TeleSéries
Série Virtual – Outsiders – What After The Storm
28/12/2011, 21:55.
Redação TeleSéries
Ficção (séries virtuais)
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Série: Outsiders
Episódio: What After The Storm
Temporada: 1ª
Número do Episódio: 1×10
CENA 1 – EXT. RANCHO JONES – NOITE
Um carro de bombeiros levanta a poeira da estrada de chão e para bruscamente a frente da casa. Muitos homens saem do veículo e rapidamente começam a direcionar as mangueiras para a casa. Vemos que labaredas saem livremente pelo segundo andar e a parede frontal também está tomada pelas chamas. Dois homens tiram do caminhão um grande bastão de ferro e correm até a porta. Eles arrombam a casa e entram apressados.
CENA 2 – INT. RANCHO JONES – NOITE
Vemos EHLIOS desmaiado no chão e um barulho insistente do alarme de incêndio é ouvido. De repente um estrondo imenso assola o local e uma viga cai do teto entre EHLIOS e os bombeiros. Um dos homens escapa por pouco. Os dois olham para o teto que parece extremamente frágil. Eles pulam por cima do fogo e levantam EHLIOS, apoiando os braços do garoto e carregando-o para fora rapidamente.
CENA 3 – EXT. RANCHO JONES – NOITE
Os homens carregam EHLIOS pelos poucos degraus da varanda e uma maca aparece rapidamente em cena. Vemos agora que vários outros tentam controlar o fogo.
PARAMÉDICO 1: Ele está vivo?
BOMBEIRO 1: Por pouco. Intoxicação e uma queimadura na perna direita.
Os homens colocam EHLIOS sobre a maca e apressam-se novamente para dentro da casa.
Os paramédicos colocam uma máscara de oxigênio no rosto do garoto enquanto empurram a maca para a ambulância.
Os dois bombeiros chegam aos degraus quando um barulho enorme de algo se partindo é ouvido. Em uma explosão vemos poeira sair pela porta e os vidros da janela do primeiro andar estourarem quando o piso do segundo andar desmorona. Os homens cobrem os olhos.
CORTA PARA:
EHLIOS, em cima da maca, começa a tossir.
PARAMÉDICO 1: Você consegue respirar?
EHLIOS: [desnorteado] Hãn? O que houve com a casa? [ele aperta os olhos] Fogo.
EHLIOS tenta levantar mas acaba caindo de novo na maca, tonto.
PARAMÉDICO 2: Calma, garoto. Você está em choque. Nós o levaremos pro hospital e logo você vai melhorar.
EHLIOS parece alarmado com a situação e com dificuldade levanta da maca.
EHLIOS: [fraco] Não…
Ele tosse muito e solta um gemido de dor quando apóia o peso na perna ferida.
EHLIOS: Eu estou bem. Não preciso ir a hospital algum.
PARAMÉDICO 1: [surpreso] Calma, garoto. Você precisa fazer exames pra saber se sua intoxicação não foi séria.
PARAMÉDICO 2: Nós só queremos nos certificar de que você está bem.
EHLIOS: [irritado e fraco] Eu disse… nada de hospital!
Os dois paramédicos se entreolham. EHLIOS encara os dois, ofegante.
PARAMÉDICO 2: Okay, vamos então pelo menos até a ambulância para colocar um curativo nessa queimadura. Ela não parece ser tão grave.
Ele olha para a ferida e vemos que ela já está menor do que era quando ele saiu da casa. EHLIOS anda amparado até a ambulância onde ele se senta enquanto o paramédico cuida de sua perna. O garoto parece hipnotizado enquanto observa o fogo destruir a casa.
[MÚSICA TEMA – LATE GREAT PLANET EARTH, PLUMB]
CENA 4 – INT. MANSÃO LIEFIELD – NOITE
A câmera dá um giro pela a sala de estar da mansão e vemos que CATHLEEN está deitada de forma confortável assistindo a tv. A câmera se aproxima, dando um close do rosto da garota, vemos que ela esta com o semblante tenso.
JULIA: [off] Problemas no paraíso, Cathleen?
JULIA se aproxima e se senta no sofá, ao lado de CATHLEEN.
JULIA: Parece que tem algo te incomodando.
CATHLEEN: [revolvendo os cabelos] Se eu te disser que essa calça jeans está apertada me deixa em paz?
JULIA: Acho que seu problema é um pouquinho mais grave do que estar engordando.
CATHLEEN: Ok. O Olho de Thundera já entrou em ação e eu nem percebi. Julia, eu entendo que não foi nada inteligente ter te dado a obra completa de Irvine Welsh, mas essa sua visão trainspotting da adolescência está ultrapassando os limites. E sim. Eu tinha um problema e já resolvi.
JULIA: Você devia fazer teatro, sabia? [se levantando] Vou estar no meu quarto. Se você quiser conversar… Ou “ensaiar”, me procura.
Ela vai em direção às escadas, mas se vira.
JULIA: A propósito, diferente do que você está pensando, eu não entrei na sua mente.
Ela volta a subir as escadas.
CATHLEEN: [dando um tapa no sofá] Como ela me irrita.
CENA 5 – INT. QUARTO DE CATHLEEN – NOITE
JULIA tranca a porta de seu quarto. Após retirar a roupa, ela acende uma lâmpada sobre a escrivaninha. A câmera mostra a mulher colocando várias fotos de crianças e de ambientes, de forma desconectada, em cima da mesa. Close no rosto de JULIA. De repente os papéis começam a flutuar tomando várias direções e param no ar, foto por foto vão se encaixando paralelamente uma a outra. JULIA as observa e abre um sorriso de satisfação.
JULIA: Bingo.
CENA 6 – EXT. NARANDA HIGH – DIA
[MÚSICA DE FUNDO – SPACE, BY SOMETHING CORPORATE]
KENNEDY vem andando pelo campus do colégio.
CATHLEEN: [off] Lester!
Vemos CATHLEEN vestida de frente única e uma mini saia, um par de botas cano alto. A imagem parece entrar em tempo slow, alguns rapazes olham pra CATHLEEN, que tenta se exibir sexualmente apelativa. A câmera dá um close no rosto de CATHLEEN e vai descendo até chegar em ângulos moralmente duvidosos.
KENNEDY: Vai ter show da Beyoncé na cidade ou eu to perdendo alguma coisa, Cathleen? São oito da manhã e você já está maquiada pra guerra. Aliás, que marca é esse lápis de olhos que você tá usando?
CATHLEEN apenas sorri enquanto elas atravessam as portas duplas, entrando no colégio. Pelo corredor muitos garotos não tiram os olhos dela. Alguns assobiam e outros gritam. CATHLEEN dá uma voltinha antes de continuar a andar e os gritos se intensificam. Um deles sacode uma nota no ar.
KENNEDY: [indignada] Hey! [apontando] Isso é um colégio e não o Moulin Rouge.
Cathleen continua andando, ignorando Kennedy, que segura seu braço e a encara nos olhos.
CATHLEEN: Qual é o seu problema?
KENNEDY: [séria] Qual é o meu problema? Acho que muita Oprah e Cosmopolitan mexeram um pouco em seu comportamento. Você chorou. E eu nunca tinha visto isso antes, Cathleen. Não sei por que, mas tive a leve impressão que você não tava muito bem com o que aconteceu naquela lanchonete.
CATHLEEN: E você tem PhD em psicologia amorosa, né? Uma garota mimada que nem se sente segura o bastante pra revelar que está namorando um nerd. [irônica] Oh, veja que grande coincidência, este nerd por acaso mora com a Satine aqui. [apontando] E veja só se não é ele que se aproxima. [séria] Vê se cresce antes de querer dar lição de moral, ok?
Cathleen sai andando.
[Música fade out]
A câmera mostra JOEY se aproximando, distraído. Close no rosto de KENNEDY que parece apreensiva. A câmera dá uma volta em 180º no corredor. KENNEDY começa a se esbarrar com várias pessoas que transitavam pelo local. Ela vê uma porta entreaberta e, impulsivamente, passa por entre a mesma. Ao fechar os dizeres “Banheiro dos Professores” toma a tela.
CENA 7 – EXT. NARANDA HIGH – DIA
ZACK e EHLIOS estão no pátio, sentados em um banco.
EHLIOS: Mas, de qualquer forma poderíamos ficar na casa da árvore no quintal do Marius até que o Kenny resolva tudo no rancho com o pessoal da seguradora. Não dá nem pra tentar ficar lá em casa. Está completamente inabitável.
ZACK: Mas o que me intriga é como tudo isso aconteceu. Não foi simplesmente um fogo caseiro. [triste] O incêndio acabou com quase tudo.
EHLIOS: Primeiro os bombeiros disseram que pode ter começado [lançando um olhar para Zack] devido a Wafflemaker. Acho que deveríamos ter jogado aquela coisa fora há décadas atrás. A outra hipótese era que alguma fagulha provocada por um aumento de energia mais o ar seco nessa época do ano, também pode ter ocasionado o incêndio.
ZACK: Eu não sei. Pode dizer que tenho mania de perseguição, mas eu não acho que um aparelho daquele tamanho conseguiria destruir uma casa.
ZACK parece desconfortável por alguns segundos e EHLIOS percebe.
EHLIOS: [desconfiado] Você sabe de alguma coisa que eu não sei, Hayes?
ZACK: Provavelmente não é nada.
EHLIOS vira-se mais de frente para ZACK.
EHLIOS: [desconfiado] O quê não é nada?
ZACK: Foi só um comentário que o chefe dos bombeiros fez–
EHLIOS: O que foi?
ZACK: Olha, não vamos transformar isso tudo em uma grande coisa, tá?
EHLIOS: O que foi, Zack?!
ZACK encara EHLIOS por alguns momentos.
ZACK: Ele disse algo sobre como você tinha tido sorte porque não havia nenhum botijão de gás ligado ao fogão na hora do incêndio. Que se houvesse uma explosão todo o segundo andar teria desabado sobre você.
EHLIOS parece reflexivo por alguns segundos.
ZACK: Eu disse a ele que tinha tirado o botijão vazio essa manhã e que só levaria um novo quando chegasse do trabalho. A questão é que…
EHLIOS encara ZACK novamente.
ZACK: … eu não tirei o botijão de gás de lá. Você tirou?
EHLIOS engole a seco e balança a cabeça em negativa.
CENA 8 – INT. NARANDA HIGH – DIA
KENNEDY, em passos rápidos, se desloca sorrateira por entre os armários, olhando por todos os lados ao mesmo tempo, como se procurasse por algo.
JOEY: [off] Kennedy?
KENNEDY retorna o olhar e vê JOEY vindo em sua direção.
KENNEDY: [ríspida] O que você pensa que esta fazendo? Estamos em ambiente publico.
JOEY: [franzindo a testa] Que bicho que te mordeu?
KENNEDY: O bichinho da razão.
JOEY: [coçando a cabeça] Como?
KENNEDY: [seca] Eu disse, cai fora!
KENNEDY continua a caminhar rapidamente e JOEY só a encara. CATHLEEN aparece ao seu lado. Ela pega no ombro dele.
CATHLEEN: Joey, sabe aquela velha história, de que populares e perdedores nunca se misturam?
JOEY: O que tem?
CATHLEEN: Pense nisso.
CATHLEEN sai, deixando-o pensativo por alguns segundos. Logo seu semblante se torna triste.
CENA 9 – INT. QUARTO DESCONHECIDO – DIA
Um lugar pequeno, escuro e bagunçado, preenchido por um velho beliche e algumas caixas. A porta se abre, e DEVON entra, acompanhado de ZACK e EHLIOS. Os garotos não se mostram muito animados com a vista.
DEVON: Isso aqui costumava ser meu depósito. Da última vez que mudei sobraram muitas coisas. Acho que o beliche vai os ser bem útil.
Os garotos se olham, desconcertados.
DEVON: Bem, está a disposição. [tocando no ombro de Zack] Não esquenta, vocês vão ficar bem.
ZACK: Valeu mesmo.
DEVON sai do quarto. ZACK e EHLIOS andam pelo local, observando. Analisando tudo.
EHLIOS: A casa da árvore era mais arejada.
ZACK: Eu estou preocupado.
EHLIOS: Esquece a Hannover, temos problemas mais sérios.
ZACK: [girando os olhos] Com os documentos de Sarah sobre os outros que se perderam no incêndio. Eu também não achei os desenhos criptografados.
EHLIOS: Ela vai arrancar a nossa cabeça.
Zack empurra o colchão da cama de cima, testando a resistência.
ZACK: Bem, vai se ajeitando aqui. [Ehlios o olha entediado] Ou não. Tanto faz. Eu tenho que ir no correio, avisar pra entregar as correspondências aqui…
CENA 10 – INT. AGÊNCIA DOS CORREIOS – DIA
ZACK se dirige diretamente a um guichê próximo dali.
ZACK: Olá, Brown.
BROWN: Zack, eu sinto muito pelo que aconteceu, garoto.
ZACK: Ainda é… [olhando no relógio] 1:30. Por acaso existe alguém que ainda não saiba?
BROWN: Bem, todos sentimos muito. [pegando algo numa gaveta] Se tiver algo que eu possa fazer para ajudá-los…
ZACK: [sorri] Obrigado, Brown, mas nós estamos bem.
BROWN estende um pequeno envelope para ZACK.
BROWN: Isso chegou hoje para Sarah.
Ele o entrega um telegrama.
CENA 11 – EXT. LOCAL DESCONHECIDO – DIA
A câmera mostra ZACK tirando um cartão do bolso, close no cartão. Vemos números inseridos no mesmo. ZACK retira um celular de sua mochila e começa a discar os números do cartão.
Em cena ouve-se sonoras de um telefone chamando e de repente um sinal de linha liberada.
ZACK: Código de Acesso, área NN002.
HOMEM: [Voice over] Um momento.
Ruídos de uma conexão sendo estabelecida são ouvidos em cena.
HOMEM: [Voice over] Você poderia olhar para torre do relógio à sua esquerda, por favor?
ZACK, meio confuso, olha pra torre.
HOMEM: [Voice over] Oh, Zack, é você? Como conseguiu esse número de acesso?
ZACK: A Sarah deixou um cartão comigo em casos de emergência. [olhando em volta, desconfortável] Recebi seu telegrama. Você está aqui em Naranda, Kenny?
HOMEM: [Voice over] Não, menino do interior, meu trabalho é como um diretor de um reality show… só que real.
ZACK: Parece trabalhoso.
KENNY: [rindo] Mas, tem suas vantagens… [interrompendo] Meu Deus! O que houve com o Rancho?!
ZACK: Pegou fogo, Grande Irmão, e com eles alguns documentos de Sarah. Ainda não sabemos o que provocou o incêndio e estamos de mãos atadas com a ausência de Sarah.
KENNY: [Voice over] Meu Deus! [aterrorizado] A casa virou cinzas e escombros. [quase gritando] Vocês estão bem?!
ZACK: Sim. Ehlios teve algumas queimaduras nas pernas, mas você sabe que ele cura rápido.
KENNY: [Voice over] Okay, estou depositando em sua conta mil e qui–
ZACK: Nem pense nisso, Kenny. Esse dinheiro é doado por todos para a manutenção dos equipamentos de monitoramento. Ele não é nosso.
KENNY: [Voice over] Zack, você precisa pelo menos de dinheiro para um hotel.
ZACK: Ehlios e eu ficaremos em um quarto nos fundos da lanchonete até que Sarah volte. Eu tentei entrar em contato com ela, mas no hotel pra onde liguei disseram que ela já havia ido embora.
KENNY: [Voice over] Eu também estou tentando estabelecer contato há mais de uma semana. Pensei que ela já estivesse de volta ao país. Já é a terceira semana que não temos notícia da pequena Anna Montoya.
ZACK: [preocupado] Você ainda não achou os Montoya?
KENNY: [Voice over] Estou tentando, Zack, mas eles não reportaram, mudaram de casa e não deixaram rastros para trás.
Zack vira-se em direção da torre, um pouco irritado.
ZACK: Então ao trabalho, Kenny. Estamos falando de uma garotinha aqui!
A linha fica em silêncio por uns instantes.
KENNY: [Voice over] Eu temo já ter passado muito tempo para acharmos alguma coisa. [pausa] São três semanas, Zack.
ZACK passa a mão nos cabelos, preocupado.
ZACK: Continue tentando entrar em contato com Sarah. Diga que ela precisa voltar ao país com urgência, mas não mencione o Rancho. Não quero que ela chegue aqui enfartada. Assim que ela aparecer nós poderemos ir pessoalmente encontrar os Montoya.
KENNY: [Voice over] Entendido.
ZACK: Se precisar de qualquer outra coisa, ligue para esse celular.
ZACK fecha o aparelho e se afasta rua abaixo.
CENA 12 – EXT. RANCHO JONES – DIA
A câmera focaliza a fachada da casa. Vemos que a parte da frente está destruída, mas a parede do fundo da casa e do lado direito ainda estão de pé. Ela desce aos poucos, revelando JOEY e EHLIOS, parados em frente, olhando para a casa. Eles permanecem assim por vários segundos.
EHLIOS: [sem desviar o olhar] Que merda.
CENA 13 – INT. RANCHO JONES – DIA
EHLIOS e JOEY sobre os escombros da casa. Eles estão sérios, analisando os estragos do incêndio. Boa parte da casa está destruída.
EHLIOS: Cara, to me sentindo no 11 de Setembro.
JOEY: Lá foi muito pior, acredite. Aqui ainda tem alguma coisa em pé.
EHLIOS: Tadinha da minha casinha.
JOEY: Por que você não usou seus poderes pra sair logo da casa?
EHLIOS: Eu não consigo atravessar corpos com alta temperatura. Sarah disse que é algo relacionado com moléculas super excitadas.
JOEY ri brevemente e EHLIOS olha para o amigo, girando os olhos e logo solta uma risadinha forçada e irônica.
ZACK: [Off] Que estrago.
EHLIOS: Jura? Aonde?
ZACK: Ehlios, eu acho que temos problemas.
ZACK olha pra JOEY por uns instantes.
EHLIOS: O cara se ofereceu pra ajudar. Ele é aliado.
ZACK toma mais um momento, mas volta-se para Ehlios.
ZACK: Kenny disse que não consegue encontrar a Sarah e agora aparentemente temos um desaparecimento pra cuidar.
EHLIOS: Desaparecimento?
ZACK: Duas semanas atrás uma família não reportou na checagem mensal. Semana passada Sarah me disse ao telefone para tentar encontra-la, mas eu e Kenny não saímos da estaca zero. Estamos entrando na terceira semana e Kenny ainda não conseguiu localizar a família da pequena Anna.
JOEY se assusta ao ouvir o nome. Os garotos percebem.
EHLIOS: Tudo bem, cara?
JOEY balança a cabeça, afirmando, tentando se recompor rapidamente.
ZACK: Joey, não preciso dizer que isso aqui é assunto particular, certo?
JOEY: Claro, não se preocupa. Eu… Eu não vou me meter. Isso é coisa de vocês e… Eu entendo. Claro. Sem problemas.
ZACK concorda com a cabeça e olha em volta.
ZACK: Agora, vejamos, como podemos colocar esta casa no jeito?
EHLIOS: Hmmm, derrubando o resto e construindo outra?
CENA 14 – INT. THE ALLEY – DIA
[MÚSICA DE FUNDO – YOU MAKE ME FEEL, JEREMY TOBACK]
A câmera mostra ZACK servindo algumas mesas, ele observa que JULIA esta sentada numa das mesas folheando um jornal.
ZACK: [sério] Em que posso servi-la?
JULIA: [dando um meio riso] Olá, Zack. [olhando o cardápio]: O tempo anda meio quente por aqui, não?
ZACK: Depende pra quem tiver sentindo calor. Já escolheu?
JULIA: [pensativa] Acho que um capuccino seria ótimo. Quente e amargo como a vida. [encara o garoto] Você não acha?
ZACK: [anotando] Pelo visto você ouviu as notícias.
JULIA: Sim, fui informada do incêndio pelo Joey, mas parece que a Cathleen estava tentando fingir o dia todo que não estava preocupada com a noticia, o que me leva a perguntar se houve algo que eu precise saber?
ZACK: Você não sabe?
JULIA: [revolvendo os cabelos] Não pela sua mente. A Sarah soube colocar um perfeito bloqueio em você.
ZACK: Ninguém precisa bloquear nada em mim. Eu não tenho nada a esconder de você.
JULIA: O quê? Não me diga que você tem bloqueio natural?
ZACK apenas olha para ela.
JULIA: [balançando a cabeça positivamente] Impressionante. Bem raro achar um de vocês. Em toda a minha vida eu apenas conheci mais uma pessoa com bloqueio natural. Era um agente melhor eu devo admitir… Mas não terminou muito bem.
Eles dois se encaram por mais alguns momentos.
JULIA: Não que eu esteja desmerecendo o trabalho que a Sarah fez com vocês dois, acho brilhante esta estratégia de servir mesas e invadir bases em horários de folga.
ZACK: [sério] Você poderia ser mais direta?
JULIA: [respirando fundo] Tudo que estou dizendo que às vezes vocês precisam de uma certa ajuda. Eu conheço a Sarah há muitos anos, e não gostaria de ver nenhum dos dela passando por necessidade.
A câmera mostra a mulher tirando um envelope de sua bolsa e jogando o envelope em direção a ZACK.
JULIA: Isso é uma pequena ajuda, pra reparar os estragos que o incêndio fez no rancho. Quando a Sarah retornar de sua viagem eu acerto com ela.
ZACK: E o que te leva a crer que eu vou aceitar esse dinheiro?
JULIA: [séria] Pense bem garoto. Acho que você e seu amigo não têm para onde ir nessa cidade e nós dois sabemos que seria muito desconfortável se você estivesse como hóspede na mansão, então apenas aceite o dinheiro e vá para um hotel, antes que os ratos do balcão te comam durante a noite. Agora traga o meu café.
ZACK apenas a encara por alguns segundos pegando o envelope consigo e indo a direção ao balcão, enquanto em close a mostra JULIA sorrindo, sinceramente, e tapando a visão de seu rosto com o jornal.
CENA 15 – INT. MANSÃO LIEFIELD – NOITE
No quarto de CATHLEEN, JOEY anda de um lado para o outro, nervoso. CATHLEEN está na cama, observando entediada.
JOEY: Eu preciso saber. Eu preciso saber.
CATHLEEN: Por que você não pergunta pra eles? Não é mais fácil?
JOEY: Desculpa, mas eu ainda não cheguei a este limite da indiscrição.
CATHLEEN gira os olhos, ainda calada. JOEY olha pra ela, e senta na cama a seu lado.
JOEY: Cathy, você sabe que eu te adoro, né?
CATHLEEN: Eu não vou fazer isso.
JOEY: Mas é o único jeito! E vai ser fácil pra você. Por favor, você sabe como isso é importante.
CATHLEEN: Joey, você que resolve os seus próprios problemas. Eu já tenho os meus. É assim que a natureza funciona, se acostume.
A expressão do garoto endurece e ele encara CATHLEEN.
JOEY: [seco] Okay, Vamos falar sério agora.
CATHLEEN o encara, entediada.
JOEY: Você tem duas escolhas pra lidar com seu problema com o Zack: continuar dando uma de vaca insensível com quem quer te ajudar, ou deixar de ser covarde. Ou seja, se desentocar dessa casa, voltar a ser a antiga Cathy e conversar com ele.
Eles ficam se encarando por alguns segundos. CATHLEEN abre um sorriso malicioso.
CATHLEEN: E a verdadeira Cathleen não era uma vaca insensível?
JOEY pondera e abre lentamente um pequeno sorriso.
JOEY: Bem, eu sobrevivi até hoje.
CATHLEEN pega um travesseiro e joga em JOEY.
CENA 16 – INT. NARANDA HIGH – DIA
EHLIOS esta amarrando os cadarços de seus tênis surrados, e a câmera mostra CATHLEEN vindo em direção do garoto que ao se levantar se depara frente a frente com ela.
EHLIOS: [sem jeito com a proximidade] O que você quer?!
Num impulso, CATHLEEN o abraça.
CATHLEEN: Oh, meu Deus, por que a vida é tão horrível? [choramingando] Uma hora você está bem e na outra você está mal. E o pior é não saber o que está acontecendo consigo mesma, não saber o que fazer, e nem pra onde ir. [dando leves socos nas costas dele] É horrível, cara. Horrível.
EHLIOS continua calado, estarrecido. CATHLEEN o solta. Há lágrimas nos olhos, mas ela abre um sorriso amplo.
CATHLEEN: Valeu pela força.
Ela sai, normalmente, enquanto EHLIOS continua observando, totalmente confuso.
CENA 17 – INT. MANSÃO LIEFIELD – DIA
JOEY está sentando diante do computador do quarto de CATHLEEN. Em tela podemos ver escrito os dizeres “zona de busca” e “insira os dados que deseja obter”. A CAM mostra JOEY encarando CATHLEEN, que está deitada em sua cama lixando as unhas.
JOEY: [sério] Você tem certeza que esse é o nome?
CATHLEEN: [sem parar de lixar as unhas] Absoluta, honey. Ou você quer que eu durma com ele pra descobrir mais coisas?
JOEY: [torcendo os lábios em desconforto] Diminui na ironia, Cathy.
JOEY escreve o nome “Anna Montoya” na central de dados e rapidamente várias informações são mostradas em tela.
JOEY: Parece que o pai dela é um recém contratado da Hellertech. Foram transferidos de Los Angeles para o Novo México há pouco tempo. Eu preciso de uma foto.
JOEY puxa mais alguns informes no sistema e clica em cima de um arquivo relacionado a exames médicos da família. CATHLEEN levanta da cama e vai observar o monitor por cima do ombro dele.
JOEY: Parece que a garotinha sofre de sérios distúrbios sociais e eles frequentemente iam pra Vegas se consultar com o especialista.
JOEY clica e agora a foto da menina [Abigail Mavity] aparece na tela. Ele fica pálido e catatônico olhando a foto.
CATHLEEN: E? Joey? [sorrindo esperançosa] É ela?
JOEY: [sorrindo] Sim. É ela.
Eles encaram o monitor em silêncio por alguns segundos. CATHLEEN coloca a mão sobre o ombro do amigo.
CATHLEEN: E não parece com você…
JOEY lança um olhar afiado para CATHLEEN.
CENA 18 – INT. THE ALLEY – DIA
No apertado quarto de empregados, EHLIOS tenta virar o colchão de um dos beliches. Ele o faz e constata que o outro lado está manchado e rasgado. Ele respira fundo, entediado. E volta o colchão como estava antes. ZACK se aproxima.
ZACK: Tem jeito?
EHLIOS: Pelo menos não está reduzido á cinzas.
ZACK: [sério] Como é que você consegue fazer piada com esse tipo de coisa?
ZACK senta no beliche e passa a mão nos cabelos. EHLIOS o observa por alguns instantes, e se senta do lado dele.
EHLIOS: A Hannover é mesmo uma destruidora, né? Cara, eu acho que ela é meio doida…
ZACK: Você não tem nada melhor pra fazer, não?
EHLIOS: [triste] Ei, cara, não vai ficar assim. Ela não te merece.
ZACK não diz nada, só respira fundo, ainda cabisbaixo. EHLIOS o observa por um tempo e sai do quarto.
CENA 19 – INT. MANSÃO LIEFIELD – DIA
Vemos um amplo escritório, bem decorado. Ao longo de todas as paredes uma estante fechada rodeia o local, dando um ar claustrofóbico. Nas paredes vemos um material creme cobrindo-as, um isolamento acústico. Close na porta que se abre e vemos JULIA entrando. A mulher tem um semblante preocupado no rosto. Ela tranca a porta e passa uma tranca manual acima da fechadura.
JULIA atravessa o local, passando por uma cadeira e indo até uma câmera de vídeo posicionada em frente a ela. LIEFIELD aperta um botão no aparelho e se senta na cadeira.
Ela olha parar o chão e se mantém em silêncio por alguns momentos, mas logo encara a câmera com uma expressão decidida.
JULIA: [séria e sem vacilar] Dezembro de 2005. As coisas se complicaram mais do que o previsto. Cathleen parece estar se envolvendo cada vez mais com Hayes apesar dos meus esforços para impedir as conseqüências desse relacionamento. Nesse ponto eu não sei mais se há um caminho de volta ou se seria justo uma intervenção minha em algo que tenho ciência não possuir empecilhos que surtam efeito. Ontem à noite eu… [respira fundo] eu recuperei os desenhos restantes que estavam na posse de Sarah. Ela deve voltar de sua viagem à China nos próximos dias, mas não acredito que Alan consiga voltar com ela. Junto aos desenhos foram por mim encontrados alguns documentos sobre a movimentação dos seus protegidos. [ela engole seco e parece escolher as palavras] Joey… Joey vai achar– [ela recobra seu semblante centrado] Joey vai achar Anna e não há nada que eu possa fazer para impedi-lo. Prevejo que as coisas ficarão ruins, muito ruins depois desse encontro, mas não vejo formas de evita-lo sem levantar suspeitas. Você é Julia Liefield, mora em Naranda, Nevada, com Cathleen Hannover e Joseph Campiti.
JULIA encara a câmera por alguns segundos, incerta.
JULIA: [quase sussurrando] Tenta não estragar tudo dessa vez.
A mulher levanta-se e desliga a câmera. Ela retira a fita e coloca-a dentro de uma VHS. JULIA se dirige a um dos armários e o abre. Vemos que há dezenas de fitas dentro dele e todas elas estão rotuladas com datas. JULIA coloca a fita e tranca o armário.
CENA 20 – EXT. NARANDA HIGH – DIA
KENNEDY caminha apressadamente olhando os quatro cantos, quando avista JOEY vindo em sua direção.
JOEY: Kennedy espera.
KENNEDY acelera o passo o garoto começa a se apressar também. A garota então começa a correr em direção ao seu carro.
JOEY: Por que você ta correndo?
KENNEDY: Exercícios?
JOEY: Mas você tá de salto alto!
Eles chegam ao carro e JOEY vira a garota pelo braço, confuso.
JOEY: Por que você tá fugindo de mim, Lester?
KENNEDY: [ofegante e irritada] O que eu já te falei, Joey? Para de ficar perto de mim em publico! Eu já disse! Uma coisa é eu trocar uns beijinhos com você no beco do The Alley outra é eu sair de mãos dadas pelo corredor do colégio na frente das minhas amigas…
JOEY: Olha, eu não to com tempo pra ficar discutindo agora. Eu preciso de seu carro emprestado.
KENNEDY: [sem prestar atenção] Eu sei que nós temos um lance meio animalesco mas foi você quem concordou com os termos desde o… [balançando a cabeça] Como é que é?! Meu carro?! Nunca!
JOEY: [girando os olhos em tédio] Você tem duas opções: ou me empresta o carro ou eu conto pra todo mundo do nosso rolo.
KENNEDY: [pasma] O quê? Você está me chantageando?!
Ela começa a dar tapas sincronizados com as palavras no ombro de JOEY.
KENNEDY: Você… está… me… chantageando?!
JOEY: [esfregando o braço] Aiii!!
KENNEDY: [aponta, indignada] Você não faria isso! O que você ganha contando isso pra todo mundo?
JOEY: [contando nos dedos] Perco meu título – totalmente sem fundamento – de nerd, presencio com satisfação a cara de bunda do Ben Tyler, ganho respeito da ala masculina do colégio por ter pegado a maior “pegadora” de Naran–
KENNEDY: [irritada] Chega! E pra onde diabos você quer ir com o carro?
JOEY: [sorrindo] Vegas.
KENNEDY: [assustada] Vegas?
CENA 21 – EXT. RUA DESCONHECIDA – DIA
EHLIOS anda apressado, carregando ZACK pelo braço.
EHLIOS: Tô te dizendo, você precisa ver com os próprios olhos o que o Billy’s está fazendo com as rosquinhas.
ZACK: [confuso] E quem liga pra malditas rosquinhas?
EHLIOS: Zack, onde está sua destreza empresarial? Temos que ficar perto dos inimigos. Se foi o Marlon Brando que disse isso, então deve ser verdade.
CENA 22 – EXT. RODOVIA DESCONHECIDA – DIA
Vemos um carro se deslocar velozmente por uma rodovia recortada por um grande deserto.
CENA 23 – INT. CARRO EM MOVIMENTO – DIA
A câmera mostra JOEY no volante e KENNEDY no lugar do carona.
KENNEDY: [olhando pra Joey] Sabia que eu podia dar parte de você na policia? Isso em alguns estados é caracterizado como seqüestro.
JOEY: [sem tirar o olho da estrada, apenas sorri] E o que você diria pra polícia? Que você fugiu com uma cara que você tinha um lance meio animalesco?
KENNEDY: [irritada] Não use minhas palavras contra mim, Campiti. Minha eloqüência é uma das minhas principais características pessoais.
JOEY: [irônico] Tô percebendo. Você não calou a boca desde que saímos de Naranda, há umas 2 horas atrás.
KENNEDY: [sarcástica] Há-há-há! Você acha mesmo que eu ia ficar em Naranda e não saber o que você ia fazer em Vegas com meu precioso, luxuoso e altamente confortável carro? Alias, por que você não pegou um dos vários carros da sua mãezinha?
JOEY: [seco] Tô de castigo.
KENNEDY: E você ainda pergunta por que eu não quero ser vista com você em público.
CENA 24 – INT. BILLY’S – DIA
[MÚSICA DE FUNDO – NOTHING IS GOOD ENOUGH, AIMEE MANN]
Eles entram no local, e ZACK fica parado de repente. Na câmera subjetiva, ele vê CATHLEEN, sentada em uma mesa mais a frente, tomando um café, cabisbaixa.
ZACK olha sério para EHLIOS.
EHLIOS: Eu soube que ela esteve vindo aqui desde o barraco de vocês dois.
ZACK: Suas piadas andam perdendo a graça.
EHLIOS: Sei o que você tá pensando. Eu também não sei o que me deu, mas por mais que eu a odeie, eu prefiro ver a Cathleen feliz do que você infeliz.
ZACK: Você muda de idéia rápido, hein.
EHLIOS: Eu sei, fazer o quê. Nem sempre eu sou um sábio. E se você gosta dela, vai fundo, cara. Também não acho que ela seja indiferente à você. E se é assim, o resto de bom senso que me sobrou vai me manter longe de atrapalhar isso. [empurrando-o] Anda, vai!
ZACK se aproxima da mesa. CATHLEEN o vê, e desvia o olhar, desconfortável. ZACK se senta a sua frente, ela continua olhando para o lado.
CATHLEEN: Novo sistema de marketing, recolher clientes dentro do concorrente?
ZACK: Você não acha que a gente precisa conversar?
CATHLEEN balança a cabeça em negativa.
ZACK: Mas eu acho. Cathleen, não entendo direito como tudo isso chegou até aqui. Uma hora você tava quebrando copos e na outra eu estava contando os minutos pra ver você quebrando os copos…
CATHLEEN: Legal, vou anotar isso na minha lista de “métodos de conquista”.
ZACK pega na mão dela. O olhar duro dela vacila por um instante, mas logo volta a ser imparcial.
ZACK: Chega de ironia, ok? Eu não sei o que você sente, e não sei o que vai acontecer com a gente. Mas seja o que for, eu vou estar pronto.
Eles ficam se olhando, calados.
ZACK: Você acha que nós podemos dar certo um dia?
CATHLEEN desvia o olhar. Ela chama o garçom e pede a conta. Ela o paga e se levanta. ZACK só a observa.
CATHLEEN: [se levantando] A gente se vê por aí, ok?
Ela passa ao seu lado e ZACK segura a sua mão. Ela para. ZACK se levanta, e a encara nos olhos.
ZACK: Você não respondeu a minha pergunta.
CATHLEEN se aproxima, dá um beijo em seu rosto.
CATHLEEN: [sussurrando no seu ouvido] A gente se vê por aí.
Ela sai, enquanto ZACK permanece lá, parado.
CENA 25 – EXT. RUA DESCONHECIDA – DIA
O carro passa por uma rua de subúrbio, lentamente.
CENA 26 – INT. CARRO EM MOVIMENTO – DIA
[MÚSICA DE FUNDO – KISS ON ME, TYLER HILTON]
JOEY ainda dirige o carro enquanto KENNEDY mantém os braços cruzados e uma expressão de birra. Ele olha pra ela e depois pra estrada. Pouco depois olha pelo canto do olho e pra estrada novamente. KENNEDY continua emburrada. JOEY ri da namorada.
KENNEDY: Qual é a graça? Tem algum palhaço na estrada?
JOEY tira as duas mãos do volante em rendição e logo depois as coloca de novo.
KENNEDY: E então, vai me dizer alguma hora o que a gente ta fazendo aqui? Se for alguma namorada sua que quer esfregar na minha cara, eu juro que você vai sentir o quão confortável é viajar no porta-malas.
JOEY: [rindo] Na verdade eu prefiro o banco de trás.
Ela imita o garoto apenas mexendo a boca, com ironia.
JOEY: [rindo] Porque você com tanta raiva, afinal? Eu achei que uma viagem clandestina com um lindo namorado para Vegas fosse algo desejado por 90% das garotas.
KENNEDY: Pois me encaixe na minoria, querido. Eu só vou gostar de um seqüestro o dia que Kiefer Sutherland vier me resgatar. [brava] E pode começar a abrindo o bico. O que diabos estamos indo fazer em Vegas?
A expressão de JOEY fica séria, quase triste.
JOEY: [respira fundo] Você poderia simplesmente…
JOEY balança a cabeça, em confusão.
JOEY: Olha, eu precisava do seu carro, ok? E precisava que alguém viesse comigo. Eu prometo que você estará na sua cama quentinha o mais rápido possível. Sã e salva. Mas por agora você pode simplesmente confiar em mim?
KENNEDY: Eu estava tentada a te torturar pra você me dizer a verdade, mas você é realmente muito bom em chantagem emocional.
Eles ficam em silêncio por alguns segundos e KENNEDY parece desconfortável quando abre a boca para falar algo, mas a fecha novamente. A garota gira os olhos pra si mesma.
KENNEDY: Olha… [suavemente] eu já percebi o quanto é difícil pra você se abrir. Você, Cathleen e Julia, para uma não-família, são parecidos até demais, se quer saber minha opinião. Mas… [ela olha para Joey] Seja o que for… Quero que saiba que também pode confiar em mim.
JOEY: [magoado] Posso? Há algumas horas atrás você fugiu de mim na rua, Kennedy, e agora está aqui pedindo para confiar em você. [engole a seco com os olhos fixos na estrada] Às vezes você parece duas pessoas completamente diferentes.
