV com Walden e os dois acabam encontrando na programação pornô um filme em que Lyndsey participava. Cinnamon’s Buns é um filme do século XVI em que uma moça se apaixona por um padeiro casca grossa. Clássico. Ri muito dos trocadilhos tipo Mister Master Baker.

Alan fica muito chateado por Lyndsey nunca ter contado sobre sua carreira na indústria cinematográfica, mas não tem coragem de conversar com ela. Só de olhar para a cara da Lyndsey era de se esperar que o passado dela tivesse coisas do tipo! A cena de Berta fingindo se importar com os sentimentos de Alan foi a melhor!

Alan resolve conversar com Lyndsey e contar que ele sabe sobre o filme. Ela disse que era muito jovem, precisava de dinheiro na época e que tinham prometido que ela apareceria em Melrose Place! (para quem não lembra, Courtney Thorne-Smith fez parte do elenco de Melrose Place de 1992 a 1997 no papel de Allison Parker) Ela só pode dormir no formol, faz mais de vinte anos que ela tem a mesma cara!

Já que Alan estava cobrando honestidade de Lyndsey, ela pede para que ele conte alguns segredos pra ela e como Alan é idiota, conta mais do que devia. Ele diz pra ela até sobre a sua suspeita de que o filho de Judith e Herb pode ser seu (e falando nisso, onde está esse bebê? Nunca mais ninguém falou sobre ele na série, é como se não tivesse existido!).

Cena sem noção do espisódio: Berta e Walden comendo brownies especiais! Pois é, novamente me lembrou de That’s 70 Show daquele episódio em que Hyde coloca drogas nos brownies da Kitty e todo mundo fica doidão. E só pra constar: sou super a favor do Talk Show da Berta! Ela sempre me faz rir:

Zippy, o único momento em que você deve ser honesto é quando os paramédicos te perguntam “o que você tomou”?

Com esse episódio podemos perceber que Alan gosta da Lyndsey de verdade. Principalmente quando ele liga pra ela e diz que só contou todas aquelas coisas porque confia e se importa com ela. Isso é muito triste, já que visivelmente podemos perceber que Lyndsey não gosta de Alan de verdade, ela só está com ele por falta de opção.

Também podemos ver nesse episódio que Walden se preocupa com Alan. Mesmo chapado, ele fez uma festa com time de vôlei para animar Alan e ainda mentiu para Lyndsey para acobertá-lo. E por falar em Walden, parece que ele pode se divertir sem Birdget! Como saiu nessa semana, Judy Greer vai entrar para o elenco de outra série e provavelmente deixará Two and a Half Men. A participação dela já anda meio sem importância, então, provavelmente sumirão com Bridget de vez da série.

Chord Oversreet vai retornar para ‘Glee’

Data/Hora 20/10/2011, 08:23. Autor
Categorias Notícias, Spoilers


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Os Gleeks de plantão já podem comemorar: parece que o boca de truta, também conhecido como Sam, estará de volta aos corredores do McKinley High. O ator Chord Oversreet deverá retornar em breve a Glee.

Depois do fracasso no verão passado, quando os produtores de Glee não conseguiram fazer Chord renovar contrato, parece que estão ocorrendo novas negociações entre a Fox e o ator. No primeiro episódio da 3ª temporada, sua ausência foi explicada pela ex Mercedes (Amber Riley), onde ela disse que a família de Sam mudou-se para fora da cidade.

Se confirmado, o personagem terá retorno no oitavo episódio da temporada, onde os New Directions vão competir nas Sectionals.

Será que com Sam de volta veremos o romance dos dois por mais tempo? Ou será que a volta de Evans será mais opurtuna para sua outra ex namorada, Quinn Fabray (Dianna Agron)? Ao que parece ela está saindo dos trilhos, quem sabe Sam não é um motivo para ela voltar a ser como antes?

A volta não foi confirmada, assim como não foi confirmado que Chord apareceria por toda a terceira temporada ou só por alguns episódios.

Glee é exibida nos EUA nas terças, às 21h.

Fontes: Zap2it e TVline

Série Virtual – Outsiders – Realise That


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Série: Outsiders
Episódio:
Realise That
Temporada:

Número do Episódio:
1×03

 

CENA 1 – THE ALLEY – NOITE

[MÚSICA DE FUNDO – Cling And Clatter, Lifehouse]

CATHLEEN raspa a chapa da lanchonete enquanto ZACK, ao seu lado, lava os pratos. Vemos que CATHLEEN está rindo muito, mas a conversa é indistinta pela música. A música vai abaixando lentamente. CATHLEEN está gargalhando e ZACK possui seu costumeiro sorriso discreto no rosto.

ZACK: Ok, daí eu vou pro meu quarto, bato a porta na cara dele e grito que nunca mais vou falar com ele de novo. Mas você sabe como o cara consegue ser chato! Então ele fica batendo na minha porta uns 10 minutos até que desiste e eu finalmente acho que ele se cansou.

CATHLEEN: Ai, Deus. Eu sei que vem besteira por aí.

ZACK: [ri brevemente] Daí eu começo a ouvir esses gritos estranhos do lado de fora do quarto. Uma coisa meio tribal, sei lá.

CATHLEEN: O que ele fez?

ZACK: Ele colocou “Banana Boat Song” no som e apertou repeat.

CATHLEEN: [incrédula] A música do Bettlejuice?

ZACK: É!

CATHLEEN ri compulsivamente.

ZACK: A música tocou por umas três horas sem parar e eu sabia que ele só ia me livrar daquela tortura quando eu saísse do quarto e desculpasse-o.

CATHLEEN puxa por ar.

CATHLEEN: Ok, ok, então você tá me dizendo que o Ehlios tem “Day-O” gravado em cd?

ZACK: Eu não disse isso e negarei até sob tortura se me perguntarem.

CATHLEEN sorri.

CATHLEEN: Já entendi.

CATHLEEN e ZACK trocam um olhar por alguns instantes e CATHLEEN explode em risadas. ZACK também ri.

CATHLEEN: Cara, aquele garoto é completamente doido!

 

CENA 2 – QUARTO DE EHLIOS – NOITE

Close num olho que se abre. Um quarto [visão aberta], EHLIOS está deitado numa cama. Ele se contorce muito.

 

CENA 3 – LOCAL DESCONHECIDO

Tomada filmada de cima. A imagem desce lentamente, revelando uma platéia diante de um palco. Podemos ver EHLIOS e um homem segurando algo nas mãos se aproximar dele. O homem passa um troféu para EHLIOS.

HOMEM: Graças ao seu extraordinário trabalho a academia tem a honra de te entregar esse Oscar.

EHLIOS: [emocionado] Nem eu esperava!

De repente um tumulto se forma atrás das cortinas do palco e um pequeno grupo se aproxima de EHLIOS.

HOMEM1: Lógico que você esperava! Você roubou a minha idéia!

EHLIOS: [gaguejando] James Cameron, eu juro que não copiei seu andróide.

JAMES CAMERON: [revoltado] Foi o que você disse antes de colocá-lo num remake de Titanic!

Um segundo homem de estatura menor se aproxima dos dois.

HOMEM2: [gritando] Isso sem falar que a velhinha no final do filme jogou o meu UM ANEL no oceano!

EHLIOS: [envergonhado] Foi mau Frodo!

FRODO: Por mim tudo bem, mas, quero ver como você vai se explicar para o Gollum.

FRODO aponta para uma criatura que se aproximava.

EHLIOS: [assustado] Gollum! Não!

A criatura se joga em cima de EHLIOS.

GOLLUM: [berrando] Onde ele está? Onde está meu precioso?

EHLIOS tenta proteger seu rosto e num movimento ele tira uma máscara do monstro. A câmera foca a criatura, revelando a face de EHLIOS.

 

CENA 4 – LOCAL DESCONHECIDO

Close em EHLIOS que desperta. O garoto vai se desmaterializando, atravessando respectivamente a cama, o assoalho do segundo andar e uma mesa, batendo a cabeça no chão da cozinha. Ele leva as mãos à cabeça com uma expressão de dor.

EHLIOS: Odeio monstrinhos!

 

[MÚSICA TEMA – LATE GREAT PLANET EARTH, PLUM]

 

Vemos um jipe numa rodovia.

CENA 5 – JIPE EM MOVIMENTO – DIA

[MÚSICA TOCANDO NO RÁDIO – Silver And Cold,  AFI]

ZACK está na direção, SARAH no carona e EHLIOS dorme no banco traseiro.

SARAH: [olha rapidamente para Ehlios] Pelo visto foi um pesadelo e tanto.

ZACK: Eu nem quero imaginar o que fez ele quebrar a waffle maker outra vez.

A câmera da um giro e focaliza EHLIOS acordando.

SARAH: Bom dia de novo, Ehlios. Quando você pretende ficar acordado de vez?

EHLIOS: [sonolento] Quando você me oferecer a pílula vermelha?

SARAH: Pelo menos a pancada que você levou na cabeça não te deixou seqüelas.

EHLIOS boceja.

SARAH: Eu estou começando a ficar preocupada com esses seus pesadelos. Isso pode ser causado por cansaço. Até agora eu não entendi por que, você aceitou trabalhar no carrinho de sorvete, já que você estava trabalhando na locadora?

EHLIOS: [dá de ombros] Sei lá. Dinheiro demais nunca é ruim.

SARAH: Ok. Se você diz.

EHLIOS: [para Zack] Fiquei sabendo que o pescoço da Cathleen, tá pra rolar no The Alley. Confirma?

ZACK: [desanimado] Pior que tá. Acho que dessa semana não passa.

EHLIOS: Ela deve estar se torturando porque disso.

CATHLEEN [Voice Over]: Imagina!

 

CENA 6 – COZINHA – DIA

JOEY: Você não liga de ser demitida?

CATHLEEN: [dando de ombros] E por que eu ligaria? Já consegui o suficiente para pagar os estragos.

CATHLEEN e JOEY estão sentados. A câmera dá um giro e focaliza a porta da cozinha sendo aberta por JLIA que está acompanhada por um jovem.

JULIA: Bom dia. Acordaram cedo hoje, hum?

CATHLEEN: [forçando um sorriso] Bom dia, Julie. Café?

JULIA: Sempre. [olhando para o jovem atrás de si] Entre, Erick.

CATHLEEN: Namorado novo?

ERICK cora com o comentário e JOEY engasga com o que estava bebendo.

JULIA: Não, Cathleen. O Erick vai passar uns dias conosco antes de ir para Los Angeles.

JOEY: A gente vai junto dessa vez?

JULIA: Não. O Erick vai para Hellertech passar por uma bateria de testes.

CATHLEEN: [desanimada] Ah… ele é como a gente… Então, quê que você tem de bom?

ERICK parece não entender a pergunta.

JULIA: Ele tem um dom especial para perceber as coisas.

ERICK esboça um pequeno sorriso para CATHLEEN.

CATHLEEN: O quê? Isso existe?

JOEY: Então é isso? Ele só percebe? Eu também faço isso!

CATHLEEN: Corta essa, Joey! Você mal distingue a direita da esquerda.

JOEY olha para CATHLEEN com cara de tédio.

JULIA: Ele é altamente sensitivo. E como é o primeiro que a gente acha em alguns anos o Ulisses mandou dar uma checada geral nele.

CATHLEEN: Coitado…

ERICK parece nervoso com o comentário.

ERICK: O que eles vão fazer comigo?

JULIA solta um olhar cortante em direção a CATHLEEN.

