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Opinião

Medium se esgotou?

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Cena de Medium

Um leitor do TeleSéries, intitulado Dr. Bambei assinou na semana passada um comentário sobre a série Medium, dizendo:

Vai terminar esta noite a fraca temporada de Medium. Eu respeitava este seriado, até a produção querer transformá-la em uma nova Ghost Whisperer (que aliás, este ano também foi fraquíssima).

Ele não é a única pessoa que vi criticar a série. Teve jornalista também malhando. A colega Camila Saccomori, colunista do jornal Zero Hora, foi além e escreveu o seguinte sobre a série:

Alguém conseguiu acompanhar esta tinhosa quarta temporada de Medium? (…) O pior é que teremos uma quinta temporada.

Calma, calma! Acho que cabe fazermos uma análise mais ponderada desta quarta temporada de Medium.

Quando um crítico, um jornalista, um fã, pede pelo cancelamento de um seriado é porque ele se esgotou. E não creio que Medium tenha se esgotado – há uma distância considerável da série para outras que realmente encheram o saco – além de algumas óbvias como Smallville e ER, dá pra destacar, no mesmo gênero, The Dead Zone, que mudou bastante em seu último ano mas continua passando a impressão de esgotamento.

Sobre o comentário do Dr. Bambei, em primeiro lugar eu discordo da comparação com Ghost Whisperer. Não vejo nada em Medium este ano que se assemelhe a Ghost Whisperer. Medium às vezes cai no drama, mas nunca naquele melodrama da Melinda Gordon e seus espíritos fazendo passagens para o além. Mas imagino que não foi nisto que o Bambei pensou. Talvez ele tenha pensado no fato de que a solução de alguns episódios (especialmente a da finale) aconteceu de forma meio mágica, meio forçada, anti-natural, como costumam ser as coisas Ghost Whisperer.

Mas o que se passa com Medium que faz uma pessoa a comparar série com outra muito inferior e uma jornalista a praticamente cancelar o programa?

O fato é que Medium teve um final de temporada irregular, mas que não foi necessariamente ruim. Eu observo sobre isto duas coisas:

1) A premissa da temporada era que ela seria mais sombria, com o segredo de Allison exposto e Joe desempregado. Realmente, foi duro assistir, e por conta disto o seriado nos privou dos episódios mais fofos de temporadas anteriores (aqueles onde a Bridgette roubava a cena). Aposto que muita gente curtiu Aftertaste, aquele em que Joe fica ligando pra Índia, pra tentar evitar que o atentende de telemarketing tenha sua casa roubada. Ou, melhor ainda, A Cure for What Ails You, onde Joe tenta inventar uma maneira de que Marie não leia a mente do oculista e ganhe um par de óculos. Este humor da série acabou ficando em segundo plano. Além disto, os roteiristas foram desafiados a criar casos onde Allison não ajudasse a polícia diretamente, mudando a estrutura da série – acho que deu certo no início da temporada, com Allison trabalhando com Cynthia Keener, Devalos e até mesmo seu ex-inimigo Larry Watt. Lá pro fim parece que eles cansaram de inventar desculpas e a série voltou ao seu caminho original.

2) A greve dos roteiristas nitidamente prejudicou a fase final do seriado. Repare que Medium teve apenas 16 episódios – era esperada que a temporada fosse menor porque a série estreou em janeiro, mas a impressão nítida é de que isto parece ter afetado principalmente o arco final da temporada. Eu acredito que o arco com a Kelly Preston (Meghan) deveria ter sido um pouco maior (no mínimo precisaria um episódio pro Joe ser indenizado e então um segundo, onde ele receberia a proposta de emprego e descobriria o que aconteceu com seu projeto). A saída de cena do promotor Van Dyke também foi completamente apressada (eu queria uma eleição! E queria ver a Allison prevendo o resultado). Nitidamente alguma coisa foi abreviada por aí. De qualquer maneira certamente concordo com a Camila de que o final foi ruim.

Medium também irritou abusando de um expediente que deu certo na temporada passada – o dos episódios com continuação. A série teve este ano dois casos policiais que continuaram no episódio seguinte: o cansativo Burn Baby Burn e o bom Wicked Game (o da despedida da Anjelica Huston). Mais pro final da tempoada o “continua” apareceu em outro episódio, mas só pra costurar a trama de Joe e Meghan.

Eu acredito que Medium talvez seja a série mais difícil de se escrever da TV. Porque é uma série que exige o elemento surpresa. E reconheço que alguns episódios do último ano foram baseados em idéias tolas. Será que era disto que Bambei falava? De Car Trouble, com Allison dirigindo um carro mal-assombrado, ou Being Joey Carmichael, com Miguel Ferrer interpretando gêmeos assassinos? Mas, apesar de não parecer, Medium é um procedural drama. E séries assim tem episódios bons e outros ruins, porque algumas idéias são boas e outras nem tanto. Faz parte do gênero.

O que me importa é que Medium ainda tem o poder de me surpreender. E tivemos alguns episódios muito especiais nesta temporada – Lady Killer, com Rosanna Arquette e o surpreendente assassino em série homossexual foi demais!

Em resumo, Medium já não é mais tão incrível quanto em seus primeiros anos. Mas longe de mim comparar as histórias de Allison DuBois com as da Melinda Gordon. E muito menos dizer que a série deveria ser cancelada. Eu ainda quero mais.

Séries citadas:

É jornalista, pós-graduado em Jornalismo Digital pela Pucrs e trabalha com produção de conteúdo para Internet desde 1995. É editor de internet do Jornal do Comércio, de Porto Alegre. Fundou o TeleSéries em agosto de 2002. Na época, era fã de The West Wing, The Shield, Família Soprano e Ed. Atualmente é viciado em The Good Wife, NCIS, Game of Thrones e Parks and Recreation.

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