KENNEDY fica em silêncio, cabisbaixa. JOEY olha pra ela de canto de olho.
KENNEDY: [irritada] Não se preocupe, eu não vou chorar.
JOEY esvazia os pulmões e olha para o alto como se estivesse com raiva de si mesmo.
JOEY: Eu não queria te magoar. Eu simplesmente… Eu só não te entendo as vezes. [ele finalmente olha para a garota] Mas de alguma forma estranha e contraditória eu precisava de você sentada nesse banco hoje.
Nem um dos dois fala nada por alguns segundos. KENNEDY franze o cenho.
KENNEDY: Isso não soou Cathy-Zack-drama-rama demais, não?
JOEY: [respirando aliviado] Com certeza! [sorrindo] Foi sem querer.
KENNEDY sorri e é retribuída pelo garoto. Ela coloca a mão sobre a perna dele e ele coloca a mão por cima da dela, entrelaçando os dedos.
KENNEDY: [sorrindo] Não vamos fazer isso de novo. Mas… Minha oferta ainda tá de pé. Você sabe… Aquela sobre confiar em mim.
JOEY a encara, indeciso por alguns segundos. A garota levanta as sobrancelhas e sorri. O garoto respira fundo.
CENA 27 – EXT. RUA DESCONHECIDA – DIA
[MÚSICA DE FUNDO – YUME NO NAKA, KARE KANO THEME]
JOEY encosta o carro e olha por alguns segundos para a casa. O garoto expira pesado e olha para o banco do passageiro. KENNEDY sorri para ele.
KENNEDY: Está na hora.
JOEY continua olhando para ela. JOEY respira sonoramente e seu maxilar está definido.
KENNEDY: É ela, Joey. [sorri] É ela.
JOEY: [passou a mão nos cabelos] Espero que você esteja certa. [quase implorando] Você vem?
KENNEDY sorri e toca a mão do namorado.
KENNEDY: Claro.
Os dois saem do carro e KENNEDY o acompanha enquanto ele avança lentamente pelo caminho que leva do portão à varanda de entrada da casa. Os dois param por um momento e KENNEDY entrelaça os dedos nos de JOEY.
JOEY: Aqui vamos nós.
O garoto fecha os olhos e aperta a campainha. Nervoso, JOEY começa a bater o pé no assoalho de madeira. Alguns passos abafados são ouvidos do lado interior da casa.
MULHER: [em off de dentro da casa] Eu já desci, querido.
A porta se abre revelando uma bela mulher [Kristin Davis]. Ela sorri para os dois.
MULHER: Posso ajudá-los?
JOEY: [voz trêmula] Sim…
JOEY olha para KENNEDY rapidamente e depois para a mulher, mexendo-se no mesmo lugar, desconfortavelmente. KENNEDY levanta as sobrancelhas, encorajando-o.
JOEY: [voz trêmula] Eu queria saber se… [ele tosse] É… Será que–
KENNEDY: –por acaso uma garotinha chamada Anna mora aqui?
O rosto da mulher se torna instantaneamente rígido. Ela fecha a porta contra o corpo deixando apenas sua cabeça e parte do corpo à vista.
MULHER: [seca] O que vocês querem com ela?
JOEY: Bem… É que eu… Eu queria vê-la pra saber se a sua Anna é minha Anna–
MULHER: [defensiva] Sua Anna? Eu posso te garantir que aqui não tem nenhuma Anna sua, garoto. E, afinal de contas, quem são vocês?
JOEY abre a boca, mas nada sai dela, então KENNEDY, mais uma vez, tenta ajudar.
KENNEDY: Bem, meu nome é Kennedy. [alguns passos são ouvidos vindo de dentro da casa] E se estivermos no lugar certo, eu acredito que ele seja–
Uma garotinha [Abigail Mavity] se revela por trás da mulher, abrindo totalmente a porta. Ela arregala os olhos e abre um enorme sorriso.
ANNA: –meu irmão!
O rosto de JOEY vai de nervoso a alegre quando ele também sorri amplamente para a garota.
PRODUÇÃO EXECUTIVA
Samir Zoqh
Luciana Rocha
ELENCO
Keira Knightley como Cathleen
Riley Smith como Joey
Paul Wasilewski como Zack
Ashly Lyn Cafagna como Kennedy
Bonnie Somerville como Julia
CONVIDADOS ESPECIAIS
Josh Duhamel como Devon
Abigail Mavity como Anna
Kristin Davis como Jennifer
ESCRITA POR
Samir Zoqh
Luciana Rocha
Marcos Damata
EDITADA POR
Luciana Rocha
REVISADA POR
Marcos Damata
CRIADA E DESENVOLVIDA POR
Samir Zoqh
Luciana Rocha
MÚSICA TEMA
Late Great Planet Earth, Plumb
TRILHA SONORA
Space, Something Corporate
You Make Me Feel, Jeremy Toback
Nothing Is Good Enough, Aimee Mann
Kiss On Me, Tyler Hilton
Yume No Naka, Kare Kano Theme
A HYBRID STUDIOS PRODUCTION
DISTRIBUTED BY TELEVISION SERIES NETWORK
©2005
É Natal! Liga a TV!
24/12/2011, 15:45.
Redação TeleSéries
Especiais
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Amanhã é Natal, e nada melhor do que um domingão para relembrar episódios especiais para essa época do ano. A equipe do TeleSéries separou alguns episódios de Natal – ou não – para você assistir juntinho de quem você mais gosta amanhã.
Grey’s Anatomy – Grandma Got Run Over By a Reindeer (2×12)
Não ser fã do natal é bem estranho para a maioria das pessoas e é difícil ser alheio a tantos enfeites e propagandas nesta época do ano, tem sempre uma Izzie, por exemplo, pra transformar a sala de estar em uma oficina do Papai Noel e pra pregar o espírito natalino. É por isso que adoro este episódio de Grey’s Anatomy, porque ninguém está no humor pra comemorar o feriado, mas não deixa de passar uma mensagem bonita sobre estar com as pessoas que você ama, sobre família e milagre. (Lara Lima)
Glee – Extraordinary Merry Christmas (03×09)
Em Extraordinary Merry Christimas, o Glee Club da McKinley High fica dividido entre dois eventos: A gravação de um especial de Natal para uma emissora local ou cantar num evento beneficente para as crianças sem teto de Lima. A maioria aceita o especial e, Rory, lembrando do verdadeiro significado da época, muda o roteiro e os faz repensarem suas atitudes. Me fez pensar em o que realmente eu esperava do natal e, com certeza, mudou meu ponto de vista. (Ariel Borges)
Poirot – The Theft of the Royal Ruby (3×08)
O episódio The Theft of the Royal Ruby [o oitavo da terceira temporada de Agatha Christie’s Poirot, exibido originalmente na Inglaterra em 24/2/1991] é uma adaptação do conto A Aventura do Pudim de Natal. Poirot é convidado a resolver o caso do roubo de um valioso rubi que pertence à família real egípcia e precisa hospedar-se na casa de campo de uma família inglesa durante o Natal, onde integra-se aos costumes britânicos para as festividades: pantomimas, jogos de mímica e, é claro, o pudim de Natal. Este é um dos raros casos em que Poirot interage com crianças e isto, junto com a atmosfera geral de aconchego de um Natal em família, o humor típico inglês e um crime que não é assassinato, torna o episódio ideal para a época. (Luciana Naomi)
Roswell – A Roswell Christimas Caroll (2×10)
Há duas razões para assistir esse episódio no dia 25 de dezembro: a mensagem de que devemos viver a vida de modo honesto e feliz e a Xmas Nazi – nada menos do que a Katherine Heigl em início de carreira. O episódio conta como o alien Max lida com a escolha de usar o seus poderes e relevar a sua identidade, ele acaba não salvando o homem e é aterrorizado pelo ‘fantasma’ da vítima. Esse episódio é uma releitura do clássico de Charles Dickens Um Conto de Natal, e mostra que mesmo que a vida não esteja boa, há motivos para comemorar. O ponto cômico do episódio é a alien Isabel e sua obsessão pelo Natal perfeito. No final, o espírito de caridade natalino prevalece sobre todos. (Maria Clara Lima)]
Doctor Who – Runaway Bride (2×14)
Esse ano pela primeira vez na noite de natal terei duas séries para assistir: Doctor Who e Downton Abbey. Pensando nisso escolhi para esse especial o meu episódio favorito de natal de Doctor Who: The Runaway Bride. O episódio nos apresenta pela primeira vez Donna Noble que é a companion favorita de muitos fãs da série (ela é a minha favorita empatada com a Martha Jones). Episódios de Natal são uma tradição em Doctor Who e esse episódio está entre os meus favoritos de toda a série. (Tati Leite)
The O.C. – The Chrismukkah That Almost Wasn’t (2×06)
Para o dia 25 indico um dos episódios natalinos mais bonitos de The O.C.: o sexto episódio da segunda temporada. Lindsay estava desiludida, com a briga que teve com Caleb sobre a sua paternidade estragando toda a cerimônia de natal na casa dos Cohen. Mas o espírito destas festas leva Summer a salvar o natal trazendo a cerimônia pra casa de Lindsay, que nunca teve oportunidade de comemorar com uma família. O momento em que ela chega à casa junto com Seth é de se emocionar. (Anderson Narciso)
Série Virtual – Destination Anywhere – Intrigas
21/12/2011, 20:34.
Redação TeleSéries
Ficção (séries virtuais)
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Série: Destination Anywhere
Episódio: Intrigas
Temporada: 1ª
Número do Episódio: 1×09
CENA 1 – INT. QUARTO DA ANNA – TARDE
ANNA deita na cama e abre seu diário. Ela folheia algumas páginas até achar uma em branco. A garota coloca a ponta da caneta na boca e encara seu diário por alguns segundos, até finalmente escrever as primeiras palavras.
ANNA: [Voice over] Eu acreditava em destino como se fosse uma regra natural das coisas até que percebi que a vida é um livro cheio de páginas em branco, onde nós somos os nossos próprios autores.
Ela faz uma pausa para pensar no que escrever.
ANNA: [Voice over] Faz um tempo que eu não escrevo, mas isso se dá ao fato de que eu venho escrevendo um capítulo bastante importante da minha história. Coisas surpreendentes aconteceram desde a última vez que escrevi. por exemplo, o Phillip Danes. Meu inimigo de infância se tornou uma pessoa bastante presente na minha vida. Já o Matthew… Ah! O Matt! Esse aí deu um pouco de trabalho, mas há algum tempo atrás eu decidi que eu deveria lutar pelo o que eu queria, e fui atrás do meu amigo. Como em todos os livros bons que conheço, essa página teve bastante turbulências, mas no final, deixamos o passado finalmente para trás, e resolvemos dá uma nova chance para nossa história, por que o futuro ainda vai ser escrito.
Alguém bate na porta.
ANNA: Pode entrar.
PHILLIP DANES está vestido de terno e gravata.
PHILL: Vamos?
ANNA fecha o diário rapidamente, e sorri.
ANNA: Só um segundo.
A garota guarda o diário na escrivaninha, PHILL observa.
ANNA: [Pegando uma bolsa] Vamos!
[MÚSICA TEMA – PROMISES, LILLIX]
CENA 2 – INT. CASA DOS DANES – SALA – TARDE
[MÚSICA – FLY, HILARRY DUFF]
REBECCA e ALEXIA estão separando algumas fotografias colocadas em cima da mesa de jantar. ALEXIA olha cuidadosamente para uma das fotos. Percebe-se que a foto foi tirada no show.
ALEXIA: Essa foto daqui [pausa] vai para o antes! Definitivamente vai para o antes.
BECKY: Deixa eu ver aqui.
BECKY pega a foto das mãos da amiga.
BECKY: Para mim é tudo a mesma coisa.
ALEXIA: Essa é totalmente antes!
BECKY: Amiga, eu ainda não entendi por que você está separando essas fotos antes e depois de você beber. Essas fotos nem aparecem você.
ALEXIA: Alô! Duh! Você acha que eu lembro da outra metade do show? Como eu vou provar que eu fui realmente se eu nem ao menos lembro da metade das coisas que aconteceram!
BECKY sorri.
ALEXIA: O que foi?
BECKY: Eu lembrei que eu tenho que ir.
ALEXIA: Pra onde?
BECKY: Pra onde? Ué… para …[Pausa] eu vou para, você sabe!
ALEXIA: Não, eu não sei.
BECKY: [Nervosa] Ai, Alley. Que interrogatório é esse?
ALEXIA olha espantada para BECKY.
ALEXIA: Você está muito estranha nessa última semana. Aconteceu alguma coisa que eu deva saber?
BECKY: Não. Não aconteceu nada. É só que hoje é sexta-feira! E sexta é dia de resolver coisas.
ALEXIA: Se você diz. [Olha para as fotos] Eu até iria com você, mas tenho que terminar isso daqui.
BECKY sorri nervosa.
BECKY: Vejo você depois então.
ALEXIA: [Solta um beijo] Me liga!
BECKY pega suas coisas e caminha até a porta de saída, mas antes que pudesse chegar até ela, a porta se abre e JORDAN aparece. O garoto tira o capacete e olha para BECKY.
JORDAN: De saída? Que pena.
ALEXIA revira os olhos. REBECCA nem se dá ao trabalho de responder o primo da sua melhor amiga e vai embora.
ALEXIA: Ainda por aqui? Você não ia embora?
JORDAN: Resolvi ficar um pouco mais.
ALEXIA faz uma expressão como se não tivesse gostado da noticia que acabara de ouvir.
JORDAN: Não precisa disfarçar, eu sei que você gostou de saber que eu vou ficar por mais alguns dias.
ALEXIA: [Irônica] Totalmente. Olha aqui pra mim, eu seria capaz de dá cambalhotas e jogar meus pompons para cima! [Finge empolgação] J-O-R-D-A-N!
JORDAN se aproxima da prima e olha para as fotos, que estão separadas por um papel verde escrito “antes” e outro escrito “depois”. O garoto fica ali por alguns instantes.
JORDAN: Essa daqui é depois.
ALEXIA olha surpresa para ele.
ALEXIA: Como você sabe?
JORDAN: Digamos que eu sei. [Sorri misteriosamente]
ALEXIA coloca a foto na pilha do “depois”. JORDAN senta-se em uma cadeira do outro lado da mesa, ficando de frente para a ALEXIA.
JORDAN: Você não vai ao julgamento do seu irmão?
ALEXIA: “Julgamento”? Você fala como se levar uma multa de transito e xingar um policial fosse algo muito grave. Ele nem ao menos machucou alguém. E o papai vai dar um jeito dele sair dessa ileso.
JORDAN: Ou não. Seu pai não pode arriscar tanto assim. Com o Phill sendo julgado justamente, ele pode mostrar que todos são iguais perante a lei, e isso daria a seu pai um apelo moral e de dignidade que com certeza o ajudaria na campanha.
ALEXIA: [Espantada] Onde você aprendeu a falar desse jeito?
JORDAN: Não sei se o tio lhe contou, mas eu faço ciências políticas na UCLA. Estou aqui “estagiando” para o seu pai.
ALEXIA: E agora deixam qualquer um entrar na UCLA? [Sorri] Você disse que estava de passagem e que não ia demorar muito.
JORDAN: Eu estou de passagem. Eu ia para Washington semana que vem, mas seu pai me pediu para ficar até a votação.
ALEXIA: Eu não acredito que estou conversando com você.
JORDAN: Então, você não vai à corte?
ALEXIA: Eu tenho algo melhor para fazer.
JORDAN: Algo melhor do que possivelmente ver o Phillip se ferrando?
Sem ao menos olhar para JORDAN, ALEXIA joga as fotos em uma caixa e se levanta.
ALEXIA: Espera um segundo. Só vou pegar a minha bolsa.
[Música fade out]
CENA 3 – INT. CORTE
A câmera foca o rosto de ALEXIA, depois de JORDAN. Os dois estão tristes.
ALEXIA: Eu não acredito que você me tirou de casa para ver isso.
JORDAN: Eu ainda tinha um pouco de fé na justiça dos homens.
ALEXIA: Eu não acredito que ele saiu ileso de tudo. Ele foi pego em flagrante!
Mostra os dois, desolados, olhando o PHILLIP abraçar os pais. ANNA está perto dele. SCOTT também. ALEXIA e JORDAN se aproximam de PHILL e o cumprimentam.
ALEXIA: Se safou dessa direitinho, não foi maninho?
JORDAN: Parabéns, pirralho.
PHILL: [Sorrindo] Vocês dois aqui? Não esperava por isso.
ALEXIA olha para ANNA e finge um sorriso.
ANNA: Oi, Alexia.
CENA 4 – INT. RED’S
SAM entra no Red’s. Percebe-se que o garoto está à procura de alguém.
MEL: Sam! Aqui!
MELISSA acena para o amigo. Ela está sentada em uma mesa no canto esquerdo da lanchonete. SAM sorri, e senta-se junto a MEL.
MEL: Eu não sabia que você vinha para cá hoje.
SAM: [Resmunga] É, nem eu.
MEL: O quê?
SAM: [Olha para os lados] Nada não.
MEL: Você tem visto o Matt? Faz tempo que ele não aparece.
SAM: [Distraído] O quê?
MEL: O Matt! Você tem visto ele?
SAM: Não. Não muito.
MEL: Você está bem? Parece um pouco distraído.
SAM: Estou bem sim. Estou ótimo.
MEL encara o amigo.
MEL: [Séria] Fala logo! O que houve?
SAM: Eu já disse. Não houve nada.
REBECCA entra no Red’s. A garota olha por todo o estabelecimento. SAM e MELISSA vêem que a garota está ali. SAM olha para baixo.
MEL: Sua musa acabou de entrar.
SAM: [Nervoso] Ah, é? Bom para ela, o Red’s é uma ótima lanchonete.
MEL: Ai meu Deus! Você beijou ela!
SAM: [Põe a mão na boca da amiga] Shhhh! Eu não falei isso!
MEL: Você está estranho assim a semana toda. Ai, Sam! Por que você não me contou?
SAM: Não tem nada para eu contar! [Levanta-se] Eu tenho que ir.
MEL: Mas você acabou de chegar.
SAM acena para MEL e sai. MELISSA vai até REBECCA que estava olhando para o painel perto do balcão, como se quisesse escolher alguma coisa.
MEL: Eu sugiro o número 4. Aquele ali com creme azedo e pimenta.
BECKY: [Disfarça] Ah, obrigada. [Sorri]
MEL: Mas se você tá procurando o Sam, ele acabou de sair. [Sorri]
BECKY: Sam? Você só deve está brincando, certo?
CENA 5 – EXT. RED’S – FIM DE TARDE
BECKY e SAM se beijam ardentemente. A garota empurra SAM contra a porta de seu carro. Ele sorrir
SAM: [Sem fôlego] Eu senti sua falta.
BECKY: [Respira] A gente se viu hoje na escola. [Beija]
SAM sorri e coloca a mão na nuca da REBECCA trazendo ela para mais perto dele. Eles estão tão perto um do outro que dá para sentir o calor de seus corpos. BECKY fecha os olhos e beija SAM.
BECKY: [Beijando] Você quer fazer alguma coisa hoje à noite?
Os dois separam lentamente. SAM parece um pouco desconfortável.
BECKY: Vamos, Sammy.
SAM sorri.
BECKY: Algum dia eles vão descobrir. A [aponta para ele] sua amiga Melissa desconfia.
SAM: Eles vão descobrir um dia, mas enquanto isso, vamos aproveitar, até que venham todas as perguntas e “porquês”.
BECKY: Você acha que eles vão se importar tanto com nós dois?
SAM: Você sabe que sim. [Voz esganiçada] “Rebecca? O que você tem na sua cabeça? Esse garoto é um zero na escala social.”
BECKY: Eles não sabem o que estão falando. Mas se você quer assim. Que seja.
SAM: Então, hoje à noite…
CENA 6 – INT. QUARTO DE ALEXIA – NOITE
ALEXIA está falando ao telefone.
ALEXIA: Então, pra onde vamos hoje? [Pausa] Como assim não pode Matt? É sexta-feira!
CENA 7 – INT. QUARTO DE MATT
MATT: Só por que eu não posso sair hoje, não quer dizer que eu não gosto mais de você. Alley [Pausa], Alley [Impaciente], Alley, por favor. Amanhã eu compenso você. [Surpreso] O quê?
CENA 8 – INT. QUARTO DE ALEXIA
ALEXIA: A Anna! Ela não está aí com você, né? [Pausa] Ah! Não custa nada perguntar, essa garota está em todas. Acredita que ela estava hoje no julgamento do meu irmão? Eu pensei que eles não se davam muito bem, mas pelo visto… [Indignada] Eu não estou implicando com ela, Matty. Eu sei o quanto essa garota foi importante para você. [Faz cara de nojo] Está certo! [Concordando] Até amanha então. [Desliga o telefone com raiva]
ALEXIA: [Grita] Droga!
JORDAN bate na porta, entre aberta, do quarto de ALEXIA.
[MÚSICA – ARE YOU GONNA BE MY, JET]
JORDAN: Posso entrar?
ALEXIA: [Raiva] Você já entrou.
A garota se levanta e fica parada à frente de um grande espelho pelo qual ela olha para seu primo.
ALEXIA: O que você quer aqui?
JORDAN: [Segurando o riso] Sem querer eu ouvi a sua conversa. Levou um bolo do namorado? E quem é essa Anna? A amante?
ALEXIA: Não é da sua conta.
JORDAN: A Anna é aquela que estava com o Phill hoje cedo?
ALEXIA: Ela mesma.
ALEXIA se vira para o primo.
ALEXIA: Por quê? Quer o número dela?
JORDAN: [Pensativo] Não. Ela não faz meu tipo.
ALEXIA: E qual é o seu tipo?
JORDAN: Loira. Alta. [Olha para Alexia] Metida.
ALEXIA faz cara de nojo.
ALEXIA: Nos seus sonhos.
JORDAN: Que pena, pois eu ia te convidar para sair.
ALEXIA olha para o primo com um certo desprezo. Ela pensa um pouco e agarra sua bolsa, prende o cabelo em um rabo de cavalo e borrifa um pouco de perfume em si mesma.
ALEXIA: Tudo bem, mas eu escolho o local.
JORDAN sorri e segue a prima.
CENA 9 – EXT. CASA DOS MACKENZIE – JARDIM – NOITE
ANNA: Obrigada por me acompanhar até aqui.
PHILL: Obrigada? Eu é que devo agradecer por ficar comigo hoje. [Sorri] Foi muito importante. Ainda mais hoje…
[Música fade out]
ANNA retribui o sorriso e os dois dão alguns passos em direção à porta. PHILL segura no braço da ANNA e eles param de andar. ANNA olha para PHILLIP, como se esperasse que ele falasse algo, mas o garoto fica apenas observando a amiga. Ela sorri constrangida.
ANNA: O que foi?
PHILL: Como que eu pude, algum dia, não gostar de você?
ANNA: [Pensativa] Nós não tínhamos muita opção para nos divertir.
PHILL: Ainda bem que eu posso conhecer você melhor agora. Essas últimas semanas têm sido muito boas pra mim.
ANNA olha para a porta de casa.
PHILL: O que foi? Não acredita em mim?
ANNA: Sim.
PHILL: Mas…
ANNA: Sem mas.
PHILL: Que bom. Por que eu acredito que a vida é feita de segundas chances.
PHILL conduz ANNA até a porta de sua casa.
ANNA: Boa noite, Phill.
PHILL se inclina e abraça ANNA. Ele fita a garota que desvia o olhar.
PHILL: Não se preocupe, eu não dou em cima de amigas. Prometo.
ANNA: [Sorri] Você já teve alguma amiga?
PHILL coloca a mão no queixo e finge está tentando se lembrar de algo. Ele olha sério para ANNA.
PHILL: Teve uma vez na terceira série. Mas a garota era muito feia, diferente de você. [Sorri]
ANNA dá um soco de leve no ombro do Phillip.
ANNA: Você prometeu.
PHILL: [Fingindo indignação] Eu não fiz nada! [Sorri]
ANNA: Bom, agora eu vou entrar. [Dá um beijo no rosto de Phill] Boa noite.
PHILL: Boa noite, Anny. [Sorri]
PHILL espera ANNA entrar dentro de casa e seu sorriso se desfaz.
CENA 10 – INT. CASA DOS MACKENZIE – SALA – NOITE
KATHERINE espera a filha na sala. A mulher está de braços cruzados e com uma cara de poucos amigos.
KATHERINE: Muito bonito, Dona Mary Anna Mackenzie.
ANNA: [Surpresa] Eu nem estava em casa! Como eu posso ter feito alguma coisa?
KATHERINE: Eu sei que você não estava em casa, como também sei que você estava em um julgamento! E você não me diz nada!
ANNA: Você fala como se fosse algo tão grave.
KATHERINE: Era ele que estava aí fora? O Phillip Danes? Filho do Wilson Danes?
ANNA faz sinal positivo com o polegar.
KATHERINE: Então a Maggie não estava mentindo.
ANNA: Maggie?
KATHERINE: Maggie. Você sabe? Aquela mulher irritante, mulher de um empreiteiro, sabe?
ANNA: Não.
KATHERINE: Ela me ligou, e disse que você estava lá! Para a minha surpresa, ao lado do filho do prefeito. Eu tive que fingir que sabia de tudo!
ANNA: Mãe, eu não vejo por que tanto drama!
KATHERINE: Drama? Eu adorei! Fico feliz por você está fazendo melhores escolhas.
ANNA olha para mãe, surpresa.
ANNA: Ele estava sendo julgado, e você acha que isso foi uma boa escolha?
KATHERINE: Você não vai mudar de idéia só por que eu o aprovo, vai?
ANNA rola os olhos.
ANNA: Mamãe, eu vou pro meu quarto agora.
KATHERINE: Mas, Anna!
CENA 11 – INT. CASA DOS GRAHAM – NOITE
LOU pega duas xícaras de café e vai até a sala, onde MATT está estudando. A mulher oferece a xícara ao sobrinho e ele aceita.
MATT: Valeu, tia.
LOU senta-se no sofá e olha para MATT, até o garoto se tocar que estava sendo observado.
MATT: O quê?
LOU: Você, em casa, sexta-feira à noite, e estudando. Aconteceu alguma coisa?
MATT: Sabe? Algumas pessoas dariam o céu para ter seus filhos dentro de casa estudando.
LOU: Eu não estou te reprovando, mas que é estranho é.
LOU se aproxima de MATT.
LOU: Onde estão os seus amigos? A Mel e o Sam?
MATT: Não sei. [Olha para os livros] Faz um tempo que eu não falo com eles.
LOU: E a Alexia? Não que eu esteja sentindo falta dela, mas eu não tenho visto muito ela por aqui.
MATT: A Alley está em casa.
LOU levanta a sobrancelhas, e olha para Matt.
LOU: Olha, Matt. Eu sei que eu não deveria me meter nisso, mas eu acho que você não deveria deixar sua amizade com a Anna interferir tanto na sua vida. Quer dizer, eu sei que você está encantado com ela, e tenho certeza que ela se tornou uma garota incrível, mas você passou muito tempo construindo o que você tem hoje; bons amigos, uma namorada que gosta de você, o futebol.
MATT: [Constrangido] Eu não… eu… eu não… [Respira] Você tem razão. É só que, eu sinto que eu tenho que recuperar todo esse tempo perdido e…
LOU: Matt, o que passou, passou. Você não precisa recuperar nada e sim viver o seu presente.
MATT olha para a tia sem palavras.
LOU: Principalmente quando a gente não sabe como vai ser o dia de amanhã.
LOU passa a mão na cabeça de MATT e levanta-se.
LOU: Eu vou dá uma volta. Se você for sair, deixa seu paradeiro anotado no bloco perto do telefone.
MATT sorri.
MATT: Tá bom, tia.
LOU pisca o olho esquerdo para o sobrinho e sai.
CENA 12 – INT. CASA DOS BACKER – QUARTO DE MELISSA – MANHÃ
[MÚSICA – BECAUSE YOU LIVE, JESSE MCCARTNEY]
MEL está deitada de bruços em sua cama, vendo TV. A garota pega o controle remoto e troca de canal algumas vezes.
MEL: Sábado de manhã, e não tem nada pra ver na TV? Qual a graça de ter TV a cabo?
Ela desliga a televisão e pega um telefone que estava jogado na cama. A garota encara o aparelho por alguns instantes e hesita. Ela respira fundo e disca um número. MEL parece um pouco ansiosa, ela tamborila com a mão livre na janela. Um som de celular tocando pode ser ouvido. MELISSA olha para os lados, e finalmente identifica de onde o som estava vindo. Ela caminha até a porta, mas alguém bate antes. Ela abre a porta com um sorriso no rosto.
MEL: Você?
MATT está olhando para seu celular.
MATT: Você está me ligando?
Mel: [Sem graça] E você está aqui. [Sorri]
MATT: Posso entrar?
MEL: [Entusiasmada] Claro! [Disfarçando o entusiasmo] Claro…
MATT senta-se na cama de MEL, e a garota o observa por alguns segundos antes de se juntar a ele.
MATT: Essa semana nós quase não nos falamos…
MEL: Você tem andando distante ultimamente. Não que eu esteja criticando, é que…
MATT: Não precisa se explicar Mel. Eu sei que eu tenho sido um péssimo amigo. Acho que seu pai nem lembrava mais do meu rosto.
MEL sorrir.
MATT: E você foi falar com a sua mãe e nem ao menos conversamos sobre isso essa semana.
MEL arregala os olhos e faz sinal de silencio para o amigo. Ela corre até a porta do seu quarto e a fecha.
MEL: [Nervosa] Meu pai não pode saber.
MATT: [Preocupado] Você ainda não contou para ele?
MEL: Você está louco? O velho morreria do coração. Você sabe que ele não agüenta nem falar da mamãe, se ele suspeitar que ela tem feito contato esses últimos anos, é capaz dele… sei lá o que ele é capaz, mas não é coisa boa. Aliás, é coisa péssima. Já vejo o sangue escorrendo nas mãos dos Bakers.
MATT: [Pensativo] Ou eles poderiam conversar e resolver a história dos dois de uma vez por todas.
MEL: Matt, você falando isso?
MATT: Tá certo. Não é fácil, mas também não é impossível. Veja eu e a Anna? Agora está tudo bem entre nós.
MEL: A Anna não deixou você com um bebê pra você criar sozinho, deixou? E depois voltou dizendo que tinha se arrependido, e quando você já estava feliz novamente ela foi embora e por muito tempo não deu noticias, deixando você imaginando o que poderia ter dado errado?
MATT encara MELISSA.
MATT: Eu só sei que se o meu pai me procurasse, eu não falaria com ele. Ele sacaneou com a minha mãe mesmo sabendo que ela estava doente.
MEL: Eu sei! Eu sei, Matt. Mas ela é a minha mãe. Apesar de tudo ela é a única mãe que eu tenho.
MATT: Eu sempre disse pra você que o que você fizesse eu estaria ao seu lado.
MEL sorri e abraça MATT. Ele retribui o abraço.
MATT: E como foi a conversa com ela?
MEL: No começo foi estranho. Acho que ela estava emocionada em me ver, até disse que eu estava bonita, mas quem estava bonita era ela. Não parecia com as fotos que meu pai tem dela. Ela me pareceu muito bem de vida, sabe? Disse que a empresa que ela trabalha ofereceu a oportunidade dela ir trabalhar na capital. E ela me convidou para passar o verão com ela. Eu não respondi ainda.
MATT: Ela falou com você esses dias?
MEL: Não. Ela voltou para Nova York, e disse que estaria em Oklahoma novamente em poucas semanas. Ela pegou meu número… [Olha para Matt um pouco constrangida] Eu estou me precipitando, não estou?
MATT: Você me parece muito confiante. Eu só não quero que você se machuque.
MEL fica pensativa.
MATT: Mas se for necessário se machuque. Olha, tem meu ombro aqui, que você pode usar sempre. [Sorri e levanta-se] E aí? Qual vai ser a boa pra hoje?
MEL: Eu estava pensando em ficar em casa e ver o tempo passar pela janela.
MATT: Interessante. Mas eu pensei em algo melhor. Que tal eu, você e o Sam…
MEL: Se você conseguir achar o Sam…
MATT: Agora que você mencionou, eu quase não o vi na escola essa semana.
MEL: [Irônica] Ele está todo misterioso, desde Oklahoma.
MATT: Você acha que…
MEL: Eu acho!
MATT: Safado! O cara não me conta uma coisa dessas? É contra a lei da amizade masculina!
MEL: Eu sei! E tem mais… ontem a Rebecca foi no Red’s, e o Sam estava conversando comigo, do nada ele resolveu sair, e a “Becky” foi atrás dele! Foi muito estranho. Ela disfarçou, mas você sabe como eu sinto essas coisas? Eu tenho certeza que os dois estão escondendo algo.
MATT: Não sei não. Se algo tivesse acontecido entre eles a Alexia teria me falado.
MEL: E se a Alexia não souber? E se a Rebecca estiver obrigando o Sam a manter segredo? Provavelmente ela não vai querer ser vista com o Sam!!! Vadia safada…
[Música fade out]
MATT ri. MEL olha para MATT.
MEL: Senti sua falta.
MATT faz de conta que não acredita e empurra MELISSA devagar.
CENA 13 – EXT. LOCAL INDEFINIDO – MANHÃ
[MÚSICA – HEAD OVER FEET, ALANIS MORISSETTE]
REBECCA e SAM caminham lentamente em um local que parece ser um parque. As poucas folhas que restavam na imensidão de arvores do lugar estavam secas e muitas delas caiam quando o vento soprava. Os dois param em frente à um lago onde algumas crianças brincavam por perto. BECKY esfrega uma mão na outra. A garota parece estar com frio.
SAM: Pegue. [Entrega o casaco que ele estava usando]
BECKY sorri e coloca o casaco.
BECKY: Obrigada, não precisava.
SAM: Eu não posso deixar uma dama com frio.
Ela dá uma pequena risada e cobre a boca com a mão.
SAM: Isso soou um pouco ultrapassado, não foi?
BECKY: Você não existe.
REBECCA segura na mão do SAM, ele ainda parece um pouco desconfortável. Com a outra mão, a garota tira os óculos escuros e o coloca na cabeça. Eles caminham em direção a uma pequena ponte que cruza o rio.
BECKY: Você não está falando muito hoje.
SAM: Eu?
BECKY: Sim, você. Eu fiz algo de errado?
SAM: Não, Becky. Claro que não. É só que eu ainda estou processando as coisas. Tudo aconteceu tão rápido. Eu só não acredito que estou aqui com você. [Resmunga] Falando essas coisas de mulher, Sam! Toma jeito. [Limpa a garganta] Você entende?
BECKY: Não tem nada para não acreditar. Eu falei pra você que eu ia provar que eu não sou uma desalmada. Eu ligo para o que você sente por mim.
SAM: Mas você não sente o mesmo, certo?
BECKY fica em silêncio.
SAM: Pelo menos você é sincera.
Os dois estão no meio da ponte. BECKY se põe na frente de SAM e segura o rosto dele, para que ele olhe para ela.
BECKY: A cada dia que passa você me surpreende de um jeito que eu jamais pensei que alguém seria capaz.
SAM levanta uma sobrancelha.
SAM: Você é uma das garotas mais populares da escola. Aposto que tem centenas de caras como eu querendo surpreender você.
BECKY: Os garotos me vêem como um objeto de desejo, nada mais. Eu quero conhecer você melhor, Sam.
SAM: [Sorrindo] Uau, você não imagina o efeito que essa frase tem em mim.
BECKY: É mesmo? Então eu não posso imaginar o efeito que isso tem em você.
BECKY o beija.
[Música fade out]
CENA 14 – EXT. CASA DOS DANES – VARANDA – TARDE
PHILL desliga o celular.
PHILL: Meu pai já falou com a Sra. Albright. Segunda-feira você já poderá assistir aos treinos.
SCOTT: Você vai contar para alguém o que a gente viu semana passada?
PHILL: Ele e a tia do gordo? Não. Claro que não. Até eu ter provas de que está rolando alguma coisa. [Ri] Eu estou concentrado agora na Anna, no Matt e na Alexia.
SCOTT: Na Alexia?
PHILL: Ela é a peça principal do meu jogo.
PHILLIP olha para o lado e vê o primo lavando a sua moto no jardim.
SCOTT: Você ainda não me disse o que pretende fazer.
PHILL: Você acha que eu sou uma espécie de vilão de quadrinhos? Que revela todo o plano antes de executá-lo? [Ri] Eu já disse pra você o que eu vou fazer.
SCOTT: Mais ou menos.
PHILL: É tudo que você precisa saber.
A conversa dos dois é interrompida pelo barulho de um carro, que é estacionado na frente da casa dos Danes. É o carro de MATT. PHILL sorrir discretamente.
PHILL: [Levantando-se] É hora de agir.
CENA 15 – EXT. CASA DOS DANES – TARDE
SCOTT e PHILL caminham na direção do carro. MATT sai do veículo com uma cesta de piquenique nas mãos.
PHILL: Oi, chapeuzinho vermelho.
SCOTT ri. MATT não dá atenção e continua a andar.
PHILL: Se você veio procurar a Alexia, acho melhor voltar outra hora. Ela saiu ontem à noite com o nosso primo, e eles chegaram só pela manhã.
MATT olha meio de lado.
MATT: Obrigado pela informação, Phillip. Mas eu falei com a Alley no telefone, e avisei que estava vindo para cá.
PHILL: É melhor você ter aspirina nessa sua cesta.
PHILL e SCOTT riem. Os dois observam. MATT olha para JORDAN antes de tocar na campanhia. ALEXIA abre a porta sonolenta. Ela cobre os olhos com as mãos e faz uma careta por causa da luz. Os dois entram na casa.
CENA 16 – INT. CASA DOS DANES – SALA
ALEXIA: Você estava tão misterioso no telefone. O que foi?
MATT: [Mostra a cesta] Eu vim compensar você por ontem. [Sério] Então aquele lá com a moto que é seu primo?
ALEXIA: É o Jordan. [Olha para a cesta] Onde vamos com isso?
MATT: Vamos ao Parque Mohawk. [Encara Alexia] Você saiu com ele ontem?
ALEXIA: [Ri nervosa] Eu? De onde você tirou isso? Claro que não.
MATT: [Pensativo] Está certo. Vamos?
ALEXIA: Só um segundo que eu vou pegar algumas coisas. Você sabe? Repelente, óculos escuros…
MATT: Alley, são 3 da tarde. E o Mohawk não fica no meio da selva.