CATHLEEN: Nada. A galera da Heller é super hospitaleira.

ERICK olha amedrontado para todos no local. JULIA limpa a garganta tentando mudar de assunto.

JULIA: Então, eu tô indo pra Carson City agora. Tenho que resolver algumas coisas na Hellertech antes do Erick aparecer por lá. Já conversei com Fordman e o Erick vai passar o dia com vocês no Naranda High.

CATHLEEN: Você tá indo agora? A gente tem aula em 40 minutos.

JULIA: Hoje vocês terão que pegar o ônibus.

CATHLEEN parece não acreditar no que ouviu.

CATHLEEN: [para Erick] Tá vendo isso? Comparado à Julia, você vai amar o Ulisses.

 

CENA 7 – ARQUIBANCADA DO NARANDA HIGH – DIA

[MÚSICA DE FUNDO – BURN BABY BURN, ASH]

CATHLEEN e KENNEDY estão sentadas no topo da arquibancada de frente para o campo de futebol americano da escola. Um grupo de meninas trajando uniformes de educação física passa correndo em volta do campo.

CATHLEEN: Meu Deus, olha só esses uniformes! Por que os estilistas adoram nos forçar a utilizar esses dispositivos militares? Alguém te que avisar aquelas meninas que já houve a Glasnot!

KENNEDY: [rindo sem entender] Elas ficariam até bem se vestissem roupas com cores alegres. Poderiam ser notadas.

CATHLEEN: Se eu me vestisse como um arco íris até o Stevie Wonder me notaria.

KENNEDY: Então… quem é o cara devorando o chocolate? Desde que a gente desceu do ônibus ele não para de comer. Quando você vai apresentar o gatinho?

Kennedy faz um movimento de cabeça para Erick que sentado no primeiro banco da arquibancada aprecia uma enorme barra de chocolate e observa o treinamento das garotas.

CATHLEEN: O… hum… primo da Julia? Não acho uma boa idéia.

KENNEDY: Por que não?

CATHLEEN: Você acha mesmo que é uma atitude inteligente? Você mal terminou com o Ben e já ta pensando no próximo abate?

KENNEDY: E claro que não! Só o achei bonitinho. E por que ele veio conosco para escola?

CATHLEEN: A Julia precisou viajar a trabalho e como o Joey e eu tivemos estudar ela resolveu que seria legal ele não ficar sozinho em casa. Sobrei de babá.

KENNEDY: Bem, se ele começar a chorar e se sentir só no meio da noite você sabe quem chamar.

KENNEDY sorri e CATHLEEN rola os olhos. Ouvimos o sinal tocar.

CATHLEEN: Você não tinha uma prova nesse horário?

KENNEDY: Infelizmente. [suspira] Você fica aí de babá em aula vaga e eu tenho que agüentar Geometria.

CATHLEEN: Boa sorte.

[MÚSICA FADE OUT]

CATHLEEN sorri para a amiga que retribui e desce a arquibancada. Antes de sair KENNEDY sorri para ERICK que fica sem reação. O garoto sobe os degraus e senta ao lado de CATHLEEN.

CATHLEEN: É melhor você não se empolgar garanhão. Com certeza você já devia saber que ela tava caída por você desde o ônibus.

ERICK: É, mas pelo jeito que ela me encarava até seu eu fosse mentalmente deficiente eu perceberia.

CATHLEEN: Esse poder seu, embora estranho e – convenhamos – muitas vezes inútil, até que deve ser divertido.

[MÚSICA DE FUNDO – BE LIKE THAT, THREE DOORS DOWN]

ERICK: Nem tanto. A maioria das coisas que eu percebo tenho certeza que qualquer outra pessoa também conseguiria. A maior parte das pessoas escolhe não notar algumas coisas óbvias e depois de um tempo isso já passa a ser inconsciente.

CATHLEEN: Isso é ridículo. Por que alguém não iria querer saber que presente vai ganhar de Natal ou a surpresa que o namorado vai fazer no aniversário?

ERICK: As pessoas estão sempre ocupadas demais notando a si próprias. Esse dom que eu tenho apenas prova que nada acontece de repente. Tudo sempre é precedido de muitos sinais. Eu apenas sou mais atento. Pra falar a verdade eu queria não ser.

CATHLEEN: Tá maluco? Você não percebe a vantagem que você tem em tantas coisas?

ERICK: Tá certo que às vezes é legal saber tudo que se passa ao seu redor. Te dá uma sensação boa de poder e controle, mas existem situações que eu preferiria continuar no escuro. Como quando você sabe que seu pai bate na sua mãe todos os dias ou que sua namorada está te traindo. Ou até mesmo quando você sabe antes de alguma pessoa que ela está doente. Acredite quando eu digo que isso não é legal mesmo. As pessoas tendem a ignorar o que é necessário e dar importância demais ao que não é… Eu queria poder ter esse privilégio.

CATHLEEN olha para ele com um misto de pena e admiração. O grupo de garotas uniformizadas passa novamente na frente dos dois. CATHLEEN parece pensativa.

[MÚSICA FADE OUT]

 

CENA 8 – CORREDOR DO NARANDA HIGH – DIA

Vemos alguns jovens entrando em suas respectivas salas e o corredor aparenta estar deserto. A câmera fecha a imagem em EHLIOS se deslocando sorrateiramente do banheiro masculino para a saída principal.

JOEY [Off]: Grynn!

EHLIOS, assustado, se vira

EHLIOS: [sussurrando] Joey?

JOEY: A-ha!

EHLIOS: [arqueando a sobrancelha] A-ha?

JOEY: Você está prestes a fugir do seu compromisso comigo!

EHLIOS: [sussurrando] O quê? Da onde você tirou essa idéia?

JOEY vai contando nos dedos e se aproximando.

JOEY: Vejamos. Você faltou os nossos últimos 5 encontros, você está com uma mochila preparada para mais uma fuga e está falando baixo demais.

EHLIOS: [sussurrando] Eu não to falando baixo demais.

JOEY sorri ironicamente.

EHLIOS: [sussurrando] Olha, eu tenho que ir.

JOEY: Você não vai a lugar algum antes de fazer o meu trabalho de matemática.

EHLIOS apenas ri desafiadoramente e começa a sair.

JOEY: Ok. Acho que a Dra. Miller vai adorar saber de sua cooperação para o meu crescimento intelectual. Se não me engano eu sou o seu primeiro passo para uma expansão social.

EHLIOS: Você ta tentando me chantagear?

JOEY: Eu? Imagina! Você é livre para fazer o que quiser.

JOEY aponta para a porta.

EHLIOS: Então, tchau!

EHLIOS dá o primeiro passo, mas cai de cara no chão. Close nas solas do par de tênis dele grudadas no chão. JOEY joga uma pasta azul ao lado de EHLIOS.

JOEY: …mas eu acredito que seu bom senso irá prevalecer.

JOEY se afasta.

EHLIOS: [entre os dentes] Idiota!

As solas se desgrudam do chão e EHLIOS se levanta. Quando ele vai se virar em direção à saída, ele topa com um homem.

HOMEM: Sr. Grynn, há uma semana eu venho tentando te encontrar.

EHLIOS: [surpreendido] Professor Bueno!

EHLIOS apenas sorri sem graça.

BUENO: Bem, só gostaria de te avisar que estou ansioso para ver o filme que trará para nossa escola o prêmio do festival juvenil de vídeos.

EHLIOS: [forçando um sorriso] Com certeza!

BUENO: Mas, lembre-se que o prazo termina na próxima semana.

BUENO segue para o interior do colégio.

EHLIOS: [desanimado] Como poderia esquecer?

 

CENA 9 – CORREDOR DO NARANDA HIGH – DIA

JULIA se encontra dedilhando velozmente o teclado do seu computador, quando o telefone toca.

JULIA: Alô.

ULISSES: [Voice Over] Bom dia, Julia.

JULIA: Oh… oi, Ulisses.

ULISSES: [Voice Over] Oi. Como estão os garotos?

JULIA: Estão bem… todas as suas funções motoras em ordem e nenhum–

ULISSES: [Voice Over] — Bem, eu não estou te ligando para termos uma conversa social. Então vamos direto ao assunto.

JULIA: [revira os olhos] Ok.

ULISSES: [Voice Over] Eu gostaria saber se você andou, novamente, acessando o banco central de informações da Hellertech, em busca de dados sobre o Protótipo?

JULIA: O que? Do que você tá falando? Sinceramente Heller, eu não acredito que você me ligou para me acusar de algo que eu nem sei do que se trata.

ULISSES: [Voice Over] Julia, não brinque comigo… E os desenhos? Eu gastei muito tempo e dinheiro para montar aquela equipe de extração e desde que você decidiu não trabalhar mais em campo os gastos com agente decentes estão cada vez mais caros.

JULIA abre um pequeno sorriso pelo elogio.

ULISSES: [Voice Over] Depois de todo o esforço que tive para tirar esse desenhos do governo é simplesmente inaceitável que eles tenham sido roubados no dia seguinte.

Ela retira uma chave de um colar por dentro da blusa e com ela abre a ultima gaveta da mesa onde estava. JULIA encara o conteúdo da gaveta, mas a câmera não o mostra.

ULISSES: [Voice Over] Já faz duas semanas que te dei ordens claras para que os desenhos fossem reavidos e não estou vendo o resultado disso. Minha paciência está se esgotando, Solaris.

JULIA tira dois papéis de dentro da gaveta recém aberta e vemos um desenho com uma noiva e metade de um desenho com um bebê vestido de urso polar.

JULIA: Sinto muito pela demora. Eu não consegui encontrar profissionais de infiltração a tempo. Os códigos criptografados já devem estar em outra base agora, mas eu farei de tudo para localizá-los.

ULISSES: [Voice Over] Você vai localizá-los, Julia. Apenas não tente bancar a espertinha novamente.

O telefone é desligado bruscamente.

JULIA: [irônica] Realmente paternal.

JULIA encara os desenhos mais uma vez e sorri.

CENA 10 – SALA DE ESTAR – TARDE

[MÚSICA DE FUNDO – ALL MY FAULT, FENIX TX]

CATHLEEN, JOEY e ERICK estão sentados no chão da sala de estar, jogando um jogo de tabuleiro.

ERICK: Ganhei de novo!

CATHLEEN: [revoltada] Como? Eu investi tudo no meu exército na Austrália? Como você conseguiu invadi-la?

JOEY: [desanimado] Te percebendo.

ERICK dá uma risadinha.

CATHLEEN: Tecnicamente isso é roubo!

ERICK: Não, isso é tecnologia de guerra.

CATHLEEN sai da sala.

ERICK: [para Joey] Acho que ela tá com raiva de mim.

JOEY: Precisou usar seus poderes pra isso?

ERICK: [coçando a cabeça] Eu não tive a intenção…

CATHLEEN [Off]: De usar o seus poderes?

CATHLEEN retorna da cozinha com um copo de refrigerante.

ERICK: De dominar o mundo.

CATHLEEN: Típico. Agora você se sente culpado por dominar o mundo. Será que dá pra ser um pouco mais óbvio?

ERICK pega o último pedaço de pizza.

ERICK: Quanto drama! Você não vai querer mais pizza não, certo?

CATHLEEN: Como se você já não soubesse a resposta. Garoto, você não tem fundo?

JULIA desce as escadas, interrompendo CATHLEEN.

JULIA: Não exatamente, mas a glicose parece desempenhar um papel vital na fisiologia dele. Por isso, eu pedi que ele sempre estivesse consumindo algo calórico. O metabolismo dele parece que reage quimicamente com o ambiente e os corpos próximos a ele. Por isso ele é um cara tão sensível.

JULIA dirige-se diretamente ao seu escritório debaixo da escada.

JULIA: Queiram me dar licença.

Ela fecha a porta enquanto ERICK olha para a caixa vazia de pizza e passa a mão na barriga.

ERICK: E aí, mais alguém tá a fim de um sorvete?

CATHLEEN e JOEY o encaram incrédulos.

 

CENA 11 – THE ALLEY – TARDE

A câmera foca EHLIOS entrando no estabelecimento, indo em direção de ZACK.

EHLIOS: Oi.

ZACK: [franzindo a testa] Oi.

EHLIOS: Por que esse “oi”? Eu não fiz nada de errado se é o que você está pensando.

ZACK: [calmamente] Mas, eu não disse nada. [pondera] Mas, e aí? O que você aprontou dessa vez?

EHLIOS: Eu sabia! Sua linguagem superciliar te denuncia, Hayes!

CATHLEEN [Off]: E ai, Zack!

A câmera da um giro mostrando CATHLEEN entrando no estabelecimento com várias sacolas nas mãos

EHLIOS: Você?

CATHLEEN: [fingindo estar assustada] Ehlios! Que susto! Você não pode ficar conversando em público. As pessoas podem começar a acreditar que você é gente.

EHLIOS: Depois que incluíram até você nessa categoria eu devo ter uma chance.

ZACK: Você por aqui a essa hora?

CATHLEEN: É que a Julia pediu para eu fazer umas comprinhas [mostra as sacolas]. O açúcar da mansão Liefield acabou. E como eu tava passando aqui por perto, meio que fiquei com saudade do The Alley. Deve ser uma variante da síndrome de Estocolmo.

ZACK: E ai? Você vem hoje a noite?

CATHLEEN: Para onde?

ZACK: Cathleen, sexta-feira a noite? Para onde os Narandantais vão nesse dia?

CATHLEEN: [franzindo o cenho] Para um lugar legal?

ZACK: Que seria?

CATHLEEN apenas solta um leve suspiro como se tivesse recordado algo.

CATHLEEN: [desapontada] O The Alley lotado. Então, hoje à noite?

ZACK: Com certeza.

De repente o celular de CATHLEEN começa a tocar e ela o atende. A câmera mostra um aviso de mensagem vindo de JULIA na tela do celular.

CATHLEEN: Zack, foi bom conversar com você.

CATHLEEN levanta-se da cadeira e dirige-se à saída da lanchonete.

EHLIOS: Ok. Isso que é visita rápida.

ZACK: Mas, não vamos mudar de assunto.

EHLIOS: Ok. Estou com problemas. [gesticulando] Com sérios problemas!

ZACK: [irônico] Perdeu o cd da trilha de Bettlejuice?

 

CENA 12 – SALA DE ESTAR – TARDE

CATHLEEN e JOEY estão sentados ouvindo JULIA.

CATHLEEN: Eu não acredito no que estou ouvindo! Você nos chamou aqui para isso?

JULIA: Mas, você nem ouviu direito.

CATHLEEN: E precisa?! Desde quando as missões de campo da SD-6 viraram um ensaio dos contos proibidos do Marquês de Sade? Isso, é loucura! E não é justo comigo!

JOEY: E comigo é?

CATHLEEN: Você entendeu, Joey!

JULIA: Cathleen! Isso não é um pedido formal que eu estou fazendo e sim uma ordem!

JOEY: Julia, disso a gente nunca duvidou, mas o que te leva achar que nós dois vamos conseguir driblar a segurança de um manicômio?

JULIA: O plano é simples. Vocês dois entrarão no Manicômio Charenton disfarçados. Lá dentro vocês procurarão uma brecha na segurança que não é lá essas coisas, aproveitando-se disso para soltar o homem em que estou interessada.

JOEY: Parece um bom plano, mas quem é esse cara que a gente tá procurando?

JULIA: Um velho aliado que possui informações de interesse.

JOEY: E os caras calaram a boca dele colocando ele num manicômio?

JULIA: Exatamente. Se você não pode acusar alguém de alguma coisa, acuse-a de doida. Sempre dá certo.

CATHLEEN simplesmente olha para a tutora.

CATHLEEN: Eu ainda não engoli essa missão.

JULIA: É claro que, eu não espero que você a engula Cathleen. É uma missão e não é pra ser engolida e sim ser executada.

CATHLEEN: [entre os dentes] Sim, capitão!

 

CENA 13 – THE ALLEY – TARDE

ZACK: Como? Como você pode roubar o dinheiro da produção do vídeo do colégio para comprar a coleção de dvd’s de “The Future of Earth”?

EHLIOS: [girando os olhos] A palavra exata não foi roubar e sim pegar emprestado. Eu ia pagar logo que tivesse o dinheiro.

ZACK: Ótimo! E isso seria quando?

EHLIOS: [desanimado] Tá! Você tem toda razão! Mas, e ai? Você vai me ajudar ou não?

ZACK: Fazer o que? Eu vou te ajudar na gravação desse seu filme com o orçamento hiperfaturado, mas você vai ter que me prometer que até o final disso tudo, você vai ter que conversar com a Sarah.

EHLIOS: [com os olhos arregalados] Mas–

ZACK: Se você não topar eu tô fora!

EHLIOS solta um suspiro de desistência e deixa a cabeça cair sobre o balcão.

EHLIOS: [voz abafada] Ok.

 

CENA 14 – QUARTO DE KENNEDY – TARDE

A câmera mostra o quarto da garota e o telefone tocando ao lado da cama. Vemos vapor vindo de um banheiro e um som de água caindo.

KENNEDY [Voice Over]: Oi, é a secretária eletrônica da Kay. Eu não posso atender agora, mas sinta-se à vontade para deixar uma mensagem.

CATHLEEN: Kay, amiga, eu tô precisando de um favor. Um grande favor e acho que você pode fazer isso por mim.

O resto da mensagem é abafado e fica inaudível pelo som da ducha, KENNEDY enrolada numa toalha tenta alcançar o telefone, mas, acaba escorregando e caindo.

KENNEDY: A Cathleen só pode estar doida!

[MÚSICA DE FUNDO – VIOLET, FOUR STAR MARY]

ZACK [V.O.]: Com certeza ela só pode estar doida!

 

CENA 15 – THE ALLEY – NOITE

[MÚSICA CONTINUA]

A câmera mostra KENNEDY seguindo ZACK pela lanchonete, enquanto o mesmo, segurando uma bandeja, atendia algumas pessoas.

ZACK: Ela não pode simplesmente colocar você para substituí-la. E muito menos no turno da sexta. É o dia de maior movimento e ela sabia disso. Afinal [anotando um pedido] por quê, ela faltou?

KENNEDY: Parece que um parente da Julia tava passando mal num hospital e eles tiveram que sair às pressas.

Nesse momento um grupo de pessoas entra no The Alley.

ZACK: Maravilha! Era tudo o que eu queria.

ZACK encara KENNEDY e joga um avental em direção a garota.

KENNEDY: O quê você pensa que eu vou fazer com isso? Eu não vou usar isso!

ZACK: Vai sim.

KENNEDY: Não vou!

ZACK: Só coloca logo isso, Kennedy.

KENNEDY: Ha! Eu não vou colocar essa coisa! Não vou!

 

CENA 16 – THE ALLEY – NOITE

Corta para KENNEDY usando um avental e servindo uma mesa.

ZACK: Eu te falei que não era difícil.

KENNEDY: Cala a boca! A Cathleen vai me pagar caro.

 

CENA 17 – THE ALLEY – NOITE

Em cena um carro se desloca velozmente numa rodovia. Dentro do veículo a câmera mostra JULIA no volante, JOEY no carona e CATHLEEN no banco traseiro.

CATHLEEN: Nem Sidney Bristow, teria tanto trabalho.

JULIA: Do que você tá reclamando dessa vez?

CATHLEEN: Invadir um manicômio? Treinamos por tantos anos para esse tipo de missão? Não era mais fácil a gente ter feito um curso de enfermagem?

JULIA: E o que você gostaria de fazer? Invadir o Pentágono?

CATHLEEN: Também não precisa exagerar. Você é bastante inteligente para ter entendido meu ponto de vista.

JOEY desperta de um cochilo e as duas o encaram.

JULIA: Será que dá pra você pelo menos tentar esperar uma meia hora pra reclamar depois que eu der uma missão?

CATHLEEN: Ótimo, não temos dois zero na frente do 7, nunca temos missões na Jamaica e eu não devo me esquecer de lhe comprar [para Julia] uma edição de Casino Royale,  já que você aparentemente não sabe mais como ser uma espiã auto-suficiente.

JULIA apenas sorri.

JOEY: Do quê vocês tanto conversam?

JULIA: Não se preocupe Joey, é apenas a Cathleen tendo uma crise de identidade.

CATHLEEN: Sendo uma espiã adolescente e tendo vários disfarces é meio difícil não ter uma [fazendo sinal de aspas] crise dessas.

JULIA: E a nossa visita? Será que ele vai saber se virar sozinho?

CATHLEEN: Não se preocupe! Eu mandei o Erick para um lugar que nunca tem problemas.

 

CENA 18 – THE ALLEY – NOITE

[MÚSICA DE FUNDO – CEMENTED SHOES, MY VITROL]

EHLIOS entra no The Alley e a câmera o segue indo em direção a ZACK que estava na cozinha. Ao entrar nos fundos a música fica abafada, mas ainda é ouvida. EHLIOS passa uma camiseta branca para ZACK.

EHLIOS: Tá entregue. Vai rolar gorjeta?

ZACK: Nunca.

Nesse momento KENNEDY entra na cozinha, segurando uma bandeja cheia de pratos sujos.

EHLIOS: [espantado] Chamem o Bruce Willis! Eu tô vendo coisa de outro mundo!

KENNEDY: Ehlios, desgruda! [para Zack] O quê ele ta fazendo aqui?

ZACK: Ele veio me trazer uma camisa limpa, já que a outra você sujou com vitamina.

EHLIOS: [para Zack] Que maldita doença está pegando nessas torcedoras de Naranda? Por acaso isso é alguma conspiração mundial contra as cheerleaders para as deixarem desempregadas ou o The Alley esta as contratando para alguma apresentação contra a anorexia? Tipo [como se sacudisse dois pompons] “Vai, Gordura!”.

ZACK se mantém sério e KENNEDY olha para EHLIOS abismada.

KENNEDY: Alguém me mata. Alguém me mata agora.

KENNEDY pega uma bandeja limpa e começa a sair da cozinha.

EHLIOS: [gritando para Kennedy] Onde é que eu pego a senha?

ZACK recoloca seu avental.

EHLIOS: [sorrindo] Vocês já demitiram a Cathleen?

ZACK: Não.

EHLIOS: Então, onde tá ela? Desapareceu entre o bacon?

ZACK: Parece que um parente da Julia está internado e eles tiveram que sair às pressas.

EHLIOS: E você acreditou nisso?

ZACK: O que você quer que eu faça?

EHLIOS: Zack, cai na real. [irônico] Aquela mulher deve ter tantos parentes que mal caberiam na casinha do Snoopy. Das duas uma, ou a Cathleen conseguiu enganar vocês dois e está por aí com algum jogador de futebol ou eles devem estar fuçando alguma coisa sobre a gente.