CENA 17 – EXT. CASA DOS DANES
PHILL e SCOTT se aproximam de JORDAN. O rapaz acaba de lavar a moto e olha com curiosidade para os dois.
JORDAN: Se vão ficar ai me olhando eu vou começar a cobrar ingresso.
PHILL se prepara para revidar quando ALEXIA e MATT saem de casa. Os dois nem ao menos olham para os meninos no jardim. JORDAN observa o casal entrar no carro.
JORDAN: Então esse que é o namorado?
PHILL: E isso ai!
JORDAN: Ela merece mais que “isso”.
SCOTT dá uma cotovelada em PHILL.
SCOTT: A gente também achamos.
PHILL: “Acha”, animal.
PHILL da uma tapa na cabeça do seu amigo
PHILL: É, o Matt é um frangote metido, mas é o que ela gosta.
JORDAN ri.
PHILL: [Olha para Jordan] Eles são inseparáveis.
JORDAN: Ah, é?
PHILL: Acredite em mim. Eu já tentei dar um basta nessa piração da Alexia, mas ela não me ouve.
JORDAN se aproxima de PHILL e segura na camiseta do primo, o trazendo para perto.
JORDAN: Você acha que eu sou imbecil? Eu não vou cair na sua.
PHILL: [Sufocado] Eu não sei do que você está falando.
JORDAN: Você quer me usar pra eu separar os dois. O que eu ganho com isso?
PHILL fica em silêncio.
PHILL: Eu não acho que você conseguiria. A Alexia jamais cairia na sua.
JORDAN solta PHILLIP no chão.
JORDAN: Isso é o que vamos ver.
CENA 18 – EXT. PARQUE MOHAWK – TARDE
BECKY: [Olha para o relógio] Eu tenho que ir agora.
SAM fica triste.
BECKY: Vamos ao haras comigo?
SAM: [Disfarçando] Eu acho melhor não. Eu tenho algumas coisas para fazer hoje.
CENA 19 – MESMO LOCAL
ALEXIA observa MATT ajeitar a toalha no chão. Ela pega a cesta e coloca em cima da toalha xadrez e senta-se. A garota ajeita os óculos escuros no rosto e contempla a paisagem. MATT parece distraído.
ALEXIA: Você nunca me trouxe aqui antes. [Olha para Matt] Matt?
MATT se senta ao lado da namorada. Ela o abraça e coloca a cabeça em seu peito. Com uma das mãos, ALEXIA mexe na cesta de piquenique e tira alguns morangos frescos.
ALEXIA: Você lembrou. Eu amo morangos. [Olha para cima e o beija] Obrigada.
MATT: Você tem passado muito tempo com aquele seu primo.
ALEXIA: [Rindo] Tá com ciúmes? E você reclama quando eu falo da [Voz fina] Anna. [Ri]
MATT: É diferente. Você implica com ela.
ALEXIA: Bom [Fica de frente por Matt], eu não quero falar dela.
Ela se aproxima do MATT, como fosse beijá-lo, mas ela para, surpresa, com a boca aberta.
ALEXIA: [Aponta sussurrando] A Becky e o Sam! Ai meu Deus! [Risada] Ela me jurou que não tinha acontecido nada!
MATT: Nem o Sam me contou.
ALEXIA: Eles estão ficando ou namorando? É melhor não falarmos nada. Vamos ver até onde eles levam isso.
MATT ri.
MATT: Na escola, mais cedo ou mais tarde, alguém vai descobrir.
CENA 20 – INT. ESCOLA WILL ROGERS – MANHÃ
[MÚSICA – LOVE WILL KEEP US TOGETHER, VITAMIM C]
ALEXIA e BECKY conversam em uma ponta do corredor. MATT e SAM caminham em direção das garotas. ALEXIA sorri para MATT e o abraça. Os dois se beijam. SAM e BECKY disfarçam, mas mesmo assim sorriem um para o outro. MELISSA e ANNA assistem a cena de longe.
MEL: Fofoca?
ANNA: Manda!
MEL: A princesa e o plebeu. Versão Will Rogers. [Aponta para Becky e Sam]
ANNA: Jura?
MEL: Mas é segredo. Eles não sabem que nós sabemos.
ANNA ri. PHILLIP se aproxima da ANNA com uma flor amarela. MELISSA olha surpresa.
PHILL: [Entrega a flor] Pra você.
ANNA: Obrigado. E linda.
ANNA cheira a flor. MELISSA encara PHILLIP. MATT observa de longe. ALEXIA bate nele.
MATT: [Assustado] O que foi que eu fiz?
ALEXIA: Safado. Fica olhando para ela na minha frente. Tá com ciúmes dela e do Phillip?
MATT: Claro que não, Alley. Eu só estou achando estranho esse comportamento do seu irmão. E “Anna e Phill”? Impossível.
ALEXIA: Ah! É? [Cara de nojo] Que seja.
MATT: [Sério] Alley. A Anna é uma das minhas melhores amigas. Eu preciso que você pare de dar escândalo por causa disso.
ALEXIA: Por que você precisa ter tantas “melhores amigas”?
MATT: Você deveria conhecer melhor a Anna. Talvez vocês pudessem ser amigas. Por favor, Alley. É importante para mim.
ALEXIA: [Suspira] Tá bom! Mas não me peça para fazer tranças nela.
MATT sorri.
ALEXIA: Eu vou chamar ela para almoçar na minha mesa hoje, ok?
MATT: Obrigado.
Os dois se beijam.
SAM: Ok. Eu já vou indo. [Desconfiado]
BECKY: Eh…Eu também vou indo. Beijinhos.
MATT e ALEXIA olham para os dois com cara suspeitos.
SCOTT chama PHILLIP de longe.
PHILL: Anna. Eu tenho que ir. A gente se vê.
ANNA: Tá certo. Mas uma vez, obrigado.
PHILL vai em direção ao SCOTT.
PHILL: O que foi? Num tá vendo que eu tô conversando com a Anna.
SCOTT: Desculpa cara! Eu só estou nervoso. Você tem certeza que vai dar certo? Eu vou voltar pro time?
PHILL: Eu num disse que vai dar certo! O seu amigo aqui é o cara. Fica tranquilo! Ok.
SCOTT parece apreensivo.
[Música fade out]
CENA 21 – MESMO LOCAL – SALA DA DIRETORA – MAIS TARDE
SRA. ALBRIGHT: Carter! Ele fica, e não falamos mais nisso.
CARTER: Ele não tem condições. É melhor para ele arranjar outra atividade para fazer.
SRA. ALBRIGHT: Infelizmente não é você quem decide isso. O garoto fica no time e ponto final.
JAMES não parece muito satisfeito com o que acabara de ouvir.
CARTER: Espero que você saiba o que está fazendo.
Os dois se olham por um instante e JAMES levanta-se.
CARTER: Tenha um bom dia, Albright
CENA 22 – MESMO LOCAL – CORREDOR
SCOTT e PHILLIP se escondem ao ver JAMES CARTER saindo da sala da diretora. Os dois vibram ao ver a cara do treinador.
PHILL: Olha só a cara dele. Hilário.
Os dois riem e se misturam entre os alunos que estão saindo das salas de aula. PHILL vê a irmã beijando o MATT. Ele observa de longe os dois se despedindo. ALEXIA entra no refeitório.
CENA 23 – MESMO LOCAL – REFEITÓRIO
ALEXIA olha por cima à procura de alguém. Ela anda até a fila onde os alunos recebem a comida. ANNA está com uma bandeja na mão. A garota disfarça ao ver a líder de torcida vindo em sua direção. ALEXIA se põe ao lado da garota e fala em um tom de voz quase inaudível.
ALEXIA: Senta comigo hoje?
ANNA: O quê?
ALEXIA: Você gostaria de sentar comigo hoje?
ANNA olha para a loira, espantada, e depois olha para a bandeja.
ALEXIA: Pelo Matt.
PHILL ainda observa a irmã de longe.
ANNA: Ok.
As duas sentam-se em uma mesa no canto do refeitório. ALEXIA prende o cabelo e olha para ANNA.
ANNA: Então…
ALEXIA: Então… você e o meu irmão, han?
ANNA: Eu e o Phillip? O que tem?
ALEXIA: Eu vi o modo que ele trata você. Ele geralmente não trata ninguém assim, é um completo sacana com as mulheres. [Observa a reação da Anna] Ah! Desculpa… eu não quis dizer isso.
ANNA sorri.
ALEXIA: Você não quer nada com o Matt, não é?
ANNA: [Sorri] Ele é um grande amigo.
ALEXIA sorri aliviada.
ALEXIA: O Matt pediu para que eu te conhecesse melhor. Para que virássemos amigas e o drama todo acabasse.
ALEXIA olha para os lados.
ALEXIA: Eu vou comprar uma água com gás, só um instante.
ANNA: Eu espero.
[CORTA]
PHILL se aproxima da irmã, que estava parada em frente á uma máquina de refrescos. ALEXIA tenta tirar a água da máquina, mas não consegue. PHILL dá uma pancada e a água cai e entrega para a irmã.
PHILL: Que novidade mais encantadora. Você e a Anna juntas?
ALEXIA: E o que você tem haver com isso?
PHILL: Eu? Nada. Só achei que você iria gostar de saber que a sua nova amiguinha e o Matt estavam no maior clima no drive in semana passada. No dia que você foi ao show em Oklahoma.
ALEXIA ri.
ALEXIA: O Matt não foi ao drive in. Ele estava ocupado naquele dia. Duh.
PHILL: [Ri] Você tem certeza?
Alexia olha pra o PHILL e parece furiosa.
[CORTA]
ALEXIA anda até a mesa que em que estava. ANNA olha para a líder de torcida.
ANNA: Você quer pêra? Eu não suporto.
ALEXIA encara ANNA e joga água na cara dela. A morena fica boquiaberta olhando para sua roupa molhada.
ANNA: [levanta-se] Você tá louca?
ALEXIA: Sua falsa! Você acha que vai se dá bem nisso?
ANNA: Do que você está falando?
ALEXIA: O Matthew é meu namorado, você não vai roubar ele de mim. Se você acha que ele vai se impressionar com esse seu teatrinho de Maria Madalena arrependida? [Ri] Eu não vou deixar ele cair na sua.
Todos os alunos que estão no refeitório param por causa da confusão. ALEXIA avança pra cima da ANNA, mas alguém à segura. ALEXIA olha para trás.
MATT: Você não vai fazer isso.
ELENCO
Jonathan Bennett como Matthew Graham
Natalie Portman como Anna Mackenzie
Mena Suvari como Rebecca Sawyer
Lindsay Lohan como Melissa Baker
Austin O´Brian como Scott Sawyer
Joseph Gordon-Levitt como Samuel Wood
Kate Bosworth como Alexia Danes
Brad Renfro como Phillip Danes
Marisa Tomei como Lou Graham
ATORES CONVIDADOS
Alley Walker como Christina Albright
John Wesley Shipp como James Carter
Travis Fimmel como Jordan
Paula Cale como Katherine Mackenzie
MÚSICA TEMA
Promises, Lillix
TRILHA SONORA
Fly, Hilarry Duff
Are You Gonna Be My Girl, Jet
Head Over Feet, Alanis Morissette
Because you Live, Jesse McCartney
Love Will Keep Us Together, Vitamin C
ESCRITO POR
Clara Lima
Sarah Lima
DIRIGIDO POR
Clara Lima
CRIADO POR
Clara Lima
Sarah Lima
Série Virtual – Outsiders – Disclosure
21/12/2011, 19:41.
Redação TeleSéries
Ficção (séries virtuais)
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Série: Outsiders
Episódio: Disclosure
Temporada: 1ª
Número do Episódio: 1×09
CENA 1 – RANCHO JONES – DIA
ZACK está ao telefone. Ele tem uma expressão entediada no rosto. Do outro lado podemos ouvir a voz de SARAH.
SARAH: [Voice over] E por favor, cheque novamente os Montoya. Eles não reportaram de volta na checagem desse mês.
ZACK: [entediado] Ok, Sarah.
SARAH: [Voice over] E certifique-se que Ehlios não coma apenas batatas enquanto eu estiver fora.
ZACK: Ok…
SARAH: [Voice over] E não esqueça de desligar o gás–
ZACK: Sarah, pela última vez, nós estamos bem. Quatro braços, quatro pernas e nenhum piercing. Apenas concentre-se em achar a mulher. Nós nos viramos aqui.
Ouvimos um suspiro do outro lado do telefone.
SARAH: [Voice over] [preocupada] Só… só toma cuidado, ok? Estarei em casa o mais rápido possível. E ligue pro Kenny se precisar de alguma coisa. Qualquer coisa!
ZACK: [entediado] Ok, Sarah.
SARAH: [Voice over] Tá bom, tá bom. Agora vou parar de ser a avó chata e voltar para a tia Sarah legal. Então… já tomou alguma atitude com relação à Cathleen?
ZACK arregala os olhos assustado.
ZACK: O quê?! [gaguejando] Do que você… Como você–
Ouvimos Sarah rindo do outro lado da linha.
SARAH: [Voice over] Ehlios me contou algumas coisas. Ele tá bem frustrado com você ultimamente. Mas não se preocupe, eu não te torturarei. Pelo menos não agora que não posso ver se rosto de desespero.
A mulher ri um pouco mais e ZACK rola os olhos.
SARAH: [Voice over] Te vejo em no máximo uma semana. Te amo.
ZACK: Te amo também.
ZACK desliga o telefone.
[MÚSICA TEMA – LATE GREAT PLANET EARTH, PLUMB]
CENA 2 – SALA DESCONHECIDA – DIA
[MÚSICA DE FUNDO – SUSPENDED, MATT NATHANSON]
A câmera desliza por alguns instrumentos de sopro e percussão, numa ampla sala com pouca iluminação. Ela continua seu lento caminho para a direita até vermos JOEY e KENNEDY sentados no chão, em um dos cantos da sala. Eles se beijam por alguns momentos até que a garota se afasta um pouco com um sorriso.
KENNEDY: Ainda quer voltar pra aula?
JOEY sorri puxando a garota de volta e a beija brevemente.
JOEY: Faz só uma semana e você já tá me desviando pro mau caminho.
KENNEDY: Ah, tá, então nessa história eu sou a manipuladora e você é o coitadinho?
JOEY: [sorri] Mas é claro.
KENNEDy dá um tapa no braço do garoto. Ele ri e a puxa. KENNEDY se ajeita, sentando e reclinando-se no garoto. Ele passa os braços ao redor dela.
JOEY: E o quê você vai dizer aos seus pais no jantar de hoje quando te perguntarem o que aprendeu na escola?
KENNEDY: Direi que aprendi o caminho para a sala de ensaios da banda onde fiquei durante dois períodos dando uns amassos num garoto irritante que ainda me culpa por estar perdendo as aulas de química. [sorriso forçado] Eles ficarão tão orgulhosos.
JOEY: É uma ótima forma de acabar com todos os pratos da sua casa.
KENNEDY: [pouco caso] Nah, não é como se eles realmente fossem escutar o que eu estou dizendo. Na verdade eu acho que só sua suposição de que eles perguntarão alguma coisa já é pedir muito.
JOEY parece sem graça.
JOEY: Kennedy, eu–
A garota sorri.
KENNEDY: Hey, não seja tão sensível. Eu estou bem. [dá de ombros] Esse jantar é só uma formalidade. Uma forma de eles dizerem que entre as viagens ainda lembram que possuem uma filha. Eu finjo gratidão, dou os parabéns pelo grande negócio fechado e se Deus permitir tudo estará acabado antes que eu perceba.
JOEY: Sabe, você podia tentar conversar de verdade com eles pra variar. Talvez pudesse resultar em algo bom.
KENNEDY: As coisas já estão boas do jeito que estão. E quer saber? Tudo que fazemos é falar sobre mim. Tá na hora de você começar a aceitar os holofotes também, Campiti. Me diz algo sobre a sua vida.
JOEY se remexe, desconfortável e KENNEDY vira-se novamente para encará-lo.
JOEY: [limpa a garganta] Eu? Hum… minha vida não é tão interessante.
CENA 3 – INT. LOCAL DESCONHECIDO – NOITE
Um pulso vem na direção da câmera, encobrindo-a totalmente. Ouvimos o barulho de um soco e a câmera mostra um soldado caindo desmaiado. Corta para o agressor que está vestido de preto e possui um capuz também negro sobre o rosto. JOEY retira o capuz num puxão e enxuga um pouco do suor da testa. Ele olha em volta e vemos que está num pequeno espaço circular onde há um grande holofote. O garoto se aproxima do parapeito e a câmera subjetiva mostra uma base onde poucos guardas transitam da parte de baixo. JOEY olha para os lados até localizar alguém vestido de preto lutando com um dos soldados em um dos cantos escuros ao pé da torre em que estava. O garoto então vai até o holofote e o arrasta, focando-o no interior da base.
JOEY: Já tenho sua cobertura, Alfa 1.
Vemos pela visão de JOEY um soldado se aproximando perigosamente da penumbra onde CATHLEEN nocauteia um dos guardas. JOEY toma posse do holofote e foca o soldado que se aproxima. O homem para e leva as mãos aos olhos imediatamente, protegendo-os da luminosidade. A câmera mostra CATHLEEN agora arrastando o soldado com quem lutava para a escuridão total e JOEY tira o holofote do segundo soldado, passando a passear com ele calmamente. O local onde CATHLEEN está agora fica ainda mais escuro.
JOEY: [Voice over] Temos um se aproximando às sete horas.
CATHLEEN encosta-se contra a parede, escondendo-se, e ao fundo vemos o soldado passar, apertando os olhos. Quando ele distancia-se ela abaixa e vemos alguns soldados inconscientes empilhados no canto. CATHLEEN começa a revistá-los.
CATHLEEN: Peguei o cartão.
CATHLEEN guarda o cartão em um dos seus bolsos e começa a despir um dos soldados.
JOEY: [Voice over] Só falta esse último nessa área. Prepare-se para entrar.
CATHLEEN: Algum sinal de nossos amigos?
JOEY olha para todos os lados e vemos a cabeça de ZACK emergir sobre um dos muros externos. A CAM move-se rapidamente e vemos, embaixo do muro, o mesmo soldado aproximar-se do local onde ele começa infiltrar a base.
JOEY: Acabei de vê-los. Mova-se mais rápido!
JOEY limpa a garganta e grita.
JOEY: [voz grossa] Hey, soldado!
O guarda vira-se, olhando para o topo da torre. Nesse momento JOEY coloca novamente a jato de luz nos olhos dele. O homem cobre os olhos e tão rápido quanto o jato de luz veio, JOEY o tira de cima do guarda. Com a diferença súbita de luminosidade o soldado cambaleia, parecendo um pouco tonto. Pela visão de JOEY vemos ZACK, EHLIOS e SARAH agora entrando com segurança na base.
SOLDADO: [irritado] Qual diabos é o seu problema, soldado?!
Ele aperta os olhos e os abre novamente. Por uma fração de segundo vemos o vulto negro e embaçado de CATHLEEN na visão do homem. A tela fica negra novamente com o soco e o último soldado vai ao chão. CATHLEEN olha rapidamente para os três invasores que se afastam correndo e passa a arrastar o soldado.
CATHLEEN: Então agora vamos ajudá-los?
JOEY: [Voice over] Eu não sei o que passava na sua cabeça quando aceitou esse desafio idiota, mas não dá pra deixar eles serem pegos por um descuido.
CATHLEEN: [rola os olhos] Você é tão bonzinho que me irrita. [irônica] Talvez se você pedir por favor pros gentis militares que estão lá dentro eles nos dêem os desenhos sem esforço.
JOEY: [Voice over] Dá pra você se concentrar? Nós temos três desenhos pra recuperar.
A garota joga o soldado de qualquer jeito sobre os outros. Ela ajeita algumas roupas dos soldados que estão dobradas em um canto e coloca o cartão de acesso entre elas.
CATHLEEN: Joseph Campiti. Só trabalho, nada de diversão. Sabe, você deveria arranjar uma namorada. Rápido!
CENA 4 – INT. NARANDA HIGH – DIA
[MÚSICA DE FUNDO – SOONER OR LATER, MICHAEL TOLCHER]
A câmera mostra KENNEDY e vemos CATHLEEN ao lado dela. A garota fala mas KENNEDY não parece ouvi-la.
CATHLEEN: Kay? Kay!
KENNEDY sai do transe.
KENNEDY: [olhando pros lados] Humm…
CATHLEEN: Hello? Estamos falando do Joey aqui.
KENNEDY: [rapidamente] Joey– E-eu não gosto do Joey.
CATHLEEN franze o cenho.
CATHLEEN: [confusa] Ow-kay.
Sob o olhar confuso de CATHLEEN, KENNEDY abre seu armário e deixa boa parte de seu rosto lá dentro, evitando contato visual com a amiga. CATHLEEN balança a cabeça como se afastasse o assunto.
CATHLEEN: Então… eu tava pensando… talvez a gente possa fazer alguma coisa hoje a noite. Sei lá. Alugar uns filmes, pedir uma pizza. Ele fica quietinho como sempre e você nem vai perceber que ele tá lá.
KENNEDY nota JOEY passando atrás dela. O garoto abre um pequeno sorriso então ela vira o rosto rapidamente para seu armário e começa a ajeitar alguns livros. JOEY coça a cabeça rindo e se afasta.
CATHLEEN: As oito lá em casa tá bom?
KENNEDY fecha o armário.
KENNEDY: [hesitante] Na sua casa?
CATHLEEN: [enfática] Sim, na minha casa. Geez, onde você está com a cabeça? Você sabe que não posso sair durante a semana, mas Julia não vai ficar brava se você passar uma noite lá em casa.
KENNEDY: [arregala os olhos] Passar a noite?
CATHLEEN: [estranhando] Tem alguma coisa de extraordinária nisso?
KENNEDY: [nervosa] Não– não… é que… hum… essa noite não dá. Eu tenho que– Meus pais! Sim, meus pais estão chegando de Frankfurt e eu queria jantar com eles.
KENNEDY se afasta olhando pro chão, nervosa, enquanto CATHLEEN levanta uma das sobrancelhas. Ela corre até a amiga.
CATHLEEN: Espera, espera, espera.
KENNEDY aperta os olhos, respira fundo e vira novamente para encarar CATHLEEN.
CATHLEEN: Tem certeza de que estamos bem, Kay? Eu e você?
KENNEDY: Sim, Cathy. Pela última vez, está tudo bem entre nós. Aquilo foi um… lapso de sanidade. Um lapso que faz total sentido…
CATHLEEN a olha, sem graça.
KENNEDY: … mas estamos bem agora. Seja lá o que você tenha para esconder, só quero que saiba que pode confiar em mim.
CATHLEEN: Kennedy, eu–
KENNEDY: E por mais que eu adore ver você fazendo de tudo pra me agradar, nós já passamos dessa fase. É só que… [hesitante] eu tenho esse jantar hoje à noite. Não dá pra dormir na sua casa.
CATHLEEN: Há menos de uma semana atrás você estava reclamando que eu estava distante e agora você tá arranjando desculpa pra não ir lá em casa. [incrédula] Vamos, você tá dizendo que quer jantar com os seus pais. Você acha mesmo que eu vou acreditar nessa?
KENNEDY: Olha, eu já falei que essa noite não dá, tá bom?
E com isso ela se afasta deixando CATHLEEN com uma expressão confusa no rosto.
CENA 5 – EXT. BASE – NOITE
EHLIOS segura o soldado que estava deitado pelo colarinho. SARAH ajoelha-se do lado dos dois
SARAH: Ehlios, eu te disse pra não deixa-lo inconsciente. Fica mais difícil pra ler alguma coisa com ele desacordado.
A câmera mostra ZACK que parece se concentrava a área.
EHLIOS: O que você queria que eu fizesse? Pedisse com jeitinho para que ele deixasse a gente tirar algumas informações confidenciais do cérebro dele?
ZACK abre os olhos e vira-se para SARAH.
ZACK: Okay, tudo limpo.
SARAH se concentra e depois de alguns momentos ela abre os olhos.
SARAH: Eu disse. Os desenhos não estão mais no laboratório de criptografia. Eles o levaram pro cofre!
EHLIOS: Você tem o número?
SARAH: Não. Esse não sabe de mais nada.
ZACK: [off] Ah, droga.
SARAH e EHLIOS viram-se para ZACK. O garoto aponta para algo atrás dos dois. A câmera mostra uma pequena câmera de vigilância.
CENA 6 – INT. BASE – NOITE
Em um pequeno monitor em tons de azul vemos SARAH passando a mão algumas vezes na frente da câmera. A câmera se afasta e vemos CATHLEEN sentada na frente de vários monitores de vigilância. A garota tem uma caixa de donuts no seu colo e está com os pés estirados sobre a mesa de controles da sala. Atrás dela vemos dois soldados nocauteados. Ela sorri e morde um donut.
CATHLEEN: Tsc tsc tsc… tão amadores.
CENA 7 – EXT. BASE – NOITE
SARAH passa a mão na frente da câmera mais duas vezes e vira-se para os garotos.
SARAH: Bem, acho que já teríamos sido pegos há algum tempo se isso estivesse funcionando.
EHLIOS se aproxima da câmera e faz sua mão atravessar o aparelho. Algumas fagulhas saem dele e uma fumaça sobe.
EHLIOS: [dá de ombros] Só por via das dúvidas.
SARAH: Vamos logo.
Os três correm.
CENA 8 – SALA DE AULA – DIA
JOEY entra na sala de aula onde alguns alunos já tomam seus lugares. Ele olha em volta e vemos EHLIOS sentando em uma das cadeiras escolares. JOEY se aproxima e senta do lado do garoto.
JOEY: Hey, cara.
EHLIOS: Hey.
JOEY: [tom baixo] Posso falar com você por um instante?
EHLIOS: Se for sobre o que eu vi…
JOEY: Exatamente.
EHLIOS: Eu não vou falar nada.
JOEY: [sorri] Obrigado, cara.
JOEY vira-se para frente e os dois ficam em silêncio, dando a entender que a conversa terminou. EHLIOS sorri sarcasticamente e balança a cabeça em negativa.
EHLIOS: [tom baixo] Ela te disse pra vir aqui e perguntar, não?
JOEY olha para EHLIOS e vira-se para ele novamente.
JOEY: É que… nós vamos levar as coisas com calma. Por agora é melhor se ninguém souber.
EHLIOS sorri e balança a cabeça novamente.
JOEY: O quê?
EHLIOS: [dá de ombros] Nada. É só que quando eu pensei que você estava fazendo algo por você mesmo, agora te vejo preso não só à Cathleen como também à Kennedy. É irônico. Só isso.
JOEY parece indignado
JOEY: [tom baixo] Eu não estou preso a ninguém! Nós só… nós estamos começando, seja lá o que temos agora.
EHLIOS: E ela não quer ser vista com você por outras pessoas.
JOEY pondera por algum momento, mas logo discorda com a cabeça.
JOEY: Não é desse jeito.
EHLIOS rola os olhos e joga a cabeça pra trás.
EHLIOS: Santo Deus, todos os homens da nossa espécie estão ficando dementes. Eu quero um pouco desse vírus logo pra não ter que estar consciente na destruição de vocês.
JOEY: Você só diz isso porque não tem ninguém pra você.
EHLIOS fica em silêncio por um momento com as palavras de JOEY.
EHLIOS: Você simplesmente não entende. Quando se trata de pessoas como nós, é cada um por si.
CENA 9 – INT. BASE – NOITE
Shot de uma porta branca. Uma mão a abre e vemos os monitores de vigilância uma poltrona de costas para a câmera. A poltrona vira-se e vemos CATHLEEN com um grande sorriso e uma caixa de donuts na mão. A câmera mostra EHLIOS, ZACK e SARAH olhando para a garota.
CATHLEEN: [melódica] He-llo.
EHLIOS parece não acreditar no que vê.
EHLIOS: Então nós trabalhamos e você come?
CATHLEEN: Consigo fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Meu combo especial do momento e comer donuts, ajudar vocês a entrarem na base, ajudar vocês a andarem pela base e chutar seu traseiro. [sorri] Tudo ao mesmo tempo. Não é divertido?
EHLIOS sorri sarcasticamente de volta
EHLIOS: Oh, você não faz idéia.
EHLIOS começa a fechar a porta e CATHLEEN arregala os olhos. Ela joga a caixa de donuts de lado e corre pra porta, agarrando o braço de EHLIOS quando ele está para fecha-la. Uma visão aparece em sua mente.
SARAH abre os olhos.
SARAH: Eu disse. Os desenhos não estão mais no laboratório de criptografia. Eles o levaram pro cofre!
A visão termina. EHLIOS torna sua mão intangível e os dedos de CATHLEEN passam através dela. Ele fecha a porta rapidamente e sua mão fica vermelha sobre a fechadura.
EHLIOS: Agora sim a diversão vai começar.
SARAH: As coisas seriam tão mais fáceis se vocês levassem nossas missões a sério.
Os três passam a correr pelo corredor.
CENA 10 – INT. BASE – NOITE
CATHLEEN força a maçaneta do lado de dentro da sala, mas a porta não cede. Ela aperta o ponto na sua orelha.
CATHLEEN: Alpha 2, mudança de planos, os desenhos estão no cofre.
CORTA PARA:
JOEY dentro de um tubo de ventilação.
JOEY: O quê?! Isso é do outro lado da base!
CATHLEEN: [impaciente] Então é melhor você se apressar, não? Ah… e a propósito…
Volta a forçar a maçaneta descontroladamente.
CATHLEEN: Eu tô presa!
CENA 11 – INT. THE ALLEY – DIA
CATHLEEN e KENNEDY se sentam em uma das mesas da lanchonete.
KENNEDY: Você não deveria ir se arrumar ou algo do tipo?
CATHLEEN: Pra quê a pressa? Meu experiente só começa em 15 minutos.
ZACK passa por elas, mas apenas olha para CATHLEEN. A garota pega um canudo e começa a brincar com ele. KENNEDY se reclina sobre a mesa.
KENNEDY: [sussurra] O que aconteceu entre vocês dois?
CATHLEEN: Dois quem?
KENNEDY faz uma cara de tédio.
KENNEDY: Você e Jared Leto, porque vocês foram feitos um pro outro.
CATHLEEN: [sorriso forçado] Você também acha?
KENNEDY lança um olhar para CATHLEEN e a garota passa a mão nos cabelos. Ela pensa por alguns segundo até que sua expressão fica um pouco triste.
CATHLEEN: Não é pra acontecer.
KENNEDY: Bem, a princípio devo admitir que essa sua atitude Cordelia Chase me preocupou um pouco, mas depois de acostumar com a idéia…
CATHLEEN se encosta na poltrona.
CATHLEEN: Nem começa, Kay.
KENNEDY: O quê? Vocês dois formam um casal bonitinho.
CATHLEEN: Eu não sei aonde estava com a cabeça quando considerei alguma coisa com ele. E agora eu me sinto mal porque só tratando-o assim eu vou conseguir sair dessa situação. Eu nunca quis deixar ele mal nem nada, foi só que… eu só percebi depois. [respira fundo] Nós simplesmente… não combinamos.
KENNEDY: Você já tentou? Quero dizer… [sugestiva] às vezes você pode se surpreender com alguém que nunca achou que fosse possível.
CATHLEEN franze o cenho e analisa a amiga por alguns momentos.
CATHLEEN: O que isso quer dizer?
KENNEDY se mexe no mesmo lugar.
KENNEDY: Nada, só estou dizendo que às vezes vale a pena dar uma chance à alguém improvável.
CATHLEEN: [desconfiada] Como quem?
KENNEDY: Ninguém! Meu Deus, estamos falando de você aqui.
CATHLEEN: Tem certeza? Porque eu podia jurar que estávamos falando de você e do Sr. Improvável.
KENNEDY parece nervosa.
KENNEDY: [rapidamente] Bem, não estamos. [levanta] E eu… eu tenho que ir.
A garota vai se afastando e CATHLEEN ri.
CATHLEEN: Volta depois do expediente. Eu sei que você vai fugir desse jantar!
CENA 12 – INT. BASE – NOITE
SARAH, EHLIOS e ZACK correm pelos corredores da base. Eles param em frente à uma porta branca.
SARAH: Mais rápido, Ehlios!
EHLIOS pega a mão de SARAH e os dois atravessam a porta. Vemos dois soldados dobrarem um corredor há uns vinte metros. Ambos correm em direção á eles. Um deles saca uma arma e aponta. Ao primeiro disparo, ZACK se encosta na porta e os passos no corredor não são mais ouvidos. A câmera mostra novamente os soldados e vemos os dois paralisados. A mão de EHLIOS é colocada para fora e ZACK a pega, atravessando a porta.
Ainda do lado de fora vemos CATHLEEN e JOEY virem pelo mesmo caminho que os soldados. Eles passam correndo pelos homens paralisados.
CATHLEEN: Pelo menos estamos no caminho certo.
Mais passos são ouvidos e os garotos olham para trás. Vemos mais cinco soldados correndo atrás deles.
JOEY: Corre!
Três dos homens param para ajudar os soldados paralisados, enquanto os outros dois se atrasam com o tumulto do corredor. Os garotos chegam à porta e ZACK passa o cartão de acesso. Os dois entram na sala com pressa e JOEY começa a derreter a fechadura da porta.
EHLIOS, SARAH e ZACK que estão na frente da grande porta do cofre olham para os recém-chegados.
EHLIOS: [irônico] Oh, ótimo.
EHLIOS atravessa a porta do cofre acompanhado por SARAH e rapidamente estende a mão através da porta para ZACK, deixando JOEY e CATHLEEN sozinhos na pequena sala. Eles se aproximam do painel numérico do cofre.
JOEY: Julia vai nos matar se deixarmos esses desenhos escaparem.
CATHLEEN: Então vai!
JOEY tira do bolso um pequeno aparelho, e o coloca em cima do painel. Ele passa o cartão de acesso e logo após o teclado numérico emana alguns bipes e a luz vermelha do painel se torna verde. CATHLEEN gira a grande manivela e a porta começa a se abrir. Ao entrar vemos SARAH, ZACK e EHLIOS envoltos numa camada prateada. JOEY e CATHLEEN entram no cofre e no mesmo momento um alarme começa a soar.
JOEY: Oh, droga.
A porta do cofre se fecha e dos quatro cantos vemos um gás sair. CATHLEEN e JOEY começam a tossir.
EHLIOS: Vamos! Rápido!
ZACK tira os desenhos de uma redoma de vidro enquanto EHLIOS vai até JOEY e CATHLEEN ajudando-os a apressarem-se.
SARAH: [pra Zack] Coloque o campo neles!
ZACK se concentra por alguns segundos mais logo abre os olhos.
ZACK: Não posso! É gente demais!
SARAH: Vai, Ehlios!
A porta do cofre começa a emanar bipes e CATHLEEN cai no chão, tossindo.
EHLIOS: Me dá a sua mão!
CATHLEEN pega a mão de EHLIOS e a levanta. Ele tenta fazer sua mão atravessar a parede do cofre, mas ela não se torna intangível. Ele tenta novamente, mas continua sem sucesso. A porta do cofre começa a abrir-se.
EHLIOS: [frustrado] Não consigo! Deve ter algum tipo de fonte de calor do outro lado!
JOEY: É a tubulação do gás!
ZACK: Meu Deus, nós estamos presos!
SARAH: Estamos coisa nenhuma.
A mulher pega a mão de JOEY.
CENA 13 – INT. BASE – NOITE
Os soldados entram no cofre. Todos eles possuem máscaras de gás e o local está totalmente enevoado. Eles correm para dentro do cofre através do gás e ao chegar na parede do cofre vemos a visão se abrir quando o gás começa a sair por um enorme buraco aberto na parede. Os soldados também saem da base através do buraco e vemos um carro levantar poeira há algumas dezenas de metros e se afastar com velocidade. Eles abrem fogo, mas o carro some na noite.
CENA 14 – INT. THE ALLEY – NOITE
ALGUÉM: [off] Hey.
CATHLEEN se assusta com uma mão no seu ombro e vira-se para encontrar ZACK. O garoto parece sério. CATHLEEN faz uma cara de tédio.
CATHLEEN: Oh, oi.
ZACK: Podemos conversar?
CATHLEEN olha ao redor.
CATHLEEN: Em público?
ZACK toma um momento para observá-la, um pouco irritado.
ZACK: Sim, em público. Achei que nós já tivéssemos passado disso.
CATHLEEN: Nós? Desculpa, mas nós não passamos por nada. Eu passo, você passa, eles talvez passem, mas nós nunca passaremos. Se for algo referente ao trabalho tenho certeza que você pode esperar até o expediente, chefe.
CATHLEEN dá um tapinha no ombro de ZACK e passa por ele, em direção aos fundos da lanchonete e de frente para a câmera. Vemos que a expressão da garota agora parece apavorada. Ela engole a seco e respira fundo.
CENA 15 – EXT. RANCHO JONES – NOITE
CATHLEEN está parada com as mãos nos bolsos de seu sobretudo. ZACK se aproxima com alguns papéis nas mãos e fica frente a frente com a garota.
CATHLEEN: O quê? Agora eu tenho que lidar com o segundo em comando? Traga-me César.
ZACK: [sorri] Sinto muito, mas você terá que contentar-se com Magnus. César está um pouco ocupado agora.
Os dois olham para a varanda da casa onde EHLIOS está sentado em uma cadeira ouvindo SARAH, que anda de um lado para o outro e parece furiosa com o garoto.
CATHLEEN: Tanto faz. Só cumpre a parte do acordo e me entrega os dois desenhos.
ZACK: [confuso] Como assim? Você deveria nos dar o seu. Fomos nós que chegamos ao cofre.
CATHLEEN: E fomos nós que tiramos vocês de lá!
ZACK: Acho que estamos num impasse.
CATHLEEN: De forma alguma. Eu posso te deixar inconsciente com um toque. Eu vou levar esses desenhos pra casa.
ZACK: [ri] Pode nada. E mesmo se pudesse eu tenho uma tal proteção na mente que às vezes nem a Sarah consegue entrar. Se alguém pode fazer ameaças aqui sou eu.
CATHLEEN levanta as mãos.
CATHLEEN: Hey, hey, hey. Não tô a fim de brincar de hidrante outra vez.
CATHLEEN o observa por um momento.
CATHLEEN: Então me dá metade do bebê e estamos quites.
ZACK: [ri] O quê?!
CATHLEEN: Nós temos três desenhos. Um e meio pra cada lado.
ZACK: Eu não vou rasgar o desenho! Pode danificar o código.
CATHLEEN: Não seja tão covarde!
CATHLEEN toma rapidamente um dos desenhos da mão de ZACK. Quando ela está prestes a rasgá-lo um brilho prateado toma seu corpo e CATHLEEN é paralisada.
CATHLEEN: Dá..a… oê… osto… or… aor?
ZACK parece confuso e parte da névoa prateada sai do rosto de CATHLEEN.
ZACK: O quê?
CATHLEEN faz algumas caretas, testando os músculos do rosto.
CATHLEEN: Obrigado, agora eu posso rolar meus olhos para você.
CATHLEEN rola os olhos e ZACK sorri timidamente. O garoto aproxima-se dela e pega o desenho que ela tentava rasgar. Ele então se aproxima ainda mais abrindo, delicadamente, o casaco da garota. ZACK, há poucos centímetros do rosto de CATHLEEN, coloca a mão dentro do casaco dela.
CATHLEEN: [sussurra] Por que os homens sempre preferem com algemas? Eu quero brincar também.
Ele retira do sobretudo dela um desenho com uma noiva.
ZACK: Agora sim, você pode ir pra casa e brincar.
CATHLEEN: Isso é tão injusto. A gente não leva nada por ter ajudado vocês a entrar e a sair daquela base militar? Onde está a gratidão?
ZACK parece meio confuso, mas se mantém firme.
ZACK: Se você acha que vai conseguir algo de mim com essa chantagenzinha emocional…
CATHLEEN: Eu não estou te chantageando! Só estou dizendo que nós nos arriscamos naquele lugar por vocês e não vamos ter nada em troca. Logo você que eu julgava ser o racional.
ZACK analisa por alguns momentos a garota e CATHLEEN faz uma expressão de súplica e pisca várias vezes. ZACK suspira rendido e a garota cambaleia por um segundo até ficar de pé novamente.
ZACK: Não acredito que estou fazendo isso.
CATHLEEN: Sabia que tomaria a decisão certa, ó sábio Magnus.
ZACK pega o desenho do bebê e o rasga no meio, dando metade para a garota.
ZACK: Aqui está.
CATHLEEN pega sua parte e coloca dentro do sobretudo.
CATHLEEN: Muito obrigada.
ZACK: Sabe, nós formamos um time e tanto lá atrás.
CATHLEEN concorda com a cabeça num gesto carregado de sarcasmo.
CATHLEEN: Com certeza. Vamos não fazer isso de novo, em breve.
Ela dá dois tapinhas no rosto de ZACK e dá as costas, indo em direção à Cherokee onde JOEY espera no volante.
CATHLEEN: [sem parar de andar] Sei que sou excelente no que faço mas… encare, Hayes. Nós nunca daríamos certo.
A garota entra no carro deixando ZACK com um tímido sorriso no rosto.
CENA 16 – INT. THE ALLEY – NOITE
Na lanchonete vemos poucas luzes ligadas e cadeiras sobre algumas mesas, denunciando que o horário de funcionamento acabou. Vemos JOEY e KENNEDY em uma das mesas com livros e cadernos à frente deles, mas sorriem e parecem conversar. Enquanto isso CATHLEEN esfrega o balcão e ZACK termina de colocar as cadeiras sobre as mesas, olhando para CATHLEEN vez ou outra. EHLIOS entra e todos voltam o olhar para o garoto.
EHLIOS: Então… encontros duplos no The Alley?
KENNEDY gira os olhos e começa a recolher suas coisas.
KENNEDY: Acho melhor eu ir embora.
A garota levanta e JOEY passa a recolher suas coisas também.
EHLIOS: Acalme-se, Lester. Só vim pegar minha carona pra casa. Não estou aqui pra interromper nenhuma noite romântica. Afinal, eu entendo a necessidade de um primeiro encontro depois de um beijo daqueles.
CATHLEEN parece confusa por um momento, mas logo olha incrédula para KENNEDY e JOEY. O garoto abaixa a cabeça enquanto KENNEDY olha com raiva para EHLIOS.
CATHLEEN: [abismada] Oh, meu Deus, é o Joey!! O Sr. Improvável!!
KENNEDY: Não!
KENNEDY aperta os olhos e vira-se para a amiga.
KENNEDY: [vacilante] Quer dizer… não é como se a gente…
CATHLEEN: [abismada] Oh, meu Deus, você ficou com o Joey?!
KENNEDY se aproxima do balcão.
KENNEDY: Cathy, eu ia te–
CATHLEEN: [abismada] C-como você pode… é… é o Joey!
JOEY: [ofendido] Hey! Como assim “é o Joey”?
Vemos ZACK tirar um molho de chaves do bolso enquanto ouvimos ao fundo KENNEDY, CATHLEEN e JOEY discutindo. ZACK joga as chaves para EHLIOS, que as pega.
ZACK: Cara, vai pra casa. Depois eu pego um ônibus… ou sei lá.
EHLIOS: Espera, você vai ficar aqui com os Rockets? Vamos pra casa.
ZACK: Você vai primeiro. Eu vou tentar apagar seu incêndio aqui.
EHLIOS: Por que você se importa tanto com essas pessoas?
EHLIOS aponta para os três jovens discutindo. Um falando por cima do outro.
EHLIOS: Eles não poderiam se importar menos com você.
ZACK, com uma expressão um pouco irritada, pega a mão de EHLIOS e coloca a chave nela.
ZACK: Só vai.
ZACK dá as costas e começa a se aproximar da discussão dos três—
EHLIOS: [tom alto] É ela, não é?
ZACK interrompe seus passos e os outros param de falar quando tem sua atenção tomada por EHLIOS. ZACK vira-se lentamente para o garoto e respira fundo, como se tentasse se controlar.
ZACK: [calmo] Ehlios, nem pense em fazer isso agora. Você pode esperar pra conversarmos sobre isso em casa?
EHLIOS: Não, cara, porque estou vendo você entrando em algo que não te fará bem. [aponta pra Cathleen] Essa garota não gosta de você!
CATHLEEN abaixa a cabeça e KENNEDY e JOEY parecem desconfortáveis.
EHLIOS: Nenhum deles gosta! Mais quantos cortes serão necessários pra você entender isso? Pra eles você é só um garçom.
ZACK engole a seco e JOEY, percebendo a situação, dá um passo a frente.
JOEY: [calmo] Ehlios, acho que você está passando dos limites.
EHLIOS: Não, não estou, Joey. Estou cansado de ver sua irmãzinha pisando nele—
ZACK: [calmo] Ehlios, pela última vez. Nós não vamos conversar sobre isso agora.
EHLIOS: E conversaremos quando? Ah, sim, no dia que você já tiver caído—
ZACK parece ir ficando gradualmente irritado.
ZACK: [irritado] Por que você se incomoda tanto quando tudo que eu quero é fazer alguma coisa dar certo pra mim nessa droga de vida que levamos!
EHLIOS olha para ZACK completamente surpreso com o tom incomum do garoto.
EHLIOS: [mais ameno] Mas ela não é a resposta pra isso, Zack. Sinto muito mas você ta trazendo mais sujeira pras nossas vidas.
ZACK: [irritado] É a minha vida! Isso não é da sua conta, Ehlios. Só porque você se tranca na sua bolha e se isola do mundo não quer dizer que eu tenha que fazer o mesmo!
EHLIOS sorri ironicamente e balança a cabeça em negativa, mas levanta as mãos em rendição.
EHLIOS: Okay, faça o que quiser, mas ela fará com você o mesmo joguinho que faz com todos os outros e depois que conseguir transar contigo, ela vai te dar um fora. Do mesmo jeito que fez com Harrison.
A expressão de ZACK vai da surpresa à revolta muda enquanto CATHLEEN prende um suspiro ao ouvir as palavras e seus olhos se enchem de lágrimas. KENNEDY aperta a mão da amiga e JOEY avança no colarinho de EHLIOS.
JOEY: [irritado] Okay, já chega! Vaza daqui!
EHLIOS tira as mãos de JOEY da sua blusa.
JOEY: [grita] Some, Ehlios!!
EHLIOS olha para os quatro que o encaram com ódio. Ele parece confuso por alguns segundos. O garoto então aperta os olhos e sai da lanchonete em passos largos.
Um silêncio toma o local.
KENNEDY passa o braço pelos ombros da amiga que, ainda estática, parece abalada com a situação. De costas para as duas está ZACK, também perplexo, ainda observando o local por onde EHLIOS saiu. JOEY dá meia volta e estende a mão para a namorada.
JOEY: Kay, acho melhor nós irmos.
A garota olha para a amiga, preocupada.
KENNEDY: Você vai fica bem?
CATHLEEN se recompõe.
CATHLEEN: Sim, vou. Eu cuido disso.
KENNEDY: Okay.
KENNEDY tira uma mexa de cabelo do rosto da amiga e sorri. Logo após ela pega a mão de JOEY e os dois saem da lanchonete. O sino da porta toca por longos segundos até que o silêncio volta a assolar o local. CATHLEEN, ainda observando ZACK de costas, cruza os braços e se encolhe, como se estivesse com frio.
ZACK: [nojo] Você transou com ele?
A garota respira fundo num suspiro tremido.
CATHLEEN: [tom baixo] Sim.
ZACK vira-se para encarar CATHLEEN. Ele tem uma expressão magoada no rosto, mas sua voz continua firme.
ZACK: E quando foi isso?
CATHLEEN: Logo depois que eu cheguei a Naranda.
ZACK balança a cabeça positivamente algumas vezes, com um olhar ferido.
ZACK: E ele já estava com Samantha.
CATHLEEN parece encolher-se ainda mais. A garota pisca várias vezes e olha pro teto quando a primeira lágrima corre seu rosto.
CATHLEEN: [voz trêmula] Sim.
ZACK: Quem mais sabe disso? Quer dizer… t-todo mundo sabe? Eu sou o único que não–
CATHLEEN enxuga a lágrima com rapidez.
CATHLEEN: Somente Kay e Joey.
A garota faz um grande esforço pra não chorar.
CATHLEEN: [riso nervoso] E de alguma forma Ehlios, aparentemente.
[MÚSICA – BAD DAY, DANIEL POWTER]
ZACK: [tom um pouco mais alto] Então ele está certo? Ehlios estava certo o tempo todo! O que estamos fazendo aqui, Cathleen? O que eu estou fazendo aqui?
CATHLEEN: [quase grita] Eu não sei, Zack! E eu sinto muito.
CATHLEEN respira mais uma vez e agora consegue controlar as lágrimas.
CATHLEEN: [irritada] Eu sinto muito se por um segundo eu achei que podia ter algo diferente e te arrastei pra isso tudo. Eu não posso! E eu sei disso! De alguma forma aquilo que você me disse naquela cozinha me trouxe de volta a realidade. [riso nervoso] Olhe pra mim! Eu não lavo louças e sirvo hambúrgueres! E eu nunca ficaria num serviço até meia noite e meia só pra conversar com um garoto. Vazia, despreocupada, sem se envolver com ninguém, isso é quem eu sou!
ZACK balança a cabeça em negativa.
ZACK: Eu não acredito nisso–
CATHLEEN: [riso irônico] E num mundo irônico e bizarro Ehlios é o único que aceita isso! Ele não tenta me salvar porque eu não preciso de salvação. [enfática] Você não precisa tentar me salvar, Zack, porque eu gosto de quem sou.
ZACK: [irritado] Não!! Eu…
ZACK olha pros lados e passa a mão nos cabelos.
ZACK: [tom baixo] Eu gosto de você, Cathleen. Eu não sei quanto a você, mas isso não acontece comigo com muita freqüência. A pessoa que você está descrevendo… não é quem eu conheço.
CATHLEEN: [irritada] E é isso que estou tentando te dizer, Hayes! A pessoa que você gosta… [sorri] não existe.
ZACK: [irritado] Por que você está fazendo isso? Por que você está sempre afastando as pessoas quando elas tentam realmente chegar à você? Quer dizer… você afastou a Kennedy porque tem medo demais de deixá-la saber quem você é e agora você está fazendo o mesmo comigo!
CATHLEEN: [grita] Eu acabei de te dizer quem sou!!
ZACK: [grita] Mas eu não aceito isso!!
A garota começa a tirar o avental.
CATHLEEN: [dá de ombros] Aí o problema já não é mais meu.
CATHLEEN joga o avental no peito de ZACK.
CATHLEEN: [seca] Lide com isso.
Ela passa por ele e começa a sair da lanchonete.
CATHLEEN: Eu me demito.
ZACK vira-se.
ZACK: [tom baixo] Não faz isso.
CATHLEEN: [sem parar de andar] Encare, Hayes. Nós nunca daríamos certo.
ZACK fecha os olhos e ouve a porta bater. Shot da lanchonete vazia e ZACK sozinho no centro. O garoto solta os ombros e agora tudo que ouvimos são os sons dos sinos de entrada.
CENA 17 – EXT. THE ALLEY – NOITE
CATHLEEN sai da lanchonete encarando o chão e tremendo. Ela levanta a cabeça e lá está a Cherokee preta, estacionada a sua frente. Através da janela vemos JOEY no volante e a porta de trás se abre revelando KENNEDY. A garota estende a mão.
KENNEDY: Entra.
CATHLEEN começa a chorar e entra no carro, deitando no colo da amiga. A porta se fecha e o carro parte.
CENA 18 – EXT. RANCHO JONES – NOITE
O jipe canta pneu na entrada da casa. EHLIOS sai do carro, irritado. Ele sobe os degraus da varanda e atravessa a porta da casa, jogando as chaves do carro sobre a mesa. O garoto sobe as escadas.
CENA 19 – INT. QUARTO DE EHLIOS – NOITE
EHLIOS bate a porta do quarto com força e se joga na cama, aumentando o volume do som no controle.
[MÚSICA – PRESSURE, STAIND]
A câmera gira velozmente ao redor dele várias vezes depois sobe e vira-se, filmando-o de cima. O garoto aperta os olhos e a câmera desce com rapidez e pára subitamente no rosto dele. Nesse momento ouvimos o barulho de algo se quebrar. EHLIOS senta na cama assustado.
EHLIOS: Zack?!
Sem resposta, EHLIOS coloca os pés no chão e vemos ao fundo um pouco de fumaça entrar por debaixo da porta. Uma luz crepitante reflete no chão do quarto. Ele levanta-se assustado e olha para a porta. Ele coloca a mão na fechadura, mas logo a balança no ar, com uma expressão de dor. O garoto estende a mão e aproxima-a devagar da porta, mas não consegue atravessá-la. Ele tenta mais algumas vezes sem sucesso e dá um soco na porta.
EHLIOS respira fundo e dá um salto no ar. Ao cair, ele atravessa o piso do segundo andar e bate com força na mesa da cozinha.
O garoto abre os olhos e vemos seu rosto em pavor. A câmera mostra o pequeno lustre no teto da cozinha pegar fogo e balançar perigosamente. EHLIOS joga-se para o lado, caindo no chão, na mesma hora em que o lustre vem abaixo e a mesa começa a pegar fogo. EHLIOS geme de dor e tosse.
O garoto afasta-se sentado e encosta-se na parede. Vemos duas paredes já foram tomadas pelo fogo. Ele tosse com mais força e se esforça para levantar. Olhando para a porta tomada pelo fogo, EHLIOS cobre o nariz com a camiseta. O garoto vai até a porta e dá um rápido chute com a parte de baixo do pé. Sem sucesso o garoto tenta novamente o arrombamento e sua calça começa a pegar fogo. Ele grita e cai sentado no chão, tirando a camisa rapidamente. EHLIOS bate a blusa na perna até que o fogo se apaga e então protege o nariz com o tecido. Tossindo muito, vemos EHLIOS piscar cada vez mais lentamente, até que o garoto cai desmaiado no chão da cozinha.
CENA 20 – INT. SALA DESCONHECIDA – NOITE
Num escritório luxuoso um homem engravatado entra rapidamente. Vemos uma poltrona alta virada de costas para ele. O homem parece com medo.
HOMEM: Senhor Heller, sinto informar-lhe que nossa segurança foi incapaz de impedir o roubo dos desenhos criptografados. Os cinco intrusos acabaram de deixar nossa instalação com posse dos documentos.
ULISSES fica em silêncio e o homem engole a seco, parecendo ficar ainda mais nervoso.
ULISSES: Ligue para a Liefield imeditamente. Ela saberá o que fazer.
CENA 21 – INT. SALA DESCONHECIDA – NOITE
A sala está escura e uma fraca luz de abajur clareia uma gaveta aberta. Dentro dela é jogada uma foto de uma noiva e por cima vemos cair uma foto de um bebê vestido de urso polar. As duas metades da foto estão coladas por uma fita adesiva. Por último vemos uma foto de uma menina correndo num campo verde cair sobre as anteriores. A gaveta é fechada. A câmera sobe revelando JULIA com o rosto sujo de fuligem. Ela apaga a luz do abajur e tira a blusa preta ficando apenas com o sutiã e a calça, também preta. JULIA dirige-se até o banheiro, onde a luz acessa reflete sutilmente no quarto não iluminado. Ela entra no banheiro e fecha a porta, tornando o quarto totalmente escuro. Tela preta.
PRODUÇÃO EXECUTIVA
Samir Zoqh
Luciana Rocha
ELENCO
Keira Knightley como Cathleen
Riley Smith como Joey
Paul Wasilewski como Zack
Ashly Lyn Cafagna como Kennedy
Bonnie Somerville como Julia
ELENCO RECORRENTE
Neve Campbell como Sarah
ESCRITA E EDITADA POR
Luciana Rocha
REVISADA POR
Marcos Damata
CRIADA E DESENVOLVIDA POR
Samir Zoqh
Luciana Rocha
MÚSICA TEMA
Late Great Planet Earth, Plumb
TRILHA SONORA
Suspended, Matt Nathanson
Sooner Or Later, Michael Tolcher
Bad Day, Daniel Powter
Pressure, Staind
A HYBRID STUDIOS PRODUCTION
DISTRIBUTED BY TELEVISION SERIES NETWORK
©2005
O Amigo Nada Secreto das Séries
18/12/2011, 22:27.
Redação TeleSéries
Especiais
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Todo final do ano é sempre a mesma coisa. Seja em casa, no trabalho, na escola, sempre rola um Amigo Secreto (ou Oculto). No mundo das séries não seria diferente, então resolvemos preparar uma super troca de presentes entre personagens queridos pela nossa equipe.
Convidamos a Dra. Yang para comandar esse evento que trouxe das terras geladas o Robb Stark para animar – e proteger – a festa. Depois da meia-noite, os vampiros Bill Compton e Damon Salvatore apareceram, e quem já estava por lá era a professorinha Jess Day, o cientista Walter Bishop e seu xará Walter White. Para ajudar Cristina Yang, Barney Stinson e a boa esposa Alicia Florrick. Supervisionando toda a turma: a elegante e responsável Brooke Davis. A diversão estava garantida.
Depois de muita bebedeira e várias saias justas, veja como foi o Amigo Secreto da turma das séries, e tente adivinhar quem tirou quem.
Brooke Davis – O meu amigo secreto tem uma personalidade forte mas uma ponto fraco bem visível. Para acabar com esse problema e adicionar um pouco de estilo na vida do meu ‘bom’ amigo, darei um combo da Clothes Over Bro’s: um chapéu e um gorro preto para ele usar em todas as ocasiões e para cobrir com charme sua careca. Os adereços estão em alta e, além de tudo, servem para as noites frias desse inverno.
Jess Day – *Cantando* O seu nome saiu em um pedaço de papel, logo sou que esse seria o meu amigo secreto. O amigo secreto da Jess! Ah, escolher esse presente foi bem fácil, meu amigo secreto e eu somos muitos parecidos, em outra realidade poderíamos ser da mesma família. Assim como eu adoraria ganhar o que eu escolhi, meu ‘Bmigo’ – entenderam? entenderam? *risos* – vai ficar emocionado com o LP do Tears For Fears que eu comprei. Quando ele cansar do lado A, pode ser feliz ouvindo o lado B.
Robb Stark – Em meio à guerra, não tive tempo para pensar no presente ideal para minha excêntrica amiga secreta. Mas creio que ela irá ficar feliz com a armadura sob medida que mandei confeccionar. Ela poderá ser utilizada em peças de teatro, apresentações com sinos, servir como figurino para suas imitações ou até como decoração para sua casa. Tenho certeza que ela irá adorar o brasão dos Stark do escudo.
Cristina Yang – Meu amigo secreto tem alguns problemas para resolver. E como ele não pode usar as salas de operação como terapia, comprei livros que lhe serão muito úteis. Eles contêm dicas preciosas de como conquistar a humana amada, controlar seu gênio e adquirir hábitos “vegetarianos” saudáveis. Tenho certeza que ele será outro homem depois de ler a saga Twilight completa.
Walter Bishop – Somente pessoas muito obtusas são traídas tantas vezes. Aqui, acho que o caso seria para um transplante encefálico, mas como não achei um cérebro compatível, decidi desenvolver um protótipo que, acoplado ao corpo, irá emitir alertas sonoros, sempre que algum traidor se aproximar. Isso, por óbvio, se os implantes subcutâneos estranhos não amedrontarem a destinatária do presente. E, como acompanhamento, um milk shake de morango.
Bill Compton – Caros e caras, meu respeito por suas tradições vai além da política da boa vizinhança. Desde a minha época de humano, sou fã das festividades do fim do ano. Para comemorar comigo, estou presenteando a minha amiga secreta com um belo vestido vermelho e um vinho italiano conseguido por mim depois de muita luta – literalmente. Tenho certeza que ela ficará linda de vermelho e o vinho tornará tudo mais fácil, quer dizer, romântico.
Walter White – Meu amigo secreto cresceu muito em pouco tempo, se tornou um líder ainda jovém e deverá enfretar muitos inimigos pela frente. Deste modo, levei em consideração um presente que possa dar uma certa vantagem ao meu amigo sempre que for preciso oferecer banquete aos inimigos para selar um acordo. Com este presente ele não precisará se preocupar com acordos, apenas com a vitória. O presente é um frasco de Ricina, que mata sua vítima em alguns dias e é bastante difícil de ser identificada, ainda mais na época que meu amigo vive.
Alicia Florrick – Sou perita nesse assunto e por isso pensei em presentear meu amigo secreto com um livro sobre traição. Entretanto, os dramas pessoais dessa pessoa vão além de uma pulada de cerca ou punhaladas pelas costas. Aqui está amiga, uma coleção de capa dura com detalhes em fios de ouro de todas as peças do dramaturgo William Shakespeare. Tenho certeza que você irá adorar ler histórias sobre insegurança, traição, conspiração, amores perdidos… um prato cheio para quem vive por um fio!
Barney Stinson- Senhores, fiz questão de presentear meu amigo com uma versão exclusiva da minha própria coletânea “Fique Ligadão” – a coletânea que sobe o tempo inteiro. A música mais famosa desse cd “You Give Love a Bad Name” do Bon Jovi vai cair como uma luva para embalar as aventuras sexuais do meu amigo secreto. Com a música certo e o ambiente certo, meu amigo não vai deixar ninguém escapar!
Damon Salvatore – Quando descobri que meu amigo já se fantasiou de piloto Top Gun para o Halloween de 2005 não pensei duas vezes: humanos gostam de fazer cultos estranhos, então achei bacana encomendar um pôster daquele ator Tom Cruise. Meu amigo poderá pendurá-lo na parede e venerar o personagem que pode até servir de inspiração para uma de suas ilusões.
***
Confira quem tirou quem no nosso Amigo Secreto
Walter White tirou Robb que tirou Jess que tirou Walter Bishop que teve o nome da Alicia sorteado e ela tirou a Dra. Yang que tirou o Damon que tirou o Barney que sorteou o vampiro Bill que tirou a Brooke Davis que tirou o Walter White.
Textos de Anderson Narciso, Mariela Assmann, Maria Clara Lima e Túlio Bittar.
Série Virtual – Outsiders – Breathe You In
14/12/2011, 21:48.
Redação TeleSéries
Ficção (séries virtuais)
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Série: Outsiders
Episódio: Breathe You In
Temporada: 1ª
Número do Episódio: 1×08
CENA 1 – SALA DA MANSÃO LIEFIELD – NOITE
CATHLEEN e JOEY estão assistindo um programa na enorme TV plasma na sala. As luzes estão apagadas e JOEY segura uma tigela de pipoca, de onde CATHLEEN, eventualmente, se serve. A garota joga as mãos pro ar como se estivesse indignada.
CATHLEEN: Isso é totalmente inútil!
JOEY arqueia as sobrancelhas.
CATHLEEN: É a mesma coisa toda a semana!
JOEY: [dá de ombros] Bem, eu gosto. O cara tem coragem, é heróico e convenhamos… tem duas gatas atrás dele.
CATHLEEN: [irônica] Se eu conseguisse parar balas com minhas mãos nuas eu também seria muito heróica. Fora que ele tem duas garotas bonitas e inteligentes atrás dele e passa anos sem decidir!
JOEY: Ele já decidiu. Só que se ele ficar com ela, vai colocar a vida dela em risco.
CATHLEEN: [indignada] O quê? Eu já perdi a conta de quantas aberrações já tentaram matar essa garota. Depois de tudo que ela já viu é capaz de quando ele disser que não é da Terra ela falar “Ah, é só isso? Puff! Com esse mistério todo eu achei que você fosse gay.”
JOEY: [rindo] O quê?
CATHLEEN: [arregala os olhos] Vai ver ele é gay! Quero dizer, ninguém consegue resistir por muito tempo ao Michael Rosembaum. [bate os dentes] Ele é yummy!
JOEY: Você tá dizendo que o Superman, o herói americano que defende o povo de Metrópolis… é gay?
CATHLEEN: Completamente plausível.
JOEY: Eu quero é uma explicação para o porquê de você estar estragando minhas reprises de Smallville em pleno sábado à noite! Você não devia estar na rua com a Kennedy ou… qualquer coisa?
CATHLEEN: Bem… eu e a Kay estamos meio que brigadas.
JOEY: [incrédulo] Você brigou com a Lester?
CATHLEEN: [defensiva] Não é culpa minha!
JOEY fica meio surpreso com o tom.
JOEY: Eu não disse que era. Mas pelo visto você acha que é.
CATHLEEN não responde. JOEY abaixa o volume da TV e encara a garota mais de frente.
JOEY: O que tá acontecendo, Cathy?
CATHLEEN: Eu que vou saber? Ela tá toda estranha! Não sei se é porque eu tenho furado um pouco nossos compromissos ultimamente, mas isso é culpa da Julia! Não é culpa minha se toda vez que ela quer conversar ou sair eu tô ocupada invadindo uma instalação militar, tirando um agente do manicômio ou chutando o traseiro do Ehlios. [Joey sorri timidamente] E agora toda vez que a gente conversa ela fica falando essas frases ambíguas, sabe? Como se ela tivesse incomodada com alguma coisa, mas quer que eu me toque sozinha.
JOEY: Bem, vai ver ela tá sentindo sua falta. Meio que com ciúme ou alguma coisa assim. [ele pondera e logo arregala os olhos] Ou vai ver ela é gay.
CATHLEEN: [rindo] O quê?!
Ela ri, mas JOEY permanece sério.
CATHLEEN: [incerta] Não. Kay não é… Nããão…
JOEY não agüenta e começa a sorrir devagar. CATHLEEN faz uma cara de abismada e bate nele com a almofada.
CATHLEEN: Você tá tirando uma com a minha cara!
Joey gargalha descontroladamente.
JOEY: Tô nada! Kennedy Lester está apaixonaaada por você!
CATHLEEN: Cala a boca! Eu quero assistir!
JOEY: Ah! Agora você quer assistir?
CATHLEEN: Quieto! Ele tá conversando com ela.
JOEY tenta controlar a risada e os dois voltam a encarar a TV. Na tela vemos um close de Kristin Kreuk.
K. KREUK: Clark, se tem alguma coisa que você quer me contar… algum segredo… você pode me dizer. Você pode confiar em mim.
CATHLEEN joga os braços para o ar novamente.
CATHLEEN: [inconformada] Ah! Por favor! [grita com a TV] Ela tá implorando pra você beijá-la! [apontando] E você sabe disso! [para Joey] Ele é totalmente gay.
JOEY: [ainda controlando o riso] Mm-hum.
Ele explode em risadas novamente e CATHLEEN dá um tapa em sua nuca.
CATHLEEN: Cala a boca. [tomando a vasilha de pipocas] E me dá isso aqui.
JOEY: [rindo] Ela tá apaixonaaada. Apaixonaaada.
CATHLEEN enfia uma mão de pipocas na boca do garoto que cai pro lado rindo. Eles começam a brigar com as almofadas e a conversa vai tornado-se indistinta.
[MÚSICA TEMA – LATE GREAT PLANET EARTH, PLUMB]
CENA 2 – COZINHA DA MANSÃO LIEFIELD – NOITE
CATHLEEN está sentada ao balcão da cozinha catando restos de pipoca de uma tigela enquanto JOEY assiste o saco de pipoca girar dentro do microondas.
CATHLEEN: Tá explicado.
JOEY: O quê?
CATHLEEN: Você sabe que isso afeta seu cérebro, né?
JOEY olha um pouco assustado pro aparelho e vai sentar ao lado de CATHLEEN.
JOEY: [vacilante] Eu sabia disso.
JULIA entra e os garotos acompanham com o olhar seu caminho até a geladeira.
CATHLEEN: Oi, Julie. Você tá bem?
JULIA fecha a geladeira e olha pra eles.
JULIA: [sorri] Eu ganho um prêmio quando tiver falado “estou bem” pela centésima vez? Porque já estou começando a imaginar balões caindo do teto ou… câmeras entrando por todas as portas e Ashton Kutcher saindo de trás de um espelho em algum lugar.
Eles continuam calados.
JULIA: [enfática] Eu estou bem.
JOEY: Eu sei que a gente tá sendo meio chato ultimamente, mas só estamos–
JULIA: Preocupados, eu sei. E eu agradeço. Mas não há necessidade.
JULIA vira de uma vez o pouco de leite do copo e vai até a pia onde começa a lavá-lo de costas para os garotos.
CATHLEEN: Então… você achou alguma coisa sobre o que fez aquele massacre em White Pine?
JULIA: Ainda nada concreto. Está sendo realmente difícil descobrir qualquer informação confidencial sobre aquela base.
JOEY: E quanto ao Burke?
JULIA engole a seco, mas os garotos não vêem. Ela parece triste.
JULIA: Bem, eu sei que ele não está no apartamento que arranjei pra ele. Isso é tudo. Ele desapareceu.
CATHLEEN: Como esperado. Aquele bastardo!
JULIA força um sorriso e vira para os garotos.
JULIA: Já disse, Cathie, não se preocupe com isso. Eu resolverei esse problema e as coisas voltarão a ficar normais nessa casa.
O microondas apita.
CATHLEEN: [gira os olhos] Tão normais quanto as nossas vidas conseguem ser.
JOEY pega a pipoca e CATHLEEN, a vasilha. Os garotos saem da cozinha e então JULIA desmorona em um dos bancos do balcão. Ela parece exausta. A mulher apóia a cabeça nas mãos, mas na mesma hora levanta a cabeça novamente com uma expressão de dor. Ela passa a mão levemente em seu corte no supercílio.
CORTA PARA:
Shot do deserto. O céu clareia e o sol nasce e se põe rapidamente. Ele nasce mais uma vez.
CENA 3 – INT. NARANDA HIGH SCHOOL – DIA
[MÚSICA – MADE OF STEEL, OUR LADY PEACE]
CATHLEEN cruza as portas do colégio e vemos HARRISON e SAMANTHA vindo em sua direção. A garota sorri.
CATHLEEN: Oi, gente. Bom dia.
SAMANTHA: Pra você é boa sorte, amiga. Você vai precisar.
SAMANTHA aponta para trás de si com o dedão e se afasta com HARRISON. CATHLEEN olha para a direção indicada e vemos KENNEDY fechando um armário com raiva. A garota ajeita os livros e começa a vir na direção de CATHLEEN. Ao perceber sua presença, KENNEDY olha pra frente ignorando a amiga. CATHLEEN se aproxima, mas KENNEDY continua andando.
CATHLEEN: Oi.
KENNEDY: [seca] Oi.
CATHLEEN aperta o passo para acompanhar a amiga.
CATHLEEN: [gira os olhos] Até quando você vai continuar me tratando assim?
KENNEDY: [indiferente] Assim como, Cathleen?
CATHLEEN: Como seu eu fosse a pior coisa que aconteceu desde o divórcio da Aniston.
KENNEDY: Não coloca a minha família no meio disso.
CATHLEEN corre até a frente de KENNEDY e a para pelos ombros.
CATHLEEN: Disso o quê? Me diz qual é o problema!
KENNEDY: Não tem problema nenhum, Cathleen. Deveria haver algum problema?
CATHLEEN: [suplicante] Vamos, Kay, não me obriga a implorar. Você sabe o quanto eu odeio implorar.
KENNEDY lança um olhar para a garota e continua andando. CATHLEEN solta um suspiro de desistência e a câmera mostra ZACK e EHLIOS entrando pela porta da frente. ZACK dá um sorriso para CATHLEEN, mas a garota apenas vira de costas e segue na direção em que Kennedy partiu. ZACK olha para o chão e EHLIOS balança a cabeça em negativa. Eles voltam a andar.
EHLIOS: Isso tá começando a ficar patético.
ZACK: [confuso] O quê?
EHLIOS: [imitando Zack] “O quê”? Vocês podiam tentar ser um pouco menos explícitos. Algo tipo… transar com ela no meio do corredor escolar.
ZACK: [confuso] Do que você tá falando?
EHLIOS olha pra ele por um segundo, perplexo.
EHLIOS: Você me irrita!
ZACK: Espero que não muito, porque eu estou precisando de um favor.
EHLIOS: O que aconteceu com a época em que as pessoas te subornavam e bajulavam em troca de favores? Você tira totalmente a graça do momento.
ZACK olha para ele com uma expressão entediada.
EHLIOS: Tá. Fala.
ZACK: Tem com você me dar uma força essa tarde na lanchonete? O Devon teve que viajar e tem uma montanha de contas pra conferir.
EHLIOS abre um armário e ZACK encosta-se nos outros.
EHLIOS: Acho que não, cara. Hoje é dia de monitorar o Joey. Uma tarde inteira enfurnado na nossa cozinha tentando colocar biologia pela goela abaixo. E embora comparado a isso a oferta de servir jogadores burros e cheerleaders irritantes por toda a tarde pareça tentadora, se não aumentar a nota dele a Miller me mata.
EHLIOS fecha o armário.
ZACK: Droga. Cathleen, Mike e eu teremos que nos virar naquele lugar. E a propósito, a Sarah ficará o dia inteiro em casa hoje para a checagem do mês. É melhor vocês arranjarem outro lugar para estudar.
EHLIOS: [desanimado] Mais essa.
JOEY atravessa as portas do colégio.
EHLIOS: Ei, falo com você depois, okay?
ZACK concorda com a cabeça e se afasta. EHLIOS se aproxima de Joey.
EHLIOS: Ei, cara.
JOEY percebe EHLIOS e os dois caminham juntos.
JOEY: Ei.
EHLIOS passa o braço pelos ombros de JOEY.
EHLIOS: Então… você tem aquela TV plasma irada na sala, certo?
JOEY: Como você sabe disso?
EHLIOS: [disfarçando] Só um chute. Por vocês serem ricos e tal. [animado] Aposto que deve ter uns trezentos canais!
JOEY olha para o garoto, intrigado. A câmera os mostra distanciando-se.
CENA 4 – INT. MANSÃO LIEFIELD – DIA
Shot da porta. Ela se abre e JOEY e EHLIOS entram. Vemos JULIA descendo as escadas. Ela não percebe EHLIOS.
JULIA: Joey, que bom que chegou. Eu preciso que você cheque–
JULIA termina de descer os degraus e vê EHLIOS ao lado de Joey.
JULIA: Oh, oi. Boa tarde, Ehlios.
EHLIOS: Boa tarde, Srta. Liefield.
JULIA tenta disfarçar a sua desaprovação com a presença de EHLIOS.
JULIA: Não sabia que iria trazer… amigos para casa.
JOEY: Não dá pra gente estudar na casa dele e eu odeio a biblioteca da escola. Espero que não tenha problema.
JULIA: Não, claro que não. Posso falar com você um instante?
EHLIOS joga a mochila no sofá e senta, pegando o controle remoto. JOEY segue JULIA até a cozinha.
CENA 5 – COZINHA MANSÃO LIEFIELD – DIA
JULIA vira-se para JOEY.
JULIA: Quantas vezes terei que repetir que não quero vocês andando com esses garotos?
JOEY: [defensivo] Não é como se eu tivesse escolha! Sra. Miller nos obrigou a isso e pra falar a verdade eu realmente tô precisando aumentar minhas notas.
JULIA: Tenho certeza que você consegue fazer isso sozinho. Esses dois nessa casa não são uma opção.
JOEY: O quê? Você quer que eu vá lá e o expulse? [para por um segundo e sorri] Posso?
JULIA inclina a cabeça.
JULIA: Só vai lá e faz o que vocês tiverem que fazer por hoje. Mas depois disso acabou. Eu conversarei com a Miller.
JOEY parece um pouco contrariado.
JOEY: [dá de ombros] Okay.
O garoto começa a sair–
JULIA: Mas antes…
Ele vira-se novamente.
JULIA: …preciso que você cruze alguns dados de White Pine com uma das–
JOEY: Posso fazer isso mais tarde? Quer dizer, eu tenho toneladas de capítulos pra estudar e considerando que essa é minha última aula…
JULIA gira os olhos, irritada.
JULIA: Isso é importante.
CATHLEEN entra na cozinha, apressada.
CATHLEEN: O que é aquilo na nossa sala?
A garota pega uma maçã e dá uma mordida.
JULIA: Aparentemente o Joey está tendo um estranho impulso social, hoje.
CATHLEEN: Bem, dá próxima vez que seus impulsos sociais envolverem Ehlios, por favor, enfia a cabeça num travesseiro e grita até que eles passem.
JOEY: Deus, vocês falam como se tivesse trazido o Anticristo para essa casa.
CATHLEEN: Se você visse a maneira que a cabeça dele gira quando está assistindo esses desenhos, reconsideraria essa frase.
JOEY: Então deixa eu terminar logo essa maldita monitoria e acabar com o sofrimento de vocês.
JOEY vai para a sala de estar e CATHLEEN começa a sair da cozinha pela porta dos fundos.
JULIA: Cathleen, eu queria que você–
CATHLEEN: Não posso. Trabalho.
E com isso a garota deixa a casa. JULIA parece irritada.