ZACK: E qual seria o interesse da Cathleen na gente?

EHLIOS: Não a gente “nós dois”. A gente “pessoas-não-muito-humanas”.

ZACK: E o quê, você pretende fazer em relação a isso? Você não pretende sair por aí investigando com uma capa e óculos escuros.

EHLIOS: É claro que não!

 

CENA 19 – THE ALLEY – NOITE

[MÚSICA DE FUNDO – SMOOTH CRIMINAL, ALIEN ANT FARM]

A câmera mostra EHLIOS de óculos escuros e trajando um casaco negro em frente à mansão deserta. O garoto olha para os lados, abaixa a aba do seu boné preto e atravessa a rua sorrateiramente. Ele chega à frente da entrada principal da caça e mais uma vez checa se não há ninguém por perto.

EHLIOS atravessa a porta e entra na casa.

CONTINUA…

[MÚSICA FADE OUT]

 

PRODUÇÃO EXECUTIVA
Samir Zoqh
Luciana Rocha

ELENCO
Keira Knightley como Cathleen
Riley Smith como Joey
Paul Wasilewski como Zack
J. Mack Slaughter como Ehlios
Ashly Lyn Cafagna como Kennedy
Bonnie Somerville como Julia

PARTICIPAÇÃO RECORRENTE

Neve Campbell como Sarah

ATORES CONVIDADOS
Daniel Clark como Erick

ESCRITA POR
Samir Zoqh

DIRIGIDA POR
Luciana Rocha

CRIADA E DESENVOLVIDA POR
Samir Zoqh
Luciana Rocha

MÚSICA TEMA
Late Great Planet Earth, Plumb

TRILHA SONORA
Cling And Clatter, Lifehouse
Silver And Cold, AFI
Burn Baby Burn, Ash
Be Like That, Three Doors Down
All My Fault, Fenix TX
Violent, Four Star Mary
Cemented Shoes, by My Vitrol
Smooth Criminal, Alien Ant Farm

UMA PRODUÇÃO HYBRID STUDIOS
DISTRIBUÍDO POR TELEVISION SERIES NETWORK

Todos os atores aqui citados são meramente ilustrativos.
Os personagens por eles representados estão em um contexto de ficção.
Nenhum direito de imagem está sendo infringido.

©2005

Série Virtual – Destination Anywhere – É Hora de Recomeçar


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Série: Destination Anywhere
Episódio:
É Hora de Recomeçar
Temporada:

Número do Episódio:
1×03


CENA 1 – EXT. CASA DOS GRAHAM – MANHÃ

[MÚSICA – SHE WILL BE LOVED, MAROON 5]

ALEXIA está vestida com o seu uniforme de líder de torcida. Ela passa a pequena porteira branca, que separa a rua de uma modesta propriedade com estilo bucólico. O horizonte ainda aroseado denuncia que a manhã acabara de despontar. A garota olha para uma janela no segundo andar da casa, à procura de alguém que pudesse presenciar o que ela estava fazendo, mas ninguém estava por perto. ALEXIA vai até a sacada e posiciona uma escada na janela superior.

ALEXIA: Isso parecia bem mais fácil na tv.

Com a escada posicionada, a garota começa a subir com um pouco de receio. Ao chegar ao topo, ela abre a janela com cuidado, pega os pompons que estavam presos em sua cintura e entra no quarto azul. Ela olha para a cama, Matt ainda estava dormindo. A garota olha para o namorado por alguns instantes, ela sorri e depois pula em sua cama.

[MÚSICA BAIXA]

Matt: [Assustado] O que é isso?

ALEXIA sorri e se aproxima do garoto.

ALEXIA: [Sussurra na orelha de Matt]: Me dê um M.

MATT: [Rindo] Você enlouqueceu!

ALEXIA: [Sussurrando] Me dê um A!

MATT: Ally, a minha tia vai acordar daqui a pouco.

ALEXIA: [Sussurra e beija ele] Me dê um T!

MATT: E como você conseguiu acordar tão cedo?

ALEXIA: [Sussurrando] E outro T!

MATT: Você subiu pela escada?

ALEXIA ajoelha-se ao lado dele, entorta a cabeça um pouco para a direita e levanta os pompons.

ALEXIA: Matt!

Ele faz um gesto para que ela deite-se ao seu lado. Ela encosta a cabeça no peito do namorado, que a cobre com seu cobertor.

ALEXIA: Você acredita que hoje fazemos 1 anos de namoro?

MATT: Quem diria que o fazendeiro ficaria com a filha do prefeito. Estamos quebrando as regras da sociedade sulista.

ALEXIA: [Rindo] Você é tão filosófico!

Alguém bate na porta do quarto do MATTHEW. ALEXIA se esconde embaixo da coberta.

LOU: [Voice Over] Tudo bem aí Matt?

MATT: Tudo sim, tia! Algum problema?

LOU: [Voice Over] Eu escutei uns sons estranhos vindo do seu quarto.

MATT: Não tem nada de estranho aqui!

LOU entra no quarto, ela olha para a cama e vê apenas Matt.

LOU: Já que você está acordado, que tal me ajudar com o café?

MATT: Ah! Claro… Desço em um segundo.

LOU analisa o local por uma instante.

LOU: Alexia, você pode vir se quiser.

LOU sorri e sai do quarto. ALEXIA sai debaixo das cobertas rindo.

ALEXIA: Ops.

MATT: Vamos descer? Eu preparo panquecas para você.

ALEXIA: Tentador, mas eu não posso. Fiquei de pegar a Becky hoje.

MATT: Hoje à noite eu tenho uma surpresa para você.

ALEXIA: O que é??

MATT: Você vai ver. Eu passaria na sua casa, mas acho melhor você me encontrar na frente do Red’s.

ALEXIA: Do Red’s?? Por quê? Tulsa não é tão pequena. Tenho certeza que há outros lugares para nos encontrarmos.

MATT: Não precisa entrar lá.

ALEXIA: Okay…

MATT: Às 7 está bom?

ALEXIA: O que posso fazer? Estarei lá às 7!

MATT abraça ALEXIA carinhosamente.

ALEXIA: Bom, será que a sua tia se importa se você se atrasar um pouco?

MATT: Alley…

MATT se levanta e faz um gesto para que ALEXIA o siga. Os dois descem a escada. LOU que estava na sala olha com a cara de abismada para a garota.

[MÚSICA FADE OUT]

LOU: Você usa isso fora da escola?

ALEXIA: [Irônica] Só em ocasiões especiais.

ALEXIA dá um beijo em MATT e se despede de LOU, que acompanha a garota até a porta. Ela vira-se para MATT que já estava saindo do cômodo em direção da cozinha.

LOU: Matthew Graham!

MATT: [Nervoso] Não é nada disso que você está pensando! Ela acabou de aparecer!

LOU: Eu não sei se algo relacionado à Alexia pode ser inocente, mas não quero sobrinho meu por ai trazendo líderes de torcida pro quarto. [Ri] Agora venha, me ajude com o café, depois você pode fazer o que você quiser.

MATT: Certo.

MATT parece um pouco constrangido.

 

CENA 2 – INT. CASA DOS MACKENZIE – ESCRITÓRIO – MANHÃ

ANNA está sentada em uma cadeira branca falando ao telefone.

ANNA: E que horas são aí, pai?

 

CENA 3 – INT. LUGAR INDETERMINADO

SR. MACKENZIE: [Jeffrey Nordling] São quase 11 da noite aqui em Tóquio.

 

CENA 4 – INT. CASA DOS MACKENZIE – ESCRITÓRIO – MANHÃ

ANNA: Legal! Eu sempre quis ir ao Japão.

SR. MACKENZIE: [Voice Over] Quem sabe um dia você não viaja comigo?

ANNA sorri.

ANNA: Sinto sua falta, pai. Sinto falta do Brasil, dos meus amigos, do clima.

 

CENA 5 – INT. LUGAR INDETERMINADO

SR. MACKENZIE: Eu sei minha filha. Mas acho que você já tem idade suficiente pra administrar isso. Além do mais, se você quiser voltar pro Brasil, você sabe que eu estarei sempre pronto pra te receber.

 

CENA 6 – INT. CASA DOS MACKENZIE – ESCRITÓRIO – MANHÃ

ANNA: Eu sei pai. Mas eu não posso deixar a mamãe sozinha. Ela pode ter aquele jeito destrambelhado dela mas eu sou tudo que ela tem. Eu não estou tomando o lado dela na separação de vocês, só que ela teria menos chance de sobreviver sem mim.

SR. MACKENZIE: [Voice Over] Eu te entendo, querida. Nunca questionei as suas razões. Mas quando você disse que queria ir para Tulsa com a sua mãe eu pensei que você gostaria de voltar. Afinal você nos infernizou por anos pra voltar.

ANNA: As coisas ainda estão se acertando. Além do mais em 7 anos muita coisa pode mudar.

 

CENA 7 – INT. LUGAR INDETERMINADO

Um HOMEM de terno entra no quarto onde o SR. MACKENZIE está.

HOMEM: Senhor Edward Mackenzie?

EDWARD: Sim?

HOMEM: O senhor Yoshinori Shimozak o espera no salão principal.

EDWARD: Obrigado. Já estou indo.

ANNA: [Voice Over] Eu escutei… até mais, papai.

EDWARD: Tudo certo, querida. Eu ligo para você em breve.

 

CENA 8 – INT. CASA DOS MACKENZIE – ESCRITÓRIO – MANHÃ

ANNA desliga o telefone bem na hora em que um carro buzina na frente da sua casa. ANNA pega a sua mochila e corre até a varanda. O carro de SAM está parado do outro lado da rua. MEL e SAM acenam para a garota, que corre até eles. Ela entra no carro.

ANNA: Bom dia.

SAM e MEL: Bom dia.

ANNA: Eu não sei como agradecer pelas caronas. Ir para a escola com a minha mãe estava me dando gastrite.

SAM: Fico feliz por ajudar a preservar sua sáude.

SAM dá partida no carro.

 

[ABERTURA]

[MÚSICA TEMA: PROMISES – LILLIX]

 

CENA 9 – INT. CASA DOS SAWYER – SALA DE JANTA – MANHÃ

REBECCA, sentada à mesa, está usando o uniforme da torcida da escola. A garota ler uma revista enquanto toma um copo de suco, aparentemente de laranja. Ouve-se um barulho de passos. Scott e um homem aparecem no local.

SCOTT: Você vai ao jogo amanhã, pai? [Senta-se à mesa]

SR. SAWYER: [Greg Kean] Claro que sim. Eu não perderia isso por nada.

O homem comprimenta o filho com tapinhas amigáveis nas costas do garoto. REBECCA continua lendo sua revista, parecendo ignorar a presença de mais alguém no local.

SR. SAWYER: Então o Graham continua sendo o capitão?

SCOTT: Sim.

SR. SAWYER: Todo mundo sabe que o Phillip é bem melhor que ele. O que é isso? Algum caso de caridade?

REBECCA levanta-se da mesa sem dizer nada.

SR. SAWYER: Já terminou querida?

BECKY: Não, papai. Mas essa conversa está me fazendo perder o apetite.

Ouve-se uma buzina.

BECKY: Bom, eu vou com a Ally hoje pra escola. Tenham um bom dia. Papai, licença.

SCOTT ri da irmã.

 

CENA 10 – EXT. DIA

A tomada aérea mostra uma cidade muito arborizada, apesar dos prédios altos e modernos do centro contrastarem com a paisagem bucólica do suburbio. Mostra a fachada da escola Will Rogers.