CENA 6 – INT. MANSÃO LIEFIELD – DIA
JOEY entra na sala e encontra EHLIOS deitado no sofá assistindo TV. Nela, vemos cenas de algum anime japonês.
EHLIOS: [animado] Cara! Você tem TV Nihon! E em japonês!
JOEY: [desinteressado] É, bom pra mim.
EHLIOS: [passando os canais] Essa casa é tão maneira!
JOEY: [entediado] Dá pra gente ir?
EHLIOS, animado, levanta do sofá em um pulo.
EHLIOS: Eu quero um tour!
JOEY: Você quer um o quê?
EHLIOS: [animado] Um tour, cara!
JOEY: Eu não vou te dar um tour.
EHLIOS: Vamos, cara! [olhando em volta] Olha pra essa casa!
JOEY: [um pouco irritado] Eu estou com cara de Tamara Bailey pra você? [enfático] Não vou te dar um tour. Vamos subir e terminar logo com isso.
EHLIOS parece desanimado. JOEY vai em direção das escadas. EHLIOS aponta as mãos pra baixo.
EHLIOS: Okay, então essa é a sala de estar certo? [olha pra todos os lados, animado] E aquela é a cozinha.
Ele começa a seguir JOEY, apontando para as grandes portas corridas de vidro.
EHLIOS: E aquele é o jardim detrás, certo? [arregala os olhos] O gigantesco jardim.
JOEY revira os olhos enquanto eles chegam ao pé da escada e EHLIOS olha pra dentro da sala de treinamento.
EHLIOS: Cara! Vocês têm uma sala de combate!
JOEY: [irritado] Dá pra parar com isso?
EHLIOS faz umas caretas, imitando JOEY, mas para de falar. Eles sobem as escadas em silêncio. Quando estão quase chegando ao topo…
EHLIOS: Okay, então essa é a escada, certo?
CENA 7 – INT. THE ALLEY – DIA
[MÚSICA – HATE EVERY BEAUTIFUL DAY, OUR LADY PEACE]
A casa está cheia. Vemos um garoto servindo algumas mesas, mas ele não parece conseguir atender à demanda. ZACK está no balcão, rodeado de papéis. Ele digita alguns números na calculadora enquanto CATHLEEN, também atrás do balcão, mas sentada há alguns passos de distância, lixa suas unhas calmamente.
ZACK: [irônico] Sinta-se livre para começar a trabalhar a qualquer momento, okay?
CATHLEEN não responde e continua concentrada em sua tarefa.
ZACK: Porque eu realmente acho que o Mike poderia fazer bom uso de uma ajuda.
CATHLEEN continua impassível. ZACK suspira e vira-se pra garota.
ZACK: Por quanto tempo você vai ficar me ignorando? Tem como deixar isso em compasso de espera só enquanto eu estou afogando nessas contas?
Um homem de boa aparência [Brendan Routh] entra na lanchonete e senta-se ao balcão. CATHLEEN sorri com a presença dele e levanta da cadeira.
CATHLEEN: [seca] Claro, chefe.
A garota se aproxima do homem e inclina-se sobre o balcão, sorrindo abertamente.
CATHLEEN: Oi, bem vindo ao The Alley. O que posso fazer por você?
ZACK olha perplexo para a cena. O garoto recolhe a papelada de qualquer jeito e sai irritado, entrando na porta dos fundos da lanchonete. O homem parece intrigado com a atitude de ZACK. CATHLEEN observa a porta dos fundos oscilando pra frente e pra trás, com raiva.
HOMEM: Hey, na verdade eu estou querendo uma informação.
A garota endireita-se e agora fala com ele normalmente.
CATHLEEN: Claro…
HOMEM: [completando] Alan.
Ele estende a mão e CATHLEEN recebe o cumprimento.
CATHLEEN: Cathleen.
ALAN: É um prazer, Cathleen. Você sabe onde posso encontrar Sarah Jones?
CATHLEEN: Sarah? Claro. Ela mora em uma pequena propriedade do lado de fora da cidade. Não é muito longe.
ALAN: Você pode me explicar como chegar?
CATHLEEN, por sua visão periférica, olha para a pequena janela na porta dos fundos e vemos ZACK observando-a disfarçadamente.
CATHLEEN: Posso fazer melhor do que isso [ela tira o avental] Posso te levar lá.
CATHLEEN rodeia o balcão e sai puxando ALAN pela mão. ZACK adentra a área da lanchonete novamente e observa ALAN e CATHLEEN cruzarem a porta principal. Ele parece magoado.
CENA 8 – INT. RANCHO JONES – DIA
CATHLEEN e ALAN estão na varanda da casa. A garota bate na porta que logo se abre revelando SARAH.
SARAH: [surpresa] Cathleen?
CATHLEEN: Oi, Sarah. [mostra Alan] Esse é o Alan. Podemos entrar?
SARAH: Claro.
SARAH abre passagem e os dois entram. Todos se sentam à mesa da cozinha.
SARAH: O que posso fazer por vocês?
CATHLEEN: Alan acabou de chegar na cidade à sua procura.
SARAH levanta as sobrancelhas e ALAN estende a mão através da mesa.
ALAN: Me desculpe por chegar sem avisar. Eu sou Alan Howe.
SARAH aceita o cumprimento.
SARAH: Muito prazer, Alan. Do que se trata?
ALAN: Bem, Sra. Jones–
SARAH: Sarah, por favor.
ALAN: Sarah… eu vim até você por indicação de David Coven.
SARAH balança a cabeça afirmativamente denunciando que sabe de quem se trata.
ALAN: Ele me disse que talvez você pudesse me ajudar em minha busca.
SARAH: Que busca?
ALAN: Faz pouco mais de cinco meses que estou na estrada, atravessando vários estados em busca de Rebecca Bartell. Minha noiva. Quando passei por Ohio, David me abrigou em sua casa por uns dias. Depois que descrevi a ele o estranho comportamento de Rebecca ele me disse que com sorte você poderia me ajudar, mas não me disse por quê.
SARAH: Estranho comportamento?
ALAN: Durante todos os anos que passei com Becky, eu sempre soube que ela esconde algo.
SARAH e CATHLEEN se entreolham.
ALAN: Ela nunca se aprofunda ao falar dos pais e de tempos em tempos ela sumia deixando pra trás apenas um bilhete dizendo que estava bem e que voltaria logo. E ela sempre voltou em uma ou duas semanas, mas não dessa vez. [assustado] Então fiquei preocupado. Tenho seguido o rastro de Rebecca, mas para ser sincero ele sumiu há meses. Nesse ponto, eu estou simplesmente vagando e esperando para que qualquer pista apareça.
SARAH respira fundo.
SARAH: Olhe, Alan. O comportamento de Rebecca não me é estranho e sim, pode ser que eu saiba onde ela está, mas não posso te dar garantias. O grupo de pessoas que protejo é grande–
ALAN: [preocupado] Protege? Ela está em perigo?
SARAH levanta e vai até a geladeira.
SARAH: Eu não sei. É possível, mas eu não me lembro do nome de sua namorada entre as pessoas de quem cuido, então não quero alarmá-lo sem necessidade. [ela serve um copo de água] Só preciso fazer um telefonema e com sorte, sua noiva estará bem.
SARAH coloca o copo de água na frente de ALAN enquanto ele passa as mãos no rosto de forma preocupada. A mulher começa a sair da sala.
SARAH: Cathleen?
CATHLEEN levanta-se da mesa e segue SARAH. Elas se afastam de ALAN, indo até a sala de estar, onde SARAH pega o telefone e disca alguns números. A resposta do outro lado da linha vem com apenas um único toque.
SARAH: Kenny? Filtre a linha, por favor.
A mulher põe o telefone contra o ombro para falar com Cathleen.
CATHLEEN: Você acha que ela é um de nós?
SARAH: Eu não sei. É provável com todos os segredos e os sumiços sem explicação. Provavelmente fugia de algum caçador do governo. Mas agora eu preciso que você vá pra casa. Eu posso cuidar disso e acho que Julia não ficará nada feliz quando descobrir que você veio aqui.
KENNY: [Voice over] A linha está segura, Sarah.
A mulher coloca o fone no ouvido.
SARAH: Preciso que você pesquise o nome de Rebecca Bartell na lista de checagem. Dois “L”s.
SARAH volta a colocar o fone no ombro.
CATHLEEN: É, eu acho que você está certa.
SARAH tira uma chave do bolso.
SARAH: Aqui. Pegue meu carro. Zack ou Ehlios podem trazê-lo quando voltarem para casa.
CATHLEEN pega a chave.
CATHLEEN: [sorri] Obrigada. No caminho eu penso no que dizer quando a Julia ler em mim que estive por aqui. Se você precisar de alguma ajuda, por favor, me liga.
SARAH afirma com a cabeça e CATHLEEN começa a sair.
SARAH: Oh, e Cathleen… [a garota dá meia volta] Eu posso te ensinar a bloqueá-la.
CATHLEEN olha para SARAH com curiosidade, mas não diz nada. SARAH sorri enquanto a garota dá meia volta e sai da sala.
CENA 9 – INT. MANSÃO LIEFIELD – NOITE
JOEY e EHLIOS estão no quarto de JOEY. Eles estão sentados à mesa de estudos do garoto, rodeados de livros. JOEY parece entediado.
EHLIOS: Células responsáveis por gerar impulsos elétricos?
JOEY: Células marca-passo.
EHLIOS: Situadas no…
JOEY: [entediado] Nó sino-atrial e responsáveis pelos batimentos cardíacos.
EHLIOS: [um pouco irritado] Estou te entediando, Joey?
JOEY lança um olhar para EHLIOS, que então suspira e fecha o livro.
EHLIOS: O que eu tô perguntando? Estou entediando até a mim mesmo.
JOEY: Já chega dessa matéria, cara.
EHLIOS: Bem, sinto muito, mas se pretende passar em Biologia ainda temos mais três capítulos para nos deliciar.
EHLIOS deixa a cabeça cair sobre o livro fechado.
EHLIOS: [irônico] O que é algo que eu, obviamente, mal posso esperar pra fazer.
JOEY solta um ganido em agonia.
JOEY: Nesse momento até sua TV Nilon soa mais interessante que isso.
EHLIOS levanta a cabeça.
EHLIOS: É Nihon, poço de cultura. E quer saber de uma coisa? Dane-se. Você é rico. Pode comprar os professores ou algo do tipo.
JOEY: Por que você é tão obcecado com esse lance de eu ser rico? São só… coisas.
EHLIOS: Você diz isso porque as tem, Steve Sanders. Você e Cathleen tiveram sorte e agora só precisam encarar quem são quando estão entediados. [irônico] “Não tem Lost inédito hoje então que tal invadir uma base militar e pegar uma pizza depois?”
JOEY: [indignado] Você acha que tivemos sorte?!
EHLIOS: [irônico] Oh, me desculpa, você não tem o novo iPod? Eu retiro totalmente o que disse.
JOEY inclina-se para frente olhando nos olhos de EHLIOS com raiva.
JOEY: Você não sabe nada sobre nós! Então não se atreva a dizer que temos sorte quando não faz idéia do que já passamos!
EHLIOS: O quê? Você quer comparar cicatrizes agora? Porque eu te garanto que nesse joguinho eu ganho.
JOEY solta um rápido sorriso como se não acreditasse no que ouviu.
JOEY: Você é inacreditável.
EHLIOS: Não, cara, eu sou real. Minha vida teve problemas e eu lido com eles todos os dias.
JOEY: Lida como? Tentando transformar tudo no seu episódio favorito de Yu Yu Hakusho?
EHLIOS: Oh, me desculpa se não me envergonho de quem sou. Eu sei o que gosto e o faço. Tenho apenas 16 anos, mas já sofri o suficiente pra deixar uma inglesa mimada me podar.
JOEY engole a seco, mas não responde.
EHLIOS: Você também não deveria deixar.
JOEY: Ela não faz isso. Sei que é dessa forma que parece, mas eu não me importo.
Um silêncio desconfortável estaciona-se no local. JOEY remexe-se no mesmo lugar enquanto EHLIOs parece querer falar algo.
EHLIOS: [incerto] Então… o que é?
JOEY: O que é o quê?
EHLIOS: O que aconteceu com vocês dois pra você não reconhecer a sorte que teve de ter sido adotado por Julia?
JOEY parece ainda mais deslocado. Ele respira fundo.
JOEY: Eu e Cathleen fomos vítimas da Operação Retomada.
EHLIOS: E isso seria…?
JOEY: Quatro anos atrás o governo americano decidiu resolver o problema que nós somos para o mundo de uma forma mais… agressiva.
EHLIOS: O que você quer dizer?
JOEY: Eles armaram uma grande operação pelo mundo todo para a busca e extermínio de pessoas como nós. Julia disse que suas ordens eram para matar-nos, independente da forma que encontrassem para isso. [vacilante] Quando a minha casa e a de Cathleen viraram alvos, nossos pais foram mortos no fogo cruzado.
JOEY abaixa a cabeça e EHLIOS parece chocado com a revelação.
EHLIOS: Cara… eu… eu sinto muito.
JOEY: Está tudo bem.
JOEY parece muito triste. EHLIOS respira fundo.
EHLIOS: Meu pai me abandonou num hospital quando eu tinha quatro anos.
JOEY levanta a cabeça e olha para ele surpreso.
EHLIOS: O bilhete no meu bolso dizia que eu tinha nascido com “o sangue ruim da família”. Acho que ele não ficou muito feliz quando eu comecei a derreter os carrinhos de brinquedo com um toque.
JOEY: E quanto à sua mãe?
Passa a mão nos cabelos.
EHLIOS: Ela morreu no parto. Disso eu sei porque me lembro das noites que o filho da mãe enchia a cara e gritava que eu tinha a matado.
JOEY: [chocado] Cara… eu–
EHLIOS chega a cadeira pra frente e encara JOEY nos olhos.
EHLIOS: Mas isso não importa mais porque nós temos outra vida, cara. Me levou muito tempo mas Sarah me achou. E Julia achou vocês. O segredo é não deixar mais nada nos impedir de fazer o que gostamos, o que queremos. E pra você… agradeça por ter isso tudo aqui. [olha em volta] Porque é incrível.
JOEY olha para EHLIOS por um segundo enquanto pensa sobre o que o garoto diz. Logo depois ele abre um pequeno sorriso.
JOEY: Então. Você ainda quer aquele tour?
CENA 10 – INT. THE ALLEY – NOITE
[MÚSICA – HUMAN, FISHER]
KENNEDY entra na lanchonete cheia onde vemos ZACK tentando servir algumas mesas. Ele passa pela garota e dá um pequeno “Hey”, indo imediatamente para trás do balcão. KENNEDY senta num banco à frente dele enquanto o garoto começa a encher copos com refrigerante na máquina, apressadamente.
KENNEDY: Hey, onde está Cathy?
ZACK deixa um copo cair no chão e esvazia os pulmões, irritado.
ZACK: [irritado] Não está trabalhando, isso eu te garanto.
KENNEDY: Esse lugar está lotado. Você é louco o suficiente para dar folga pra ela num dia desses?
ZACK lança um olhar pra KENNEDY e depois joga um pano por cima do refrigerante derramado.
KENNEDY: Oh.
ZACK: Exatamente. [enchendo mais copos] Sua amiga me deixou na mão e saiu por aí com o primeiro cliente boa pinta que apareceu pela frente.
KENNEDY: [para si] Quer saber? Dane-se. Nem acredito que vim até aqui.
KENNEDY levanta e começa a ir embora.
ZACK: [confuso] Como é?
A garota vira-se para ele, irritada.
KENNEDY: Por um momento eu achei que você fosse o grande segredo da Cathleen e agora ela sai por aí com outro cara. Como eu fui estúpida.
ZACK para de servir os refrigerantes e encara a garota.
ZACK: E o que te faz pensar que eu poderia ser o segredo da Cathleen?
KENNEDY: [gira os olhos] Por favor? Você ao menos a conhece? Ela está lavando pratos por você! E você? [irônica] Tenho certeza que dá esse ataque de ciúmes por todas as suas outras não-existentes colegas de trabalho.
ZACK parece sem graça.
KENNEDY: Bem, eu acho que estava errada, certo? Você claramente não é o segredo dela, porque se for [ri rapidamente], bem, não é muito bem guardado. Ela está escondendo alguma outra coisa. Alguma coisa que eu claramente não sou confiável o suficiente para saber. E se esse é o caso… [dá de ombros] Eu cansei.
KENNEDY vira-se para sair novamente e ZACK rodeia o balcão, correndo atrás dela.
ZACK: Ei, espera, Kennedy. [ele a alcança] Espera.
KENNEDY olha pro garoto.
ZACK: Não faz isso.
KENNEDY: Eu não estou fazendo nada! Ela é quem está colocando limites na nossa amizade. Daqui pra frente eu vou simplesmente colocar os meus.
ZACK: Não, Kennedy, olhe.
Algumas pessoas chamam ZACK, mas ele sacode a cabeça afastando os chamados.
ZACK: Acredite em mim, quando pessoas têm grandes segredos elas ficam com medo. Você é a melhor amiga dela. Se ela não te disse algo é porque está provavelmente com medo de sua reação e não porque não confia em você.
KENNEDY olha pra ele, relutante.
ZACK: Não vá lá e faça algo que se arrependerá depois e que não poderá ser reparado. Nesse momento ela precisa saber que você está do lado dela incondicionalmente. Se você conseguir mostrá-la isso, ela se abrirá. Eu garanto.
KENNEDY passa a mão nos cabelos e sai com uma expressão confusa.
CENA 11 – INT. RANCHO JONES – NOITE
SARAH está falando no telefone da sala sob o olhar preocupado de ALAN, da cozinha. Após alguns momentos a mulher desliga o aparelho e se aproxima dele.
ALAN: [apreensivo] Você esteve ali pelas últimas duas horas. Por favor me diga que conseguiu algo.
SARAH respira fundo e senta na frente do garoto.
SARAH: Sim, consegui. Mas não tão boas como gostaria.
ALAN parece parar de respirar.
ALAN: Ela está bem?
SARAH sorri.
SARAH: Sim, até onde sei ela está.
ALAN respira aliviado.
ALAN: Graças a Deus.
SARAH: Rebecca Bartell não estava nos meus contatos, mas por sorte nós tínhamos um Gavin Bartell.
ALAN: O pai dela.
SARAH: Exatamente. Gavin me disse que Rebecca entrou em contato com ele há pouco mais de um mês para pedir que ele parasse de procurá-la e que… ela sairia do país.
ALAN parece se desesperar.
ALAN: Ela o quê?
SARAH: Foi um pouco difícil, mas conseguimos rastrear a ligação e achamos o hotel que ela estava hospedada em St. Paul, Minnesota.
SARAH parece tentar encontrar as palavras.
SARAH: Ela partiu num avião no último dia 27 para Shanghai.
ALAN está com os olhos cheios de lágrimas.
ALAN: Meu Deus.
Ele levanta e começa a andar de um lado pro outro, descontrolado.
ALAN: C-como isso é possível? Ela nem sabe a língua! [irritado] Quer dizer, se ela não queria casar comigo, tudo que precisava fazer era falar!
ALAN encosta-se na parede, derrotado e leva as duas mãos à cabeça, chorando. SARAH levanta-se e vai até ele.
SARAH: Se acalme, Alan. Eu não acredito que Rebecca tenha te deixado. Eu falei com Gavin, ele estava fora de si, querendo notícias da filha. Disse que Rebecca alegou ter achado alguém para protegê-la. Ele estava preocupado.
ALAN enxuga as lágrimas e encara a mulher.
SARAH: E além de mim, Alan, eu só consigo pensar em uma outra pessoa que pode alegar proteger Rebecca. [pausa] Sua noiva está envolvida com as pessoas erradas.
CENA 12 – INT. MANSÃO LIEFIELD – NOITE
JOEY abre a porta revelando KENNEDY do lado de fora. Os dois formam uma expressão de desapontamento.
KENNEDY: Ah, você.
JOEY: Esperava por quem? Príncipe William?
KENNEDY: [olhar pensativo] Não doeria.
Ela entra na casa e vai em direção à escada.
JOEY: Ela ainda não chegou da lanchonete.
KENNEDY dá meia volta e sai novamente da casa.
JOEY: Ei, espera. Você pode entrar e esperar por ela. Eu não mordo.
KENNEDY: Eu não duvido.
JOEY: [sorri] Entra logo. Acho que ainda tem algum suco–
KENNEDY: [riso nervoso] Não, não, não, senhor. Eu não caio nessa outra vez.
JOEY franze o cenho.
JOEY: Nessa o quê?
KENNEDY aponta pra ele, nervosa.
KENNEDY: Você!
JOEY: O que eu fiz?
KENNEDY: [irritada] Você não é humano!
JOEY parece surpreso por um segundo.
JOEY: [arregala os olhos] O quê?
KENNEDY: [irritada] Você tem essa coisa estranha em você que me faz querer conversar por horas e isso [gritando] não é normal! Antes que eu perceba estou te pedindo para me levar em casa ou te confessando meus problemas! Então pára!
JOEY: [confuso] Como você espera que eu controle algo desse tipo?!
KENNEDY: [irritada] Não me importa! Só estou dizendo para você parar!
JOEY: [inconformado] Deus, tudo que eu fiz foi abrir a maldita porta! Desculpa por não te deixar plantada aqui fora e te convidar para esperar no meu confortável sofá!
KENNEDY: [irritada] Bem, eu gostaria de lembrar do dia em que tocava a droga da campainha e não era você atrás dessa maldita porta! Meu mundo era perfeito naquela época!
[MÚSICA – BREATHE YOU IN, THOUSAND FOOT KRUTCH]
JOEY sorri por um momento.
JOEY: Sua visão de mundo perfeito me inclui como um não-porteiro?!
KENNEDY: [irritada] Minha visão de mundo perfeito não te inclui! Nela eu não penso o que ando pensando e muito menos sinto o que ando sentindo!
Um sorriso se abre lentamente no rosto de JOEY. KENNEDY cruza os braços.
KENNEDY: [grossa] O quê?
JOEY: [se aproxima] No que você anda pensando, Kennedy?
Eles se olham nos olhos e KENNEDY engole a seco.
KENNEDY: [vacilante] N-não importa.
O garoto aproxima-se ainda mais e desfaz o sorriso, olhando-a profundamente.
JOEY: No que anda pensando, Kennedy?
KENNEDY: [sussurra] Não faz isso.
JOEY levanta as sobrancelhas.
JOEY: [sussurra] O quê? Você acha que vou te beijar a força?
Eles se encaram e KENNEDY então fecha a distância entre eles, tocando os lábios de JOEY. Após um longo momento ela interrompe o beijo e o olha novamente. O garoto parece sem reação, então ela aperta os olhos e balança a cabeça, arrependida. Ela vira-se para ir embora, mas JOEY a puxa pelo braço e seus lábios se encontram novamente, dessa vez num profundo beijo. JOEY segura o rosto de KENNEDY em suas mãos e a garota passeia as mãos pelas costas dele. Após um longo beijo eles se separam e JOEY envolve a cintura da garota em seus braços. Eles sorriem.
KENNEDY: [sussurra] Você é patético.
JOEY: [sussurra] Você também.
[Música fade out]
Palmas são ouvidas e eles viram-se para encontrar EHLIOS no topo da escada. O garoto finge enxugar uma lágrima.
CENA 13 – INT. THE ALLEY – NOITE
[MÚSICA – SOMEWHERE OUT THERE, OUR LADY PEACE]
CATHLEEN entra na lanchonete usando sua chave. O local já está vazio e a maioria das luzes apagadas. Vemos ZACK sentado em uma das mesas fazendo algumas contas. Ela vai rapidamente até ele. Ele vê CATHLEEN entrando e começa a levantar-se.
CATHLEEN: [seca] Não se incomode.
Ela joga um molho de chaves na mesa e ZACK senta-se novamente, deslocado.
CATHLEEN: O carro da Sarah está lá fora.
Ela vira-se e começa a sair da lanchonete.
ZACK: [confuso] O que você estava fazendo com o carro dela?
CATHLEEN: [sem parar de andar] Não acredito te dever nenhuma satisfação, Zack.
ZACK observa CATHLEEN sair da lanchonete com a expressão de alguém que recebeu um soco.
CENA 14 – EXT. THE ALLEY – NOITE
Um carro para na frente de CATHLEEN quando ela ainda está na calçada da lanchonete. ALAN sai de dentro do carro.
CATHLEEN: [surpresa] Alan, oi.
ALAN: Oi. [ele encosta no carro] Eu vim te avisar que nós a encontramos.
CATHLEEN: [sorri] Isso é ótimo. Ela está bem?
ALAN: Sim, ela está na China.
CATHLEEN parece surpresa e não consegue segurar o riso. ALAN também ri brevemente com a garota.
ALAN: Eu sei, eu sei… mas ela está bem.
CATHLEEN: E o que você vai fazer agora?
ALAN: Eu e Sarah vamos atrás dela.
CATHLEEN: [surpresa] Nossa. Eu poderia imaginar todos os desfechos para essa sua busca, menos você indo parar na China.
ALAN: [convicto] Se é lá que ela está, é pra lá que eu vou.
CATHLEEN olha para ele com admiração.
CATHLEEN: Você deve realmente amá-la.
ALAN: Eu achei a certa para mim e não a deixarei fugir tão fácil. Você também não deveria deixar o seu.
ALAN faz um movimento da cabeça para a lanchonete e CATHLEEN olha para trás. Através do vidro vemos ZACK observando-os conversar. O garoto disfarça e começa a limpar uma mesa. CATHLEEN olha para baixo, pensativa.
ALAN: De qualquer forma… eu só vim agradecê-la por me ajudar.
CATHLEEN: Imagina, eu não fiz nada.
ALAN: Você me colocou no caminho certo para encontrá-la e isso já é um motivo suficiente para agradecer.
CATHLEEN sorri.
CATHLEEN: Bem… de nada.
ALAN: [incerto] Não tenho certeza se devia te dar uma carona pra casa.
ALAN menciona ZACK novamente com a cabeça e CATHLEEN sorri.
CATHLEEN: Obrigada, mas é melhor não. Não é longe. Posso andar.
ALAN balança a cabeça em compreensão e sorri.
ALAN: Bem, foi um prazer conhecê-la, Cathleen. Espero que nos encontremos novamente.
ALAN entra no carro e CATHLEEN observa o veículo se distanciar por um momento. A garota então aperta os ombros, se ajeitando em seu sobretudo quando um vento frio bate. A CAM sobe enquanto CATHLEEN atravessa a rua.
[Música fade out]
CENA 15 – EXT. RANCHO JONES – NOITE
Vemos uma câmera subjetiva se aproximar de JULIA e sua Cherokee em um barranco. JULIA está de costas para a câmera contemplando ao longe uma vista aérea de Naranda à noite. A câmera mostra SARAH se aproximando com cara de poucos amigos. Ela não encara JULIA e também passa a contemplar a vista da cidade de cima do barranco. Elas ficam em silêncio por uns momentos até que SARAH fala, um pouco irritada.
SARAH: Ouvi falar da sua visita à White Pine. Pelo seu histórico desastroso com eletrocinéticos você deveria saber melhor do que entrar em uma base altamente fortificada com um deles dentro.
JULIA continua apreciando a vista noturna da cidade.
JULIA: [respira fundo] É linda, não?
SARAH encara JULIA com uma expressão confusa.
SARAH: [irritada] É. É linda. Mas é a minha linda pequena cidade e o meu lindo pequeno barranco, e por mais infantil que isso possa soar ainda me dá o direito de saber o que você está fazendo neles.
JULIA dá um pequeno sorriso e chuta uma pedrinha barranco abaixo. Ela finalmente encara SARAH.
JULIA: [séria] Quero que você e seus garotos fiquem longe dos meus.
SARAH encara JULIA por um segundo e logo ri irônica.
SARAH: Sai da minha propriedade.
JULIA: Achei que tivéssemos um acordo.
SARAH: [irritada] E eu pretendo continuar cumprindo-o.
JULIA: Então mantenha seus garotos afastados. Cathleen e Joey estão prestes a passar por coisas importantes. Realmente não é o momento certo para vocês entrarem em nossas vidas.
SARAH vai ficando cada vez mais irritada.
SARAH: [indignada] Entrarmos na sua…? Eu vivo nessa cidade há sete anos, Julia! Eu construí uma vida aqui! Tenho um bom emprego no museu de arqueologia, tenho os garotos… tenho paz! E logo quando eu acho que vou te apagar da minha vida você aparece com sua “família”, entra na minha casa e quer me dar ordens?! [riso irônico] Não vou colocar uma coleira nos meus garotos por sua causa. Se quer Cathleen e Joey longe deles volte pra sua casa, tenha uma agradável conversa com sua família e tranque os dois no quarto à pão e água, que é a única forma de ensino que consigo imaginar vindo de você!
JULIA: [tranqüila] Não posso mudar o que aconteceu, Sarah. E nem foi por isso que vim. O que estou dizendo é que a presença de Zack e Ehlios está desconcentrando meus garotos do que deve ser feito. E eu não tolerarei isso.
SARAH toma mais um momento para encarar JULIA.
SARAH: Pode repetir isso? Porque eu tive a impressão de que soou como uma ameaça, mas quero ter certeza antes de arrastar seu traseiro pra fora da minha propriedade pelos cabelos!
JULIA não parece intimidada pela agressão verbal enquanto SARAH parece tomada pela revolta. JULIA coloca as mãos no bolso de seu sobretudo negro e caminha até o carro sem pressa. Ela abre a porta do veículo e abaixa a cabeça.
JULIA: Espero que vocês estejam bem, Sarah.
JULIA entra no carro sob o olhar afiado de SARAH. Ela manobra e vai embora. A câmera sobe, mostrando SARAH observando o carro se afastar.
PRODUÇÃO EXECUTIVA
Samir Zoqh
Luciana Rocha
ELENCO
Keira Knightley como Cathleen
Riley Smith como Joey
Paul Wasilewski como Zack
Ashly Lyn Cafagna como Kennedy
Bonnie Somerville como Julia
ELENCO RECORRENTE
Neve Campbell como Sarah
CONVIDADO ESPECIAL
Brendon Routh como Alan
ESCRITA E EDITADA POR
Luciana Rocha
REVISADA POR
Samir Zoqh
AGRADECIMENTOS ESPECIAIS
Clara Lima
CRIADA E DESENVOLVIDA POR
Samir Zoqh
Luciana Rocha
MÚSICA TEMA
Late Great Planet Earth, Plumb
TRILHA SONORA
Made Of Steel, Our Lady Peace
Hate Every Beautiful Day, Sugarcult
Human, Fisher
Breathe You In, Thousand Foot Krutch
Somewhere Out There, Our Lady Peace
A HYBRID STUDIOS PRODUCTION
DISTRIBUTED BY TELEVISION SERIES NETWORK
©2005
Série Virtual – Destination Anywhere – Invisível (Parte Dois)
13/12/2011, 21:56.
Redação TeleSéries
Ficção (séries virtuais)
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Série: Destination Anywhere
Episódio: Invisível (parte 2)
Temporada: 1ª
Número do Episódio: 1×08
CENA 1 – EXT. ESCOLA – TARDE
[MÚSICA – VIEW FROM HEAVEN, YELLOWCARD]
A câmera mostra uma tomada aberta da frente da escola Will Rogers. Alguns adolescentes se despedem, enquanto outros apenas conversam sentados no gramado posicionado perto do estacionamento. Um pôster bastante chamativo com a foto da banda Lillix voa entre os alunos até cair no chão, perto de MELISSA, que ajeita sua mochila nas costas e prende o cabelo em um rabo-de-cavalo. Ela olha para SAM, que está encostado em uma árvore, e acena. Sem perceber, MEL pisa em cima do pôster enquanto caminha até o amigo. O garoto olha para o relógio.
SAM: Já estava ficando preocupado. O que houve?
MEL: Relaxa, Samuel, eu me atrasei 10 minutos.
SAM: Eu não quero sair muito tarde.
MEL: Não se preocupe seu pai não vai nem perceber que você ficou esse tempo fora. Oklahoma City é aqui do lado, nós vamos e voltamos ainda hoje.
CENA 2 – EXT. MESMO LOCAL
ALEXIA caminha de um lado para o outro no estacionamento perto do pátio principal. Ela está com o celular na mão e digita um número, leva o aparelho ao ouvido e desliga. Ela xinga algumas palavras inaudíveis e olha para o relógio. A líder de torcida gira o corpo sem querer e bate de frente com um rapaz.
ALEXIA: Olha por onde anda, seu idiota!
RAPAZ: Tá nervosinha, é?
ALEXIA lança um olhar fulminante para o garoto que foge imediatamente. Ela balança a cabeça negativamente, e digita novamente um numero em seu celular, mas antes que a garota pudesse aproximar o aparelho de seu ouvido, uma mão toca em seu ombro, e ela se assusta, o derrubando no chão.
BECKY: Ai, amiga! Desculpa! Eu não quis te assustar.
BECKY se baixa e pega o celular.
ALEXIA: Nossa, você está atrasada!
BECKY: Eu só me atrasei 10 minutos! Eu não sei por que você quer ir tão cedo. Não se leva nem 2 horas para chegar na capital.
CENA 3 – EXT. MESMO LOCAL
SAM: Você não vai contar mesmo para o seu pai?
MEL: Ele não precisa saber sobre a mamãe.
MELISSA começa a andar e SAM a segue.
SAM: Então vamos lá, vamos fazer isso.
Ele esfrega uma mão na outra.
SAM: [Empolgado] Vamos para Oklahoma City! U-huuu…
SAM caminha um pouco mais rápido, tentando acompanhar MEL. Ele olha para garota, que mantinha a mesma expressão séria.
SAM: Você não me parece muito animada.
MEL: Só estou um pouco ansiosa.
CENA 4 – EXT. MESMO LOCAL
BECKY: Você não vai contar ao Matt sobre o Jordan?
ALEXIA: Ele não precisa saber disso.
ALEXIA começa a andar, REBECCA acompanha a amiga.
BECKY: Não acredito que vamos fazer isso, é tão… emocionante.
ALEXIA olha para BECKY.
ALEXIA: Ah! Aproveita enquanto ainda podemos ser irresponsáveis.
ALEXIA bate uma mão na outra e sorrir.
A garota olha para o estacionamento à procura de alguma coisa. REBECCA tira a chave do carro da bolsa e destrava o alarme.
CENA 5 – EXT. MESMO LOCAL
SAM destrava o alarme do seu carro e abre a porta. MELISSA joga sua mochila no banco de trás. Os dois se preparam para entrar no carro quando SAM avista REBECCA do outro lado da rua. ALEXIA percebe que SAM está olhando e puxa REBECCA para dentro do carro.
BECKY: [Assustada] O que foi?
ALEXIA: [Sussurrando] O cachorrinho tá do outro lado da rua!
BECKY olha pela janela e vê SAM e MELISSA.
BECKY: [Sussurrando] A Melissa está lá com ele.
ALEXIA: [Sussurrando] Vamos bater nela!
ALEXIA se prepara para sair do carro, mas REBECCA puxa a amiga para dentro do carro.
BECKY: [Sussurrando] Ninguém vai bater em ninguém aqui.
ALEXIA: Por que você está sussurrando?
BECKY: [Pausa] Foi você quem começou.
MELISSA inclina-se um pouco para a esquerda, e percebe uma movimentação estranha vinda do carro estacionado no outro lado da rua. Ela franze os olhos ao tentar perceber o que estava acontecendo.
MEL: Por acaso aquilo ali do outro lado da rua é a Alexia…
SAM: … e a Becky.
[MÚSICA FADE OUT]
[MÚSICA TEMA: PROMISES – LILLIX]
CENA 6 – EXT. ESCOLA – TARDE
MEL: [Para Sam] Acho melhor irmos embora logo.
A ruiva entra no carro enquanto SAM continua olhando para o outro lado da rua. REBECCA e ALEXIA saem de dentro do carro. BECKY desamassa sua roupa e sorri para SAM. O garoto olha com mais atenção, como se não acreditasse no que estava vendo. REBECCA SAWYER, depois de um empurrão de ALEXIA, está vindo na direção do garoto.
MEL: Sam?
SAM fecha a porta do carro, trancando a amiga.
BECKY: Oi.
SAM: Oi.
BECKY: E aí?
SAM: Eh… [Sorri nervoso] Oi.
REBECCA olha para trás e vê ALEXIA olhando para eles, ela diz alguma coisa e gesticula para que a amiga volte a olhar para SAM. MELISSA coloca seu corpo para fora da janela direita. A garota apóia seu corpo na janela e bate três vezes no capô do carro. REBECCA olha assustada para a garota.
MEL: Rebecca, por acaso essa sua repentina mudança de comportamento com o Sam tem alguma explicação plausível?
BECKY: Como assim?
MEL: A Alexia tá te ajudando nisso? [Ela olha para o outro lado da rua e Alexia se esconde atrás do carro] É além de qualquer coisa normal. [Para Becky] Ou você foi possuída por algum inseto alienígena?
SAM olha para a amiga com desespero.
SAM: [Indignado] Melissa! Para você tudo sempre tem que fazer parte de uma grande conspiração?
BECKY: [Para Mel] Eu não fui possuída por nada, querida!
MEL: E ai, Sam? Vamos ou não vamos?
SAM: [Para Becky] Eu estou indo pra capital agora.
BECKY: Para Oklahoma? Você vai?
MEL: É, ele vai sim!
ALEXIA corre até eles ao ver que MELISSA está atrapalhando a conversa.
ALEXIA: [Sorridente] Oi, vocês! [Para Mel] Melissa? Mel?
MEL: O que é?
ALEXIA: [Sorridente] Eu estou fazendo uma pesquisa, e gostaria muito que você me respondesse uma pergunta.
MELISSA encara a líder de torcida.
ALEXIA: É o seguinte. [Finge que está anotando alguma coisa na mão] Você já se cansou de correr atrás do Mathew? [Sorrir] O povo quer saber?
BECKY esconde o rosto com a mão.
BECKY: Alexia…
MEL: [Sorrindo] E quando que você vai deixar de ser uma cretina? O povo quer saber?
ALEXIA sorri com desprezo.
JORDAN: Oi, meninas!
ALEXIA olha para o primo e desfere algumas tapas em seu ombro.
ALEXIA: Onde você estava? Eu liguei pro número que você me deu, mas ninguém atendia!
JORDAN: Ih, era você?
ALEXIA bate nele mais uma vez.
ALEXIA: Eu falei para você me encontrar aqui às 3 em ponto!
JORDAN não presta atenção no que a prima está falando, seu foco é REBECCA, que parece extremamente desconfortável com os olhares do rapaz.
ALEXIA: [Para Mel] Eu adoraria ficar e quebrar a tua cara, mas tenho algo mais importante para fazer. Ir ao show das Lillix em Oklahoma! [Sorri] Vamos, Becky!
SAM: Eu também vou ao show.
BECKY faz menção de dizer algo, mas é cortada por Jordan.
JORDAN: Valeu pela informação companheiro. Quem sabe nós não nos encontramos por lá?
ALEXIA: É, procura na ala VIP.
ALEXIA ri enquanto caminha até o carro de REBECCA. JORDAN tenta passar a mão pelo ombro de BECKY, mas ela tira imediatamente e apressa o passo. JORDAN ri.
MEL: Podemos ir agora?
SAM: [Olhando para Jordan] Quem era aquele cara?
MEL: Não sei, nem me interessa.
A garota entra no carro novamente. O carro do SAM deixa o local.
ALEXIA, REBECCA e JORDAN entram no carro. PHILL e SCOTT aparecem na frente do carro com os braços abertos.
PHILL: Não estão esquecendo de ninguém?
JORDAN abre o vidro da janela no banco do motorista e apóia seu cotovelo na janela. PHILL e SCOTT se aproximam.
JORDAN: Eu acho que tenho más noticias para os dois. O carro está lotado.
SCOTT olha para dentro do carro e vê a irmã sentada no banco da frente e ALEXIA no banco de trás.
SCOTT: Não está nada!
JORDAN trava as portas.
JORDAN: [Sério] Eu acho que está sim.
PHILL: Para com isso, Jordan!
PHILL tenta abrir a porta.
JORDAN: Hey, calma. Por que vocês não vão de ônibus? Se vocês saírem agora ainda dá tempo.
SCOTT: Esse carro também é meu.
BECKY: Jordan, deixa eles entrarem.
JORDAN: Ih, você não vai chorar, né Scott?
ALEXIA coloca as pernas em cima do banco.
ALEXIA: [Irônica] Eu também acho que não tem espaço.
JORDAN: [Pro Scott] Vai contar tudo pra mamãe?
JORDAN dá partida no carro e sai cantando pneu. PHILLIP e SCOTT assistem o carro se distanciando, imóveis.
SCOTT: Eu não acredito que ele fez isso!
PHILL: Eu devia ter suspeitado. O Jordan é um babaca. A gente pega ele quando ele voltar.
SCOTT: Quem? Você?
PHILL encara SCOTT.
SCOTT: É, claro! A gente pega ele! Com certeza!
CENA 7 – INT. ESCOLA – TARDE
ANNA anda pelo corredor vazio, com uma sacola na mão, a procura de alguém. MATT aparece por trás da garota, a surpreendendo.
ANNA: Aí está você!
MATT: Pronta?
ANNA tira um chapéu da sacola e coloca na cabeça.
ANNA: Agora sim.
MATT: [Rindo] Pra você tudo tem que ser piada?
ANNA: É, isso eu não mudei.
MATT ajeita o chapéu na cabeça da amiga.
CENA 8 – INT. CASA DOS GRAHAM – TARDE
A porta se abre e MATT e ANNA entram.
MATT: [Para Anna] Eu vou pegar algumas coisas e a gente vai. Não vou demorar.
ANNA: Tudo bem.
MATT vai na direção da cozinha. ANNA fica observando a sala, ela olha ao redor, tentando ficar à vontade. A garota pega um porta-retrato perto da televisão e sorri.
LOU: [Surpresa] Anna?
ANNA devolve o objeto para seu local.
ANNA: [Sem graça] Oi. Eu estava só olhando.
LOU: [Sorri] Fotografia é a coisa mais bizarra que o ser humano inventou, não acha? Com um simples clique, podemos guardar o passado em cima de uma estante.
MATT volta para a sala com uma mochila cheia de coisas.
MATT: Oi, tia! Eu e a Anna vamos á fazenda.
LOU: Que bom que vocês chegaram, eu já estava de saída.
MATT: Boa sorte, tia.
LOU passa a mão na cabeça deMATT e sai.
CENA 9 – EXT. RUA – TARDE
SCOTT e PHILL andam na rua com cara de poucos amigos. Os dois encaram o chão e chutam algumas pedras na calçada.
SCOTT: E agora? O que a gente vai fazer?
PHILL: O que se faz em uma quinta-feira?
SCOTT: Uma festa?
PHILL: ‘Cê acha? Oh, mané! Depois do que aconteceu lá em casa nem se eu quisesse eu poderia dar outra festa. E além do mais, quase todas as gatinhas legais dessa cidade foram para aquele show idiota.
Os dois caminham em silêncio.
CENA 10 – EXT. ESTRADA – TARDE
[MÚSICA – OUTSIDE OF ME, KILLING HEIDI]
Vista aberta da estrada. O sol já está um pouco mais baixo, indicando que o fim da tarde se aproxima. O visual seco condiz com o outono. Algumas fazendas ao fundo dão autenticidade ao local. Vemos alguns caminhões na estrada e um carro. A imagem se aproxima desse carro, em que MELISSA está com seu rosto por cima do braço apoiado na janela. Ela olha a paisagem com um certo ar de melancolia. A garota suspira ao ver uma placa no auto indicando que Oklahoma City estava apenas à alguns quilômetros. Ela encosta-se à cadeira e olha para frente.
SAM: Você não falou uma só palavra a viagem toda. Mel, vai dá tudo certo.
MEL olha para o amigo, e força um sorriso. Um carro passa por eles buzinando.
SAM: É o carro da Becky!
CENA 11 – INT. CARRO DA BECKY
BECKY: Você enlouqueceu? Onde já se viu ultrapassar um carro desse jeito?
JORDAN ajeita seu chapéu de vaqueiro na cabeça e sorri.
JORDAN: Calma, princesinha, eu sei o que eu faço.
ALEXIA: Ele está atrasado, Becky!
JORDAN olha para ALEXIA pelo retrovisor. Ele mantém sua calma habitual.
JORDAN: Eu não estaria atrasado se vocês não fizessem questão de parar a cada 15 minutos.
ALEXIA: Nós não paramos a cada 15 minutos. Só paramos 2 vezes.
BECKY: Você está exagerando.
JORDAN: Sabe de uma coisa? Eu pensei que essa viagem ia ser mais divertida.
O garoto encara a prima pelo retrovisor e depois olha para REBECCA. O carro de SAM ultrapassa eles.
CENA 12 – INT. CARRO DO SAM
SAM: Eu não acredito que você me fez fazer isso!
MEL sorri.
SAM: Pelo menos eu consegui arrancar de você um sorriso.
JORDAN acelera e posiciona o carro ao lado de SAM, na contramão.
SAM: O que ele pensa que está fazendo?
[MÚSICA FADE OUT]
CENA 13 – INT. LOCAL DESCONHECIDO
LOU está sentada em uma sala com uma revista na mão. A mulher folheia a revista sem dá muita atenção ao conteúdo. Ela olha para uma porta que tem uma pequena placa dourada escrita “Larry & Associados”. A porta se abre. LOU joga a revista na cadeira e se levanta. JAMES CARTER aparece e olha para LOU com surpresa.
CARTER: Louise Graham!
LOU: Olá, James!
CARTER: O que a trás aqui? Andou fazendo algo ilegal?
LOU: [Sorri] Infelizmente é algo pior: o Prefeito Wilson Danes. E você? O que o traz a uma firma de advogados?
CARTER: Minha esposa. Quer dizer, agora, ex-esposa.
LOU: Oh, Deus. Eu sinto muito.
CARTER: Tudo bem.
Os dois ficam em silêncio.
CENA 14 – INT. CARRO DE SAM
SAM olha para o lado e vê que o carro dirigido por JORDAN está acelerando cada vez mais.
MEL: Pisa no acelerador!
SAM: Eu não vou fazer “racha” em uma auto-estrada.
BECKY olha para SAM e grita.
BECKY: Para com isso, Sam!
MEL: Não para!
CENA 15 – INT. CARRO DE BECKY
ALEXIA fica de joelhos no banco. Parece bastante animada.
ALEXIA: [Batendo palmas] Vamos passar deles de novo!
JORDAN acelera o carro.
BECKY: [Grita] Cuidado! Um carro!
JORDAN parece bastante tranqüilo. Ele nem ao menos se abala quando avista um carro vindo em sua direção. O carro começa a buzinar. ALEXIA, que estava rindo, muda de expressão e se agarra no banco da REBECCA.
ALEXIA: Volta para a pista, Jordan! Isso não tem mais graça.
JORDAN não obedece. O garoto continua a acelerar o carro quando SAM pisa no freio. JORDAN volta para a pista, saindo da contramão. O garoto esboça um pequeno sorriso de vitória. ALEXIA e BECKY, assustadas, não falam nada.
CENA 16 – INT. CARRO DE SAM
SAM: Ele não ia sair da outra pista.
MEL: Eu sei! Que cara maluco.
O carro passa por uma placa. “Bem vindos à Cidade de Oklahoma”.
CENA 17 – EXT. FAZENDA GRAHAM – FIM DE TARDE
[MÚSICA – I WANNA BE WITH YOU, MANDY MOORE]
ANNA observa MATT conversar com um homem. Ele aperta a mão do homem e caminha até ANNA que segura a mochila do garoto impaciente. A garota pega uma maçã dentro da mochila e dá uma mordida.
ANNA: Quer um pouco?
MATT: Como você consegue comer tanto?
ANNA: Eu não como muito.
MATT pega a mochila e sacode.
MATT: Está vazia.
ANNA: Então eu acho que você não vai querer ir ao Red’s depois?
MATT ri.
ANNA: [Aponta para o homem com quem Matt conversava] Esse foi o último?
MATT: Sim. Agora é só mostrar [Matt mostra uns papeis] à Lou quando ela voltar.
ANNA: [Sem entender] Ahn…
MATT: Deixa eu explicar.
Os dois começam a andar em direção ao carro.
MATT: Toda semana a Lou checa em cada setor da fazenda os números, necessidades, sugestão do pessoal. Ela faz isso pessoalmente, diz que é melhor. Não tem muito tempo nós passamos de fazenda de pequeno porte para médio, e com isso o trabalho aumentou. Eu a ajudo quando posso.
ANNA faz uma expressão de quem entendeu.
MATT: O assunto não é um dos mais empolgantes, eu sei.
ANNA sorri.
ANNA: Eu nunca pensei que veria você tão envolvido com isso tudo aqui.
MATT olha para ANNA, e os dois ficam sérios. O garoto para de andar e encara a amiga por alguns segundos.
MATT: Eu acho que descobri que não importa o local. O nosso lar é onde o nosso coração está.
O telefone celular de ANNA toca, quebrando o momento entre os dois.
ANNA: Alô?
CENA 18 – INT. QUARTO DO PHILL
[MÚSICA BAIXA]
PHILL: Anna! Você está aqui? Aqui em Tulsa! [pausa] Não acredito! Você é a minha salvação! [Ri] Quer dar uma volta? [Pausa] Ah! Não sei… eu posso te levar à alguns lugares da cidade que você nunca viu antes. [Ri] Ocupada? E mais tarde? [Pausa] Entendo. [Suspira] É uma pena. Quem sabe um outro dia. [Pausa] Está certo. Tchau.
PHILLIP desliga o telefone e olha para Scott que estava encostado na parede.
PHILL: [Imitando a voz da Anna] Quem sabe um outro dia.
SCOTT ri. O garoto se aproxima de PHILLIP, um pouco sem graça.
SCOTT: Phill. E o Carter? Você disse que ia me ajudar com ele.
PHILL: E eu vou! Cada coisa tem seu tempo.
SCOTT: Eu não quero sair do time. Eu sei que vou ficar bom logo.
PHILL: Relaxa, Scott! Eu vou falar com o meu pai.
SCOTT: Não sei, Phill. Por que ele faria uma coisa dessas? O treinador Carter levou os Rogers à final, ano passado. Ele é bom.
PHILL: Tão bom que quer cortar você do time. Olha, se o meu pai não resolver isso, eu mesmo resolvo.
PHILL coloca um casaco.
SCOTT: Para onde você vai?
PHILL: Dar uma volta.
[MÚSICA FADE OUT]
CENA 19 – EXT. FAZENDA GRAHAM
MATT: Era o “Phill”?
ANNA: Era sim, o “Phill”.
MATT balança a cabeça negativamente.
ANNA: Ih, já vai começar?
MATT: Eu não disse nada!
ANNA: Não precisa. Dá pra ver pela sua cara.
MATT fica sério.
MATT: Já está ficando tarde.
ANNA: Hum… Eu não quero ir para casa.
MATT: E vamos pra onde?
ANNA: Não sei, “cowboy”! O que você sugere?
MATT sorri.
MATT: Eu sei de um lugar.
MATT e ANNA entram no carro.
ANNA: Contanto que não seja um rodeio, eu estou dentro!
CENA 20 – EXT. LOCAL DESCONHECIDO – NOITE
SAM estaciona o carro em frente a um prédio. MELISSA olha para o endereço na carta.
MEL: É aqui mesmo.
SAM: Obrigado “Yahoo! Directions”!
SAM guarda um papel com um mapa no porta-luva.
MEL: Bom, Sam. [Suspira] Eu acho que nos vemos mais tarde.
SAM: Você tem certeza que não quer que eu fique?
MEL: Sim.
MEL sai do carro.
MEL: Brigada, Sam!
SAM: Me liga quando você terminar. Boa sorte.
MEL: Boa sorte você também.
MELISSA olha para o prédio, hesita por alguns instantes e aperta a campanhia do interfone.
CENA 21 – INT. LOCAL DESCONHECIDO – QUARTO – NOITE
ALEXIA, REBECCA e JORDAN estão em um quarto, que aparenta ser em um hotel. ALEXIA joga sua bolsa em cima da cama.
JORDAN: Vocês não vão mais falar comigo?
ALEXIA e REBECCA ignoram a presença do rapaz. Ela retira algumas roupas de dentro da bolsa e pendura em um cabide.
ALEXIA: [Para Becky] E tinha gente que achava desnecessário um quarto de hotel.
Ela retira seu casaco e sacode a poeira.
BECKY: [Para Alexia] Nem me fale, meu cabelo parece um cacto.
JORDAN: Vocês vão se atrasar. O show é em uma hora.
ALEXIA: [Para Becky] Eu vou tomar banho primeiro.
BECKY: [Para Alexia] Eu vou pedir alguma comida descente para a gente comer.
ALEXIA entra no banheiro, e REBECCA sai do quarto. JORDAN suspira e se joga na cama.
CENA 22 – EXT. RUA – OKLAHOMA – NOITE
VOZ NO INTERFONE: Quem é?
MEL: [Pausa] Melissa Baker.
Alguns segundos depois a campanhia toca e o portão se abre.
CENA 23 – INT. MESMO LOCAL
MELISSA sai do elevador e uma mulher alta e ruiva [Elizabeth Perkins] a espera do lado de fora.
CENA 24 – INT. MESMO LOCAL – SALA
MELISSA senta-se em um sofá. A garota olha ao redor. O apartamento é pequeno, mas bastante confortável. A mulher senta-se em outro sofá, ficando cara-a-cara com a filha.
MULHER: Não achei que você viesse tão rápido.
MEL: Eu aproveitei que um amigo estava vindo à capital e… [Olha para a mãe] Eu vim em uma má hora?
MULHER: Não! Não! Claro que não. Para falar a verdade, não pensei que viesse.
A Mulher encara MELISSA.
MULHER: Você está tão bonita.
MEL olha para baixo.
MULHER: Seu pai sabe que você está aqui?
MEL: Não.
A Mulher suspira e sorri.
MULHER: Eu nem sei o que dizer.
MEL: Foi você quem disse que precisava falar comigo.
A MULHER olha para filha, visivelmente emocionada.
MEL: Você disse na carta que não ficaria aqui por muito tempo.
MULHER: Sim, eu ainda estou resolvendo isso.
MEL: E na carta você me perguntou seu eu poderia passar um tempo com você.
MULHER: Melissa, minha filha. Eu não quero encher teus ouvidos com conversas sobre o destino. As coisas acontecem devido às nossas atitudes. Eu tive que abrir mão de muita coisa na vida…
MEL: Inclusive de mim.
MULHER: Eu não tinha escolha. Não pense que eu fiz isso por que não te amava. Amava muito, você e seu pai.
MEL: Então por que você foi embora?
A MULHER encara o chão. Ela parece extremamente nervosa.
MULHER: Eu fiz o que tinha que ser feito, na época. [Olha para Mel] Mel, eu vim para Oklahoma a trabalho. Estou pleiteado uma transferência para essa cidade. E realmente espero que isso aconteça logo. Eu gostaria muito que você viesse ficar uns tempos comigo.
MEL: Eu não posso deixar o papai.
MULHER: [Triste] Eu entendo.
MEL: Ele morreria só de ouvir que eu vim para a capital só para falar com você.
MULHER: Eu não estou pedindo para que você me responda agora. Só quero que você saiba que você tem possibilidades. Se você realmente achar que deve vir, eu vou ficar feliz de alugar um local maior.
MEL sorri.
MULHER: Desculpa, Melissa. Eu sinto muito por tudo.
MEL: Tá tudo bem. Eu sobrevivi.
MULHER se levanta e coloca as mãos no bolso.
MULHER: Você vai voltar para Tulsa ainda hoje?
MEL: Vou. Eu vou voltar com o meu amigo.
MULHER: Mas antes você teria tempo de jantar? Eu posso preparar alguma coisa.
MEL: Obrigada.
MULHER: Me ajuda?
MELISSA balança a cabeça positivamente.
CENA 25 – EXT. RUA – NOITE
[MÚSICA – FOR THE MOVIES, BUCKCHERRY]
MATT para o carro. ANNA, surpresa, olha para frente.
MATT: Pringles Drive In!
ANNA: [Sorrindo] Muito melhor que um rodeio!
CENA 26 – EXT. DRIVE IN
MATT e ANNA estão acomodados dentro do carro. ANNA segura um saco gigante de pipoca.
ANNA: Eu não acredito que vou ver “Twister” dentro de um “drive in” em Oklahoma.
MATT: Ué, por quê?
ANNA: É muito sádico.
MATT sorri e pega um pouco de pipoca. Anna fica olhando para ele.
MATT: O que foi? Não posso pegar sua pipoca?
ANNA: Não, claro! Quer dizer, claro que pode.
MATT: O que foi? Você quer me dizer alguma coisa?
ANNA: [Sorri] Não foi nada.
MATT: Olha lá. O filme vai começar.
ANNA olha para a tela, e joga uma pipoca no amigo.
CENA 27 – INT. GINÁSIO
[MÚSICA FADE OUT]
ALEXIA e REBECCA andam pela multidão de braços dados. As duas garotas estão super produzidas. Elas mostram o ingresso para um dos seguranças e sobem uma escada que dá acesso aos camarotes. Jordan vem um pouco mais atrás.
ALEXIA: Dá para ver tudo daqui!
JORDAN: [Olha para rebecca] Uma visão privilegiada.
BECKY olha para a parte de baixo, a procura de alguém. JORDAN tira uma garrafinha de bebidas do bolso da sua calça e dá um gole. ALEXIA fica olhando para ele.
JORDAN: Quer um pouco?
ALEXIA: Eu não estou falando com você.
JORDAN: Acabou de falar.
ALEXIA pega a garrafa do primo e volta a olhar para a multidão.
CENA 28 – EXT. RUA
LOU para em um carrinho de sorvete. Ela compra duas casquinhas e caminha um pouco mais. Vemos o treinador JAMES CARTER encostado em um carro.
CARTER: Eu disse que não precisava.
LOU: Do que você está falando? Esse sorvete aqui é famoso. [Entrega o sorvete] Ei, obrigada por me esperar.
CARTER: Não tem problema. Faz tempo que a gente não conversa.
LOU: Depois que o Matt cresceu, ele achou que era um pouco constrangedor a tia o acompanhar em todos os treinos.
JAMES ri. Os dois continuam a andar.
CENA 29 – INT. GINÁSIO
SAM anda entre a multidão, atento, procurando por REBECCA. Ele dá um giro completo em torno de si mesmo, mas aparentemente a garota não estava por perto. A multidão começa a gritar, as luzes se apagam.
BECKY está olhando para baixo quando as luzes se apagam. Não demora muito para que o local esteja iluminado novamente. Desta vez as luzes são de diferentes cores e piscam de acordo com a batida da bateria. Um feixe de luz ilumina um canto do palco e podemos ver a baterista. As pessoas no local aplaudem quando o som de baixo entra em ação. Outro feixe de luz ilumina o palco e outra figura feminina se revela. O som do teclado é seguido pelo som da guitarra e vemos mais duas garotas. Alexia aponta para o palco e começa a pular.
[MÚSICA –24/7, LILLIX]
As Lillix começam a tocar. O foco agora é o palco.
TASHA: [Canta] I’m never ganna run, I’m never ganna live, I’m never ganna hide ohhh. I’ll wait for you hoping that day will come… I’ll wait for you until it feels like forever…
CENA 30 – INT.LOCAL DO SHOW – CAMAROTE
JORDAN: Elas não são tão ruins assim.
ALEXIA ignora o comentário do primo e volta a cantar.
SAM continua a andar. O garoto parece desapontado. Ele para e encara o palco. A letra da música parece mexer com ele.
TASHA: [Canta] But right now 24/7, I’ll wait 24/7, For you 24/7, I know 24/7.
[MÚSICA TERMINANDO]
CENA 31 – INT. DRIVE IN
ANNA olha para o saco de pipoca vazio. MATT olha para ela e ANNA sacode o saco para baixo.
MATT: Eu vou pegar mais.
ANNA sorri. O garoto desce do carro, e ela volta a prestar atenção no filme. Aparece uma cena em que um grande tornado engole um carro preto, fazendo uma grande explosão. Alguém bate no vidro da janela, do lado onde ANNA estava sentada. A garota de assusta. PHILLIP sorri. ANNA baixa o vidro do carro.
PHILL: Pensei que você tinha dito que estava ocupada.
ANNA: Phillip… eu posso explicar.
PHILL: Calma, Anny! Eu não estou pedindo nenhuma explicação.
ANNA: Mas isso está parecendo que eu inventei algo para não sair com você.
PHILL: E não foi?
ANNA: Claro que não. Eu estava ajudando um amigo, e viemos parar aqui.
PHILL: Um amigo?
ANNA: É.
PHILL: Anny, eu conheço o carro do Matt. Esqueceu que ele namora a minha irmã?
ANNA fecha os olhos um pouco constrangida. Ela sorri.
ANNA: Isso, o Matt.
PHILL sorri.
PHILL: Acho legal que vocês tenham voltado a ser amigos.
ANNA: É mesmo?
PHILL: Palavra de escoteiro.
ANNA: Desde quando você foi escoteiro?
PHILL: Nunca. [Sorri] Só espero que você não deixe de falar comigo por causa dele.
MATT: Anna, eu esqueci… a minha carteira. Phillip?
PHILL: Matty!
MATT: Oi…
PHILL: Pensei que você tinha ido ao show das Lillix com a minha irmã.
MATT: Não, eu não pude ir.
PHILL: Que estanho. Você sabe com quem ela foi?
MATT: Na verdade ela não me disse.
PHILL: [Sorri] Bom, eu não vou mais atrapalhar vocês. Eu já estou indo. Tchau Anny, tchau Matt!
PHILL muda a expressão sorridente quando fica de costas para o casal de amigos. Ele parece furioso. O garoto anda até um carro mais atrás, onde SCOTT estava encostado.
SCOTT: Era ele?
PHILL: Sim. Isso que eu chamo de sorte grande.
Os dois riem.
SCOTT: O que você falou pra ele? Disse que ia contar para a Alexia?
PHILL: Tá louco? Eu fui até gentil demais com os dois. Eu preciso que a Anna goste de mim, confie em mim. [Rir] Eu vi o olhar na cara dele. Foi hilário.
SCOTT ri.
PHILL: Agora vamos dá o fora daqui. Esse filme é horrível.
CENA 32 – INT. GINÁSIO
[MÚSICA – BECAUSE, LILLIX]
Algumas meninas pulam na frente do SAM. Ele parece até está se divertindo. O garoto tenta acompanhar a musica, mas claramente não sabe da letra. SAM olha mais uma vez ao redor e depois olha para o relógio. O garoto balança a cabeça negativamente e começa a andar para fora do local. Ele olha para trás e encara o palco por alguns instantes.
SAM: [Sussurra] O que eu estava pensando? Eu nunca vou encontrar…
SAM abre a boca. Ele esfrega os olhos ao ver que REBECCA estava ali, bem na sua frente, perto do banheiro. Ele observa a garota cruzar os braços, como se estivesse esperando alguém. JORDAN se aproxima dela trazendo dois copos de água. Ele entrega um copo para ela, e fala algo pelo qual ela retribui com um sorriso. Ele fala algo, dessa vez diretamente sem sua orelha, a garota parece não ter entendido, ele se aproxima novamente e a beija. SAMUEL fica surpreso com a cena, mas antes que ele deixasse o local, REBECCA empurra Jordan e bate na cara dele. JORDAN sorri e ela o empurra. O rapaz abre os braços num gesto de trégua, e ela devolve o copo de água que ele trouxe. REBECCA olha para o lado e vê SAM, parado, olhando para ela.
BECKY: [Grita] Sam!
A líder de torcida corre até SAM, que continua parado.
SAM: Quem é aquele cara?
BECKY: O primo da Alley. [Sorri] Você veio!
SAM: É… eu vim.
BECKY olha para o lado e vê ALEXIA saindo do banheiro. JORDAN aponta para ela e SAM e BECKY vem na direção dos dois.
ALEXIA: Ai, meu Deus! O cachorrinho tem um faro bom, amiga! Ele te achou! [Para Sam] Parabéns, parabéns!
BECKY: Seja lá o que tinha naquela garrafa, era forte demais para você.
ALEXIA: Nada é forte demais para mim. Nada. [Sorri] Sam, Sam, Sam, você acha que a minha amiga Becky aqui vai cair no seu charme desengonçado? Acha?
SAM começa a gaguejar.
BECKY: Alley!
ALEXIA: [Para Becky] Calma, Becky. Calma. [Para Sam] Eu acho que ela gosta de você. Ela não gosta quando eu falo mal de você! [Põe a mão na boca] Ooops! Esqueci que eu disse isso. Aliás, vocês dois. Becky e Sam. Esqueçam que eu estou aqui! Eu vou subir no palco e cantar uma música para vocês!
[MÚSICA FADE OUT]
ALEXIA coloca os braços para cima e sai aplaudindo a música que havia acabado.
[MÚSICA- BLIND, LILLIX]
SAM olha para BECKY de um modo estranho, como se quisesse entender o que acabara de acontecer.
BECKY: [Disfarça] Ela bebeu alguma coisa da garrafa do primo. [Sorri timidamente] A Alley tem péssimos hábitos.
SAM: O que ela falou é verdade?
BECKY: A Alley exagera um pouco.
A garota o encara por alguns instantes.
SAM: Eu vim até aqui por sua causa.
BECKY: Eu sei.
SAM: E você não vai fazer nada sobre isso?
BECKY: Eu não sei. [Pausa] Essas últimas semanas eu percebi como eu sinto falta de você por perto. De quando você gagueja quando fala comigo, de sentir que você me olha com desejo. Você me olha assim desde o ano passado. Quando o Matt deu uma festa, logo depois que ele e a Alexia ficaram pela primeira vez. Foi nessa festa, eu estava doente, com dor de cabeça, eu deitei no sofá e quando eu abrir os olhos você estava olhando para mim, como se eu fosse um anjo. Eu não sou cega, Sam.
SAM: Se você sabia todo esse tempo, por que não me disse logo que não estava afim e acabava com meu sofrimento.
BECKY: Eu não quero te fazer sofrer. Me desculpa, Sam.
Ele balança a cabeça negativamente.
SAM: [Triste] Eu tenho que ir buscar a Mel. Acho que nos vemos no Will Rogers.
BECKY segura SAM pela mão. Ela se aproxima dele lentamente. Os seus olhos se encontram, SAM parece não acreditar no que está acontecendo.
SAM: O que você está fazendo?
BECKY: O que eu deveria ter feito há algum tempo.
REBECCA por as mãos na nuca do garoto e puxa sua cabeça lentamente, até que seus lábios se encontram. SAM abraça BECKY e os dois se beijam. Ele passa a mão no rosto da garota e olha em seus olhos. Os dois se encaram por um instante e REBECCA sorri.
BECKY: Eu tenho que ir atrás da Alley, ou ela sobe no palco com certeza.
SAM: Eu tenho que ir buscar a Mel.
BECKY: A gente se fala, ok?
SAM sorrir. REBECCA some no meio da multidão.
[MÚSICA FADE OUT]
TASHA: Foi um ótimo show!
KIM: Vocês detonam!
O som das palmas toma conta do local. JORDAN carrega ALEXIA enquanto BECKY segura os sapatos da amiga.
BECKY: Você não deveria ter deixado ela beber.
JORDAN: A Alexia já é bem crescidinha. Ela sabe o que faz.
ALEXIA: [Cantando] Você quer saber? O que eu gosto em você? O que eu goste em você?
BECKY: [Para Jordan] Você só podia ser primo do Phillip.
JORDAN: Veja pelo lado bom, princesinha. Ela bebeu tudo o que eu tinha, agora eu vou ter que dirigir sóbrio.
BECKY força um sorriso.
CENA 33 – EXT. RUA – OKLAHOMA
MEL entra no carro do SAM. Os dois se olham.
SAM: Está tudo bem?
MEL: Sim. Vai ficar tudo bem.
SAM sorrir
CENA 34 – EXT. RUA
LOU olha para seu relógio.
LOU: Nossa! Como está tarde. Eu nem vi o tempo passar.
CARTER: Precisamos nos encontrar mais.
LOU: Quem sabe eu não vou ao próximo jogo do Matt.
PHILLIP e SCOTT atravessam a rua. Os dois andam alguns instantes antes de PHILL puxar SCOTT para trás de uma árvore.
SCOTT: Ei, o que houve?
PHILL aponta para LOU e JAMES.
SCOTT: O treinador…
PHILL: Com a tia do Matt!
SCOTT: [Rindo] Quem diria…
PHILL sorri.
PHILL: Quem foi que disse que um raio não cai no mesmo lugar duas vezes?
SCOTT: O que você quer dizer com isso?
PHILL: Pra quem dava como perdida essa noite, eu ganhei na loteria duas vezes.
ELENCO
Jonathan Bennett como Matthew Graham
Natalie Portman como Anna Mackenzie
Mena Suvari como Rebecca Sawyer
Lindsay Lohan como Melissa Baker
Austin O´Brian como Scott Sawyer
Joseph Gordon-Levitt como Samuel Wood
Kate Bosworth como Alexia Danes
Brad Renfro como Phillip Danes
Marisa Tomei como Lou Graham
ATORES CONVIDADOS
John Wesley Shipp como James Carter
Travis Fimmel como Jordan
Elisabeth Perkins como Mãe da Melissa
PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS
Tasha-Ray Evin como Tasha-Ray Evin
Lacey-Lee Evin como Lacey-Lee Evin
Louise Burns como Louise Burns
Kim Urhahn como Kim Urhahn
MÚSICA TEMA
Promises por Lillix
TRILHA SONORA
View from Heaven por Yellowcard
For The Movies por Buckcherry
Outside Of Me por Killing Heidi
I Wanna Be With You por Mandy Moore
24/7 por Lillix
Because por Lillix
Blind por Lillix
ESCRITO POR
Clara Lima
Sarah Lima
DIRIGIDO POR
Clara Lima
CRIADO POR
Clara Lima
Sarah Lima
DISTRIBUÍDO POR
TVSN
Medium de casa nova! Série ganha reprises no Universal Channel
03/12/2011, 18:02.
Redação TeleSéries
Notícias
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Allison Dubois está de casa nova. O drama policial/paranormal/familiar Medium, que durante muitos anos foi ao ar no canal Sony, ganhará reprises diárias a partir da próxima semana pelo Universal Channel.
O Universal Channel promete repetir os primeiros anos da série de segunda a sexta-feira, em dois diferentes horários, às 8h e ao meio-dia. Entre os dias 6 e 26 de dezembro, o canal reprisa a primeira temporada – que rendeu em 2005 um Emmy de Melhor Atriz em Drama para Patricia Arquette -, engatando a partir do dia 27 os episódios da segunda temporada da série.
Inspirada na vida da médium Alison Dubois, o seriado gira em torno de uma mãe de família com habilidades paranormais, que trabalha auxiliando a promotira de justiça de Phoenix. A série teve sete temporadas produzidas entre 2005 e 2011.
Até a semana passada, a série reprisava no canal Sony, que exibia as últimas temporadas na faixa do meio-dia.
Com informações da assessoria de imprensa do Universal Channel.
Série Virtual – Outsiders – Unleash
24/11/2011, 12:15.
Redação TeleSéries
Ficção (séries virtuais)
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Série: Outsiders
Episódio: Unleash
Temporada: 1ª
Número do Episódio: 1×07
CENA 01 – SALA DA MANSÃO LIEFIELD – NOITE
JULIA atravessa a sala onde JOEY está assistindo TV.
JULIA: Liga pra Cathleen. Temos trabalho essa noite. Eu vou pro campo.
JULIA sobe as escadas com pressa.
CENA 02 – THE ALLEY – NOITE
[MÚSICA DE FUNDO – DIRTY LITTLE SECRET, THE ALL-AMERICAN REJECTS]
CATHLEEN está servindo uma mesa com muitos garotos. Eles falam alto e nas mesas ao lado há mais garotos. A lanchonete está cheia. ZACK passa por ela, apressado, com uma bandeja em cada mão.
ZACK: Mesa 12 está sem ketchup.
CATHLEEN: Deixa comigo.
Ela anda rapidamente pela lanchonete. Ouvimos um bipe e ela tira o celular do bolso da calça. A câmera foca o aparelho onde se lê uma mensagem. “Trabalho novo. Essa noite. Esteja aqui o mais rápido possível”.
CATHLEEN: Você só pode tá brincando.
ZACK: [Voice over] Cathleen!
[Música fade out]
CENA 03 – SALA DE PESQUISA DA MANSÃO LIEFIELD – NOITE
JOEY está conectando alguns cabos a um dos três computadores sobre uma mesa. No resto da sala vemos mais duas mesas com três computadores sobre cada uma delas. Nas paredes há mapas, quadros brancos e uma tela grande plana. JOEY circula sua mesa e senta em frente aos monitores. Ele digita algumas coisas no teclado. Ouvimos o toque da campainha.
JOEY: Droga.
O garoto sai da sala que dá para a sala de treinamento. Ele atravessa o tatame, saindo da sala e chegando à sala de estar.
CENA 04 – SALA DA MANSÃO LIEFIELD – NOITE
JOEY abre a porta revelando KENNEDY muito bem arrumada.
KENNEDY: Hey. A Cathy tá ai?
JOEY: Ainda no trabalho.
KENNEDY: Droga.
JOEY olha para trás, visivelmente ocupado, mas KENNEDY apenas troca seu peso dos calcanhares para as pontas dos pés algumas vezes. Ele coça a cabeça e esvazia os pulmões.
JOEY: [contrariado] Você quer entrar e esperar?
KENNEDY sorri de orelha a orelha e entra.
KENNEDY: Que bom que ofereceu.
JOEY fecha a porta como se a ação requeresse muito esforço. Quando ele chega à sala KENNEDY já está no sofá.
JOEY: Você quer beber alguma coisa. Água, suco?
KENNEDY: Não, obrigada. Não posso demorar muito. [ela checa o celular] Nem a Cathy. Melhor ela chegar logo ou vamos perder a última sessão.
Ele senta no sofá ao lado dela, mas um pouco afastado.
JOEY: [franze o cenho] Vocês vão sair hoje?
KENNEDY: Sim. Tem essa inauguração de um cinema perto da faculdade.
JOEY: Ah…
KENNEDY: [sem graça] A gente te convidaria, mas—
JOEY: Vocês não querem.
KENNEDY: Não, é só que—
JOEY: [sorri] Vocês não querem.
KENNEDY fica sem graça.
JOEY: Não tem problema, Kennedy. Eu provavelmente não ia achar muito divertido ver vocês levando cantadas de universitários no escuro enquanto estou sendo obrigado a assistir um filme de garotas. E, a propósito, não sei se Cathleen vai poder ir.
KENNEDY forma uma expressão indignada e levanta do sofá.
KENNEDY: [irritada] Fala sério! Por que não?!
JOEY parece meio assustado com o tom da garota e se encolhe no sofá.
JOEY: [gaguejando] É só que… hum… a Julia… a gente meio que tinha que… organizar a sala de treinamento dela há algum tempo… hum… e o prazo acaba hoje à noite. Ela fica realmente irritada quando a gente não faz o que ela manda.
KENNEDY: [indignada] Você só pode tá brincando! Por que a maldita Hannover não me avisou isso?
JOEY: Na verdade eu acabei de falar com ela. Acho que ela não tinha lembrado.
KENNEDY encosta no sofá como se desmoronasse.
JOEY: Não é culpa dela. Vocês podem ir ao cinema amanhã.
KENNEDY: Não tem nada a ver com isso. Eu nem queria ir pra esse cinema idiota.
JOEY: Então por que você tá tão chateada?
KENNEDY: É só… Ultimamente ela tá tão… [suspira] Tá acontecendo alguma coisa com ela que eu não sei?
JOEY se faz de desentendido.
JOEY: Não. Claro que não.
KENNEDY: Porque ela me diria, certo?
JOEY: Com certeza!
KENNEDY: Sou a amiga mais próxima dela.
JOEY: Claro que é!
[MÚSICA DE FUNDO – STRAIGHTJACKET FEELING, THE ALL-AMERICAN REJECTS]
KENNEDY reflete por uns momentos e JOEY a olha intrigado.
KENNEDY: Mas alguma coisa… alguma coisa mudou e eu não to sabendo o que é. Eu só… queria que ela conversasse comigo. Ela nunca foi tão aberta assim sobre a vida dela, mas pelo menos a gente conversava sobre algumas coisas. Mas agora… ela tá tão distante. E eu… [triste] às vezes eu preciso de alguém pra conversar. Talvez eu… talvez eu tenha feito alguma coisa e—
JOEY: Hey, hey!
JOEY se aproxima dela.
KENNEDY: Não é sua culpa.
JOEY: Como você sabe?
KENNEDY: Eu só… eu simplesmente sei.
KENNEDY o olha nos olhos por uns instantes e de repente parece perceber que é JOEY quem está ali. Ela se recompõe e sorri, sem graça.