 

CENA 11 – EXT. ESCOLA

AALEXIA e BECKY estão paradas na frente da escola. BECKY começa a rir, despertando um olhar estranho da amiga.

ALEXIA: O quê?

BECKY: [Rindo] Estou imaginando você subindo em uma escada.

ALLEY empurra a amiga de leve.

ALEXIA: Eu já te falei da roupa que vou usar hoje à noite?

BECKY: Sim, Alley. Umas dez vezes.

ALEXIA: Então eu vou contar pela décima-primeira vez. [Sorri] Eu comprei esse vestido lindo da Hoolister. Ele é branco, com uns detalhes rosas.

BECKY sorri ao ver a empolgação da amiga.

BECKY: E uma bota cano curto de salto para dá um ar sulista na composição.

ALEXIA: Ei! Eu não falei nada sobre “ar sulista”.

BECKY: E você já falou para seu pai que você não vai à festa do partido?

ALEXIA: Eu tenho certeza que ele nem vai notar.

MATT aparece por trás de ALEXIA, surpreendendo as duas.

MATT: Oi.

O garoto abraça a namorada e dá um beijo em sua bochecha.

ALEXIA: Já estava com saudades.

BECKY: Ok. Eu posso ir agora. [Sorri] Vejo vocês por ai.

BECKY vai na direção da entrada do Will Rogers, enquanto MATT e ALEXIA ficam de mãos dadas no mesmo local. A garota vira-se para MATT e o encara.

MATT: O quê?

ALEXIA: Eu tenho que ir pro treino.

Ela o beijo e MATT a abraça, não deixando que ela vá embora. A garota sorri, e se desvencilha lentamente. Ela acena e sai em passo acelerados, deixando MATT para trás.

 

CENA 12 – INT. ESCOLA – CORREDOR

SAM, ANNA e MELISSA estão conversando no corredor, tomado de alunos por todos os lados. MATT entra no local, ajeitando a mochila nas costas, o garoto levanta a cabeça e se depara com os três. MELISSA sorri e acena para o amigo, que sai do local apressado, sumindo em um dos salões da escola.

MEL: Nossa! O que deu nele?

ANNA olha para baixo.

ANNA: Eu acho melhor eu ir também.

MELISSA olha para ANNA e depois para SAM, fazendo cara de desentendida.

MEL: O que houve aqui?

SAM: Eu não sei de nada.


CENA 13 – INT. ESCOLA – CORREDOR

ANNA corre a procura de MATT. Ela avista o garoto entrando em uma sala.

ANNA: [Grita] Matt!

[MÚSICAALL YOU WANT, MICHELLE BRANCH]

O garoto não escuta. ANNA corre até a sala, e ve MATT sentado perto de um piano. Na porta da sala há uma placa azul com letras brancas: “Sala de Música”. A garota observa o amigo de infância por alguns segundos antes de entrar na sala.

ANNA: Matt?

MATTHEW levanta-se. ANNA se põe na frente da porta e abre os braços.

ANNA: Não, não, não. Você não vai fugir outra vez. Onde já se viu? Tem uma semana que estamos nessa brincadeirinha, e te confesso que eu já estou cansada.

MATT fica encarando a garota, sério e com os braços cruzados.

ANNA: Mais cedo ou mais tarde a gente vai ter que se falar. Tulsa não é muito grande, estudamos na mesma escola, a aparentemente temos os mesmos amigos.

MATT ri.

MATT: Seus amigos?

ANNA: Matt, será que não podemos conversar?

MATT: Acho que não temos muito assunto em comum.

ANNA: Você realmente cresceu, Matt! Só faltaram te avisar isso.

MATT: [Irônico] O que você esperava? Que eu te recebesse de braços abertos? Que fizesse uma festa ou algo do tipo? Eu nem te conheço mais.

ANNA: Você tem razão. Mas nesses 7 anos quem não quis falar comigo foi você.

MATT olha revoltado para ANNA.

MATT: Quer saber de uma coisa? Seja bem vinda Mary Anna! Eu ficaria para a festa mas eu tenho que ir para o treino.

MATT vai embora. ANNA ainda pensa em ir atrás, mas ela desiste

[MÚSICA FADE OUT]

 

CENA 14 – EXT. ESCOLA – CAMPO DE FUTEBOL – TARDE

Algumas pessoas estão sentadas nas arquibancadas assistindo os garotos treinarem o esporte preferido da escola. ALEXIA, REBECCA e sua turma estão sentadas no campo, vestidas em seus uniformes. O treinador JAMES CARTER corre de um lado para o outro checando sua prancheta cada vez que necessário. MATT corre pela lateral direita do campo, passando pelas meninas. ALEXIA grita, ele sorri, mas aparentemente seus pensamentos estavam direcionados pra outra coisa e não era o futebol. Antes que o garoto percebesse, PHILL rouba a bola dele, deixando-o no chão. CARTER sopra o apito.

CARTER: [Gritando] Tempo!

Os garotos do Rogers se posicionam no centro do campo.

CARTER: Amanhã é um grande jogo! O Primeiro jogo da temporada e cabe à nós, do Will Rogers, sediar com grande estilo esse evento.

GAROTO: Grande estilo é vencer!

CARTER: Isso mesmo. E para vencer alguns de nós precisamos nos concentrar. [Ele olha para Matt] É muito importante lembrar que somos um time, e que temos uma só mente! [Ele olha pra Scott] Sawyer, você vai entrar como titular no jogo.

SCOTT, que estava vestido de goleiro, dá um pequeno sorriso de vitória.

CARTER: [Pra Phill] Danes, você tá na defesa! Continue o bom trabalho! Hanson, Davis e Metz, vocês ficam no meio campo. O resto de vocês sabe o que fazer! Agora chega de aquecimento e vamos ao treinamento!

Os garotos se levantam e se colocam em seus lugares, menos MATT, que continua sentado.

CARTER: Graham!

MATT olha assustado.

CARTER: Algum problema, filho?

MATT: Não , não senhor.

MATTHEW levanta-se e se junta aos outros.

CENA 15 – INT. CASA DOS GRAHAM – SALA – NOITE

A campanhia toca algumas vezes até LOU vir atender a porta. Ela está falando ao telefone e olha pela sala e não há ninguém.

LOU: Não, não senhor. As minhas galinhas não têm hormônio. Quem disse isso está querendo me sabotar, nós temos os melhores animais de Tulsa.

Ela vai andando até a porta e olha no “olho-mágico”. A mulher sorri e abre a porta.

LOU: [Para Mel] Oi! Docinho! [Para o telefone] Não, eu não chamei o senhor de “docinho”. Senhor Walker, por que o senhor não vem aqui e eu terei o prazer de fazer um “tour” com toda a sua equipe.

LOU faz sinal para MEL entrar e depois fecha a porta.

LOU: Claro! Sábado pela manhã está ótimo. Não será nenhum incomodo. Foi um prazer. Tchau!

LOU desliga o telefone. Ela parece cansada.

MEL: Cliente chato?

LOU suspira.

MEL: O Matt está?

LOU: Você está bem? Parece sem fôlego.

MEL: É que eu vim andando.

LOU: Ele está lá em cima, querida. Quer que eu o chame?

MEL: Não não… eu vou subir.

LOU: Tudo bem. Qualquer coisa grite!

 

CENA 16 – INT. CASA DOS GRAHAM – QUARTO DO MATT

[MÚSICA – DON´T DREAM IT´S OVER , SIXPENCE NONE THE RICHER]

MELISSA bate na porta antes de entrar. Ela olha pelo quarto mais não havia ninguém, só um monte de roupas espalhadas pela cama.

MEL: Matthew?

MATT: No banheiro!

MELISSA senta na cama e fica olhando para as roupas.

MEL: Quer ajuda?

MATT: Não obrigado!

MATT sai do banheiro enrolado em uma toalha azul. MELISSA encara o chão quando o garoto passa por ela. MATT segue em direção de um grande guarda-roupa do outro lado do quarto.

MATT: Eu não sabia que você vinha aqui hoje.

MEL: É… eu estava passando por perto e percebi que faz tempo que a gente não conversa, não fofoca um pouco, não assiste Grease…

MATT: [Rindo] Eu não vejo esse filme desde o dia que você quebrou a minha cama tentando fazer a ultima cena do filme.

MEL: Eu não estava sozinha nessa! Você e o Sam são bem mais pesados que eu…

MATT: Mas nós não ficamos pulando feito umas gazelas.

MEL: [Rindo] A historia não foi bem assim!

MEL levanta-se da cama e vai até a janela.

MEL: Então… você vai sair?

MATT: Sim, vamos ter que deixar Grease para outro dia! Eu vou jantar com a Ally. Hoje fazemos 1 ano de namoro!

MEL: [Sorrindo] 1 ano? Quem diria…

MATT: Olha, eu desisto…

MEL: Desiste? De quê? Da Alexia? [Ri]

MATT: Desisto de procurar uma roupa decente.

MEL: Olha, eu não sou a melhor pessoa pra você falar desse assunto…

Matt ri. O garoto vira-se em direção da amiga, segurando uma calça marron e uma blusa branca.

MATT: Que tal essa?

MEL: Onde vocês vão?

MATT: Vou levar a Alley no La Tavola.

MEL: Poxa… Aquele restaurante chique?

MATT faz sinal de “sim” com a cabeça.

MEL: [Aponta para algumas roupas na cama] É, eu prefiro essa daqui.

MATT: Qual?

MEL: Essa calça preta, essa blusa social azul marinho e …. esse smoking preto.

MATT pega a roupa e dá um beijo na bochecha da amiga.

MATT: Não importa o que digam, Mel, você é um anjo!

MEL: E você não presta! Agora vá se trocar! Você enrolado nessa toalha está me dando nos nervos.


CENA 17 – INT. CASA DOS DANES – QUARTO DA ALEXIA – NOITE

ALEXIA está sentada em frente à um enorme espelho. A garota tem alguns rolos na cabeça, e está se maquiando. Ela está falando no celular.

ALEXIA: E ele está todo misterioso… não me disse onde vai me levar.

BECKY: [Voice Over] Hum…. espero que não seja algo proibido. Alley, eu preciso me vestir para a festa do partido.

ALEXIA: Uh… boa sorte com isso.

BECKY: [Voice Over] Boa sorte com o seu pai!

ALEXIA: Valeu, amiga. Tchau!

ALEXIA começa a tirar os rolos do cabelo.

[MÚSICA FADE OUT]


CENA 18 – INT. CASA DOS DANES – SALA DE ESTAR – NOITE

ALEXIA está vestindo um vestido branco com detalhes rosa. Ela segura um par de botas de salto alto e uma pequena bolsa em suas mãos. A garota anda na ponta dos dedos até a escada, ela olha para o andar de baixo e vê toda a família reunida. Ela suspira e calça as botas.

Uma senhora que estava vestindo roupas de gala com bastante brilho olha para a escada.

SRA. DANES: [Sharon Lawrence] Olhe, Wilson. Veja só quem resolveu dar o ar da graça.

WILSON DANES: [Todd Field] Vejo que já está pronta pra festa.

ALEXIA: Será que eu tenho que ir mesmo?

PHILL: Ih… lá vem confusão.

ALEXIA: É que hoje eu tenho um compromisso muito importante, papai.

PHILL: Com o Matthew Graham?

ALEXIA: É com o Matt sim, seu entromedito.

SRA. DANES: Minha filha! Essa festa é importante.

WILSON DANES: A família do prefeito tem que comparecer aàfesta do partido, não acha? Todas as famílias importantes de Tulsa estarão lá.

ALEXIA: Mas pai… até pouco tempo essas pessoas nem sabiam que eu existia!

PHILLIP ri.

SRA. DANES: Isso não é verdade, querida.

ALEXIA: Eu não vou discutir esse assunto de novo mamãe! Por favor, só hoje à noite. Eu prometo ir para todos os eventos que o senhor tiver, papai! E prometo que serei a filha perfeita, pelo menos na frente dos seus eleitores.

WILSON DANES: Não faça disso um drama, Alexia. Tudo o que e peço de você é um pouco de cooperação! Você vai pra festa, e ponto final.

PHILLIP continua rindo. ALEXIA bate no irmão, que se cala.

ALEXIA: Você realmente sabe como fazer uma pessoa feliz, papai.

A garota parece extremamente decepcionada.

 

CENA 19 – EXT. CASA DOS GRAHAM – NOITE

MEL: Você tem certeza de que ela não vai se importar?

MATT: Bom, certeza eu não tenho. Mas você é a minha melhor amiga, e ela tem que entender isso. Vamos, Melissa. Eu estou indo pra lanchonete, seria estúpido você recusar a minha carona, o Red’s não fica tão perto assim.

MEL: [Sorri] Bom, eu vim andando, dá pra voltar andando. Na verdade eu acho que vou pra casa.

MATT: Eu te levo, Mel. Vamos!

MELISSA entra no carro.


CENA 20 – LOCAL INDEFINIDO – NOITE

ALEXIA sai do carro e corre em direção de REBECCA e SCOTT, que estavam em frente à um prédio enorme, com bastante gente do lado de fora. Os dois irmãos estavam com roupas de festa, BECKY veste um vestido preto e SCOTT está de smoking.

ALEXIA: Eu não consegui.

BECKY: Estou vendo. E agora?

ALEXIA: Eu liguei pra casa dele ele já tinha saído, depois liguei pro celular, e chamou até cair na caixa postal. Eu não sei o que faço, amiga.

BECKY: Calma, Alley. Ele vai perceber que tem algo de errado e vai te ligar.

ALEXIA: Eu vou ligar mais uma vez.


CENA 21 – EXT. CASA DOS BAKER – NOITE

MATT e MELISSA estão se despedindo quando o garoto escuta o telefone tocar.

MATT: É melhor eu ir.

MEL: Tenha uma boa noite.

MELISSA entra dentro de casa e MATT corre até seu carro. Seu celular estava jogado no banco de trás. O garoto pega o aparelho e lê “1 ligação perdida”. Ele mexe no telefone e vê o nome Alley na tela.

 

CENA 22 – INT. LOCAL INDEFINIDO – SALÃO DE FESTAS – NOITE

[MÚSICA AMBIENTE – COWBOY, TAKE ME AWAY, DIXIE CHICS]

ALEXIA, REBECCA, SCOTT e PHILLIP estão sentados em uma mesma mesa. Todos estão calados, olhando para baixo. ALEXIA batia os dedos na mesa freneticamente, enquanto BECKY cantarolava um música. SCOTT olhava não muito discretamente para algumas garotas que passavam no local, e PHILL parecia totalmente distraído.

ALEXIA: [Grita] Becky!

BECKY: O quê? O que foi?

ALEXIA: Vamos ali?

BECKY: Ali?

ALEXIA: Ali…

PHILLIP olha pra irmã desconfiado.

PHILL: Pensa que vai fugir é? Se você aprontar alguma, você já sabe o que o papai faz, né?

ALEXIA: Duh! Eu não vou á lugar nenhum… Agora me dê licença!

ALEXIA puxa a amiga até o banheiro. PHILL fica olhando o itinerário das garotas.

PHILL: Scott, me empresta seu celular?

SCOTT: Claro!

PHILL tira um papel amassado de seu bolso, e disca alguns números.

PHILL: Alô?

ANNA: [Voice Over] Alô? Quem fala?

PHILL: É o Phill. Seu herói! [Ri] Eu sei que isso é de última hora, mas você estaria a fim de me acompanhar hoje em uma festa chata e careta?

 

CENA 23 – INT. QUARTO DA ANNA – NOITE

ANNA: Nossa! Chata e careta? [Ri] Olha, obrigada por convidar, mas eu acho que não… se ao menos fosse chata, careta, e depressiva, talvez eu fosse.

PHILL: [Voice Over] Vamos, Anna… é a décima vez que eu te chamo para sair e você inventa uma desculpa qualquer… não custa nada dar o ar da graça pela cidade, se divertir um pouco, fazer novos amigos!

ANNA: Eu… eu tenho que estudar. Eu estou muito pra trás na escola e…

PHILL: [Voice Over] Não é como se você fosse reprovar e esses tipos de festinhas não rolam muito por aqui. Me diz qual o problema em se divertir um pouco? Anna Mackenzie não recusa uma boa farra, recusa?

ANNA morde o canto do lábio e coça a cabeça. Ela fecha os olhos e suspira, pensa um pouquinho e responde.

ANNA: Está certo. Mas eu não vou poder ficar muito.

[CORTA]

PHILL: Eu te pego daqui a pouco! Certo? Até mais!

SCOTT olha para o amigo, que estava sorrindo estranhamente. ALEXIA e BECKY voltam para mesa.

PHILL: Alley, se você vai fingir que está tendo um ataque ou algo assim, pode desistir que não vai colar.

ALEXIA rola os olhos.

PHILL: Olha, pra você não dizer que eu sou um irmão ruim. Por que você não convida o fazendeiro?

O celular da garota toca. Ela se anima ao ver o visor do aparelho.

ALEXIA: É o Matt.

PHILL: Viu? É um sinal, maninha… chama ele.

Alexia: Matt! Eu tentei te ligar… aconteceu um imprevisto.


CENA 24 – ESTRADA – CARRO- NOITE

MATT: Eu entendo… vou sim. Depois a gente dá um jeito de sair daí.

MATT faz uma manobra no carro e para em frente uma floricultura.


CENA 25 – INT. QUARTO DA ANNA – NOITE

Alguém bate na porta enquanto ANNA está prendendo os cabelos.

ANNA: Pode entrar!

KATHERINE: Tem um rapaz ali embaixo querendo falar com você. Anna? O que você faz com esse vestido?

ANNA: Ah! Mamãe, eu vou à uma festa!

KATHERINE: E quando você pretendia me contar?

ANNA: Na verdade eu não pretendia, mas já que você perguntou.

KATHERINE: Você vai pra festa com aquele rapaz?

ANNA: Vou, sim.

KATHERINE: Está certo. Pelo menos ele está de smoking.

ANNA: Eu sabia que você me compreenderia. Bom, [Beija a mãe no rosto] estou indo!

KATHERINE: Divirta-se, querida!


CENA 26 – EXT. LOCAL DA FESTA – NOITE

MATT estaciona o carro perto do local do evento. Ele parece preocupado, anda apreçado com as flores na mão. O garoto vê ALEXIA no topo da escadaria. Ele corre até ela e o abraça.

ALEXIA: Desculpa por estragar tudo!

MATT: Não tem problema, Ally. Eu estou aqui agora! Olha. [Mostra as flores] São pra você.

ALEXIA sorri e o beija ternamente.

MATT: De nada! Alley, tem certeza que a gente não pode ir pra outro lugar? Eu não me sentiria bem numa festa dessas.

ALEXIA: Ah! Eu não me sinto bem também, mas eu tenho que ficar. Pelo menos por enquanto.

MATT: E o seu irmão?

ALEXIA: Ele saiu. Foi atrás de uma dessas idiotas que caem no papo dele!

MATT ainda conserva uma expressão de incerteza.

ALEXIA: Vamos?

Os dois entram no salão.


CENA 27 – INT. SALÃO DE FESTAS

Algumas pessoas olham para o casal. Um fotógrafo tira uma foto deixando MATT constrangido, ao contrário de ALEXIA, que esquece a expressão triste no rosto rapidamente e sorri para a câmera.

ALEXIA: Vamos sentar ali! [Alexia aponta pra mesa em que estão Becky e Scott]

MATT olha pra SCOTT e passa a mão no cabelo.

MATT: Você tem certeza?

ALEXIA: Vamos…

Os dois caminham até a mesa. BECKY cumprimenta MATTHEW e sorri pra ALEXIA.


CENA 28 – ESTRADA – CARRO – NOITE

PHILL: Você está realmente muito bonita…

ANNA: [Rindo] Nem se dê ao trabalho, Phill. Eu posso ser maluca de ter aceitado sair com você, mas ainda não perdi as minhas faculdades mentais. Você não me engana com esse papinho.

PHILL: Eu não estou querendo enganar você, Anny.

ANNA: Anny? O que houve com o “Banana”?

PHILL: [Olhando para Anna] Ficou no passado.

PHILL estaciona o carro e corre até a porta da sua nova amiga.

PHILL: Deixa que eu abro!

ANNA: Você não acha que está exagerando?

PHILL: Não se eu quiser que você saia comigo novamente…

ANNA desce do carro e olha abismada para o luxo do local. Eles entram no salão e algumas pessoas olham para os dois. Uma banda de cordas começa a tocar. ALEXIA, REBECCA e SCOTT estavam sentados na mesma mesa. ALLY encara o irmão fazendo esforço para descobrir quem havia sido a nova vítima dele.

ALEXIA: Quem é aquela? Eu não estou conseguindo…

BECKY: Anna Mackenzie.

ALEXIA: A novata? Jura? Meu irmão não perde tempo.

SCOTT: O seu namorado conhece a Anna!

BECKY dá um tapa no irmão.

SCOTT: Ué, mas não é verdade?

ALEXIA: [Para Rebecca] O Matt conhece essa “tal” de onde?

Antes que BECKY pudesse dizer algo, MATT volta à mesa com dois drinks. Ele dá um para ALEXIA e o outro para REBECCA. ALEXIA fica encarando ele.

MATT: O que houve?

ALEXIA: Por que você não me contou que conhecia a novata?

MATT: Calma! Não vá fazer um escândalo.

ALEXIA: [Calma] Eu só fiz uma simples pergunta.

MATT: Eu não achei que fosse importante, só isso.

SCOTT: [Rindo] Nossa, cara! A Anna era sua melhor amiga. Como assim ela não é importante?

BECKY: Scott! Vê se cresce!

ALEXIA: [Confusa] Melhor amiga?

MATT: Eu conheci a Anna há 10 anos atrás, Alley. Ela se mudou pra outro país e nós nunca mais nos falamos.

ALEXIA respira fundo e sorri.

ALEXIA: Que história mais bonitinha!

BECKY olha para a amiga com uma cara de reprovação.

[CORTA]

[MESMO LOCAL]

ANNA e PHILL estavam do outro lado do salão procurando uma mesa para ficar.

PHILL: Nós podemos nos sentar ali [Aponta para uma mesa vazia] ou ali [Aponta para mesa onde estavam sua irmã e os outros]. Você quem escolhe…

ANNA franze os olhos ao ver MATT sentado com ALEXIA. Ela fica aparentemente nervosa.

ANNA: Eu… eu acho melhor eu ir para casa.

PHILL: O que houve? Não gostou da festa? Eu falei que era careta.

ANNA: Não é isso.

[CORTA]

[MESMO LOCAL]

MATT: Por que essas perguntas sobre a Anna, agora?