KENNEDY: Meu Deus, olha o papel de idiota que eu tô fazendo.
JOEY: Não tem problema.
KENNEDY: Não. Você é o Joey. Você é o Joey e eu não deveria ter esse tipo de conversa com você.
JOEY define o maxiliar e engole a seco, se afastando dela no sofá.
JOEY: É, acho que não. [levanta] Então, se você já tiver terminado… eu tenho trabalho a fazer.
Ela olha para ele meio espantada com o tom.
KENNEDY: Claro.
Kennedy pega rapidamente a bolsa e se dirige à porta ainda com semblante entristecido. Joey caminha para sala de treinamento com passos de elefante.
[Música fade out]
[MÚSICA TEMA – LATE GREAT PLANET EARTH, PLUMB]
CENA 05 – SALA DE PESQUISAS DA MANSÃO LIEFIELD – NOITE
CATHLEEN entra com pressa na sala. Ela ainda está com o uniforme do The Alley.
CATHLEEN: [ofegante] Já cheguei, já che–
JOEY levanta o dedo interrompendo a garota. Ele está em sua mesa cercado por computadores e tem um fone no ouvido e um microfone perto dos lábios.
JOEY: Continua nessa direção por mais duzentos metros. Você deve encontrar uma sala adjunta à parede interna norte.
CATHLEEN: [impressionada] Adjunta? Quem diria que o Ehlios poderia fazer milagres com seu vocabulário.
JOEY olha para CATHLEEN com uma expressão de tédio. Ele aperta um botão e o mantém pressionado.
JOEY: Já devia estar aqui há vinte minutos. Você não faz idéia de como ela tá irritada com você!
CATHLEEN caminha até sua mesa.
CATHLEEN: Lido com isso todos os dias. Tenho certeza que aguento, Joe.
A garota senta e coloca o fone anexado ao microfone nos ouvidos.
JOEY: A Lester teve aqui atrás de você.
CATHLEEN solta um suspiro cansado.
CATHLEEN: Maldição! Ela vai me matar por ter furado mais uma vez.
JOEY: Ela tava bem chateada. [fecha a expressão] Mas não quis falar muito sobre o assunto.
CATHLEEN: Essa vida vai me custar mais um grupo de amigos.
JOEY olha pra ela com pesar.
CATHLEEN: Hey, nós temos trabalho pra fazer. Deixo você sentir pena de mim depois que a gente tirar o traseiro da Julia de seja lá onde ela se meteu dessa vez. Você pode até fazer tranças no meu cabelo.
JOEY sorri e balança a cabeça em negativa.
JOEY: As plantas estão no WP3. E, acesse o satélite da Hellertech. Vamos ficar de olho na movimentação dos soldados.
CATHLEEN: [digitando] Então, qual é o plano?
JOEY: Julia acabou de roubar o uniforme de um soldado raso e está indo pro gerador.
CATHLEEN: O velho disfarçar e infiltrar? [risada irônica] Vocês são tão originais.
JOEY: Não é como se a gente tivesse muito tempo pra bolar o plano. Ela mal revisou as plantas da base.
CATHLEEN: Não se preocupa. É a Julia. Ela vai sair ilesa daquele lugar antes que a gente fale “Cluckty Cluck Cluck day”.
JOEY: [sussurra] Espero que sim.
CATHLEEN: Então vamos! Me intere dos fatos.
CENA 06 – EXT. BASE WHITE PINE – NOITE
JULIA está vestida com um uniforme camuflagem e anda apressada, mas sem levantar suspeitas, ao lado de um muro.
JOEY: [Voice over] Agora ela está indo para o gerador.
Ela chega ao vértice do prédio e vê, adjacente ao muro, um pequeno quarto. JULIA tira um cartão do bolso.
JOEY: [Voice over] Uma vez lá dentro [Julia entra na pequena sala] ela plantará o detonador.
Dois homens munidos de uma Colt cada um riem. O primeiro soldado é gordo e baixinho, enquanto o segundo é bem magro e aparenta ter passado dos 40 anos.
SOLDADO 1: “…e se você acha que eu vou aceitar ordens de mulher…”. Então McFlynn dá uma joelhada nas partes que ele tanto ama e o que dizem é que ele caiu quase desmaiado de tanta dor! [riem alto] Ela então abre as calças dele e tira uma faca do seu bolso. “Eu acho que vou ter que nos igualar então”.
Os dois riem alto.
SOLDADO 2: Estou te dizendo, Jeff, Jessica McFlynn foi a melhor coisa que aconteceu nessa base em muito tempo.
SOLDADO 2 coloca as mãos a frente do corpo fazendo menção a seios e os dois riem ainda mais alto, soltando um uníssono “Yeah”. JULIA se aproxima deles.
JULIA : Hey, caras.
Os dois olham pra ela e a câmera subjetiva mostra que no lugar de JULIA eles vêem um homem.
JEFF: O que está fazendo aqui, Danny? Não devia estar na torre nordeste?
A câmera mostra os três, e é JULIA quem continua falando com eles.
JULIA: É, mas um dos holofotes parou e o sargento me pediu pra vir dar uma olhada no gerador.
JEFF: Ah cara, você sabe que não posso deixar ninguém de patente inferior entrar ali [aponta para uma porta]. Você tem que trazer pelo menos um sargento. Porque não trouxe seu sargento?
JULIA: [sem graça] Eu não posso trazer o sargento porque a verdade é que… eu estive ali ontem à noite, Jeff.
Os homens se entreolham em surpresa.
JULIA: É, cara. Eu tava lá dentro com… Jessica [os dois arregalam os olhos] em ela meio que esqueceu sua… roupa íntima. Então eu preciso pegar de volta, cara, ou eu tô na rua. Já pensou se alguém acha?
Os dois se entreolham e de repente começam a rir.
JEFF: [irônico] Ok, Bill, eu dei um fora na Angelina Jolie ontem.
Eles continuam rindo.
JULIA: Vamos cara, quebra esse pra mim? Juro que fico te devendo. E outra, vocês nem precisam acreditar. A prova está lá dentro.
Eles parecem analisar a proposta.
JULIA: Eu mostro pra vocês.
JEFF suspira em rendição e começa a tirar o molho de chaves do bolso.
JEFF: [desapontado] Essas coisas nunca acontecem no nosso turno.
JULIA sorri.
CENA 07 – SALA DE PESQUISAS DA MANSÃO LIEFIELD – NOITE
CATHLEEN e JOEY continuam em suas mesas.
JOEY: A criatividade feminina me assusta.
CATHLEEN: A mente masculina me assusta.
JOEY sorri e CATHLEEN franze a testa, focando-se em seu monitor.
CATHLEEN: Agora, isso é estranho.
JOEY: O quê?
CATHLEEN: No mapa das linhas de força da base.
JOEY digita algumas coisas e, em seu monitor, linhas vermelhas tomam a planta da base.
CATHLEEN: Dá uma olhada em cima. Na parte direita.
JOEY: [parecendo entender] Sela 17.
CATHLEEN: Exatamente. Agora me diz, por que diabos, em uma base onde tudo é controlado por eletricidade, haveria uma sala – apenas uma – onde os cabos elétricos nem se aproximam?
JOEY, intrigado, afirma com a cabeça enquanto encara seu monitor.
JOEY: Saca só no satélite as leituras de calor. Ok, os pontos laranja são os soldados, mas tá vendo esse grande ponto vermelho onde a Julia está?
CATHLEEN: O gerador emanando calor.
JOEY: Exatamente. Agora na sela 17 tem um ponto do mesmo tamanho, mas totalmente frio…
CATHLEEN: [afirma com a cabeça] O gerador reserva inativo. Vai ver a sela não tem linhas de energia para prevenir um curto circuito, ou algo do tipo.
JOEY: É uma possibilidade. O gerador é subterrâneo e o único cabo saindo de lá também parece estar inativo. Leva energia até o centro de distribuição do outro lado. [franze a testa] E que diabos é isso?
CATHLEEN: O quê?
JOEY: Canal 9 do satélite. Esse troço faz tantas coisas que eu fico perdido. São umas linhas azuis estranhas oscilando em volta do gerador principal.
CATHLEEN vasculha alguns papéis.
CATHLEEN: Aqui. Freqüência 9: Sonar de campos elétricos.
JOEY: Qualquer dia Ulisses vai conseguir fazer esse satélite ler pensamentos.
CATHLEEN: [sorri] Não precisa. Nós temos a melhor pra isso.
CENA 08 – INT. BASE WHITE PINE – NOITE
Total escuridão e um barulho alto de motor. Uma porta se abre trazendo luz ao local. Jeff tateia a parede a as luzes se acendem. Julia olha em volta, impressionada. A câmera subjetiva mostra uma grande sala com maquinário pesado que chega quase ao teto. As máquinas formam um corredor no centro da sala e outros dois, rente às paredes.
Bill se treme ao entrar na sala.
BILL: Cara, eu odeio entrar aqui dentro. Me arrepio todo.
JULIA: Eu também. Que estranho.
JEFF: Nos disseram que esse trambolho cria um forte campo elétrico ao redor quando tá funcionando. Ar carregado. Se você der muita sorte dá pra ver até umas faíscas elétricas no ar de vez em quando.
BILL: Então… onde vocês ficaram?
JULIA: Acho que vocês vão ter que me ajudar a procurar na sala inteira.
BILL E JEFF: [juntos, rindo e afirmando com a cabeça] Yeah!
Os homens riem e dão tapas nas costas de Julia, jogando-a um pouco pra frente. Ela rola os olhos sem que percebam.
JULIA: [mexendo o ombro] Eu procuro do lado de lá.
Os três se separam e JULIA vai para um dos corredores rente à parede. As máquinas a encobrem da visão dos soldados. Ela tira um dispositivo do bolso, menor que a palma da sua mão.
JULIA: [sussurra] Acho que você vai precisar de uma ajuda pra acabar com isso tudo aqui.
JULIA começa a tatear o maquinário e olhar em volta procurando algo.
JEFF: [off] Hey, Danny! Que cor que é?
JULIA: [desinteressada] Hum… vermelha!
BILL E JEFF: [juntos em off] Yeah!
JULIA se permite uma gargalhada baixa e sorri. A câmera a mostra abrindo um painel e revelando uma tela sensível ao toque. Ela abaixa e tira uma tampa no pé de um dos maquinários. Vemos muitos fios. Ela escolhe um dos mais grossos e começa a desgastá-lo com uma faca. JULIA levanta e pressiona a tela em diferentes pontos. A câmera a mostra pressionar um local onde diz “Abastecimento de Emergência” e nesse momento o barulho do maquinário se intensifica pelo aumento da produção de energia.
CORTA PARA:
JEFF: [para Bill ao seu lado] O que é esse barulho?
BILL: Isso é um gerador, Jeff. O que você queria? Canções de ninar? Só continua procurando.
CORTA PARA:
JULIA volta a abaixar e vemos o cabo que ela havia desgastado faiscar perigosamente. Ela coloca um explosivo dentro da máquina e fecha a tampa.
JULIA caminha atravessando o corredor central e vemos BILL e JEFF de costas procurando em baixo de ferramentas. Ela vai até o outro maquinário e coloca mais um explosivo. O timer acende marcando cinco minutos e o display começa a regredir. JULIA circula o maquinário e instala rapidamente mais duas minas.
Ela olha em volta e pega uma flanela suja de graxa do chão. JULIA se aproxima dos dois soldados.
JULIA: Hey, caras. Achei.
Ela levanta a flanela imunda. CAM subjetiva mostra os soldados vendo uma calcinha vermelha de renda na mão de DANNY. Eles parecem hipnotizados. JEFF levanta a mão para pegá-la, mas JULIA a afasta.
JEFF: Vamos, cara. Eu só quero dar uma olhada.
JULIA finge ponderar por alguns instantes.
JULIA: Só lembrem depois o grande amigo que eu sou.
BILL: [desesperado] O melhor!
JULIA entrega a flanela e os dois começam a virá-la de todos os lados.
JEFF: [sem graça] Eu posso…?
Ele menciona seu nariz.
JULIA: [indignada] Não, cara! Eu não vou deixar você cheirar a calcinha da minha garota! Como que você ainda pede isso?
JEFF: [atrapalhado] Não, cara. Me desculpa… me… me desculpa, mesmo.
JULIA: A não ser que…
Os dois sorriem.
JULIA: Tem essa aposta rolando na muralha leste. Os caras não acreditaram que eu peguei a Jess. Eu tenho que ir lá mostrar isso antes da refeição da meia noite, só que meu sargento já deve ter notado minha ausência então…
BILL: [receoso] Ah, cara, a gente não pode sair daqui. E se alguém aparecer?
JULIA: Vamos, Bill. Vai ser só cinco minutinhos. Além disso, você sabe que ninguém nunca aparece aqui. Por que acha que a Jess escolheu esse lugar?
Eles se olham receosos.
JEFF: Bill, ele realmente é a primeira pessoa que vem aqui em semanas. A gente sempre fica sozinho a noite toda. Por que você acha que nos colocaram aqui? Porque é trabalho fácil. Quer dizer, olha pra gente.
JULIA olha apreensiva para o relógio. O cronômetro marca 3m12s.
JULIA: Vamos, Jeff, vocês não são tão ruins assim. E pensem bem, vocês vão ser os caras com a calcinha da Jess.
Bill finalmente abre um sorriso sacana.
BILL E JEFF: Yeah!
JULIA: [já irritada] Tá, tá, tá. [joga a flanela pra eles] Divirtam-se.
JEFF afunda o rosto na flanela suja. JULIA faz uma cara de nojo. JEFF levanta o rosto da flanela, revelando-o todo sujo de graxa. JULIA contém o riso enquanto BILL puxa a flanela da mão de JEFF e faz o mesmo. JULIA respira fundo e consegue fazer seu rosto tomar uma expressão séria.
JULIA: [puxando a flanela] Já tá bom. Não abusem.
JULIA toma um momento para olhar para os dois soldados com o rosto sujo de graxa.
JULIA: Agora cumpram sua parte do trato e levem essa belezinha [levanta a flanela e balança no ar] para o soldado Smith na muralha leste.
JEFF: Você é o melhor, Danny.
Os dois soldados com os rostos sujos pegam a flanela e saem da sala. JULIA olha para o relógio e sai com rapidez da sala de maquinário.
CENA 09 – INT. BASE WHITE PINE – NOITE
Julia espera os soldados saírem da sala e tranca a porta.
JOEY: [Voice over] Você tem menos de um minuto e meio pra chegar ao laboratório.
JULIA: [nervosa] Eu sei, eu sei. [se força a pensar] Aqueles tarados não estavam nos meus planos.
CORTA PARA
CATHLEEN digita velozmente no teclado. O computador mostra a planta da base com linhas de cores diferentes aparecendo a cada clique da garota. Ela para num mapa com linhas marrons.
CATHLEEN: Achei. Sistema de esgoto.
CORTA PARA
CATHLEEN: [Voice over] No canto esquerdo à porta.
JULIA vê uma bancada com um monitor de vigilância no local. Ela arrasta o móvel revelando um alçapão no chão de madeira. Ela o abre, entra, desce alguns degraus e o tranca por dentro. CAM subjetiva mostra um corredor úmido com muitos canos nas paredes. O local parece ser uma galeria de esgoto.
CATHLEEN: [Voice ver] Corre!
[MÚSICA DE FUNDO – CURSED, CHRISTOPHER BECK]
JULIA começa a correr velozmente.
CATHLEEN: [Voice over] Rastrea–
JULIA aperta um botão em um dispositivo em sua cintura.
CORTA PARA
Um ponto amarelo começa a brilhar e se mover na tela do computador.
CATHLEEN: Obrigada.
CORTA PARA
JULIA correndo.
JOEY: [Voice over] Um minuto.
JULIA se esforça e ganha velocidade.
CATHLEEN: [Voice over] Direita.
JULIA faz a curva perfeitamente sem diminuir velocidade. Ela corre por mais uns segundos.
CATHLEEN: [Voice over] Outra vez.
Ela faz outra curva fechada e escorrega em uma poça, mas recobra o equilíbrio e continua correndo.
CORTA PARA
CATHLEEN e JOEY acompanham o ponto amarelo se aproximar na planta do quadro que leva a legenda “Laboratório de Testes.”
CATHLEEN: Só mais um pouco. Até o duto de ventilação.
JULIA expressa no rosto o esforço.
[Música fade out]
CENA 10 – SUB. BASE WHITE PINE – NOITE
Em uma galeria subterrânea, dois soldados jogam cartas. Ao fundo vemos um maquinário semelhante ao gerador principal. Um dos soldados bate as cartas na pequena mesa.
SOLDADO 1: Full House, otário!
SOLDADO 2: Você tá trapaceando.
SOLDADO 1: Não, você que é ruim mesmo. [ri] Quer parar ou topa perder mais cinqüenta?
SOLDADO 1 ri ainda mais enquanto SOLDADO 2 tira o dinheiro do bolso e o bate na mesa.
SOLDADO 2: Ainda te pego escondendo cart–
Barulhos de passos rápidos. Eles olham para o único corredor de acesso à galeria e pegam suas armas, colocando-as em posição. Em total silêncio, eles cruzam o corredor com SOLDADO 1 guiando o caminho. Quando o corredor termina, SOLDADO 1 levanta o punho fechado e SOLDADO 2 para de andar, apontando a Colt para o teto e encostando-se na parede. SOLDADO 1 espia rapidamente o corredor e CAM subjetiva mostra alguém em trajes militares abrindo a báscula de um duto de ventilação que sobe, sumindo no teto do corredor.
SOLDADO 1, através de sinais, conta até três e ambos rapidamente apontam a arma para JULIA com um clique característico.
SOLDADO 1: É melhor que tenha uma ótima explicação para o que faz aqui em baixo soldado.
JULIA, ainda de costas, levanta os braços em rendição.
CENA 11 – SUB. BASE WHITE PINE – NOITE
JULIA se vira lentamente. SOLDADO 2 se aproxima enquanto SOLDADO 1 continua com mira firme em JULIA.
SOLDADO 2: Quem diabos é você e ordens de quem segue para estar aqui embaixo? SOLDADO 1: Fred, eu achava que McFlynn fosse a única mulher na base.
FRED olha ainda mais sério para JULIA.
FRED: E ela é.
FRED ajeita a mira da arma.
FRED: Quero ver identificação!
JULIA: Se acalma. Está no meu bolso de trás.
A câmera mostra as costas de JULIA que possui uma faca no cinto. Ela começa a abaixar a mão lentamente–
SOLDADO 2: Não, não, não! Mãos pra cima! [sorri, malicioso] Vai ser um prazer pegá-la.
Ele levanta a mão aproximando-a da cintura de JULIA, quando um estrondo muito alto de explosão é ouvido. Um bloco de concreto do teto cai sobre SOLDADO 1, que desmaia.
[MÚSICA DE FUNDO – FAITH’S END, CHRISTOPHER BECK]
Mais pedaços de concreto soterram o soldado abrindo um buraco no teto. FRED, assustado, vira para ver o amigo no chão. Rapidamente JULIA chuta a arma e saca a faca, batendo seu punhal na nuca de FRED. O homem vai ao chão, perdendo o alcance de sua metralhadora. Ele tenta levantar, mas JULIA, rapidamente, o pega pelo colarinho e com um soco o deixa inconsciente. Toda a ação dura poucos segundos. JULIA entra pelo duto, saca uma arma com um ponteiro e atira para o teto, liberando um cabo que se prende ao fim do duto. A vemos ser içada no ar.
CATHLEEN: [Voice over] Gerador reserva em… 14 segundos. Ah, e a propósito, eu já falei que esse plano é loucura?
CENA 12 – EXT. BASE WHITE PINE – NOITE
Na superfície da base vemos o caos. Soldados e carros correm para todos os lados, enquanto outros tentam apagar o fogo da sala do gerador. Tenentes gritam ordens de comando. A CAM mostra uma placa onde lemos “REFEITÓRIO” e vai descendo até a entrada, onde dezenas de soldados saem correndo do local.
CENA 13 – INT. BASE WHITE PINE – NOITE
Muitos soldados correm até uma porta onde vemos a placa “ARMAMENTO”. Um deles força a maçaneta, mas a porta não abre.
SOLDADO: É a energia! As portas estão travadas!
CENA 14 – INT. LABORATÓRIO – NOITE
Uma das básculas do duto de ventilação se solta e vemos JULIA com uma lanterna na boca. Firmando as mãos na borda da passagem, ela sai do duto com uma cambalhota. JULIA solta as mãos do duto e pousa no chão com o mínimo barulho.
CATHLEEN: [Voice over] Dez.
Ela olha ao redor e parece nervosa. CAM subjetiva mostra no foco da lanterna mesas onde vemos microscópios, tubos de ensaio e outros utensílios para experiências químicas.
JULIA: Não tem nada aqui!
CATHLEEN: [Voice over] O quê?! Sai daí, Solaris! Você tem 6 segundos!
JULIA pega a báscula do chão e olha para o duto por onde entrou.
CORTA PARA
JOEY se levanta nervoso de sua mesa e fica em pé ao lado de CATHEEN.
CENA 16 – INT. BASE WHITE PINE – NOITE
As luzes do corredor se acendem em seqüência, sendo acompanhadas pelo olhar de soldados no corredor. A câmera mostra que ao lado da maçaneta de uma porta, uma luz vermelha fica azul. Nesse momento um homem com um jaleco branco abre rapidamente a porta do laboratório sendo seguido por alguns soldados. A câmera mostra o laboratório vazio e no canto da tela vemos a báscula se ajeitando discretamente no duto de ventilação. Os soldados começam a vistoriar o laboratório.
[Música fade out]
CENA 17 – INT. BASE WHITE PINE – NOITE
JULIA esgueira-se pelo duto.
CATHLEEN: [Voice over] O quê você quer dizer com não ter nada lá?
JULIA: [irritada] Que eu vi gnomos fazendo presentes de Natal!
CATHLEEN: [Voice over] Duendes.
JULIA: [gira os olhos] Quis dizer exatamente o que disse. Não tem nada lá!
JULIA alcança o duto vertical e agarra o cabo que ainda estava preso ao teto. Ela começa a descer.
JULIA: O lugar é um laboratório químico. Provavelmente para criar armas químicas. Não tinha nada de receptor nenhum lá.
JOEY: [Voice over] Você acha que eles já transportaram o satélite?
JULIA: Não sei. Pra falar a verdade eu acho que nunca houve satélite nenhum nessa base. Os equipamentos de lá não pareciam exatamente novos e considerando que aquele é o único laboratório dessa base, eu diria que ele sempre foi o que é.
JULIA sai pela passagem do duto, estando agora novamente nas galerias de esgoto da base. FRED ainda está desmaiado no chão. Ela vai até ele e começa a amarrar suas mãos.
CORTA PARA
CATHLEEN: Espera, você tá dizendo que Robert armou isso tudo?
JULIA: [Voice over] É a única explicação que me vem à mente. A pergunta é: com que propósito?
A câmera desliza das costas dos garotos para o monitor de JOEY onde as linhas azuis agora oscilam como ondas em volta da sela 17.
CENA 18 – SUB. BASE WHITE PINE – NOITE
Na galeria do gerador reserva, a câmera circula o maquinário, onde um barulho ensurdecedor mostra que ele produz energia a todo vapor. A câmera vai movendo-se para cima para cima, passando através do teto e mostrando a sela acima do gerador, que contém apenas uma maca.
CENA 19 – INT. BASE WHITE PINE – NOITE
[MÚSICA DE FUNDO: DEVIL’S CHILD, CHRISTOPHER BECK]
A câmera foca de perto um braço em cima da maca. Todos os seus cabelos eriçam ao mesmo tempo e um barulho de desmoronamento é ouvido. Filmado de costas, o homem deitado na maca se senta rapidamente, mas não vemos sua identidade. A câmera acompanha seu lento movimento de mão e vemos um raio elétrico faiscar no ar por onde ela passou. O homem levanta e vai até a porta de sua sela. A câmera mostra a mão dele em concha. Raios elétricos dançam entre os dedos freneticamente. Ele passa a mão sobre a fechadura e um barulho característico condena que foi destravada. O homem começa a gargalhar alto.
[Música fade out]
CENA 20 – SUB. BASE WHITE PINE – NOITE
Julia dá um último puxão e o soldado altamente ferido e ainda desacordado sai debaixo da pilha de entulho. Ela o arrasta até seu companheiro de turno inconsciente. Limpando o suor da testa Julia encara a pilha de entulho que bloqueia o corredor.
JULIA: A passagem tá bloqueada. [olha para o buraco no teto] Vou ter que sair por cima.
CATHLEEN: [Voice over] De maneira alguma! Você não faz idéia do formigueiro de soldados que tá lá em cima agora. Você não conseguiria controlar a mente de todos!
JULIA: Não é como se eu tivesse o Joey aqui pra abrir uma passagem no meio desse entulho, mas se vocês tiverem outra saída, estou aberta a sugestões.
JULIA fica calada e os garotos nada respondem.
JULIA: Foi o que eu achei.
Ela começa a escalar a montanha de concreto visando alcançar a abertura no teto.
CORTA PARA:
CATHLEEN acompanha no monitor a movimentação de centenas de pontos laranja pela base.
CATHLEEN: Você vai sair no banheiro de uma das selas. Aí dentro não parece ter ninguém, mas lá fora a coisa não tá nada boa.
JOEY, em pé ao lado da garota, aperta um botão e o mantém pressionado.
CATHLEEN: Por que você cortou a comunicação?
O garoto aponta para alguns pontos azuis no monitor.
JOEY: [arregala os olhos] Têm corpos por todo o corredor.
JOEY e CATHLEEN se entreolham. A câmera foca o monitor, onde vários pontos laranja vão ficando verdes e depois azuis rapidamente.
CORTA PARA:
JULIA atravessa o buraco saindo dentro da área da ducha do banheiro. Ela abre com cuidado a porta e vemos a sela onde o homem fugiu. Um alarme insistente toca sem parar.
JULIA: Base? Base?
Silêncio. JULIA aperta o ponto no ouvido.
JULIA: Base?
CATHLEEN: [Voice over] Estamos aqui.
JULIA: Está seguro para sair?
JULIA se aproxima da porta. Do corredor, além no alarme, não vem nenhum barulho.
[MÚSICA DE FUNDO – ESCAPE, CHRISTOPHER BECK]
CATHLEEN: [Voice over] Acho que seguro não seria a palavra certa.
Julia sai da sela e parece chocada. A câmera subjetiva mostra cerca uma dúzia de soldados mortos no corredor. Vemos no chão algumas marcas da borracha dos coturnos queimados. JULIA olha pra cima e a câmera mostra todas as lâmpadas do corredor estouradas. O vermelho das poucas sirenes que restam cintilam no local.
JULIA: Quem fez isso?
JOEY: [Voice over] A gente descobre isso depois. Sai daí rápido antes que você seja a próxima!
[MÚSICA DE FUNDO – CURSED, CHRISTOPHER BECK]
JULIA corre pelos corredores onde tudo que se vê são corpos. Ela desvia e pula por alguns deles.
CATHLEEN: [Voice over] Esquerda no próximo corredor.
CORTA PARA
JOEY: [abismado] Você está a guiando através dos corpos?
CATHLEEN: [irritada] Você quer discutir ética agora, Joe? Nós temos que tirá-la de lá. Pelo menos dessa forma ela não vai ser pega.
JOEY nada responde. No monitor, mais pontos laranja vão ficando azuis com maior velocidade.
JOEY: Está no pátio.
CATHLEEN: [sussurra] Meu Deus, é um massacre.
CORTA PARA
JULIA tropeça em um cadáver e vai ao chão, dando de cara com um soldado morto de olhos arregalados. Ela se afasta rápido, pega uma das armas no chão e levanta. Ela engatilha a arma e continua correndo.
CATHLEEN: [Voice over] Estamos quase saindo.
JULIA atravessa a porta e ganha o pátio. Num cenário de terror vemos dezenas de corpos no gramado. O som da cena é abafado pela música. Do lado esquerdo, a sala do gerador emana altas labaredas de fogo, que alguns soldados tentam apagar sem sucesso. JULIA parece em choque com a quantidade de mortos e caminha lentamente através deles. A câmera mostra oficiais gritando ordens de comando. Um jipe corta caminho entre os mortos enquanto soldados empilham nele os corpos dos companheiros.
[Música fade out]
HOMEM: [voice over] Soldado!
JULIA parece sair do transe. Atrás dela vemos um tenente com a farda suja de sangue. JULIA fecha lentamente os olhos e vira para o tenente. A câmera subjetiva mostra DANNY novamente no lugar de Julia.
TENENTE: [irritado] A formação é do outro lado!
JULIA: Sim, senhor. Desculpe, senhor.
TENENTE: [irritado] Não quero suas desculpas, quero seu traseiro naquele pelotão, agora!
O homem vai até JULIA e empurra a arma contra seu peito.
TENENTE: [irritado] E segure a sua arma como um homem!
Ele passa por JULIA desviando dos corpos e ela o segue.
CORTA PÁRA
CATHLEEN: Solaris, você não pode ir por aí.
JOEY: Fala mais baixo ou vai quebrar a concentração dela.
CATHLEEN: [sussurra] Nessa direção há o que parece ser uma grande concentração de soldados.
CATHLEEN corta a comunicação com um toque no teclado e olha para JOEY.
CATHLEEN: Ela não vai conseguir enganar tantos soldados.
CORTA PARA
A câmera mostra JULIA de costas, seguindo o tenente. Ela leva à mão às suas costas onde vemos a faca. Ao firmar a mão no cabo, JULIA vê os dois soldados do jipe de recolhimento acompanhando sua movimentação. Ela solta a faca e continua andando.
O tenente vira num alojamento e quando JULIA faz o mesmo vemos um pelotão com mais de cem soldados em formação cerrada com oficiais à sua frente. A cada passo, mais soldados desviam o olhar para os recém chegados e JULIA vai ficando visivelmente tonta. A câmera gira em torno de JULIA e ela parece estar prestes a desmaiar. Um general olha para a os dois se aproximando.
GENERAL: Quem é ela?!
O tenente vira pra trás, surpreso. A câmera mostra que agora ele vê JULIA onde achava estar DANNY. O tenente saca uma pistola. A câmera mostra a visão de JULIA turvar quando quase todo o pelotão olha para ela. As vozes ficam graves e ela vai ao chão, mas não desmaia de imediato. Vemos pela visão dela os pés do TENENTE em primeiro plano, e atrás dele pares de pés correm para todos os lados e tiros são ouvidos. De repente os pés do tenente tremem com força e JULIA vê raios elétricos cobrirem-nos através de sua visão nebulosa. Ele vai ao chão e agora um par de pés descalços se aproxima de JULIA lentamente. JULIA pisca e a tela fica preta algumas vezes até que ela desmaia. Baque surdo.
CORTA PARA
A câmera mostra um aglomerado de pontos laranja se dissipar e boa parte deles se torna azul. CATHLEEN levanta da cadeira e encara o monitor com os olhos marejados.
CATHLEEN: [sussurra] Oh, Deus.
JOEY: [nervoso] Solaris, aqui é Base, responda! [silêncio] Solaris, pode me ouvir?! [irritado] Droga, Julia!
JOEY, com urgência, pega um laptop em cima da sua mesa. No monitor pontos ficam azuis como numa onda circular crescendo.
JOEY: Cathleen, pegue as chaves.
JOEY caminha até a porta, mas Cathleen continua encarando o monitor.
JOEY: [grita] Cathleen, as chaves!
A garota, saindo do transe vai até um armário e o abre. Vemos uma fileira de chaves. Ela pega qualquer uma e segue JOEY.
CENA 20 – EXT. MANSÃO LIEFIELD – NOITE
Um porshe cromado canta pneus na saída da garagem da mansão. Vemos CATHLEEN na direção e JOEY no carona com o laptop no colo.
CATHLEEN: Em quanto tempo chegamos lá?
JOEY digita freneticamente.
JOEY: Se corrermos, vinte minutos. [sussura] Não é o suficiente…
CATHLEEN aperta o volante.
CATHLEEN: Então chegaremos em quinze.
A câmera mostra o carro ganhando velocidade nas ruas de Naranda.
JOEY: É melhor irmos pela estrada antiga. Ser parado pela polícia não seria interessante agora.
CATHLEEN fura um sinal vermelho e um carro vira tudo para a direita. Ouvimos a buzina se distanciar.
JOEY: [põe o cinto] Não quero nem pensar como você dirigiria bêbada.
CATHLEEN não responde e se concentra na estrada.
JOEY: Direita aqui.
O carro canta pneu na curva. No final da rua CATHLEEN vira novamente e ganha a estrada de chão batido.
CENA 21 – INT. CARRO EM MOVIMENTO – NOITE
Uma chuva fina cai na estrada, e o barulho de teclas é o único som dentro carro. CATHLEEN parece hipnotizada pela estrada e Joey ainda tem os olhos grudados no laptop.
JOEY: Bem, o rastreador foi pro espaço.
CATHLEEN engole a seco, mas permanece calada. JOEY observa o monitor e agora os pontos laranja são raros. Ele define o maxilar e fecha o laptop, irritado.
CATHLEEN: [vacilante] Você ac– [respira] Você acha que ela está viva?
JOEY não tira os olhos da estrada.
JOEY: [sério] É claro que ela está viva.
CATHLEEN encara o amigo.
JOEY: É a Julia. E se tem alguma coisa que eu sei sobre ela é que ela sabe sair dessas situações.
CATHLEEN: Achei que tivesse dito que não a conhece.
JOEY: [respira fundo] Eu não sei quem ela foi, mas… eu sei quem ela é. E agora isso pra mim é suficiente.
CATHLEEN: [olha pra ele] Parece que a conversa surtiu efeito.
JOEY leva a mão aos cabelos.
JOEY: [negativa com a cabeça] Eu só… Eu não acredito que ele armou isso tudo!
CATHLEEn olha para JOEY nos olhos.
CATHLEEN: É por isso que não podemos confiar em mais ninguém além de nós.
JOEY olha pra frente e seu rosto é tomado pelo medo.
JOEY: [grita] Cuidado!!
CATHLEEN finca o pé no freio e as rodas travam, derrapando na estrada lamacenta. O carro patina por alguns metros até parar bruscamente. CATHLEEN e JOEY se encostam novamente no banco e olham para frente. Na luz do farol vemos alguém em trajes militares deitado no meio da estrada. Os garotos se entreolham e saem apressados indo até o desconhecido.
[Música de fundo: “A Hole In The World (acoustic)” by Thursday]
CATHLEEN o vira de frente e vemos JULIA, desacordada e com o rosto sujo de lama. Ela tem um corte no supercílio por onde sai muito sangue e seu rosto tem hematomas.
CATHLEEN: [sussurra] Meu Deus!
JOEY abaixa e pega JULIA no colo. Ela se mexe e geme quando ele a levanta.
JOEY: Sh, sh, sh. Somos nós. Nós vamos pra casa.
Os dois começam a andar até o carro.
JOEY: Está segura agora.
A música vai diminuindo de volume.
PRODUÇÃO EXECUTIVA
Samir Zoqh
Luciana Rocha
ELENCO
Keira Knightley como Cathleen
Riley Smith como Joey
Paul Wasilewski como Zack
Ashly Lyn Cafagna como Kennedy
Bonnie Somerville como Julia
ESCRITA E EDITADA POR
Luciana Rocha
REVISADA POR
Samir Zoqh
Rafael Schuindt
CRIADA E DESENCOLVIDA POR
Samir Zoqh
Luciana Rocha
MÚSICA TEMA
Late Great Planet Earth, Plumb
TRILHA SONORA
Dirty Little Secret, The All-American Rejects
Straightjacket Feeling, The All-American Rejects
Cursed, Christopher Beck
Faith’s End, Christopher Beck
Devil Child, Christopher Beck
Escape, Christopher Beck
A HYBRID STUDIOS PRODUCTION
DISTRIBUTED BY TELEVISION SERIES NETWORK
©2005
Série Virtual – Destination Anywhere – Invisível
24/11/2011, 12:12.
Redação TeleSéries
Ficção (séries virtuais)
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Série: Destination Anywhere
Episódio: Invisível (parte 1)
Temporada: 1ª
Número do Episódio: 1×07
CENA 1 – INT. COZINHA – DIA
A câmera mostra um relógio na parede de uma cozinha modesta. Ele marca 6:00 horas. MELISSA está vestindo um avental e com uma espátula na mão. A garota liga o rádio e sintoniza em uma estação.
[MÚSICA – WHAT I LIKE ABOUT YOU, LILLIX]
LOCUTOR: E para começar o dia com o pé direito, aumenta o som que elas estão chegando! What I like about you, das Lillix, esquenta essa manhã bonita! Lembrando a todos que estaremos sorteando dois ingressos para o show de amanhã em Oklahoma! Fiquem ligados!
A garota aumenta o som e dança ao mesmo tempo em que vira duas panquecas na frigideira.
MEL: [Canta] “Tell me I’m the only one wanna come over to night! Year!”
MEL despeja as panquecas em um prato na mesa. UM HOMEM [Noah Emmerich] aparece na cozinha e observa a garota que estava de costas, cantando, fazendo da espátula seu microfone.
HOMEM: Bom dia, filha.
MEL leva um susto e quase derruba a espátula. Ela sorrir com a mão no peito.
MEL: Oi, pai. [Baixa o som] Eu preparei o café hoje.
O homem senta-se à mesa e olha com orgulho a variedade de coisas. Há panquecas, torradas, ovos com bacon, leite, suco, geléia e uma pequena cesta de frutas.
HOMEM: Parece que alguém acordou de bom humor.
MEL: Você merece, afinal passa a semana inteira fora de casa. Precisa comer algo caseiro de vez enquanto, não acha?
HOMEM: Você esta dizendo que a comida da minha lanchonete não é saudável?
MEL: Isso mesmo. [Sorri] Você merece muito mais que isso, você merece… espera um pouco! Eu vou pegar o seu jornal lá fora!
HOMEM: [Sorrindo] Fala logo, Melissa. O que você quer?
MEL: [irônica] O quê? Eu não posso ser gentil com o meu pai?
MELISSA tira o avental.
HOMEM: Gentil você é sempre, meu anjo. Mas não às 6 da manhã.
MEL dá uma risada.
MEL: Eu pego o jornal e depois eu te falo.
HOMEM: E por que você não fala agora?
MEL: Por que você vai ficar feliz pelo jornal e as minhas chances podem aumentar.
MEL sai correndo.
HOMEM: Chances do que Melissa? Mel?