SCOTT: Por que ela acabou de entrar no salão com o Phillip.

MATT olha confuso para o cunhado e depois para sua “velha amiga”.

CENA 29 – INT.CASA DOS WOOD – QUARTO DO SAMUEL – NOITE

SAMUEL estava sentado em sua cama tocando violão. Seu quarto é pequeno, mas tudo parecia estar em seu devido lugar. Livros, cadernos, revistas, algumas miniaturas de carro, o uniforme da banda pendurado na parede ao lado de uma grande corneta.
Ele anota alguns acordes em um papel que estava em cima da sua escrivaninha. O garoto posiciona o violão no suporte e liga o som, ele põe um cd.

[MÚSICA – YOU´RE THE STORM, THE CARDIGANS]

O telefone toca. SAM pega o aparelho e deita-se na cama.

SAM: Alô?


CENA 30 – INT. CASA DOS BAKER – SALA- NOITE

MELISSA está deitada em um sofá de couro preto segurando um telefone transparente verde limão. O local tinha uma decoração estranha, quase de mau gosto.

MEL: Adivinha quem está falando?

SAM: [Voice Over] Kirsty Alley?

MEL: Quase. O que você está fazendo?

SAM: [Voice Over] Nada. E você?

MEL: Mesma coisa… Sam, que música é essa?

SAM: [Voice Over] Hum… que música?

MEL: Essa aí que você está ouvindo?

SAM: [Voice Over] Ahn…

MEL: Meu Deus! Você está ouvindo música country??

SAM: [Voice Over] Não… é Cardigans.

MEL: [Rindo] Então você confessa??


CENA 31 – QUARTO DO SAM

SAM: [Rindo] ‘Cê não tem jeito. Ligou só para me tirar do sério?

MEL: [Voice over] Não… liguei por que estou entediada.

SAM: Olha, obrigado pela sinceridade!

SAM pega uma foto da REBECCA que estava em uma das gavetas da sua escrivaninha.

MEL: [Voice over] Não tem nada pra fazer aqui hoje…

SAM: Amanhã pelo menos tem o jogo.

SAM fica olhando para a foto.

MEL: [Voice over] É, passa aqui em casa um pouco antes, tá bom?

SAM: Claro!

MEL: [Voice over] Agora eu tenho que ir… vou deixar você sonhando com a [Voz fininha] “Becky”!

SAM: Eu não estava pensando nela.

MEL: [Voice over] Tchau, Sam!

Ele desliga o telefone e coloca a foto da garota em cima da cama.


CENA 32 – INT. CASA DOS BAKER – SALA

A garota desliga o tel e pega o controle da TV. Ela aperta um botão e aparece “Grease” na tela. Ela encara a TV por alguns segundos, e a desliga em seguida. MEL balança a cabeça negativamente e vai correndo para seu quarto.

[MÚSICA FADE OUT]


CENA 33 – INT. SALÃO DE FESTAS – NOITE

PHILL olha para MATT e depois para ANNA.

PHILL: Pensei que vocês dois fossem amigos.

ANNA: Sete anos depois fica um pouco difícil manter uma amizade, não acha?

PHILL: [Ri] Você fala sério? [Para de rir] É sério? Olha, se você não quer ficar aqui por causa dele eu te levo para casa.

ANNA: Não é por causa dele…

PHILL: Se não é por causa dele é por causa do quê?

ANNA: Eu vou ficar!

PHILL: É assim que se fala!

ANNA: Eu já sou grandinha, sou dona da minha vida? Que pena que as coisas não saíram do jeito que eu queria, mas eu não vou ficar em casa lamuriando a vida que eu poderia ter tido, certo?

PHILL: É…claro, claro!

ANNA: E além do mais, acho que ninguém nesse mundo sabe mais de recomeços do que eu! Está na hora de recomeçar.

ANNA e PHILL sentam-se na mesa que estava vazia. O garoto cumprimenta algumas pessoas e depois olha para ANNA.

PHILL: Quer beber alguma coisa?

ANNA: Não, obrigada. Eu estou bem.

PHILL: Então você morava no México?

[MUDA DE FOCO]

ALEXIA e REBECCA conversavam entusiasmadamente. MATT ri e disfarçadamente olha para a mesa de seu cunhado. ALEXIA percebe e abraça o namorado. SCOTT se levanta ao ver que uma garota está sorrindo para ele.

SCOTT: Becky, não me espere hoje, ok?

Ele esfrega uma mão na outra e vai até a garota.

BECKY: Eu quase sinto pena dela.

ALEXIA vê que ANNA se levantou e está indo em direção do banheiro.

ALEXIA: Matt, eu vou retocar a maquiagem, volto já…

BECKY: Mas amiga, você está ótima…

ALEXIA: Bondade sua, Becky. Eu estou terrível.

MATT: Você está linda!

ALEXIA: Sua opinião não conta. [Ri] Volto já, amores!

ALEXIA vai discretamente atrás da ANNA. A garota entra no banheiro e vê que a novata está olhando para o espelho, passando batom. ALLEY fica ao lado da garota e sorri. ANNA parece um pouco desconfortável com a presença da líder de torcida, mas disfarça.

ANNA: Quer o batom emprestado?

ALEXIA ri, e aceita o batom.

ALEXIA: [Olhando para o espelho enquanto Anna termina de ajeitar a maquiagem] Então, você é amiga do Matt?

ANNA: [Olhando para o espelho] Eu sou, quer dizer, era.

ALEXIA: Ele nunca me falou sobre você. Por que será?

ANNA termina de se arrumar. ALEXIA vira-se para ANNA.

ALEXIA: Mas é a vida, não? Um dia achamos que somos importantes, outro dia não somos mais. É melhor você seguir em frente.

ANNA: [Desconfiada] Obrigada pelo conselho.

ALEXIA: É o mínimo que posso fazer depois de te recepcionar tão bem na escola.

ANNA sorri constrangida.

ALEXIA: Meu nome é Alexia, namorada do Matthew.

ANNA: Me chamo Anna. Acho que você já sabe.

ALEXIA: Certo, Anna. Eu não ligo se em alguma época de suas vidas vocês quiseram brincar de “Meu Primeiro Amor”… A idéia do filme até era bonitinha.

ANNA tenta dizer alguma coisa mas desiste.

ALEXIA: Então, não preciso dizer que se você se meter na vida do Matt, eu transformo sua vida em um inferno.

ANNA reage surpresa. ALEXIA sorri, e deixa o local.


CENA 34 – EXT. LOCAL DA FESTA NOITE

Algumas pessoas já estavam saindo da festa. MATT e ALEXIA desciam a escadaria que dava para a avenida em direção do carro do garoto, que estava estacionado do outro lado da rua.

ALEXIA: Tem certeza que você não quer ficar mais?

MATT: Eu não posso… Você sabe? Amanhã é o jogo e eu preciso descansar.

ALEXIA: O Scott e o Phill também jogam e eu não acho que eles vão para casa tão cedo.

MATT baixa a cabeça e passa a mão no rosto.

MATT: Se você quiser pode ficar.

ALEXIA: Não, não, eu vou com você.

MATT: Então eu te deixo em casa.

ALEXIA: Como quiser. [Triste]

Eles entram no carro, que some rapidamente em uma curva.

 

CENA 35 – EXT. CASA DOS DANES – VARANDA – NOITE

ALEXIA: Tem certeza que você não quer entrar? Não tem ninguém em casa…

MATT: Alley, eu não posso.

ALEXIA: Tudo bem, tudo bem! Você tem que dormir cedo… entendi.

MATT sorri.

MATT: Boa noite.

Os dois se beijam. ALEXIA fica observando MATT entrar no carro, e só entra em casa depois dele ir embora. A garota fica séria e suspira.


CENA 36 – EXT. CASA DOS MACKENZIE – NOITE

[MÚSICA – YOUR WINTER, SITER HAZEL]

Visto de longe, o carro do PHILLll está parado em frente à casa da ANNA. O motor ainda ligado dá a idéia de que o filho do prefeito não irá demorar. ANNA desce do carro e dá “tchau” para PHILL.

PHILL: Eu posso te acompanhar até a porta?

ANNA: [Ri] Eu acho que você já fez o bastante por hoje.

PHILL: Sem problema! Quando quiser eu estou a disposição.

ANNA: Obrigada, Phillip! A festa estava chata, mas eu me diverti.

PHILL: De nada. Eu tenho que ir. A gente se vê amanhã no jogo.

ANNA: Até.

ANNA segue em direção de sua casa. O garoto buzina e vai embora. Ela entra em casa. MATT sai de trás de uma árvore, ele se aproxima da casa da ANNA, olha para a janela dela, e depois vai embora andando até desaparecer na escuridão.

[MÚSICA FADE OUT]

 

ELENCO
Jonathan Bennett como Matthew Graham
Natalie Portman como Anna Mackenzie
Mena Suvari como Rebecca Sawyer
Lindsay Lohan como Melissa Baker
Austin O´Brian como Scott Sawyer
Joseph Gordon-Levitt como Samuel Wood
Kate Bosworth como Alexia Danes
Brad Renfro como Phillip Danes
Marisa Tomei como Lou Graham

ATORES CONVIDADOS
John Wesley Shipp como James Carter
Paula Cale como Katherine Mackenzie
Jeffrey Nordling como Edward Mackenzie
Sharon Lawrence como Sally Danes
Greg Kean como David Sawyer
Todd Field como Wilson Danes

MÚSICA TEMA
Promises, Lillix.

TRILHA SONORA
She Will Be Loved, Maroon 5
All You Want, Michelle Branch
You´re The Storm, The Cardigans
Don´t Dream It’s Over, Sixpence None The Richer
Cowboy, Take Me Home, Dixie Chics
Your Winter, Sister Hazel

ESCRITO POR
Clara Lima
Sarah Lima

DIRIGIDO POR
Clara Lima

GRÁFICOS POR
Clara Lima

CRIADO POR
Clara Lima
Sarah Lima

AGRADECIMENTOS ESPECIAIS
Rafael Pires
Camila Martins

DISTRIBUÍDO POR
TVSN

® 2004-2006.

Primeiras Impressões – Enlightened

Data/Hora 17/10/2011, 21:49. Autor
Categorias Opinião, Preview


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Sabe quando você assiste uma série e pensa que ela tem tudo para dar certo mas ao mesmo tempo tem tudo para dar errado? Essa foi a impressão que Enlightened deixou para mim. No elenco temos Laura Dern que protagoniza, escreve e produz a série, e Luke Wilson. Mais dois atores “migrando” dos cinemas para a televisão. A atuação para ser o forte da série já o tema eu não sei como será recebido. Clique aqui para continuar a leitura »

Destaques da Semana – Brasil – 17/10 a 23/10

Data/Hora 17/10/2011, 09:32. Autor
Categorias TV Brasil


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E de agora em diante será assim: toda semana teremos algumas estreias na TV por assinatura. Tá difícil montar sua grade de programação? É só acessar diariamente a nossa coluna!

Segunda, 17/10

Enlightened - Piloto
A segunda-feira chega com quatro (!!!) estreias na HBO. A nova programação do canal de TV premium abre às 20h, com a estreia da segunda temporada de How To Make It In America. Às 20h30 chega o terceiro ano de Bored To Death. Às 21h, temos uma a estreia de Enlightned. Na série, a atriz Laura Dern (vencedora de um Golden Globe pelo telefilme Recontagem) faz o papel de uma executiva que vai parar em uma clínica de reabilitação após ter uma crise nervosa. Fechando à noite, às 21h30, estreia o terceiro ano de Hung. Clique aqui para continuar a leitura »

Dez centavos, House e o porco moo shu com panquecas extras

Data/Hora 16/10/2011, 10:57. Autor
Categorias Gastronomia


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Wilson:
“Ficamos fora dois minutos!”