O homem balança a cabeça negativamente, mas mantém uma expressão cordial. Ele derrama cauda de açúcar em cima de algumas panquecas e se preparar para comer.
[Música fade out]
CENA 2 – EXT. CASA DOS BAKER – DIA
MEL procura o jornal e não o encontra. Ela suspira desanimada e se vira para a porta quando sente algo bater em suas costas. MEL olha para baixo e vê o jornal.
MEL: Mas que…
MELISSA olha para trás e vê um garoto na bicicleta rindo.
MEL: Seu moleque!
Ela corre atrás do menino, mas ele se distancia rapidamente fazendo com que a garota desista. MELISSA nota que há algo em sua caixa de correio, ela pega a carta e olha com espanto. No envelope está escrito: “Para Melissa, com amor.”
O PAI da ruiva aparece na porta.
HOMEM: Mel! Encontrou o jornal?
A garota rapidamente esconde a carta dentro da blusa, e disfarça um sorriso, virando-se aponta par o jornal no jardim.
MEL: Ali, papai.
O homem pega o jornal, enquanto a garota permanece parada.
HOMEM: Então, vi me dizer por que tanto mistério?
MEL: Eu nem lembro mais o que era… eu, eu tenho que ir me arrumar.
MEL dá um beijo no pai, e entra. Ele a observa intrigado, com o jornal na mão.
CENA 3 – INT. CASA DOS BAKER – QUARTO DA MEL
MEL encosta-se na porta e olha novamente para carta.
[MÚSICA TEMA – PROMISES, LILLIX]
CENA 4 – EXT. ESCOLA – DIA
Um grande ônibus amarelo está estacionado em frente à escola. MEL está sentada em um dos batentes da entrada principal da escola. A garota segura a carta, parece nervosa e distraída. Ela não percebe quando Sam se senta ao seu lado.
SAM: Terra chamando Melissa.
MEL olha imediatamente para o lado, mas sua expressão não muda ao ver o amigo.
MEL: Oi, Sam.
SAM: Passei na sua casa, mas você já tinha vindo.
MEL: Desculpa, não deu pra avisar.
SAM: Ei, você não parece bem.
MEL: [Irônica] Obrigada, Sam.
SAM: Não, não foi isso que eu quis dizer.
MEL esboça um sorriso.
MEL: Eu sei.
SAM respira calmo e colo seu braço em volta da amiga, que volta a olhar para frente.
CENA 5 – EXT. MESMO LOCAL
[MÚSICA – IT´S ABOUT TIME, LILLIX]
REBECCA e ALEXIA estão paradas perto de uma árvore. ALEXIA procura alguma coisa na bolsa.
ALEXIA: [Sorrindo] Olha só o que eu peguei do gabinete do papai!
BECKY: Ingressos pro show?
ALEXIA: Eu disse que a surpresa era boa, não disse?
BECKY: Você roubou ingressos pro show das Lillix? Você enlouqueceu?
ALEXIA: Nossa, Becky, calma! Eu não roubei, estava lá na mesa do meu pai. Se é dele, é meu também certo?
BECKY: Não?
ALEXIA: Claro que é! Se eu pedisse, ele não me daria, então optei pelo jeito mais fácil.
BECKY: E como você pretende ir? O show é em Oklahoma!
ALEXIA: O meu pai não quis pagar para liberar o carro que o idiotinha do meu irmão fez favor de deixar aquele guarda levar. Estamos os dois sem carro até “aprendermos a ter mais responsabilidade”, pode? Meu pai disse isso na frente de toda a delegacia. Eu teria rido se o carro também não fosse meu. Então eu estava pensando se você…
BECKY: Não, não, não. Meus pais não me deixariam pegar a auto-estrada, ainda mais a noite.
ALEXIA: Então eu peço ao Matt.
BECKY: Ai meu Deus!
REBECCA se esconde atrás de ALEXIA ao ver SAM e MEL conversando.
ALEXIA: O que foi?
BECKY: Nada. Só foi reflexo.
ALEXIA olha desconfiada para a amiga e depois olha para SAM.
ALEXIA: Becky. Você por acaso estava se escondendo do nerd? Você está um pouco estranha tem umas duas semanas já, desde o dia que você e o…
BECKY: Eu já disse que não aconteceu nada.
ALEXIA: A Christy espalhou pra toda a escola que vocês pareciam bem íntimos lá no parque.
BECKY: [Revira os olhos] Quem acredita nela? [Nervosa] Né?
ALEXIA: Então por que você fica nervosa toda vez que ele está por perto?
BECKY: Não é nada disso que você está pensando. O problema não sou eu! É ele. Você lembra de como ele costumava olhar para mim?
ALEXIA: Lembro sim. Era assustador.
BECKY: Ele procurava as situações mais inusitadas para falar comigo, sempre estava por perto, gaguejava quando eu falava com ele.
ALEXIA: É, e continua assustador.
BECKY: Isso tudo acabou!
ALEXIA: E aonde você quer chegar? Isso não é ótimo?
ALEXIA olha para BECKY, que estava bem séria.
ALEXIA: Ai, Deus! Você está sentindo falta do cachorrinho?
REBECCA olha para SAM conversando com MEL, que encosta a cabeça no colo do amigo.
BECKY: Acho que ele está tento um caso com a Melissa.
ALEXIA: Antes ele do que o Matt! [Ri]
REBECCA continua olhando para SAM.
BECKY: Olha só os dois.
ALEXIA: Ela é uma vaca. Vive correndo atrás do Matt, agora está correndo atrás do seu homem! Vai lá e pega o cachorrinho só pra você, Becky Sawyer!
REBECCA olha espantada para ALEXIA.
BECKY: O quê? Você está dizendo para eu correr atrás do Samuel?
ALEXIA: Acorda! Claro que não! Ew! Eu estou dizendo para você tirar ele dela, depois joga ele fora. No canil… ou num parque, tanto faz! [Ri]
REBECCA esboça um sorriso.
ALEXIA: Quem essa garota pensa que é? Vamos Becky, eu ajudo você, e em dois tempos você só vai precisar assobiar que ele vai vim com o rabinho entre as pernas.
BECKY: Eu não sei por que sou sua amiga.
CENA 6 – EXT. MESMO LOCAL
SAM passa a mão no cabelo da MELISSA. O garoto não nota que BECKY e ALEXIA estão olhando para ele. MEL levanta a cabeça e olha para SAM.
MEL: Eu acho melhor eu ir entrando. A gente se fala mais tarde.
MEL levanta-se e coloca sua mochila nas costas.
MEL: Caso você não tenha notado, a Rebecca tá olhando para cá, acho que ela vem falar com você.
SAM: [Nervoso] O quê?
MEL: Lembra dos 10 passos, não lembra? Seja sempre superior é o mais importante deles. E pare de gaguejar, é constrangedor.
SAM: Não vá! Mel.
SAM segura a mão da MELISSA, mas a garota se solta.
MEL: Sam, você não baixou a guarda para ela em duas semanas, não vai ser agora que você vai dá pra trás, não é?.
MELISSA entra correndo na escola. ALEXIA e REBECCA se aproximam de SAM. As duas começam subir a escada quando SAM se levanta. ALEXIA empurra REBECCA por cima do garoto e sai andando como se nada tivesse acontecido.
BECKY: Me desculpa!
SAM: [Preocupado] Você está bem? Quer dizer, [Sério] você está bem?
BECKY: Sim. Não foi nada.
SAM: Já que você está bem eu vou… entrar. É, entrar na escola.
REBECCA olha ao redor.
BECKY: Será que nós poderíamos conversar em um lugar mais privado?
SAM engole seco, mas se mantém firme.
SAM: Você está com vergonha de falar comigo aqui?
BECKY: Não é isso, Samuel. É só que… é que…
SAM encara BECKY esperando alguma resposta convincente.
SAM: Tchau, Rebecca.
REBECCA segura SAM pelo braço.
BECKY: Eu tenho tentado falar com você esses dias, mas você está sempre ocupado.
SAM: Pois é, pode parecer incrível para você, mas eu também tenho uma vida.
Ele vira o rosto e fecha os olhos, como se não acreditasse no que acabou de falar. REBECCA olha triste para SAM.
BECKY: Eu sei que você está com raiva de mim, mas do mesmo jeito que você achou que eu fosse diferente, eu também achei que você era diferente também. Diferente dos trogloditas que eu estou acostumada a sair, e pensei que talvez eu pudesse conhecer um lado dos homens que eu não conhecia. Agora eu sei que vocês são todos iguais.
SAM olha para BECKY com os olhos arregalados. Ele queria dizer algo, mas não conseguia.
SAM: [Pensando] Lembre dos passos! Lembre dos passos! Seja superior! Ah! Que se dane a superioridade!
SAM bloqueia a passagem da garota, que já se preparava para sair daquela situação.
SAM: Por quê que você está atrás de mim?
BECKY: Por que eu não quero que você tenha uma impressão errada sobre a minha pessoa…
SAM: Você se preocupa muito com o que os outros vão pensar de você.
BECKY: Não é verdade, eu me preocupo só com as pessoas que eu me importo.
SAM: Como a Christy?
REBECCA fica calada.
PHILL: Estou atrapalhando?
SAM fica atônito. Ele olha para o lado e vê SCOTT.
SCOTT: Tamo querendo falar com você irmãzinha.
[Música fade out]
PHILL: [Para Sam] Aê, mané. Dá pra você ir circulando?
BECKY: Deixa de ser grosso, Phillip. O Sam não vai à lugar nenhum.
PHILL olha pra BECKY como se tentasse entender a situação.
SCOTT: Deixa ele aí, Phill. É rápido.
BECKY: O que vocês querem?
SCOTT: Que você vá pra Oklahoma com a gente hoje.
PHILL: Eu não posso dirigir, nem o seu irmão.
BECKY: Vocês querem ir ao show das Lillix?
SCOTT: Isso!
BECKY: Por que vocês iriam ao show das Lillix?
SCOTT E PHILL: Garotas!
BECKY olha para os dois com cara de pena.
BECKY: O Scott sabe muito bem que os meus pais não me deixariam dirigir até lá.
SCOTT: É verdade, Phill.
PHILL: Cala a boca, Scott. [Para Becky] Inventa alguma coisa.
BECKY: Por vocês dois? Faça-me o favor.
PHILL: Eu sei que a Alexia quer ir também. Vamos nós quatro.
SAM parece impaciente.
SCOTT: Ele já fez todo o esquema.
PHILL: Isso, nós vamos até lá, eu alugo um quarto de hotel, nós dormimos em Oklahoma e voltamos de manhã cedo.
BECKY: Meu Deus! Nunca ouvi tanta besteira!
PHILL: Isso foi um não?
SCOTT: Eu falei que ela não ia topar.
PHILL: Obrigada por nada Rebecca.
BECKY: Disponha.
Os dois garotos entram na escola. SAM encara o chão.
BECKY: Você quer ir ao show?
O sinal da escola toca. O restante dos alunos corre para dentro da escola, atrapalhando a conversa dos dois.
SAM: Eu tenho que ir agora, falo com você depois.
BECKY: Okay.
CENA 7 – EXT. ESTRADA – DIA
[MÚSICA – ALWAYS LOVE, NADA SURF]
Um carro anda com certa dificuldade, ele salta algumas vezes antes de parar totalmente.
ANNA: [Grita] Eu não consigo!
MATT dá uma risada.
ANNA: Você quer parar de rir de mim? Eu disse pra você que eu não sabia dirigir.
MATT: A corajosa, a esperta, a astuciosa Anna não sabe dirigir? Eu não acreditei. Você era melhor do que a turma toda no auto pista!
ANNA: Verdade. Mas aqui não é um parque de diversões.
MATT: [Rindo] Lembra daquele dia que você saiu perseguindo os garotos de ré, foi hilário eu quase vomitei de tanto rir.
ANNA sorri ainda um pouco chateada.
ANNA: É melhor eu desistir, senão vamos chegar atrasados na escola.
Matt: Desistir? Chegar atrasada?
MATT dá outra risada. ANNA tira o cinto de segurança e abre a porta.
ANNA: Eu falo sério.
Ela desce do carro e abre a porta do lado do MATT. Ele tira o cinto e desce do carro. ANNA cruza os braços e ele para de rir.
MATT: Tá bom, tá bom. Eu não estou mais rindo.
ANNA sobe no carro. MATT solta um riso baixinho.
MATT: É só que você não parece com a Anna que eu conhecia.
Os dois ficam em silêncio por alguns instantes. MATT liga o carro.
ANNA: Vamos?
MATT: Vamos.
CENA 8 – EXT. FAZENDA – DIA
LOU olha para um carro que acabou de parar. Ela bota um chapéu de couro na cabeça e limpa as mãos na calça. A mulher franze os olhos para enxergar o motorista, mas não demora muito para que ele saia do carro.
[Música fade out]
LOU: Você aqui?
WILSON: Por que a surpresa? Vim pagar o que te devo.
LOU: Eu não quero nada de você. Faz favor? Pode ir dando o fora da minha propriedade.
WILSON: Calma, calma menina. Olha o jeito que você fala comigo.
LOU: É o melhor que eu posso fazer por você.
WILSON tira um envelope do seu terno.
WILSON: Isso aqui dá pra cobrir o valor da fiança do meu filho, e ainda sobra.
LOU encara o prefeito.
LOU: Eu não quero o seu dinheiro.
Ele insiste em dá o envelope.
LOU: Você pegue esse envelope e enfie no…
WILSON: Olha lá o que você vai dizer! Aceite logo, eu não quero que digam que eu não cumpro com as minhas obrigações.
LOU: Se eu aceitar esse envelope você vai embora, não vai?
WILSON: Só se você quiser que eu fique.
LOU pega o envelope.
LOU: Tchau, senhor prefeito.
WILSON ri.
WILSON: Tchau, Louise.
O prefeito entra em seu carro e vai embora. LOU espera o homem desaparecer de sua vista e abre o envelope. Ela vê um cheque e um bilhete com um número de telefone.
CENA 9 – EXT. ESCOLA – COMPLEXO ESPORTIVO – DIA
[MÚSICA – SAY IT ISN´T SO, BON JOVI]
Mostra a cidade, depois a escola. SCOTT está sentado no banco de reservas e olha para o campo desconsolado. Ele ajeita a sua tipóia e responde o gesto do treinador com a cabeça.
O treinador apita duas vezes e os alunos se sentam no meio do campo. Ele fala algumas palavras e os alunos se dispersam. MATT pega uma garrafa com água e vai até SCOTT. Ele pega uma toalha branca e observa o colega de time.
MATT: Ei, você está bem?
SCOTT balança a cabeça positivamente, mesmo assim seu rosto não esconde o quanto transtornado o garoto está. MELISSA espera o amigo sair do campo.
MEL: Matt! Aqui…
Ela está bem mais séria do que de costume.
MEL: Eu te procurei o dia todo.
MATT: O que foi que houve?
Os dois se sentam na arquibancada. MELISSA está com o rosto um pouco inchado e os olhos ligeiramente vermelhos.
MATT: O que houve? Você estava chorando?
MEL: [Negando] Uh, não! Claro que não…
MATT: Mel…
MEL: Ok. Eu estava sim. Posso te fazer uma pergunta?
MATT: Claro. Aconteceu alguma coisa?
MEL: O que você faria se seu pai te chamasse pra ir morar com ele em Nova York?
MATT: Eu mandaria ele ir…
MEL interrompe.
MEL: Está certo, eu já entendi. Mas você tem seus motivos, e se seu pai não fosse assim tão idiota quanto ele é? Se ele não tivesse abandonado você e sua mãe, quando ela mais precisou dele, mesmo sabendo que ela estava morrendo?
MATT: Mel, eu não estou entendendo.
MEL: Essa manhã eu fui até a caixa de correio e tinha uma carta da minha mãe. Eu pensei que era só mais um postal, mas quando eu abri era uma carta mesmo, com papel e várias linhas escritas.
MATT: O que tinha na carta?
MEL: Ela disse que estava em Oklahoma por uns dias e perguntou se eu não queria passar uns tempos com ela. Ela disse que estava trabalhando e…
MATT: Mel, e o seu pai?
MEL: Eu sei, Matt… Olha, eu sempre esperei que um dia a minha mãe viesse me buscar. Eu amo meu pai, mas ela é minha mãe…
MATT: O seu pai sabe disso?
MEL: Não. Eu não sei se vou contar à ele, mas de qualquer modo estou pensando em ir à Oklahoma e conversar com ela.
MATT: E como você vai para…
MATT é interrompido por uma voz estridente.
ALEXIA: [Grita] Matthew?
MATT: Oi, Alley.
ALEXIA se aproxima.
ALEXIA: Eu estava te procurando.
A garota curva-se e beijo o namorado na boca
Mel se levanta.
MEL: Eu vou pra casa.
ALEXIA: Ih, garota. Desculpa, não te vi aí.
MELISSA olha para ALEXIA e passa por ela quase a derrubando. ALEXIA se prepara para revidar, mas é segurada pelo MATT.
MATT: Qual é a tua? Você não se cansa de perseguir a Mel?
ALEXIA: Ela não presta e você não consegue ver. Além do mais, ela quem começou!
MATT: “Ela quem começou”? Não seja infantil, a Mel nem ao menos falou alguma coisa.
ALEXIA: Não é isso. Ela além de ficar dando em cima de você agora deu pra correr atrás do seu amigo Samuel. A Rebecca me contou que os dois se beijaram na frente dela.
MATT: A Mel e o Sam?
MATT dá uma gargalhada.
MATT: Não inventa coisas, Alley.
O garoto se prepara para sair. ALEXIA olha para ele com uma cara meiga, ela joga a cabeça um pouco para direita e sorrir.
MATT: Eu preciso ir.
ALEXIA: [Séria] Você tá muito estranho esses dias.
MATT: Eu sempre estou estanho pra você.
ALEXIA: Ei, calma. Não precisa me tratar assim.
MATT coloca a mochila nas costas. ALEXIA se põe na frente dele. Ele encara a garota. Ela sorri e o beija.
MATT: Alley, eu tenho que ir agora.
ALEXIA: Mas antes eu quero te pedir uma coisa.
MATT: Fala logo.
ALEXIA: Me leva pra Oklahoma amanhã? Eu consegui ingressos pro show das Lillix, ótimos lugares!
Ela tira os ingressos da bolsa e mostra para ele.
ALEXIA: Meu pai me deu. Mas o Phill não pode dirigir, e eu disse que você me levava. Você me leva, não?
MATT: Eu prometi à minha tia que ia ajudá-la na fazenda.
ALEXIA: A fazenda não vai sair do lugar dela, já o show das Lillix? Olha, quantas vezes nós temos algo de divertido para fazer aqui? Quase nunca! A sua tia vai entender, eu tenho certeza. Por favor, Matt. Por favor, por favor, por favor…
MATT: Eu vou falar com ela, se ela não se importar eu levo você…
ALEXIA pula em cima do MATT e quase o derruba.
ALEXIA: Valeu!
MATT: Eu ainda não disse que ia…
ALEXIA: Eu sei que você vai dá um jeito.
MATT: Agora eu tenho que ir.
ALEXIA: Tchau.
[Música fade out]
ALEXIA sorri e olha para o irmão, que a encara do campo. Ela mostra os ingressos ao irmão e articula “Eu vou” para PHILL.
CENA 10 – EXT. ESCOLA – COMPLEXO ESPORTIVO – DIA
CARTER joga sua toalha no banco, em que SCOTT está sentado. Ele pega uma garrafa de água e oferece ao garoto, que responde negativamente com a cabeça. O treinador senta-se ao lado do goleiro.
CARTER: Eu falei com o seu fisioterapeuta, ele disse que você tira a tipóia em mais duas semanas.
SCOTT: Eu sei. Quase não dói mais.
PHILL se aproxima dos dois. Ele finge está bebendo água, para escutar a conversa.
CARTER: Depois disso você ainda vai fazer algumas semanas de fisioterapia no ombro.
SCOTT olha para o treinador confuso.
CARTER: O que eu estou querendo dizer é que eu acho melhor você procurar outra atividade para você fazer, ou isso acabará prejudicando no seu boletim. Eu conversei com os seus pais e…
SCOTT: Eu não quero sair do time. Eu só sei fazer isso, treinador. Eu não tenho mais talento para nada. Que tipo de atividade eu vou fazer? Artes? Eu não sou veado pra ficar dançando, pintando flores, esses tipos de frescura.
CARTER: Eu não estou tirando você do time, Sawyer. Só estou aconselhando você à pensar em outro tipo de atividade.
SCOTT olha para baixo.
CARTER: Só quero que você saiba que tem outras opções.
JAMES CARTER passa a mão na cabeça do garoto e sai. PHILL se aproxima.
PHILL: Ei, irmão. Não fica assim.
SCOTT: Se eu sair do time, o que eu vou fazer?
PHILL: Você não vai sair do time. Eu disse pra você que vai ficar tudo bem, não disse? Você é meu camarada, se aquele treinador metido a besta pensa que pode tirar você assim ele está muito enganado. Não houve nada demais contigo, não é?
SCOTT: É…
PHILL: Você me ajudou dizendo aos meus pais que eu não tive nada com seu acidente e eu vou te ajudar com o Carter. Uma mão lava a outra.
SCOTT: O que você está pensando em fazer?
PHILL: Se ele te tirar do time, eu dou um jeito dele ser demitido ou algo assim.
SCOTT: E você pode fazer isso?
PHILL: Meu pai pode.
CENA 11 – INT. CASA DOS GRAHAM – TARDE
MATT entra em casa e estranha o silêncio.
MATT: [grita] Lou?
Ninguém responde. Ele entra em seu escritório e percebe que há alguns papeis em cima da mesa. MATT coloca a mochila no chão e senta-se na cadeira da tia. Ele examina cuidadosamente os papeis. O garoto franze a testa.
MATT: Isso é muito estranho.
Ele abre uma pasta azul ao lado do computador. Há mais papeis.
LOU: O que você está fazendo ai?
MATT: Tia? Eu…
LOU: Sai já daí.
MATT se levanta.
MATT: O que está havendo tia? O que são esses papeis?
LOU: Isso não é assunto para você, Matthew.
MATT: Como não tia? Segundos esses papeis… Nós estamos ferrados. E você não ia me contar?
LOU: Eu não quero que você se preocupe com essas coisas, Matt. O que você pode fazer? Você já me ajuda demais.
MATT: Não é esse o ponto tia. O que houve aqui? Eu pensei que estava tudo bem. Você comprou mais terra, estamos produzindo mais, não estamos?
LOU: Sim, estamos. Mas segundo o Will… quer dizer, segundo a prefeitura, as terras que eu comprei estão taxadas como terra… terra… terra petrolífera, algo assim. Ali não tem petróleo algum, senão eu não teria comprado pelo preço que eu comprei.
MATT: Você investiu alto naquelas terras.
LOU: E mesmo se eu as vender, eu vou ter um grande prejuízo. Eu já contratei uns advogados, eles vão resolver isso logo.
MATT: E enquanto isso você paga as taxas?
LOU: [Revoltada] É por isso que eu quero matar o Will.. o prefeito. Ele quer me ferrar, eu tenho certeza!
LOU olha para MATT, que parecia não entender o comentário da tia.
MATT: Por que ele iria querer uma coisa dessas?
LOU: O quê? [Disfarça] Ele não quer nada. Ah, eu quero saber se amanhã você pode me ajudar aqui? Eu vou passar o dia fora e preciso que você fique lá, brincando de caubói.
MATT ri.
MATT: Minha missão de vida. Está certo, eu dou uma olhada no pessoal, mas você promete não me deixar por fora desses assuntos?
LOU: Está certo, eu prometo.
CENA 12 – EXT. CASA DOS DANES – TARDE
ALEXIA e REBECCA olham para a moto estacionada na frente da casa do prefeito.
BECKY: Isso deve ser coisa do Phillip.
ALEXIA: Será que ele roubou uma moto?
As duas riem.
CENA 13 INT. MESMO LOCAL – SALA
ALEXIA: O Matt vai levar a gente, ele me prometeu.
BECKY: Bom, eu estou até gostando da idé…
REBECCA é interrompida por ALEXIA. A garota segura a amiga pela barriga a puxando para trás. As duas estão em frente ao sofá onde um rapaz, que tem o rosto coberto por um chapéu, está cochilando.
Alexia: [Sussurrando] Eu acho que achamos o dono da moto.
Becky: [Sussurrando] Aí, meu Deus! Você conhece ele?
Alexia: [Sussurrando] Não dá pra ver direito. Mas eu acho que não.
Becky: [Sussurrando] Ele pode ser um ladrão, ou um seqüestrador.
Alexia: E por que ele dormiria na cena do crime?
As duas se aproximam do rapaz. Ele se levanta, assustando as duas garotas. Alexia cobre os olhos com as mãos e começa a gritar. O Garoto [Travis Fimmel] agarra Alexia e tapa a boca dela, a garota começa a se debater. Rebecca tenta abrir sua bolsa, mas a garota está tremendo.
BECKY: Socorro!! Socorro!!
REBECCA corre pela sala.
RAPAZ: O que você esta fazendo?
BECKY: Eu vou chamar a policia! Ai, meu Deus, eu não devo satisfações a você!
RAPAZ: Não faça isso!
Ele anda em direção da REBECCA ainda segurando ALEXIA. REBECCA consegue pegar o celular. Ele solta ALEXIA que continua a gritar, e corre atrás da REBECCA. A garota, assustada, joga o celular no chão. ALEXIA pega algumas almofadas e começa a bater no loiro, REBECCA se junta À amiga e dá algumas investidas contra a cabeça do rapaz.
RAPAZ: [Indignado] Vocês estão malucas?
PHILLIP DESCE as escadas e olha para a cena com estranheza.
PHILL: Do que vocês estão brincando?
O garoto pega uma almofada;
PHILL: Meninos contra meninas?
PHILLIP joga a almofada em ALEXIA.
ALEXIA: Você enlouqueceu?
BECKY: Ele está tentando seqüestrar a Alexia!
PHILL cai na risada. O rapaz também sorrir. As duas garotas ficam sem entender. ALEXIA toma fôlego e ajeita o cabelo.
ALEXIA: Qual a graça?
PHILL: [Rindo] Ele é nosso primo.
RAPAZ: Jordan.
O rapaz estica a mão para ALEXIA, a garota aperta a mão dele com receio.
ALEXIA: Eu não sabia que você estava aqui.
JORDAN: Eu estou de passagem, não vou demorar muito.
Ele olha para ALEXIA, dos pés a cabeça.
JORDAN: Então você que é a Alexia? Ouvi falar muito de você.
ALEXIA: O quê, por exemplo?
JORDAN: Que você estudava em uma escola em Vermont.
ALEXIA: Ah. Certo. [Para Becky] Amiga, vamos?
REBECCA concorda e as duas saem da sala sem ao menos se despedir do recém chegado.
JORDAN: E ai, tampinha. Sua irmã tá uma gata, hein…
Ele pega o chapéu e coloca na cabeça.
PHILL: Ela é sua prima, seu punk.
JORDAN: De terceiro grau? Isso não é nem parente. [Ri] Gostou do meu “look” caipira? Tô igual a vocês, não estou?
PHILL fica calado.
JORDAN: [Grita] Não estou?
PHILL: Está. Está sim.
JORDAN sorri.
JORDAN: Soube que tu andou fazendo besteira esses dias… tua mãe mandou eu colar em você.
PHILL: Ótimo, agora essa… Quanto tempo você disse mesmo que ia ficar?
JORDAN sorri.
CENA 14 – INT. RED’S – NOITE
[MÚSICA – KISS ME, SIXPENCE NONE THE RICHER]
SAM e MATT estão sentados em uma mesa.
MATT: [Rindo] Você beijou a Melissa?
SAM: Shhhh… Quem falou isso pra você?
MATT: Então é verdade?
MATT dá uma gargalhada. SAM ri nervoso.
SAM: A Mel me disse que não era pra eu contar pra ninguém…
MATT continua rindo. MELISSA se aproxima dos dois com um copo de refrigerante. A garota se senta ao lado do MATT e começa a rir também.
MEL: [Sorrindo] O quê?
MATT: Você e o Sam se beijaram?
MEL faz uma cara de furiosa e bate em SAM, ele se esquiva.
SAM: Eu não contei!
MATT: Ele não contou, foi a Alexia quem me disse.
MATT olha para os dois. MELISSA está furiosa e SAM constrangido. MATT cai na risada novamente.
MEL: Eu fiz isso pelo Sam. A Rebecca foi lá encher a cabeça dele de coisas e se eu não tivesse me intrometido ele ia cair no conto da líder de torcida desprotegida. [Para Matt] Igual a você.
MATT: Ouch.
SAM: Eu nunca pensei que eu seria capaz de ignorar a Becky…
MATT: E por que você faria isso? Ela me disse que estava muito arrependida, me pediu teu endereço para ir se desculpar e tudo mais.
MEL: [Para Matt] Você não vai levar o Sam pro seu lado.
O celular de MATT toca.
MATT: É a Alley, volto já! Comportem-se vocês dois.
MEL: [Pra Sam] Viu só? Você quer ficar assim?
SAM sorri. MATT sai da mesa e vai atender ao telefone do lado de fora.
SAM: A Becky quase me convidou para ir ao show das Lillix hoje.
MEL: Em Oklahoma? Você vai?
SAM: Eu não sei. Eu não tenho certeza se ela quer que eu vá.
MEL: Por que você não vai e descobre?
SAM olha para MELISSA.
MEL: O quê?
SAM: Por que você quer que eu vá atrás dela? Mudou de idéia em um segundo?
MEL: [Suspira] Eu preciso de uma carona até Oklahoma.
SAM: Pra quê?
MEL: Eu preciso falar com a minha mãe.
SAM: [Grita] Sua mãe?
Algumas pessoas olham para mesa deles.
MEL: Shhh… Fala baixo. Eu recebi uma carta dela hoje. Ela está na capital. Eu preciso falar com ela.
SAM: Mas Mel…
[Música fade out]
MEL: Mas se você não quiser ir eu posso pegar um ônibus.
Sam fica pensativo.
MEL: [Sorri] Se você me levar lá eu deixo você se humilhar pra “Becky”.
CENA 15 – EXT. MESMO LOCAL
[MÚSICA – INVISIBLE, LILLIX]
MATT: Eu não posso Alexia! Eu não dei certeza. Quer parar de gritar?
ANNA se aproxima do MATT. Ela para na frente dele e sorri. Ele aponta para o telefone e fala “Alexia”, a garota faz cara de nojo. MATT a reprova com um olhar.
MATT: Claro que eu gosto de você! Tá bom, “eu amo”. Isso não vai resolver nada. Certo, se você quer ir vá.
MATT olha para o telefone.
MATT: Desligou na minha cara.
ANNA abraça MATT.
ANNA: Está tudo bem?
MATT: É, mais ou menos. Eu preciso ajudar a minha tia amanhã e a Alley quer ir pra Oklahoma vê o show das Lillix.
ANNA: E ela não entende que você tem que ficar? Que egoísta.
MATT: [Triste] Ela não é sempre assim.
ANNA: Eu entendo, Matt. [Fala baixo] O amor é cego.
MATT: O quê?
ANNA: Nada. Eu falei que você está certo.
MATT sorri.
MATT: Pronta pra outra aula de direção?
ANNA: [Irônica] Se eu encontrar um bom professor, que não fique rindo de mim, talvez.
MATT ri.
MATT: Quer ir à fazenda amanhã comigo?
ANNA: Matt Graham virou caubói?
MATT ri.
ANNA: Você usa espora e chapéu de couro, não usa?
MATT: Você só vai descobrir se você for lá.
ANNA: O que houve com o seu ódio por Tulsa e tudo o que envolve essa pacata vida provinciana?
MATT: Acho bom a gente não fica falando muito do passado. Eu acho legal isso daqui, você e eu juntos de novo, mas…
ANNA: Eu entendo.
Matt parece triste.
ANNA: Então caubói, eu preciso levar meu próprio chapéu?
Os dois riem. MATT coloca seu braço por cima do ombro da amiga.
CENA 16 – INT. QUARTO DA ALEXIA – NOITE
[Música fade out]
ALEXIA: [Grita] Eu não acredito nisso!
A garota puxa um ursinho de pelúcia da estante e joga em direção à porta e JORDAN pega.
JORDAN: Virou moda atirar coisas em mim?
ALEXIA: O que você está fazendo aqui?
JORDAN: Eu estava descendo, mas ouvi uns gritos, resolvi checar se a mocinha estava bem.
ALEXIA: Muito nobre da sua parte, seu intrometido.
JORDAN: Ih, não vem descontar seu mal-humor em cima de mim só por que brigou com o namoradinho.
ALEXIA joga outro bichinho em cima do primo.
JORDAN: Se você fosse mais educada, eu te levava na capital.
ALEXIA: Você faria isso?
JORDAN: Não me custa nada um pouco de diversão… e sua amiga vai também, não vai?
ALEXIA: A Becky? Vai. Por quê?
JORDAN: Só quero me certificar que a viagem vai valer à pena mesmo.
ALEXIA: Você é um nojento.
JORDAN: E pelo visto sua ultima opção.
ALEXIA fica calada por um tempo..
ALEXIA: [Pensativa] Se fossemos de ônibus demoraria muito. [Pra Jordan] Nós vamos depois da escola amanhã, ok?
JORDAN: Combinado.
ALEXIA: Agora você pode sair daqui.
JORDAN concorda, sorrindo ele sai do quarto e dá de cara com o PHILLIP.
PHILL: Eu também quero ir.
JORDAN: Ops… acho que não tem vaga.
PHILL: Qual é cara? Só vai você e as meninas.
JORDAN: Eu vou pensar no seu caso. Agora sai da minha frente.
CENA 17 – INT. CASA DOS BAKER – SALA – NOITE
DAVID SAWYER e JAMES CARTER conversam na sala, SCOTT observa tudo da escada.
CARTER: Eu não posso mantê-lo no time. Eu sinto muito.
DAVID: Droga. Você tem certeza?
CARTER: Eu não sei quando ele vai poder jogar. Pode levar semanas, pode levar meses.
DAVID: É uma pena, o garoto só sabe fazer isso.
CARTER levanta-se.
CARTER: Eu acho que ele pode descobrir algo mais. Eu sinto muito.
DAVID: Muito obrigado pela visita.
SCOTT observa os dois homens se despedirem. REBECCA senta ao lado do irmão.
BECKY: O que houve?
SCOTT: Me tiraram do time.
SCOTT sobe as escadas correndo.
SCOTT: Ele vai se arrepender.
REBECCA olha para o irmão, mas ele fecha a porta do quarto com força. A garota desce até a sala e liga a TV.
REPÓRTER: [TV] É a primeira vez de vocês aqui em Oklahoma?
TASHA: [TV] Sim, e estamos muito ansiosas por estar aqui.
DAVID: Quem são essas?
BECKY: Lillix.
REPÓRTER: [TV] E qual é a expectativa de vocês para o show de amanhã?
LACEY: [TV] As melhores possíveis.
KIM: [TV] Vamos detonar Oklahoma!
O telefone toca. REBECCA vai atender.
CENA 18 – INT. QUARTO DA ALEXIA
Alexia: Prepara as suas coisas, amiga. Vamos para Oklahoma amanhã depois da aula.
CONTINUA
ELENCO
Jonathan Bennett como Matthew Graham
Natalie Portman como Anna Mackenzie
Mena Suvari como Rebecca Sawyer
Lindsay Lohan como Melissa Baker
Austin O´Brian como Scott Sawyer
Joseph Gordon-Levitt como Samuel Wood
Kate Bosworth como Alexia Danes
Brad Renfro como Phillip Danes
Marisa Tomei como Lou Graham
ATORES CONVIDADOS
Noah Emmerich como Karl Baker
Greg Kean como David Sawyer
John Wesley Shipp como James Carter
Todd Field como Wilson Danes
Travis Fimmel como Jordan
PARTICIPAÇÃO ESPECIAL
Heather Locklear como Carol Sawyer
Spencer Breslin como jovem Matthew Graham
Keaton Tyndall como jovem Anna Mackenzie
MÚSICA TEMA
Promises por Lillix
TRILHA SONORA
What I Like About You por Lillix
It’s About Time por Lillix
Always Love por Nada Surf
Say It Isn’t So por Bon Jovi
Kiss Me por Sixpence None The Richer
Invisible por Lillix
ESCRITO POR
Clara Lima
Sarah Lima
DIRIGIDO POR
Clara Lima
GRÁFICOS POR
Clara Lima
CRIADO POR
Clara Lima
Sarah Lima
DISTRIBUIDO POR
TVSN
® 2004-2006
Canal Glitz vai exibir Hart of Dixie, nova série de Rachel Bilson
23/11/2011, 21:48.
Redação TeleSéries
Notícias
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Uma das séries novas mais elogiadas da temporada, o drama Hart of Dixie, já tem canal de exibição no Brasil. O grupo Turner América Latina anunciou nesta quarta-feira que a série será exibida em 2012 no Glitz, seu canal de entretenimento e estilo de vida.
A série é estrelada por Rachel Bilson (a Summer de The O.C..), que faz o papel de uma média de Nova York que resolve se mudar para uma pequena cidade do Alabama. No elenco do seriado estão ainda Scott Porter (Friday Night Lights), Jaime King (Gary Unmarried) e Cress Williams (Prison Break).
A série, no entanto, deve demorar para chegar – a estreia no Brasil está prevista apenas para maio. Hart of Dixie fará parceria na grade do Glitz com outro seriado jovem, Gossip Girl, que deve ter sua quinta temporada exibida a partir de abril.
Para saber mas sobre Hart of Dixie, leia a nossa review do primeiro episódio da série.
O Glitz é distribuído no Brasil pelas operadoras de TV paga Net, Sky, GVT TV, Oi TV, Via Embratel e Telefônica TV Digital.
Com informações da Turner América Latina.
Weeds terá oitava temporada
14/11/2011, 23:21.
Redação TeleSéries
Notícias
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O canal de TV por assinatura Showtime anunciou na semana passada a renovação da comédia adulta Weeds para uma oitava temporada. O seriado estrelado por Mary-Louise Parker ganhará 13 novos episódios, que serão produzidos e exibidos em 2012.
A sétima temporada de Weeds, ainda inédita no Brasil, foi ao ar de junho a setembro nos EUA, e promoveu uma nova mudança de cenário na série, com Nancy e os filhos se mudando para Nova York.
No Brasil, os primeiros seis anos da série foram exibidos pelo canal GNT. Reprises são exibidas ainda nos canais A&E e Globosat HD.
Com informações do The Futon Critic.
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