House:
“O que tem aí, querida? Vamos lá, cuspa fora. Rachel, quantas moedas você engoliu?”

Rachel:

House:
“Ela abriu uma sacola de comida chinesa para comer o dinheiro. Que idiota.”

Wilson:
Você pediu o porco moo shu e a galinha com laranja, certo?

House:
Como faço sempre.”

[Corta]

House:
Limpou lá dentro?”

Wilson:
Sim, está limpo. Certo. Com os impostos, o troco deveria ser de 68 centavos. Tem só 58 centavos lá. Falta uma moeda.”

House:
Ele pode ter errado o troco. O ímã de geladeira não pegou nada.”

O episódio Unplanned Parenthood de House [temporada 7, episódio 5] deve ser o pior pesadelo de mães e pais, porque não apenas o caso principal envolve um bebê recém-nascido como ainda coloca a filha de Cuddy numa situação doméstica até comum, mas não menos preocupante: criança que engole objetos.

Depois dessa aposto que até o House perdeu a fome mas, em todo caso, vamos à receita! Certifique-se de guardar botões, moedas, clipes, etc., fora do alcance dos miúdos e os miúdos longe do fogão e das facas e mãos à obra!

O porco moo shu [ou moo shi] é um prato tradicional do norte da China e foi levado para os restaurantes dos EUA na segunda metade dos anos 1960.

 

A receita – Porco Moo Shu
Serve 8 porções

Ingredientes
Marinada:
2 colheres [sopa] de shoyu
2 colheres [sopa] de saquê
1 colher [chá] de óleo de gergelim
2 colheres [chá] de amido de milho
700 g de lombo de porco sem osso cortado em tiras de 2,5 por 0,5 cm [mais ou menos, né, não precisa medir com a régua]

Fase 2:
2 ovos grandes levemente batidos
10 cogumelos shiitake secos
1/2 xícara [chá] de cebolinha verde fatiada
3 colheres [sopa] de alho picado
2 colheres [sopa] de gengibre fresco picado
1/4 xícara [chá] de cogumelos secos orelha de pau
3 xícaras [chá] de talos de repolho fatiados bem fininho
4 xícaras [chá] de folhas de repolho fatiadas bem fininho
2 colheres [sopa] de saquê

Caldo:
3 colheres [sopa] de shoyu
1/2 colher[chá] de amido de milho
1/2 colher [chá] de açúcar
1/4 colher [chá] de pimenta do reino moída
1 colher [sopa] de óleo vegetal
2 colheres [sopa] de saquê

Acompanhamento:
1/2 xícara [chá] de molho Hoisin
1 colheres [sopa] de shoyu
16 panquecas mandarin

Modo de fazer
Coloque os quatro primeiros ingredientes da marinada num saco plástico tipo zip-loc ou outro que possa ser bem fechado, misture bem e adicione o lombo. Feche o saco plástico e deixe marinando na geladeira durante uma hora, virando de vez em quando. Tire o lombo e escorra a marinada.

Em uma tigela coloque os cogumelos secos e água fervente. Cubra e deixe hidratando por 20 minutos. Escorra, retire e descarte os cabos dos cogumelos e fatie o “chapéu” do shiitake bem fininho. Misture com as cebolas, o alho e o gengibre e reserve.

Aqueça 1 1/2 colher [sopa] de óleo numa panela wok ou tacho no fogo médio. Adicione o lombo e frite por 3 minutos, mexendo sempre. Retire o lombo numa tigela e reserve. Coloque mais 1 1/2 colher [sopa] de óleo na panela, aqueça e frite os ovos por 30 segundos, sempre mexendo. Adicione a mistura de cogumelo e vegetais, frite por mais um minuto e meio, sem parar de mexer.

Adicione os talos de repolho, 30 segundos misturando bem. Adicione os cogumelos orelha, folhas de repolho, 2 colheres [sopa] de saquê e frite por um minuto, misturando sempre. Agora junte o lombo e o resto da lista de ingredientes que sobrou [menos os do acompanhamento] e continue a misturar sem parar, até que o caldo engrosse. Desligue o fogo e passe tudo para uma tigela.

A essa hora você já gastou um bocado de calorias, mexendo sem parar. Calma que estamos quase chegando lá.

Misture o molho Hoisin com uma colher [sopa] de shoyu e passe essa mistura no lado não-cozido de cada panqueca. Coloque meia xícara de porco moo shu em cada panqueca e enrole.

Notas pessoais: esta receita é um pouco trabalhosa, mas é fácil de fazer e é uma refeição completa. Você pode substituir o porco por frango, peixe ou tofu [claro que daí passa a se chamar frango moo shu, peixe moo shu etc.]. O cogumelo desidratado orelha de pau é encontrado em lojas de produtos japoneses com o nome kikurage. O molho Hoisin encontra-se em lojas de produtos asiáticos, é espesso, picante e levemente adocicado. Se não encontrar use o Tonkatsu, que tem até de fabricação nacional. Pode substituir a panqueca por arroz.

Wilson:
“Você trouxe comida?! Isso é um procedimento médico, não um jantar!”

House:
“Estou ciente de que é um procedimento delicado, e também estou ciente de que minhas mãos estão tremendo porque estou com o açúcar baixo já que não comi o dia todo. Então, mesmo parecendo insensível, esse moo shu salvador de vidas… Onde estão minhas panquecas extras? Droga, esqueceram minhas panquecas extras do meu porco moo shu. Sempre vem errado quando a garota nova de mecha azul no cabelo me atende.”

[Som de grilos.]

House:
“Ela estava lá quando você buscou a comida?”

Wilson:
“Você pediu panquecas extras? Quanto elas custam?”

House:
“Cinquenta e cinco centavos. E pedi duas.”

Wilson:
“Isso significa que o total da última conta foi…”

House e Wilson:
“Dezoito dólares e quarenta e dois centavos.”

House:
“Rachel não poderia ter engolido a moeda de dez centavos [“dime”, em inglês] porque não havia mais nenhuma.”

Wilson:
“É… Então o que vimos no ultrassom…”

House:
“Obviamente só uma bolsa de ar, como eu disse desde o começo. Mas você imaginou o pior, como todo pai irracional e preocupado. Você seria uma péssima mamãe.”

 

 

A receita – Panquecas mandarim

Ingredientes
2 xícaras [chá] de farinha de trigo [coloque na xícara às colheradas, sem prensar, e passe as costas de uma faca pela borda para retirar o excesso e nivelar]
1 xícara [chá] de água fervente
1 1/2 colher [sopa] de óleo de gergelim

Modo de fazer
Misture a água e a farinha numa tigela até formar uma massa. Polvilhe um pouco de farinha numa superfície lisa e sove ali a massa até que fique macia e elástica [cerca de três minutos]. Role a massa em forma de rolo com cerca de 3,5 a 4 cm de diâmetro e corte em 16 porções iguais.

Dica: ao meio [2], ao meio [4], ao meio [8] e ao meio [16].

Com a ajuda de um pau de macarrão ou similar, estique cada porção em discos de 15 cm de diâmetro. Unte cada disco com o óleo de gergelim e una os discos em pilhas de dois em dois, passando o rolo em cima para mantê-los unidos.

Aqueça uma frigideira larga em fogo médio com meia colher [chá] de óleo de gergelim e frite as panquecas duplas, um minuto de cada lado. Espere esfriar e separe-as.

O programa Epicurious mostra isso em vídeo, dá pra ter uma ideia melhor do procedimento. Perceba que a chef usou molho de ostra no caldo; eu imagino que o molho de ostra possa substituir o Hoisin também, que é mais difícil de encontrar por aqui.

Parte um: http://www.youtube.com/watch?v=Ge03lCabmZM
Parte dois: http://www.youtube.com/watch?v=sL-fWa8QbSI

Notas pesoais: esta já exige um pouco mais de experiência na cozinha, mas a prática leva à perfeição, pequeno gafanhoto.

O episódio
Com participação especial de Jennifer Grey [Dirty Dancing, Curtindo A Vida Adoidado e Friends] no papel de mãe da bebê paciente da semana e de Keiko Agena [Gilmore Girls] como a pediatra/candidata à vaga da Thirteen, a trama se dispersou entre vários temas.

Teve o problema da moeda da Rachel e o dilema duplo de House: contar o que aconteceu à namorada e evitar seu envolvimento emocional com a filha dela.

Teve o jogo de poder entre a equipe na seleção de um novo membro feminino.

Teve o delicado relacionamento mãe/filha da paciente.

Teve a dinâmica pessoal House/Cuddy, House/Willson, House/cada um os subordinados.

E teve 43 minutos pra resolver tudo isso.

Wilson:
“Me dê uns bolinhos.”

Tokusatsu: as séries japonesas que marcaram uma geração

Data/Hora 12/10/2011, 12:30. Autor
Categorias Especiais, Opinião


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Jaspion
A minha infância ocorreu lá nos idos da década de 80 e se teve uma coisa que me marcou profundamente foram os tokusatsu (como nós conhecemos as séries ou live-action japonesas de super-heróis). E dentre os tokusatsu que eu assistia teve três que se destacaram: Jaspion, Changeman e Jiraya.

Dos três, Jaspion era o que eu menos gostava, mas foi o primeiro a chegar pro aqui e por isso é tão importante (e também tem o fato de eu adorar o vilão MacGaren). A série tratava da busca do herói pela bíblia galáctica (e as cinco crianças) que permitiria que derrotasse o grande vilão Satan Goss. Foi febre aqui no Brasil na época e eu tinha até disco do Jaspion. Sinto pena dos meus pais que eram obrigados a me ouvir cantar o tempo todo, principalmente quando tentava cantar a abertura em japonês.

Changeman
Changeman era um Super Sentai (como Power Rangers, por exemplo) e dentre as séries do gênero era o meu preferido. Cinco jovens militares foram dotados de super poderes baseados em animais lendários (Dragon, Pegasus, Griphon, Mermaid e Phoenix), para defender a Terra dos alienígenas de Gôzma. Eu amava esta série mais do que qualquer outra. Tinha adoração pela Sayaka (Change Mermaid), ganhei máscara e espada, e fazia minha vó costurar roupas iguais as dela para colocar nas minhas barbies.

Jiraya
Jiraya tinha uma proposta um pouco diferente, o seu herói era um ninja, e suas aventuras não se baseavam tanto em super poderes e mais nas suas habilidades (embora as habilidades japonesas dos ninjas sejam tão fantásticas que poderiam ser classificadas como super poderes que eu não teria problema algum com a classificação). Ao contrário dos outros tokusatsu ele dava para mim uma sensação mais real e me deixava com aquela impressão de que se eu treinasse muito e me esforçasse de verdade chegaria a um nível de excelência como a dos personagens (que hoje, praticando Armas de Corte, eu vejo que não tinham nada de excelentes, mas o que importa é como eu os via na época).

Minha paixão pelos tokusatsu era tão grande que quando minhas aulas de dança conflitaram com os episódios eu entrei em pânico e só sosseguei quando ensinei a babá do meu irmão a usar o vídeo-cassete para gravar os episódios para mim. Bons tempos aquele…

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